Final de tarde de sábado. Estou eu a caminho de Alvalade, acompanhado pelo meu pai e pelo meu irmão, rumo a mais um jogo do grande Sporting CP. Enquanto eles entram para o nosso setor A19, passo na estação de metro para ir buscar a minha namorada, que está toda entusiasmada por mais uma visita a casa. Entramos os dois no Alvaláxia, para o habitual convívio pré-jogo. Fazemos as nossas apostas, comentamos o onze e, como habitual, reclamamos sempre um bocadinho.
É o jogo de apresentação aos sócios. Rúben Amorim apresenta a habitual formação, alinhando três defesas centrais no setor defensivo, dois médios e dois alas, somando aos três da frente. Na bancada, nós, adeptos leoninos, esperamos uma exibição convincente de uma equipa com ideias definidas, preparada para cumprir os objetivos estabelecidos para a temporada.
Recordo-me de um golaço marcado neste encontro, com uma jogada elaborada pelos 10 jogadores de campo, que teve início no guarda-redes:
“É pontapé de baliza para a equipa do Sporting. Viviano inicia a jogada e passa para Demiral. Este faz a bola circular pelos seus companheiros da defesa, primeiro para Domingos Duarte, que devolve, e depois para Ivanildo Fernandes. O central esquerdino passa para Mama Baldé, que atua como ala esquerdo, que mete o esférico nos ‘pés de novelo’ de Daniel Bragança. Bragança passa por um adversário (que classe do jovem!) e dá a João Palhinha, que joga curto para Thierry Correia. Como a equipa adversária está muito fechada, e sem espaço para avançar na ala, Thierry vê Bragança a oferecer-lhe uma linha de passe. A bola chega ao médio e este vira o jogo com um passe milimétrico para Nani. Nani avança, vê que tem espaço para rematar, mas simula e oferece a bola a Matheus Pereira. O tecnicista brasileiro recebe na perfeição, levanta a cabeça e executa um passe de rotura na procura da profundidade de Gelson Dala, que se desmarca entre os dois centrais. O avançado angolano, que corresponde velozmente à iniciativa de Matheus, fatura o primeiro da tarde, assinando o seu nome na lista de marcadores com um chapéu a sobrevoar o guarda-redes.”
Que jogada belíssima. É verdade que se trata de um jogo de preparação, mas é sempre bom ver uma obra de arte destas.
Agora que repararam que isto tudo não passou de um simples sonho (e não, não estou a falar dos 40 mil que se encontravam em Alvalade), conseguem perceber que este é um onze elaborado por atletas que não fizeram parte das contas do Sporting CP para as duas últimas temporadas. À exceção de Nani, que foi uma peça importante no início da temporada 2018/2019, e de Thierry Correia, que saiu para o Valência por uma quantia de 12 milhões de euros, os restantes foram dispensados do plantel leonino. Ivanildo Fernandes, João Palhinha, Daniel Bragança e Gelson Dala ainda fazem parte dos quadros de Alvalade. Resta saber se serão aproveitados.
Daniel Bragança termina a ligação por empréstimo com com o Estoril Praia e regressa ao Sporting CP. pic.twitter.com/a4OrUD6kWT
— Diário de Transferências (@DTransferencias) June 12, 2020
Seja por falta de qualidade, de compromisso ou outra desculpa esfarrapada que possa ter sido dada, a verdade é que os reforços que chegaram para colmatar estas saídas não se revelaram úteis.
O exercício que vos proponho com este artigo narrativo (e algo imaginativo) é o seguinte: quantos destes jogadores teriam lugar no atual plantel do Sporting CP? E se esta equipa jogasse contra a atual formação leonina, qual seria o resultado no final da partida?
As últimas épocas têm sido sucessivamente desastrosas e totalmente aquém das ambições dos New York Knicks. Sem sentirem a pressão dos play-offs desde a temporada de 2012/13, a franchise nova-iorquina entrou numa fase de mudança e reconstrução da equipa.
