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João Noronha Lopes: Tempo de mudança e glória?

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“A glória é agora”, foi com este lema que João Noronha Lopes se apresentou como candidato às próximas eleições do Sport Lisboa e Benfica, marcadas para outubro deste ano, que prometem ser as mais concorridas e, provavelmente, mais equilibradas dos últimos tempos. Surge, assim, como o quarto candidato, já depois dos anúncios de Luís Filipe Vieira, Rui Gomes da Silva e Bruno Costa Carvalho.

Sócio nº 5001 do SL Benfica, João Noronha Lopes apresenta um vasto, diversificado e enriquecedor currículo, marcado por diferentes áreas e etapas ao longo da sua carreira, tanto a nível nacional como internacional, entre as quais se enquadra a experiência como Vice-Presidente do clube, entre os anos de 2000 e 2001, na então direção presidida por Manuel Vilarinho que, na altura, contribuiu para afastar João Vale e Azevedo da presidência do SL Benfica.

O discurso de apresentação da candidatura pautou-se por uma enorme elevação, assertividade, ponderação, racionalidade e objetividade, assente, essencialmente, em três pilares que vigoram como principais objetivos para o futuro do clube: ambição, credibilidade e transparência.

Além disso, o discurso teve um cariz muito emocional, percebendo-se a forte ligação afetiva com o clube, achando pertinente neste parâmetro destacar uma frase que, a meu ver, foi marcante e, posteriormente, bastante citada pelos adeptos encarnados: “Queremos um Benfica que sonha o mesmo sonho dos que não dormem por sua causa”.

Outras ilações que, eventualmente, poderão ser retiradas desta apresentação são: o reconhecimento do trabalho feito pelo atual presidente, Luís Filipe Vieira, e, simultaneamente, a necessidade de mudança, de novas ideias e medidas, para dar continuidade ao que já foi feito, patente, por exemplo, no desejo de aliar a sustentabilidade financeira a um maior sucesso no plano desportivo, quer no futebol quer nas restantes modalidades.

Esta ambição tem em conta as condições atuais do Benfica, que permitem fazer mais e melhor e, ainda, um clube mais transparente, mais próximo dos sócios e adeptos, independentemente do estrato social, cor, raça, ideologia ou outros pressupostos, afastando-o um pouco da vertente de empresa, negócio, lucro e tratamento dos adeptos como meros clientes, tal como se tem assistido nos últimos anos.

Apesar de a candidatura ter sido divulgada há poucos dias, são já vários e consideráveis os apoios que têm sido tornados públicos a esta figura, alguns dos quais nomes com reputação, significado e peso no universo benfiquista: Ricardo Araújo Pereira, Pedro Adão e Silva, Vasco Mendonça, Pedro Ribeiro, Pedro Norton, António Pedro Vasconcelos, Luís Seara Cardoso, entre outros, e, mais recentemente, mas igualmente revestidos de enorme preponderância, os antigos campeões europeus do clube, nomeadamente Mário João, Fernando Cruz, Ângelo Martins e António Simões (os dois primeiros vieram, entretanto, a público dizer que não apoiavam esta candidatura).

Portanto, a partir disto, podemos perceber que será uma candidatura bastante forte e com legítima aspiração a obter a vitória nas eleições. No mesmo sentido, a enorme mobilização que tem sido feita para a divulgação do manifesto eleitoral, assim como para a subscrição da candidatura é outro aspeto que convém realçar, colocando perfeitamente em evidência a excelente organização, competência e, também, a ideia de que foi algo bem trabalho, com bastante preparação prévia, sustentado e que não surgiu apenas por egocentrismo ou objetivo de chamar as atenções e ganhar algum protagonismo.

Em sentido contrário, é com muita tristeza e preocupação que vejo a pouca cobertura e menção que tem sido atribuída pela BTV às eleições do clube, juntamente com a ausência de debates, ainda mais quando, como canal oficial do clube, deveria ter o bom senso de informar os adeptos e sócios de todos os assuntos ligados ao SL Benfica, permitindo que estes escolham o melhor rumo para o futuro desta grandiosa instituição.

