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Copa América’2015 – Argentina 1-0 Jamaica: Muita parra e pouca uva

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Talvez fosse difícil pensar em dois jogos piores para terminar o grupo B. Depois de um Paraguai-Uruguai que foi um autêntico bocejo para todos, o jogo desta noite entre albicelestes e jamaicanos não fugiu muito dessa linha. Bem vistas as coisas, aquilo que vimos no Estádio Sausalito, em Viña del Mar, não foi uma autêntica surpresa, tendo em conta a diferença gigante em termos de potencial entre uma e outra seleções. Na verdade, o último jogo deste grupo trazia-nos um verdadeiro duelo entre David e Golias, com a equipa argentina já apurada para os quartos de final, enquanto os jamaicanos já estavam matematicamente eliminados.

Também por isso, Gerardo Martino e W. Schafer optaram por introduzir alterações nos esquemas das duas equipas. Do lado argentino, o ex-treinador do Barcelona optou por efetuar duas alterações no onze comparativamente ao duelo com o Uruguai, colocando Demichelis e Higuain nos lugares de Otamendi e Kun Aguero. O sistema tático era o mesmo, mas era por demais evidente que, com estas alterações, o treinador argentino já tinha os quartos de final em mente, optando por isso por gerir de certa forma o plantel. Na equipa jamaicana, o técnico alemão optou por fazer quatro alterações na equipa inicial, lançando no onze Miller, Laing e Brown para os lugares de Kerr, Simon Dawkins e Giles Barnes.

A verdade é que, apesar das alterações promovidas pelos treinadores, os primeiros minutos da partida acabaram por mostrar aquilo que toda a gente já esperava. Um jogo de sentido único, com a Argentina a nunca carregar demasiado no acelerador, até porque uma vitória pela margem mínima era suficiente para chegar ao primeiro lugar do Grupo B. Dessa forma, e tendo em conta a inexistente capacidade ofensiva jamaicana – que apenas colocava Brown como homem mais adiantando, colocando depois 10 homens sempre atrás da linha da bola – a equipa de Martino decidiu controlar sempre os ritmos de jogo como quis, nunca impondo uma intensidade muito alta, até porque a competitividade tática da partida nunca o exigiu. Dessa forma, não raras vezes vimos os laterais Zabaleta e Rojo a atuarem praticamente como extremos, deixando a zona interior para as diagonais de Di Maria e Messi. A meio campo, o consistente e dinâmico tridente composto por Javier Mascherano, Lucas Biglia e Javier Pastore – que funcionaram sempre como autênticos faróis da equipa – iam sendo mais do que suficientes para o pouco perigo que os jamaicanos causavam no último terço do terreno.

À medida que os minutos foram passando – e apesar de a equipa jamaicana ter sempre procurado optar por uma postura defensiva compactando, nunca desprotegendo a zona central – a verdade é que os argentinos foram colecionando um verdadeiro festival de oportunidades desperdiçadas de golo. Só no que diz respeito à primeira parte, foram quase dez os lances de perigo junto à baliza de Miller. No meio de tanto desperdício, Higuain e Di Maria foram os mais perdulários. Ainda assim, foi do avançado do Nápoles que acabou por surgir o único golo da partida, apontado aos 10 minutos, numa excelente rotação sobre os centrais jamaicanos após trabalho individual de Di Maria. Esse lance foi mesmo a exceção naquilo que foi a regra da partida desta noite: a Argentina a jogar, a criar oportunidades e a falhar golos. Só no primeiro tempo, Higuain em quatro ocasiões (um dos remates bateu na trave da baliza de Miller), Di Maria por duas vezes e Messi numa situação foram os protagonistas do desperdício argentino perante uma Jamaica que apenas em bolas paradas se havia aproximado da baliza de Romero. Ao intervalo, e mesmo sem fazer uma exibição de grande intensidade, a verdade é que o resultado era inexplicavelmente curto, tantas tinham sido as oportunidades falhadas.

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Higuain apontou o único golo da partida
Fonte: Dailymail

A verdade é que na segunda parte o figurino da partida alterou-se de certa forma, e muito por culpa da Argentina, que veio ainda com menos intensidade para os segundos 45 minutos. Comparativamente ao primeiro tempo – em que oportunidades foram mais do que muitas para a equipa capitaneada por Lionel Messi – a segunda parte foi quase um deserto de ideias em termos ofensivos para os argentinos. De facto, tirando um remate à trave de Di Maria aos 52 minutos e um chapéu (quase) perfeito de Messi aos 57 minutos, a Argentina raramente se conseguiu aproximar com a mesma regularidade da área jamaicana. Com um adversário tão frágil, que poucos ou nenhuns problemas causou ao longo do jogo, a tendência para um afrouxamento argentino foi por demais evidente. A gestão física e tática do jogo foram sendo feitas a partir do controlo da bola, com Mascherano e Biglia a pautarem sempre os ritmos de jogo, deixando a Di Maria e Messi a criação de jogo ofensivo.

Mesmo depois das alterações de uma e outra equipa, o ritmo do jogo não se alterou e o arrastar da margem mínima até aos últimos minutos foi dando confiança à Jamaica, que pouco ou nada tinha a perder neste duelo com a Argentina. Dessa forma, o último quarto de hora do jogo acabou por trazer uma Jamaica mais afoita no terreno, subindo linhas e procurando colocar mais homens no processo ofensivo da equipa. O problema é que, apenas com Mc Anuff e Brown como jogadores mais virados para o ataque, a Jamaica só mesmo em bolas paradas é que foi provocando alguns calafrios junto do público albiceleste. Mesmo tendo passado os últimos minutos dentro da sua área, em virtude dos livres e cantos que a Jamaica foi colecionando nos últimos instantes do jogo, a verdade é que a Argentina nunca viu o resultado verdadeiramente ameaçado, em virtude da pouca capacidade jamaicana.

Messi foi sempre um quebra-cabeças para a Jamaica Fonte: tycsports.com
Messi foi sempre um quebra-cabeças para a Jamaica
Fonte: tycsports.com

Apesar de não ter feito novamente uma exibição de encher o olho, o facto é que a Argentina acaba por passar incólume nesta fase de grupos, apurando-se para os quartos de final da Copa América com sete pontos e o primeiro lugar do Grupo B. Ao olhar para as restantes concorrentes, percebe-se que talvez o Chile seja o adversário mais temível para os argentinos neste momento. Ainda assim, num onze com uma constelação de estrelas, facilmente se percebe que, até pelo valor individual dos seus jogadores, a Argentina de Messi, Di Maria e companhia é, à entrada para a fase decisiva da competição, provavelmente a equipa mais bem apetrechada para levantar o troféu sul-americano no próximo dia 4 de julho.