Uma das últimas alterações, e aquele que tem criado maior zumbido nos ouvidos dos adeptos da franchise, é o retorno de Tom Thibodeau. O antigo treinador e presidente das operações dos Minnesota Timberwolves está garantido como novo treinador dos Knicks. Thibodeau já havia estado no banco da equipa, como treinador adjunto, nos anos recorrentes entre 1996 e 2004, e volta com um contrato de cinco anos.
Tom Thibodeau venceu o prémio de Treinador do Ano da NBA no ano de 2011 e é conhecido por ser um treinador que aplica e valoriza a importância de defesa coesa nas equipas que treina. É meticuloso, bastante organizado e planeia cada fase do jogo pormenorizadamente – não fosse por isso que é considerado como um dos melhores treinadores atuais na liga.
The New York Knicks and Tom Thibodeau are finalizing a five-year deal to make him the franchise’s next coach, sources tell ESPN.
Experiência não falta ao treinador de 62 anos. Foi treinador adjunto da seleção americana, entre 2013 e 2016, que venceu a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de 2016. Ajudou os Houston Rockets a ficar nos tops da liga em termos defensivos, e fez com que a equipa ficasse no Top 10 por 15 vezes.
Venceu as finais da NBA como técnico dos Boston Celtics e foi nomeado treinador do ano, em 2011, após fazer com que os Chicago Bulls terminassem a temporada com 62 vitórias. Como última experiência da carreira antes desta mudança, o treinador leva os Minnesota Timberwolves no currículo – equipa que conseguiu levar aos playoffs passados 15 anos e de onde só abandonou o cargo após a confusão gerada com Jimmy Butler.
Thibodeau é a nova luz de esperança dos New York Knicks. Depois das últimas épocas, onde a defesa foi claramente um dos fatores que levou a equipa a entrar num descalabro, este é o homem que pode fazer com que a franchise volte às luzes da ribalta.
Uma temporada depois, o FC Porto volta a marcar presença na final da Taça de Portugal, diante do SL Benfica, num jogo que se realizará no próximo sábado, em Coimbra, e sem adeptos, dada a conjuntura atual. A vontade de Sérgio Conceição é de fazer com que a sua equipa volte a reerguer a Taça de Portugal. A última conquista foi em 2011, depois disso soma duas finais perdidas: 2016 e 2019.
Mas antes desse tão fervoroso jogo, vamos analisar o percurso portista na prova, com um dado curioso, os encarnados são mesmo o carrasco dos portistas.
A rivalidade azul e vermelha, antípoda relacionada com vários confrontos titânicos da cultura ocidental, representa em Portugal muito mais que a oposição de duas instituições futebolísticas. Das disparidades entre o norte industrial e o sul centro de decisões, FC Porto e SL Benfica tornaram-se símbolos dessa dicotomia da geopolítica portuguesa.
Este Sábado defrontam-se mais uma vez em decisão pela prova rainha, naquela que será a 10ª vez que disputam o troféu no jogo final e o balanço favorece largamente as águias, com oito vitórias. Registo fulminante e que traduz o domínio arrasador visível na Taça de Portugal, onde a superioridade dos encarnados é acentuado: no total de 35 jogos, o SL Benfica venceu 21 e empatou 5, relegando os portistas para papel secundário na contagem de conquistas, 26 contra 16.
O histórico começa no final da época 1952-53, estávamos no 28º dia do mês de Junho, e o calor abrasador não impedia a enchente no Jamor para assistir a um dos jogos mais aguardados do ano.
Em campo mediam forças o FC Porto de Cândido de Oliveira, que ali procurava a glória perdida num quarto posto final no campeonato; no outro banco sentava-se o seu grande amigo e companheiro na fundação de A Bola, António Ribeiro dos Reis, que o SL Benfica tinha procurado a meio da época em missão de salvamento, dada a fraca produção ante um Sporting dos Violinos.
Um jogo onde havia muito a ganhar e onde até se oferecia relógio de ouro a quem inaugurasse o placard – Rogério Pipi não se viu por meias medidas, fez o que gostava de fazer na sua prova preferida e meteu o primeiro aos 35 minutos, abrindo caminho a uns estonteantes 5-0 com a assinatura especial de Arsénio, com hattrick.
