Em noite da famosa “Black Friday” e com o fim de semana a passos largos, o Estádio de S. Miguel abriu as portas a mais uma jornada da I Liga. Defrontaram-se hoje o CD Santa Clara, o décimo primeiro classificado da tabela classificativa, e o Boavista FC, que se encontra em quinta posição, numa disputa pelos 3 pontos.
Ninguém previa um início assim. Rafael Costa inaugura o marcador logo ao primeiro minuto da partida. Este golo acabaria por fazer a equipa da casa acusar alguma pressão. No entanto, esta nunca se rendeu tentando sempre que possível chegar à baliza da equipa contrária.
A pouca sorte dos vermelhos e brancos, manteve-se. Aos 24 minutos, Carraça apontou a redondinha para as redes de Marco Pereira, este numa tentativa de a afastar, sofreu um ligeiro desequilíbrio acabando por transpor a linha de golo fazendo, assim, o segundo golo da partida.
Ao cair do pano no intervalo, o Santa Clara ainda tentou apontar a bola para a baliza do Boavista, mas sem sucesso, deixando assim a equipa visitante em vantagem.
Apesar do golo na 2ª parte da partida, não foi o suficiente para igualar o marcador Fonte: Bola na Rede
Na segunda parte da partida, Osama Rashid veio inspirado e tenta a sua sorte atirando a bola para a baliza de Bracali, mas esta acaba por sair ao lado. Mais tarde, aos 54 minutos, Rashid remata novamente à baliza mas sem sucesso, deixando apenas a vontade de marcar à vista.
A entrada de Ukra veio dar mais fio de jogo à equipa da casa, que se se destacou nesta segunda parte. O iraquiano, Osama Rashid, voltou a ameaçar a baliza da formação axadrezada, aos 79 minutos, apesar da vontade esta entrou.
A fome de golo continuava à vista de qualquer adepto e viria a se concretizar aos 85 minutos, através de César que equilibra o resultado.
A equipa da casa ainda tentou chegar mais perto das redes de Bracali, até mesmo deixando alguma inquietação a estes. Mas não foi suficiente para vencerem a partida.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
CD Santa Clara: Marco Pereira, Zaidu Sanusi, João Afonso, César Martins, Rafael Ramos (G. Schettine 66’), Carlos Jr., Osama Rashid, Francisco Ramos (Ukra 56’), Nené (Licoln 45’), Zé Manuel, Thiago Santana.
Fábio Silva viveu uma semana de sonho. O jovem avançado portista recebeu o Dragão de Ouro de Atleta Revelação do Ano, foi novamente titular diante o Vitoria FC onde apontou um golo, mas o maior prémio já havia sido conquistado antes, quando fechou a renovação de contrato com o FC Porto e passou a ser detentor da maior cláusula de rescisão de sempre do futebol português: 125 milhões de euros.
A duração do vínculo do internacional sub-19 português mantém-se inalterada 2022, até porque os regulamentos da FIFA só permitem que um jogador assine por mais do que três anos quando atingir a maioridade. O processo de renovação foi conduzida pela Soccer Talents Vision, agência que representa o avançado e que pertence ao empresário Carlos Oliveira e tem também o pai do atleta, Jorge Silva, como sócio. A ação de Jorge Mendes, da Gestifute, foi determinante que se tornou um parceiro estratégico e que poderá ser determinante para abrir portas a vários mercados europeus e conseguir uma transferência em moldes semelhantes à processada por João Félix para o Atlético Madrid.
Na prática, Fábio Silva continua a ser agenciado pela Soccer Talents Vision, mas o superagente terá sempre um papel ativo e principal caso se concretize a venda daquele que é neste momento o ativo mais importante do plantel liderado por Sérgio Conceição.
Vítor Ferreira é um dos médios mais promissores do futebol português Fonte: FC Porto
O FC Porto anunciou, na passada segunda-feira, a renovação do médio Vítor Ferreira, que fica ligado contratualmente até 2024. Internacional sub-21, o jovem de 19 anos ainda não se estreou com a camisola principal dos azuis e brancos. Em breve mensagem publicada nas redes sociais, o jogador mostrou-se «muito feliz» e agradeceu a oportunidade dada pelo clube. Pela equipa B leva 11 encontros disputados, com cinco golos marcados. O jogador é representado por Jorge Mendes e veste a camisola dos dragões desde 2011. O jogador, que tem estado na campanha de qualificação de Portugal para o Europeu de sub-21, é campeão nacional e europeu de sub-19, com os títulos conquistados pelo FC Porto no campeonato e na UEFA Youth League, na última época.
Fábio Silva e Vítor Ferreira são duas das maiores perolas do Olival e, estas renovações são excelentes noticias quer do ponto de vista desportivo quer financeiro. Com Jorge Mendes envolvido nas negociações é certo que num curto espaço de tempo um bom encaixe financeiro pode acontecer no dragão. Esta nova aproximação entre o FC Porto e o “super agente” é algo para ser acompanhado com bastante interesse porque pode significar uma mudança estratégica importante por parte da estrutura azul e branca.
