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Em memória de Rogério “Pipi” (1922-2019)

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Diz a memória popular que Rogério Lantres de Carvalho foi o mais hollywoodesco jogador do futebol português. Criado em Chelas, filho e irmão de malta da bola, chega ao Benfica em 1942, a troco de 26 contos. Faz carreira auspiciosa, chega ao Brasil para jogar com a camisa alvinegra do Botafogo, voltando ao fim de oito meses por travessuras do lendário Heleno.

Um dos protagonistas da famosa Guerra do Bacalhau, sempre se assumiu como figura destacada da história encarnada. O casamento acaba em 1953, depois de Otto Glória preferir o profissionalismo – Rogério tinha 32 anos e percebeu a deixa. A imagem eterna a segurar na Taça Latina dignifica-o e faz parte do imaginário de todo o adepto, acabando poucos anos depois no seu original Chelas, hoje Oriental, a troco de… nada. Era por amor. No resto da sua vida, vendeu automóveis com a mesma facilidade com que desfazia adversários na ala esquerda.

Nasceu em Chelas. O seu pai fora fundador do clube com o mesmo nome, que mais tarde passaria a Oriental, e o seu irmão dava pelo nome de Armínio França, destacando-se como um dos craques da equipa. Lá começou então Rogério a dar os pontapés, mas o peso do parentesco reforçou nele medos e traumas de falhanço monumental: seria sempre o “irmão do França”…

Fez o quarto ano de escolaridade e foi-se empregar no Grémio das Carnes. Aí faz amizade com… Fernando Peyroteo, que repara nas suas qualidades futebolísticas aquando de uma jogatana da malta do trabalho e leva-o para o Sporting CP. Faz um treino na equipa de reservas, mas não corre bem. Vítima de complô dos colegas, a bola poucas vezes lhe chegou e Rogério decide nunca mais lá voltar, até Peyroteo chamar a atenção da direcção leonina para o drama.

Dos homens de alta patente, vem a oferta de 25 contos. Os do Benfica, sempre atentos às movimentações adversárias dentro e fora do campo, sobem a parada em mais um conto e levam o menino de 20 anos para o recinto do Campo Grande, estádio predecessor da Luz. 16 contos de luvas para Rogério, 10 para o Chelas e um jogo amigável entre as equipas: acordo espontâneo.

Com a camisola berrante, estreia-se num sempre competitivo embate com “Os Belenenses”, nas Salésias, em Outubro de 1942: como extremo-direito, que só passaria ao lado contrário aquando da despedida de Francisco Valadas. Janos Biri assim decidiu, fazendo a quase totalidade da sua carreira nesses terrenos, apesar da sua má vontade: disse Rogério durante a vida fora que se tivesse sido… Interior (ainda em alturas do WM) teria rendido o dobro. O dobro rendia ele sempre que o certame era a Taça de Portugal, sendo a prova-rainha a sua predilecta para causar estragos: em cinco participações na final, marca 15 golos e vence todas! Na sua estreia, o Benfica bate o campeão da II Divisão, Estoril, por expressivos 8-1… Com cinco golos do prodígio.

No final dessa época de 1942-43, já se destacava como uma das figuras daquela equipa que faz a histórica primeira dobradinha. Irreverente, armador genial, finalizador de excelência, e o aprumo na aparência de uma figura da televisão. O penteado sempre impecável e a elegância nos gestos auguraram-lhe a alcunha de “Pipi”. A história começa na sua chegada: Gaspar Pinto, central e grande nome, vendo o seu aspecto alto e espadaúdo, tenta “Agulha”, que não pegou porque Francisco Albino, outro dos líderes de balneário, se chegou à frente com o “Pipi”, que era o que se chamava aos rapazes da moda, de casacos cintados e colarinhos altos.

Contextualiza Rogério: «Eu era um jogador muito elegante, gostava de vestir bem e, um dia, um alfaiate famoso convidou-me a posar, ofereceu-me um fato de gala e um sobretudo e chamou um fotógrafo de arte. Fui, para espanto meu, primeira página da revista ‘Flama’ (quinzenário da Juventude Escolar Católica, criada em 1937 e extinta em 1976, responsável pela eleição das rainhas da rádio e da televisão), como se fosse um artista de Hollywood. E como estava todo pipi…” . Era o seu estilo inconfundível.

A sua importância no seio da equipa era um pau de dois bicos. Em meados dos anos 40, alguns jogadores do plantel benfiquista decidiram, sob égide da mocidade despreocupada, fazer uma grande almoçarada antes do jogo decisivo contra o Sporting, num restaurante para os lados do Lumiar. As batatas com bacalhau, em excesso, só provocaram lentidão e inépcia nos benfiquistas, que se viram atropelados pela turma leonina. Diz-se que, apesar do 3-1 registado, a diferença de rendimento foi tanta que se não fosse a incomum azelhice dos avançados verde-e-brancos, a contenda teria números muito mais expressivos…

A direcção do Benfica, naturalmente incomodada com o sucedido, decide multar em mês e meio de salário a quem desconfiavam ter participado no convívio. Rogério sempre jurou a pés juntos que nunca lá estivera, mas a sua exibição, segundo registos da época, foi tão inconsequente que a direcção nunca conseguiu acreditar nele.

Rogério Pipi (à direita) esteve na conquista do primeiro palmaré internacional dos encarnados: a Taça Latina
Fonte: SL Benfica

Diz Rogério que sempre jogou por amor à camisola e que o dinheiro sempre foi pouco. Com uma única excepção. Em 1947, o Botafogo queria combater a popularidade do Vasco da Gama junto da crescente comunidade portuguesa, fruto do impulso sentimental dado pelo nome. Solução? Ir buscar a mais cintilante estrela do futebol português da época. 40 contos de luvas, quando o salário se cifrava perto dos mil escudos na Pátria. 100 contos para o Benfica, única quantia que fez o presidente Tamagnini Barbosa aceitar.

