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Mundial Sub-20 – Portugal 0-0 Brasil (1-3 g.p.): Fim de linha para os caçadores de sonhos

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Depois do primeiro jogo de Portugal no Mundial de Sub-20, frente ao Senegal, escrevi que com esta equipa, os portugueses poderiam sonhar. Quis o azar que o sonho terminasse nos quartos de final, na lotaria das grandes penalidades, frente a um Brasil que em nada se mostrou superior à Seleção Nacional.

Hélio Sousa montou a equipa num esquema mais defensivo, ao apostar em Francisco Ramos e Estrela nos lugares de Guzzo e Gonçalo Guedes. Ainda assim, a equipa das quinas entrou com vontade de pegar no jogo e, nos primeiros 15 minutos, o ascendente era luso. André Silva e Gelson Martins desperdiçaram duas boas oportunidades, naquilo que seria um prenúncio do que iria suceder ao longo de toda a partida. Pouco depois, o Brasil conseguiu equilibrar o jogo, mas só através da velocidade dos seus extremos (Marcos Guilherme e Gabriel Jesus) se aproximou da grande-área controlada por André Moreira.

O intervalo chegou, com nota positiva para Rony Lopes – fez a melhor exibição neste Mundial -, Gelson Martins e Tomás Podstawski. O capitão demonstrou sempre grande leitura dos lances e clarividência no passe e definição do ritmo de jogo. Sinal mais para Portugal à entrada do segundo tempo. Mas foi o “encaixe” tático quase perfeito das duas equipas que marcou verdadeiramente uma primeira parte bem disputada.

O Brasil apostou num sistema mais móvel para a etapa complementar, ao retirar Jean Carlos (uma nulidade) e colocar Andreas Pereira como elemento mais avançado da equipa, trocando constantemente de posição com Boschilia. A ‘canarinha’ conseguiu ser mais objectiva na hora da transição ofensiva e só quando o selecionador português substituiu Estrela por Nuno Santos é que Portugal voltou a controlar as operações. Podstawski recuou e Rony Lopes voltou à sua posição de origem, deixando as alas entregues a Gelson e ao recém-entrado extremo do Benfica.

No entanto, o que se veria depois seria um rol de oportunidades desperdiçadas. André Silva e Gelson não conseguiram bater o guarda-redes Jean e Rony Lopes enviou mesmo a bola ao ferro da baliza, num remate cruzado após bela iniciativa individual do ponta-de-lança português. Com o cronómetro a bater no minuto 90, o nulo obrigava a meia hora suplementar.

Num jogo de muita luta e onde Portugal foi melhor, a sorte sorriu ao ‘escrete’ Fonte: Página do Facebook 'Seleções de Portugal'
Num jogo de muita luta e onde Portugal foi melhor, a sorte sorriu ao ‘escrete’
Fonte: Página do Facebook ‘Seleções de Portugal’

O prolongamento ficou marcado pela fadiga das duas seleções. O Brasil havia completado 120 minutos frente ao Uruguai e os jogadores portugueses também acusaram cansaço. A falta de discernimento pode ter sido uma das razões que, aliada à falta de sorte, deu seguimento aos falhanços lusos. Rony Lopes e Gelson Martins, isolados, não foram capazes de acertar na baliza à guarda de Jean. Entretanto, Guzzo e Ivo Rodrigues entraram para os lugares de Francisco Ramos e do extremo leonino.

No fatídico desempate por grandes penalidades, o azar teimou em ficar do lado português. Depois do central brasileiro Lucão (bela exibição) falhar, Guzzo não conseguiu aproveitar ao atirar à figura de Jean, numa tentativa algo infantil de reproduzir o famoso “penalty à Panenka”. O golpe anímico foi demasiado forte e seguiram-se André Silva e Nuno Santos, que nem sequer acertaram com a baliza.

Portugal merecia a vitória. O volume de oportunidades criadas justificou em pleno a criação de uma vantagem que não se verificou. O Brasil teve a estrelinha do seu lado e agora tem caminho aberto para vencer a competição, visto que a Alemanha também caiu na marca dos onze metros contra o Mali. Mas há que sentir orgulho nos rapazes das quinas. Talento não falta nesta geração e o futuro pode ser encarado com optimismo. Estes caçadores de sonhos têm licença para continuar a sonhar.

A Figura:

Gelson Martins – O extremo destilou todo o talento e arte que tem nos pés. Além de ter sido uma seta constantemente apontada à baliza brasileira, foi incansável na procura das melhores soluções para chegar ao golo, que acabou por não surgir. E esteve sempre disponível para ajudar Rafa nas tarefas defensivas. Um jogador completo, com enorme sentido de responsabilidade.

O Fora-de-Jogo:

Raphael Guzzo – Alguns podem considerar injusta esta nomeação. A verdade é que, depois de ver o adversário desperdiçar uma grande penalidade, tomou a decisão infantil de bater o seu penalty em jeito, o que, além de ter deixado Portugal numa situação delicada, desferiu o golpe decisivo na motivação e confiança dos restantes colegas. É jovem, tem muito para aprender e, oxalá, um grande futuro pela frente; mas a este nível, não se pode falhar assim.

Foto de Capa: Facebook ‘Seleções de Portugal’

Arménia 2-3 Portugal: Ronaldo, what else?

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Portugal alcançou mais um importante triunfo rumo ao Europeu de França às custas de Cristiano Ronaldo, que registou mais um hat-trick na sua carreira. O conjunto de Fernando Santos fez um jogo pouco conseguido e sofrível, mas quem tem CR7 arrisca-se a ganhar, mesmo a jogar (muito) mal.

O selecionador nacional voltou a surpreender na constituição do onze e contrariou a maior parte da imprensa. Se a inclusão de Fábio Coentrão, novamente, a médio já se esperava, a titularidade de Vieirinha, a lateral-direito, e a não entrada de Quaresma no onze não eram tão expectáveis. O restante onze foi composto por Rui Patrício, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Eliseu, Tiago, Moutinho, Danny e CR7.

A equipa das Quinas entrou na partida a jogar em 4-4-2 clássico, com Danny e Ronaldo soltos na frente, com Nani e Coentrão a fecharem as alas, deixando o miolo para Tiago e Moutinho, mas este sistema não estava a resultar. Os arménios controlavam a bola e Portugal raramente conseguia sair no contra-ataque. Mkhitaryan, médio do Dortmund e grande estrela desta seleção, era o homem que mais perigo criava quando pegava na bola e estava a usufruir de uma liberdade que não podia ter. Os dois elementos do meio-campo Português não chegavam para os três jogadores Arménios e os da casa iam-se aproveitando disso. É certo que não estavam a atirar à baliza de Patrício, mas iam assustando. Numa das vezes foi Carvalho a fazer um excelente corte de carrinho que evitou males maiores.

