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Japão 3-3 Portugal (1-2 GP): Muralha Andrade mete portugueses na Final

Portugal queria chegar à tão desejada Final do Mundial de Futebol de Praia do Paraguai e para isso tinha de vencer o Japão, adversário nesta meia final. Os nipónicos tinham vencido o Uruguai na fase anterior por 3-2. Já se sabia que os comandados de Mário Narciso não teriam tarefa facilitada e foi isso mesmo que se verificou. Estávamos perante um grande jogo entre duas seleções que queriam muito chegar ao último jogo e onde houve uma Muralha Andrade e que não permitiu os nipónicos sonharem mais neste mundial.

O GOLO PORTUGUÊS E A MURALHA ELINTON ANDRADE DESTRONADA POR OZU

A seleção portuguesa não podia ter entrado da melhor maneira na partida e ainda para mais com um golo madrugador. Com dois minutos de jogo, trabalhou bem a sociedade Martins. A jogada começou em Bê Martins que tirou um “coelho da cartola” no lado direito do ataque e depois apareceu na grande área o irmão Leo Martins para bater de forma muito pragmática Shingo Terukina. Era o 0-1 a favor de Portugal.

Leo Martins foi quem inaugurou o marcador em Assunção nesta segunda meia final
Fonte: FIFA Beach Soccer World Cup

Depois do golo português, Elinton Andrade era uma autêntica parede neste primeiro período e se os nipónicos não empataram o jogo foi por sua causa. Já faltavam palavras para conseguir descrever a exibição que estava a fazer o guarda-redes português. O problema deste jogo estava mesmo a ser a areia porque estava molhada e não permitia que se jogasse bom Futebol de Praia.

O período não terminou sem antes haver a igualdade na partida. Ozu Moreira teve um livre mesmo em zona frontal e o capitão nipónico colocou a bola num ponto onde o guarda-redes português não teve qualquer hipótese de defesa. A bola acabou por entrar junto ao canto inferior esquerdo da baliza portuguesa e estava feito o empate para o Japão (1-1). Os nipónicos mostravam claras melhorias no jogo e para o espetáculo isto era bom. Para Portugal? Não tanto.

JOGO POBRE E OS NIPÓNICOS MAIS EFICAZES

Já tínhamos saudades disto, não? (Não!) Lá começou os maus arranques de Portugal depois de estar a vencer as partidas. A começar o segundo período, o guarda-redes nipónico mandou um balão para a frente, mas que até deu muito resultado. À bola foi Shusei Yamauchi, que disputou o lance com Rui Coimbra. O jogador português ficou caído e depois o número nove japonês foi insistente na jogada e acabou por apanhar a bola, marcando o golo da reviravolta nipónica. Era o 2-1 para o Japão e Portugal acabava por ser surpreendido.

Portugal começava a carregar na partida e só não marcava porque, por um lado, Shingo Terukina não deixava com as suas belas defesa e, por outro, a finalização portuguesa, tal como os postes, não permitiam também haver novo golo português. Mas havia claro sinal de que os pupilos de Mário Narciso queriam dar a volta a um marcador que era, sem dúvida, enganador.

O final do segundo período chegou mesmo e não houve golo português porque estava reservado para o terceiro período. Houve muitas falhas por parte dos jogadores portugueses e talvez isso tenha sido o principal obstáculo para conseguir empate. E não havia tarefa facilitada, como já se tinha referido no início do artigo.

AKAGUMA ESTRAGOU OS PLANOS DE FECHAR TUDO NO 3.º PERÍODO

Estava difícil, mas acabou por acontecer um golo português. Mais uma vez, foi um dos irmãos Martins que voltou a ser super decisivo. Bê Martins fez aquilo que quis do número oito nipónico, Masayuki Komaki, depois rematou com força e conseguiu marcar mesmo. A bola passou pelas pernas de Ozu e o guarda-redes japonês não viu a bola partir, que acabou dentro das redes nipónicas. Era o 2-2 na partida e Portugal não parou mesmo por aqui.

«Não há uma, sem duas»: adulterando muito o provérbio, mas só porque Bê Martins foi pela segunda vez protagonista de um golo. Belchior encontrou do lado direito o pequenino Bê Martins, que fez um GRANDE golo. Do meio campo não teve medo de rematar e provocou nova explosão de alegria portuguesa no Paraguai. A bola foi para o lado oposto onde estava e acabou por bater na malha lateral interior da baliza de Shingo Terukina, que bem que irá ficar isto num vídeo. Era a vantagem portuguesa (2-3) a faltar muito pouco para terminar o jogo.

Faltava muito pouco, mas já se sabe que neste tipo de modalidades não se pode acreditar que já está ganho e foi isso que aconteceu a Portugal. A faltar apenas 47.2 segundos para o fim, houve pressão japonesa na área portuguesa e de um canto a bola acabou por sobrar para Takuya Akaguma, que com um remate potente fez um “golaço” para empatar a partida a três golos. Não se resolveu nada no terceiro período por causa deste golo e o jogo foi para prolongamento.

NO PROLONGAMENTO NADA… TEVE DE SER NOS PENALTIS

Sem grande perigo junto de nenhuma das balizas tanto de Terukina como de Andrade e teve mesmo de se decidir tudo nos penaltis. Em Assunção (Paraguai), chovia imenso e talvez isto fosse um sinal “divino” de que iríamos estar novamente numa final. Esperava-se que os guarda-redes fossem importantes com as suas defesas e que os jogadores de campo estivessem com a pontaria afinada para marcar.

