Na madrugada de Sábado, na véspera do Sporting-Benfica, um adepto do Sporting foi mortalmente atropelado na sequência de confrontos entre adeptos das duas equipas.
Este trágico episódio não constitui qualquer surpresa para as pessoas que acompanham o fenómeno futebolístico em Portugal, que atingiu este ano níveis de ódio e animosidade nunca antes vistos.
A culpa, essa recai inteiramente sobre os dirigentes de Benfica, Porto e Sporting (e respetivos diretores de comunicação), que têm alimentado diariamente ao longo do último ano um verdadeiro clima de guerra. Guerra contra os adversários, guerra contra os árbitros, guerra contra tudo e contra todos.
Fonte: UEFA
Não sejamos hipócritas, seja pela boca dos próprios treinadores, diretores de comunicação ou presidentes, ou seja pela boca dos seus comissários encartilhados, todos são igualmente responsáveis pelo episódio de sábado, e esse peso deverá recair sobre as suas consciências (se as tiverem) até ao fim dos seus dias.
Todos nós portugueses adoramos e vivemos o futebol como poucos. Essa nossa devoção permite-nos atingir feitos quase impossíveis atendendo à nossa pequena dimensão geográfica, como o facto de já termos tido três vencedores da Bola de Ouro ou até sermos os atuais campeões europeus de seleções. Mas também acarreta sérias responsabilidades aos nossos dirigentes, que falam diretamente com o seu público exclusivo e fiel, e que se revêm em tudo o que dizem.
Em dia de dérbi, ao acordarmos dávamos já de caras com um triste cenário de violência e morte, e não vou dizer que alguém matou pela simples razão de ser adepto de um determinado clube, mas o que antes poderíamos considerar um acidente começa agora, pela reincidência, a tornar-se preocupante. Tudo isto é culpa de quem mata, de quem festeja a morte, e de quem os apoia ainda que sem ser de uma forma oficial.
Este dérbi deixou portanto de ter qualquer importância para quem tem um mínimo de humanidade e valores, excepto para aqueles que provavelmente irão ter um novo cântico para levar aos estádios e pavilhões.
Marco Finici foi lembrado na noite de Alvalade Fonte: Super Sporting
A ver pela amostra verificada nas redes sociais, houve quem rejubilasse mais com este triste episódio do que com qualquer vitória em campo que o seu clube pudesse alcançar, o que poderia ser um sinal premonitório do ambiente que se poderia gerar num dia que deveria ser de festa. Juntando a isto o facto de termos treinadores que precocemente dizem que não se cumprimentarão e um presidente a recusar um convite com intuito de passar a imagem para as massas do espírito com que se deveria enfrentar este desafio, bastava-nos apenas rezar para que houvesse bom senso de adeptos, que viessem ao jogo com a única finalidade de apoiar o seu clube. De qualquer forma, e tentando focar-me apenas no jogo jogado pelos verdadeiros artistas, vamos ao rescaldo de um jogo que tinha tudo para ser um excelente espectáculo.
Antes de começar o jogo, houve um momento de homenagem a Marco Ficini, vítima de atropelamento provocado por um suposto adepto do Benfica. Estranha foi a forma como a claque deste clube decidiu cumprir o momento de silêncio, mas cada um saberá de si, e tenho a certeza de que muitos não se irão rever nesses actos. As constituições das equipas não trouxeram quase nada de novo. Apenas confirmaram a ausência de Jonas por lesão na equipa visitante, e uma epifania de Jorge Jesus ao, finalmente, voltar à melhor dupla de centrais que o Sporting tem nas suas fileiras.
O jogo começou com uma entrada forte do Sporting, a pressionar alto, a não permitir que a equipa adversária saísse a jogar, obrigando-a a trocar bolas na defesa. E foi numa dessas trocas, com um toque a mais de Ederson na bola, que Bas Dost encarnou a veia pressionante, que nunca desiste de um lance, de Slimani ou Liedson, conseguindo roubar a bola ao guardião encarnado e sofrer penálti. Esse lance foi concretizado pelo nosso capitão, que em boa hora voltou à nossa equipa. Depois disso, o jogo desenrolou-se no meio campo, poucas vezes bem jogado, em que as equipas apenas criavam perigo em contra-ataque devido a perdas de bola do adversário.
No final da primeira parte, o Benfica ainda teve dois lances (que seriam um, uma vez que assinalando-se o primeiro não teria havido o segundo) quase consecutivos na área leonina em que se queixavam da existência de faltas para penálti, que efectivamente existiram e deveriam ter sido assinaladas pelo árbitro Artur Soares Dias (não considero o de William merecedor de marcação de falta).
