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Rivaldo: Um lugar no Olimpo

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Deuses, heróis, mitos, filosofia, Zeus, Alexandre O Grande, Platão ou Aristóteles são algumas das palavras e figuras que nos vêm à memória quando nos falam na Grécia. Actualmente, no plano desportivo, o golo solitário de Charisteas na final do Euro 2004 será certamente a lembrança grega mais fresca na cabeça de todos nós portugueses. No entanto, quando pensamos em Futebol e Grécia simultaneamente há um nome que nem sempre nos vem há memória: Rivaldo Vítor Borba Ferreira.

Decorria a época 2003/2004 quando Rivaldo, Campeão Europeu em título pelo Milan, decide deixar o clube e rumar ao Brasil para representar o Cruzeiro. Após época e meia em Milão, em que o seu rendimento tinha ficado muito aquém daquilo que haviam sido as expectativas, o seu regresso ao Brasil, com 31 anos, foi encarado como um ponto final na sua carreira ao mais alto nível. Para trás ficavam os tempos áureos do Barcelona ou do seu incrível Mundial da Coreia e Japão em 2002. Com uma Bola de Ouro e um Prémio de Melhor do Mundo FIFA no currículo, Rivaldo poderia ter terminado em casa e em beleza os últimos anos do seu futebol. Provavelmente, nem o próprio estaria perto de imaginar quão erradas estavam essas previsões.

Após 10 jogos no Cruzeiro, e depois de muitos rumores de regresso à Europa, inclusivamente ao FC Porto, Rivaldo, com 32 anos, assina pelo Olympiacos no verão de 2004. O Panathinaikos era o campeão em título, mas 2 empates nas últimas 3 jornadas permitiram ao Olympiacos sagrar-se campeão com apenas mais 1 ponto do que o rival. A vitória na Taça da Grécia coroou o regresso do brasileiro à Europa com uma dobradinha, numa caminhada onde Rivaldo foi absolutamente decisivo.

Rivaldo deixou a sua marca no Pireu Fonte: Goal.com
Rivaldo deixou a sua marca no Pireu
Fonte: Goal.com

Nos 2 anos seguintes o Olympiacos haveria de conquistar mais 2 campeonatos e uma taça, sempre com Rivaldo ao mais alto nível. Na sua terceira e última época ao serviço do clube do http://www.a-sports.gr Pireu, já com 34 anos, Rivaldo apontou 17 golos em 31 jogos, deixando o seu nome gravado lado a lado com os Deuses do Olimpo com a impressionante marca de 43 golos em 95 jogos!

Seria uma epopeia de sonho terminar a sua passagem na Grécia desta forma, no entanto, e apesar das três épocas impressionantes e de muitos adeptos o considerarem como o melhor jogador de sempre a actuar pelo clube, Rivaldo rescinde o contrato com o Olympiacos em litígio com o Presidente, alegando salários em atraso. No entanto, muitas vozes referiram que o Presidente havia dispensado Rivaldo pois acreditava que a sua idade, 35 anos, já não lhe permitiria jogar ao mais alto nível.

Contudo, à imagem dos heróis da Mitologia Grega, a odisseia de Rivaldo não ficaria por aqui dado que uma das suas mais belas e frustrantes páginas ainda estaria por escrever. Após a sua rescisão com o Olympiacos o brasileiro iria surpreendentemente assinar pelo rival AEK de Atenas para cumprir a temporada de 2007/2008.

Oito séries e muito para contar

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Quem diria que já vamos em semana e meia de playoffs? As histórias são muitas e as horas de sono são inversamente proporcionais ao número de jogos. Os Cavs já arrumaram a questão e esperam saber agora, sentados, quem sair vivo da luta que um dia Hollywood tornará em filme, entre dinossauros e veados. Os Grizzlies mostraram que valem mais do que aquilo que se esperava deles e os velhotes Nenê e Joe Johnson vão fazendo a diferença para surpresa de todos. Ah, os Warriors tiveram o desplante de “descansar” Kevin Durant e, mesmo assim, ganhar em Portland… Como é normal na presença de tantas histórias, muito do que podem ler a seguir nada mais é do que pura ficção. Ou, por outro lado, uma visão diferente da realidade.