Andrade fez o seu ritual habitual nos postes da baliza onde se ia marcar as grandes penalidade e a verdade é que Ozu Moreira falhou mesmo o primeiro penalti nipónico. Madjer ficou responsável por bater o primeiro para Portugal e conseguiu fazê-lo (0-1 GP). Depois foi Yamauchi que empatou para o Japão (1-1 GP). Rui Coimbra conseguiu aumentar de novo a vantagem para Portugal (2-1 GP). Por fim, Teruki Tabata não teve a pontaria necessária para conseguir marcar o penalti e terminou o jogo.

Portugal está na final e vai encontrar a Itália, numa partida que já aconteceu este ano e que promete ser, sem dúvida, uma grande partida. Não foram os guarda-redes que tiveram à altura nos penaltis, mas sim a fraca pontaria dos nipónicos. Ainda assim, temos de destacar, e muito, o trabalho feito por Elinton Andrade, que foi um monstro nos postes e segurou a seleção portuguesa. A final está marcada para as 21h (hora portuguesa) e tem transmissão na RTP.

CINCOS INICIAS:

Japão – Shingo Terukina (GR), Takuya Akaguma, Kosuke Matsuda, Naoya Matsuo e Ozu Moreira

Portugal – Eliton Andrade (GR), Rui Coimbra, Jordan Santos, Bê Martins e Leo Martins

Sporting CP 27-20 IK Sävehof: Leões na próxima fase!

O Sporting Clube de Portugal apurou-se hoje para a fase seguinte da Liga dos Campeões pelo segundo ano consecutivo ao vencer no Pavilhão João Rocha o IK Sävehof da Suécia.

Com ambas as equipas a entrarem para este jogo empatadas com 12 pontos, esta jornada iria decidir o segundo classificado que passaria para a fase a eliminar e defrontaria o Dínamo de Bucareste por um lugar nos oitavos de final.

A partida começou equilibrada, mas depressa os leões começaram a separar-se no marcador. Depois de conseguirem fazer o 6-3 e o IK Sävehof reduzir a desvantagem para apenas um, o momento chave da primeira parte foi mesmo o período entre os 17 minutos e os 25, quando o resultado passou de 7-6 para 11-6.

Essa vantagem de cinco golos provou ser fundamental. Ao intervalo o resultado era 14-9 para a equipa da casa que ia mostrando níveis muito altos de eficácia ofensiva e defensiva, algo que as estatísticas no final do encontro comprovaram. A equipa de Thierry Anti marcou 74% dos remates que realizou e imitou o IK Sävehof a apenas 53% de eficácia.

O segundo tempo começou com os visitantes a reduzirem a vantagem para 15-11, mas novamente o Sporting mostrou toda a sua força e abriu uma vantagem de oito golos ao chegar ao 19-11.

A partir desse momento os verdes-e-brancos geriram a confortável vantagem até ao apito final.

Com a maior parte das lesões ultrapassadas, o banco leonino permitiu-lhes realizar uma exibição tranquila até à altura em que equipa e adeptos em comunhão fizeram a festa do apuramento.

O Sporting vai agora defrontar o Dínamo Bucareste no playoffs de acesso aos oitavos-de-final da competição, fase a que a equipa chegou a época passada onde foi eliminada pelo eventual finalista vencido, o Veszprém.

EQUIPAS

Sporting CP: Pedro Valdez (5), Edmilson Araujo (1), Gonçalo Vieira, Carlos Ruesga (2), Frankis Carol (4), Aljosa Cudic, Tiago Rocha (1), Carlos Carneiro, Francisco Tavares (1), Manuel Gaspar, Arnaud Bingo (1), Valentin Ghionea (5), Nemanja Mladenovic, Ivan Nikcevic, Marko Vujin (1), Luís Frade (6).

IK Sävehof: Emil Berlin (2), Tobias Thorbjörnsson (1), András Koncz (2), Adam Blanche, Gustaf Wedberg (1), Vetle Aga Eck, Christoffer Brännberger, Simon Möller, Henrik Rhasson, William Bogojevic (3), Agust Björgvinsson, Gzim Salihi, Anders Schefvert (1), Stefan Sunajko (2), Jonathan Edvardssin (4), Sebastian Karlsson (4).

Vincent Aboubakar – uma história de persistência

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Se questionassem aos adeptos portistas quem seria merecedor do Dragão de Ouro nesta semana, talvez o detentor do prémio fosse outro, de seu nome – Vincent Aboubakar. Quando o onze inicial do FC Porto, no jogo frente ao BSC Young Boys, fora lançado, grande parte dos apoiantes da equipa azul e branca rapidamente se questionaram se Aboubakar estaria apto para ser titular.

Não entraria na imaginação dos adeptos, mesmo sabendo da qualidade que este tinha antes das lesões, que este viria a ser o herói da partida e dar a vitória aos dragões. Foram dois golos em três minutos que colocaram a turma de Sérgio Conceição na rota do apuramento para os 16 avos de final. Aboubakar fez história na Suíça, mas é a sua história que faz dele o herói desta semana.

Todos os que são de boa memória com toda a certeza que conseguem relembrar o episódio em que Aboubakar declarou que não queria voltar ao FC Porto, aquando do seu empréstimo ao Besiktas JK. O empréstimo sucedeu-se duas épocas após chegar aos dragões, em 2016/2017, quando Nuno Espírito Santo liderava a equipa portista. As palavras caíram mal nos adeptos portistas, mas o que é certo é que Aboubakar voltou na época seguinte e fez o seu melhor registo pessoal.