Esta entrada mais forte dos Arménios iria ser premiada ao minuto 14. Num livre ainda longe da baliza, num local onde era expectável um cruzamento para a área, Marcos Pizzelli fez um grande golo. O camisola 8 rematou direto, ao jeito de Cristiano Ronaldo, e fez a bola entrar, após bater na trave, junto ao ângulo superior esquerdo do guardião Português. Rui Patrício não estava à espera de que Pizzelli rematasse e posicionou-se para sair a um cruzamento. É justo também dizer que se estivesse bem colocado, provavelmente, não chegaria à bola mas tinha ficado melhor na fotografia.

Cristiano Ronaldo foi o herói do jogo, com 3 golos marcados Fonte: Facebook 'Seleções de Portugal'
Cristiano Ronaldo foi o herói do jogo, com 3 golos marcados
Fonte: Facebook ‘Seleções de Portugal’

Depois deste golo, Portugal reajustou, Fábio Coentrão juntou-se a Moutinho e Tiago, Danny fechou o lado esquerdo e Ronaldo ficou solto no ataque. Com esta mudança, os Arménios deixaram de ter tanta bola, o conjunto de Fernando Santos ganhou mais solidez defensiva e começou a atacar mais, embora com poucos homens, como foi norma durante todo jogo.

O jogo estava fraco, muito disputado no centro do terreno e Portugal tinha de fazer muito mais se quisesse ganhar o jogo. Mas antes de que Portugal o fizesse, caiu um penálti do céu, sobre João Moutinho (quando a Arménia estava a menos 1 por assistência a um jogador) que Cristiano Ronaldo converteu. Este golo poderia ser o mote para a reviravolta na partida e sobretudo na qualidade de jogo de Portugal, mas não foi. Até ao intervalo, a partida manteve-se na mesma toada e sem qualquer brilhantismo.

Na segunda parte, Portugal voltou com Coentrão a jogar no miolo, atento às movimentações de Mkhitaryan, anulando grande parte do jogo dos Arménios. E se os Arménios não conseguiam visar a baliza nacional, já o mesmo não se pode dizer de Ronaldo. O faro de golo do Bola de Ouro 2015 é impressionante e ao minuto 55, após uma bola longa nas costas da defesa, depois de um dos centrais ter falhado o cabeceamento, CR7 acreditou, foi atrás do outro defesa-central, que esperou que o guarda-redes viesse recolher o esférico. Entre os instantes de hesitação que o central e o guardião tiveram, Ronaldo meteu o seu pé entre eles e fez o golo. A reviravolta nos pés de Ronaldo que 3 minutos depois iria completar o hat-trick com um golo de levantar o estádio.

Rui Patrício bateu longo e após nova falha no cabeceamento do defesa-central, CR7 com um receção brilhante com a ponta da bota, rodou para a baliza e ainda muito longe desferiu um potente remate, com a bola a entrar no ângulo superior esquerdo do guarda-redes. 3 golos caídos do céu, ou melhor, do génio de Cristiano Ronaldo! Ora, depois disto parecia que Portugal tinha acabado com o jogo e que os Arménios já não tinham mais vidas, mas Tiago iria dar esperança à seleção da casa. O jogador do Atl. Madrid viu o segundo cartão amarelo aos 62 minutos, após uma falta desnecessária e infantil.

A partir daqui os Arménios tentaram reduzir e conseguiram-no à passagem do minuto 72, depois de um canto curto. Özbiliz rematou na esquina da área, do lado direito do seu ataque, Rui Patrício não conseguiu agarrar uma bola aparentemente fácil e Mkyoan empurrou para o fundo das redes. Que falha do guarda-redes português!

Rui Patrício teve uma noite infeliz, com culpas diretas no segundo golo Fonte: Facebook 'Seleções de Portugal'
Rui Patrício teve uma noite infeliz, com culpas diretas no segundo golo
Fonte: Facebook ‘Seleções de Portugal’

Um pouco mais de esperança para a Arménia, que ficaria sem efeito porque Ilídio Vale mexeu bem na equipa, fechou os espaços para a sua baliza com William e Adrien e contou com a classe de João Moutinho, que meteu a bola ao bolso e entregou o jogo a Portugal.

Mais três pontos, obra de Cristiano Ronaldo, que Rui Patrício ainda tentou “estragar”. A equipa de Fernando Santos continua a ser muito pragmática, extremamente eficaz e 100% vitoriosa no apuramento para o Europeu de 2016. Que continue assim!

A Figura:

Cristiano Ronaldo – É possível dizer algo mais sobre este super jogador? 3 golos em 3 oportunidades e 3 pontos para Portugal. Ter CR7 não é sinónimo de vitória, mas é significado de estar muito mais perto de a conquistar. É realmente do outro mundo!

O Fora-de-Jogo:

Tiago – Com a experiência que o internacional Português tem, é inadmissível ser expulso daquela maneira, sobretudo depois de Portugal ter conseguido alcançar uma vantagem confortável. Trouxe a Arménia de volta ao jogo e era escusada tal atitude. Enquanto esteve em campo, não conseguiu ser o pêndulo que se esperava e parar as ofensivas adversárias.

Dos eliminados também reza a história

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Dizem que dos vencidos não reza a história, mas eles deixam sempre marcas. E é injusto que a história se esqueça deles. Felizmente isso não acontece, pois toda a gente se lembra da Itália de 1994, que perdeu, nos penalties, o Mundial e, continuando a olhar através da história dessa competição, toda a gente se lembra da Holanda de 1974, batida, na final, pela Alemanha.

Não precisam, porém, de ser os finalistas a ser recordados. Quem não se lembra da fantástica campanha europeia do APOEL em 2011/2012, apenas travada pelo Real Madrid nos quartos-de-final da Liga dos Campeões? E da excelente imagem deixada pela Argélia no Mundial do ano passado?