No Este, uma série já acabou e foi aquela na qual está presente LeBron James, para variar um bocadinho. “LeBron fez isto”, “LeBron fez aquilo” e “Quem precisa de Irving e Love para recuperar 26 pontos de desvantagem?” foram as capas dos jornais referentes a uma série que acabou rapidamente e sem surpresas. Para os lados de Indiana, a cada lançamento falhado de Lance Stephenson e companhia Paul George ia-se afastando dos Pacers mais um bocadinho. Nesta altura, é provável que o encontrem algures entre Oklahoma e New Mexico. O adversário da equipa de Cleveland virá do confronto entre Raptors e Bucks, que, pela amostra, parecem pouco interessados em avançar para a ronda seguinte. Ambos os conjuntos vão alternando maus jogos, tentando provar quem consegue fazer pior. A prestação dos Raptors no jogo 3 parece levar vantagem nesse capítulo, mas é a equipa de Toronto que está mais perto de reencontrar os Cavs.

No confronto entre 1.º e 8.º, Celtics e Bulls encontram-se agora empatados a dois, com ambos a vencerem apenas fora de casa. Rajon Rondo vinha sendo o elemento mais importante da equipa de Chicago, mas a sua lesão levou-o a ter de usar fatos de manga curta e pregar rasteiras aos adversários sentado no banco, dando aos Celtics a oportunidade de não serem os piores primeiros classificados da história. Na outra série, Dwight Howard, outrora um dos postes mais dominadores da NBA, viveu uma situação constrangedora quando, sentado na bancada no jogo 3 entre Hawks e Wizards, ouviu o seu nome ser chamado, logo a seguir à expressão “At center, for the Hawks”. De fato vestido e com coisas combinadas para depois do jogo, decidiu não ir a jogo. Ainda assim, dignou-se a aparecer para o jogo 4, contribuindo para a segunda vitória da equipa de Atlanta.

Os Warriors vão semeando o medo na NBA, mesmo a meio-gás Fonte: NBA
Os Warriors vão semeando o medo na NBA, mesmo a meio-gás
Fonte: NBA

No Oeste, os Warriors vão gerindo a série frente aos Portland Trail Blazers, que é como quem diz “A outra equipa é muito mais fraca e o nosso mínimo é apenas o necessário para ganhar isto”. Deu para Kevin Durant descansar… Perdão, ficar de fora por lesão no gémeo no primeiro jogo fora de portas e, mesmo assim, recuperar de uma desvantagem de 16 pontos em pouco mais de quatro minutos. Na guerra entre Jazz e Clippers, Gobert lesionou-se com alguns segundos de jogo na primeira partida e já regressou, Blake Griffin vai falhar os restantes jogos com uma lesão no pé e Gordon Hayward falhou o jogo 4 com uma intoxicação alimentar. Apesar de tudo isto, Joe Johnson tem sido a principal história da série. De bengala numa mão e bola na outra, “Iso Joe” garantiu aos Jazz as duas vitórias da equipa de Utah e o equilíbrio na série mais imprevisível destes playoffs.

Kawhi Leonard foi batendo o seu recorde de pontos nos playoffs nos jogos dos Spurs em casa, mas o treinador dos Grizzlies fartou-se e, numa conferência de imprensa que deu origem a “memes” e t-shirts engraçadas que são apenas mais uma fonte de rendimento para as equipas da NBA, reclamou das vezes que Kawhi ia à linha de lance-livre. E a verdade é que resultou! Leonard continuou a ser estupidamente bom mas os restantes Spurs decidiram parar de aparecer nos jogos e a dupla Conley/Marc Gasol valeu aos Grizzlies o empate na série. Finalmente, no duelo dos MVP’s, Westbrook vai colecionando triplos-duplos e James Harden vitórias.

Tudo se mantém igual, portanto. Pode-se dizer que Westbrook tem sido um pouco mais influente na sua equipa do que Harden, como seria de esperar; porém, o base dos Rockets pode contar com armas como Eric Gordon, Lou Williams ou o inesperado Nenê, que acertou todos os seus lançamentos no jogo 4 e contribuiu assim com 28 pontos para a terceira vitória e (quase) ponto final no confronto para os Houston Rockets.