O regresso da Taça de Portugal trouxe consigo as mais humildes das equipas até às mais extravagantes. Sendo que, temos equipas a participar desde clubes que representam os Campeonatos Distritais até aos da Primeira Liga Portuguesa. Desde a passada sexta-feira, dia 22 de novembro – para ser exata-, que temos assistido a jogos curiosos.
No primeiro dia da competição, uma clara vitória do CD Santa Clara por quatro golos a um à equipa desanimada da Segunda Liga Portuguesa do Leixões SC. O último jogo do dia, foi uma não tão chocante vitória do Varzim SC contra a equipa GS de Loures – atuante no Campeonato de Portugal -, que perdeu com um golo de diferença.
As maiores surpresas deram-se no segundo dia da eliminatória, o negro sábado diriam muitos. Começando por jogos mais leves, ou seja, que não chocaram tanto quanto os que eu já irei referir. Supreendentemente, o Sertanense FC recebeu o SC Farense para um “momento especial” – como descreveu o central, Diogo Marques, da equipa do distrito de Castelo Branco – e venceu, após uma longa partida com direito a prolongamento com apenas 8 jogadores por parte da equipa da casa. Uma hora mais tarde, deu-se a brecha de outra equipa da Primeira Liga Portuguesa: O CD Feirense é eliminado na casa do Académico de Viseu com um golo aos 72′.
Por volta do mesmo horário, no entanto em Espinho, o SC Espinho achava a vitória já certa. Eis que a revolta acontece e o FC Arouca consegue empatar a partida com dois golos. O resultado ficou ditado após prolongamento e com o golo de Diogo Valente aos 113′ perante um Arouca reduzido a 9 jogadores. A vitória do FC Famalicão torna-se algo “normal” durante a tarde de sábado. A equipa de Vila Nova de Famalicão recebeu a OAF Académica e o resultado ficou resumido com o golo de Toni Martinez aos 45′.
Por volta das 18:30, duas equipas minhotas encontraram-se para decidir qual iria suceder à próxima fase da Taça de Portugal, um jogo pragmático e inteligente de SC Braga que levou a melhor frente ao Gil Vicente, devido ao golo aos 8′ de Ricardo Horta. Embora as inúmeras tentativas dos galos de chegar à baliza bracarense, o nono classificado da Liga Portuguesa avança. O último jogo foi o mais supreendente de todos: O FC Vizela recebeu um enorme do futebol português e, no decorrer do jogo, apresentou-se superior tanto em qualidade como em golos, visto que a equipa vizelense esteve a ganhar por 1-0 ao SL Benfica.
Aos 6′, Samu colocou a equipa em vantagem e assim permaneceu ao longo da primeira parte de jogo. O jogo tomou novas proporções com o Vizela em desvantagem numérica (Ericson levou cartão vermelho aos 26′) e com a chegada da segunda parte onde o SL Benfica tomou outra postura perante o adversário. Essa mudança de posição, levou aos 2 golos por parte da equipa encarnada. Apesar das complicações, a Taça de Portugal perdeu o FC Vizela da competição.
Novo dia, novas surpresas. No domingo, dia 24, dou-se o último dia de eliminatória. Começando na cidade de Aveiro, o Anadia FC recebeu o Beira Mar. O décimo classificado do Grupo C do Campeonato de Portugal ficou reduzido a menos um, no entanto isso não pareceu travar a equipa, acabando por vencer por 2-1 frente ao segundo classificado. Agora é que são elas, outro clube da Primeira Liga a ser reduzido a cinzas nas eliminatórias da Taça de Portugal: o Moreirense FC deslocou-se a Mafra – clube da Segunda Liga Portuguesa – e acabou por sofrer três golos e apenas marcar um perante o adversário, perdendo lugar na próxima fase.
O décimo sétimo classificado da Primeira Liga – FC Paços de Ferreira – recebeu o AD Sanjoanense, atuante no Campeonanto de Portugal, a partida ficou resumida com um golo da equipa da casa aos 12′ por Diaby. À mesma hora no distrito de Vila Real, o Pedras Salgadas recebeu o CF Canelas 2010, um jogo que ficou marcado pela ida a penalidades que resultou em 5-6 – vantagem para o CF Canelas 2010, que transmite à próxima fase. Agora no sul do país, o Sintra Football – mais conhecido por ter eliminado o Vitória SC da competição – recebeu o AC Marinhense, o clube visitante levou à melhor no decorrer do jogo e muito devido ao autor dos dois golos, Leandro Antunes, o avançado que bisou na partida.
Enquanto isso, na Póvoa de Varzim,o RioAve FC recebeu o FC Alverca – a equipa que venceu o Sporting CP -, a partida ficou decidida aos 16′ com o golo de Augusto Filipe, central. No Estádio do Dragão, 2 equipas da Primeira Liga decidiram quem passava para a próxima fase da Taça de Portugal, a goleada da equipa da casa por 4 golos a zero (um deles auto-golo) ditou a vitória frente ao Vitória FC, que pouco jus fez ao nome. O recém chegado à Segunda Liga, o GD Chaves chegou e marcou frente ao Belenenses SAD. Aos 27′, a partida ficou definida com o golo de André Luis, apesar das inúmeras tentativas da equipa visitante.