Os relatos recentes de pessoas expulsas das instalações nas imediações do Estádio do SL Benfica e as recusas de algumas Casas do Benfica em permitirem que determinadas pessoas recolham assinaturas a favor de outras candidaturas que não a do atual presidente do clube, são outros sinais de falta de democracia, opinião e liberdade. Como tal, Bernardo Silva, jogador (e adepto) muito querido pela massa associativa, mostrou, igualmente, a sua indignação e descontentamento com a situação atual no que diz respeito ao canal do clube, com a crítica na sua página oficial do Twitter.

Para finalizar, gostaria de deixar um apelo a todos os adeptos e sócios do SL Benfica para que, independentemente do candidato que apoiam, se esforcem para termos uma campanha justa, igualitária, que permita que todos os candidatos consigam ter voz, de modo a apresentar os seus projetos, ideias, constituição das listas e pessoas escolhidas para os cargos, assim como outras opções e diretrizes para o futuro do clube. Com debate, troca de opiniões e possibilidade alargada de escolha, este cenário será possível e, no fundo, quem sairá como grande beneficiado será o Sport Lisboa e Benfica, numas eleições que deverão ser vistas como um sinal de vitalidade, na escolha pelo 34º Presidente do clube.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Cláudio Ramos, Marchesín, Diogo Costa: de quem será a baliza portista?

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Cláudio Ramos, segundo avança a maioria da imprensa nacional, vai ser reforço do FC Porto para a próxima temporada. A notícia já foi adiantada na comunicação social, que dá conta de um entendimento entre o jogador e o clube azul e branco para a transferência do internacional português para a cidade Invicta. O negócio será oficializado no final da temporada, até porque os azuis e brancos têm ainda a final da Taça de Portugal para disputar e outras situações de mercado por resolver.

O guarda-redes completou a formação no Vitória de Guimarães e seguiu para o Tondela em 2011/2012, com um empréstimo em Amarante pelo caminho. Joga nos beirões há nove anos e o seu contrato termina no final deste mês, logo, foi pessoal a decisão de rumar aos dragões, embora haja um pequeno dedo de Vítor Baía. O atual vice-presidente do clube e responsável pela ligação do futebol sénior à estrutura do FC Porto teve participação direta nas negociações com os responsáveis do futuro guarda-redes portista, que tinha interesse de outros clubes portugueses, incluindo o Vitória de Guimarães, assim como propostas de clubes estrangeiros.

Cláudio Ramos é constantemente abordado durante os períodos de transferências e questiona-se frequentemente o porquê de ter permanecido tantos anos ao serviço do Tondela. O guardião português já demonstrou qualidade no campeonato português e demonstrou capacidade para dar o salto e jogar em outros palcos. A resposta será dada daqui para a frente. Resta saber de que forma poderia encaixar no elenco portista pois atuam lá dois guarda-redes de grande nível, e um deles com uma margem de progressão tremenda.

Marchesín foi o escolhido para substituir Iker Casillas no começo desta temporada prestes a terminar e foi uma das principais armas que levou a equipa à conquista do campeonato. O mexicano foi exímio durante este primeiro ano ao serviço do clube e salvou o FC Porto em momentos apertados. Errar todos erram e talvez se tenha sentido essa falha em Famalicão por ser na reta final da liga, contudo é difícil apontar-lhe outra igual. Os dragões desembolsaram perto de 8 milhões para adquiri-lo aos mexicanos do América e valeu cada cêntimo gasto. A dúvida recai agora para a continuidade do mesmo, tendo em conta que já tem 32 anos de idade e poderá surgir a oportunidade de atuar numa liga mais reconhecida na Europa.

Marchesín foi fundamental no título do FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Por outro lado, Diogo Costa jogou pouco, mas nunca acusou a pressão de representar um grande, mesmo em encontros com um grau de dificuldade maior. Foi o guarda-redes escolhido para disputar a Taça de Portugal, não vacilou em momentos cruciais, demonstrou-se seguro e sem medo nas saídas. Na verdade, o FC Porto parece ter aqui um guarda-redes para vários anos.