São exemplos recentes, é verdade, mas elucidativos de que não só dos vencedores se recordam aqueles que revisitam a história. Estão todos relacionados com grandes competições e isso devia começar a mudar. Assim, este artigo tem por inteção a recordação de duas selecções já eliminadas do Mundial de Sub20 deste ano, ainda em curso, mas que deixaram a sua marca (boa ou má) na história desta competição:

Argentina

Começando pelo menos agradável, é justo dizer que a sobranceria paga-se caro. Não houve a devida preparação emocional entre os miúdos argentinos, de quem muito se esperava – não só pelo facto de a Argentina ter conquistado dois Mundiais de Sub-20 neste século, mas também pelo facto de estes mesmos jogadores terem vencido o Sudamericano (competição de selecções Sub-20 sul-americanas) há coisa de 4 meses atrás, com um domínio absoluto na competição – quatro vitórias e um empate em 5 jogos na segunda fase, nos quais apontou 10 golos e apenas sofreu 2.

Mesmo sem o peso da tradição ou da conquista de um título recente, esta era uma equipa em quem muitos analistas depositavam esperanças, sendo muitas estrelas argentinas apontadas como possíveis protagonistas da competição – Ángel Correa (Atlético de Madrid), Giovanni Simeone (River, melhor marcador do Sudamericano) ou Tiago Casasola (Fulham) são alguns exemplos.

Bem, protagonistas foram, mas pelos piores motivos. A passividade com que a Argentina abordou os encontros com o Panamá ou com o Gana foi por demais evidente. No primeiro encontro houve imenso relaxamento quando a equipa se viu em vantagem e o encontro terminou empatado a 2, no segundo, a equipa deu parte e meia de avanço, mas quando acordou já perdia por 3-0 e o resultado ficou em 3-2. No último jogo, correndo contra o prejuízo, massacrou a Áustria, mas o nulo persistiu, como que a vincar que era tarde para modificar a atitude sobranceira com que encararam os jogos contra selecções teoricamente acessíveis.

Os ucranianos caíram nas grandes penalidades frente ao Senegal Fonte: FIFA
Os ucranianos caíram nas grandes penalidades frente ao Senegal
Fonte: FIFA

Ucrânia

Passando para algo mais agradável, a Ucrânia foi das selecções que melhor desempenho teve neste campeonato do Mundo até ao momento, e isso inclui o jogo contra o Senegal, no qual foi eliminada.

Esta equipa é a mesma que já tinha dado nas vistas no Euro de Sub19 do ano passado, revelando uma notável organização defensiva que quase lhe garantiu o apuramento para as meias-finais da prova, não fosse a “inevitável” derrota para a campeã Alemanha.

Neste Mundial parece ter crescido e, acima de todas as outras coisas, revelou rapidez. Não pela velocidade dos seus jogadores com bola, mas sim pelo que faziam sem ela. A resposta à perda de bola era quase imediata e o figurino táctico moldava-se de forma fluída e eficaz. Algo que impressionou por surgir num nível de formação.

Assim, foi “fácil” quase não sofrer golos, ainda que para isso também tenham contribuído as boas exibições do guarda-redes Sarnavskiy.

Destaque ainda para Kovalenko, um médio com grande propensão ofensiva (é, actualmente, o melhor marcador do torneio – apontou 5) e excelente cultura táctica, e Luchkevych, jogador do Dnipro, finalista da Liga Europa, lateral/extremo com uma noção invulgar (para a idade) de todos os momentos do jogo a que alia a facilidade com que causa desequilíbrios à pressão alta que é capaz de exercer e que impedia, muitas vezes, a construção contrária.

Duas selecções que surpreenderam. Uma por ter sido eliminada precocemente, a outra por revelar uma maturidade táctica acima da média. Mesmo sem mais jogos por disputar, são já figuras da edição de 2015 do Mundial de Sub20.

Foto de Capa: Facebook de Ángel Correa

Volta à Suíça: Quem sucederá a Rui Costa?

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Cabec¦ºalho ciclismo

Começa este sábado outra das mais prestigiadas provas do circuito mundial: a Volta à Suíça! Com o Critérium du Dauphiné a terminar (curiosamente, ontem tivemos uma grande vitória do próprio Rui e que já foi comentada AQUI), é altura de concentrar as atenções para uma das últimas provas antes do tão aguardado Tour de France e ver quem irá suceder ao tricampeão, Rui Costa.

Os quatro maiores candidatos a vencer o Tour não estarão nesta prova: Froome e Nibali estão a discutir o Dauphiné, Quintana encontra-se em terras colombianas e Contador está, ainda, a descansar do excelente Giro que fez. Mesmo assim, não deixaremos de ter uma Volta à Suíça com ciclistas de enorme qualidade e candidatos a fazerem top5/top10 na maior prova de todas (que começará no dia 4 de julho).

Esta edição em terras suíças irá ter nove etapas e começará e terminará com um contrarrelógio (o primeiro é um prólogo de 5 km’s e o segundo é uma espécie de crono escalada com cerca de 38 km’s – para ambos os CR’s, ciclistas como Cancellara, Malori ou Dumoulin, à partida, serão favoritos à vitória, sendo que até mesmo um ciclista como Peter Sagan poderá conseguir a camisola amarela no prólogo). A etapa mais exigente será a quinta, que contará com mais de 237 km’s e é considerada a etapa rainha desta prova (não só é a mais árdua, como é a mais longa).

Sem dúvida, é para os puros trepadores marcarem a diferença e para quem não é tão bom no contrarrelógio conseguir, de alguma forma, compensar isso. Não iremos ter nenhuma etapa completamente plana, o que dificultará a tarefa aos sprinters, mas as etapas 4, 6 e 7 poderão acabar num sprint (a etapa 7 será a melhor etapa para os puros sprinters, enquanto que as etapas 4 e 6 estarão certamente marcadas pelos designados “punchers” – ciclistas que são rápidos em terreno plano, mas que também conseguem aguentar subidas curtas – como Peter Sagan, Michael Matthews ou John Degenkolb).

rui costa volta suiça
O tricampeão a celebrar a vitória no ano passado, ainda com a camisola de campeão do mundo
Fonte: bkstickers

Na teoria, os dois maiores favoritos a vencer esta prova serão o francês Thibaut Pinot e o polaco Rafal Majka. Pinot foi o 3.º classificado do Tour, no ano passado, e Majka venceu a camisola da montanha nesse mesmo Tour. Sendo que são dois ciclistas ainda relativamente jovens (25 anos) e que estão a tornar-se, cada vez mais, candidatos a grandes lugares numa das três maiores provas do circuito mundial (estando o polaco num nível abaixo do francês nesse aspeto, principalmente devido ao facto de Pinot já ter mesmo conseguido um pódio no Tour e ter um currículo muito mais vasto, enquanto o melhor que Majka conseguiu foi um 6.º lugar no Giro do ano passado e ainda não tem grandes triunfos na sua carreira).