O GD Chaves eliminou o Belenenses SAD na Taça de Portugal Fonte: GD Chaves
A eliminatória estava fechada e as respetivas equipas já tinham os passes carimbados para a 5º elimatória da Taça de Portugal. Assim, as contas estão feitas: 7 equipas da Primeira Liga, 4 equipas da Segunda Liga e 5 equipas do Campeonato de Portugal. Provavelmente, é uma das primeiras vezes que existem tantas equipas representantes do Campeonato de Portugal, e tão poucas da Primeira Liga. Estará a qualidade do Campeonato de Portugal a revelar-se? Ou a qualidade das equipas da Primeira Liga está a descer? Eis a questão. No entanto, são estas que transmitem para os oitavos de final, veremos que surpresas aguardam desta vez!
Barcelona serve de casa mãe a um dos mais históricos emblemas do país vizinho. Sediado entre os municípios de Cornellà de Llobregat e El Prat de Llobregat, cuja fusão dá nome ao estádio onde atua, o Reial Club Deportiu Espanyol de Barcelona vai experimentando, por estes dias, o sentimento agridoce da glória na Europa e da desgraça no campeonato.
Fundado em 1900 pelos alunos da Universidade de Barcelona, o Espanhol carrega no símbolo a coroa do país e é tido pelos rivais da cidade como um apoiante da monarquia e anti-independentista, posição na qual os seus adeptos não se revêem.
Composto inicialmente apenas por jogadores de nacionalidade espanhola e, se possível, catalães, os piriquitos – que nos primórdios vestiam de amarelo em homenagem ao Almirante Rogério de Lauria, imortalizado em estátua numa das ruas de Barcelona e cujo brasão seria dessa cor – são um dos clubes fundadores da Liga Espanhola.
Nesta época, os adeptos do clube que tem em Raúl Tamudo o maior símbolo – ou não fosse este o jogador catalão com mais golos marcados na Primeira Divisão de Espanha e o principal responsável pelo roubo do título ao Barcelona no distante ano de 2007 – têm assistido a uma campanha europeia de grande nível, em contraponto com uma prestação interna deplorável.
À saída do par Rubi e Borja Iglesias para o Bétis – treinador e jogador mais influente na temporada transata – juntaram-se-lhe dois dos pilares da defesa que ajudou na conquista do sétimo posto em 17/18: Mario Hermoso, para o Atlético de Madrid, e Aarón Martín, para o Mainz.
Fonte: Espanyol
Para os seus lugares, chegaram o ex-Sevilha Pablo Machín – cuja experiência ao leme do clube andaluz não foi a melhor, tendo sido despedido a meio da época -, Matías Vargas (Vélez Sarsfield) e Fernando Calero (Valladolid). Lei Wu, internacional pela China que chegou em Janeiro deste ano a pedido do presidente, também ele chinês, parece ter tido mais efeito nas bancadas que no relvado, dada a elevada afluência dos seus conterrâneos ao RCDE Stadium.
Detentor da pior defesa e do pior ataque da La Liga, o Espanhol ocupa o 19.º lugar somando apenas nove pontos em 14 partidas, fruto de duas vitórias e três empates. Na próxima jornada os alviazuis recebem o tranquilo Osasuna para, na semana seguinte, visitarem o Santiago Barnabéu.
Se internamente o cenário é negro, na Europa os espanhóis têm sido donos e senhores do Grupo H da Liga Europa. Num percurso que nem começou da melhor forma, com um empate a uma bola frente aos húngaros do Ferencváros, a turma liderada por Machín tem sido rei nos últimos encontros, ao vencer as três partidas seguintes frente a CSKA de Moscovo e Ludogorets (equipa que goleou na última jornada por 6-0). Deste modo, o trono está apenas a uma vitória.
É nesta dicotomia da realidade que o futebol do Espanhol de Barcelona ancora o seu presente. Quanto ao futuro, a certeza de que este símbolo manter-se-á entre os grandes do futebol europeu.
Wellington Carvalho, jogador que na época 2016/2017 decidiu trocar o FC Penafiel pelo Portimonense SC, aos 27 anos de idade está a viver um dos momentos mais difíceis da sua carreira. Ao fim de 58 jogos na equipa principal, durante duas épocas, presenteados com oito golos o jogador deixou de ter lugar no plantel de António Folha, o que ditou com que fosse relegado para os sub-23.
Tudo apontava para que esta situação fosse temporária, a cumprir a terceira e última época do contrato, a esperança era que o jogador voltasse a encontrar o equilíbrio fisicamente e mentalmente com os jogadores mais jovens e voltar a subir na hierarquia do clube e ser uma peça importante na manutenção tal como foi nas épocas transatas.
Aconteceu exatamente o oposto daquilo esperado, até à data, o jogador não tem qualquer jogo pela equipa A e parece que não acontecerá num futuro próximo, visto que o brasileiro também não conta para a segunda equipa do Portimonense.