Como será então feita a gestão da baliza portista com uma chegada de Cláudio Ramos praticamente certa? Será uma venda de Marche, um empréstimo de Diogo Costa ou a permanência dos três?

Em caso de saída de Marchesín, surgem sérias dúvidas sobre quem será o titular, isto porque Claúdio tem muita experiência neste campeonato e parece já estar preparado para defender a baliza de um grande e Diogo Costa, com os encontros disputados este ano, mostra-se já capaz para ser o número um e construir o seu legado nos azuis e brancos.

Em caso de empréstimo do internacional das camadas jovens portuguesas, é irreal Marchesín não ser o titular pelas garantias dadas durante esta época, logo Cláudio Ramos seria alternativa para jogos da Taça e quem sabe das competições europeias.

Recorde-se que existem ainda outros jovens à espreita e possíveis soluções no futuro, como Mouhamed Mbaye, que foi utilizado no encontro frente ao Moreirense para receber a medalha de campeão, e ainda Francisco Meixedo, que esteve presente no banco contra o Sporting de Braga, todavia, sem direito a estreia.

De qualquer das formas, a transferência de Cláudio Ramos seria vista com bons olhos pela nação portista, pelo reconhecimento da sua qualidade, e por se aplicar, atualmente, na política da SAD, tendo em conta que o jogador chegará a custo zero.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

 

“O pior campeão da década”? – Os números do FC Porto 2019/20

A época mais longa de que há memória acabou por coroar o FC Porto como novo campeão nacional. No entanto, desde que o primeiro lugar foi matematicamente assegurado pelos dragões, muito se tem questionado sobre se estávamos perante o pior campeão da década que findará este ano.

O demérito excessivo do Benfica, o elevado número de vitórias pela margem mínima de Sérgio Conceição, o pobre desempenho europeu do agora campeão nacional: tudo isto e muito mais surgiu, de certa forma, na tentativa de colocar um asterisco no troféu recém-conquistado.

De facto, houve uma perda de pontos anormal da equipa encarnada, assim como existiram várias e várias vitórias dos da Invicta por apenas um golo de diferença; a caminhada europeia também ficou algo aquém das expectativas. Mas farão estes fatores do FC Porto o pior campeão dos últimos dez anos? Neste artigo, trarei alguns números e dados que mostrarão um ponto de vista totalmente diferente.

Comecemos pelo início. “O título do FC Porto tem mais de demérito do Benfica do que de mérito do próprio FC Porto” – será verdade? Bom, é inegável que a segunda metade do campeonato não correu propriamente bem à turma então comandada por Bruno Lage: falamos, em boa verdade, da pior segunda volta do Benfica na década.

Todavia, há que olhar para a outra face da moeda: estamos a falar do mesmo Benfica que realizou a melhor primeira volta, em termos de aproveitamento pontual, dos últimos trinta e seis anos. Por falar em aproveitamento pontual, aliás, o emblema da Luz terminou a Liga com um aproveitamento de 75.5%, um registo superior, por exemplo, ao que o FC Porto apresentou em 16/17 (74.5%), época em que foi segundo colocado.

Estes mesmos 75.5% de aproveitamento pontual seriam suficientes para garantir o título em três das últimas dez edições de campeonato.

Conclusão? Independentemente de todos os problemas, o Benfica esteve longe de fazer a pior campanha de um segundo classificado na década. Portanto, parece-me algo exagerado colocar todo o peso desta conquista sobre os ombros das águias.

O Benfica, apesar de ficar aquém das expectativas na segunda metade do campeonato, fez a melhor primeira volta dos últimos trinta e seis anos
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Tudo isto leva-nos à segunda parte da questão: há ou não há mérito do FC Porto? Naturalmente, não haverá nenhum campeão que o seja sem a sua dose de mérito. Mas, para não entrarmos no campo subjetivo, vamos ver o que nos diz o registo dos dragões.