Agora, resta esperar pelo adversário dos quartos de final, que sairá pelo segundo melhor terceiro classificado dos grupos A ou C, sendo que a decisão deste último grupo acontecerá neste domingo, com os jogos Colômbia vs. Perú e Brasil vs. Venezuela. No jogo desta noite, os argentinos voltaram a não brilhar mas mostraram suficiente maturidade tática para encarar os futuros desafios com otimismo. Desde que, obviamente, sejam mais eficazes na altura de atirar à baliza. Até porque, daqui para a frente, não existem mais Jamaicas.

A Figura

Tridente ofensivo argentino Num jogo competitivamente tão desinteressante, com a Jamaica a atuar num bloco muito baixo, tornou-se evidente que teria de ser o talento individual argentino a desbloquear. E no que diz respeito a qualidade, o tridente composto por Di Maria, Messi e Higuain revelou-se muito dinâmico, tendo em conta o enorme número de oportunidades criadas ao longo do jogo. O ponto negativo foi mesmo a ineficácia que afetou os três jogadores e que evitou uma goleada da Argentina esta noite.

O Fora-de-Jogo

Fraca intensidade competitiva – Num duelo tão desigual, era quase impossível que o jogo não tomasse o rumo que tomou. De um lado, uma Argentina já apurada e cuja vitória magra era suficiente para alcançar o topo do grupo B; do outro lado, uma equipa da Jamaica que, apesar da boa réplica, está a anos luz de poder ser uma equipa verdadeiramente competitiva. Por tudo isto, o jogo foi muito pouco interessante porque toda a gente já sabia o seu destino, mesmo antes de este começar.

                                                                                               Foto de Capa: uk.eurosport.yahoo.com

Copa América’2015 – Uruguai 1–1 Paraguai: 90 minutos de tédio à moda do balão e da falta

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Albicelestes e Guaranis proporcionaram um jogo entediante e candidato a pior encontro desta Copa América, que tanto nos tem divertido e oferecido boas partidas. O resultado é justo e coloca as duas equipas na próxima fase da competição, com o Uruguai a ser terceiro classificado deste grupo B.

Foi uma partida em que se vendeu caro cada metro de terreno e onde, dificilmente, algum jogador surgiu sozinho. Havia sempre um guarda-costas na marcação e pronto para levar o portador da bola ao tapete. Aos 10 minutos, já o juiz da partida tinha mostrado (e bem!) dois cartões por entradas duras e despropositadas.

Os 90 minutos foram maus demais para toda gente; para quem pagou bilhete, para quem viu em casa na televisão e até para a bola, que teve mais tempo a sobrevoar o terreno do que a rolar na relva. O Paraguai era quem mais batia o esférico para a frente e depois tentava que os médios se aproximassem dos seus homens mais adiantados para criarem desequilíbrios. Quase nunca resultou! O Uruguai tentava aproveitar os flancos, com Maxi e Álvaro Pereira, para colocar depois a bola na área, na procura de Cavani e companhia. Ora, isto também foi difícil de aplicar, salvo raras exceções, e os comandados de Tabaréz entraram na moda do balão.

A bola ia chorando nos pés dos jogadores e só em lances de bola parada (cantos e livres laterais) surgiam ocasiões de perigo. A primeira oportunidade (ao minuto 12) é do Paraguai, com um falhanço, após um canto, já dentro da pequena área, e na resposta, 17 minutos depois, Giménez vai inaugurar o marcador. Canto do lado direito, ganho por Maxi e batido por Sanchéz, encontrou o central do Atl. Madrid, com um grande salto, superiorizou-se a todos e desferiu uma forte cabeçada, não dando hipóteses a Justo Villar, que regressava à baliza paraguaia.

Gimenez inaugurou o marcador com este cabeceamento ao minuto 29 Fonte: Facebook da AUF – Selección Uruguaya de Fútbol
Gimenez inaugurou o marcador com este cabeceamento ao minuto 29
Fonte: Facebook da AUF – Selección Uruguaya de Fútbol

Adivinhava-se que os golos só assim surgiriam e logo a seguir o mesmo Giménez poderia bisar. Lance a papel químico, canto cobrado da direita, o camisola 2 volta a libertar-se da marcação, mas desta vez Villar faz uma grande intervenção. Na sequência da jogada, Rolin ultrapassa os adversários e isola Cavani, que, em esforço e de bico, desperdiça a oportunidade de aumentar a contagem.

Eram esporádicos, estes lances, e a batalha continuava no meio-campo, com ligeiros períodos parecidos com ping-pong. Bola lá, bola cá, e os médios com a cabeça levantada a ver a “redondinha” passar. O jogo caminhava para o intervalo (antes fosse para o final) e eis mais um canto para o Paraguai. Adivinhava-se mais perigo e viria a confirmar-se! Lucas Barrios antecipa-se a Giménez e, ao primeiro poste, desvia para o interior da baliza de Muslera. 1-1 em cima do minuto 45, repondo justiça no encontro.

Lucas Barrios a festejar mais um golo na competição Fonte: Facebook da Selección Paraguaya de Fútbol
Lucas Barrios a festejar mais um golo na competição
Fonte: Facebook da Selección Paraguaya de Fútbol

15 minutos de descanso, uma alteração no Uruguai, com a entrada de Stuani, e a esperança de um jogo bem melhor. E até parecia que isso ia acontecer, muito por culpa de Maxi Pereira no lado direito. O ainda jogador do Benfica esteve incansável durante todo o jogo, como é sua imagem, e aos 53’ tira um excelente cruzamento, que Cavani desvia, passando a bola perto do poste esquerdo de Villar.

O Uruguai parecia diferente, o Paraguai cansado, e aos 64’ e 67’ mais dois lances que poderiam ter dado a vantagem à albiceleste. Primeiro Rolin lança Álvaro Pereira na esquerda, que cruza para o cabeceamento de Stuani ao lado, e depois um lançamento longo de Maxi, desviado ao primeiro poste, encontra Cavani, que, à meia-volta, atira com o mesmo destino.

Duas ameaças, os adeptos começavam a animar-se, mas falso alarme. O jogo voltou ao balão, à dureza e às paragens para as substituições. Os paraguaios fizeram duas, por lesões de Ortigoza e Barrios, e na outra saiu Bobadilla para entrar Derlis González (jogador do Basileia e ex-Benfica), que agitou o ataque guarani e iria ter a última e melhor ocasião da partida.

Antes disso, uma oportunidade uruguaia, novamente por Stuani. Aos 84’, Cristian Rodriguez, que entrou no decorrer da partida, rasgou pelo lado esquerdo e cruzou, com bastante força, e Stuani desviou para a baliza, quase por instinto, fácil para Villar agarrar.