«Por exemplo, em 1945, por nos sagrarmos campeões recebemos um prémio de 500 escudos. Pareceu-nos uma fortuna, porque, naquela altura, o ordenado mensal de um craque andava pelos mil escudos. Por isso, ninguém podia viver só do futebol. Eu jogava e trabalhava com o Peyroteo no Grémio das Carnes; no Grémio das Mercearias trabalhavam o Espírito Santo, o Jesus Correia, o Canário. O maior prémio na Taça de Portugal foi em 1954, na minha última vitória: cada um de nós recebeu dois contos de réis, que naquela altura davam para sustentar uma casa de família um mês inteiro. Em Portugal, não se enriquecia com o futebol. Quando fui para o Brasil recebia 18 contos por mês. Num ano ganhei mais do que ganhara em toda a minha vida. Deu para comprar um automóvel, no regresso, que então era o sonho de qualquer jogador de futebol. Com o dinheiro do Benfica comprei uma bicicleta, que utilizava para me deslocar para o quartel durante a tropa…»

Foi, então, a única vez que seria obrigado a jogar por amor ao dinheiro. Ele que sempre se habituara a honrar o símbolo ao peito, em tempos de futebol ainda romântico. Ora, como em todas as questões onde o coração não participa, a sua passagem pelo Rio de Janeiro foi efémera. Heleno, a grande lenda do Fogão, fez a vida negra ao português, por conta de invejas e outros quinhentos que o tempo fez o favor de apagar. Entretanto, a gravidez da esposa e o seu desejo de que o filho nascesse em Portugal precipitaram o regresso de Rogério ao seu coração. Foram oito meses, oito jogos e nenhum golo.

Em Lisboa voltaria a reencontrar a tranquilidade que lhe permitia explanar todo o seu talento. Vítimas das circunstâncias – ele e a equipa -, só voltariam a ganhar títulos em 1949-50. Depois do domínio avassalador dos Cinco Violinos, o Benfica meteu as mãos no troféu da I Divisão, o que lhe permitiu a epopeia na Taça Latina da época seguinte. O primeiro grande troféu internacional do futebol português teve episódio curioso: a famosa fotografia de Rogério Pipi nasceu dum acaso. O capitão era Moreira e assim se explica que tenha sido ele a ter o prazer de levantar o caneco. «Quando o jogo acabou, ficou tudo louco. Só sei que, por entre empurrões, voando sobre os ombros dos benfiquistas em quase histeria, cheguei à tribuna. O Presidente da República (Óscar Carmona) pôs-me a Taça Latina nas mãos. Ainda hoje não consigo descrever o que senti…»

Um dos aspectos da lenda que foi conseguindo construir à sua volta tratou-se do lado humano de Pipi. Na histórica final da Taça de Portugal de 1953, que opunha dois grandes mestres do futebol português (Ribeiro dos Reis como treinador do Benfica e Cândido de Oliveira como treinador do FC Porto), haveria um relógio de ouro para o primeiro marcador do encontro. Rogério, motivado por participar nos seus jogos preferidos, não teve medo de inaugurar as redes. Que fez ao relógio? Entregou-o à direcção do clube, para que o leiloasse e metesse o lucro da venda no fundo de financiamento das obras do futuro Estádio da Luz.

Figura desta estirpe não merecia um fim injusto, motivado pelos adventos do profissionalismo. Otto Glória chega em 1954 e faz um ultimato aos jogadores: o emprego ou a bola a tempo inteiro, nunca os dois. Com 32 anos, Rogério viu que já não tinha grandes condições de se manter no clube e abandonar o emprego seria impensável. Preferiu a segurança financeira da venda dos automóveis e voltou ao Oriental: recusou de antemão qualquer ordenado, dinheiro que muitos clubes lhe queriam dar. De gratidão estava cheio o coração de Rogério e nem quis ouvir outras ofertas. Com a camisola do Oriental, ainda foi a tempo de ser campeão nacional da II Divisão. Reencontro feliz.

A 8 de Dezembro, despediu-se para sempre do Quarto Anel, um dia depois de completar 97 anos. Junta-se a outros grandes do Olimpo benfiquista, figurando entre eles como alguém a quem a conduta nunca atraiçoou, que nos gestos e nas palavras representou sobremaneira os valores do clube. Se o rendimento desportivo o coloca como marco na história, o lado humano do craque eleva-o a figura de culto e lenda instantânea do nosso imaginário. Pena, assim, o triste ignorar do jornal O Benfica na sua capa de 13 de Dezembro: não se percebe o esquecimento ou desprezo, gravíssimo em qualquer dos casos e merecedor de atenção por parte da direcção. Urge homenagear quem nos fez grandes e como o hino original Avante P’lo Benfica canta,

E vós, ó rapazes, com fogo sagrado,

Honrai agora os ases

Que nos honraram o passado!

 Foto de capa: SL Benfica

Artigo revisto por Joana Mendes

Valência CF 1-1 Real Madrid CF: Golo de Benzema ao cair do pano gelou o Mestalla

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Tic-tac, tic-tac. Em contagem decrescente para o “El Clásico”, a deslocação do Real Madrid ao Mestalla passou a ter ainda mais interesse após o deslize do Barcelona. Contudo, a formação de Zidane voltou a não aproveitar e não foi além de um empate a uma bola diante do Valência, tendo conseguido arrecadar um ponto no último lance da partida.

Mas que entrada avassaladora da formação madrilena! Pressionante, objetiva e sem deixar respirar o adversário. Em quinze minutos, foram quatro as oportunidades. Primeiro por Valverde, seguindo-se um duplo aviso de Benzema e ainda uma tentativa de Kroos. Já a equipa da casa só conseguiu assustar a baliza contrária ao minuto 17’, por intermédio de Ferrán Torres, num belo lance individual.

O Valência foi dando o espaço que o Real tanto ansiava e não foi de estranhar que o conjunto forasteiro voltasse a visar a baliza de Domenech, ainda que com outros intervenientes (Modric e Rodrygo).

O ritmo da partida foi baixando, a equipa de Celades equilibrou e as últimas duas ocasiões do primeiro tempo saíram mesmo das cabeças de Garay e, posteriormente, de Ferrán Torres. Contudo, o jogo encaminhar-se-ia para o intervalo exatamente como começou: sem golos.

Disputa de bola entre Coquelin e Modric
Fonte: Real Madrid CF

No segundo tempo, o Valência apresentou-se com uma postura bastante diferente. Mais jogo direto, mais ligação entre setores e também mais perspicácia nos momentos da decisão. Tanto que ainda nem um minuto estava decorrido e Ferrán Torres (novamente ele!) já se tinha isolado na cara de Courtois, ficando perto de inaugurar o marcador no Mestalla.

