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Jogo Interior #4 – O Futebol joga-se com os pés: Entre a Ciência e a Arte

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jogo interior

Num tempo em que se fala, se ouve e se vê Futebol, em quase todos os canais de televisão, a quase toda a hora, em que todos os canais trazem a público pseudo-especialistas para fazer a antevisão do tal jogo, para comentar durante o jogo, para analisar no pós-jogo, para discutir no pós-pós-jogo, até ao meio da semana e voltar tudo ao início com a aproximação do seguinte encontro, lembrei-me de reflectir acerca disto e fazer um ponto da situação…

Na minha perspectiva, em geral, fala-se muito e diz-se pouco. Fala-se muito acerca do jogo e diz-se pouco acerca do Futebol. Não quero ser crítico mas sei que por vezes o sou, no entanto sinto que há algo acerca do Futebol que ainda não foi dito, escrito, discutido ou pensado. Não me parece que muita gente o tenha feito. E quem o fez foi etiquetado de “iluminado”. Não é levado muito a sério. Sérios e profissionais são aqueles que sabem tudo acerca das metodologias do treino, da periodização táctica ou estratégias de jogo… Quando se fala em metodologias fala-se de ciência? Então qual é a fronteira que separa este Futebol científico do Futebol artístico? Eu se vou ao estádio quero ver uma vitória da minha equipa automatizada de “robots” ou prefiro ver luta, guerra, emoção, a arte da dinâmica dos relacionamentos das minhas tropas, geometricamente colocadas nos espaços certos evoluindo no terreno criando um padrão ainda mais belo que os afrescos da Capela Sistina, no Vaticano?

Manuel Alegre no seu livro “O Futebol e a Vida: do Euro 2004 ao Mundial 2006 – crónicas“, escreve: «Futebol, não é só uma questão de técnica, mas de tensão interior, “instinto”, (…), «razões inexplicáveis», aquilo a que Herberto Helder chamou de «estado de poema» e que para um jogador de futebol, talvez seja o «estado de golo». Uma espécie de estado de graça, uma inspiração, um sopro que vem de dentro. Mas que só quando a técnica, como sublinhava Ezra Pound, se transforma numa segunda natureza. É o que permite ao poeta, em momentos excepcionais, reencontrar a relação mágica com o mundo através da palavra. Ou a um jogador de futebol flectir para a direita e rematar… É algo que se decide num centésimo de segundo. (…) Futebol joga-se com onze? Futebol joga-se com todos. E não apenas na alma mas com o corpo todo… “

Estará esta descrição do Manuel Alegre relacionada com o Futebol ciência ou com o Futebol arte? Será o objectivo do Futebol o golo como fruto de observação, problema, recolha de informação, hipótese, experiência, observação, conclusão? Ou será o golo o culminar de um processo de percepção, inspiração, idealização, processo, técnica, intuição, comunicação, estética e provocação de emoção? Caberá a expressão «razões inexplicáveis» dentro da metodologia de treino?

Estará o Futebol entre a Ciência e a Arte? Ou poderá entrar aqui outra dimensão de pensamento: a Filosofia? Sim, porque são estas dimensões as dimensões de pensamento que existem e elas só existem porque o pensamento existe e em nós que somos humanos… E existem em igualdade hierárquica pois todas são interdependentes. Deleuze e Guattari dizem que todo o pensamento é relação com o caos. O pensamento é a própria composição do caos. Um livro poderia ser um fruto de dissertação sobre esta temática mas em suma eles dizem que «a Filosofia faz surgir acontecimentos com os seus conceitos, a Arte compõe monumentos com as suas sensações, a Ciência constrói estados de coisas com as suas funções»…

Estará o Futebol entre a Ciência e a Arte? A Filosofia também não será uma componente a ter em conta? Fonte: Jeremy Wilburn
Estará o Futebol entre a Ciência e a Arte? A Filosofia também não será uma componente a ter em conta?
Fonte: Jeremy Wilburn