5 desafios de Carlos Carvalhal nesta nova etapa no SC Braga

Carlos Carvalhal foi hoje apresentado como novo treinador do SC Braga. Após um extraordinário trabalho realizado no Rio Ave FC, alcançando a melhor pontuação de sempre do clube de Vila do Conde na Primeira Liga e valorizando bastante vários jogadores do plantel, o mister natural da cidade dos arcebispos assume o Sporting de Braga. Vários serão os desafios com os quais se irá deparar e neste artigo serão mencionados cinco desses desafios.

Para além de se tratar de um tema da atualidade, e com bastante relevância no panorama desportivo nacional, este artigo tem também motivações de gula. É que o redator deste artigo prestou atenção à forma como o mister Carlos Carvalhal tratou as pessoas da imprensa em Inglaterra, oferecendo-lhes estupendos pastéis de nata. Eu apreciaria muitíssimo também comer o belo do pastel oferecido pelo mister. Por isso, fica aqui a minha tentativa.

O fenómeno Miguel Maia

Aos 49 anos, Miguel Maia continua a surpreender. Depois de renovar com o Sporting CP, por mais um ano, o jogador de voleibol assume-se ainda mais como uma lenda do desporto nacional.

O percurso do distribuidor começou em 1987, quando se estreou como profissional no Académica de Espinho. Nas três primeiras temporadas como sénior, o atleta ajudou o clube a subir à I Divisão e, inclusivamente, conquistou a prova na época de 1989/1990. De seguida, surgiu a oportunidade de representar o principal clube da cidade, o Sporting de Espinho.

A estadia no distrito de Aveiro, no entanto, seria muito curta. Em 1991, Miguel Maia rumou à capital para representar o Sporting CP. Nos leões, o espinhense consolidou-se como um dos melhores jogadores a nível nacional mas, quatro anos depois, voltou a casa e não resistiu ao convite do SC Espinho.

Foi, durante a segunda estadia no clube da sua cidade, que o voleibolista começou a fugir dos pavilhões para a areia. Em 1994, um par de anos antes antes dos Jogos Olímpicos de Atlanta, Miguel Maia e João Brenha formaram uma dupla que fez sonhar os portugueses. Na competição olímpica na cidade americana, os dois conseguiram um honroso quarto lugar.

Além dos Jogos Olímpicos de 1996, os dois atletas ainda participaram na prova em Sydney, onde também terminaram em quarto lugar, e em Atenas. Na Grécia, ambos não foram além de um nono lugar. O final dos anos 90 e início do novo século foram, provavelmente, o pico da carreira do voleibolista.

Além do SC Espinho e o Sporting CP, o atual número oito leonino ainda representou o Esmoriz GC e o Reima Crema de Itália, na única experiência fora de Portugal. A verdade é que é difícil resumir a carreira de um jogador com tanta experiência e tantos títulos em tão poucas palavras.

Concluindo, perto dos 50 anos, Miguel Maia conta com 16 campeonatos nacionais, 9 taças de Portugal, 6 supertaças e muitos mais títulos e nível individual. Foi um artigo de opinião cheio de números, porque dizem muito da qualidade do atleta, que ainda tem algo a dizer no final da carreira.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

Artigo revisto por Diogo Teixeira

«O SL Benfica está demasiadas vezes em tribunal e a ser enxovalhado» – Entrevista BnR com José Soares

«Foi como um puxar do tapete». É assim que José Soares descreve o resultado do polémico e marcante Campomaiorense-FC Porto, em que fez marcação cerrada e agressiva a Mário Jardel. Ao Bola na Rede, o antigo defesa falou ainda sobre a instabilidade do SL Benfica – o clube do coração – nos tempos de Vale e Azevedo, a aventura pelo Médio Oriente, os vários empregos após pendurar as chuteiras e ainda houve tempo para falar sobre a atualidade encarnada, onde revela que «nem nos piores sonhos» acreditava que as águias não seriam campeãs nacionais esta época.

– De Elvas para a Luz –

“As negociações com o FC Porto estavam muito mais avançadas que com o SL Benfica, só que o meu benfiquismo falou mais alto”

Bola na Rede (BnR): Costuma-se dizer que filho de peixe sabe nadar e esta expressão parece aplicar-se na perfeição ao José Soares. Como foi crescer com um pai futebolista?