Com uma exibição madrilena completamente diferente daquela que foi protagonizada no primeiro tempo, Zidane esperou mais de 20 minutos até mexer no jogo, tendo colocado Bale e Vinicius em jogo no sentido de oferecer dinâmicas ofensivas frescas à sua equipa. Contudo, surtiram-se os efeitos contrários aos pretendidos…

Numa bela transição da formação da casa, Wass foi até à linha de fundo e descobriu Carlos Soler no coração da área completamente desmarcado, tendo o espanhol inaugurado o marcador a dez minutos do final.

Seguiram-se períodos frenéticos com Courtois em destaque. Evitou o 2-0 nos descontos e subiu à área no último lance do jogo, tendo contribuído para que Benzema atirasse para o empate ao minuto 95’, gelando o Mestalla que já se preparava para festejar.

Primeira parte dominada pelo Real e segundo tempo com um Valência superior, podendo-se mesmo dizer que o resultado assenta na perfeição ao que se passou em campo. Com este resultado, o Valência continua no 8º lugar, com 27 pontos, ao passo que o Real Madrid continua colado ao Barelona na liderança, com 35. Que venha o clássico espanhol!

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Valência: Domenech, Jaume Costa (Vallejo, 61’), Garay, Gabriel Paulista, Gayá, Coquelin (Kondogbia, 83’), Wass, Parejo, Soler, Ferrán Torres (Diakhaby, 90’) e Rodrigo.

Real Madrid: Courtois, Nacho, Varane, Sergio Ramos, Carvajal, Valverde, Kroos, Modric (Jovic, 82’), Isco (Bale, 69’), Rodrygo (Vinicius, 69’) e Benzema.

SC Covilhã 1-2 Académica OAF: Vitória da eficácia

Em encontro a contar para a 13.ª jornada da Segunda Liga, o SC Covilhã saiu derrotado em casa pela Académica AOF. Os golos apenas surgiram no segundo tempo, com controvérsia e muita emoção à mistura.

O jogo começou com um ligeiro ascendente da equipa de Coimbra. Leandro, médio formado pelo FC Porto, rematou de fora de área e a bola passou a rasar a barra (5’). Minutos iniciais muito bem disputados, com o relvado molhado, que propicia uma circulação rápida e jogo fluido.

Pouco depois, o homem em maior destaque na equipa do Covilhã, Adriano Castanheira, cabeceou para boa defesa de Mika, na sequência de um livre lateral, bem cobrado por Mica (11’).

À passagem do minuto 24, um susto para os homens da briosa. Cruzamento da esquerda, Adriano ainda “penteou” a bola, se não fosse o defesa, o melhor guarda-redes do Mundial Sub-20 (em 2011), Mika, dava aquilo que se diz na gíria, um autêntico “frango”.

Uma partida bastante dividida a meio campo e com poucas oportunidades de golo. Não dava para chegar perto das balizas, desta forma os jogadores tentavam a sorte de longe. Bonani, após beneficiar de um ressalto, rematou com perigo para defesa do guarda-redes (33’). Na jogada seguinte, o mesmo Bonani levantou a bola para cabeceamento de Daffé, que saiu ao lado do poste esquerdo (35’).

Uma primeira parte equilibrada, com muitos duelos individuais, com duas equipas a apresentar um futebol de posse e jogo apoiado. A equipa do Sporting da Covilhã foi-se superiorizando no decorrer da primeira parte, tendo quatro oportunidades de golo claras, contra apenas um remate desenquadrado da Briosa. Adriano da equipa serrana foi um dos mais inconformados, tendo criado vários desequilíbrios na equipa de Coimbra, com a ajuda de Bonani. O ataque da Académica não foi capaz de criar grandes problemas à defesa do Sporting da Covilhã, que manteve a consistência.

A equipa da casa foi superior em quase todo o jogo, mas quem não marca sofre
Fonte: Bola na Rede

No regresso das cabines, a equipa da Académica teve mais posse de bola nos primeiros dez minutos, mas o jogo manteve-se equilibrado, com muita disputa no centro do terreno. Não houve oportunidades de golo de ambas as equipas.

Aos 58’, livre favorável à Briosa à entrada da área do Sporting da Covilhã, batido por João Mendes, com a bola a passar junto ao poste direito da baliza. Pouco depois, contra-ataque rapidíssimo conduzido por Gilberto ao 61’, que descobre Bonani através de um passe rasteiro para o interior da área. A defensiva da Briosa apareceu a cortar a bola para canto, in extremis.

Uma segunda parte, que após um início frio e sem chances de ambos os lados, ganhou vida, numa toada de parada e resposta. O ponta de lança Derik Lacerda, à passagem do minuto 62’, rematou para boa intervenção de Carlos Henriques.

Aos 66’, Brendon responde afirmativamente de cabeça a um canto batido por Gilberto, e atira para as redes da Briosa. Sem hipóteses para Mika. A cerca de 25 minutos para o fim da partida, os Leões da Serra colocaram finalmente justiça no resultado, dada a superioridade na maior parte do tempo de jogo.

Lance controverso ao minuto 75’, com uma série de ressaltos e a bola a sobrar caprichosamente para a cabeça de Barnes Osei, que coloca ao segundo poste em Traquina, que aparenta estar em posição irregular. Traquina só teve de encostar sem oposição. Aos 86, falta de Mike à entrada da área da Briosa sobre Adriano, tendo sido penalizado com vermelho direto.

No final do jogo, aos 90+4’, Mika agarra a bola e pontapeia rapidamente para a frente. Djousse fica isolado e não perdoou frente ao guarda redes, fixando o resultado final em duas bolas a uma a favor da Académica.

Para a história fica a vitória dos “estudantes”, que depois de terem sido inferiores em quase toda a partida, fizeram da eficácia uma mais valia, naquela que foi a primeira vez que venceram fora de casa esta temporada. Do lado dos covilhanenses, ficou um sabor amargo. Os homens de Ricardo Soares, pagaram caro o facto de não terem concretizado as (muitas) oportunidades criadas.