Noite de grandes decisões para o campeonato, com Porto a espera em casa de ver o que acontecia no grande dérbi da cidade de Lisboa. O Benfica apresentou-se com a novidade de Cervi no lugar de Jonas, que se encontra limitado fisicamente, e o Sporting apresentou-se com 2 novidades no onze, Paulo Oliveira no centro da defesa e Jefferson no lado esquerdo da mesma.
O jogo começou com o Sporting bastante forte a pressionar a defesa benfiquista, e logo aos 5 minutos um erro de Ederson, que fica a dormir com a bola nos pés, permite que Bas Dost recupere a bola e Ederson acaba por cometer grande penalidade sobre o anterior. Chamado a marcação da grande penalidade o capitão leonino Adrien Silva não falhou e fez assim o marcador subir em Alvalade 1-0 para o clube da casa. Fruto do golo sofrido o Benfica esteve um pouco perdido até aos 20 minutos de jogo. A partir desse momento o jogo esteve equilibrado sendo muito disputado a nível de meio campo sem oportunidades claras para nenhuma equipa, este ritmo foi-se mantendo até aos 40 minutos, até que o Benfica nos últimos cinco minutos cria três jogadas de perigo.
A primeira por Grimaldo na sequência de uma bola colocada nas costas da defesa, este controla a bola e é tocado em falta dentro da área, sendo que o arbitro nada assinala. Logo de seguida, Grimaldo outra vez, desta vez na sequência de um pontapé livre a entrada da área permite que Patricio faça a defesa da noite, atirando a bola para canto. Na sequência do canto, mais uma jogada com polémica, com Bruno César a carregar Lindelof nas costas, quando este se encontrava no ar para cabecear a bola, mas o arbitro nada assinala. A 3ª e ultima jogada de perigo surge quando Rafa recebe a bola e parte para cima da defesa levando William atrás dele, sendo mais uma jogada passível de falta dentro da área que não foi marcada.
Chegamos assim ao intervalo com o Sporting a ganhar por 1-0, três jogadas bastante polémicas na recta final da primeira parte, com duas deles de difícil julgamento.
Segunda parte, ambas as equipas entraram sem alterações nos 11 inicias, tal como na primeira parte o Sporting entrou bastante forte, o Benfica veio bastante desligado, e Bas Dost poderia ter feito o 2-0 por duas vezes nos primeiros 10 minutos. Aos 58’ minutos primeira substituição na equipa do Benfica entrou Jimenez, que voltava de lesão, para o lugar de Rafa, que fez um jogo bastante discreto. Esta substituição veio equilibrar a equipa e permitiu ao Benfica recuperar um pouco o controlo do meio campo que tinha perdido no inicio da segunda parte.
Aos 66’ minutos chega então a jogada da noite para a equipa Benfiquista, Lindelof na sequência de um pontapé livre directo, em posição similar ao marcado por Grimaldo na primeira parte, bate a bola sem qualquer hipótese de defesa para Rui Patricio. 1-1 estava assim feito o empate que garantia a permanência no 1º lugar do campeonato. A partir desse momento o jogo voltou ao mesmo ritmo da primeira parte, dividido a meio campo sem muitas oportunidades, o Sporting tentava explorar o lado esquerdo da defesa benfiquista com sprints consecutivos da parte de Gélson, mas Cervi sempre exímio na cobertura defensiva segurava o resultado. E o Benfica tentava com contra-ataques chegar ao golo mas sem nunca criar verdadeiro perigo.
Terminou assim o dérbi empatado a 1 bola. Um jogo muito tático e físico a nível de meio campo, sem oportunidades por demais para ambas equipas, e com um para de casos para serem discutidos pela imprensa.
O cinismo italiano de Conte chegou para bater o futebol romântico de Pochettino. O Tottenham esteve quase sempre por cima do jogo, procurou mais o golo, mas o Chelsea, bem ao estilo de Conte, mostrou-se frio e pragmático e conseguiu passar à final da FA Cup.
Com Hazard, Diego Costa e Gary Cahill no banco, os blues inauguraram cedo o marcador. Pedrito, aos 5’, ganhou uma falta à entrada da área, que Willian tratou prontamente de converter.
O Tottenham reagiu, foi à procura do empate, e este surgiu não muito tempo depois. Erikson cruzou à procura da referência de Harry Kane, e o inglês, num grande movimento, cabeceou para o fundo das redes.