Contribuiu com 15 golos e quatro assistências para a conquista do campeonato nacional e na Liga dos Campeões foram cinco golos e duas assistências em seis jogos. No total foram 26 golos e sete assistências, a melhor e maior marca da sua carreira. Claramente, Aboubakar perdoou o FC Porto, deixando de lado as suas desavenças com o clube, e os adeptos abraçaram, de novo, o camaronês.

Aboubakar já não era titular pela equipa principal desde 28 de setembro de 2018
Fonte: FC Porto

Porém, o episódio mais triste desta história estaria para chegar. O ponta-de-lança de 27 anos fez um grande arranque de temporada, com quatro golos e duas assistências em oito jogos. Até que na partida frente ao CD Tondela, uma rotura de ligamentos cruzados sentenciou a época e, quem sabe, a carreira do jogador. Foram 198 dias de lesão e 41 jogos perdidos, jogos estes onde muitos golos poderiam ter surgido pelo protagonista deste artigo e, consequentemente, ter mudado o rumo da sua carreira e do FC Porto. Voltara a competir a 4 de maio de 2019, como suplente utilizado, frente ao CD Aves. No entanto, o seu fado trouxe de novo os fantasmas do passado. Lesionou-se, mais uma vez, antes da final da Taça de Portugal e acabaria assim a sua época desportiva.

O regresso aos relvados ficava só para a pré-época de 2019/2020, que aconteceu sem qualquer percalço e, inclusive, com um golo marcado. Oficialmente, voltou contra o FK Krasnodar, jogo que o FC Porto acabou por perder. A sua história passa ainda pela Segunda Liga Portuguesa, chegando este a jogar pela equipa B portista contra o Varzim SC. O jogador desceu à segunda equipa para ganhar ritmo e esta foi mais uma prova da persistência do camaronês e do período conturbado pelo qual teve que passar. Na equipa principal, voltou a somar minutos frente ao SC Coimbrões para a Taça de Portugal e contra o Vitória FC, também para a Taça de Portugal.

Foi num jogo da Liga Europa, jogo esse onde a vitória era fulcral para o FC Porto passar à próxima ronda, que Aboubakar, para surpresa de muitos, conquistou a titularidade. Sérgio Conceição deu a oportunidade ao ponta-de-lança e este não desiludiu. O FC Porto estava a perder e a cerca de 15 minutos do fim, Aboubakar empatava o jogo. Três minutos depois, mais uma vez, bis do camaronês. Houve uma explosão de alegria, não só pelo golo, mas sim por ter sido o final de um pesadelo e, esperemos, o início de um sonho feliz.

Esta é uma história que pode servir de exemplo a todos aqueles que estão a passar por um mau período. Uma história de persistência, de luta e de paixão pelo futebol. Os triunfos acabarão por chegar, mesmo que demorem algum tempo, mas só aqueles que não deixam de lutar é que saberão saboreá-los.

Foto de Capa: FC Porto

SL Benfica 4-0 CS Marítimo: Uma exibição como há muito não se via

Depois de uma longa paragem internacional, a Liga Portuguesa voltou ao Estádio da Luz com os encarnados a receberem o CS Marítimo, que já não vencia qualquer partida há quatro jornadas. Nesta 12.ª jornada, o SL Benfica queria vencer para continuar líder do campeonato e os maritimistas queriam limpar a imagem dada, agora aos comandos do novo treinador, José Gomes.

O jogo começou frenético e com as duas equipas a mostrarem que queriam mandar. Mas a eficácia esteve do lado dos encarnados, que, aos oito minutos da partida, conseguiram fazer o primeiro do jogo. O primeiro passe é de André Almeida, que encontra Vinicius na grande área. O ponta de lança brasileiro recebeu de costas para a baliza, contemporizou para que Pizzi pudesse aparecer, e depois só teve de dar um pequeno toque para trás para que Pizzi chegasse e fuzilasse a baliza de Abedzadeh. Era o 1-0 a favor dos encarnados, que começaram muito bem a partida.

Depois do golo, o jogo esteve parado cerca de três minutos para que o VAR, Luís Ferreira,  visse se havia realmente fora de jogo no momento em que a bola partiu para Vinicius. Como é que é possível haver tanto tempo de espera? Isto só quebra o momento de jogo de ambas as equipas e é prejudicial à partida. Há que ainda perceber bem esta situação.

Foram só precisos mais nove minutos para haver novo golo no Estádio da Luz e, desta vez, até nota artística houve para se ver. Aos 17 minutos, Chiquinho, em poucos toques, na sua maioria de primeira, deu início à seguinte sequência: Chiquinho, André Almeida, Taarabt, que, no meio de tantos defesas, descobre Pizzi, e por fim a bola chegou ao isolado Vinicius, que só teve de encostar para o 2-0. Foi[tps_footer][/tps_footer] o sexto golo nesta Liga Portuguesa do avançado brasileiro, e se este não foi um dos melhores golos da liga, em termos coletivos, então não sei… Mas que maravilha!

Em vez de dizermos “15 minutos à Benfica”, podemos, sim, dizer “30 minutos à Benfica” ou, neste caso, 31… Pois foi neste minuto que veio novo golo encarnado. De novo, os mesmos protagonistas: Pizzi e Vinicius. Primeiro, foi André Almeida que começou a jogada, com um toque subtil de cabeça para o 21 encarnado. O médio português, sem pensar duas vezes, cruzou para dentro da área e a bola acabou cortada pelo guarda-redes do Marítimo. Vinicius viu bem onde o corte iria parar e apareceu como um “rato de área”, como se diz na gíria, e fez o seu segundo golo na partida e o terceiro para o Benfica (3-0).