Após este embate, o SC Covilhã ocupa a sétima posição da tabela, enquanto que a Académica está no décimo primeiro posto.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

SC Covilhã: Carlos Henriques, Daniel Martins, Brendon, Zarabi, Tiago Moreira, Rodrigues (Kukula, 85’), Gilberto, Mica, Bonani (Silva, 79’), Adriano Castanheira e Daffé (Deivison, 59’).

Académica OAF: Mika, Mauro Cerqueira, Silvério, Zé Castro, Mike, Ricardo Dias, Leandro (Yuri Matias, 88’), João Mendes (Marcos, 71’), Traquina, Derik Lacerda (Djousse, 79’) e Barnes Osei.

Gil Vicente FC 2-2 Vitória SC: Show de Kraev e Edwards empatam Dérbi Minhoto

A jornada 14 assinalou o último jogo para o campeonato do presente ano e o Estádio Cidade de Barcelos foi o palco de despedida de 2019 para as formações do Gil Vicente e Vitória SC. Num dérbi minhoto quente e bem disputado, nem a chuva arrefeceu uma partida intensa com quatro golos, numa primeira parte dominada pelos gilistas e um segundo tempo controlado pelos vimaranenses.

A primeira oportunidade do encontro pertenceu aos visitantes, logo aos seis minutos. Depois de muita confusão, a bola sobrou para Edwads que rematou desenquadrado por cima da baliza gilista.

A oportunidade do Vitória despertou os gilistas e logo de seguida, numa incursão ofensiva, Sandro Lima foi derrubado dentro de área por Mikel Agu. Oportunidade clara para o Gil Vicente se adiantar no encontro, mas na cobrança da grande penalidade, Douglas adivinhou o lado do esférico rematado por Sandro Lima.

O Gil Vicente não tirou o pé do acelerador e dois minutos depois, o lateral esquerdo do Gil Vicente, Henrique Gomes quase enganava Douglas com um cruzamento que, por pouco, não levava selo de golo.

O Vitória SC, através de Bonatini, respondeu com um remate forte, mas Denis estava atento e segurou a bola. Dérbi muito bem disputado nos primeiros quinze minutos com várias oportunidades para ambas as formações do Norte.

Os cinco minutos seguintes, entre os 28’ e os 33’, viriam a ser determinantes na partida! Kraev, numa jogada de insistência pela ala direita gilista, conseguiu o cruzamento para um corte incompleto da defesa do Vitória. Claude Gonçalves aproveitou e à entrada da área rematou colocado sem hipótese para Douglas.

Mas o melhor ainda estava para vir! Os adeptos gilistas ainda estavam a festejar o primeiro golo, quando cinco minutos depois, Kraev assinou aquele que deverá ser o golo da jornada. Numa jogada coletiva sensacional e repleta de movimentos técnicos de qualidade, Lourency e Sandro Lima, combinaram na perfeição entregando a Kraev que, na cara de Douglas, ainda teve tempo para driblar o guardião e fazer o segundo da partida.

A formação visitante tentou sempre dar resposta, mas sem sucesso e ainda antes do intervalo, fez uma dupla substituição, com Ivo Vieira a prescindir de Mikel e Ola John, este último por lesão, dando lugar a Pêpê e Bruno Duarte, respetivamente.

O intervalo chegava a Barcelos, com dois golos em cinco minutos pelos homens da casa e sem resposta por parte dos vimaranenses, numa primeira parte de sonho dos gilistas em que ainda desperdiçaram uma grande penalidade.

No regresso aos relvados o Vitória SC apareceu no jogo, após 45 minutos muito apagados e teve em Marcus Edwards o principal desequilibrador. Aos 68’ Marcus Edwards reduziu a desvantagem depois de uma excelente jogada de entendimento com Bruno Duarte. Na cara do golo, o extremo inglês finalizou pelo terceiro jogo consecutivo, num golo em que ficou a sensação de que Denis podia ter feito mais. O golo vitoriano incendiou as bancadas e os 20 minutos finais foram dominados pelos homens de Ivo Vieira.

O extremo inglês marcou pelo terceiro jogo consecutivo
Fonte: Vitória SC

Se por um lado Marcus Edwards, por parte do Vitória SC era o mais inconformado com o resultado através de pormenores técnicos e magia nos pés, por outro, Kraev era o principal motor que alavancava os gilistas na procura de ampliar a vantagem.

Os forasteiros não deixaram de procurar o empate e a dez minutos do final tiveram muito perto da igualdade, valeu a dupla defesa de Denis a negar o golo a Bruno Duarte, que entrou muito bem na partida, ainda no primeiro tempo.

O Vitória tanto carregou os gilistas que viriam a quebrar a muralha montada pelos barcelenses. A solução essa estava no banco, com Davidson a assumir o estatuto de “arma secreta” e a concluir da melhor forma mais um lance individual de Marcus Edwards. O avançado brasileiro rodou bem na área sobre a defesa adversária e bateu Denis para o 2-2.

Em cima do último minuto de compensação, Denis fez a defesa da noite após remate cheio de intenção à entrada da área por parte de Pêpê.

Depois de uma primeira parte de grande nível por parte do Gil Vicente, o Vitória assumiu as rédeas no segundo tempo e controlou a partida. O empate final acabou por ser um resultado agridoce e justo para ambas as formações. Os gilistas mantiveram a marca notável de serem uma das únicas três equipas que ainda não perdeu em casa. Já o Vitória SC mantém-se imbatível nos últimos seis jogos disputados.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Gil Vicente FC – Denis, H.Gomes, Y.Nogueira, Ruben Fernandes, Fernando, Soares, Claude Gonçalves, Kraev (J.Afonso, 89’), Baraye (Romario Baldé, 65’), Lourency (Erick, 71’) e Sandro Lima.

Vitória SC – Douglas, Rafa, P.Henrques, Tapsoba, Sacko, Poha, João Teixeira (Davidson, 63’), M.Agu (Pêpê Rodrigues, 41’), M.Edwards, Ola John (Bruno Duarte, 42’), e Bonatini.