Foto de Capa: NBA

Dragão da semana: Alex Telles

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Alex Telles rubricou no último Domingo mais uma grande exibição no empate caseiro do FC Porto diante o Feirense, que terminou num empate a zero bolas. Foi, na minha opinião, o melhor jogador dos azuis e brancos, mais uma grande demonstração de todo o seu talento.

Chegou ao FC Porto no último defeso, vindo do Inter de Milão onde se encontrava por empréstimo dos Turcos do Galatasaray. Uma transferência no valor de 6,5 Milhões de Euros.

Alex Telles tem sido, na minha opinião, o melhor defesa esquerdo do Campeonato e penso que esta opinião é partilhada por grande parte da “tribo do Futebol”. Consistência defensiva, grande profundidade que consegue dar no seu corredor, enorme facilidade de cruzamento, rápido, agressivo na marcação e tecnicamente evoluído faz de Alex Telles com 24 anos um dos grandes defesas esquerdos do Futebol Mundial.

Alex Telles uma peça chave no onze de NES Fonte : FC Porto
Alex Telles uma peça chave no onze de NES
Fonte : FC Porto

Recentemente o antigo internacional Brasileiro Roberto Carlos (Talvez o melhor defesa esquerdo de sempre do Futebol Mundial) considerou Alex Telles um fenómeno, sim são palavras dele e não minhas, e quem melhor para avaliar o defesa esquerdo portista do que o grande Roberto Carlos.

Os números de Alex Telles esta época são impressionantes: 41 jogos realizados, 3632 minutos de utilização são a prova de uma regularidade impressionante. Apontou um golo e fez 10 assistências sendo que oito foram no Campeonato superado apenas por Gelson Martins com nove.

Nasceu no Brasil mais propriamente em Caxias do Sul mas tem também nacionalidade Italiana e por isso neste momento quer a seleção Italiana quer a seleção Brasileira olham para Alex com muita atenção.

Alex Telles foi um verdadeiro reforço para o FC Porto e para o Futebol Portugues.

Foto de capa: FC Porto

Comportamento presidencial

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Estes últimos dias foram controversos e complicados de digerir. Num apanhado ao que aconteceu, intensificou-se o mau ambiente entre claques, as relações entre Sporting e Benfica ficaram piores do que já estavam, Bruno de Carvalho voltou a deitar gasolina para a fogueira e, para piorar tudo, uma pessoa, que nem era de cá, morreu no meio desta confusão.

Nesta altura o futebol português volta a atravessar uma fase muito negra, acentuada pela morte de um adepto da Fiorentina que foi atropelado junto ao Estádio da Luz, numa noite onde se diz que as claques de ambos os clubes tinham combinado encontrarem-se para um ajuste de contas à antiga.

Até ver sabe-se que tal confronto não chegou acontecer e que o responsável pelo atropelamento se entregou passadas poucas horas à Polícia Judiciária. Este é o panorama da situação, mas não é tudo.

O presidente do Sporting fez um convite na sexta-feira, um dia antes do clássico, a Luís Filipe Vieira para que este fosse assistir ao jogo no camarote presidencial do estádio de Alvalade numa tentativa de serenar os ânimos entre os dois clubes e, quiçá, reatar relações. Porém, o convite não ficou por aqui. No mesmo, Bruno de Carvalho diz que a morte de Marco Ficini é da inteira responsabilidade do Benfica e que Luís Filipe Vieira devia ter “vergonha” de esconder os cobardes que praticaram este crime.

Antes de irmos ao comportamento de Vieira depois destas declarações, vamos analisar um pouco o que foi dito e o que se passou. É facto consumado, incorrigível e inegável que morreu uma pessoa perto do Estádio da Luz. Também é do domínio público que essa pessoa estava a passar pelo estádio a horas que não ocorrem a ninguém, mas isso pouco importa, e que o autor do crime se entregou.