Os comandados de Pochettino, como é habitual, continuaram a fazer imperar o seu jogo, fazendo sempre uma circulação de bola de qualidade e jogando muitas vezes no meio-campo adversário. Mas foi o pragmatismo dos pupilos de Conte a alterar novamente o resultado.
Numa das poucas investidas atacantes do Chelsea no 1.º tempo, Moses cavou um penálti a Son e Willian, chamado à marca dos 11 metros, bisou na partida. Foi um resultado ingrato para os spurs, que ao longo dos primeiros 45 minutos demonstraram sempre mais argumentos para chegar à baliza de Courtois do que o seu adversário.
Willian bisou na partida Fonte: Facebook do Chelsea FC
Mas a vantagem do líder da Premier League não durou muito. Logo no início da 2.ª parte, aos 52’, Eriksen protagonizou um dos momentos da tarde. Grande passe do dinamarquês entre as costas da defesa blue e Courtois, e Dele Alli a empatar a partida. Grande visão de jogo de Christian Eriksen.
Tal como tinha acontecido na 1.ª parte, o Tottenham não abrandou e continuou a tomar as rédeas do jogo, rondando sempre a baliza do Chelsea.
À passagem da hora de jogo, Antonio Conte colocou a carne toda no assador e o Hazard e companhia partiram para a vitória. O belga e Diego Costa substituíram o apagado Batshuayi e Willian, e as alterações resultaram na perfeição.
Aos 75’, Hazard aproveitou uma segunda bola à entrada na área e voltou a colocar a sua equipa na frente do marcador, obrigando os pupilos de Pochettino a irem novamente atrás do resultado. Só que, desta vez, Kane e companhia não conseguiram empatar e viram Matic, a dez minutos do fim, a matar a partida com um grande pontapé que entrou direitinho no ângulo.
Com o seu pragmatismo e a sua frieza, o Chelsea limitou-se a gerir o resultado até ao fim e condenou o Tottenham, que durante a maior parte do tempo demonstrou mais futebol para estar na final, à derrota.
Num jogo que marcava a estreia de Domingos Paciência no banco dos azuis do Restelo, CS Marítimo e CF ‘Os Belenenses’ defrontavam-se no Funchal, com os insulares em plena corrida aos lugares europeus.
O encontro era de grande importância para a equipa da casa, depois da vitória por 3-0 do Rio Ave no jogo inaugural da 30.ª jornada, diante do Arouca. Os vilacondenses, principais opositores do Marítimo na disputa pelo sexto lugar – o último que garantia o acesso à Liga Europa –, aproveitaram o fator casa para reduzir a desvantagem pontual para apenas dois pontos, antes da entrada em campo dos verde-rubros. Assim, cabia nesta partida aos pupilos de Daniel Ramos recuperar terreno, tendo pela frente uma equipa que ocupava um 12.º lugar relativamente tranquilo mas que atravessava uma fase menos positiva e acabava de trocar de treinador pela segunda vez na temporada.
Entrou mais forte o Marítimo, assertivo, com mais posse e domínio territorial. Depois de duas investidas dos insulares, o golo chegou aos nove minutos, numa jogada de insistência após pontapé de canto, com cruzamento bem medido de Edgar Costa e Raul Silva a surgir à entrada da pequena área e a marcar, de cabeça, o seu quinto golo da época.
Rui Silva marcou o primeiro golo dos insulares logo aos nove minutos
O Belenenses corria atrás do resultado e bem tentou chegar à igualdade, orquestrando uma boa reação. Valeu Charles, contudo, com um par de boas defesas. O bom momento da equipa de Belém manteve-se durante os 15 minutos que sucederam ao golo insular, mas a resposta belenense ficou por aí. Nos últimos minutos da primeira parte os madeirenses cediam a posse à equipa de Domingos, controlando o jogo defensivamente.
No regresso dos balneários assistia-se ao mesmo a que se havia assistido na primeira metade, até que, aos 59’, Patrick assiste para o segundo golo de Raul Silva, novamente de cabeça, a dilatar a vantagem dos madeirenses.
Ao contrário da boa reação no primeiro tempo, o Belenenses permitiu que o Marítimo continuasse a pressionar e Brito falhou por pouco o terceiro. Esse surgiria já aos 76 minutos, após um remate de Patrick, apesar de existir ainda um desvio.