A terminar a primeira parte, houve golo anulado a Vinicius. É de destacar o grande início de jogada e a progressão de bola de Adel Taarabt, que depois encontrou Vinicius a entrar na profundidade (novamente). O ponta de lança brasileiro ainda introduziu a bola na baliza de Abedzadeh, mas de nada contou porque, desta vez, estava mesmo em fora de jogo.

O que dizer desta primeira parte? Um grande jogo por parte do Benfica com a equipa perfeitamente entrosada. Da parte dos maritimistas havia vontade, as ideias estavam lá, mas no último terço do terreno faltava qualquer coisa para criar real perigo para a baliza defendida de Vlachodimos. Assim, as duas equipas recolheram ao intervalo com um resultado de 3-0, mais do que justo, a favor dos encarnados.

Vinicius foi a verdadeira figura, juntamente com Pizzi, na primeira parte e no jogo em geral
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

A segunda parte começou tal e qual a primeira, ou seja, com as duas equipas a mostrarem a sua qualidade em campo, ambas a quererem marcar, e no fim da história? Marcou outra vez o Benfica.

Foi aos 54 minutos que tudo começou, outra vez, nos pés de Chiquinho. O número 19 encarnado tinha o meio todo aberto e fez o que normalmente se pede nas bancadas: “remata daí mesmo”; até deu certo se virmos de uma perspetiva pragmática. O remate saiu dos pés de Chiquinho com imensa força e o melhor que Abedzadeh conseguiu fazer foi uma palmada para a frente. A bola foi parar perto de Vinicius e já se sabe como é o 95 do Benfica: um matador. E não perdoou, novamente. Estava feito o 4-0 e era o hat-trick de Vinicius – o oitavo golo no campeonato.

Depois de uma primeira falta, aos 27 minutos, ao travar um contra-ataque e consequente amarelo, Gabriel estava mesmo a pedir que acabasse por ser expulso neste jogo. Aos 60 minutos, acabou mesmo por surgir o segundo amarelo numa entrada violenta sobre um jogador do Marítimo. Por acumulação de amarelos, o número oito encarnado acabou por ver o vermelho, que foi bem mostrado por Fábio Veríssimo.

Depois da expulsão, era óbvio que o ritmo da partida ia reduzir drasticamente. O Benfica baixou as suas linhas, se bem que controlando os destinos do jogo, e o Marítimo tentava ter mais posse de bola para conseguir construir de forma mais calma o seu jogo, mas mostrava muitas dificuldades. Havia pouco para contar para se ser sincero.

O fim do jogo chegou muito lentamente e pouco – ou mesmo nada – houve para contar e o Benfica venceu o Marítimo e continua líder isolado da Liga Portuguesa – com mais um jogo do que o FC Porto. Os encarnados mostraram na primeira parte que sabem “jogar à bola” e ainda em alguns minutos da segunda, depois da expulsão, houve uma quebra notória. Os maritimistas mostraram bons sinais nesta partida, mas ainda há muito trabalho que José Gomes tem de fazer para voltar a meter de volta a equipa da ilha da Madeira no mapa do futebol português.

ONZES INICIAIS

SL Benfica – Odysseas Vlachodimos (GR), Grimaldo, Ferro, Rúben Dias, André Almeida (Tomás Tavares, 45′), Adel Taarabt, Gabriel, Cervi (Jota, 80′), Pizzi, Chiquinho e Vinicius (Raúl De Tomás, 69′)

CS Marítimo – Abedzadeh (GR), Nanu, René Santos, Grolli, Rúben Ferreira, Pelágio (Bambock, 76′), Vukovic (Correa, 74′), Edgar Costa, Marcelinho (Erivaldo, 68′), Getterson e Daizen

Sorteio Euro’2020: Pior grupo para Portugal era impossível

Decorreu neste sábado, em Bucareste, o sorteio da fase de grupos do Euro’2020 – um sorteio recheado de condicionantes e novidades. Destacando-se, desde logo, o facto de ser a primeira vez que a competição vai ser disputada em mais do que dois países – serão 12 para ser mais preciso (duas cidades por cada grupo). 24 equipas tratarão de lutar pelo título de campeões europeus, o qual pertence, atualmente, a Portugal.

E é precisamente por aí que importa começar. Inserida no pote 3, a seleção comandada por Fernando Santos já perspetivava uma vida complicada com, pelo menos, um dos designados “tubarões”. Pois bem, não será um, mas sim dois – a Alemanha e a França –, naquele que será claramente o “grupo da morte”, disputado nas cidades de Budapeste e Munique. O outro elemento do grupo será o vencedor do play-off A (Islândia, Roménia, Bulgária ou Hungria). Seja como for, é caso para dizer que pior…era impossível!

É certo que Portugal derrotou a França no último jogo entre as duas selecções – tendo, com isso, conquistado o Euro’2016 -, mas a verdade é que cada jogo é um jogo, o que serve para o bom e para o mau. E se olharmos para os confrontos históricos, os portugueses não têm motivos para sorrir, bem pelo contrário. Em 25 jogos, apenas seis triunfos.

O cenário não é muito diferente diante quando comparado com a Alemanha, com apenas três triunfos em 18 jogos. Além disso, o último duelo (no Mundial’2014) traz péssimas recordações à nossa seleção, que já não sabe o que é vencer os alemães desde 2000.

O grupo F, onde se encontra Portugal
Fonte: UEFA

Olhando para os restantes grupos, destaque para o grupo da Itália, onde também estarão Suíça, Turquia e País de Gales, com duelos muitos interessantes para seguir. Da mesma maneira que os suíços serão um osso duro de roer para os italianos, também os turcos e os galeses têm apresentado um futebol atrativo, condizendo com campanhas interessantes.