O brasileiro chamou atenções para o seu caso quando utilizou as redes sociais para desabafar, nos depoimentos, revelou que não joga por ‘’vingança por parte do clube’’, pois rejeitou sair em abril. A indignação deve-se ao facto de não ser utilizado – mesmo fazendo as viagens todas com a equipa- a última passagem pelo campeonato conta com a data de quatro de maio do ano corrente, contra o SL Benfica, numa derrota por 5-1.
Após os fortes estas fortes declarações, o vice-presidente dos algarvios, Robson Ponte, veio a publico defender a SAD. Acusou que o jogador ser ‘’mentiroso’’ e, igualmente, ‘’simular lesões e não se aplicar nos treinos’’. Segundo o clube, o mau estar, começou quando o atleta, em janeiro, pediu, pelo seu agente, uma transferência para o Estoril Praia SAD, para ganhar melhor, as negociações não foram pelo melhor rumo. Esta atitude da direção fez com que Wellington mudasse a sua atitude perante a equipa e toda a infraestrutura.
Os casos de mau comportamento aumentaram, a gota de água pareceu ser a suposta transferência para a sua equipa transata – o FC Penafiel – quando parecia estar tudo acertado com o jogador e a equipa, deu-se um volte face quando o brasileiro anunciou que teria recebido um convite da Turquia, o que, segundo o representante da SAD, era apenas uma manobra de distração pelo jogador para sabotar a transferência, consequentemente, faltou à palavra ao presidente do clube duriense.
Fonte: Portimonense SC
Estes exemplos são uma forma de chamar à atenção para o que acontece além futebol afeta, também, uma equipa, em questão o Portimonense SC que luta pela permanência na liga e estas polémicas não ampara o facto de necessitarem de um grupo unido por um objetivo comum.
É muito difícil imaginar o que seria do nosso Futebol se não houvesse rivalidades clubísticas.
A nível nacional o Clássico FC Porto-SL Benfica que é, hoje em dia, um confronto sem prazo para acabar que transcende as “quatro linhas” e que chega-se a jogar nos Tribunais (!).
Mas, na Capital, o “Dérbi Eterno” que opõe Sporting CP e SL Benfica e que é e sempre será um confronto empolgante entre os dois Grandes, em qualquer contexto desportivo. No Norte, há dois dérbis que não ficam atrás no que toca a emoção: o “Dérbi da Invicta”, entre FC Porto e Boavista FC, e o “Dérbi Minhoto” disputado entre Vitória SC e SC Braga.
Temos depois outras rivalidades espalhadas um pouco por todo o país que “enriquecem” no plano competitivo os nossos principais escalões do futebol profissional como são exemplos o Dérbi da Madeira (CS Marítimo- CD Nacional), o Dérbi do Algarve (SC Olhanense v. SC Farense) ou o Dérbi do Mar (Varzim SC v. Leixões SC).
Todavia, e porque o nosso futebol não se resume aos Três Grandes nem aos clubes que militam na Primeira Divisão ou na Segunda Divisão, recordo algumas das muitas rivalidades históricas do nosso Futebol que, pese embora terem caído no esquecimento (umas mais que outras).
Atlético CP vs CF “Os Belenenses”
Noutros tempos, para além do confronto entre Sporting CP e SL Benfica, havia outro dérbi que apaixonava os alfacinhas. A rivalidade entre Atlético CP e CF Belenenses foi uma das maiores rivalidades futebolísticas vividas na cidade de Lisboa: de um lado os “Sangue Azul” (CF Belenenses) que representava a elite lisboeta residente nos bairros nobres de Belém, do Restelo e da “Linha”; do outro “os Carroceiros” que, por sua vez, representavam a classe operária do Porto de Lisboa oriunda de Alcântara. Os dois clubes alfacinhas tão díspares nas suas raízes fabricaram lendas como Matateu e Germano. Hoje, estão ambos a recomeçar do “zero”, de costas voltadas com as respectivas SAD.
Partida amigável no Estádio do Restelo entre os dois rivais “alfacinhas” Fonte: CF Belenenses
União Futebol de Coimbra vs Académica OAF
Quando pensamos em Coimbra vem-nos logo à mente o emblema da A. Académica de Coimbra e vice-versa. São vários os rivais que os estudantes colecionaram ao longo da sua história: alguns da própria região como a Naval 1º de Maio da vizinha Figueira da Foz ou a União de Leiria, e outros pontuais como o Vitória SC após o célebre caso N’Dinga.
No entanto, a cidade dos estudantes é também a casa de um antigo rival da Briosa – o União Futebol de Coimbra, actualmente designado por União 1919 que veste azul e vermelho e tem o seu reduto no Campo da Arregaça. Enquanto que a A. Académica de Coimbra era o clube ligado à Universidade, galvanizador dos estudantes, o União de Coimbra tinha a sua massa adepto junto da classe trabalhadora da cidade de Coimbra.
