Marc Márquez chegou bem à Espanha, mas uma lesão grave afastou-o do campeonato e, num ano atípico, estar de fora até quase novembro é a “morte do artista”. Por isso, o Bola na Rede traz-te quatro candidatos ao título. Talvez cinco…!
Nota: Não excluir, de todo, o piloto Português da KTM Tech 3. Nem que seja pela vontade que já demonstrou em ser campeão do mundo já em 2020.
Uma semana após o SummerSlam, a WWE apresentou outro evento especial: Payback. Ora, apesar de ter tido pouco tempo de preparação, o evento ultrapassou as minhas expectativas.
O maior destaque do Payback foi o finisher do último combate do evento – “The Fiend” Bray Wyatt x Roman Reigns x Braun Strowman.
Desde o fim do campeonato e início da janela de transferências do FC Porto, a posição que tem sido mais debatida tem sido a de avançado. Muitos nomes têm sido associados e parece neste momento que, pelo menos, Taremi pode estar mesmo a caminho do Dragão. Isto tudo porque parecia faltar um nome forte para fazer dupla com Marega, jogador indispensável para a ideia de jogo de Conceição.
Contudo, têm surgido nos últimos dias muitas notícias que falam da recusa de um novo contrato por parte do avançado maliano, condição que seria completamente necessária para a sua continuidade no FC Porto, dado que termina contrato em junho de 2021. Se de facto Marega abandonar o clube, muda muito o paradigma da busca por avançados na mente dos dirigentes portistas. Em vez de ser necessário um jogador que complemente as qualidades do maliano, é agora fundamental encontrar um jogador mais nos moldes de Marega.
Aqui entra Boulaye Dia, avançado francês que atua, atualmente, no Stade de Reims. É forte, possante e consegue atingir velocidades bem acima da média. Com a bola nos pés, parece estar mais à vontade do que Marega, ainda que não seja um tecnicista de eleição. Marcou uns respeitáveis oito golos na passada edição da Ligue 1, sendo um dos protagonistas da boa campanha do Reims.
O que parece dificultar um possível negócio pelo avançado francês pode ser o preço exigido pelo Stade de Reims. Os valores que têm sido falados devem rondar os 15 milhões de euros. Caso seja este o valor, parece-me que a transferência não se concretizará. Como é sabido, o FC Porto não passa pelo seu melhor período em termos de segurança financeira, e mesmo com o valor que receberia de Marega, é difícil imaginar os Dragões passarem sequer os 10 milhões por um jogador.
Ainda assim, algo que pode ser vantajoso neste possível negócio é a idade de Boulaye. O francês tem apenas 23 anos e tem, portanto, uma margem de progressão razoável. Considerando que muitas das compras dos últimos anos dos Dragões têm sido de jogadores mais nos 27/28/29 anos (Uribe, Marchesín, Zé Luís, Claúdio Ramos, Carraça), seria interessante ver o FC Porto a voltar a apostar em jogadores mais novos que possam significar, depois de algumas boas épocas, um forte encaixe financeiro numa consequente venda.
Possivelmente o pior adversário nas circunstâncias menos apetecíveis: ao SL Benfica de Jorge Jesus calhou em sorte o PAOK de Abel Ferreira na Liga dos Campeões, num embate único a ser jogado no Toumba, casa dos gregos, a 15 ou 16 de Setembro.
Numa fase da competição em que dificilmente os encarnados não teriam condição de favoritos, esta era a única hipótese de equilíbrio na balança da competitividade. Os gregos já despacharam de forma contudente o Besiktas JK na ronda anterior (3-1, com 3-0 aos 29’ e oportunidade de fazer o 4-1 aos 41’, através de uma grande penalidade falhada) e olham para a visita de Jorge Jesus como nova oportunidade de mostrar qualidades que lhes permitam alcançar o que nunca conseguiram – a entrada na fase de grupos da Champions.