Maxi Pereira foi o melhor em campo e esteve em quase todos os lances de perigo do Uruguai Fonte: Facebook da AUF – Selección Uruguaya de Fútbol
Maxi Pereira foi o melhor em campo e esteve em quase todos os lances de perigo do Uruguai
Fonte: Facebook da AUF – Selección Uruguaya de Fútbol

Já nos descontos, Derlis González teve nos pés o golo da vitória, negado por Fernando Muslera. O paraguaio recebeu de costas para a baliza, rodou e bateu, pelo chão, obrigando o guardião a mostrar a sua qualidade.

Pelo número de oportunidades e pela pequena mudança de atitude e qualidade de jogo dos uruguaios no segundo tempo, se houvesse um vencedor seriam os uruguaios, mas o empate é o resultado que mais se aceita, e que penaliza duas equipas que se apresentaram num nível muito baixo e proporcionaram um jogo que contrastou com a maioria dos encontros até então na competição.

A jogarem assim não vão passar mais nenhuma fase, e os espetadores agradecem!

A Figura:

Maxi Pereira – Um jogo como aqueles a que já nos habitou. Nos limites durante todos os minutos, com uma entrega e uma raça quase inigualáveis e a criar desequilíbrios do lado direito do seu ataque, quer em combinações com excelentes cruzamentos, quer com lançamentos longos, sempre perigosos. Foi capitão e a figura do Uruguai nesta partida.

O Fora-de-jogo:

Abel Hernandez – Esteve 45 minutos em campo e foi uma verdadeira nulidade. Um jogo desastroso do avançado uruguaio, que, simplesmente, não se viu, excetuando o amarelo que levou, aos 4 minutos, depois de uma falta dura e desnecessária. Mas não faltavam candidatos…

Foto de capa: Facebook da Selecção do Paraguai

Brasil 1–2 Sérvia (a.p.) – Sérvios de ouro

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Hoje escreveu-se mais um capítulo da história do futebol sérvio. Protagonizou-o um bando de jovens notáveis com a sua entrega, dedicação e mostras de inegável talento. A Sérvia sagrou-se campeã mundial de sub-20, depois de bater o Brasil, por 2-1, após prolongamento.

Finais são sempre jogos em que as equipas entram com doses extras de contenção e pragmatismo, e a partida de hoje não foi excepção. O Brasil entrou melhor no jogo, assumindo a posse de bola e procurando provar em campo o seu favoritismo. Na primeira parte, as melhores oportunidades de golo foram dos canarinhos, e percebeu-se que a Sérvia estava preparada para esperar pelos brasileiros no seu meio-campo a aproveitar os contra-ataques para criar perigo. Esta foi a toada durante praticamente todo o jogo: o Brasil a tentar mexer com o jogo, a Sérvia concentrada e eficaz nos momentos certos.

É verdade que pareceu quase sempre que o Brasil estava por cima do jogo e mais perto do título mundial, mas também é certo dizer que a Sérvia mostrou sempre uma grande maturidade em campo, que manteve a equipa tranquila e dentro do jogo, durante os 120 minutos. Mesmo com o controlo canarinho, a selecção sérvia conseguiu aguentar as investidas perigosas do poderoso ataque brasileiro e, através da qualidade de jogadores como Zikvovic ou Mandic, colocar em apuros a defesa adversária.

Depois de uma primeira parte mais táctica e fechada, as equipas entraram mais determinadas a marcar no segundo tempo e as oportunidades de golo multiplicaram-se. Aqui, Jean e Rajkovic, os guarda-redes das equipas, estiveram em grande plano e evitaram os golos até ao minuto 70, altura em que Sérvia se adiantou no marcador. Mandic foi o autor do golo.

A tristeza brasileira Fonte: Facebook do Mundial de sub-20
A tristeza brasileira
Fonte: Facebook do Mundial de sub-20

O Brasil não acusou a desvantagem e, instantes depois, restabeleceu a igualdade por intermédio do médio do Manchester United Andreas Pereira. Depois de driblar vários adversários, o jovem médio não deu hipóteses ao guardião sérvio e assinou um grande golo, digno de uma grande final.

Com o empate no marcador e a partida a chegar ao fim, Brasil e Sérvia mostraram que queriam resolver a final nos 90 minutos, mas não conseguiram aproveitar as oportunidades criadas e o jogo foi mesmo para prolongamento.

Na etapa complementar, os nervos e o cansaço começaram a apoderar-se dos jovens jogadores, e o jogo ficou mais aberto e emocional. Ainda assim, o equilíbrio de forças entre americanos e europeus manteve-se até que Maksimovic chutou a bola dourada directamente para a história do futebol sérvio. Aos 118 minutos de jogo, o jovem sérvio marcou o golo que deu o primeiro título mundial de futebol à selecção sérvia, enquanto nação independente.

Figura:

Sérvia – Ambas as equipas, com tácticas e argumentos diferentes, fizeram tudo para levantar o troféu, mas a Sérvia foi mais eficaz e conquistou o título com justiça. A maturidade e organização da equipa combinaram na perfeição com os rasgos de talento de Zivkovic e a segurança de Rajkovic e companhia, e a máquina sérvia funcionou na perfeição.

Fora-de-jogo:

Ineficácia do Brasil – É certo que na baliza sérvia estava um dos guarda-redes com melhor futuro do futebol mundial, mas os avançados brasileiros desperdiçaram demasiadas ocasiões de golo para uma final. A ineficácia canarinha retirou-lhes a possibilidade de conquistar o 6.º título mundial sub-20.

Top 10: Melhores jogadores dos derbies em futsal

[tps_title]10.º Pedro Costa [/tps_title]

Talvez o primeiro grande jogador português de futsal. O Universal, que passou pelo Sporting mas se destacou ao serviço do Benfica, foi uma das primeiras figuras que deram ao futsal e aos derbies um lugar de destaque em Portugal.

Fonte: uefa.com
Fonte: uefa.com

[tps_title]9.º Deo [/tps_title]

O pequeno mágico do Sporting passou onze épocas em Alvalade e conquistou mais de uma dezena de troféus. Conseguia fazer da velocidade a sua melhor arma e esta foi a primeira época em que houve derbies sem a presença do ala brasileiro.

Fonte: Facebook do Sporting
Fonte: Facebook do Sporting

[tps_title]8.º Arnaldo [/tps_title]

Um dos jogadores que ficará para sempre ligado à ascensão do Benfica no futsal Português e à conquista dos primeiros troféus do clube na modalidade. Um jogador bastante tecnicista e capaz de decidir jogos complicados com jogadas ao alcance de poucos.