Rogério Pipi inaugurou o marcador e recebeu prémio pelo feito: um relógio de ouro Fonte: SL Benfica
Quanto ao acessório valiosíssimo, Rogério ofereceu-o à direcção do clube para financiar as obras do futuro Estádio da Luz – e foi neste clima de entre-ajuda e companheirismo que o plantel jantou alegremente perto de Alvalade e festejou noite dentro na Feira Popular, onde estava montado pavilhão benfiquista.
Cinco anos volvidos, primeira e única vitória portista no Jamor frente aos lisboetas. O 1-0 construído por Hernâni – que Pedroto considerava o «melhor avançado de sempre do futebol português» – foi o culminar de uma época conturbada para a barricada azul, em polvorosa estava com a guerra interna entre o craque e Dorival Yustrich, o histórico técnico brasileiro que comandou o Porto à primeira dobradinha, em 1955-56.
No Verão de 1956, armou barraca numa digressão à Venezuela, ameaçou funcionários e presidente, foi despedido e recuperado poucos meses depois com a vitória de outro candidato nas eleições do clube. As feridas, no entanto, nunca sararam e o choque entre a personalidade implacável e controversa do técnico e do herói dessa partida ditou o fim precoce do segundo compromisso, em Março de 1958.
Nessa final do Jamor já era confronto de Ottos, já que foi Otto Bumbel o sucessor e levou a melhor sobre o benfiquista Glória. Acerca do jogo fica o frango de Bastos, apesar de defendido pelo autor do golo – «Bastos não foi culpado, a bola partiu com efeito, aquele efeito a que os brasileiros chamam folha seca» – e as queixas do timoneiro do Benfica em relação à arbitragem, no seu estilo inconfundível de palavra desmedida: «Arbitragem? Não houve… Um moço apitando, um moço que se vestiu de árbitro e mais nada…»
Festejos de ‘58, Carlos Duarte e Osvaldo Silva seguram no troféu Fonte: FC Porto
Vingança houve no ano seguinte. 1958-59 marca a chegada de Bélla Gutmann a Portugal, com estadia inicial no Norte. Seria vencido pelo comandante derrotado do ano anterior, com golo único de Cavém a dar o recíproco 1-0. Quites ficaram.
Próximo encontro: 1963-64. O SL Benfica, já bicampeão europeu e com ressaca do inglório 1-2 frente ao Milan na terceira final consecutiva, viria a tirar a barriga de misérias com um 6-2 ao FC Porto comandado por… Otto Glória. Que mais uma vez foi figura por declarações que deixaram legado no futebol português, após derrocada disciplinar nas quatro-linhas.
Jaime, jogador azul, comete entrada ríspida à volta da meia-hora, falta para penalty e para expulsão, mas a decisão do juiz foi polémica e motivou comportamento impróprio da trupe nortenha. Com a avalanche emocional do lado azul-e-branco, a goleada consumou-se naturalmente com a presença do quarteto fantástico composto por José Augusto, Eusébio, Torres e Simões, todos autores de golos. Seu Otto, sem maneira de mudar o rumo da partida, perdido em mil fúrias, deixou sair frase que patrocinou todo um paradigma duas décadas depois: «O árbitro anulou o esforço de toda uma região…»
E aí chegamos. Benfica e Porto só se voltam a encontrar em 1979-80, exactamente no auge do Verão Quente portista e da inultrapassável postura da dupla Pinto da Costa-Pedroto na luta contra a centralização do nosso futebol.
No Jamor houve Santa Aliança, com os adeptos sportinguistas a reunirem com os benfiquistas no apoio à equipa. Tornou-se famoso o slogan «Campeonato p’o Sporting, Taça p’o Benfica», consumado com vitória magra encarnada, 1-0, com o brasileiro César a marcar o primeiro golo estrangeiro de sempre do clube em finais.