As águias negras apresentam-se em 2020-21 com as ideias do seu treinador completamente consolidadas e espera-se muito de uma equipa que não conseguiu destronar o Olympiakos FC do topo do futebol grego (segundo lugar na liga), mas que promete outras ambições para esta época.
No primeiro ano de Abel Ferreira os resultados europeus não foram animadores, houve queda nas primeiras rondas europeias (5-4 agregado com o Ajax na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, 3-3f com o Slovan Bratislava no play-off da Liga Europa), mas nas provas nacionais só o conjunto de Pedro Martins foi mais forte (além do segundo lugar, Abel só caiu na taça precisamente contra ele, nas meias-finais).
Para este ano, as esperanças de um final feliz foram redobradas dada a qualidade existente. A maioria das peças fulcrais do onze mantêm-se (por enquanto) no clube e houve adição de talento nacional vindo da cantera – Tziolis, homem de último terço, bisou frente ao Besiktas, e Michailidis, central moderno, são diamantes em bruto por lapidar – que ajudará a alavancar o nível de jogo da equipa para patamares de excelência no historial do clube.
Abel Ferreira nunca venceu o Benfica, mas tem duas vitórias, um empate e uma derrota frente a Jorge Jesus. Fonte: Bola na Rede
Frente aos turcos, Abel deixou por terra o seu 4-4-2 e assumiu definitivamente o 3-4-3, como em algumas fases de SC Braga: Zivkovic continuou o titular da baliza, ele que foi o titular no campeonato em 19-20; à dupla titular, Varela (ex-Feirense) e Ingason, juntou-se precisamente Michailidis; nas alas, à direita, Rodrigo (ex-Aves) e Giannoulis no lado contrário; no duplo-pivot de meio-campo, Schwab (ex-Rapid Viena e principal contratação desta época) acompanhou El Kaddouri (um dos líderes da equipa); na frente, o prodígio Tziolis jogou lado a lado com Akpom e Pelkas (ex-Vitória de Setúbal), relegando para o banco a figura do ano passado, Swiderski, que com 14 golos foi o principal artilheiro da equipa e a quem os rumores colocam na porta da saída… Tendo como destino o FC Porto.
Limnios, extremo-direito titular do ano transacto, e Anderson Esiti, nigeriano que já actuou em Portugal e contratado por três milhões de euros há um ano, saltaram do banco e fazem parte do lote dos mais utilizados.
Josip Misic, contratado ao Sporting em 2019, foi o MVP da época dos gregos (quatro prémios de Melhor do Mês), mas encontra-se lesionado, com perspectivas de retorno apenas em Outubro.
De relembrar que os últimos encontros entre Benfica e PAOK aconteceram há pouquíssimo tempo, em 2018-19, e que os encarnados eliminaram os gregos com um 1-4 no mesmo estádio do confronto que acontecerá daqui a duas semanas, depois de um empate a uma bola na Luz.
A CRÓNICA: UN, DEUX, TROIS, QUATRE… CINQ! SÃO IMPARÁVEIS…
Quarta final entre VfL Wolfsburg e Olympique Lyonnais (OL), no Anoeta, e já se esperava um encontro muito equilibrado. Foi mesmo por aí que começou esta final: muito jogo a meio campo e com poucas oportunidades. Aos 17 minutos, houve a primeira oportunidade para o Olympique Lyonnais e foi aqui que também se começou a denotar a superioridade das francesas sob as alemãs. O trabalho das laterais da equipa francesa, que já tinha sido frisado na antevisão, estava a criar mossa na defesa do Wolfsburg, que parecia manteiga nas mãos de Lucy Bronze e de Karchaoui.
Posto isto, não é novidade que a jogada começou por Lucy Bronze, lateral do Olympique Lyonnais, e depois de tocar nos pés da número dois a jogada fluiu de forma natural. Marozsán encontrou Cascarino, que cruzou para a área onde encontrou Le Sommer. A avançada francesa rematou de primeira, mas Abt estava atenta… à primeira. Porém, o que Abt não esperava é que a sua defesa estivesse a dormir… Le Sommer foi esperta e a segunda bola foi sua, marcando o primeiro da final: 1-0 para o Olympique Lyonnais.