Leça FC vs Leixões SC
Viajando para Norte, mais concretamente para o concelho de Matosinhos encontramos uma intensa rivalidade entre leceiros e bebés. Rivais há mais de 100 anos, os dois emblemas de Matosinhos reencontraram-se na segunda ronda da edição passada da Taça de Portugal no Estádio do Leça Futebol Clube, em Leça da Palmeira. Havia 24 anos que o Leça FC não recebia em sua casa o seu rival. O jogo ficou marcado por confrontos entre adeptos antes do apito inicial mas também pelo mar de gente que invadiu as bancadas.
São muitas as rivalidades que fizeram e continuam a fazer a história do nosso futebol e certamente seria tema para um bom livro. Afinal, todas estas rivalidades (no bom sentido da palavra) também contribuíram para o enriquecimento do nosso património clubístico e para a construção da identidade dos clubes portugueses e dos próprios adeptos.
FC Barreirense vs GD Fabril (antigo Grupo Desportivo da CUF)
As gerações mais antigas certamente lembrar-se-ão quando estes dois emblemas do Barreiro disputavam a primeira, nos tempos em que aquela cidade da Margem Sul era um dos principais centros industriais do país. Enquanto primodivisionários FC Barreirense e GD Fabril chegaram a medir forças, inclusive, na Europa: o GD Fabril, então designado “Grupo Desportivo da CUF”, jogou contra o histórico AC Milan, enquanto que os alvirrubros jogaram contra o Dínamo Zagreb, para a antiga Taça dos Clubes das Cidades Com Feiras (antepassado da Taça UEFA).
A rivalidade histórica entre os dois clubes era saudável desde logo pelo simples factos de que muitos dos adeptos do FC Barreirense eram operários da CUF.
Na ressaca da eliminação da Liga dos Campeões, o SL Benfica recebe o CS Marítimo, na ressaca do despedimento de Nuno Manta Santos e da contratação de José Gomes, ex-Rio Ave FC e ex-Reading FC. Na Luz, defrontam-se duas equipas a precisar de vencer, não apenas para recuperar da ressaca, mas também para fugir dos perseguidores – os da casa – e da linha de água – os forasteiros.
No regresso da pausa para seleções, a turma de Bruno Lage mostrou duas faces e conheceu dois resultados. Na visita a Vizela, a exibição encarnada foi deplorável, mas a vitória (suada) não escapou. Em Leipzig, as águias voaram alto, mas caíram com estrondo, vendo confirmada a eliminação da liga milionária em escassos minutos. No fecho de uma semana assim, só a soma de uma vitória com uma exibição portentosa pode ter como resultado o agrado dos sócios e adeptos.
Mais premente se torna a necessidade de vencer e convencer este jogo caseiro – no regresso a casa e na estreia do novo relvado – quando colocado em perspetiva com o ciclo de jogos que o sucede. A receção aos madeirenses não é apenas o fecho de uma semana difícil – é o início de um ciclo de muitas e árduas batalhas, em várias frentes.
Bruno Lage tem na receção ao CS Marítimo um teste importante para preparar um mês de dezembro bastante preenchido Fonte: SL Benfica
Até ao final de dezembro, as águias decidem o seu futuro na Taça da Liga, na Taça de Portugal e nas competições europeias, defendendo em simultâneo o título de campeão nacional em partidas, por exemplo, frente ao Boavista FC ou ao FC Famalicão. Perder pontos em casa seria – ainda mais – inaceitável, nesta conjuntura.
Além de vencer e convencer, será preciso gerir a equipa de forma inteligente, para que esta possa enfrentar com frescura o ciclo de jogos que encerra o ano civil. A poupança maior (a la Black Friday) será, por certo, na terça-feira, na visita à Covilhã para a Taça da Liga. Todavia, depois da exigente partida na Alemanha, é provável que Bruno Lage altere algumas peças, fazendo ingressar no onze Florentino e, quiçá, Raul de Tomás.
O setubalense terá que delinear bem a estratégia, mais do que a tática, para a receção ao Marítimo e para os jogos seguintes. Um trabalho complexo mas importante, que, se se revelar frutífero, poderá conduzir os encarnados a um ciclo vitorioso que pode ser um dos mais importantes passos rumo a uma época positiva. No entanto, se os planos saírem gorados, o ciclo de dezembro, mais do que invernal, pode revelar-se infernal. E se o for, as consequências que disso advierem serão muitas e gravosas, para o conjunto e para as individualidades.
O melhor jogador de futsal do mundo, o português Ricardinho, revelou esta semana que irá abandonar a equipa espanhola do Inter Movistar, para procurar um desafio diferente na sua carreira, isto após sete épocas de ligação ao clube madrileno onde ganhou todo o tipo de troféus coletivos, de entre os quais sobressaem a conquistada antiga UEFA Futsal Cup, agora renomeada Liga dos Campeões de Futsal em 2016/17 e 2017/18, para além das distinções individuais ao longo dos anos, com natural destaque para a eleição de melhor jogador do mundo em cinco ocasiões consecutivas, entre 2014 e 2018.