Bélgica, Rússia, Dinamarca e Finlândia fazem parte do grupo B, um grupo já praticamente anunciado, no qual os dois primeiros referidos procurarão provar o favoritismo diante dos sempre complicados dinamarqueses e de uns finlandeses estreantes nestas andanças.

A equipa que conseguiu superiorizar-se a Portugal na fase de qualificação – falo, portanto, da Ucrânia – terá pela frente as seleções da Holanda e da Áustria (e ainda o vencedor do play-off D, onde constam Geórgia, Bielorrússia, Macedónia e Kosovo), perspetivando-se que tanto os ucranianos como os holandeses confirmem os dois primeiros lugares.

Já a Inglaterra, no grupo D, disputará o acesso à fase seguinte com a Croácia e República Checa (faltando ainda saber quem vencerá o play-off C, entre Escócia, Israel, Noruega e Sérvia). Um grupo interessante, no qual o vencedor desse mesmo play-off pode até baralhar todas as contas.

Por fim, a nossa vizinha Espanha, que terá pela frente a Polónia, a Suécia e o vencedor do play-off B (disputado entre Bósnia, Irlanda do Norte, Eslováquia e Irlanda). Desengane-se quem pensa que espanhóis e polacos já transitaram para a fase seguinte, dado que os suecos intrometer-se-ão na luta.

Fernando Santos, Joachim Löw e Didier Deschamps sorriram no momento do sorteio
Fonte: UEFA

Ainda assim, de acordo com as condicionantes estipuladas neste “sorteio” (merecia mais aspas?), os vencedores de cada play-off poderão ter como destino outros grupos, que não os sorteados. Uma particularidade a ter em conta…

Em suma, uma fase de grupos com duelos muito interessantes e que ninguém vai querer perder. Não fosse este o Campeonato da Europa… Portugal, detentor do título de campeão europeu, terá de fazer pela vida se quiser seguir em frente. Avizinha-se tarefa complicada!

Foto de Capa: UEFA

FC Famalicão: Sensação, até na formação

Ao contrário do que muita gente pensa, existem boas escolas de formação para além dos ditos “Três Grandes”. O último exemplo disso é o FC Famalicão e a sua equipa de sub 19, que ocupa o segundo lugar da fase regular do Campeonato Nacional de Juniores, à frente do campeão FC Porto e apenas atrás do SC Braga.

Para falarmos do futebol de formação em Famalicão não podemos dissociar a construção da Academia para o futebol de formação famalicense. Essa obra, inaugurada apenas o ano passado, constitui fator chave para o sucesso famalicense, não só nesta equipa de juniores, como também em praticamente todos os escalões de futebol formação.

O facto de haver ótimas condições para o treino, aliadas a uma mão de obra profissional e qualificada ajudam e muito a explicar o bom momento do FC Famalicão enquanto estrutura e marca em todas as vertentes: desde a equipa de futebol sénior aos escalões de formação, não esquecendo a recém-criada equipa de futebol feminino, que lidera destacadamente a sua série na segunda divisão nacional.

Mas centremo-nos na equipa de sub 19. Esta é somente a segunda presença do FC Famalicão na divisão máxima do futebol português no que diz respeito ao último escalão de formação mas tem sido altamente produtiva e até surpreendente para os mais desatentos. Os famalicenses conseguiram a subida de divisão na temporada transata, ao conseguirem o título nacional, derrotando na altura o Amora FC. Com o objetivo cumprido, a equipa orientada por Rui Baptista mostrou ao que vinha bem cedo, com exemplo do empate no Olival a 3 bolas perante o FC Porto, num jogo em que os famalicenses tiveram razões de queixa da arbitragem.

No passado fim de semana, a vitória famalicense por 1-0 sobre os dragões confirmou que existe em Famalicão uma equipa de juniores apostada em fazer história e lutar até ao fim por algo inédito na história do clube: o campeonato nacional de juniores.

FC Famalicão já derrotou os atuais campeões nacionais
Fonte: FC Famalicão

A única derrota até agora, perante o líder SC Braga, é bastante elucidativa da excelente campanha dos famalicenses que jogam o jogo pelo jogo com qualquer adversário, mas sempre conscientes de que há qualidade dos dois lados e que é bom sair da zona de conforto de forma a poder crescer como jogadores. Rui Baptista tem feito um trabalho sensacional nesse sentido, tendo inclusivamente sido distinguido como treinador do ano na Gala do Desporto de Vila Nova de Famalicão.

Há abundante qualidade em Famalicão, dos mais graúdos até aos mais novos, numa simbiose perfeita daquilo que é o potencial crescente do FC Famalicão.

Foto de Capa: FC Famalicão

Tottenham Hotspur FC 3-2 AFC Bournemouth: Mourinho só sabe ganhar

Terceiro jogo no comando dos “Spurs”, terceira vitória para José Mourinho! O Tottenham recebeu e venceu o Bournemouth por três bolas a uma, naquele que foi o primeiro jogo caseiro a contar para a Premier League do técnico português no comando dos londrinos.

Apesar da vitória, o primeiro aviso na partida foi efetuado por Groeneveld, do lado do Bournemouth, com um remate desde a entrada da área. O extremo holandês, que apareceu no onze devido à indisponibilidade do habitual titular, Joshua King, obrigou Paulo Gazzaniga a uma defesa para canto, após um ressalto da bola na relva. Pouco antes dos dez minutos, novo remate de longe dos homens de Eddie Howe, desta feita através do lateral esquerdo Diego Rico, mas foi novamente o guardião argentino dos “Spurs” quem levou a melhor.