Fonte: controlinveste.pt
Fonte: controlinveste.pt

[tps_title]7.º André Lima[/tps_title]

O único que conseguiu a proeza de ser campeão nacional como jogador e treinador pelo Benfica, e que deu também ao clube da Luz a conquista da UEFA Futsal Cup em 2010. Jogador que detém ainda o record de internacionalizações por Portugal, André Lima é e será uma figura de proa do futsal nacional.

Fonte: controlinveste.pt
Fonte: controlinveste.pt

[tps_title]6.º Cristiano[/tps_title]

O guarda-redes do Sporting sempre viveu na sombra de Benedito, mas quando foi chamado a participar conseguiu um lugar ao sol. Teve uma das suas melhores exibições no Pavilhão da Luz, quando assumiu a baliza após a lesão de João Benedito e conseguiu garantir um campeonato para o clube de Alvalade.

Fonte: Facebook do Sporting
Fonte: Facebook do Sporting

[tps_title]5.º Divanei[/tps_title]

Um ala saído do mundo de fantasia. O brasileiro assinalou momentos de pura magia e tornou-se um dos ídolos dos exigentes adeptos leoninos. Para Divanei, pouco era impossível e cada remate ou cada livre era o tormento para os adversários. Que o diga Marcão e outros guarda-redes do Benfica.

Fonte: Facebook do Sporting
Fonte: Facebook do Sporting

[tps_title]4.º César Paulo[/tps_title]

Pivot de classe mundial. O brasileiro chegou à Luz em 2007 para uma segunda experiência na Europa e impôs-se de forma categórica. Matador impiedoso, marcá-lo estava ao alcance de poucos, tendo proporcionado duelos tácticos inesquecíveis com Caio Japa. Um dos jogadores que marcaram uma época no futsal nacional.

Fonte: uefa.com
Fonte: uefa.com

[tps_title]3.º João Benedito[/tps_title]

É difícil distinguir a história do futsal do Sporting e a de João Benedito. O capitão do Sporting, formado no clube, é um exemplo de dedicação. Conseguiu decidir vários jogos – e campeonatos – frente ao rival com defesas impossíveis e liderando a equipa em momentos de maior aperto.

Fonte: Facebook do Sporting
Fonte: Facebook do Sporting

[tps_title]2.º Ricardinho[/tps_title]

Melhor jogador de futsal do mundo. Esta descrição diz muito do que significa Ricardinho para o futsal Português e para o Benfica. Tal como Divanei, o ala português joga num mundo à parte, fazendo jogadas apenas ao nível dos predestinados. Conseguiu resolver várias partidas a favor dos encarnados nos jogos frente ao seu eterno rival. O seu segundo lugar neste Top prende-se apenas por ter menos golos do que o primeiro lugar.

Fonte: modalidades.com.pt
Fonte: modalidades.com.pt

[tps_title]1.º Alex[/tps_title]

Melhor marcador de sempre nos derbies – 31 golos – e muito provavelmente o jogador que mais playoff’s decidiu. Cumpriu a oitava – e última – época ao serviço dos leões, tendo chegado em 2007 proveniente do campeão europeu Action Charleroi 21.  O trintão brasileiro é uma das maiores referências do futsal do Sporting e tem um lugar na História do clube.

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Fonte: Facebook do Sporting

Foto de Capa: supersporting.net

Olheiro BnR – Andrea Bertolacci

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No jogo em que Portugal bateu a Itália em Genebra, os 90 minutos chegaram para confirmar algo de que já me tinha apercebido há algum tempo: a seleção italiana atravessa uma crise de identidade e não é capaz de apresentar um modelo de jogo e uma base bem definidos. A equipa precisa de referências urgentemente, e o facto de Buffon e Pirlo estarem a “dar as últimas” só torna esta necessidade mais gravosa.

Ainda assim, os mesmos 90 minutos revelaram um oásis de esperança em forma de médio: Andrea Bertolacci. Há três épocas no Génova, fez formação na AS Roma, e conta com três internacionalizações pela squadra azzurra, tendo sido um dos poucos jogadores que, frente à Seleção portuguesa, demonstrou vontade e ideias para acordar a equipa da apatia que a tem caracterizado ultimamente.

“Formiguinha operária” com faro de golo

O estilo não engana. Bertolacci é o típico médio trabalhador, da mesma casta de João Moutinho. Prefere jogar na posição de ‘box-to-box’, como fez frente a Portugal, e tem uma precisão de passe bastante apurada. Longe de ser exuberante, faz da regularidade a sua principal arma, razão para ter terminado a época como um dos jogadores mais utilizados no Génova: 35 jogos.

Também não se coíbe de, quando a oportunidade surge, chegar perto da área adversária. Não é raro vê-lo começar os jogos mais perto dos avançados, graças à capacidade de retenção de bola e boa finalização: esta temporada melhorou o seu registo de golos (seis, no total), contribuindo de forma direta para o interessante 6.º lugar da sua equipa na Liga. Gosta de ter o esférico colado ao pé e protege-o bem, libertando-o apenas quando tem a certeza de fazer um passe acertado ou remate.

Bertolacci foi um dos principais responsáveis pela boa época do Génova Fonte: Página do Facebook de Andrea Bertolacci
Bertolacci foi um dos principais responsáveis pela boa época do Génova
Fonte: Página do Facebook de Andrea Bertolacci

Adeus ao Luigi Ferraris?

O AC Milan é um dos interessados na sua contratação e, nos últimos dias, foi noticiada a pretensão da Roma em resgatá-lo. É claramente um médio talhado para voos mais altos, já que alia todos os seus recursos técnicos acima descritos a uma boa visão de jogo e consciência tática acima da média.

Num futebol a caminho da estagnação, surge como um dos produtos mais evoluídos e condizentes com o futebol atual produzidos pela escola italiana. Ainda terá de esperar pela sua vez para assumir o estatuto de indispensável na sua seleção (Pirlo, De Rossi e Marchisio são hierarquicamente superiores), mas não tenho dúvidas de que poderá ser uma das referências no futuro. A partir daqui, é para ser seguido com atenção.

Foto de Capa: Facebook Oficial de Andrea Bertolacci

Copa América’2015 – Chile 5-0 Bolívia: A melhor equipa da Copa é mesmo candidata

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Palmas para este Chile! A equipa de Jorge Sampaoli até pode ser eliminada nos quartos-de-final (jogará com o terceiro classificado do grupo B ou C, ainda por definir), mas uma coisa é certa: até agora, nenhuma selecção presente nesta edição da Copa América jogou um futebol melhor do que o da Roja. 10 golos marcados em 3 jogos (3 sofridos, todos no empate com o México) é um grande registo, obra de tudo menos do acaso.