Uma ligação que certamente ficará para sempre na memória de Ricardinho e dos adeptos interistas, habituados a ver a magia do jogador natural de Gondomar pelas quadras espanholas, num jogador idolatrado pela massa adepta do clube oriundo do país vizinho.
Seis vezes eleito o melhor jogador, cinco das quais ao serviço do Inter Movistar Fonte: Seleções de Portugal
O novo destino do mágico ainda é desconhecido, mas interessados não faltam, certamente. Um eventual regresso a Portugal é naturalmente uma hipótese que não pode nem deve ser descartada, sabendo de antemão todo o carinho que o ala lusitano tem pelo SL Benfica, e também o declarado interesse do Sporting CP, um dos principais alvos da anterior direção do clube leonino, mas nunca se pode pôr de parte uma eventual investida dos leões no próximo mercado de Verão. Fora de portas, muitos clubes europeus e mundiais de topo terão certamente uma vontade enorme de integrar um jogador de tamanha qualidade nos seus quadros, mas para saber o próximo destino do jogador de 34 anos, teremos que esperar até ao Verão do próximo ano, pois o contrato com o clube espanhol só termina no fim da presente temporada desportiva.
Integrado no plantel campeão europeu de 2018 pelo nosso país, onde foi peça fundamental da conquista do troféu, pese embora a lesão no prolongamento da final épica contra a Espanha, o nosso Ricardinho descansou o mundo do futsal ao afirmar que pretende continuar a sua carreira profissional ao mais alto nível, tanto em termos de clubes como de seleções, pretendendo continuar a engrossar o seu enorme palmarés nos próximos tempos, com o campeonato do mundo 2020 à cabeça, que será disputado na Lituânia.
O ego é algo presente em qualquer coletivo. É sempre a partir de um que existe um grupo. É no aglomerado de singular que algo plural tem existência. Uma equipa, na índole desportiva (e não só), pressupõe uma ideologia, por muito passageira que seja. Um ego comum.
Jorge Jesus é um ego absoluto. Há relatos que sempre o foi. Um individuo fiel à essência que compõe a sua mente e forma de pensar. Há quem tenha a “panca” por motores, há quem tenha o interesse por eletrónica, há quem tenha a paixão por desporto, etc.
Jesus é um sujeito genuíno. Posso muito bem ser infeliz em debruçar-me sobre uma personalidade que conheço através do virtual, e não do real, mesmo sabendo que o primeiro tem a intenção de reproduzir o segundo. Porém, sempre de forma, por muitas vezes que possa ser reproduzido, parcial.
Numa era em que a carreira de treinador assume uma popularidade e adesão imensa, o “português que redescobriu o Brasil” vem dos primórdios da profissionalização desse cargo. Vem do mais raso possível. O que o fez ser técnico deu-se ainda quando era atleta. Foram-lhe reconhecidas qualidades de liderança. Conhecimentos profundos em relação a aspetos táticos. Um talento em potenciar coletivo.
Inserido num meio futebolístico, completamente enraizado na cultura portuguesa, quer se queira, quer não, quer se goste, ou não. Foi habituado, obrigado a transformar recursos escassos em resultados imediatos. Afinal, a vida de treinador profissional obriga resultados efetivos.
Chega ao grande palco, ao mediatismo absoluto, com a chegada ao Benfica. Em 2009, chega a um clube com recursos respeitáveis, mas cujos resultados não diretamente proporcionais a tal. Pega num emblema recheado de êxitos, de glórias vividas maioritariamente a preto e branco.
Como é sabido, a sua chegada foi impactante. O sucesso foi imediato, e muito mais admirável que isso: surpreendeu. Poucos se lembravam de ver o Benfica jogar à bola como o fez com JJ. Em 2005, foi alcançado o campeonato, é certo, mas o título de 2010 foi muito mais do que resultado. Deu-se uma transição bastante clara. Foi um marco de mudança, não apenas no restabelecimento do estatuto do clube, que se perdia no tempo, ou se readquiria, de forma pontual, mas de um aumento significativo nas ambições dos encarnados, tendo em conta a hegemonia de um FC Porto sólido e extremamente bem-sucedido. Reergueu um estilo de jogo característico de outros tempos, de tempos quase esquecidos. Mas muito criticado, mesmo assim.
O eventual regresso ao Benfica na visão do adepto benfiquista disponível no nosso site Fonte: bolanarede.pt
Ainda mais mediática, foi a sua chegada ao Sporting. Daquelas bombas de mercado que agitam até o simples simpatizante. Então em Portugal, sendo um país em que matérias do quotidiano futebolístico prevalecem sobre muitos temas de inquestionável interesse público, ainda mais.
O Sporting também não ganhava há muito. É certo que isso não mudou, mesmo com Jesus. Contudo, a sua marca no universo leonino é inegável. Mesmo batendo o recorde de pontos alcançados pelos leões em campeonatos, não foi possível sobrepor-se aos adversários. “Jogaram como nunca, perderam como sempre”. Fora rivalidades, torna-se algo factual, e muito característico do espírito sportinguista recente.