José Soares (JS): Foi muito bom. Nasci a ver o meu pai a jogar futebol e estava sempre à espera que fosse fim-de-semana para ir vê-lo jogar aos sábados ou domingos. Já nasci com esse bichinho por causa do meu pai jogar e de ter uma família de futebolistas. A sensação foi ótima e consegui realizar um sonho de criança – que nem sempre é fácil concretizar – foi fantástico. Parece que foi há dois ou três anos que via o meu pai a jogar nos pelados e no meu caso, do meu irmão e dos meus sobrinhos, aplica-se perfeitamente essa expressão.

BnR: Ele também era defesa?

JS: Não, não. O meu pai não tem nada a ver, as características dele são as opostas das minhas. O meu pai era canhoto, jogava nas linhas – a extremo ou médio esquerdo – era muito habilidoso, coisa que eu não era [risos].

José Soares começou a formação no O Elvas, onde o pai também jogava
Fonte: Instagram José Soares

BnR: E é por causa dele que acabas por ir para o O Elvas…

JS: Sim. Em Elvas existem dois clubes: o O Elvas e Os Elvenses. O meu pai representou os dois clubes e eu, quando era miúdo, comecei a representar o O Elvas.

BnR: Que condições tinhas?

JS: O Elvas sempre foi um clube com boas condições. Era pequeno, regional, mas tinha condições e a nós nunca faltou nada. É uma cidade que vive muito o futebol e os empresários na altura ajudavam bastante o clube. Lembro-me perfeitamente do sr. Hernâni Santana, o sr. Manuel Mendão, entre outros ajudavam sempre o clube e quando pararam de ajudar, veio por aí abaixo, mas agora está a tentar levantar-se de novo.

BnR: Depois de quatro anos no O Elvas, como é que acabas por chegar ao Benfica?

JS: Aconteceu algo que não era muito natural – talvez agora seja, mas não estou muito dentro do futebol jovem – que foi um senhor chamado Fernando Casaca, antigo jogador profissional do Vitória FC, foi treinar os juniores do O Elvas e iam começar a jogar o campeonato nacional. Ele viu-me jogar nos iniciados, com 12 ou 13 anos, e achou que tinha «arcaboiço» para jogar nos juniores, que se podia fazer mas tinha primeiro de ir fazer um teste a Lisboa, à Cidade Universitária, para ver se tinha estrutura óssea que permitisse jogar cinco anos acima. Levaram-me a Lisboa, fiz os exames médicos necessários e comecei a jogar no campeonato nacional de juniores, mas na altura era miúdo ainda, só com 13 anos. As coisas correram bastante bem e há sempre alguém que vai dizer que há um miúdo, então numa equipa conhecida como era o O Elvas, que joga nos juniores só com 13 anos e foi aí que surgiu o interesse do Benfica e do FC Porto. Curiosamente, as negociações com o FC Porto estavam muito mais avançadas que com o Benfica, só que o meu benfiquismo falou mais alto.

BnR: Foi difícil trocar o Alentejo pela capital?

JS: Sim, sim, foi muito complicado. Eu era miúdo, sempre vivi em Elvas, perto dos meus pais, os meus irmãos, os meus amigos e estava completamente identificado com a minha cidade. De repente, de um momento para o outro, estou a viver numa cidade com esta dimensão, longe dos meus pais, e foi muito complicado ao início. Mas depois o meu amor pelo clube, estar com os meus colegas e os treinadores tratarem-me bem, acabou por ser um processo normal, apesar da idade que tinha.

BnR: Então acabou por não te afetar dentro de campo…

JS: Não, isso nunca. Eu consigo separar uma coisa da outra. O Benfica tinha umas condições excelentes no centro de estágio, estavam lá 24 colegas e foi muito bom. Sempre com muitas saudades da família, mas já se sabia que é mesmo assim e apoiávamo-nos uns aos outros, com o Benfica a dar todo o apoio possível também e foi assim que tudo começou.