Uma entrada “a frio” dos homens de José Mourinho fez com que o ascendente dos primeiros 20 minutos pertencesse aos “Cherries”, que apesar de cederem o controlo da posse de bola, iam sendo o conjunto mais perigoso na zona ofensiva, através de transições rápidas para o ataque. No entanto, foi precisamente através de um contra-ataque que o Tottenham criou o primeiro lance de perigo a seu favor, com Son a utilizar a sua velocidade para se aproximar da baliza de Ramsdale, mas a não acertar com o alvo.

Dadas as dificuldades que os londrinos sentiam em sair a jogar de forma apoiada, a aposta no jogo direto foi mesmo uma realidade, e deu logo “frutos” na primeira tentativa. Eric Dier, ex-Sporting, lançou a bola para a meia-lua da área do Bournemouth e encontrou Son, que com apenas um toque deixou a bola “redondinha” para Dele Alli finalizar e inaugurar o marcador. O médio ofensivo inglês vem registando uma clara melhoria de forma desde que José Mourinho assumiu o comando técnico dos “Spurs”.

O segundo golo do Tottenham podia ter chegado logo de seguida, depois de Davinson Sánchez ter introduzido a bola na baliza adversária. Tal só não aconteceu pois, no momento da receção da bola, o central colombiano controlou-a com a mão, o que foi motivo suficiente e justo para a anulação do golo. A resposta dos jogadores que viajaram desde o sul de Inglaterra deu-se em cima da meia hora de jogo, após uma subida do lateral direito Jack Stacey e de uma finalização do próprio, mas a bola não levava as coordenadas exatas da baliza e acabou por passar uns centímetros ao lado do alvo.

Até ao intervalo, os três homens da frente de ataque dos londrinos, Dele Alli, Son e Harry Kane, foram tentando combinações em zona adiantada do terreno, mas nenhuma foi sucedida. Assim, o resultado que fechou a primeira metade do encontro foi o 1-0, ajustando-se a vantagem ao Tottenham. Cada vez que os pupilos de José Mourinho “carregavam no acelerador”, as dificuldades defensivas do Bournemouth eram notórias. No entanto, quando eram os comandados de Eddie Howe a chegar ao último terço do terreno, muitas eram as vezes em que “causavam calafrios” à defesa dos “Spurs”.

Dele Alli e Son, os protagonistas do primeiro golo dos “Spurs”
Fonte: Premier League

A segunda parte arrancou e, cinco minutos depois, o Tottenham ampliou a vantagem, na sequência de uma jogada que foi quase uma fotocópia da do primeiro tento. O jogo direto foi novamente opção e a bola foi lançada por Alderweireld para Dele Alli, tendo o médio inglês rececionado e orientado o esférico, antes de o colocar novamente no fundo da baliza de Ramsdale. São já três golos nos últimos dois jogos para o britânico, sendo que podia ter chegado ao quarto pouco depois, mas o remate saiu por cima do alvo.

Após o esforço que foi posto em campo pelos jogadores do Bournemouth, sobretudo durante a primeira parte, a “fatura” veio a partir dos 60 minutos, notando-se o desgaste que a pressão alta acarretou. Assim, os espaços na defesa dos “Cherries” eram cada vez mais e maiores, pelo que o terceiro golo da turma de José Mourinho surgiu de forma natural. Dele Alli abriu a bola para a esquerda, onde estava Son, e este último cruzou para o segundo poste, tendo surgido Sissoko e Aurier, ambos completamente livres de marcação, e o golo pertencido ao médio francês. Uma finalização “semi acrobática” fechou quase definitivamente a discussão pela vitória.

A equipa de Eddie Howe chegou ainda ao golo de honra por intermédio de Harry Wilson, avançado formado no Liverpool e que mostrou uma vez mais a incrível aptidão que tem para marcar livres diretos. Um pontapé fantástico a partir da entrada da área reduziu a vantagem dos londrinos para 3-1 e deu um “mini balão de oxigénio” ao Bournemouth, que podia relançar a discussão da partida caso marcassem outro golo.

Esse golo surgiu mesmo, novamente por Harry Wilson, mas já foi tarde, apenas aos 90+6’, já no final da compensação dada por Lee Mason. A partir daqui o resultado não sofreu qualquer alteração, confirmando-se mesmo a vitória do Tottenham, que assim ascendeu ao quinto lugar, ainda que de forma provisória. Fica a nota para mais um final “de aflitos” por parte dos londrinos, que por pouco não deixavam escapar a vitória no fim da partida, tal como aconteceu no reduto do West Ham. O próximo jogo dos “Spurs” é já a meio da semana, na quarta-feira, novamente para a Liga Inglesa, e com a curiosidade de ser em Manchester, frente ao United, antigo clube de José Mourinho.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Tottenham HFC: Paulo Gazzaniga; Serge Aurier; Davinson Sánchez; Toby Alderweireld; Jan Vertonghen; Eric Dier; Tanguy Ndombele (Lucas Moura, 74’); Moussa Sissoko; Dele Alli (Harry Winks, 90+4’); Son Heung-Min (Giovani Lo Celso, 88’); Harry Kane.

AFC Bournemouth: Aaron Ramsdale; Jack Stacey; Steve Cook; Nathan Aké; Diego Rico; Jefferson Lerma; Lewis Cook (Dan Gosling, 74’); Danjuma Groeneveld; Ryan Fraser (Harry Wilson, 63’); Dominic Solanke; Callum Wilson.

Antevisão GP Abu Dhabi: A 55 voltas do fim…

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Parece que foi no mês passado, mas desde março, o início da época, já passaram 20 corridas por nós. Numa época dominada pelas “Flechas de Prata” da Mercedes, a impressão que dá é que também irá fechar num ponto alto para a equipa alemã.