Mário Wilsonera um treinador feliz e pouca atenção deve ter dado ao facto de Pedroto, que o tinha como ódio de estimação, ter decidido descarregar nele a frustração da derrota ao afirmar, sem filtros, que «Mário Wilson, como de costume, utilizou a velha rábula do palhaço. Com o ar esfíngico que lhe é característico, lançou a pedra e escondeu a mão, suplicando controlo anti-doping», contextualizando as insinuações da seguinte forma: «Gostaria, contudo, que me explicassem o comportamento do jovem e talentoso Carlos Manuel, que me pareceu, estranhamente, de cabeça perdida».
No ano seguinte, reencontro com mais golos. Desta vez quatro tentos benfiquistas, um deles na própria baliza, traduzindo em 3-1 final marcado pelo hattrick de Néné. Mas não foi jogo de fácil resolução, nem tampouco de fácil concretização: o FC Porto ameaçou a não comparência no jogo e só alterou ideias quando a Federação lhes garantiu todas as condições de segurança, num processo conduzido por Teles Roxo, director do departamento de futebol profissional dos portistas.
E, não conseguida a falta de comparência, conseguiu-se o deslocamento da entrega do troféu para as Antas. Em 1982-83, houve desassombro do Conselho de Disciplina da Federação no súbito abandono do Jamor. O Benfica recorreu da decisão, mandou os jogadores de férias, mas preparados foram para regresso a qualquer instante, que só aconteceu no início da temporada seguinte, com o jogo a realizar-se em Agosto. Eriksson não estava preocupado e muito menos ficou quando Carlos Manuel descobriu o caminho das redes adversárias a 30 metros, num remate ao seu estilo.
O técnico sueco saiu em 1984. Sentiu que a equipa não lhe possibilitava o assalto à Taça dos Campeões Europeus, depois da capotagem frente ao Liverpool de Dalglish e Ian Rush. A equipa tinha sido espremida na totalidade, não havia volta a dar e o interesse da Roma – sua vítima na caminhada rumo à final da UEFA, em 83 – lançava-lhe cantigas de amor, que não demoraram a seduzi-lo. Era o Calcio, centro futebolístico da Europa.
Sai e deixa o lugar para Pal Csernai, técnico reputado que tinha levado o Bayern a duas Bundesligas. Cá chegou arrogante na abordagem e intransigente nos métodos, cavando fosso profundo entre si e o plantel. A final da Taça foi vista como bóia de salvação de uma época penosa e, chegados à final, foram os jogadores que fizeram o onze. Explicou Bento, no momento da celebração: «Não foi Csernai quem fez a linha para a final, por isso ganhámos, Carlos Manuel e Pietra é que lhe abriram os olhos», declarações que justificam a forma comprometida com que os jogadores encararam e despacharam o rival por claros3-1.
O nono e último encontro dos dois gigantes em matéria de decisões de Taça ocorreu já no século XXI, estava quase completa a temporada 2003-04. Vivia-se intensamente em Portugal o fenómeno Mourinho. Uma semana antes de Gelsenkirchen e da vitória frente ao Mónaco, o FC Porto foi incapaz de se superiorizar a um SL Benficainspirado pelas ganas de José António Camacho e pela responsabilidade em honrar a memória de Miklos Féher, falecido meses antes. Foi jogo rasgadinho, duro – dez amarelos e um vermelho – onde a chapelada de aba larga de Simão, já no prolongamento, marcou o renascimento do Benfica competitivo, com uma equipa que constituiria a base da campeã do ano a seguir.
Pois é… Mais uma trapalhada à portuguesa, agora com o Vitória FC e o CD Aves. Uma vez terminados os campeonatos profissionais e depois de definida a classificação final, assim como os clubes que foram promovidos e despromovidos, eis que durante o processo de licenciamento para a nova época, a Comissão de Auditoria da Liga reprovou a candidatura do Clube Desportivo das Aves e do Vitória Futebol Clube.