Caminhávamos «nós» para intervalo e tivemos assim um «flashback». Kumagai já tinha feito o mesmo remate no início do jogo e do nada lembrou-se que «valem bujas» (como se diz entre amigos). A média japonesa rematou a bola fora da área e com o efeito que levava só podia mesmo parar lá dentro. Parecia daqueles golos do Oliver e Benji (sem brincadeiras!). Foi com o 0-2 que se chegou ao intervalo entre alemãs e francesas com o resultado a prevalecer para o lado das gaulesas.
A segunda parte começou diferente da primeira, pois foi o Wolfsburg a começar a mandar no jogo. As alemãs sabiam que tinham de assumir o jogo se queriam retirar ainda algo desta final. Aos 57 minutos, Harder apareceu muito mais recuada no terreno e conseguiu fazer a diferença. Rolfo cruzou e a defesa do Olympique Lyonnais atrapalhou-se toda. Pajor cruzou para Alexandra Popp conseguir fazer reduzir para 1-2.
Era o ânimo que faltava às alemãs, mas não chegou. O Olympique Lyonnais continuava a ser mais forte a nível defensivo e o Wolfsburg pouco perigo conseguia criar. Se pouco criava, muitos espaços abriam… Le Sommer estava confiante para conseguir fazer um jogo sólido e chamou a responsabilidade para si. A francesa rematou com força e a islandesa Gunnarsdóttir de calcanhar deu o toque fatal para esta final. Era o 1-3 e já se ia escrevendo o nome do Olympique Lyonnais no troféu pela quinta vez consecutiva!
Foi uma verdadeira batalha tática e também uma boa aula para se ver a importância que as laterais (Karchaoui e Lucy Bronze) têm nesta equipa francesa. Venceu a equipa que foi mais competente nas duas partes: na primeira parte a eficácia e o trabalho das laterais do Lyon e na segunda parte a consistência defensiva. O Wolfsburg faltou mais experiência a uma equipa que já não levanta o troféu há oito anos.
Dar os parabéns também à internacional portuguesa Jéssica Silva por se tornar também ela campeã europeia!
Eugénie Le Sommer – Surpreendeu tudo e todos nesta final. Já sabíamos da sua experiência e foi muito por aqui que talvez tenha sido importante. Os seus 31 anos não foram de todo impeditivos de estar sempre presente em quase todas as divididas de bolas. Quando era necessário alguém com faro de golo, lá estava Le Sommer! Começou por marcar o primeiro golo da partida e ainda (acidentalmente) conseguiu mesmo assistir Gunnarsdóttir para o terceiro do Olympique Lyonnais! Mas que noite para recordar – mais uma!
Defesa do VfL Wolfsburg – Como já disse no início do artigo, parecia «manteiga» a defesa do Wolfsburg. As trocas para jogadoras mais experientes foi bem pensado na teoria, mas na prática não correu da maneira como Stephan Lerch queria. Houve pouca ligação entre a defesa e as jogadoras do meio campo mais recuado (Ingrid Engen e Alexandra Popp) e o trabalho das laterais era frequentemente abafado pela pressão das extremos do Olympique Lyonnais ou pelas laterais. Foi aqui que esteve o ouro do jogo e as francesas souberam aproveitar bem.
ANÁLISE TÁTICA – VfL WOLFSBURG
As alemãs apostaram num 4-4-2, como já tinha acontecido no jogo contra o FC Barcelona, e o quarteto defensivo foi modificado com as entradas de Lena Goessling e Anna Blässe. Stephan Lerch preferiu apostar numa defesa mais experiente e habituada a este tipo de jogos decisivos a estar com jovens jogadoras em campo. Do meio campo para a frente, tudo igual ao jogo da meia-final, onde Harder iria dar apoio à avançada Ewa Pajor. Esperava conseguir jogar subido com as médias mais avançadas Huth e Rolfo, tendo sempre consistência defensiva com as mais recuadas: Ingrid Engen e Alexandra Popp.