Tirando no terceiro treino, a Mercedes dominou todas as sessões, e não fosse a penalização de Valteri Bottas (Mercedes), a fila da frente era deles, liderada por Lewis Hamilton (Mercedes), que, estranhamente, já não conseguia uma pole position desde o GP da Alemanha.

No total, este ano, são quatro as poles conseguidas pelo campeão. Um número deveras curioso, tendo em conta que Lewis Hamilton é, estatisticamente, o melhor de sempre em qualificações.

Com a penalização de Bottas, quem sobe à segunda posição da grelha antes da corrida é Max Verstappen (Red Bull), que, durante todo o fim-de-semana, foi o único que se mostrou capaz de desafiar o domínio da Mercedes. Na segunda fila da grelha estão Charles Leclerc (Ferrari) em terceiro e Sebastian Vettel (Ferrari) em quarto. Mais uma vez, as curvas apertadas do setor três a mostrarem ser o maior inimigo da equipa italiana, com Charles Leclerc a ser mais lento que Lewis Hamilton, cinco décimos de segundo nesse setor, para surpresa do monegasco.

Max Verstappen está bem posicionado para mais uma grande batalha
Fonte: Formula 1

Na terceira fila estará Alexander Albon (Red Bull), que mostrou a falta de experiência nesta pista, onde corre pela primeira vez na Fórmula 1. Ao seu lado estará outro novato, Lando Norris (Mclaren), que ao qualificar-se venceu a luta das qualificações por 11-10, contra o seu colega de equipa, Carlos Sainz. O piloto espanhol estará atrás de Daniel Ricciardo, que terminou em oitavo. Este trio ficou com uma diferença de apenas 23 centésimos de segundo entre eles. No último lugar da qualificação 3, está Nico Hulkenberg, naquele que poderá ser o seu último fim-de-semana ao volante de um carro de Fórmula 1.

Graças à penalização de Bottas, Sergio Perez (Racing Point) irá começar em décimo, ao lado de Nico Hulkenberg.

A corrida do ano passado foi muito melhor do que estávamos à espera, sendo o circuito de Yas Marina (Abu Dhabi) um dos mais criticados pela dificuldade em oferecer boas corridas, por isso, dificilmente teremos um clássico como na última corrida, mas a batalha entre Max Verstappen e Lewis Hamilton dessa corrida poderá ser reatada uma última vez este ano.

Sendo este um ano extremamente positivo no que toca à qualidade das corridas em si, temos várias batalhas interessantes por toda a grelha, estando a luta pelo terceiro lugar e sexto lugar do campeonato ainda em aberto. Vamos então terminar esta temporada, ao nível que esta tem apresentado na grande maioria das corridas, com grandes batalhas em toda a grelha.

Fonte: Fórmula 1

Foto de Capa: Fórmula 1

FC Internazionale Milano | O céu é o limite

Quando falamos de um clube como o Inter há grandes nomes nos vêm à cabeça: Giuseppe Meazza, Lothar Mattaus, Javier Zanetti, Ronaldo. Com eles vêm ancorados muitos e enormes títulos, não só nacionais como internacionais. Apesar de ser uma equipa com uma das mais belas histórias em todo o mundo, o sucesso de outrora parecia andar desaparecido. No entanto este ano a maré mudou e o céu parece o limite para esta constelação de jogadores.

Antes de qualquer análise técnico-tática não podemos nunca dissociar o sucesso da turma nereazzurri do novo treinador, Antonio Conte. Com um passado recheado de alguns títulos, o técnico italiano encarou este novo desafio com toda a determinação e está a fazer um trabalho exímio, superando provavelmente todas as expetativas iniciais da direção.

Atualmente colocado no segundo lugar da Serie A, este parece um dos poucos conjuntos dos últimos anos que vai conseguir fazer frente à hegemónica Juventus, natural líder do campeonato com apenas um ponto de diferença. É de destacar que já foram jogadas 13 partidas e o Inter ganhou 11, perdeu uma e empatou outra. Na Liga dos Campeões a situação não é igualmente promissora, uma vez que, para passar à fase seguinte precisa de fazer com o apurado Barcelona o mesmo resultado que o Borussia Dortmund fizer com o Slavia de Praga. Não se esperam facilidades, mas estes homens já nos mostraram de que força são feitos.

O Inter Milão tem o terceiro melhor ataque e a terceira melhor defesa da Serie A
Fonte: Inter

Procedendo à análise tática da equipa facilmente percebemos que se dispõe num 3-5-2 alicerçado nos mesmos jogadores, ao contrário do que temos visto pela Europa fora. Antonio Conte mostra não ser o maior adepto dessa rotação constante e apresenta quase sempre o mesmo 11 inicial, fazendo variar apenas dois ou três nomes. Sobre esta questão é de referir que o técnico já mostrou o seu descontentamento pela falta de planeamento da época, queixando-se das poucas opções que tem. Também por isso não sabemos se esta pouca rotação é por opção ou por escassez de recursos.

Assim, na baliza aparece o capitão Handanovic, acompanhado por Godin, de Vrij e Skriniar numa defesa a três. Nas laterais é onde há mais incertezas, podendo variar na direita entre Candreva e D’Ambrosio e na esquerda entre Biraghi e Asamoah. Do meio campo é dono Brozovic, que conta normalmente com o apoio de Barella e Gagliardini, que podem dar lugar a Vecino ou Sensi. Na frente os dois indiscutíveis: o segundo melhor marcador do campeonato, Romelu Lukaku, e a grande revelação argentina, Lautaro Martinez.