SC Braga 0-2 SL Benfica: Ia Uchendu, mas não foi

Encontro à chuva entre campeãs e líderes termina com vitória das segundas e com a terceira partida sem vencer das primeiras. Depois da derrota frente ao Sporting CP e do empate em Ovar, as campeãs em título somam três jogos sem vencer na primeira volta e iniciam a segunda a oito pontos do líder Benfica.

Por seu turno, as encarnadas lisboetas seguram o primeiro lugar, com três pontos de vantagem sobre o Sporting, mantêm o registo imaculado (11 vitórias em 11 jogos) e voltam a não conceder golos (só o CF Benfica fez abanar as redes benfiquistas, por uma vez).

A partida inicia-se com um ligeiro ascendente das visitadas, que, aos 12 minutos, provocam o primeiro calafrio à defesa benfiquista. Um bom cruzamento de Uchendu encontra correspondência de Keane ao segundo poste, que atira ao lado. Três minutos volvidos e novo momento de perigo junto da baliza de Neuhaus, em lance que termina com falta assinalada sobre a guardiã brasileira.

A resposta das líderes da tabela ao domínio das campeãs surge aos 25 minutos, com Cloe, lançada em profundidade por Nycole, a não conseguir bater a guarda-redes arsenalista. Os restantes quinze minutos do primeiro tempo, pautados pelo equilíbrio, não encerram oportunidades de golo dignas de registo. Ao intervalo, marcador justificadamente inalterado.

O Benfica vence o Braga pela terceira vez em quatro jogos e segura a liderança e o estatuto de imbatibilidade
Fonte: SL Benfica

O retomar do encontro traz um Benfica mais incisivo e um Braga mais perigoso. Uchendu regressa dos balneários decidida a continuar a fazer em água a cabeça de Daiane e na primeira oportunidade coloca em sentido a defensiva visitante. No entanto, o remate cruzado de pé esquerdo da nigeriana não segue para a baliza.

Na segunda oportunidade, o remate da 10 bracarense leva a direção da baliza, mas encontra Dani Neuhaus. A brasileira defende para a frente e a bola é batida na frente pelas encarnadas de Lisboa. Passa o perigo e retorna o equilíbrio. Equilíbrio – palavra de ordem. Faltava um fator de desequilíbrio para movimentar o marcador. Luís Andrade pensou que Geyse poderia ser esse fator e… acertou.

Aos 60 minutos, a avançada brasileira entra e, aos 66 minutos, a avançada brasileira marca. Darlene transporta a bola da linha de meio campo até às imediações da área arsenalista, serve Geyse na direita e a recém-entrada finaliza com um potente e colocado remate cruzado pela relva.

Numa demonstração de carácter, a equipa da casa não quebra animicamente e carrega sobre as forasteiras, criando algumas situações de potencial perigo, marcadas pela ineficácia. Do outro lado, Geyse continua a minar a defensiva bracarense e ganha uma grande penalidade cometida por Jana. Chamada a bater, Darlene fá-lo de forma exemplar e amplia a vantagem benfiquista.

Aos 82 minutos, a sociedade brasileira Geyse-Darlene quase resulta no terceiro golo do Benfica. No entanto, a capitã das águias atira por cima, num cenário pouco habitual. Até final, nota de registo para um lance inusitado na área benfiquista, no qual as bracarenses não reduzem a desvantagem por mero acaso. O resultado não mais se alterou e, de forma ajustada, o Benfica sai de Braga com os três pontos na algibeira, pese embora a excelente réplica arsenalista.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

SC Braga: Hourithan, Pratt, Jana, Diana Gomes, Rayane, Dolores, Ágata Filipa, Denali (Machia, 70′), Uchendu (Regina, 87′), Vanessa e Keane (Francisca, 87′).

SL Benfica: Dani Neuhaus, Daiane Rodrigues, Sílvia Rebelo, Raquel Infante, Yasmim, Andreia Faria, Catarina Amado (Geyse, 60′), Pauleta, Cloé Lacasse, Darlene (Lúcia Alves, 90′) e Nycole Raysla (Ana Vitória, 73′).

Daniil Medvedev vence Diriyah Cup

Enquanto a nova época não começa, os tenistas vão ganhando ritmo através dos torneios de exibição. Foi isso que aconteceu, esta semana, na Arábia Saudita, mais precisamente na Diriyah Cup.

No total, o torneio saudita acolheu oito jogadores entre os quais: Daniil Medvedev, David Goffin, Lucas Pouille, Fabio Fognini, John Isner, Gael Monfils, Stan Wawrinka e Jan-Lennard Struff. Desta lista, destacaram-se Daniil Medvedev e Fabio Fognini, tendo em conta que chegaram à final.

Antes de falar do jogo da final, importa sempre relembrar a caminhada de ambos dos tenistas.

Percurso Daniil Medvedev:

Quartos de Final: Daniil Medvedev 2-0 Jan-Lennard Struff

Meia-Final: Daniil Medvedev 2-0 David Goffin

O quinto classificado do ranking ATP não teve grandes problemas em deixar pelo caminho os seus adversários. Apesar de estar a disputar um torneio de exibição, Daniil Medvedev voltou aos courts com o mesmo poderio que marcou toda a sua época. A presença na final também não surpreendeu, até porque, durante esta temporada, o tenista russo marcou presença em seis.

Percurso Fabio Fognini:

Quartos de Final: Fabio Fognini 2-0 John Isner

Meia Final: Fabio Fognini 2-0 Gael Monfils

A caminhada do tenista italiano, de 32 anos, foi mais trabalhosa. No jogo dos quartos de final, Fabio Fognini teve que enfrentar um tie-break, que venceu, e só derrotou John Isner ao fim de uma hora e vinte de jogo. Na meia-final, o número 12.º do ranking enfrentou e derrotou Gael Monfils, numa partida bem disputada e que lhe deu o passaporte até à grande final.

Boa disposição dos finalistas antes do início da final
Fonte: Diriyah Cup

O jogo do título não teve muita história, uma vez que foi de sentido único. O tenista russo entrou determinado na partida e não perdeu tempo a quebrar o jogo de serviço do italiano. Mais tarde, voltaria a fazer o mesmo preservando uma vantagem de quatro jogos com que ganharia o primeiro set. O encontro acabou por não sofrer quaisquer alterações. Daniil Medvedev manteve-se focado e voltou a repetir o que tinha feito no set anterior.