Os adeptos maritimistas mostravam o seu contentamento e ensaiavam o bailinho nas bancadas, ao compasso das claques verde-rubras. Minutos finais do encontro com o Marítimo a vencer e convencer, consolidando o sexto lugar, num jogo em que o Belenenses mostrou uma boa reação na primeira parte mas pouco incomodou a baliza dos anfitriões durante a etapa complementar.
No meio de imensos textos e muito alarido sobre dois grandes e lendários jogos entre quatro grandes equipas de futebol, neste fim-de-semana, eis que o jogo mais importante, o jogo da vida, decide voltar a “atacar” e, novamente, no mundo do ciclismo. Hoje, este mundo das duas rodas ficou mais pobre…
O italiano Michele Scarponi, durante a manhã deste Sábado, estava a realizar o seu treino normal nas estradas italianas (pelas regiões de Ancona – perto da sua casa). Infelizmente, as estradas ainda não são totalmente seguras para qualquer ciclista e, após um camião colidir contra o ciclista da Astana, havia muito pouco a fazer. Segundo relatos, logo após o impacto, era bastante complicado para as equipas médicas fazerem algo mais, tal foi o choque, e o óbito foi declarado no próprio local.
Com 37 anos, este era ainda considerado um ciclista referência em Itália e na própria modalidade. Um ser humano muito acarinhado por todos os colegas de profissão, como podemos ver por toda a solidariedade demonstrada à sua volta neste momento que nem dá para retratar em palavras. Visto como alguém sempre alegre e sempre disponível para dar entrevistas e ter tempo para os seus fãs ou adeptos da modalidade, Scarponi estava a cumprir a sua 16.ª temporada como ciclista profissional.
Após a lesão de Fábio Aru, iria ser ele a liderar a equipa da Astana no Giro d’Itália. Estava num excelente momento de forma e tinha tudo para dar grandes resultados à sua equipa nesta primeira grande volta. Bem recentemente venceu a primeira etapa da Volta aos Alpes (única vitória, até agora, da equipa cazaque em 2017), ficando, depois, em 4.º lugar da classificação geral final. Neste ano, por exemplo, até esteve aqui em Portugal, na Volta ao Algarve, onde conseguiu um 19.º lugar, sendo que, depois, no bem cotado Tirreno-Adriático foi 15.º e o melhor da sua equipa.
Um adeus inexplicável para uma das maiores referências italianas do ciclismo na atualidade Fonte: Gazetta dello Sport
Num currículo invejável para muitos ciclistas, a maior proeza foi, sem dúvida alguma, a vitória na Volta a Itália em 2011 e com 3 vitórias em etapa nessa mesma prova, num ano que pode ser considerado o melhor da sua carreira, com, igualmente, vitórias no Tirreno e na Volta à Catalunha. Além disto, tem vários top 5 nalgumas das principais provas da modalidade, como certas clássicas da Primavera, além dos já considerados Giro, Tirreno, entre outras.
A maioria dos grandes resultados da sua carreira foram em Itália, sendo que é possível afirmar que era um homem verdadeiramente ligado às suas origens e à família. Ainda nesta última prova que disputou, após terminada, foi logo abraçar a sua esposa e os seus dois filhos, sem saber que aquela seria a última prova em que faria tal simples, mas sempre muito importante, gesto.
Por fim, gostaria de apelar a algo bastante importante: para quando uma maior proteção para todos os ciclistas que andam nas estradas? É verdade que existem exemplos de pessoas que andam de bicicleta e provavelmente nem se dão ao respeito, mas há que considerar que isso, espero eu, é uma minoria. Essa minoria não pode influenciar qualquer que seja a decisão que possa ser tomada. Os ciclistas precisam de maior ajuda nesta causa e, se isso não acontecer, situações como estas serão vistas com mais frequência, infelizmente…
Em nome do Bola na Rede, queremos desejar as nossas maiores condolências a todos os familiares e amigos do grande homem e ciclista Michele Scarponi!
Ser português está na moda. Somos campeões europeus, temos o Cristiano Ronaldo, o Mourinho, agora o Leonardo Jardim nas meias da Liga dos Campeões com o seu super Mónaco e até Marco Silva está a impressionar em Inglaterra – principalmente quem não fez o trabalho de casa sobre o antigo defesa do Estoril.
Enquanto isto muitos criticam a Liga NOS, ora não é competitiva, ora o futebol é fraco, ora isto, ora aquilo. Ora eu não podia discordar mais! Sou um ávido consumidor do futebol nacional e também um grande defensor – a segunda veio por consequência da primeira – e vou explicar o porquê mais abaixo.