Só sai de Portugal por motivos drásticos. A sua saída de Portugal foi uma consequência. Um único ego, da mesma forma que é capaz de contribuir, construir, orientar; também pode ter o efeito contrário. E os egos não se medem por igual, cada um tem um peso específico, evidentemente.
Penso que a sua ida para a Arábia tivesse caráter temporário. Sem mercado nos três grandes, os únicos com capacidade viável de acolher o mestre da tática, fê-lo então procurar alternativas fora de portas. Workaholic como é, parar certamente não foi sequer ponderado.
Descobriu que em tempos de globalização, sair de um sítio que nunca imaginou abandonar não é o que pensava que seria. Ir para uma cultura completamente diferente, deixar o seu círculo próximo de amigos, deixar o seu habitat, a sua zona de conforto.
Alargou a sua perspetiva em relação a muitas coisas. Compreendeu, certamente, o mundo globalizado, que talvez não representava mentalmente de uma forma ampla e mais próxima da realidade.
Sustenta, na sua forma de estar, que juventude é mentalidade. As qualidades, fundamentalmente as de relação interpessoal, foram aprimoradas. Tornou-se mais terra a terra. Fiel à sua essência, implementa no futebol da sua equipa a sua energia, o seu know how metódico, jogador a jogador. Faz conhecer a função de cada um no onze.
Chegou ao Flamengo, com óbvias intenções. Conheceu o projeto, sugeriu soluções, que foram prontamente acedidas pela direção.
Foi notório que a sua arrogância nunca a tinha sido. Foi sim, interpretada como tal. Essa arrogância é, afinal, uma segurança muito própria do que sabe, e quem pedia as suas respostas era como se falasse uma língua diferente. Essa dita arrogância vinha ao de cima, pois as perguntas feitas, pouco ou mesmo nada se dirigiam ao núcleo desportivo. Ao que interessava verdadeiramente. E isso deixava-o possesso.
No Brasil, vimos em Jesus um homem que não apenas redescobriu uma filosofia de jogo perdida, um continente em que a retranca abolia a ginga fluída característica dos sul americanos. Redescobriu-se a si mesmo. Agora que soube contornar as ratoeiras em forma de pergunta, e evitar os confrontos que as mesmas impunham. O reconhecimento é obtido em duplo sentido. Preferiu fazer-se ignorante a ripostar verbalmente. Foi assertivo à sua bela maneira. Falou com bola, menos com boca. Mas claro que não se conteve, e desabafou em certos momentos. Mas, desta feita, em momentos oportunos. Toda a pressão que impede o resultado pretendido irá sempre existir, a “comitiva” de imprensa é o tribunal do futebol. E um treinador sempre se irá sentar ora como testemunha, ora como suspeito, indiciado, arguido ou réu. Depende do cenário. Dos números.
Toda a sua competência é finalmente reconhecida em absoluto. Hoje está bem cotado para subir à elite máxima. Chegou tarde, mas também chegou ao mais alto nível há dez anos. Mas também há mérito nos níveis mais baixos. Também se trabalha e existe pressão nesses patamares. Não tanta, mas qualquer emprego depende de um desempenho, do serviço prestado.
‘Tá bem (v)Arão!: de reserva a titular com um posicionamento de excelência Fonte: CR Flamengo
Por ser Jesus de nome, os brasileiros, no geral, pensaram logo em crucifixo, fora trocadilhos por associação. Num contexto, numa cultura onde o futebol também pesa muito, as pressões são constantes. A competitividade é imensa. Há muitas equipas candidatas ao título. As expetativas são altas, gerais e os despedimentos constantes.
A forma como desprezaram os méritos de Jorge Jesus foi maldosa. A maneira precipitada como avaliaram a chegada de um técnico experiente, cheio de conhecimento, cheio de vivacidade, dono de uma forma ímpar de desempenhar a sua função foi clara. Revelou-se pobre e desleal. Afinal, era um mero “portuga” … Alguém sem renome internacional. Para eles…
Perante o sucesso que ia obtendo, justificavam com a estrutura do Flamengo. Com os nomes que compunham o “time”. Com os laterais que trouxe. Com as contratações que efetuou. Foi difícil atribuir mérito. E agora, o que justifica este fim de semana passado? Libertadores, 38 anos depois; Brasileirão, dez anos após. E ainda com jornadas por disputar, já suprimiu o recorde de pontos do campeonato. Ainda restam argumentos?
Um treinador com um staff qualificado ao seu lado, a simbiose (João de) Deus e Jesus. Por muitos erros crassos que cometeu ao longo do seu trajeto, quer a nível de aposta formativa, quer a nível de discurso público, quer a nível de insistência desmedida numa dada ideia, a verdade é que tudo se tratou de um processo, que o trouxe até ao Brasil. Mais do que merecido. Deixou para trás várias frustrações decisivas. Vingou-se dos acréscimos de compensação. Desta vez os minutos finais trouxeram justiça para a sua equipa. Foi trabalho, apesar da sua idade supor decadência para os mais leigos. A idade é realmente um posto.