6-2 e 6-2 foi o resultado final e refletiu bem o que aconteceu no court. Para além de ter batido toda a concorrência e de ter conquistado o troféu, Daniil Medvedev saiu de Arábia Saudita com cerca de três milhões de euros, valor referente ao prémio do vencedor.

Relembrar ainda que Daniil Medvedev voltará a participar em mais um torneio de exibição, desta vez em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, que vai contar no cartaz com Novak Djokovic, Rafael Nadal, Stefanos Tsitsipas, entre outros.

Foto de Capa: Diriyah Cup

artigo revisto por: Ana Ferreira

FC Porto e o seu meio-campo dos números “seis”

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Neste artigo de opinião, vou-vos falar das vantagens e desvantagens de o FC Porto jogar com Danilo e Mamadou Loum no mesmo onze inicial.

Note-se que esta temática pode já estar um pouco desatualizada, uma vez que, no último jogo da equipa azul e branca, Loum cedeu a titularidade a Matheus Uribe.

Em primeiro lugar, vamos falar especificamente de cada um destes jogadores.

Danilo Pereira, campeão europeu por Portugal em 2016, é o mais recente capitão dos dragões. Chegou ao clube precisamente em 2016, vindo do CS Marítimo. Recorde-se de que não foi uma transferência fácil, visto que teve de ser o Portimonense SC a facilitar as amargas relações entre o FC Porto e os insulares.

Daí para cá, somou 180 jogos de dragão ao peito, marcando 17 golos. É um bom registo para um médio defensivo, apesar destes números se ficarem a dever à pouca utilização deste jogador no ano da conquista do campeonato, em que Danilo sofreu uma grave lesão.

É sem sombra de dúvida um box-to-box de carácter defensivo, mas com uma grande meia-distância. Com Sérgio Conceição, o comendador evoluiu e muito o capítulo da construção e organização de jogo desde trás, ou seja, na qualidade do passe. É também um jogador muito veloz e forte no desarme e recuperação da bola, daí a poder ser utilizado como central.

Já Mamadou Loum chegou ao FC Porto em 2019, proveniente do Moreirense FC (por empréstimo do SC Braga).

No total, somou dez jogos pelos azuis e brancos (entre a equipa A e B), tendo apontado um golo. Também sofreu uma lesão que impediu que se afirmasse na pré-época desta temporada, mas conseguiu ultrapassá-la e até afirmar-se na equipa, como foi visível em alguns dos jogos mais recentes.

Tal como Danilo, é um box-to-box forte no jogo aéreo. Parece-me que o internacional senegalês é mais um número oito que o capitão portista. Até pode ser denominado como médio goleador, devido ao registo de tentos marcados que já vinha desde os tempos em que vestia a camisola da turma de Moreira de Cónegos.

Falando agora das vantagens e desvantagens de ter estes dois, se me permitem a expressão, “bichos” a jogar no mesmo onze inicial, comecemos pelo lado positivo.

Se uma equipa quiser ter uma maior segurança defensiva quando está a jogar contra equipas teoricamente mais fortes, deve optar por dois trincos, e o FC Porto não é exceção. Quando os dragões jogarem contra equipas do nível da Liga dos Campeões ou até contra SL Benfica e Sporting CP, não é de descurar a utilização de Danilo e Loum no mesmo meio-campo.

Loum ainda chegou a empatar o jogo frente ao Belenenses SAD, mas o VAR anulou o golo
Fonte: FC Porto

Outra vantagem é, sem dúvida, o poderio físico que oferecem ao jogo. Quando a equipa azul e branca jogar contra equipas que tenham como principal estratégia jogar de forma mais agressiva com um meio-campo aguerrido e forte no jogo aéreo, não é de descurar a utilização simultânea de Danilo e Loum.

Contudo, as desvantagens também se fazem sentir, e o FC Porto que o diga no jogo frente ao Belenenses SAD.

É mais que evidente que a criatividade e a capacidade ofensiva são o Calcanhar de Aquiles destes jogadores, sendo que essa é a desvantagem de jogar com dois jogadores que não possuem essas características.

Em jogos contra equipas mais modestas, é preciso uma maior criatividade no meio-campo para se conseguir fazer frente e destruir defesas muito bem organizadas. Apesar de até poderem ser úteis no denominado “chuveirinho”, aquilo que estes jogadores oferecem no último terço do terreno não é suficiente, comparado com jogadores como Uribe, Sérgio Oliveira, Otávio, entre outros…

Ainda mais, uma equipa como o FC Porto não se pode dar ao luxo de utilizar estes dois jogadores simultaneamente em jogos do campeonato contra equipas mais modestas, ou até noutros jogos em que esteja obrigado a vencer.

Sérgio Conceição parece ter percebido isso mesmo e lançou Matheus Uribe como titular no jogo frente ao Feyenoord Rotterdam.

Quando questionado sobre o facto de permanecer a aposta nestes dois médios defensivos, o técnico portista frisou que “Não é por terem os dois 1,90 metros (…)”, procurando mostrar que estes jogadores seriam muito importantes para o jogo da equipa. E, de facto, são. Mas não em todos os jogos.

E é desta forma que concluo este artigo de opinião. Muitos são os adeptos portistas que criticam a presença destes dois números “seis” no meio campo do FC Porto, mas, pelo que já vimos, são perfeitamente compatíveis. Contudo, há jogos e jogos, sendo que Danilo e Loum nem sempre são necessários.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Wolverhampton Wanderers FC 1-2 Tottenham Hotspur FC: Duelo de treinadores portugueses “sorri” aos homens da capital

Foi o “mestre” quem levou a melhor sobre o “aprendiz”. O Tottenham, de José Mourinho, deslocou-se a Wolverhampton, casa da “armada” portuguesa da Premier League, comandada por Nuno Espírito Santo, e bateu a equipa local, num jogo que teve resultado incerto até final.

Nos onzes iniciais, tanto José Mourinho como Nuno Espírito Santo apostaram naqueles que têm sido os seus alinhamentos habituais. Do lado dos “Spurs”, Son, Alli, Lucas e Kane eram quatro homens de mira apontada à baliza adversária; já nos “Wolves”, o destaque recaía sobre os portugueses titulares: Patrício, Neves, Moutinho e Jota.