O francês irá querer testar a sua condição física antes do Tour e nada melhor do que uma prova como esta para o fazer, sendo que, à partida, é o melhor trepador de todo este conjunto de ciclistas e dos melhores no contrarrelógio (entre todos os favoritos para vencer a geral) – modalidade onde progrediu imenso desde os últimos anos. Veremos em que condição chega Pinot a esta prova. Tem tudo para ser o favorito se estiver nas melhores condições.

O ano de 2015 não tem sido muito famoso para Majka, portanto terá aqui a oportunidade de se redimir e de vencer a maior prova da sua carreira até agora. Tem todas as qualidades de trepador para ser bem-sucedido, sendo que não é um mau contrarrelogista, principalmente em CR um pouco montanhosos. A sua maior vantagem em relação a Pinot poderá ser o facto de o polaco ir ajudar Contador no Tour, enquanto o francês irá lutar por um dos lugares mais altos da classificação, ou seja, terá de ter alguns cuidados nesta prova, ao passo que Majka estará certamente motivado para fazer um grande resultado que lhe permita encarar com maior confiança a missão de levar Contador à vitória no Tour.

Majka e Pinot numa das etapas do Tour de France 2014
Majka e Pinot numa das etapas do Tour de France 2014
Fonte: cyclingtips

Outros nomes a ter em atenção para esta Volta à Suíça são ciclistas como Jakob Fuglsang (segundo o que é dito, o suíço – que irá correr em casa, ou seja, terá aqui uma motivação extra – encontra-se numa grande forma, e a vitória nesta prova é um dos seus maiores objetivos este ano, sendo que raramente tem um mau dia e tanto é forte nas montanhas como nos contrarrelógios), Simon Spilak (costuma dar-se bem em terras suíças e, com mau tempo previsto para alguns dias da corrida, poderá ser um dos que mais beneficiarão com isso, sendo que costuma adaptar-se bem a corridas como esta – como prova o seu 2.º lugar em três edições seguidas do Tour de Romandie), o duo da Sky, Geraint Thomas e Sergio Henao (em anos anteriores, Thomas não estaria neste lote de favoritos, mas é dos ciclistas que mais tem aumentado de qualidade e, se não perder muito tempo na etapa rainha, será dos maiores favoritos a vencer; já o colombiano é uma das maiores esperanças da Sky para o futuro em termos de grandes voltas, sendo que tem, nesta corrida, etapas adequadas para o seu perfil de ciclista).

Michal Kwiatkowski, campeão do mundo, será dos ciclistas que mais beneficiará dos contrarrelógios, até mesmo podendo compensar o facto de não ser tão bom trepador como alguns dos ciclistas já mencionados, Domenico Pozzovivo (irá voltar à competição depois da aparatosa queda que teve no Giro d’Itália, sendo que é daqueles ciclistas que merecem sempre uma palavra aquando destas corridas, e o próprio percurso poderá ajudá-lo a conseguir um grande lugar – isto se estiver em boa forma e recuperado – com uma etapa 5 ao seu estilo e um contrarrelógio final que também lhe assenta bem – basta relembrar o CR que fez na Vuelta em 2013), Robert Gesink, Daniel Moreno, Jurgen Van Den Broeck, Warren Barguil, Ion Izagirre, Frank Schleck, o duo da Lampre, Kristijan Durasek e Przemyslaw Niemiec, e a armada colombiana, protagonizada pelo já referido Sergio Henao, Esteban Chaves, Darwin Atapuma, Julian Arredondo e Winner Anacona.

Será uma das últimas grandes provas antes da maior de todas, o Tour de France. Que seja uma boa prova e que proporcione um excelente espetáculo para todos aqueles que irão seguir esta Volta à Suíça!

Foto de capa: Jornal Ciclismo

O GP da Catalunha em MotoGP

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cab desportos motorizados O circuito de Montmeló, em Barcelona, recebe este fim-de-semana o Mundial de motociclismo, depois dos grandes prémios de Le Mans, em França, e Mugello, em Itália. E com uma grande reviravolta a nível de pontuação na tabela classificativa. Se, à chegada a Le Mans, Valentino Rossi era líder isolado do campeonato, o italiano chega ao circuito catalão com apenas seis pontos de vantagem para o rival, e companheiro de equipa, Jorge Lorenzo.

O piloto espanhol venceu os dois últimos Grandes Prémios, enquanto Rossi somou um segundo lugar (Le Mans) e um terceiro lugar (Mugello.) Já Marc Marquez continua a não conseguir atingir os resultados da época passada. No circuito francês, não foi além de um quarto lugar e, em Mugello, caiu e não somou qualquer ponto.

A pista de Montmeló tem um enorme significado para a maioria dos pilotos espanhóis. Não só a maior parte corre em «casa», porque vive relativamente perto de Barcelona, como este é um circuito completamente dominado pelos espanhóis desde que a classe rainha se rege a motores de quatro tempos. Aliás, o último piloto não espanhol a ganhar no circuito catalão foi Andrea Iannonne na classe de moto2. Na Catalunha, também domina a equipa Yamaha, com sete grandes prémios vencidos, enquanto a Honda registou quatro vitórias e a Ducati duas.

Nos últimos quatro anos, os pilotos da Honda conseguiram alcançar a pole position, mas ficaram-se por aí: partiram do primeiro lugar da grelha de partida mas não conseguiram alcançar a vitória. O primeiro lugar do pódio ficou, sempre, para os pilotos da Yamaha. O grande prémio da Catalunha deste ano tem algumas semelhanças com o Grande Orémio de 2009, onde se assistiu a uma das melhores e maiores batalhas do mundo do motociclismo. Aliás, Jorge Lorenzo dizia ontem, na conferência de imprensa, que “Valentino Rossi deveria escrever um livro sobre o que se passou em Montmeló em 2009.”

uma das maiores e mais emocionantes batalha do mundial de motociclismo, em 2009 Fonte: MotoGP.com
Uma das maiores e mais emocionantes batalhas do Mundial de motociclismo, em 2009
Fonte: MotoGP.com

Os protagonistas de 2015 são os mesmos de 2009. Partem, no domingo, com uma diferença de seis pontos. Há seis anos, partiram com cinco pontos de diferença. Contudo, as semelhanças não residem, apenas, na tabela classificativa mas sim na determinação e na moto que possuem. Jorge Lorenzo não parece o mesmo da época passada.