A primeira razão mora em Santa Maria da Feira e é talvez a mais surpreendente. O Feirense está a realizar a melhor campanha da sua história no escalão máximo nacional e muito se deve a Nuno Manta. Se analisarmos bem o plantel percebemos que não é, de todo, extraordinário, mas a proposta de jogo e a qualidade do técnico fazem valer o coletivo e permitem que o grupo atinja o potencial máximo e os jogares se superem – quanto a mim a definição de um bom treinador.
Posso também falar de José Couceiro que continua a fazer crescer jovens como poucos conseguem e sempre a praticar bom futebol, ou do incrível Chaves do também incrível Ricardo Soares, ou até do eminente regresso do “Boavistão” graças a Miguel Leal, passando ainda pelo surpreendente Marítimo de Daniel Ramos e pelo futebol de altíssimo nível do Rio Ave de Luís Castro. Sem esquecer Pedro Martins, que tem mostrado a verdadeira força do Vitória.
Fonte: Vitória FC
Os exemplos são muitos e têm todos dois fatores chave comuns: primeiro são todos portugueses e depois têm todos uma proposta de jogo que passa pelo bom futebol e não pelo habitual “chuto para a frente”, muito menos pela conhecida “técnica do autocarro”.
Finalizo com a convicção que, não fossem as limitações financeiras, populacionais e algumas vezes culturais do nosso país, a nossa liga podia estar noutro patamar pois qualidade não falta. Ser português está na moda, mas defender e gostar do que é nosso também devia estar.
Todos os anos é assim. O mesmo frenesim, a mesma tensão, o mesmo empolgamento nas vésperas de um jogo que conhece 90 minutos mas começa muito antes, nos cafés e nos jornais e acaba muito depois, em “bocas” de colegas de trabalho.
O derby eterno mexe com aquilo que o ser humano tem de mais vulnerável – o orgulho. O orgulho que faz beijar os símbolos das camisolas que se vestem. O orgulho que explica a razão de não se ficar em casa e de acompanhar o seu “amor, seja onde for”. O orgulho que faz vibrar milhões de pessoas espalhadas pelo mundo em torno de uma causa comum – o clube do coração.
Sportinguistas e benfiquistas vão parar, no Sábado, 22 de Abril de 2017, às 20h30, porque em disputa, mais do os que três pontos, está o tal orgulho e o direito que assiste, ao vencedor, de brincar com o/a colega de trabalho (ou amigo/a, ou patrão/patroa, ou namorado/a) do outro clube.
E nós? Nós também não ficamos indiferentes. Ninguém fica, seja verde, vermelho, azul, amarelo ou cor-de-rosa. Não é só uma frase feita – o país pára. Nós incluídos. Parámos durante duas semanas inteiras para visitarmos a história na esperança de ouvir as histórias que ela nos tinha para contar. Relatos de estádios cheios, golos decisivos, orgulho exacerbado ao alto de uma loucura quase sempre saudável.
Se o Estádio José Alvalade falasse… Fonte: StadiumGuide.com
Vimos muita coisa e apontámos tudo. E trouxemos para contar. A vocês, que não são só leitores, são colegas de paixão, que gostam disto tanto (ou mais… ou menos) quanto nós.
Olhámos e contámos os números do derby de Alvalade, a contar para o campeonato português, desde 1956, ano de inauguração do velhinho Estádio de Alvalade até hoje, e temos muita coisa para vos mostrar.
Não, não falamos só das 22 vitórias do Sporting, as 21 do Benfica e os 17 empates registados desde aí, ou dos 149 golos apontados (75 para os leões, 74 para os encarnados) até hoje. Falamos de muito mais. De expulsões, nacionalidades, grandes penalidades, treinadores que foram jogadores, jogadores que jogaram com as duas camisolas, golos nas estreias…
… enfim, gostamos disto tanto (ou mais ou menos) quanto vocês. Seria injusto ficarmos com a informação só para nós. Seguem 9 páginas de história. Sejam bem-vindos a mais uma edição da “Força dos Números”.
Depois de seis pontos perdidos, com empates concedidos ante V. Setúbal, Benfica e Braga, eis que se conjuntura a “dura realidade” de não dependermos apenas de nós na luta pelo título de campeões. Se no início da época poucos esperariam um FC Porto capaz de lutar até ao fim pela conquista do campeonato também é certo que, chegados agora à reta final, precisamente com este cenário, poucos conseguem aceitar os “tremeliques” impróprios de um candidato que já mostrou fibra.