O jogo começou a “todo o gás”: logo aos sete minutos, após algumas tentativas da parte dos “lobos”, a resposta do Tottenham surgiu e resultou logo em golo. Depois de uma primeira ameaça de Son, Lucas Moura recebeu a bola, no lado direito do ataque, tirou do caminho vários adversários, com um slalom brilhante, e disparou uma verdadeira bomba, que não deu qualquer hipótese a Rui Patrício. Uma jogada de classe desbloqueou o nulo no marcador logo nos primeiros minutos do encontro.

A resposta do Wolverhampton foi pronta, tendo assumido a iniciativa do jogo logo a partir do momento em que se viram em desvantagem. No entanto, só aos 26 minutos é que tiveram uma verdadeira oportunidade de perigo, quando Diogo Jota driblou até à área do Tottenham e tocou para uma finalização ligeiramente ao lado de Raúl Jiménez.

As balizas andaram um pouco “desaparecidas” e só passados dez minutos reapareceram, quando uma fantástica combinação entre Eric Dier e Dele Alli deixou o ex-Sporting isolado, mas o remate final bateu com estrondo no poste. Apesar do “Wolves” estar a conseguir reprimir os “Spurs” e confiná-los aos últimos 35 metros do terreno de jogo, o certo é que as oportunidades de verdadeiro perigo estavam a ser para o lado dos homens de José Mourinho, que podiam mesmo ter ampliado a vantagem. No entanto, o intervalo chegou e a vantagem pela margem mínima a favor dos londrinos mantinha-se.

Um poderoso remate de Lucas fazia a diferença ao intervalo
Fonte: Premier League

A segunda parte principiou com a equipa da casa a mostrar-se agressiva ofensivamente, impondo um ritmo muito alto e indo em busca do empate, o que obrigou mesmo Gazzaniga a uma defesa apertada, após remate do ex-Benfica Jiménez. Perante esta entrada imponente dos comandados de Nuno Espírito Santo, o Tottenham só conseguiu criar algum perigo ao minuto 57, quando Dele Alli se mostrou pela primeira vez em todo o jogo e rematou em arco a partir da entrada da área, tendo o remate passado a centímetros do poste.

O domínio do jogo manteve-se do lado dos “lobos” e a recompensa chegou, finalmente, ao minuto 67. Jiménez baixou até ao meio-campo, recebeu a bola e, já perto da área, deixou com Adama Traoré, que disparou um verdadeiro míssil para as redes dos “Spurs”. Estava reestabelecido o empate e com justiça, dado que era o Wolverhampton quem mais procurava o golo, desde o momento em que se viu em desvantagem.

Assim que a igualdade regressou ao marcador, o jogo tornou-se mais partido, com a equipa de Londres a ver-se obrigada a atacar e a ir em busca da vitória. Para isso, tentaram puxar a iniciativa do jogo para si, mas foram mesmo os “Wolves” quem continuou por cima. Já dentro dos 80 minutos, Romain Saiss cabeceou para uma defesa de alto nível de Gazzaniga, na sequência de um livre cobrado por João Moutinho.

Em cima do minuto 90, e apesar de ter caído um verdadeiro dilúvio durante todo o jogo, cum balde de água fria gelou o Molineaux. O recém-entrado Christian Eriksen cobrou um pontapé de canto para o centro da área do Wolverhampton e este foi correspondido com um cabeceamento bastante colocado de Jan Vertonghen, que só parou no fundo da baliza de Rui Patrício. A vantagem voltava para o lado dos “Spurs” e desta vez não mais a deixaram fugir.

A vitória da equipa de José Mourinho não foi totalmente ajustada, dado o que se passou durante os 90 minutos de jogo. No entanto, este triunfo coloca o Tottenham a apenas três pontos do quarto lugar, sendo bastante visível a melhoria na classificação desde a chegada do técnico português. Já o Wolverhampton fica provisoriamente no oitavo lugar da classificação, dado que o Arsenal ainda vai jogar e pode colocar-se um ponto acima da turma de Nuno Espírito Santo.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Wolverhampton Wanderers FC – Rui Patrício; Leander Dendoncker; Conor Coady; Romain Saiss; Matt Doherty; Rúben Neves; João Moutinho; Jonny Castro; Adama Traoré; Diogo Jota; Raúl Jiménez.

Tottenham Hotspur FC – Paulo Gazzaniga; Serge Aurier; Davinson Sánchez; Toby Alderweireld; Jan Vertonghen; Eric Dier; Moussa Sissoko; Lucas Moura (Eriksen ’89); Dele Alli (Winks ’90+2); Son Heung-Min (Foyth ’90+2) ; Harry Kane.

O estilo pouco consensual de Lito Vidigal

Lito Vidigal, elemento do emblemático “clã Vidigal” que já marcou uma era no futebol português e principalmente no Oliveira de Elvas, é o timoneiro de um dos clubes que tem feito sensação no primeiro terço do campeonato, o Boavista FC. Para alguns pode ser surpresa, mas para aqueles que têm acompanhado o seu percurso, talvez não.

Lito Vidigal estreou-se na Primeira Liga na temporada 2008/2009, liderando um CF Estrela da Amadora que se encontrava à beira da ruptura. Sem ganhar um tostão, conseguiu fazer um excelente trabalho, ganhando seis dos onze jogos em que orientou a equipa da Reboleira.

Saído do clube, daria um pequeno passo atrás na carreira, orientado o Portimonense SC na Segunda Liga, até que na época seguinte regressaria novamente à Primeira, sendo o escolhido para substituir Manuel Fernandes na UD Leiria, ainda na primeira metade da época. Ao serviço do clube da cidade do Lis, o técnico luso-angolano realizou uma época positiva, conduzindo o conjunto leiriense a um tranquilo nono lugar, na época de regresso do clube à Primeira Liga.

O seu regresso à Primeira Liga dar-se-ia apenas quatro anos depois, tornando-se em 2013/2014 no terceiro treinador do CF “Os Belenenses”, após as saídas de Mitchell Van der Gagg e de Marco Paulo. Aí, Lito Vidigal conquistou onze pontos nas sete jornadas que restavam do campeonato e que se viriam a tornar vitais para a manutenção do Belenenses da Primeira Liga.