Soltou o “martillo” e tem acabado com a concorrência directa em pista. Um claro exemplo disso foi a vitória em Mugello, num circuito rodeado de «rossistas». Por outro lado, Valentino Rossi tem vindo a mostrar que a idade não lhe pesa e que vencer o campeonato é o seu principal objectivo para esta temporada. Em 2009, a adrenalina dominou por completo todo o fim-de-semana e viram-se manobras de deixar os espectadores com pele de galinha.

O grande duelo entre Valentino Rossi e Jorge Lorenzo terá lugar no próximo domingo, às 13 horas de Lisboa. Espera-se emoção igual. Nota final: Miguel Oliveira, piloto português na classe de Moto3, chega a Montmeló depois da primeira vitória na categoria no último grande prémio em Mugello. Foi, também, a primeira vitória portuguesa no motociclismo. O português começa, finalmente, a demonstrar o talento que tem.

Foto de Capa: MotoGP.com

Jogada de mestre ou mau investimento?

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Parece que todos os rumores que se vinham ouvindo ao longo destes dias ganharam forma e que a saída de JJ do Benfica para rumar a Alvalade é um dado adquirido. Depois de seis anos na Luz, onde conquistou três Campeonatos Nacionais, uma Taça de Portugal, uma Supertaça Cândido de Oliveira e cinco Taças da liga, o treinador, proveniente da Amadora, vai abraçar um novo projecto ao lado de Bruno de Carvalho.

Técnico carismático e com um carácter forte. Adorado pela maioria dos adeptos benfiquistas, é agora alvo da raiva e insatisfação dos mesmos. Trocar o Benfica pelo eterno rival, sendo JJ Sportinguista ou não, é um golpe duro para a maior parte dos adeptos encarnados. Habituado a possuir plantéis com grande qualidade, pois relembro que a passagem de JJ pelo Benfica coincidiu com a altura de maior investimento, estará Jesus preparado para abraçar este novo projecto?

Jesus já deu a entender que não é treinador de apostar na formação, ponto que ficou bem assente na sua passagem pelo Sport Lisboa e Benfica onde apenas fez transitar da formação para a equipa principal André Gomes, Ivan Cavaleiro, Oblak (este chegou ao Benfica ainda sem ser sénior, passando ainda pela formação do clube encarnado) e Gonçalo Guedes, jogador a quem deu alguns minutos esta época, deixando sair do Benfica jogadores que possuíam rótulo de craques como, por exemplo, Bernardo Silva.

Visto que a estrutura do Sporting aposta na formação como forma de se “reforçar” todos os anos, aceitará Jesus começar a olhar para os miúdos de outra maneira? Desta forma, Bruno de Carvalho ou JJ terão de repensar a sua maneira de trabalhar, moldando-se um ao outro porque, se isso não acontecer, o divórcio entre ambas as partes será rápido.

Com uma vontade imensa de colocar o emblema verde e branco na senda de títulos, Bruno de Carvalho transforma Jesus no treinador mais bem pago de Portugal, o que na minha opinião é uma aposta de risco. Se por um lado Vieira já o havia feito, pois manteve Jesus na época em que o Benfica perdeu todos os troféus, acabando por se revelar uma boa decisão, no Sporting creio que o mesmo não irá suceder, uma vez que o leque de jogadores que JJ terá ao seu dispor em nada se compara aos que o mesmo possuía do Benfica. Falo de jogadores como Garay, Siquera, Matic, Enzo Pérez, Oblak e Rodrigo.

Rui Vitória desenvolveu um grande trabalho no Vitória Fonte: Facebook V. Guimarães
Rui Vitória desenvolveu um grande trabalho no Vitória
Fonte: Facebook V. Guimarães

O substituto de JJ no Sport Lisboa e Benfica também já foi confirmado. Depois de a maior parte dos benfiquistas ter expressado o seu favoritismo em relação a Marco Silva, o técnico escolhido acabou mesmo por ser Rui Vitória, treinador do Vitória de Guimarães, clube que orientou quatro épocas. Com 45 anos, o técnico, que já orientou os juniores do emblema da Luz durante duas épocas, chega ao ponto mais alto da sua carreira ao assinar pelos encarnados.

O trabalho que o mesmo desenvolveu no Vitória foi notável, conseguindo consolidar o emblema de Guimarães como uma das melhores formações deste campeonato, clube que conquistou uma Taça de Portugal contra o Benfica na época de 2013/14 e que, acima de tudo, pratica um bom futebol. Como todos sabemos, Rui Vitória gosta de apostar na formação e de ter equipas jovens, coisa que Vieira vinha há muito pedindo a Jesus e que este acabava por não cumprir. Com esta contratação, Vieira cumpre dois dos seus grandes objectivos. Em primeiro lugar reduz a carga salarial acentuadamente e em segundo lugar pode começar a colher os frutos “made in” Seixal.

Por outro lado, Bruno de Carvalho dá uma prova de poder, conseguindo “roubar” ao eterno rival o melhor treinador a trabalhar em Portugal neste momento, oferecendo ao mesmo um salário que ronda os seis milhões de euros por ano, coisa que num passado recente se pensava ser impossível de realizar no Sporting. Mas acima de tudo, para se ganhar títulos, um bom treinador não chega, e nesse aspecto penso que o Benfica é superior pois possui uma estrutura mais coesa e forte que o Sporting, o que na minha opinião vai ser fundamental para seguir na senda dos títulos e de boas campanhas Europeias.

Resta-nos saber se Jesus continuará a ser o grande treinador que foi no Benfica, ou se será uma aposta furada que Bruno de Carvalho tentará rechaçar do emblema leonino a toda a força, como fez com Marco Silva.

Rui Costa está de volta!

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Cabec¦ºalho ciclismoEspetacular! Não há outro adjetivo que melhor descreva esta vitória, na 6ª etapa, do português em solo francês. A garra, o querer, a força, a tática, a frieza e, principalmente, a excelente “visão de jogo” (já caraterística do Rui) levaram a esta enorme vitória de Rui Costa frente a dois dos melhores ciclistas do pelotão internacional, Nibali e Valverde. Fez lembrar a vitória no campeonato do mundo de 2013!

No Critérium du Dauphiné, depois de a etapa de ontem ter, aparentemente, revelado falta de forças de Nibali, Valverde e do próprio Rui Costa, a etapa de hoje voltou a mostrar o porquê de esta prova ser uma das mais imprevisíveis do World Tour. Cinco homens estiveram na principal fuga do dia: Vincenzo Nibali, Alejandro Valverde, Tony Gallopin, Tony Martin e o ex-campeão do mundo Rui Costa. A maioria destes elementos, na etapa anterior, perdeu tempo suficiente para conseguir entrar na fuga, sendo que o pelotão acabou por ser desleixar e não conseguiu apanhar estes homens até ao fim. Quer a Sky (do favorito Froome), quer a BMC (do ex-líder da corrida Van Garderen) não souberam controlar o ritmo do pelotão e deixaram escapar alguns “gigantes adormecidos” da etapa de ontem, que, hoje, acordaram bem capazes de dar uma reviravolta completa nos acontecimentos deste Dauphiné.