Tanto na primeira como na segunda parte, Pernille Harder esteve completamente anulada pela defensiva francesa e teve sempre de aparecer muito recuada no campo. O meio campo não estava de todo a conseguir ligar com o ataque, que começou por ser Ewa Pajor e mais tarde Pia-Shopia Wolter. A defesa, que foi totalmente alterada, não foi uma boa cartada por parte de Stephan Lerch e foi fatal, pois parecia que não se conheciam e não havia química. Para além disso, o trabalho das laterais tanto a nível defensivo como ofensivo foi perto do zero.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Friederike Abt (5)
Anna Blässe (5)
Lena Goessling (4)
Sara Doorsoun (4)
Janssen (4)
Ingrid Syrstad Engen (5)
Alexandra Popp (6)
Svenja Huth (5)
Fridolina Rolfo (5)
Pernille Harder (6)
Ewa Pajor (4)
SUBS UTILIZADAS
Julia Hendrich (5)
Lena Oberdorf (5)
Pia-Sophia Wolter (5)
Pauline Bremer (-)
ANÁLISE TÁTICA – OLYMPIQUE LYONNAIS
Tal como o Wolfsburg, o Olympique Lyonnais seguiu a premissa «equipa que vence não se muda» à risca e também deixou o seu esquema tático sem alterações. Não fosse a expulsão de Nikita Parris, que complicou ainda mais as opções atacantes de Jean-Luc Vasseur, o 4-2-3-1 manteria-se completamente intacto. Assim, a surpresa – e talvez assim não tão surpreendente – foi a entrada da experiente Le Sommer para a posição mais avançada do terreno por parte das Les Gones.
Mais uma aula tática das agora pentacampeãs da Europa. As laterais Lucy Bronze e Sakina Karchaoui foram fenomenais em todos os aspetos e, principalmente, na primeira parte o direito era todo da jovem de 24 anos. Destacar também o grande trabalho defensivo de Saki Kumagai (onde se verificava com grande destaque a aproximação com a linha defensiva de quatro para ajudar caso alguma bola entrasse entre linhas) e o de Delphine Cascarino, que na primeira parte esteve irrepreensível no jogo exterior e nos cruzamentos para a grande área – e um deles acabou por resultar em golo.
Campeão nacional e vencedor da Taça de Portugal pelo FC Porto, foi no Braga que, sem nunca conquistar nenhum troféu, Barroso ganhou o estatuto de lenda. Natural da cidade minhota, viveu a juventude entre a marcenaria e o futebol, não deixando que a madeira o impedisse de viver o sonho de menino de jogar pelo seu Sporting de Braga. A norte, representou ainda o Rio Ave. Mais abaixo no mapa, conheceu a cidade dos estudantes, onde jogou pela Académica. Apesar das mudanças, foi no Braga que ficou sempre o seu coração, nunca escondendo a sua preferência pelos arsenalistas. A sua imagem de marca será sempre o potente remate que não deixava nenhum guarda-redes descansado. Ao longo dos muitos jogos que fizeram deste médio defensivo um dos jogadores que mais vezes usaram o emblema dos guerreiros, o seu pé direito ganhou o epíteto de pé canhão. Hoje, não esquece o respeito que conquistou no mundo do desporto e deixa o seu desejo de ver o Braga campeão.
– De marceneiro a artilheiro –
Bola na Rede [BnR]: O pé canhão ainda está afinado?
José Barroso [JB]: [suspiro] Agora nem metade deve estar. Vou fazer 50 anos, é normal.
BnR: Treinava muito o seu remate?