O português é patriota por natureza. Qualquer um se orgulha da história da pátria, que em séculos medievais, era olhada pela civilização europeia como o fim da terra, e o início do mar. Um povo que não resistia à ideia de se aventurar no desconhecido. Parafraseando o professor José Hermano Saraiva, “Os portugueses não têm raça. São uma anti raça.” São integradores e hospitaleiros, orgulham-se disso. Orgulham-se sobretudo do compatriota que eleva bem alto o nome da nação. Do compatriota que partilha dos mesmos valores e princípios. Do conterrâneo que vence assentando neles.
O oceano era tido como território nacional. O horizonte vislumbrado parecia tão perto e com fim à vista. Além da “sardinha de cada dia”, havia conquista possível além mar. E ao haver meios, evitemos rodeios.
Jesus, no século XXI, mergulhou de olhos abertos, e nadou até à terra prometida sem sequer pestanejar. Superou o adamastor em forma de xenofobia alheia sem rodeios. Com um caráter de fé, cultivou o seu olhar sobre o jogo que mais o apaixona. Já não lidou com Renato Gaúcho como fez com Rui Vitória, Tim Sherwood ou Lopetegui. Resistiu ao irresistível, e preferiu propagar a fé. Não a fé de Cristo, como era o intuito dos navegadores, mas a fé do joga bonito de Ronaldinho.
O fim de semana que findou bradou ao lado mais pensativo que em mim figura. A reflexão constante absorvia-me do noticiário recorrente, das tragédias que albergam no mundo e que não são despejadas com justa causa e da crise interna vivida no cenário político do LIVRE. (Constou-se que a direção do partido despertou, levantou-se repentinamente da cama, fez a higiene pessoal e, enquanto realizava a primeira refeição da manhã, lia o programa eleitoral, como de um escrito recente se tratasse e, descontente com o resultado, reescrevia-o, pensando de si para si como é que tinha sido capaz de redigir tal coisa. Joacine Katar Moreira, por sua vez, viajou para a Palestina e tirou duas semanas de férias).
Muita da minha (aparente) introspeção derivou da carnificina infantil musical proveniente da flauta do meu irmão. A melodia enfadonha sondou todo e qualquer canto da casa, ecoando pelo prédio inteiro. De quinta-feira a domingo, a escala musical era repetida vezes e vezes sem conta, independentemente do compartimento ou hora.
Os buracos do instrumento esvaíam o seu esforço, a sua dedicação e a sua devoção (honrando o ideal sportinguista) para o teste que se avizinhava e que fará dele um ícone da música clássica. Mesmo de headphones, o ruído estridente perfurava e interrompia o normal funcionamento da fábrica mental.
Completamente hipnotizado, repousando no sofá, surge no meu pensamento a velha Nave de Alvalade, a mais bela das formas de visitar o espaço, segundo depoimentos de terceiros. A personificação de um meio de transporte que alcançava todo e qualquer astro, que explorou a paisagem espacial que cada modalidade ofereceu durante anos a fio e que descortinou a órbita de vários planetas que a visitavam.
O local onde o estrépito leonino ensurdecia o vácuo sonoro adversário. A construção sobre a qual se ergueu um misto de fantasia e realidade, vividas a uma intensidade superior à da velocidade da luz. A fusão entre o espaço sideral e a terra em tons de verde.
Uma viagem imaginativa, conduzida pela regressão espiritual, colocou-me presencialmente no antigo pavilhão. Curiosamente, em centenas de sonhos, este é o único que consigo rebobinar.
Fonte: Sporting CP
A nave, constituída por todos os tripulantes, iniciou a viagem: observando o que me envolvia, fui automaticamente contagiado pela alegria extravasada, pela fusão de um “sportinguismo” esfumado e constantemente recalcado; entraram em campo as modalidades do clube, devidamente alinhadas e cientes de que estavam sob as ordens do Reino de Leão e sob a supervisão de rugidos de alerta no ataque às diversas presas que por ali passassem.
“O Mundo Sabe Que” entoado, num uníssono arrepiante, era o mote e os níveis de confiança repunham-se. Aplaudimos a equipa, incitamos palavras de coragem e içamos cânticos de apoio, de início ao fim. As refeições confecionavam-se com a dosagem necessária de medo e pressão do público introduzidas no caldeirão a ferver. No sonho, fomos eternamente invictos. Na realidade, poucas vezes nos vergamos.
Durante (quase) duas décadas, edificou-se uma fortaleza imponente. Um veículo à prova de todo o arsenal de artilharia existente, rebocado pelas gargantas que não emudeciam e que empurravam a equipa no sentido da vitória e que olvidou a desdita que caracterizava o “desporto rei”. Sem a senil nave, o Sporting era um clube putrefacto. Com ela, tornou-se um clube de modalidades que tinha futebol.
Uma meia hora perfeita, se não fosse um sopro agudo nos meus tímpanos. De flauta em riste, lá estava o meu irmão, concentrado na escala musical. Abracei-o e prometi que, quando soubesse tocar, lhe ensinava o “O Mundo Sabe Que”.