Em comunicado oficial, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional deliberou não admitir a candidatura da sociedade desportiva Vitória FC, SAD, a participar nos Competições Profissionais na época 2020-21, com os fundamentos aduzidos no Parecer da Comissão de Auditoria da Liga, nomeadamente: por não conseguir provar a inexistência de dívidas a Sociedades Desportivas, jogadores, treinadores e funcionários, e ainda falta de prova da sua situação contributiva regularizada junto da Autoridade Tributária. Decidiu assim excluir o Vitória FC, SAD da participação nas competições profissionais na época desportiva 2020-21, e nos termos do n.º 4 do artigo 21.º do Regulamento de Competições convidou o Portimonense, Futebol SAD, a participar na primeira liga, cujos pressupostos de licenciamento cumpriu na plenitude.
Paralelamente, no mesmo comunicado, deliberou não admitir a candidatura da sociedade desportiva CD Aves – Futebol SAD, a participar nas Competições Profissionais na época 2020-21, com os fundamentos aduzidos no Parecer da Comissão de Auditoria da Liga, nomeadamente: o incumprimento de 3 requisitos legais e 13 requisitos financeiros, entre eles a inexistência de um programa de sustentabilidade Económica e Financeira ou falta de prova da sua situação contributiva regularizada junto da Autoridade Tributária e Segurança Social. Decidiu assim excluir o CD Aves – Futebol SAD da participação nas competições profissionais na época desportiva 2020-21, e nos termos do n.º 3 e 4 do artigo 23.º do Regulamento de Competições convidou o CD Cova da Piedade, Futebol SAD e Casa Pia AC – Futebol SDUQ a apresentar a competente candidatura à participação na segunda Liga.
Referir ainda que destas decisões existe, numa primeira instância, recurso para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, e, posteriormente, para o Tribunal Arbitral de Desporto e Tribunal Central Administrativo. Os dois clubes, Vitória FC e o CD Aves, deverão agora recorrer para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol.
Em Setúbal, os alarmes pareceram soar de imediato e por completo, com o Vitória FC, SAD, a anunciar que irá avançar com o competente recurso da decisão, que se diga, terá efeitos suspensivos.
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
A inexistência de dívidas à Autoridade Tributária e à Segurança Social faz parte dos pressupostos de natureza financeira, sendo os clubes obrigados a apresentar certidões comprovativas da regularidade da situação contributiva, quer perante a Autoridade Tributária, quer perante a Segurança Social, por referência às dívidas vencidas até 31 de dezembro da época desportiva em que apresentam a candidatura. Sem prejuízo do descrito, e somente tendo por referência dívidas vencidas até 01 de julho de 2018, considera-se ainda verificado este requisito nos seguintes casos:
– Se for apresentada prova documental da interposição de uma ação em tribunal para discussão da legalidade ou exigibilidade da dívida;
– Se as dívidas estiverem abrangidas pelo plano de regularização correntemente designado por Plano Mateus;
– Se as dívidas tiverem sido objeto de acordo celebrado entre o clube e a Administração Tributária e a Segurança Social, consoante o caso, no âmbito de um plano de recuperação económica realizado, nomeadamente através de um PER ou processo de insolvência.
Relembramos que o Vitória FC, SAD anunciou, já em 2020, a aprovação do Plano Especial de Revitalização (PER), considerado um “instrumento fundamental para a reestruturação do clube“.
Se relativamente à prova da inexistência de dívidas a Sociedades Desportivas, jogadores, treinadores e funcionários, o Vitória FC, SAD poderá com maior ou menor facilidade conseguir acordos de pagamento que lhe permitam ultrapassar ou adiar esta exclusão, a maior dificuldade será relativamente à prova da sua situação contributiva regularizada junto da Autoridade Tributária. Isto porque o prazo de interposição do recurso é bastante curto e não será fácil à Sociedade Desportiva aqui visada conseguir acordos de pagamento ou fazer uso de outras ferramentas legais que lhe permitam obter a idónea declaração em tão curto espaço de tempo, permitindo assim, ao emblema do Sado, estar presente na primeira liga na temporada 2020- 2021.