JB: Desde miúdo. Nas camadas jovens do Sporting de Braga faziam-se muitos treinos de finalização. A força estava lá, mas depois há que aprimorar a colocação, a técnica de remate, várias coisas. As condições não eram o que são agora, mas ia-se melhorando a cada treino.
BnR: Jesualdo Ferreira sentiu-o na pele…
JB: No primeiro treino aqui em Braga, ele estava a dar indicações e, sem querer, mandei-lhe uma bolada. Estava a ver que tinha matado o homem, mas não foi nada de mais. Ficou com o olho todo negro e acabou por cair ao chão derivado à força do remate, mas não aconteceu nada de especial.
BnR: Vamos ao tira teimas, qual foi o melhor golo que marcou?
JB: As pessoas falam muito do golo que marquei ao Porto, ao Vítor Baía. Para mim, não só porque foi um grande golo, mas porque foi importante para o Sporting de Braga, foi em Setúbal, numa altura em que estávamos a lutar para não descer. Foi um remate a 35 metros da baliza e, a duas jornadas do fim, garantiu, praticamente, a permanência do Sporting de Braga. É difícil escolher. Eu fiz 54 golos ao serviço do Sporting de Braga e são todos importantes e bons.
BnR: A que jogador do Braga é que emprestava o seu pé direito?
JB: Infelizmente, não se veem muitos golos de fora da área. Emprestava ao Paulinho ou ao Ricardo Horta que estão mais perto da baliza, se eles aceitassem.
BnR: Quando era miúdo já torcia pelo Braga?
JB: Já. Eu fui jogar para o Sporting de Braga aos 13 anos. Antigamente, não havia escolinhas, jogávamos na rua e nos campos pelados da freguesia. A minha primeira experiência em futebol federado foi no Sporting de Braga, no Campeonato Nacional de Iniciados. Até aí, jogava com os mais velhos, na rua, fazíamos balizas com duas pedras. Depois, fui para o Sporting de Braga. Foi sempre o meu clube e fui sempre ver os jogos durante esse tempo todo até agora. Não sou pessoa para mudar de clube, o meu clube sempre foi o Sporting de Braga e vai continuar a ser até ao fim. Respeito todos os clubes onde joguei, mas gosto de dizer a verdade: o Sporting de Braga é o meu clube. Quando jogava noutras equipas, e jogava contra o Sporting de Braga, o meu clube era onde eu jogava. Pelos anos que lá joguei, só pode ser o Sporting de Braga o meu clube. Hoje em dia, muitos futebolistas mudam constantemente e hoje são de um clube e depois mudam e já são desse clube desde pequeninos. Isso não me agrada muito.
BnR: O futebol moderno, com essas trocas e baldrocas, ainda o encanta?
JB: Hoje em dia, vê-se jogadores a serem transferidos que nem jogam nos clubes onde estão. Os miúdos são contratados pelo que podem vir a ser, pelo seu potencial. Não são jogadores que tenham mostrado grande coisa nas suas equipas seniores. Há uns anos para se chegar a uma equipa grande eram precisas, pelo menos, três épocas de grande nível para se chegar a uma equipa grande. Hoje, facilmente se chega a uma equipa grande. É a lei do mercado. O futebol é um negócio, nada a dizer sobre isso.
Fonte: Facebook de José Barroso
BnR: Como é que o marceneiro se deixou seduzir pelo futebol?
JB: Comecei a jogar aos 13 anos, mas já trabalhava desde os nove para ajudar os meu pais. O meu pai estava em França, a minha mãe estava cá e eu ia trabalhar de manhã, depois estudava à tarde. Saía às 17 horas e depois ia para os treinos sozinho, de autocarro. Agora, os pais vão levar os miúdos, o que, por um lado é bom, porque têm mais acompanhamento, mas, por outro, é mau, porque têm tudo de mão beijada, não passam por dificuldades nenhumas. Nunca ninguém me deu nada e sei o que me custou chegar lá. Sabia o que queria: queria ser jogador de futebol. Quando cheguei aos 18 anos, tive que optar ou pelo futebol ou pela marcenaria. Claro que o meu sonho era ser jogador do Sporting de Braga e chegar à equipa principal. Parti muita pedra para chegar lá, mas consegui até mais coisas do que eu imaginava na altura.