Será que por ter sido perto da Luz é possível saltar logo para a conclusão de que foi um benfiquista? Se existia um confronto entre as claques dos dois clubes, o que é que ele estava lá a fazer? Ele morreu porque o condutor assim fez para que tal acontecesse ou porque no meio da azáfama inicial o condutor quis sair dali para não sofrer danos e acabou por cometer uma desgraça?

Luís Filipe Vieira é o líder do Sport Lisboa e Benfica Fonte: SL Benfica
Luís Filipe Vieira é o líder do Sport Lisboa e Benfica
Fonte: SL Benfica

Não me quero estender nem fazer de advogado de alguma das partes, até porque não é esse o meu papel; apenas acho que devemos olhar para tudo e pensar nas coisas antes de acusarmos, sem fundamentos e sem informação completa e o conhecimento dos factos, alguém ou uma entidade de alguma coisa.

Voltando à vaca fria. Como é que Vieira respondeu a estas acusações e se comportou perante elas ? Não da melhor maneira, sejamos honestos. Esteve melhor do que BdC, mas isso não é difícil nem este deve ser uma referência. Acusou Bruno de Carvalho de ser um demagogo sem papas na língua, disse que ele devia ter vergonha de dizer barbaridades deste estilo e comparou-o a Vale e Azevedo. Até ver Vale e Azevedo e Bruno de Carvalho só são parecidos, um pouco, na forma de agir. Até que Bruno esteja envolvido em esquemas de lavagem de dinheiro, fraude e um sério problema capilar que o pode levar a considerar pôr transplantes made in “barba de duas semanas de Jefferson” na cabeça, eles ainda estão longe de ser o espelho um do outro.

Basicamente, Vieira esteve bem, mas quase se deixou levar pelo comportamento de Bruno ao ter dito o que disse. Foi um deslize. Até então, Luís Filipe Vieira tem-se sabido comportar perante este tipo de situações. Ele é o responsável pelo regresso do Benfica aos títulos e pelas tomadas de decisão mais importantes dentro do clube, e disso não há um benfiquista que se possa queixar com grande enfâse. Desta vez foi menos bem, mas para a próxima já não deverá ser igual.

Foto de Capa: SL Benfica

O pior derby de sempre

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Afinal quanto vale uma vida humana? Até onde pode chegar o fanatismo dos mais cépticos? Qual o preço a pagar pelo comportamento doentio e irracional daqueles que pensam que podem tirar uma vida como quem destrói uma onda do mar?

São perguntas a que, provavelmente, nunca vamos encontrar as respostas. Toda a envolvência do  derby de Lisboa foi um fiasco e nada, rigorosamente nada, se pode retirar de positivo ou de boa memória.

Partida muita fraca e sem brilhantismo, sem lances virtuosos, sem qualquer emoção e sem a espetacularidade que um jogo desta categoria merece. Uma equipa que não tem nada a perder, que já tinha afirmado estar fora da discussão do título, esteve noventa minutos presa às dinâmicas ofensivas do adversário e isso deve-se à estratégia que Jorge Jesus montou. Alan Ruiz realizou um jogo paupérrimo e não se compreende como é que Bruno César faz quase noventa minutos apenas com a tarefa de defender Nélson Semedo. O jogo pedia um Sporting solto, livre de qualquer compromisso ou responsabilidade e, mesmo marcando cedo via oferenda de Ederson, a equipa leonina foi deixando o Benfica subir no terreno, perdendo intensidade e agressividade à medida que o jogo ia decorrendo. Porém, desperdiçou a melhor oportunidade para marcar novamente por Bas Dost. O Holandês teve nos pés a ocasião dourada para poder aumentar a vantagem no marcador.

Artur Soares Dias esteve ao nível da mediocridade do jogo. Sem qualquer interferência no resultado, actuou mal no capítulo disciplinar, assinalando até consecutivas faltas ofensivas sem nexo. Aceita-se a marcação da falta que precede o golo do Benfica, mas, à distância que estava do lance, pedia-se uma melhor análise.