É certo que a Bolívia quase não levou perigo à baliza de Claudio Bravo, mas isso não retira nenhum mérito ao brilhantismo chileno. Esta equipa mostra enorme qualidade e velocidade na circulação da bola, um dinamismo ímpar (os jogadores aparecem constantemente em zonas diferentes para construir jogadas) e uma entrega notável, que se faz notar tanto a atacar como a pressionar o adversário para ganhar a bola. Tudo isto eleva ainda mais o nível exibicional das boas valias individuais de que esta selecção dispõe.

As equipas entraram em campo com o apuramento para os quartos-de-final já garantido, mas o Chile não quis facilitar e marcou cedo. Logo aos 3’, Medel lançou Vargas ainda no seu meio-campo, este tentou dominar mas a bola fugiu para trás, onde estava Aránguiz a rematar cruzado à entrada da área. Com o golo madrugador da equipa favorita temia-se um jogo desinteressante e, de facto, até ao 2-0 os dois únicos lances de registo foram dois livres de Alexis Sánchez, que em ambas as ocasiões embateram no poste. Aos 37’, contudo, Alexis marcou finalmente o seu primeiro tento do torneio. O craque do Arsenal pôs a cabeça onde muitos não colocariam o pé e transformou uma bola que parecia perdida no 2-0 para a sua equipa. Excelente gesto técnico do avançado após passe defeituoso de Valdivia, da direita.

Com a Bolívia a mostrar evidentes lacunas não só a construir mas também a defender (o lateral esquerdo Leonel Moralez teve um dia péssimo), o Chile foi em crescendo até ao intervalo. Vargas, o chileno mais infeliz em campo, desperdiçou o 3-0 em zona frontal.

sampaoli
Não basta ter talento à disposição, é preciso domá-lo e exponenciá-lo. Sampaoli tem-no conseguido

Face à inoperância boliviana, Jorge Sampaoli sentia que o jogo estava praticamente ganho e tirou Alexis e Vidal ao intervalo, fazendo entrar Matías Fernández e Ángelo Henríquez. O boliviano Marcelo Moreno teve o único apontamento da sua selecção aos 49’, rematando para boa defesa de Bravo, mas o Chile começava a carburar e adivinhava-se nova mexida no marcador. Esta chegou aos 66’, quando Matías pegou na bola, soltou na direita (sempre por aqui…) e Aránguiz, após cruzamento de Henríquez, bisou à boca da baliza a dois tempos.

O Chile estava à vontade no jogo mas nem por isso baixava o ritmo diabólico e a vontade de voltar a marcar. A 10 minutos do fim, o defesa Medel, numa altura em que a Roja já tinha abandonado o seu 4-4-2 losango e jogava num esquema de três centrais, foi lá acima num lance corrido e finalizou com classe na cara do guarda-redes, numa fantástica jogada de futebol total iniciada por si próprio. Perante uma Bolívia sem argumentos e onde só Moreno parecia destoar pela positiva, o Chile chegou à manita num lance infeliz de Raldes, que tentou interceptar um cruzamento – vindo, uma vez mais, da direita – e fez auto-golo.

Vitória incontestável do super Chile que, após o começo a meio-gás contra o Equador (2-0 e uma exibição pálida), meteu o México no bolso (3-3, resultado muito penalizador para a turma de Sampaoli, a quem foi anulado um golo limpo) e dizimou agora a Bolívia. A jogar em casa, veremos se não é desta que o país de Pablo Neruda e Salvador Allende consegue vencer uma grande competição do desporto-rei. Qualidade individual não falta, espírito colectivo também não, e a verdade é que o Chile está mais perto da glória do que nunca. Ainda assim, aconteça o que acontecer, já foi um prazer ter visto jogar esta equipa.

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A Figura

Colectivo do Chile – Alexis, Aránguiz, Medel, Valdivia, Matías…? As possibilidades são tantas que, mais do que difícil, destacar apenas um atleta torna-se injusto. O Chile tem em Alexis e Vidal as duas figuras que elevam esta selecção a outro estatuto (ver jogar o primeiro foi um regalo, o segundo hoje esteve mais apagado), mas a equipa vale sobretudo pelo conjunto. E é isso que merece o maior destaque. Enorme dinamismo, capacidade de circulação, garra com e sem bola… A Roja é um caso sério, e Sampaoli tem muito mérito.

O Fora-de-Jogo

Colectivo da Bolívia – A mesma justificação, mas em sentido contrário. Tirando Moreno, o marasmo foi total (Chumacero também tentou, mas desde que perdeu uma bola que deu golo desapareceu). A parca qualidade individual nem sequer é compensada com um colectivo forte, o que faz desta Bolívia uma equipa banalíssima. Os Verdes podem ter conseguido a primeira vitória na competição e o primeiro apuramento para a fase a eliminar desde 1997, mas hoje também sofreram a sua maior goleada na Copa América desde 1989 (curiosamente também contra o Chile, e também por 0-5). Mesmo tendo ficado em 2º no grupo, a equipa de Mauricio Soria não deixa de ser a mais fraca das quatro. Dificilmente sobreviverá na próxima ronda.

 

Fotos: Facebook oficial Selección Chilena

Do esforço se faz a vitória

futebol nacional cabeçalho

Os tempos de glória do Farense já passaram há muito. O emblema algarvio, que outrora esteve presente numa final da Taça de Portugal em 1989/90 e na antiga Taça UEFA em 1995/96, mergulhou numa crise profunda, que fez com que os Leões de Faro descessem de divisão três épocas seguidas, acabando por ficar na 3.ª Divisão Nacional. Aquando da sua participação na 3.ª Divisão Nacional, devido a três faltas de comparência, o Farense foi despromovido, o que fez com que o seu Futebol profissional terminasse durante a época de 2005/06.

Recomeçando pelo patamar mais baixo do futebol na época de 2006/07, o Farense inicia o seu “renascimento” conquistando o título de campeão da 2.ª Divisão Distrital. Na época seguinte o emblema de Faro volta a Sagrar-se campeão, mas desta vez da 1.ª Divisão Distrital.

A época de 2008/09 marca o regresso do emblema algarvio aos campeonatos nacionais. Neste ano o “mágico Farense” acabaria por ficar em 3º lugar a escassos pontos da promoção, coisa que aconteceria apenas na época seguinte. No seu primeiro ano na 2.ª Divisão B o Farense acabaria por ser despromovido, mas nas duas épocas seguintes a equipa algarvia conseguiria subir duas vezes seguidas, culminando com o ingresso na 2.ª Divisão Nacional, campeonato que disputou nas duas últimas épocas e que disputará também na época que se avizinha.