A explicação do comentador Marco Ferreira no BnR TV sobre o caso
Tendo em conta a situação financeira periclitante em que se encontra o Vitória FC, nomeadamente os montantes da sua dívida e o facto de se encontrar sob um Plano Especial de Revitalização (o que o obriga a pagamentos mensais e bem assim ao preenchimento de certos requisitos financeiros), uma descida ao campeonato de Portugal poderá ser o início do fim de um clube histórico e cheio de pergaminhos no futebol português.
A sobrevivência do Vitória FC, SAD, está, agora, no engenho do seu departamento jurídico.
Depois de uma temporada atribulada, é hora de olhar para os melhores e piores do nosso campeonato nos Óscares BnR 2019/20. Os três habituais comentadores Mário Cagica, Marco Ferreira e João Rodrigues dizem de sua justiça e elegem os vencedores de cada categoria referente ao campeonato de 2019/2020.
Vem daí connosco e diz-nos se concordas com as escolhas.
A liga norte-americana de futebol não consta na lista dos melhores campeonatos do mundo, mas, ainda assim, de quando em vez, consegue atrair alguns dos melhores craques que o desporto rei tem para oferecer, que escolhem os Estados Unidos da América como uma das últimas – senão a última – paragens das suas longas e brilhantes carreiras.
Com a constate aparição de estrelas europeias naquela competição e com o consequente aumento de interesse para aquele futebol que as mesmas provocam, relembro, na seguinte lista, os melhores jogadores do velho continente que decidiram espalhar o seu perfume futebolístico por terras do ‘tio Sam’.
A última jornada da Primeira Liga 2019/2020 já não servia para entregar troféus, mas sim para distribuir menções honrosas. Com o título entregue ao FC Porto, jogava-se para o pódio, para os lugares de acesso à Europa, para evitar a despromoção e sobretudo, pela honra.
O pódio, que já tinha os dois primeiros lugares ocupados, Porto e SL Benfica, respectivamente, ganhou um novo protagonista, o SC Braga, que cumpriu a missão de vencer o Campeão Nacional e beneficiou da derrota do Sporting CP, que lançou os guerreiros para o pódio e atirou os leões para a 4.ª posição.
A luta pelo último lugar de acesso à Europa não foi menos dramática. Aos 94 minutos, o FC Famalicão tinha pé e meio na Europa, após uma reviravolta fantástica, frente ao CS Marítimo; mas dez segundos depois, Erivaldo deu um valente pontapé nas aspirações famalicenses, estabelecendo o empate que se manteve até ao fim do jogo. Quem agradeceu foi o Rio Ave FC, que venceu o Boavista FC e, beneficiando da escorregadela do rival, alcançou o último lugar de acesso às competições europeias.
Haverá algo melhor do que sermos recebidos pelos nossos adeptos? 🤩 Esta foi a chegada da nossa equipa a Vila do Conde após o jogo no Bessa!
As decisões em relação à manutenção ficaram para o último dia do campeonato. Com o CD Aves já despromovido, CD Tondela, Vitória FC e Portimonense SC lutavam com unhas e dentes para não morrerem na praia. Com a vitória de todos eles, a fava calhou aos algarvios, que precisavam que um dos rivais escorregasse. O que faltou aos avenses e aos de Portimão para atingir a permanência?
Comecemos pela equipa de Santo Tirso. O problema do Aves não foi futebolístico; não foi um plantel fraco, um mau treinador. O CD Aves apanhou este ano a doença das SAD. Como em muitos clubes portugueses, a SAD falhou ao clube, aos adeptos e aos profissionais. Os graves problemas financeiros da SAD levaram à falha nos pagamentos dos salários aos jogadores, que por sua vez levou a rescisões e agora no final da época, ao triste espectáculo proporcionado pela SAD, ao ameaçar não jogar os últimos jogos, ao perder o autocarro do clube e ao “perder” a Taça de Portugal. Aos jogadores, treinador Nuno Manta Santos e ao presidente do clube António Freitas, peço que aceitem um sincero agradecimento de uma adepta de futebol, por tudo o que fizeram para dignificar o clube e a verdade desportiva até ao último momento.