: Os 5 homens da fuga que vingou (com o Rui Costa a ser o penúltimo ciclista da imagem) Fonte: Cycling News
Os 5 homens da fuga que vingou (com o Rui Costa a ser o penúltimo ciclista da imagem)
Fonte: Cycling News

Com a certeza de que a fuga iria vingar, as atenções estavam todas postas naqueles quatro homens (Tony Martin, entretanto, acabou por não aguentar o ritmo daquele grupo). A cerca de três quilómetros do fim, Gallopin ataca e ninguém responde, mas, um quilómetro depois, o campeão em título do Tour, Nibali, deixa para trás o Rui e o Valverde, apanhando o Gallopin e ultrapassando-o com relativa facilidade. Mas, quando já se esperava a vitória do italiano, surge de repente o português e, a 300 metros do fim, já se previa que a vitória fosse para ele (conseguiu ainda ganhar cinco segundos ao novo líder da geral individual), não só pela melhor ponta final em relação ao seu adversário, mas também pelo facto de ele ter feito uma subida mais constante e mais “calculada” do que o próprio Nibali. A sua frieza, a sua visão dos acontecimentos e a sua enorme garra foram cruciais nesta excelente vitória – a primeira do ano.

Foi mais um dia imprevisível no mundo do ciclismo e foi mais um dia de enorme espetáculo proporcionado por alguns dos maiores protagonistas, atualmente, deste desporto. Na geral, Nibali é , Rui Costa é (a 29 segundos do italiano) e Valverde é . Simon Yates (uma das jovens sensações dos últimos tempos, juntamente com o seu irmão gémeo, Adam Yates), Van Garderen (o anterior líder desta prova), Intxausti, Froome (veremos se terá capacidade para ainda chegar à vitória), Gallopin, Bardet (vencedor da etapa de ontem, chegou a cair na etapa de hoje), Daniel Martin e Andrew Talansky (o vencedor em título desta prova) ocupam ocupam os restantes lugares do top10. Por fim, se tivermos o Rui Costa a um nível assim quando chegar o Tour de France, teremos razões para acreditar numa muito boa prova por parte do português!

Copa América’2015: Grupo C – Brasil e Colômbia na pole-position

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Grupo C – Caso não haja grandes surpresas, Brasil e Colômbia parecem ser os grandes candidatos a passar directamente para os quartos-de-final da competição. O conjunto brasileiro vem de uma sequência de nove vitórias consecutivas, sob orientação de Dunga, ao passo que a Colômbia conta nas suas fileiras com vários craques, estando ainda na memória a sua grande campanha no Mundial do ano passado. O Peru, terceiro classificado da última edição da Copa América, procura refazer-se da má campanha de qualificação para o Mundial 2014, enquanto a Venezuela tenta afastar de vez sobre si o epíteto de parente pobre do futebol sul-americano, ainda para mais depois do surpreendente quarto lugar obtido na Copa América de 2011.

Brasil – Escrete ou Canarinha

A par da Argentina, a canarinha é a grande candidata a vencer esta edição da Copa América. Depois do monumental fiasco em que se revelou a sua participação no Mundial que acolheu, no ano passado, Neymar e seus pares sabem que se torna quase obrigatório conquistar o torneio a disputar em território chileno. E a verdade é que o optimismo reina entre as hostes brasileiras, tendo em conta as últimas nove vitórias consecutivas sob a orientação de Dunga, ex-capitão do escrete que se encontra na sua segunda passagem ao leme desta superpotência do futebol mundial.

Neymar é a grande figura do Brasil e um dos expoentes máximos do futebol-espectáculo a nível mundial. Vindo de uma temporada para recordar ao serviço do Barcelona, este jogador desconcertante encabeça um grupo de jogadores de elevado nível que quer provar que aquilo que aconteceu no ano passado, com destaque para a humilhante derrota frente à Alemanha, não terá passado de um só dia muito negativo. Elias, Danilo e Casemiro passaram a constar nas convocatórias da selecção brasileira, ao invés daquilo que acontecia durante o consulado de Luiz Felipe Scolari.

Marcelo, Luiz Gustavo e Óscar são as grandes baixas no pentacampeão mundial, por lesão. Contudo, parecem estar todas as condições reunidas para termos um Brasil forte a lutar pela sua nona Copa América, prova que já lhe foge desde 2007. Aliás, nunca uma Copa América teve uma importância tão grande para o Brasil. Depois do pesadelo do Mundial 2014 só uma vitória no Chile poderá afastar os fantasmas que perduram desde o ano passado.

O Brasil quer apagar a imagem deixada no Mundial Fonte: Facebook da Copa América
O Brasil quer apagar a imagem deixada no Mundial
Fonte: Facebook da Copa América

Colômbia – Cafeteros

Depois do fantástico quinto lugar no Mundial 2014 e do futebol de grande qualidade praticado pela Colômbia, é com alguma expectativa que se espera pela prestação desta selecção na Copa América deste ano. José Pékerman mantém-se como seleccionador; o futebol vistoso e ofensivo continua a pautar o estilo de jogo dos cafeteros; são várias as estrelas que compõem o grupo de trabalho.

James Rodríguez é o “menino-bonito” do futebol colombiano, permanecendo ainda na memória o seu soberbo desempenho no Campeonato do Mundo do ano passado. Mas a equipa de Pékerman dispõe de outros argumentos de peso, sobejamente conhecidos do grande público. Falcao quer provar que se encontra restabelecido de uma temporada decepcionante e depois ainda há espaço para Jackson Martínez, “só” o melhor marcador do campeonato português nas últimas 3 temporadas.

A Colômbia venceu apenas uma Copa América até hoje, em 2001, mas existem razões para olhar com confiança para a edição deste ano. Pode não ter o poderio de uma Argentina ou de um Brasil, mas tem claramente capacidade para chegar bem longe na competição.

Fonte: Facebook da Copa América
A Colômbia quer voltar a brilhar como brilhou no Mundial
Fonte: Facebook da Copa América

Peru – La Blanquirroja

A selecção peruana deseja repetir o surpreendente terceiro lugar conquistado na última Copa América, mas desta feita parece que essa tarefa será bem mais complicada. A concorrência é muita e além disso o conjunto vem de uma desastrada qualificação para o Mundial 2014, na qual apenas atingiu 15 pontos em 16 partidas.