Mas que ninguém caia na ingenuidade de pensar que o nosso adversário direto não depende também de terceiros. Por mais paradoxal que pareça, e ainda que a classificação e a matemática mostrem o contrário, certo é que faltando a ajuda dos avançados extra que teimam sempre em aparecer nos períodos mais complicados, a tarefa de conquistar o ‘tetar’ afigurar-se-á bastante complicada.
Pretende-se uma grande romaria aos Aliados, em maio Fonte: FC Porto
À imagem do seu rival, também o FC Porto necessita da “ajuda” de terceiros. Para além do Sporting, Guimarães, Rio Ave, Estoril e Boavista, urge que as terceiras equipas dos jogos do FC Porto (já dou de barato que os beneficiem a eles à descarada, desde que parem de nos prejudicar obscenamente) apliquem critérios de igualdade e justiça que levem a que os resultados sejam sempre espelho da real valia das equipas, e não um constante desvirtuamento da competição a que temos assistido.
Não obstante toda a adversidade que nos espera, urge ainda mais recuperar o bom futebol que consumou o melhor Porto da época. Restam cinco finais que têm de se traduzir na conquista imperiosa de quinze pontos. Para além disso, não basta vencer, mas sim destruir por completo o adversário, goleando-o, criando essa almofada de conforto de, em caso de igualdade pontual no final da prova, vermos o esforço recompensado.
Focados, rumo ao título!
P.S. – Entretanto, Saponjic, avançado da equipa B do Benfica, foi suspenso por três jogos por um soco a um jogador do Fafe. É assim que, neste país, se tentam calar as vozes que se elevam perante a vergonha. Enquanto isso, Luisão soltou umas gargalhadas e o pugilista grego Samaris, esse… Corou de vergonha…
O sonho começa a ganhar contornos de realidade para grande parte das equipas que chegam às meias-finais de uma competição europeia. Estão cada vez mais perto de ganhar um lugar numa final europeia que as catapultará para a memória eterna.
Nem todas, terão uma perspectiva tão fantasista. Perante o contexto competitivo que lhes apresenta, atingir a final pode não ser um sonho, mas uma obrigação. Manchester United e Real Madrid. Por razões diferentes, encaram, respetivamente, a vitória na Liga Europa e a Liga dos Campeões como um objetivo.
O Manchester United quer, precisa, de voltar a disputar a Champions e uma das principais vias da acesso é a Liga Europa, pelo que não a poderá descurar caso não consiga o apuramento via campeonato. Para além disto, depara-se com um conjunto de concorrentes que não lhe pode estorvar o objectivo. Calhou, em sorte, o Celta (primeira mão nos Balaídos), porventura o adversário mais complicado, mas fosse quem fosse, vencer seria sempre mandatório para os orientados por José Mourinho.
Sorteio das meias-finais da Liga Europa Fonte: UEFA
O Real, como é normal, quer a 12ª Liga dos Campeões (e, claro está, vencê-la pela 2ª vez consecutiva, algo que não acontece há 26 anos). A via de acesso já estava desobstruída com a saída de Bayern e Barcelona da competição. Hoje, ficou ainda mais – o Atlético de Madrid, que não é o mesmo que disputou 2 das 3 últimas finais da competições com o próprio Real, calhou em sorte (primeira mão no Bernabéu), e a final passou a ser quase que uma obrigação.
Caso supere a reedição da final do ano passado, o Real vai apanhar o vencedor do Monaco-Juventus (primeira mão no Principado) no derradeiro jogo deste ano. A Juve revelou-se impenetrável defensivamente diante de Barcelona e FC Porto, o Mónaco tem sido capaz de se superar sucessivamente diante equipas como o City, o Dortmund ou o PSG (em França), pelo que reina, e ainda bem, a incerteza num duelo que nos, portugueses, esperemos ver cair para o lado dos “nossos” Leonardo Jardim, Bernardo Silva e João Moutinho.
O outro jogo sorteado esta manhã, em Nyon, vai opôr Ajax e Lyon (primeira mão na Holanda) nas meias-finais da Liga Europa. Os holandeses procuram regressar à glória que deixaram esquecida em 1995, data da última conquista europeia. Os franceses (mesmo sem acesso às competições europeias do próximo ano) querem a primeira final da sua história. Nenhum deles pode encarar o jogo com um carácter de obrigatoriedade pelo que, dos dois lados, o sonho comanda.