O apoio aos clubes devia ser apenas isto Fonte: Juventude Leonina 1976 - JUVE LEO
O apoio aos clubes devia ser apenas isto
Fonte: Juventude Leonina 1976 – JUVE LEO

Verificou-se em jornais desportivos “especialistas”, a análise dos lances da partida que criam dúvida em qualquer ser humano. No entanto, a área escolhida está equivocada por se tratarem de diagnósticos a roçar um nível científico só praticado nos laboratórios da NASA. Se juntarmos estas examinações aos dirigentes desportivos e respectivos órgãos de comunicação social é, extremamente fácil de entender, porque é que existe violência no futebol e a dificuldade que se vai tendo em poder contornar esta má imagem que temos vindo a espalhar.

O futebol devia ser vivido em clima de festa onde não houvesse pavor em levar a família a participar. Não podemos viver com medo de entrar num estádio com um cachecol posto para apoiar o nosso clube. Não devemos ter receio de andar na rua vestidos com a camisola das nossas cores. Todos temos o direito de poder escolher e sair livremente sem que um soco, um pontapé, uma garrafa, uma pedra ou até um carro nos prive dessa liberdade! O trabalho das direcções que representam cada clube deve preservar e apoiar o espectáculo.

Não podemos deixar que as frustrações do nosso quotidiano se tornem prioridades e, principalmente, não devemos ser cruelmente cépticos. Só se vive uma vez, mas se soubermos viver bem, uma vez é suficiente.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

Rodrigo Caio e o seu condenável Fair-Play

Cabeçalho Liga Brasileira

O assunto mais comentado no futebol brasileiro nessa semana foi a atitude do zagueiro são-paulino Rodrigo Caio em um lance da partida contra o Corinthians, pelo Campeonato Paulista. No referido lance o zagueiro protegia a bola contra a investida do atacante adversário, Jô, enquanto o seu goleiro, Renan Ribeiro, saia do gol para agarrar a bola. Porém, Rodrigo Caio acabou acertando o goleiro, sem ter tido a intenção, mas o juiz entendeu que quem o acertou foi o atacante corintiano.

Pela suposta falta o arbitro advertiu Jô com um cartão amarelo. Entretanto, Rodrigo Caio o informou que havia sido ele que havia pisado no goleiro. Após ter avisado ao juiz o cartão amarelo dado ao Jô foi retirado. Abaixo o vídeo do lance.

A atitude de fair play do são-paulino foi tema de debate durante toda a semana nos maiores programas esportivos brasileiros e dividiu opiniões. Admito que me surpreendi tanta repercussão. Talvez seja pela falta de atitudes nobres no futebol – e até mesmo na nossa sociedade apodrecida – que um lance de pura honestidade de um jogador seja tão comentado. Entre tantos comentários os que me deixa mais estarrecido são os que condenam a atitude do atleta. Inclusive sua atitude foi recriminada por parte do elenco, da torcida e da comissão técnica do São Paulo.

A alegação é sempre a mesma: “E se fosse eles teriam a mesma atitude?”. Essa é uma alegação pequena mediante ao gesto do Rodrigo Caio. Chegamos ao ponto em que criticamos alguém que agiu com honestidade, inclusive muitos comentários foram de que um jogador assim não pode atuar no seu time. É assustador. Destaco o comentário do ex-portista Maicon: “É melhor a mãe dele chorando do que a minha. Essa é a minha percepção. Prefiro a mãe dos meus adversários chorando do que a minha.”

Não sei se o Rodrigo Caio teria a mesma atitude em algum lance mais relevante no jogo ou se terá essa atitude no futuro, não importa. A atitude que teve serviu para abrir uma discussão e vermos que podemos ter um futebol mais limpo, sem desonestidades e simulações. O futebol brasileiro chegou ao ponto de que as simulações não são mais restritas aos jogadores. Incrivelmente tivemos esse ano simulação de agressão feito por juiz, por gandula e até mesmo tivemos o treinador Antônio Carlos, do Internacional, simulando uma agressão. Foi um momento patético e constrangedor para o Zago.

Merecemos um futebol melhor. Parabéns e obrigado, Rodrigo Caio!!!

Foto de capa: São Paulo FC

Moreirense FC 0-0 GD Chaves: Nulo penalizador para os cónegos

Cabeçalho Futebol Nacional

Na jornada 30 da Liga NOS, Moreirense e Chaves encontraram-se no Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas para uma partida ajuizada por Hugo Miguel.