Contando nas suas fileiras com o nosso bem conhecido Carrillo, um dos melhores futebolistas peruanos da actualidade, talvez caiba ao Peru a tarefa de lutar por um dos melhores terceiros lugares, o que lhe dará acesso aos quartos-de-final. A selecção é orientada pelo técnico argentino Ricardo Gareca, que tem feito toda a sua carreira no continente sul-americano.

Como maior referência ofensiva da blanquirroja temos Paolo Guerrero, goleador que entretanto se transferiu do Corinthians para o Flamengo. Este já não é, nem de perto nem de longe, o Peru que encantou nos anos 70 do século passado, mas mesmo assim há que contar com esta equipa para dar alguma emoção ao grupo. Os anos de 1939 e de 1975 foram sinónimos de triunfo peruano na Copa América.

Perú terá uma tarefa complicada
Peru quer repetir o 3º lugar da ultima edição
Fonte: Facebook da Copa América

Venezuela – Vinotinto

Normalmente vista como o parente pobre do futebol sul-americano, a Venezuela procura dar continuidade ao quarto lugar alcançado na Copa América 2011, a sua melhor classificação de sempre. Aliás, a selecção venezuelana é o único conjunto sul-americano que nunca logrou atingir a presença numa fase final de um Campeonato do Mundo.

O treinador César Farías realizou um óptimo trabalho na Federação da Venezuela, culminado com o tal quarto lugar na Copa América de há 4 anos, tendo como seu sucessor o actual seleccionador, Noel Sanvicente. Trata-se do técnico mais laureado da história do futebol venezuelano, após passagens de sucesso por clubes como o Caracas e o Zamora.

A vinotinto pode não ter grandes nomes, mas tem a vontade e o aliciante de continuar a fazer evoluir um país que tem crescido imenso em termos futebolísticos nos últimos anos. A prova disso está no facto de actualmente contar com uma estrela, de seu nome Salomón Rondón, avançado do Zenit que alia uma excelente capacidade física à velocidade e poder de concretização.

A Venezuela procura repetir o 4ºlugar da ultima Copa América Fonte: Facebook da Copa América
A Venezuela terá uma tarefa complicada
Fonte: Facebook da Copa América

Fotos do Facebook oficial da Copa América

Bursaspor: A fábula da vertigem

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Num passado não muito distante, o futebol turco era encarado com algum cepticismo pelos analistas. A liga turca mostrava um Galatasaray a viver das glórias do passado e Fenerbahçe e Besiktas cingiam-se a modelos de jogo assentes em processos simples. Os três grandes da Turquia começavam a perder o comboio da evolução tática que tem ocorrido ao longo da última década. Graças a algumas personalidades conscientes desta evolução e com sabedoria adquirida no estrangeiro – aqui refiro-me especificamente a Fatih Terim -, o panorama mudou.

Uma excelente campanha no Euro 2008 da seleção da Turquia teve o condão de ressuscitar um futebol estagnado no tempo. A anarquia que passava das bancadas para o campo esbarrou na vontade de progredir. Surgiram novas equipas com aspirações elevadas, como o Trabzonspor. Jogadores de nome sonante e maior qualidade começaram a olhar para a possibilidade de jogar na Turquia com outros olhos (além do incentivo financeiro que muitos dos clubes proporcionam).

O Galatasaray tem-se destacado dos demais a nível interno e, de há uns anos a esta parte, voltou a marcar presença regular na Liga dos Campeões; o Fenerbahçe, se não tivermos em conta os problemas judiciais, é, por norma, a maior ameaça ao campeão; o Besiktas tem feito coisas interessantes na Liga Europa; e, no meio dos históricos, surge o Bursaspor. Campeão em 2009/10, diria que é um caso específico no seio da atual cultura futebolística turca.

Fatih Terim impulsionou o renascimento do futebol turco Fonte: Facebook de Fatih Terim
Fatih Terim impulsionou o renascimento do futebol turco
Fonte: Facebook de Fatih Terim

Tenho acompanhado o percurso dos “crocodilos” (como são chamados) desde o início da época. E depois de ver o jogo que perderam frente ao Galatasaray, a contar para a final da Taça da Turquia, pude tirar algumas ilações sobre o seu sistema e maneira de jogar. O Bursaspor tem jogadores claramente talhados para o sistema em que joga (4-2-3-1), mas ainda não se conseguiu desligar do impulso vertiginoso de atacar com sofreguidão, caraterístico da tal anarquia tática que referi acima.

Na defesa, os laterais (Ozbayrakli à direita e Behich à esquerda) conferem apoio constante aos extremos. O eixo tem sido alvo de mudanças constantes ao longo da época: Serdar Aziz é o elemento mais regular (apesar de não ter jogado a final), e começou por emparelhar com o argentino Renato Civelli. Na fase final da época, o alemão Samil Cinaz, médio-defensivo de raiz de estilo durão, “roubou” o lugar ao sul-americano.

No miolo, milita o trio responsável pela rotação do jogo do Bursaspor. O miúdo Ozan Tufan (muito potencial, 20 anos e internacional A pela Turquia) é o médio mais posicional, tendo como principal função colocar um travão nas investidas adversárias. Esta sua tarefa adquire especial importância nos jogos contra equipas menos ambiciosas, já que o Bursaspor tende a subir a linha defensiva para muito perto dos médios. Por vezes, é algo que prejudica o seu jogo, porque acabamos por ver Tufan correr atrás do adversário, como aconteceu repetidamente frente ao Galatasaray. A acompanhar o jovem turco, surge aquele que, para mim, é o jogador-chave de todo o modelo de jogo: Belluschi. O argentino sofreu uma metamorfose notável desde os tempos do FC Porto. Outrora médio puramente ofensivo, joga agora bem mais recuado e consegue definir na perfeição o seu posicionamento nos momentos de transição, quer defensiva, quer ofensiva.

Prova disso foi o instante em que surgiu na área do Galatasaray a servir Volkan Sen, de calcanhar, para o segundo golo do Bursaspor. No entanto, nunca descurou as tarefas defensivas, tendo-se destacado a nível da recuperação de bola nas saídas ofensivas do Galatasaray. O terceiro elemento do tridente de meio-campo é Josué. O ex-FC Porto surge no papel como ‘10’, mas no desenrolar da partida vai-se transformando num vagabundo, e tanto se posiciona imediatamente à frente do duplo-pivot, como surge na ala ou nas costas do avançado. A verdade é que esta liberdade dada pelo treinador Senol Günes (que, ao que parece, está a caminho do Besiktas) ao português permitiu-lhe destilar o seu melhor futebol. Atualmente, Josué é um dos ídolos da massa adepta do Bursaspor.