O caso do Portimonense é mais complicado. A época não começou bem para os Algarvios, que logo após a 4.ª jornada se afundaram, não mais passando do 14.º posto. Os maus resultados sucediam-se, faltando ora sorte, ora engenho, e à 17.ª jornada, com uma derrota por 3-0 com o último classificado, o Aves, o Portimonense contava 14 pontos e pouquíssimas perspectivas de melhoria, o que valeu a saída de António Folha do comando técnico da equipa. Para o seu lugar foi Bruno Lopes, que não fez melhor, deixando a equipa com os mesmos pontos e na mesma posição, à 20.ª jornada. Aí, entrou Paulo Sérgio para o lugar de treinador e o chip mudou.
Finalmente, no Algarve, viu-se alguma luz ao fundo do túnel; cinco vitórias, quatro empates e cinco derrotas. Sozinho, conseguiu mais pontos do que os seus dois antecessores juntos; conseguiu pôr o Portimonense a jogar um futebol de melhor qualidade e acima de tudo, devolveu a esperança à equipa. O momento que ditou este fim, algo previsível dos alvinegros, foi a derrota com o Paços de Ferreira, na penúltima jornada, que deixou os algarvios dependentes dos rivais directos. Se Paulo Sérgio tivesse começado a época, talvez o desfecho fosse diferente.
Fonte: SC Farense
À Primeira Liga, vão subir o CD Nacional e o SC Farense, por decisão da Liga de Clubes, já que eram o primeiro e segundo classificados, respectivamente, à data do cancelamento da Segunda Liga. Os madeirenses, já são prata da casa; presença constante na Primeira Liga, com também constantes descidas de divisão, vêm com vontade de se estabilizarem no escalão máximo do futebol português.
Já o SC Farense, consegue a subida de divisão 18 anos depois. Os algarvios são um exemplo de superação: após a descida de divisão em 2001/2002, o clube atravessou uma gravíssima crise de tesouraria que culminou na extinção da modalidade. A retoma foi gradual, começando nos distritais e depois de ter subido à Segunda Liga em 2017/2018, o clube volta aos palcos maiores do futebol português, fruto do trabalho da equipa técnica e da liderança do presidente João Rodrigues, que com a sua visão estratégica, conseguiu que o Farense tivesse uma capacidade diferente de investimento, graças à criação de uma SAD e dos parceiros que asseguram os patrocínios do clube a sua sobrevivência.
Os Algarvios têm agora oportunidade de se consolidar na Primeira Liga e, gradualmente, voltar aos tempos de sucesso deste clube histórico, que já esteve no Jamor a disputar a final da Prova-Rainha e já disputou Competições Europeias. Veremos o que trazem de novo à Primeira Liga.
Desde miúdo que a minha posição favorita no terreno de jogo foi defesa central. Além do equilibro defensivo, é na maior parte das vezes a voz de comando e a extensão do treinador dentro das quatro linhas. Os grandes centrais da história foram quase sempre grandes capitães de equipa.
Assim, decidi destacar 5 jogadores que na minha opinião exibiram um nível altíssimo no melhor campeonato do mundo e no campeonato mais competitivo. Ser um grande central em terras de sua majestade não é tarefa fácil, por isso estes jogadores merecem todo o destaque pela boa época que fizeram:
(o padre benze a sala e os demais sugam as gotas alvejadas, a temperatura do compartimento impinge a procura do resquício da fonte de vida).
De repente, surge Jesus, o salvador da Pátria. O homem que esteve de um lado da barricada, vivinho da silva, e que palmilhou o outro de lés a lés, morto da silva.
O Amor(a) ao desporto rei colocou-a na ribalta. Flash interviews, conferências de imprensa e qualquer acontecimento que instrumentalizasse o diálogo constituiu, desde o início da carreira, o maior dos quebra-cabeças.
O espetro do bom falante era delimitado por si e por Manuel Machado, o filósofo moderno do desporto no qual se aplicam pontapés numa bola e que, através da consumação desses atos, se vislumbram movimentações táticas de modo a que uma equipa se consagre como vencedora.