Os pupilos de Petit pretendiam ampliar a distância relativamente aos lugares de despromoção e, por outro lado, a equipa de Ricardo Soares tentava a aproximação à meta dos 40 pontos outrora estabelecida por Jorge Simão.

Após um início marcado por um encaixe tático, Nildo Petrolina protagonizou, ao minuto 10, o primeiro remate do jogo, que saiu ao lado da baliza defendida por Ricardo. Dois minutos depois, na sequência de um mau alívio de Nuno André Coelho, Dramé, com um remate cruzado, testou a atenção do guardião flaviense, que mostrou bons reflexos. Continuando a exibir um grande caudal ofensivo, o costarriquenho Ramírez dirigiu, aos 34 minutos, um remate para o centro da baliza dos transmontanos, depois de um notável trabalho individual sobre Carlos Ponck. A poucos minutos do intervalo, Ricardo foi determinante para segurar o nulo, realizando devidamente a mancha a Dramé e voando para um livre fortemente cobrado por Nildo Petrolina.

Fonte: FPF
Fonte: FPF

Na entrada para a segunda metade, o Chaves demonstrou a sua superioridade, mesmo sem criar quaisquer ocasiões de golo. Resguardando-se de forma inteligente numa primeira fase, a formação caseira foi progressivamente retomando o seu poderio ofensivo. Ao minuto 62, com a cobrança de um livre lateral de Nildo Petrolina, Diego Ivo cabeceou o esférico, inaugurando o marcador. No entanto, Hugo Miguel invalidou o golo por suposto fora-de-jogo do central do Moreirense. Naquela que foi a última oportunidade digna de registo, Pedro Rebocho, aos 70 minutos, tentou a sorte, subindo no terreno e rematando violentamente acima da baliza à guarda de Ricardo.

Feitas as contas, o Moreirense permanece em antepenúltimo, a dois pontos dos lugares aflitivos, e o Chaves ocupa tranquilamente a oitava posição da tabela classificativa.

Foto de Capa: GD Chaves

«Tínhamos um país inteiro à volta do aeroporto» – Entrevista José Bizarro

cab reportagem bola na rede

O nome de José Bizarro não é indiferente a muitos dos adeptos de futebol portugueses, sobretudo os que viveram o final da década de 80 e inícios de 90, que se recordam das exibições do guarda-redes que manteve um sonho que se manteve real – o Mundial de Sub20 de 1989.

Em Ríade, na Arábia Saudita, ao lado de nomes como os de João Vieira Pinto, Paulo Sousa ou Fernando Couto, membros honorários da Geração de Ouro, conquistou um dos primeiros troféus (e aquele que mais impacto teve, até então) das seleções lusas.

Na guarda da baliza nacional, deu um contributo enorme para que o tal sonho fosse posível, mantendo-a inviolada em 5 dos 6 jogos (totalista) que disputou.

Bizarro, em cima, à esquerda, foi fundamental para a conquista do Mundial de Sub20 Fonte: FB de José Bizarro
Bizarro, na primeira fila, à direita, foi fundamental para a conquista do Mundial de Sub20
Fonte: FB de José Bizarro

A carreira do miúdo, com formação dividida entre Leixões, FC Porto e Benfica não conheceu, porém uma trajectória condizente com a façanha conseguida ao serviço dos sub20.

Depois do Mundial, deixou o Benfica e passou por Leixões, Louletano e Ovarense até chegar ao Marítimo, onde deixou uma marca vincada durante 5 épocas, antes de rumar a Espanha. Esteve três temporadas no país vizinho até vir terminar a carreira em Portugal, ao serviço do Maia.

Um percruso destes aguçou, claro, a curiosidade do Bola na Rede, que convidou José Bizarro para uma entrevista à qual, o agora técnico do Coimbrões, gentilmente, acedeu.