Na época seguinte, a equipa daria continuidade à grande recta final da época anterior, disputando os lugares de acesso à Liga Europa. Porém, desentendimentos com a direcção liderada por Rui Pedro Soares acabariam por ditar o despedimento do técnico luso-angolano já no último terço do campeonato. Apesar disso, os azuis do Restelo conseguiriam regressar às competições europeias, oito anos após a última presença.

Na época seguinte, Lito Vidigal faria história no FC Arouca. Na terceira época do clube beirão na Primeira Liga, Lito Vidigal conduziu o clube a um extraordinário quinto lugar, bem como a uma inédita qualificação para as competições europeias. Na época seguinte, apesar do começo difícil devido à participação nas pré-eliminatórias da Liga Europa, a equipa viria a ter uma recuperação notável, até que uma proposta choruda do Maccabi Tel Aviv FC o levaria para a capital israelita. A sua saída do FC Arouca acabaria por ditar o descalabro no clube, que acabaria por descer de divisão. Dos 32 pontos conquistados, 27 foram sob a orientação do técnico luso-angolano.

Lito Vidigal fez história em Arouca
Fonte: FC Arouca

Depois de deixar Israel, seguiram-se passagens não muito bem-sucedidas no CD Aves e no Vitória FC, onde encontrou contextos complicados que complicaram a sua reafirmação na Primeira Liga, até que surgiu o Boavista FC, onde tem conseguido relançar a carreira.

Apesar das provas dadas, Lito Vidigal é um treinador pouco consensual para aqueles que acompanham o campeonato. A meu entender, isso deve-se ao facto de Lito Vidigal ter um estilo de jogo “resultadista” e que não prima pela prática de um futebol positivo que valorize o jogo e o jogador.

Na minha opinião, o seu auge na carreira deu-se no CF “Os Belenenses” e no FC Arouca, onde para além dos ótimos resultados, também conseguiu revelar alguns jogadores, como os casos de Tiago Silva, Fábio Sturgeon e Deyverson Silva no Belenenses; e de Hugo Basto, Jorge Íntima e Walter González.

Nesta equipa do Boavista, a estrutura base é maioritariamente constituída por jogadores que já estavam na Primeira Liga, com excepção do lateral-esquerdo Marlon, que tem sido uma das revelações do campeonato. Isto faz-me acreditar que o segredo por detrás dos jogadores revelados no Belenenses e no Arouca esteja em Jorge Maciel, o treinador que era então o braço-direito de Lito Vidigal, e que se é actualmente o adjunto de Christophe Gauthier no Lille OSCM depois de três meses bem-sucedidos na equipa de sub-23 do SL Benfica.

Tudo isto mostra que Lito Vidigal é um treinador de resultados e não um treinador de ideia. Tem um estilo pouco vistoso, do qual eu confesso que não sou apreciante, mas que é bastante eficaz e que faz com que o técnico luso-angolano deixe a sua marca na Primeira Liga.

Foto de Capa: Boavista FC

artigo revisto por: Ana Ferreira

Ainda há salvação para estas 3 promessas?

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Ao longo da história do futebol, vários têm sido os jogadores a quem todos profetizavam um grande futuro repleto de conquistas. São tidos como grandes promessas nos clubes que representam e é neles que muitas vezes os adeptos depositam grandes esperanças, como se tratassem de um D. Sebastião que há muito esperavam que voltasse num dia de nevoeiro para endireitar o rumo do país, neste caso, do seu clube.

Contudo, nem sempre esses anseios são respondidos e a desilusão por não ver a coqueluche da equipa vingar assola os seus aficionados, que muitas vezes não entendem o que correu mal. Quem não se lembra de Freddy Adu, futebolista nascido no Gana e naturalizado norte-americano, que aterrou em Lisboa em 2007 aos 19 anos e que vinha com o rótulo do “Pelé Americano”?

Adu assinou pelo Benfica por 1,5 milhões de euros vindo da Major League Soccer (MLS), a liga de futebol profissional dos Estados Unidos da América. Aqui, deu nas vistas aos 14 anos no D.C. United e despertou a cobiça de vários clubes europeus, acabando por alinhar pelas águias e começando, assim, os seus anos atribulados a jogar pela pela Europa. Ainda foi emprestado ao Mónaco, ao Belenenses, ao AS Aris da Grécia e foi parar ao Çaykur Rizespor Kulübü, clube que militava na 2.ª Liga turca. Assistia-se, assim, à queda de um mito.

Atualmente, Feddy Adu ainda é jogador profissional, mas nunca conseguiu alcançar aquilo que todos esperavam de si.

Fábio Paim “desceu do céu ao inferno” e atualmente está preso preventivamente por tráfico de droga
Fonte: Chelsea FC

Fábio Paim é outro exemplo de uma verdadeira promessa que não vingou. Este caso estará, provavelmente, muito mais presente na memória dos portugueses, tais são o número de polémicas em que está constantemente envolvido.

“Se acham que eu sou bom, então esperem pelo Paim”, a célebre frase proferida por Cristiano Ronaldo à chegada a Manchester, ilustra da melhor forma as expetativas que foram criadas em torno do português, que fez a formação no Sporting CP ao lado de Ronaldo e de Rui Patrício, entre outros jovens estrelas.

Contudo, vários problemas graves ditaram a sua queda abrupta, desde lesões, pouco suporte familiar para lidar com as mudanças a que foi sujeito, falta de empenho e dedicação do próprio, acusações de violação e até, mais recentemente, acusações de tráfico de droga que resultaram na sua prisão preventiva na cadeia de Caxias.

Estes serão dois dos exemplos mais dramáticos de jogadores que atuaram no futebol português com selo de grandes promessas, mas que não cumpriram o que lhes parecia destinado. Mais recentemente, nos últimos cinco anos, surgiram outros jogadores a quem se previa grandes voos futebolísticos.

São jovens que, oriundos da formação de um clube, chegaram a jogar com alguma regularidade no escalão principal, mas que entretanto viram as suas oportunidades estagnarem e acabaram por “sair de cena”. Será que ainda vão a tempo de recuperar as suas carreiras?

O Bola na Rede aponta alguns…