BnR: Foi duro, portanto…
JB: Nem sonhava em ser internacional A pela seleção portuguesa, porque sabia que era muito difícil. Ainda por cima estava no Sporting de Braga. Numa altura muito difícil do Sporting de Braga, em que haviam jogadores nas equipas grandes e no estrangeiro, sem empresário e ser internacional A pelo Sporting de Braga em 1995… Vendo agora o Paulinho e o Ricardo Horta, como o Sporting de Braga está, e nem sequer são convocados… acho uma injustiça. Agora o Trincão saiu para o Barcelona e já está na seleção. É de dar ainda mais mérito ao meu trabalho por ter conseguido chegar à seleção nacional. Nunca ninguém me deu nada. Tive pessoas que me ajudaram, mas hoje vê-se muita coisa dada a muitos jogadores que não fazem por merecer isso.
BnR: Com o que é que contava para se tornar jogador profissional?
JB: Eu era uma pessoa que sabia sofrer. Não era fácil chegar cansado do trabalho, estudar e ainda ir treinar. Chegava às 22 horas e tal a casa, muitas vezes perdia o autocarro e ainda andava a pé mais 20 minutos. Foi muito difícil mesmo. Agora há muitos empresários, mas, na altura, só com o meu trabalho é que consegui chegar ao topo do futebol português.
Com o mercado de transferências ao rubro para os lados de Alvalade, surgem mais duas situações que me deixam profundamente preocupado com a política de vendas do clube. Refiro-me, como é óbvio, às situações do argentino Marcos Acuña e do português João Palhinha que, neste momento, se encontram a treinar isolados do restante plantel. Por não serem convocados para o estágio dos Leões no Algarve, torna-se óbvio que a SAD planeia vender aquele que é um dos jogadores com mais qualidade e valor monetário do plantel e um jogador que poderia facilmente entrar nas opções de Rúben Amorim.
Embora esta decisão pareça legítima, é acompanhada de um problema que prejudica os cofres do clube – demonstrar interesse em vender os jogadores. Ao afirmar publicamente que Marcos Acuña e João Palhinha estão à venda, o Sporting CP demonstra fragilidade económica e, consequentemente, não vai receber propostas tão altas pois os outros clubes consideram que quando há vontade, há necessidade de vender para equilibrar as contas.
Esta situação remete para outras vendas como a de Bas Dost que não integrou a convocatória da equipa na terceira jornada do campeonato de 2018/2019 e que foi, posteriormente, vendido no último dia de transferências por sete milhões de euros, valor muito abaixo dos dezassete milhões que valia de acordo com o site Transfermarkt. A necessidade de vender do Sporting CP fez com que o goleador holandês desvalorizasse e, ainda por cima, fez com que o Sporting CP se desfizesse de um dos jogadores-chave do plantel no último dia de mercado.
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Esta última particularidade impediu que o clube se reforçasse e não foi um acontecimento isolado: Bruno Fernandes foi vendido num dos últimos dias do mercado de inverno por um valor pouco acima do de João Mário, jogador que merece o respeito de qualquer Sportinguista mas não está ao nível do camisola dezoito do Manchester United FC. A própria venda de Raphinha incomodou-me, não pelo valor mas pelo timing da mesma.
Posto isto, temo alguns dos possíveis desfechos para o caso de Acuña e de Palhinha:
Podem ser vendidos por um valor que não corresponde ao que é justo e aos valores que se praticam no mercado atual. (Relembrar que, de acordo com o site Transfermarkt, Acuña vale 12 milhões de euros e Palhinha vale nove milhões de euros.)