Chegando onde eu queria chegar, o Futebol que nós todos conhecemos parece cada vez mais científico e menos artístico ou filosófico. Cada vez mais vemos jogos sem emoção, criatividade, imaginação, genialidade… A formação dos jogadores de futebol está cada vez mais a ser orientada para a formatação dos seus processos, baseados nos princípios da periodização táctica ou metodologias similares, e sem espaço para os atletas inventarem, criarem, falhar e criar novamente. Vemos nos escalões dos mais novos e nas academias de futebol gente competente mas muito condicionada pelo sistema de ensino que lhe proporcionou a sua própria formação, provocando uma grande mecanização na formação do jogador de futebol. Vemos cada vez mais os clubes de alta competição e alto rendimento quando precisam de um jogador para desequilibrar no jogo da sua equipa, vão contratar um brasileiro, colombiano ou argentino, que fez toda a sua formação nas ruas de São Paulo ou em Bogotá…

Sei que devo ser um pouco polémico mas a minha intenção é lutar um pouco pela procura do equilíbrio. A ciência no futebol tem uma função ferramental e não fundamental. A filosofia serve para firmar os conceitos e as ideias que temos ou não temos, e colocar em causa argumentações dúbias, nossas ou de outros, com a intenção de validar ou invalidar aquilo em que acreditamos. A arte serve para evoluirmos como ser naturalmente criativo que somos, mesmo no Futebol. Usando as três dimensões, de forma equilibrada e intuitiva, não descartando nenhuma delas podemos viver no Futebol e do Futebol em plenitude, pois é o único jogo em que se faz com os pés coisas que não se fazem sequer com as mãos, estando os pés na extremidade oposta e portanto mais longínqua do centro de comando do nosso corpo, o cérebro.

Foto de Capa: JN

Benfica 3-0 Vitória de Setúbal: Uma questão de coerência

cabeçalho benfica

Depois de um empate caído do céu mas importantíssimo, era tempo de apontar baterias à Taça da Liga. Com um onze com novidades, como o regressado Sílvio e a inclusão de Gonçalo Guedes (sempre bom vê-lo a titular), a história deste jogo resume-se a uma primeira parte difícil e polémica.

Bruno Ribeiro prometeu e cumpriu. Sem poupanças, acreditando no sonho, o Vitória não jogou com o autocarro e colocou em sentido o Benfica nos minutos iniciais. Desinibidos e a jogar no seu meio-campo ofensivo, os sadinos poderiam ter sido felizes. Após erro de Eliseu (alguém me diz o que é que ele ainda faz no Benfica?), Pelkas ficou sozinho, passou por Artur e a bola ia directa à baliza, mas Lisandro cortou mesmo a tempo. Antes disso, Suk queixou-se de um penálti cometido por Lisandro (já lá vamos à análise). Depois deste susto, o Benfica equilibrou o jogo chegando já à parte final do primeiro tempo mais por cima, mas ficava a ideia de que este Vitória seria um osso duro de roer. Até que ao minuto 40 começou toda a polémica.

Rui Costa apontou penálti e expulsou Advicula por ter derrubado Gonçalo Guedes quando este ficou isolado na área. É um lance que levanta muitas dúvidas. Verdade que o jovem jogador do Benfica iria ficar isolado e por isso o cartão teria de ser vermelho, mas a queda parece muito forçada. É uma questão de intensidade. Talisca fez o 1-0 e o Vitória jogava com menos um. Passados três minutos, Rui Costa voltaria a apitar e pelo mesmo motivo. Desta vez foi Talisca a ser derrubado na área. Um lance que se aceita já que o brasileiro ia encaminhado para a área e sentiu o toque. Mas é com estes dois lances que voltamos a outro lance capital logo no início do jogo. Suk recebe um toque de Lisandro e cai. Rui Costa estava bem posicionado e nada assinalou. E foi aqui que falhou. Se achou que o toque não foi suficiente para marcar penálti, nunca poderia ter marcado o primeiro penálti. É, na minha opinião, uma questão de coerência. Se marca o primeiro do Benfica (que para mim é menos penálti do que o do Vitória), tem de marcar a favor dos sadinos. Foi um lance que acabou por ter influência no jogo. Lisandro acabaria por ser expulso, e o Vitória ficaria com ainda mais folgo do que já estava.

O regresso de Rúben Amorim é uma boa noticia Fonte: Facebook Oficial do Benfica
O regresso de Rúben Amorim é uma boa noticia
Fonte: Facebook Oficial do Benfica

A ganhar 2-0, a segunda parte não tem história. O Vitória perdeu todo o fulgor com a expulsão e os dois golos, e o Benfica dominou a seu belo prazer a partida. Rui Costa voltou a ser protagonista ao não ver um lance na área sadina passível de discussão. Mas o grande destaque vai para o regresso de Rúben Amorim. Cinco meses depois, o português está de volta. Rúben Amorim é daqueles jogadores que podem não ser fora-de-série, mas cumprem quando são chamados. Não tenho dúvidas de que será importante na táctica do Benfica.