Benfica Sub19 1-2 Salzburgo Sub19: 5 minutos fatais

Cabeçalho Futebol Internacional

Hoje escrever-se-ia sempre uma das páginas mais bonitas da história do futebol de formação em Portugal. Aos títulos de selecções (dois Mundiais de sub20 e um europeu de sub17 conquistado o ano passado), esperava-se juntar-se um de clubes. Não aconteceu. O Benfica não se sagrou campeão europeu de sub19, mas a presença de um clube português na final da Liga dos Campeões dos miúdos é um atestado de competência a quem forma homens e jogadores no nosso país.

O início de jogo, como seria de esperar, foi banhado a nervosismo de parte a parte. A pressão da iminência da história criava borboletas na barriga e dores no peito a miúdos a aprender a lidar com estas situações.

Neste contexto, as oportunidades de golo escassearam nos primeiros instantes, sendo preciso esperar até ao minuto 26 pela primeira verdadeira ocasião de golo. Diogo Gonçalves, sobre a esquerda da àrea do Salzburgo, servido por João Filipe, atirou à trave da baliza austríaca. Estava desembaraçado o nervosismo e perdida a vergonha. A carreira de tiro abriu, e o Benfica, na segunda ocasião que teve, marcou. João Filipe (outra vez) cobrou livre sobre a direita e encontrou a cabeçada certeira de José Gomes. Estava inaugurado o marcador aos 29 minutos.

Presença encarnada na final da competição deixou o país futebolístico orgulhoso Fonte: UEFA.com
Presença encarnada na final da competição deixou o país futebolístico orgulhoso
Fonte: UEFA.com

Até final da primeira parte, o Benfica tratou de gerir o jogo, circulando de forma mais lenta e certeira. Adaptou-se às circunstâncias, como equipa grande que já é, mesmo com o obstáculo da pressão alta do Salzburgo. Não se livrou, porém de sustos, como o remate de Berisha, na pequena àrea, que saiu por cima da baliza defendida por Fábio Duarte. Fora isso, o jogo era dos encarnados. Uma sensação de controlo que levaram para os balneários.

Um controlo que se manteve na segunda parte. Tanto emocional, como no resultado. Pena só ter durado 25 minutos, altura em que os austríacos, já com Patson  em campo, chegaram ao empate, pela recém entrada arma secreta.

O Benfica caiu muito, e adivinhava-se uma reviravolta que se viria a confirmar 5 minutos depois do golo da igualdade. Num lance gizado por Wolf e concretizado por Schmidt, o Salzburgo deu a cambalhota no marcador e passou para a frente da decisão da final da UEFA Youth League.

Os encarnados, demasiado combalidos emocionalmente, demoraram a reagir, esboçaram dois remates de inconformismo (por Vinicius) que fizeram renascer a esperança, mas já era tarde demais para ressuscitar um sonho morto em 5 minutos.

Foto de Capa: UEFA

Portimonense de volta à elite: o triunfo de um projeto

Cabeçalho Futebol Nacional

Confirma-se! O Portimonense Sporting Clube está de regresso ao escalão maior do futebol português. A equipa beneficiou da derrota copiosa do Varzim SC (4-0 ao Sporting da Covilhã) e pode já começar a fazer a festa.

A verdade é que este era o cenário mais esperado por quem tem acompanhado a Liga Ledman Pro, visto que o Portimonense SC rapidamente mostrou ser uma equipa de um nível claramente acima das restantes, colocando-se imediatamente na zona de subida e assumindo a liderança da Segunda Liga à sexta jornada, para nunca mais a largar.

Finda a primeira volta da Liga Ledman Pro, na 21.ª jornada, o Portimonense SC já estava destacadíssimo na liderança da Segunda Liga, com 52 pontos, mais 17 que o terceiro classificado. E, como tal, aí já se percebia que só mesmo um milagre iria retirar o sonho da primeira divisão ao clube algarvio.

Fonte: Portimonense SC
Fonte: Portimonense SC

Para além da equipa algarvia, também o Clube Desportivo das Aves  está com um pé na Liga NOS. Com quatro jornadas por disputar, o CD Aves está a 12 pontos do terceiro classificado – o FC Penafiel – e precisa de apenas um empate para carimbar a sua quarta presença no escalão maior do futebol português.

Foto de Capa: Ana Borralho/Portimonense SC