Podem ser vendidos por valores abaixo do que se espera e com a agravante de ser num dos últimos dias do mercado de transferências. Este último ponto é fulcral pois impede que o Sporting CP utilize o dinheiro para investir no plantel e, caso consiga investir, faz com que os jogadores recém-comprados integrem o plantel depois da época ter começado.
Caso não sejam vendidos pelos mais variados motivos, Acuña e Palhinha serão integrados no plantel sem ter feito pré-época e sem conhecer os jogadores contratados nesta janela de transferências, o que vai comprometer a sua integração no plantel (mais no caso de Palhinha).
Por fim, caso as novas contratações não se integrem bem na equipa, o Sporting CP pode arrepender-se de ter vendido dois ativos que, desportivamente falando, têm muito valor. Por exemplo, se Antunes não corresponder à qualidade de Acuña, não faltarão pessoas a dizer que este nunca deveria ter saído e que Antunes não oferece tanta qualidade na sua respetiva posição.
Apesar da escassez de médios defensivos de qualidade no Sporting CP, Palhinha está na porta de saída Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Em jeito de conclusão, o Sporting CP tem de contratar e vender bem. Na minha opinião, este tem sido o erro da atual direção: as contratações não se afirmam, acabando por sair do clube sem terem contribuido para o sucesso desportivo ou financeiro do mesmo e os jogadores que são vendidos, para além de não saírem por um valor que faça jus ao mercado atual, têm mais qualidade do que os que ficam. Mas espero profundamente que estes casos sejam resolvidos até porque os sócios estão impacientes e a abordagem à próxima época vai ditar o futuro da atual direção… a estrutura do Sporting CP está obrigada a ser competente – não se toleram mais erros!
Novamente com o futuro incerto sobre o local para se instalar, o Belenenses SAD procura uma solução para um espaço onde treinar e jogar na época 2020/21.
Na temporada transata, o clube dividiu-se entre vários estádios, após ser obrigado a abandonar o Estádio do Restelo por desacordo com o CF “Os Belenenses” que é o dono do espaço. O Belenenses SAD jogou como anfitrião no Estádio do Jamor, no Estádio do Bonfim por algumas partidas (por o primeiro não apresentar condições ao nível do relvado após umas cheias) e na Cidade do Futebol, uma vez que o Jamor não foi aprovado pela Direção-Geral de Saúde (DGS) aquando a retoma do campeonato, por não cumprir as medidas impostas devido ao novo coronavírus.
O Bola na Rede reuniu três possíveis estádios que poderiam acolher o Belenenses SAD na próxima época:
E foi no Circuito de Spa-Francorchamps que se realizou a sétima ronda do Campeonato de Fórmula 1, bem como um fim-de-semana emocionante para quem está familiarizado com a categoria dos Desportos Motorizados, pois faz um ano do trágico acidente que vitimizou Anthoine Hubert na Fórmula 2.
A CORRIDA: POR ONDE ANDAS, MAX?
Depois de ser um fim-de-semana emotivo para a categoria pelas razões mencionadas acima, o domínio da Mercedes continua em alta, e a prova é mais uma dobradinha da Mercedes, em que Lewis Hamilton consegue o primeiro lugar, seguido do seu colega de equipa, Valtteri Bottas, e, para finalizar o pódio, temos Max Verstappen (Red Bull).
O domingo começa logo com Carlos Sainz (McLaren) a não poder participar da corrida, devido a problemas no carro logo antes da corrida começar.
Como supramencionado, a Mercedes tem-nos habituado a uma condução perfeita e uma estratégia sem falhas, com Lewis Hamilton e Valtteri Bottas a arrancar perfeitamente para a corrida. Apesar de leves problemas em ambos os carros, não foi suficiente para os «Flechas Prateadas».
Em relação a incidentes de corrida, na volta 11 deu-se a entrada do safety car, após o despiste «aparatoso» de Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) que resultou também no despiste de George Russell (Williams). Poderia ser uma oportunidade para se tornar uma corrida mais interessante nos lugares da frente, mas não se sucedeu.