Contas feitas e com o terceiro golo do Benfica a vir de Jonas (a par de Julio César, o melhor reforço), o Benfica volta a estar na final da Taça da Liga. Uma prova que, não sendo a mais importante, pode servir de rampa de lançamento para a conquista do tão desejado campeonato. No entanto, o jogo fica manchado pela incoerência de Rui Costa, principalmente naquele lance na área do Benfica que poderia mudar o jogo. A nossa vitória fica manchada por isso e eu não gosto de ganhar assim. No próximo fim-de-semana há mais um Benfica vs Vitória, e os encarnados já estão avisados dos danos que este Vitória pode causar.

A Figura:

Gonçalo Guedes – A jovem pérola benfiquista vai sendo lançada aos poucos e vai mostrando o seu talento. Esperemos que não seja “emprestado” a um desses clubes do Jorge Mendes.

O Fora-de Jogo:

Rui Costa – Já foi tudo dito sobre o árbitro. Hoje esteve em dia não.

Foto de capa: Facebook Oficial do Benfica

“Ralações” Institucionais

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a norte de alvalade

Haveria muito a dizer sobre o corte de relações institucionais com o SLB ontem decretado e que se vem juntar ao que já vigora com o FCP. Mas na verdade é-me indiferente porque nem vou dar por ele. Nem eu nem quase ninguém. E também porque não acredito na eficácia deste tipo de medidas. O corte que gostava de ter feito ao SLB era no campo, diminuindo a distância que nos separa.

A questão que se pode colocar é se a decisão tomada é correcta ou inevitável face à reacção da direcção do SLB relativamente ao comportamento dos seus adeptos. Enfim, vale o que vale. Quem cala consente e não tendo dito nada ou pior, tendo-se ficado por um comentário ignóbil do seu porta-voz, associou o seu nome às faixas exibidas no pavilhão onde se jogou o futsal e ao comportamento dos seus adeptos em Alvalade. Tenho a felicidade de não conhecer nenhum adepto benfiquista que, face à gravidade do sucedido, se reveja nesta atitude.

Bruno de Carvalho cortou relações com o Benfica Fonte: Facebook Oficial de Bruno de Carvalho
Bruno de Carvalho cortou relações com o Benfica
Fonte: Facebook Oficial de Bruno de Carvalho

A este nível, o do comportamento dos adeptos, infelizmente não há nenhum clube com folhas limpas, o que diminui desde logo a  autoridade para poder fazer julgamentos, especialmente os de carácter moral.

Quem também não pode deixar de merecer censura são as organizações que tutelam o futebol. A Liga e a FPF, obviamente, que continuam a fazer de conta que não acontece nada, parecendo sempre mais preocupados em exercer uma autoridade que se fica por mais uns cobres nos cofres e pouco mais. Também elas pouco recomendáveis como referência de organização, bastando como exemplo o que tem sucedido com as sucessivas confusões com a Taça de Portugal, onde só não houve ainda uma tragédia por milagre. Ou talvez porque nenhum dos três grandes se tem encontrado nas últimas finais.

Por último, a tutela governamental, que também só se preocupa em aparecer na hora de cortar fitas e se encostar aos troféus, ignorando a actuação policial e os cada vez mais frequentes episódios violentos. Os adeptos têm por vezes dificuldades em perceber as diferenças entre uns (claques) e outros (polícias), tal tem sido a violência indiscriminada usada. Ignoram-se os melhores exemplos e, aqui, estamos cada vez mais perto dos piores e mais distantes dos melhores. Já ninguém se lembra que Inglaterra tinha um problema muito mais agudo e que o resolveu de forma exemplar. Estamos à espera de um hillsborough ou de um Heysel em português?

Para terminar, voltando ao tema inicial, o corte de relações, há quem diga que os três grandes estão condenados a entender-se a bem do futebol. Não duvido de que todos lucraríamos com isso, sobretudo os que gostam realmente de futebol e do desporto em geral. Mas para isso seria preciso pelo menos um acordo de cavalheiros, o que é caso para perguntar: e onde andam eles?