A biografia continua, as boas épocas em clubes de meia estirpe idem e o alegadamente devedor do extinto BES (possivelmente, isento de IMI, à semelhança da Santa Madre Igreja) contrata o Altíssimo: o objetivo – por sinal, bem-sucedido – foi colmatar os desastres provocados por uma derrocada de Flores. Conseguiu! O Marquês de Pombal recebeu a festa proveniente da Catedral!
Seguiram-se três épocas inconsequentes. Entre sistemas de rega acionados e frases lapidares como “Limpinho, limpinho, limpinho”, Emerson a pontificar no corredor esquerdo representou o menos mau. Normalmente, os pregos eram colocados no Dragão. E claro, a força esfumava-se e só restava ajoelhar. As rezas até surtem efeito…
Nos derradeiros dois anos, a luz. Vencedor do campeonato por duas vezes e -(quase) – já era um presságio para um futuro projeto arrebatador da Liga Europa. Ivanovic e Beto brincaram com Jesus e ainda não foram culpabilizados pelos seus pecados, ainda que o segundo se tivesse confessado posteriormente!
A passagem inglória de JJ pelo Sporting fica marcada pela “morte na praia” em 2015/16 Fonte: Sporting CP
O verão de 2015 foi ventoso e com a presença de tempestades secas. Jesus iça-se da bagagem, dos diplomas e dos rótulos oriundos de todo o país e muda-se para o outro lado da Segunda Circular. Imbuiu-se de fé e assumiu o comando de uma equipa que, religiosamente, rezava três credos e cinco aves-marias. Mas a crença não se transporta em barcos, infelizmente. Três longas épocas, a peleja era aguerrida, mas o exército católico nunca desbravou o caminho para o cálice sagrado.
Alcochete, 2018. Uma seita reacionária do seio do clube decidiu – digamos, sem meias medidas – assustar e violentar os jogadores das suas cores. Percursores do hediondo ato? Ao que parece, não existem. Foi obra do Espírito Santo, sem a inclusão de Jesus. A porta bateu com estrondo. Jesus quis conferir ritmo ao corpo e sambou em direção ao Brasil…
Em terras de Vera Cruz, sob o apupo e o deslindar de críticas, demonstrou todo o seu talento, astúcia e perspicácia. Moldou o futebol do CR Flamengo, incrustou no plantel a figura do seu retrato (uma autocracia saudável, um bom Reich). Educou as almas indígenas e latinizadas ao extremo, urdiu táticas inteligentes e nunca antes vistas na formação, primou o trabalho e reaproveitou a irreverência. Libertou as dores de uma massa adepta sequiosa. Klopp foi inabalável e não caiu do altar…
De regresso a Portugal, aquele que era chamado de anticristo, volta à catedral. Mas eis o que a imprensa privada e nacionalmente conhecida se olvida: O Bola na Rede soube, mas manteve em sigilo total até à data. Permitiu que a CMTV gizasse as habituais manobras de diversão, acalmou a ira benfiquista – resultados imediatos sabem tão bem, mesmo que a estratégia se cinja sobre a aposta na formação – e que Luís Filipe Vieira respirasse sem o auxílio de sondas.
A bomba vai ser lançada: Jorge Jesus, afinal, é o novo treinador do Sporting Clube de Portugal. Frederico Varandas recua Rúben Amorim para o cargo de adjunto (responsável pela manutenção e ida à Europa) e, a seu jeito, dá outro rumo ao clube. Sabe-se, também, que os leões nunca quiseram o dossiê Cavani porque Luiz Phellype é prioritário. Bruno Henriques veste a maldita camisola sete. James Rodríguez está contratado, mas não vai ter vida fácil porque Eduardo… (a frase termina aqui).
(momento no qual cai o Carmo e a Trindade, embora ninguém conheça os ilustres)
Spoiler alert: o Bola na Rede adianta também que, em Março, o SL Benfica roubará o comando do campeonato ao Sporting CP, após falhanço de Jovane Cabral defronte da baliza.
Jesus só ressuscitará à terceira vez, conforme as escrituras.