Belluschi é a "peça chave" do sistema do Bursaspor Fonte: Facebook do Bursaspor
Belluschi é a “peça chave” do sistema do Bursaspor
Fonte: Facebook do Bursaspor

Por fim, o ataque vive da capacidade de retenção de bola do “tanque” Fernandão. O brasileiro mede 1,92 m e pesa mais de 85 quilos, mas está longe de ser um mero “pinheiro” goleador. O melhor marcador da liga turca aproveita bem o físico que tem para ganhar bolas nas alturas, cabecear, mas sobretudo para esconder o esférico do adversário, para permitir a incursão dos extremos na área. E não se coíbe de vir buscar jogo mais atrás no terreno. Fiquei deveras agradado ao vê-lo na final da Taça e, aos 28 anos, o salto não deve tardar. O extremo congolês Cédric Bakambu (fisicamente forte) gosta de surgir em diagonal à beira de Fernandão e, do outro lado, Volkan Sem cola-se mais à linha, optando pelo cruzamento com mais frequência ou procurando o remate na quina da área. A opção de recurso é o jovem Enes Ünal, avançado de 18 anos com uma maturidade acima da média e enorme margem de progressão.

Em suma, o Bursaspor incorpora, decididamente, uma filosofia ofensiva. No contra-ataque empurra a equipa toda para a frente e expõe-se defensivamente. Assim se justifica o facto de ter terminado o campeonato turco com o melhor ataque (69 golos), mas ter registado alguns resultados embaraçosos e inesperados, como as derrotas frente a Kasimpasa (5-3) e Sivasspor (4-1), equipas mais “pequenas” que se refugiam no bloco baixo e saem rápido para o contra-ataque. Com mais trabalho a nível defensivo e uma maior consciencialização da importância que a ocupação do espaço defensivo tem durante o jogo, o Bursaspor pode tornar-se num caso de estudo interessante no futuro próximo. Mais que não seja, já é um caso à parte na conjuntura turca.

Foto de Capa: Facebook do Bursaspor

Uma época de sonho com direito a “dobradinha”

cab futebol feminino

Com seis vitórias e um empate na fase de apuramento do campeão, que lhe permitiram levar o título nacional para casa, o Clube Futebol Benfica – mais conhecido por Fófó – voltou a dar alegrias à freguesia de Benfica e conquistou a Taça de Portugal.

Pico de Regalados, Boavista, Valadares Gaia e, na final, Clube de Albergaria foram as vítimas da formação lisboeta, que, nesta edição da prova rainha do futebol português, não conseguiram fazer frente a uma equipa experiente, bem organizada e, acima de tudo, bem orientada. Ninguém tem dúvidas de que são as jogadoras que pisam o relvado que conseguem alcançar as vitórias através da sua qualidade técnica e táctica. No entanto, é justo referir que (mais de) metade do trabalho é realizado igualmente pela equipa técnica. Afinal de contas, quem são os principais intervenientes do feito alcançado pelo Clube Futebol Benfica?

Pedro Bouças, de 35 anos, chegou ao Fófó há duas épocas e já é notória a evolução da equipa de Benfica. Antes de ingressar no Clube Futebol Benfica como treinador principal, detinha o cargo de treinador adjunto no rival 1º de Dezembro, formação que dominou o futebol feminino por mais de uma década. Ao abraçar este novo projecto, fez-se acompanhar de algumas das melhores jogadoras que constituíam a equipa sintrense, das quais são exemplo a extremo Andreia Silva e a avançada Filipa Galvão.

O treinador Pedro Bouças (direita) fez-se sempre acompanhar pelo fisioterapeuta João Coelho (esquerda) ao longo da época Fonte: Clube Futebol Benfica Feminino
O treinador Pedro Bouças (direita) fez-se sempre acompanhar pelo fisioterapeuta João Coelho (esquerda) ao longo da época
Fonte: Clube Futebol Benfica Feminino

Mais tarde, conseguiu também integrar no seu plantel a centro campista Patrícia Gouveia, que, depois de uma experiência em Itália, decidiu regressar a Portugal e apresentar-se ao serviço de Pedro Bouças. Estas “jogadas” revelaram ser de génio, uma vez que as atletas referidas fazem parte, actualmente, da espinha dorsal do Fófó. Afinal de contas, mais experiência e ainda mais qualidade nunca são demais. O técnico português teve assim a capacidade de fundir dois plantéis em prol de um único objectivo: elevar a fasquia no seio do Clube Futebol Benfica. Para além deste aspecto, a forma como encara o futebol e, certamente, a forma como trabalha conquistou toda a equipa.

Quanto às jogadoras que já vestiam de vermelho e preto, apesar das adversidades pelas quais passaram em épocas anteriores, conseguiram levantar a cabeça e conduzir o Fófó ao sucesso. A chave? Muito provavelmente o amor à camisola, o laço que as une e a crença no novo projecto trazido por Pedro Bouças. Parece-me pertinente mencionar algumas dessas atletas que pertencem aos quadros do Clube Futebol Benfica já há algumas épocas, como é o caso da guarda-redes Elsa Santos, da defesa central Ana Teixeira, da avançada Joana Flores e da capitã de equipa Matilde Fidalgo. Para mim, estes quatro nomes conseguem ser sinónimo de árduo trabalho e dedicação, qualidades que são tão ou mais importantes do que a habilidade que nasce com qualquer jogadora.

Joana Flores foi a autora do golo que colocou o Clube Futebol Benfica no pódio do Jamor. Fonte: Clube Futebol Benfica Feminino
Joana Flores foi a autora do golo que colocou o Clube Futebol Benfica no pódio do Jamor.
Fonte: Clube Futebol Benfica Feminino

O Clube Futebol Benfica encontrou desta forma o antídoto certo para alcançar a glória. É composto por uma estrutura sólida, por um plantel dedicado e por uma equipa técnica que acredita que o futebol feminino tem pernas para andar. Os resultados falam por si: em 28 jogos oficiais realizados esta época (campeonato nacional e Taça de Portugal), o Fófó regista 22 vitórias, três empates e apenas três derrotas. O próximo desafio irá ser a participação histórica na fase de grupos da Liga dos Campeões.