Nas suas duas participações na 2.ª Divisão Nacional o Farense conseguiu um 10.º e um 11.º lugar respectivamente. Estes dois anos serviram, acima de tudo, para a equipa se consolidar. Apresentando jogadores com grande experiência no futebol nacional, como por exemplo Neca, que outrora jogou no patamar máximo do futebol nacional, os Leões de Faro aliaram a experiência à juventude.

Com uma massa adepta de fazer inveja a algumas equipas da 1.ª liga portuguesa, e com uma claque (South Side Boys) que está sempre presente nos bons e nos maus momentos da equipa algarvia, o presidente António Barão veio assumir publicamente no final desta temporada o seu desejo de subir o mais rapidamente possível à 1.ª Divisão Nacional.

O Farense é um verdadeiro histórico do Futebol Português Fonte:
O Farense é um verdadeiro histórico do Futebol Português
Fonte: Facebook ‘Quantos Farenses Somos?’

Para concretizar esse desejo, António Barão já começou a pôr em prática algumas medidas. A primeira medida foi voltar a contratar Jorge Paixão, treinador muito querido pelas gentes de Faro e responsável pela melhor série do Farense na 2.ª Divisão Nacional na época de 2013/ 2014. A segunda foi dispensar dez jogadores da equipa principal. Esta dispensa deveu-se em grande parte à idade elevada que alguns jogadores apresentavam. Com o intuito de rejuvenescer a equipa, o presidente dos Leões de Faro promoveu também a subida de três juniores à equipa principal do Farense.

Assim sendo, podemos esperar um Farense rejuvenescido e com vontade de mostrar resultados. Mas será juventude sinónima de qualidade? Esta medida gerou bastante contestação entre alguns adeptos do Farense, que não viram com bons olhos a saída de alguns jogadores. O maior exemplo disto foi a saída de Hugo Luz, antigo Capitão de equipa. Esta dispensa originou a criação de páginas de apoio a Hugo luz, chegando-se mesmo a pedir a renovação do mesmo.

Resta-nos então saber se estas medidas levarão o SC Farense ao sítio de onde nunca deveria ter saído, devolvendo assim a alegria de ver o clube da sua terra na 1ª Divisão Nacional às gentes de Faro.

Foto de Capa: Facebook ‘Quantos Farenses Somos?’

Um plantel de excedentários

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cabeçalho fc porto

A preparação para a nova temporada está aí à porta. Embora seja consensual que ainda é cedo para tomar decisões definitivas, é aconselhável, no mínimo, que os clubes comecem a delinear as ideias relativas à construção dos respetivos plantéis. Tarefa que raramente é fácil, e que assume contornos de “quebra-cabeças” nas equipas grandes. Neste campo, o FC Porto é dos melhores e mais paradigmáticos exemplos que podemos encontrar. É que além dos jogadores que constituem os plantéis da equipa principal e da equipa B, os dragões emprestaram, na última época, 27 (!) atletas aos mais diversos clubes. Um número que daria, por si só, para construir uma esquadra por si só, e excluir ainda três ou quatro.

A questão que se coloca é: o que fazer com tanto excedentário? Este texto, como o leitor já deve ter percebido, tem o propósito de expor a minha opinião sobre o assunto. Como tal, sinto-me compelido a explicar a metodologia que utilizei para esquematizar a distribuição destes 27 nomes que, de modo contratual ou não, ainda se encontram ligados ao reino do Dragão. Começo por aqueles que viram as suas ligações ao FC Porto expirar no fim da época que findou: Rolando e Izmaylov. O central e o médio têm licença para procurar nova entidade patronal e, se o internacional português coleciona interessados, a vida do russo não se adivinha tão simples; os 32 anos e o vasto historial de lesões não são fatores propriamente atraentes para qualquer clube. Depois, há os que continuam emprestados: Walter, ao Atlético Paranaense, Kelvin ao Palmeiras e Tozé ao Estoril. Quanto ao último, o FC Porto pode chamá-lo de volta, mediante compensação aos “canarinhos”, mas é um cenário que se afigura pouco provável; Josué deve ser adquirido em definitivo pelo Bursaspor, garantindo um encaixe financeiro interessante. E há os que ficam no plantel (ou que, pelo menos, fazem a pré-época): Carlos Eduardo e Kléber. Pinto da Costa confirmou a integração do médio em 2015/16, e o regresso do ponta-de-lança foi avançado pelo jornal O JOGO.

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Carlos Eduardo está garantido na pré-época depois de uma temporada no Nice
Fonte: Página de Facebook do OGC Nice

Portanto, sobram… 19 jogadores. Para simplificar o meu trabalho e a sua compreensão, dividi os “restantes” em quatro grupos: os que podem/deviam fazer a pré-época; os que não contam; os que devem rodar na I Liga ou no estrangeiro; os que voltam à equipa B ou rodam na II Liga. Mesmo assim, não foi fácil e o texto tornou-se extenso e com alguns requintes de malvadez. Preparado, caro leitor? Então, vamos lá.

Os que podem/deviam fazer a pré-época: Opare e Kayembe;

Danilo saiu e o FC Porto precisa de um lateral. A hipótese mais forte é a de ir contratar alguém (agora fala-se de Maxi principalmente mas também de Bruno Peres, antes foram Marcos Rocha e Mayke), mas, se tal não suceder rapidamente, é bem provável que Opare integre os trabalhos de pré-temporada. O empréstimo ao Besiktas não correu mal, e o ganês pode finalmente ter a oportunidade para se impor que lhe faltou na época transacta. Kayembe, pelos bons préstimos ao serviço do Arouca e pela polivalência à esquerda, pode ser uma opção válida para Lopetegui. A qualidade está lá, e ficar no plantel não seria descabido.

Os que não contam: Varela, Abdoulaye, Licá, Djalma, Bolat, Sami, Pedro Moreira e Quiñones;

Varela está em fim de ciclo: tem 30 anos, os flancos estão recheados de boas opções e o contrato termina em 2016 – a venda do extremo já neste defeso é o cenário mais sensato. Abdoulaye e Licá vêm de um empréstimo ao Rayo Vallecano e têm outra coisa em comum: ambos já tiveram a sua oportunidade na Invicta. O FC Porto precisa de atletas de maior quilate. O mesmo se aplica a Djalma e a Sami. Bolat, Pedro Moreira e Quiñones nunca usufruíram de uma verdadeira chance para singrar no plantel principal e, convenhamos, não é provável que tal aconteça agora. Para todos estes jogadores, a venda, ou mais um empréstimo, deve ser o caminho a seguir.