José Soares, ao centro, com a Seleção Nacional sub-21 num jogo frente à Ucrânia
Fonte: Instagram José Soares

BnR: De quem eras mais próximo lá?

JS: Eu sempre tive muitos amigos. No futebol jovem tinha o pessoal que vivia comigo no centro de estágio e outros colegas como o João Peixe, o Bruno Caires, o Filipe Correia, o Gil que, na altura, já era júnior mas ajudáva-nos bastante. Tinha o Edgar Pacheco que também vivia connosco e o meu irmão que, curiosamente, foi no mesmo ano que eu para o Benfica. Havia muito colega, boas pessoas que ainda hoje somos amigos, que na altura já eram muito próximos de mim e continuámos com esta amizade para a vida toda.

BnR: O que se destaca no teu percurso pelas camadas jovens foram as idas à seleção nacional no Euro sub-18 e no Mundial sub-20. De que te lembras destas competições?

JS: Lembro-me bastante bem, porque seleção é inesquecível, vai para o resto da vida. O que nós fizemos na seleção, essa geração, é muito mais positivo que negativo. Ganhámos o Europeu de sub-18, que é muito complicado, com grandes que havia na altura, e no ano a seguir podíamos ter ganho o Mundial porque, não só tínhamos muita qualidade individual, como um coletivo muito forte. O nosso lema era sempre dar tudo pela equipa, independentemente do jogo ser bonito ou não. Tínhamos material humano para jogar em várias vertentes, podíamos jogar com muita qualidade, mas o espírito de sacrifício e entreajuda estava sempre presente. Depois, nem sempre dá para jogar sempre bem, apesar de termos grandes individualidades: Dani, Nuno Gomes, Bruno Caires, Ramires, jogadores de grande qualidade, mas acima de tudo tínhamos grande espírito de equipa, neste caso de seleção, em que todos remávamos para o mesmo lado. Por isso tivemos esse sucesso todo, mas infelizmente não fomos campeões do Mundo por detalhes.

BnR: Que tipo de detalhes?

JS: Lembro-me que no jogo com o Brasil merecíamos ganhar. Tínhamos o Dani doente, o jogo não nos correu bem e podíamos perfeitamente ter ganho. Nesse ano o campeão do Mundo foi a Argentina mas, na fase de grupos, fomos muito melhores no jogo contra eles. Estou convencido que, com um pouco mais de sorte e mais uma ou outra coisa, tínhamos sido campeões do Mundo nesse ano.

O desabafo de um dos melhores adeptos do mundo

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Desculpem desde já o meu excesso de soberba, no entanto qualquer adepto/sócio do Sporting Clube de Portugal tem direito a considerar-se um dos melhores adeptos do mundo. É que não é para qualquer um, com tão poucos títulos ganhos pelo seu clube de futebol, que se mantenha tão fiel ao emblema. Mesmo sem títulos, temos bravos Sportinguistas nos cafés, nos locais de trabalho, em todo o lado, a defender o seu clube contra os argumentos de adeptos de dois clubes que ganham mais troféus, mostram mais qualidade e mais dinheiro para investir na equipa. Mesmo sabendo que a qualquer momento portistas e benfiquistas podem, a meio de uma discussão, tirar da cartola o número de títulos, os Sportinguistas continuam a defender o seu clube como o melhor do mundo e arredores.

O problema é que nós começamos a tornar-nos muito repetitivos, tanto nos argumentos que usamos contra os nossos rivais, como nos erros de casting que terminam sempre em claudicar nos momentos decisivos do campeonato e taças.

Estamos habituados a dizer que somos diferentes, no entanto, infelizmente, não somos apenas diferentes no facto de o nosso clube não estar impregnado de processos e investigações judiciais, mas também no facto de sermos o único dos “três grandes” que apenas ganha um campeonato nacional de 20 em 20 anos (um pode estar diretamente ligado ao outro, mas em Portugal é permitido).