⚠️ SAFETY CAR ⚠️
Giovinazzi comes off at Fagnes and Russell, taking avoiding action, gets taken off too. Both drivers are out of their cars.
No meio pelotão, destaque para o arranque fabuloso de Daniel Ricciardo (Renault), que começando de quarto lugar, ainda tentou voltar aos velhos tempos da Red Bull e dar luta ao antigo colega de equipa, mas sem grande sucesso. Porém, o australiano conseguiu manter o lugar de origem. Já Esteban Ocon consegue o quinto lugar, juntando mais uma boa performance da equipa francesa.
O segundo homem da Red Bull, Alex Albon, termina em sexto lugar, seguindo-se Lando Norris (McLaren) e, uma corrida extraordinária de Pierre Gasly (AlphaTauri) leva o piloto francês ao oitavo lugar. Para finalizar os pontos, temos os homens da Racing Point, Lance Stroll e Sergio Perez.
Por fim, os Ferrari de Sebastian Vettel e Charles Leclerc, como esperado, nem chegaram aos pontos, acabando em 13.º e 14.º lugar, respetivamente. Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) ainda esteve a «cheirar» os pontos, mas sem sucesso.
Numa pista tão complexa como a de Spa-Francorchamps, e, sem chuva para provocar o caos, foram 44 voltas tranquilas para a Mercedes, que, sem grande esforço, acabam por dominar mais uma ronda do campeonato.
Sendo Max Verstappen a nossa única esperança para travar um pouco o domínio da Mercedes, a verdade é que, sem uma Ferrari competitiva, temos que esperar pela próxima ronda – o Grande Prémio de Itália – para ver se é desta que o piloto holandês consegue repetir o feito do GP do 70.º Aniversário.
A defesa é a primeira zona de construção. Quando, neste caso, temos um jogador com as qualidades de Jules Koundé, a tarefa fica muito mais facilitada. Aos 21 anos, o francês já escalou uma montanha para chegar ao onze titular de uma equipa dos principais escalões a nível europeu e foi uma das revelações da temporada 2019/20.
Nascido em Paris, o jovem começou em equipas modestas da cidade. Em 2013, depois de dar nas vistas em vários jogos, chegou à academia do histórico FC Girondins Bordeaux. Nos azuis da Ligue 1, Koundé deu os primeiros passos no futebol internacional e revelou-se uma promessa a colocar debaixo de olho por todos os adeptos.
Depois da estreia na Taça de França, em 2018, o defesa aproveitou a oportunidade e foi ganhando cada vez mais espaço entre os grandes. Em pouco mais de uma temporada, a ascensão meteórica valeu-lhe uma transferência para Espanha, onde o Sevilla FC o esperava.
O clube espanhol desembolsou 25 milhões de euros para libertar um jogador que ainda não tinha mostrado muito ao mais alto nível, mas depressa as dúvidas dissiparam-se. Mais uma vez, a aposta de Monchi foi certeira e há quem considere que o dinheiro pago foi muito pouco.
Esta temporada, Jules Kounde realizou 40 jogos, divididos em três competições. Apesar da idade, Lopetegui apostou no grande talento que tinha nas suas fileiras e não se arrependeu. O defesa central “pegou de estaca” no onze inicial dos vermelhos e brancos e tornou-se um favorito dos adeptos.
Na Liga Europa, que o clube venceu, o francês realizou diversas exibições ao mais alto nível. A regularidade e a qualidade apresentadas ao longo da competição valeram-lhe uma entrada na seleção como um dos melhores defesas da prova. Depois disto, é normal que os tubarões, como é o caso do Real Madrid CF, comecem a ficar interessados em comprar o jovem.
Devido à grande qualidade do setor mais recuado, Koundé ainda não conta com qualquer convocatória para a seleção francesa. No entanto, a continuar assim, todos esperam que a médio prazo possa fazer dupla com o também talentoso central Dayot Upamecano ou com Raphael Varane.