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Varela termina contrato em junho de 2016 e esta é a altura certa para o vender
Fonte: Página de Facebook do FC Parma

Os que devem rodar na I Liga ou no estrangeiro: Tiago Rodrigues, Otávio, Ivo Rodrigues, Mauro Caballero e Ghilas;

Neste “lote”, começo por Ghilas. Julgo que o avançado argelino tem uma boa margem de progressão e pode vir a ser útil ao FC Porto num futuro próximo. Por isso, não o incluí no grupo anterior. Depois da campanha no Córdoba, fá-lo-ia regressar à Liga espanhola, através de um clube do meio da tabela, como o Espanyol ou o Rayo. O caso de Nabil é, a meu ver, muito particular, e estou curioso para ver o seu potencial totalmente exposto. Quanto aos outros, todos jovens, já passaram pela equipa B e não será surpreendente que lá retornem, mas preferia vê-los sujeitos a um nível competitivo mais elevado: rodar na I Liga seria o ideal, para poderem experimentar desafios mais exigentes do que aqueles que podem encontrar na II Liga, algo que permitir-lhes-ia crescer técnica e taticamente. Destaque para Mauro Caballero, que cumpriu uma época muito positiva ao serviço do Desportivo das Aves, sendo que, na próxima época, irá rodar fora de portas – foi emprestado ao FC Vaduz –, e para Ivo Rodrigues, uma das figuras portuguesas no Mundial Sub-20 que decorre ainda na Nova Zelândia.

Os que voltam à equipa B: Júnior Pius, Célestin Djim, Braima Candé e Rúben Alves;

Vou ser totalmente franco: conheço muito pouco destes quatro jogadores. No entanto, julgo que é consensual que o mais benéfico para eles seria integrar o plantel da equipa B, onde deverão ter oportunidade de jogar, dada a sobrecarga de jogos na II Liga. Seria preferível a rodar noutra equipa da mesma divisão. Assim, começavam a ambientar-se ao peso da camisola e aos valores do clube. É o mínimo que se pode exigir, se um dia querem singrar no FC Porto.

Ufa, missão cumprida. Acredito piamente que grande parte destas “propostas” vai acabar por se traduzir na realidade. No entanto, também tenho consciência que outra parte não se vai confirmar. Com alguma pena minha, porque tive em conta o objetivo de, além de procurar a melhor solução para todos os jogadores, também escolher a opção mais viável para o clube, principalmente no que toca à folha salarial. É que, parecendo que não, 27 jogadores são um encargo assinalável, e sabe Deus (a entidade religiosa, não o treinador da equipa B do Sporting) as despesas indispensáveis que o clube já tem/poderá ter. Fica a sugestão de mais um portista. Mister, caro Antero e Presidente, sintam-se à vontade para dar uma vista de olhos…

Foto de capa: Página de Facebook de Nabil Ghilas

Euro Sub-21’2015 – Inglaterra 0-1 Portugal: William e mais dez

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Melhor maneira de começar uma competição. Portugal venceu a Inglaterra e mostrou que tem argumentos individuais e colectivos para se afirmar como candidato. Num jogo que nem foi quente nem frio, a selecção portuguesa acabou por sair vencedora num lance algo fortuito.

A equipa portuguesa entrou num 4x4x2 losango e foi sempre arguta na procura das costas dos centrais ingleses. O jogo nunca pendeu realmente para um lado, mas a primeira oportunidade acabou por acontecer numa atrapalhação de Moore, proporcionando uma defesa fantástica a Jack Butland. Os pupilos de Rui Jorge andaram sempre mais perto da baliza e criaram várias ocasiões através das recorrentes tentativas de aproveitar a velocidade de Ivan Cavaleiro e Ricardo Pereira. A Inglaterra teve desde o início um objectivo bem definido: servir Harry Kane. A equipa inglesa privilegiou as combinações entre laterais e extremos – Jenkinson e Redmond foram os que estiveram mais activos. Harry Kane também disse presente e por duas vezes, aos 33m e 34m, quis mostrar o porquê de ser uma das estrelas da competição. Depois de um início que pendeu mais para Portugal, os jogadores ingleses acabaram por sair por cima e acabaram a primeira parte com um tiraço de Lingard a tirar tinta ao poste de José Sá.

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O ataque inglês nunca conseguiu superar o muro que foi a equipa portuguesa
Fonte: Página de Facebook da England Football Team

A entrada no segundo tempo não trouxe novidades e os onzes não foram alvo de alterações. As equipas mantiveram-se no mesmo registo e a primeira grande oportunidade nasceu de um remate cruzado de Raphael Guerreiro. Os jogadores comandados por Gareth Southgate tentaram sempre os desequilíbrios pelas alas e Redmond foi invariavelmente o mais objectivo, tentando visar a baliza defendida por José Sá sempre que possível. Aos 57 minutos surgiu o único golo da partida através de João Mário – depois de uma confusão na área inglesa, a bola chegou a Bernardo Silva que acertou no poste, ressaltando finalmente para para João Mário que, de baliza aberta, não desperdiçou. O jogo decorreu sem grandes incidências até ao fim, sendo de notar o final mais pressionante de Inglaterra – José Sá mostrou-se impenetrável – e a maneira como Iuri Medeiros e Bernardo Silva combinaram um com o outro.

A vitória no primeiro jogo é um bom prenúncio, mas existem outros que também são importantes assinalar. William Carvalho justificou o porquê de ser o jogador com mais valor na competição, a dupla Ilori-Oliveira mostrou-se irrepreensível – Kane não é um jogador qualquer – e Bernardo Silva demonstrou que pode desequilibrar – durante o jogo não foi raro ter dois ou três jogadores ingleses em cima do principezinho do Mónaco.

A Figura
William Carvalho – Imperial em todos os momentos do jogo. A sua tranquilidade, a qualidade de passe e leitura de jogo fazem do trinco do Sporting um jogador bastante acima da média.

O Fora-de-Jogo
Harry Kane – Apesar de a espaços tentar fazer sentir a sua presença, desperdiçou uma ou duas oportunidades flagrantes e acabou por sair em branco do jogo.

Foto de capa: Página de Facebook das Seleções de Portugal 

O caso Doyen e porquê fechar as portas dos Fundos?

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a norte de alvalade

O Sporting expõe por estes dias os seus argumentos no caso contra empresa Doyen, uma das muitas de fundos de investimentos. Como é sabido por todos, o conflito entre o clube e a referida empresa remonta à venda de Rojo ao Manchester United, envolvendo simultaneamente os direitos económicos sobre Labyad, que ainda se mantém como nosso jogador.

A estratégia poderia ter sido outra?