Depois de mais uma época fracassada, a contestação continua
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Gostamos também de argumentar que somos os melhores na formação. A verdade é que já fomos os melhores. Neste momento somos, no máximo, tão bons a formar como os nossos rivais. No entanto, por estarmos novamente a ficar apertados de finanças, voltamos a ser o maior apostador em jovens jogadores. Veremos o que isso dá, até porque, apesar de os jornais nos mostrarem que estamos a tentar contratar jogadores com experiência para ajudar esses jovens a crescer, também terão de ter qualidade. Se formos buscar experiência baseando-nos apenas na data de nascimento, eu tenho mais experiência que qualquer um dos que joga pelo Sporting.

Outro argumento sobejamente conhecido e usado todos os inícios de épocas desportivas baseiam-se em prometerem uma equipa que lutará pelo titulo de campeão nacional. Não, não lutamos. Para já, porque não temos as mesmas armas, seja em jogo jogado ou jogo de bastidores, mas também porque não conseguimos ter a mesma estabilidade que os rivais conseguiram com líderes ditatoriais que eliminaram qualquer ameaça que lhes pudesse fazer frente. Não pensem que foi só com boa gestão, porque talvez nem tenha sido essa a principal razão para o sucesso dos mesmos. Não somos nem seremos candidatos a coisa nenhuma nos próximos anos. Se estamos constantemente arredados da luta pelo campeonato não poderemos continuar a considerar-nos candidatos. Para isso teríamos que, pelo menos, estar pontualmente mais perto dos outros candidatos. Os verdadeiros candidatos.

Estes argumentos já me dizem muito pouco. Começam a ficar gastos, e a ficar sem sentido. Um clube de futebol vive de títulos e, nos dias de hoje, do dinheiro que esses mesmos títulos transferem para os cofres do clube. Os nossos estão a ficar vazios, porque o dinheiro do patrocinador não dura para sempre.

No entanto há outro tipo de argumentos que tentam usar, não para defender o clube, mas a si mesmos, que me deixam envergonhado, inconformado, irritado e, ao mesmo tempo, com o sentimento de impotência.

O atual presidente do Sporting CP disse um dia que o Sporting CP tinha deixado de ser um circo, no entanto não temos servido para mais nada que divertir os nossos rivais. E mesmo as entrevistas ou conferências de imprensa de Varandas são dignas de qualquer número de circo. Mas ele não tem culpa, porque cada um tem os seus méritos e limitações. Culpados são os adeptos que elegeram para presidente do seu clube uma pessoa com essas limitações.

O mesmo disse que ganhar no futebol é fácil. Atendendo ao que temos ganho, e às miseráveis prestações da nossa equipa no futebol, falta saber o que lhe falta para que este desporto se mostre menos difícil. Para os outros parece bem fácil, efectivamente, principalmente quando jogam contra nós. Esperamos que nos mostre isso até ao final do seu mandato, porque infelizmente ele vai-se manter por lá até às próximas eleições, pelo menos.

Mas a verdade é que nada disto nos devia preocupar porque, como dizia Menezes Rodrigues, o Sporting CP será o clube mais elegante da liga, custe os pontos que custar. E a perceber pelos pontos perdidos já devemos ser o clube mais elegante do universo e arredores.

Com tudo isto, vejo-me a tentar consolar com as boas épocas conseguidas por Matheus Pereira, Palhinha, Domingos Duarte, Bruno Fernandes e até a vitória no campeonato da Juve de CR7. Já que não tenho mais nada… Ah, temos também os dez milhões vindos de Manchester que entram nos cofres do Sporting CP (já devemos conseguir pagar o treinador. Ah, ainda têm de pagar à UC Sampdoria).

Mas espera … o Sporting CP não é só futebol. Esquece… nas modalidades também deixámos de ganhar e até estamos a desinvestir. Portanto, mais um argumento dos adeptos que cai por terra.

Quem tinha razão era Jaime Marta Soares quando disse a sábia frase “Deixem que a história nos julgue”. Já podemos julgar?