Falando em estatísticas e uma vez que elas também nos dizem algumas coisas, é de constatar quem num total de 18 jogos realizados marcaram 38 golos (nunca ficaram em branco) e sofreram 19, o que acaba por ser revelador da consistência da equipa, que foi talvez o aspeto onde ela mais cresceu. Para além disto é ainda de notar que os cinco pontos perdidos no campeonato foram em casa, contando com uma performance perfeita fora de portas: sete jogos, sete vitórias.

Posto tudo isto e ainda que hajam arestas que precisem de ser limadas, o clube italiano goza neste momento de uma confiança notável e de uma saúde aparentemente duradoura. Os ingredientes para fazer uma época como os seus mais velhos adeptos estão habituados parecem reunidos e resta saber se este conjunto terá pedalada para aguentar até ao fim. A nós resta-nos esperar para ver e, enquanto isso, apreciar o belo futebol que a equipa pratica.

Para além disso temos finalmente oportunidade de relembrar os remotos tempos em que o campeonato italiano era realmente disputado e onde o vencedor tinha de correr muito para lá chegar.

Talvez acabe este ano a hegemonia da Juventus e comece uma nova Era, bem à imagem da década passada onde o clube ganhou uma Liga dos Campeões, um Campeonato Mundial de Clubes e cinco campeonatos italianos.

O último período dourado deste clube teve a marca de um treinador português: José Mourinho muito contribuiu para os êxitos atrás mencionados. Quem não se recorda de ver Samuel Eto’o a jogar no setor defensivo no mítico jogo contra o Barcelona nas meias finais da Champions? Ou aquela final contra o Bayern Munique onde se apresentaram com uma garra e determinação inigualáveis?

Conte parecer reunir os atributos necessários para fazer a equipa retornar a níveis de competitividade elevados e só desta forma o Internazionale poderá almejar tão ambicionados títulos.

Foto de Capa: FC Internazionale Milano

Jorge Lorenzo: O vilão que acabou amado

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Jorge Lorenzo anunciou a sua retirada poucos dias antes do último grande prémio da temporada, em Valência, deixando o mundial de motociclismo mais pobre. Estamos habituados a perder pilotos por acidente, não por vontade própria.

O espanhol deixa para trás três títulos mundiais na categoria rainha e as melhores memórias das batalhas e rivalidades com Dani Pedrosa e Valentino Rossi. Curiosamente, só Valentino Rossi insiste em continuar, mesmo que os resultados não sejam dignos de um campeão do mundo.

Jorge Lorenzo chegou à categoria rainha determinado em fazer frente ao reinado de Rossi, ganhando assim fama de anti-herói, vilão e demasiado ousado para um mundial de motociclismo que era, até então, dominado por Il Doctorre. O italiano, intimidado com a pujança de Lorenzo, chegou mesmo a pedir para criarem um muro dentro da box quando ambos faziam parte da mesma equipa.

Jorge Lorenzo travou batalhas intensas com Valentino Rossi
Fonte: MotoGP

O espanhol foi conquistando ódios, mas também amores. Tornou-se um daqueles pilotos que ou amamos ou odiamos, já que o seu estilo de pilotagem não agradava, de todo, a gregos e a troianos, principalmente quando alguém se atreve a dizer que: “Não sou um grande piloto, sou um campeão”.

O espanhol foi conquistando ódios, mas também amores
Fonte: MotoGP

A decisão de Lorenzo só surpreendeu os mais desatentos, já que a temporada de 2019 acabou por ser um calvário de lesões, desilusões e resultados negativos. Em entrevista, o espanhol admitiu que é difícil manter a motivação quando as quedas são constantes e se está habituado a ganhar, ficar em 15.º lugar acaba por criar uma constante frustração.

E este abandono não é mais do que isso mesmo. Uma rendição à frustração. Muitos poderão dizer que Lorenzo não é assim um piloto tão bom porque não conseguiu resultados com uma Honda menos pujante do que a de Márquez. Se for assim, também Valentino não é a lenda que é, já que a sua Yamaha não consegue, de todo, fazer frente a Márquez.

Lorenzo chegou à Honda com vontade de voltar aos lugares mais altos do pódio, depois de dois anos menos felizes na Ducati. O que inicialmente parecia um conto de fadas, com o decorrer da temporada, acabou por se tornar num enorme pesadelo para o espanhol.

Nunca conseguiu terminar uma prova nos dez primeiros lugares, nunca conseguiu terminar uma qualificação no top 5 e muito menos conseguiu ficar à frente do seu colega de equipa. Sem esquecer, claro, as constantes lesões que pareciam não curar: duas fraturas na mão, uma outra com luxação no pé direito, uma fissura numa costela e duas operações, uma à mão e outra ao joelho.

Agora que Lorenzo disse adeus ao mundial, todos acabam por se render ao óbvio: Lorenzo conquistou o lugar de melhor piloto espanhol de sempre. Foi o único que chegou e se atreveu a questionar a lenda que era Valentino Rossi – com a mesma moto que o italiano conquistou três campeonatos do mundo. Lutou com o campatriota Dani Pedrosa sem dó nem piedade e nos seus tempos áureos, roubou um título a Marc Márquez – aliás, o único que o espanhol não conquistou desde que ingressou na categoria rainha.

Amado ou não, Jorge Lorenzo foi capaz de mostrar que é sim um campeão, e não apenas um grande piloto.

Obrigada, Giorgio. Foi um prazer ver-te correr durante todos estes anos. Agora, descansa esse “martillo” que tantas alegrias deu aos teus fãs.

Foto De Capa: Repsol Honda Team