O caminho seguido pela administração neste caso, à semelhança de outros, foi de elevado risco. Vencendo, recolherá os louros de uma vitória muito importante para a sua estratégia. Sendo derrotada, terá de arcar com as consequências que se estenderão para lá das importantes repercussões económicas. Porque, como não é difícil de adivinhar, a derrota terá um significado importante na já de si sempre atribulada vida interna do clube. Veremos se o risco assumido compensa. Mas afigura-se-me muito difícil de prevalecer o argumento de apenas devolver o dinheiro investido por um parceiro, ficando o clube com a totalidade dos lucros, argumento já repetido naquilo que parece ser o futuro caso Carrillo.

No meu entender, tendo em conta as consequências que uma decisão negativa pode representar para a recuperação económica da SAD, seria mais avisado deixar extinguir a validade e acção dos contratos deste género e, uma vez que a SAD os entende como perniciosos, deixar de recorrer a eles, o que me parece que tem sido seguido. Mas também é verdade que me falta o conhecimento total dos contratos e dos argumentos das partes e, mais importante que tudo o mais, competência jurídica para os apreciar. Estimo que a decisão se tenha estribado em sólidos argumentos dessa natureza e que tenha sido tomada após cuidada reflexão interna.

A árvore e a floresta 

Foi a partir deste conflito de interesses que o Sporting, através do seu presidente, encetou uma luta não apenas contra a Doyen mas contra toda a forma de partilha de direitos dos jogadores por entidades externas aos clubes, conhecida hoje pelo acrónimo TPO’s (third party ownership).

É muito provável que as razões de desconfiança relativamente à Doyen sejam mais que justificadas. E que, por exemplo, o valor inflacionado que nos foi pedido pelo Aboubakar, superior ao que o FCP acabou por pagar pelo jogador, seja apenas uma das pontas de um enorme iceberg, cuja parte que fica abaixo da linha de água conhecemos muito pouco.

A recente promoção feita pela empresa em Madrid foi aquilo que se pode chamar verdadeiro tiro pela culatra para os interesses da própria. A falta de abrangência dos convidados, o atabalhoamento e a falta de argumentos capazes de contestar os que são geralmente apontados como os principais defeitos chegoaram a raiar o confrangedor. Parece-me, contudo, que se confundiu aqui apenas uma das árvores com toda a floresta.

Argentina v Slovenia - FIFA Friendly Match
Rojo está no centro da polémica entre Sporting e Doyen
Fonte: taringa.net

A enxurrada proibitiva é apenas destrutiva, não regula.

Ora, a Doyen é apenas uma das muitas operadoras no mercado. O Sporting lidou com algumas delas e o recente resgate de parte dos passes de alguns jogadores em condições favoráveis e sem conflito é a prova de que o relacionamento é possível e pode ser interessante para todas as partes.

Mas quando se fala de TPO’s esquece-se de que não existe apenas a possibilidade do uso de entidades financeiras e fundos de investimento como parceiros de negócio. Há uma diversidade de outras possibilidades, algumas das quais são usadas por clubes cujas circunstâncias e contextos se assemelham em muito aos do nosso clube.

Um bom exemplo disso são os clubes holandeses: embora o país produza mais riqueza que o nosso (o PIB deve situar-se num valor perto do quádruplo do nosso), as limitações impostas pela demografia (menos de 17 milhões) reduzem-lhes o mercado alvo, impedindo-os de competir com os mais ricos (alemães, espanhóis, ingleses e italianos).

Detendo uma forte imagem de grande capacidade de formação, os clubes holandeses, para contrariar a saída precoce dos seus talentos, têm usado uma ferramenta que julgo que o Sporting não deveria ter desdenhado. Por exemplo, o Ajax, cujas possibilidades económico-financeiras impede o clube de oferecer salários superiores a um milhão de euros anuais, tem oferecido aos seus jogadores, nos momentos de negociação de novos contratos, um valor percentual dos seus passes.

Ora isto não só permite, no momento de uma futura venda dos passes, uma compensação justa para os jogadores, como os co-responsabiliza pelo seu sucesso. Por isso não é de estranhar que um dos responsáveis do Ajax se tenha referido recentemente à extinção generalizada dos TPO’s, numa entrevista à Bloomberg, como devastadora para os interesses particulares do seu clube e generalizado aos clubes que vivem em circunstâncias semelhantes.

O exemplo acima é apenas um dos muitos que poderiam ser dados. E um dos vários de que o Sporting poderia socorrer-se como forte argumento negocial, particularmente com os jovens que querem tanto ganhar dinheiro – aspiração tão diabolizada como justa – como gostariam de poder continuar a evoluir tranquilamente no clube que escolheram para se formar.

O que UEFA e a FIFA tomaram foi uma não-decisão baseada no ruído de fundo

Sem grande convicção e enfermando da mesma escassez de conhecimento da realidade e de argumentos, ambas as organizações muniram-se de um machado legislativo para cortar o mal pela raíz, invocando quase sempre o mesmo argumento: a falta de transparência. Ora estas entidades estão longe de poder ser consideradas um modelo de virtudes neste âmbito e muitos outros. Por norma, abstêm-se do uso do seu poder regulador, sendo pouco pro-activos e mais reactivos e permeáveis à força da opinião pública.

Por isso, estou em crer, se viraram para os TPO’s – muito por causa do ruído de fundo construído à volta do caso Rojo, quando já de trás se ouviam muitos zunzuns. Como não há barulho sobre os tão confidenciais mas duvidosos verdadeiros seguros de derrota, alguns clubes já deitam mão para se prevenirem das perdas por ausência da Liga dos Campeões e ambas as organizações assobiam para o lado.

O medo como argumento

Muito desta campanha foi fabricado sobre a irracionalidade que o medo e a ignorância provocam. No Sporting, particular e algo justificadamente, depois de duas experiências que, tendo começado com o inefável e infeliz exemplo de Pongolle, se saldaram emresultados desastrosos. Exemplos não faltam, até ao nosso lado, de que era possível ter feito outro caminho. Ora, este resultado não se deveu tanto ao uso dos fundos em si, mas ao total falhanço por parte da administração desportiva propriamente dita. Se bem que considere que a discussão sobre a quantidade e extensão do seu uso seja não só plausível como obrigatória.

Olhando para os jogadores adquiridos não deixo de me perguntar o que seria se o Sporting tivesse conseguido juntar-lhes estabilidade e algum dos três últimos treinadores. Ou melhor, o que seria na próxima época o Sporting se JJ tivesse ao seu dispor os recursos que Domingos teve na sua primeira época. Nunca saberemos.

Foto de capa: Página de Facebook de Bruno de Carvalho