Cada vez me sinto menos um dos melhores adeptos do mundo.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Olheiro BnR: Mohammed Kudus

O SONHO FOI A PONTE ENTRE O GANA E A DINAMARCA

 A Right To Dream é uma academia ganesa que assinou um protocolo com os dinamarqueses do FC Nordsjælland. O clube acredita em jovens atletas africanos e dá a oportunidade a diversos talentos de poderem assinar com um clube europeu. Mohammed Kudus é um dos milhares que tentaram a sua sorte, e vem com selo de sucesso.

Aos 17 anos, o ganês rumou à desconhecida cidade de Farum, no nordeste da Dinamarca. A qualidade foi logo reconhecida e, pouco depois, já estava a jogar na equipa principal dos tigres. Isso despertou a curiosidade de alguns gigantes do futebol, que mantiveram o seu desenvolvimento debaixo de olho.

A juntar à tenra idade, Kudus apresentou, desde cedo, uma grande polivalência em terrenos avançados. Esta temporada, o jogador dividiu-se entre as funções de ponta de lança e médio centro, mas também demonstrou competência quando se deslocou para o lugar de extremo esquerdo, e até de médio defensivo.

Na época que agora termina, o atleta foi uma das grandes revelações da Superligaen. Prestes a completar o vigésimo aniversário, contribuiu com 11 golos e uma assistência, que ajudaram o FC Nordsjælland a chegar aos Playoffs da Liga da Dinamarca. No entanto, a jovem promessa africana não terminou a temporada no país escandinavo.

O AFC Ajax antecipou-se a diversos emblemas interessados no seu serviço, e nove milhões de euros pode até parecer pouco para a esperada margem de progressão do ganês. Com todos estes fatores, é difícil não pensar na semelhança de Mohammed com a filosofia Ajacied. É um casamento que tem tudo para dar certo. 

Na seleção do Gana, o médio ofensivo começa aos poucos a ser opção e, inclusivamente, marcou na estreia pelos Black Stars. A jovem estrela é a esperança da renovação de uma nação, que falhou o apuramento para o Mundial de 2018. 

Sair de casa para quê? Os 5 piores clubes da década

 

 

O pano caiu sobre mais um campeonato e o último classificado CD Aves alcançou o infeliz estatuto de pior equipa a jogar em casa e fora. Não só foi a pior formação com registo em casa, ultrapassado pelo CD Tondela na penúltima jornada, como também logrou ser a menos bem-sucedida fora de portas, num campeonato atípico e mais longo que o habitual, que entra para a história da última década como aquele que teve a equipa que obteve menos pontos nos jogos fora.

Os avenses sempre tiveram dificuldades para ultrapassar os diversos obstáculos ao longo do campeonato e esta reta final ficou marcada por episódios bastante infelizes, ao qual foi alheio o conjunto de Manta Santos que sempre encarou os desafios da forma possível. Contudo, o destino já estava traçado há algum tempo e a imagem que fica é a de uma época pobre e inglória, que devolve o clube da Vila das Aves ao segundo patamar do futebol nacional.

Acontece que os quatro pontos obtidos como visitante constituem o pior registo forasteiro da década, deixando assim a mancha do recorde negativo. Um triunfo, um empate e 15 desaires demonstram um conjunto débil e que fica mais perto de confirmar aquilo que no final se verificou: a despromoção.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Ao longo da década, houve mais equipas a registar pontuações baixas neste capítulo e que aqui serão destacadas, pois, quando se consegue vencer apenas por uma vez fora de casa, esse é um sinal muito forte para se obter o estatuto de pior equipa forasteira da temporada. Foi isso que a maioria destas equipas fez e, por isso mesmo, integram o lote das piores formações da década nesse âmbito.

 

Sporting CP | 3 pequenas medidas para cativar sócios

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Após uma época muito abaixo dos objetivos, o Sporting CP tem visto a sua massa adepta a afastar-se. São cada vez menos os que são sócios e as críticas à direção e equipa são constantes.

De que forma se pode resolver? Com bons resultados, claro… E é isso que se pretende na próxima temporada, mas uma boa estratégia de comunicação e marketing pode contribuir para o aumento do número de sócios e a aproximação aos adeptos.

Apresentamos de seguida algumas ideias que poderiam contribuir para uma maior relação entre o clube e associados.