Infelizmente, o que se constata cada vez mais são direcções completamente submetidas à lógica das claques, abstendo-se de uma das suas mais importantes funções: liderar. Eu gosto de claques, em particular das nossas, é onde gosto de ver os jogos. Mas dispenso a cultura de violência que lhes está subjacente. Porque também e acima de tudo gosto de futebol, e do desporto em geral.

Foto de capa: Foto: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal

Kevin De Bruyne: A prova dos nove

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cab bundesliga liga alema

A desilusão de não ser essencial ou relevante. Ser descartado é o maior teste que alguém, independentemente da área em que trabalha, tem durante a sua carreira. As oportunidades normalmente são dadas consoante a idade, talento, capacidade de trabalho e a evolução que a pessoa pode atingir. Kevin De Bruyne, que tinha ido para o Chelsea via Bundesliga (brilhou no Werder Bremen), regressou ao campeonato alemão na temporada passada, disposto a provar que José Mourinho errou ao deixá-lo sair.

Apesar de ter deixado boas indicações na pré-temporada londrina, o belga de 23 anos foi vendido por 23 milhões de euros a meio da temporada passada. Um valor elevado, que demonstra a confiança que o Wolfsburgo tinha na sua capacidade de se destacar. As expectativas não foram defraudadas. O jovem tem sido a principal figura do clube e o melhor jogador da Bundesliga nesta época. Dono de uma apetência finalizadora assinalável – 8 golos em 20 jogos – e de uma visão de jogo ímpar – 11 assistências –, De Bruyne é o dínamo que estilhaça as defesas contrárias.

O clube é, neste momento, o maior rival do Bayern. A equipa voltou do intervalo de Inverno com vontade de usurpar o trono e no primeiro jogo “atropelou” a equipa da Baviera. Principal destaque? Kevin De Bruyne, quem mais. Dois golos, o segundo um golaço, e uma assistência para provar o enorme talento, mostrando que consegue manter um nível altíssimo com uma regularidade notável. O jogador com mais minutos, a par de Naldo, é fulcral na manobra da equipa de Dieter Hecking.

De Bruyne e Schürrle
De Bruyne e Schürrle prometem entender-se às mil maravilhas
Fonte: Facebook de Kevin de Bruyne

Apesar de todo o protagonismo, faltava o acompanhamento devido. Os responsáveis do Wolfsburgo decidiram que De Bruyne não podia continuar sozinho e foram buscar ao Chelsea outro craque com pouco espaço, André Schürrle. O alemão de 24 anos é o parceiro de crime ideal. A estreia não poderia ter sido melhor, com De Bruyne a adicionar mais um golo à estatística e Schürrle a ser nomeado melhor em campo. O duo promete espectáculo e quem ganha é o Wolfsburgo.

O talentoso belga quer assumir um papel de importância no futebol mundial – na selecção também apresenta números interessantes – e parece apto para tal. Já se fala na cobiça dos tubarões Manchester City, Manchester United e até do Bayern Munique, que já nos habituou a roubar as pérolas dos rivais. Teremos De Bruyne num colosso do final da temporada? O futuro o dirá. Por enquanto, o belga tem passado com distinção no teste que pôs à prova o seu talento e a sua capacidade de reagir à rejeição num grande clube. É mesmo craque.

Foto de Capa: Facebook de Kevin De Bruyne

Formar futebolistas: conhecer e viver o caos

formaçao fut

Um aspecto que cada vez mais se torna determinante na formação de jovens jogadores é a avaliação. Mas, mais do que a avaliação, é a relação entre momento de avaliação e momento de acção. Ou seja, é impossível agir sem conhecer o terreno. Penso que, em muitos casos, perde-se demasiado tempo a tentar implementar formas e modelos de formar e de jogar ou a fazer exigências que simplesmente não encaixam com a realidade.

Contudo, para que a avaliação e a acção façam sentido e para que tenham uma base de sustento é necessário delinear objectivos, modelos e princípios que determinem a acção de todos: desde os jogadores aos treinadores, passando pelas coordenações e pelas direcções. Assim, é fundamental conhecer o caminho que se pretende percorrer e, a partir daí, ir trabalhando nesse sentido. Mas tudo isto só fará realmente sentido se se levarem em conta as reais condições materiais que se encontram à disposição, assim como o seu real valor e o respectivo potencial. Ou seja, antes de tudo e mais alguma coisa, é fundamental avaliar e ter a noção de que isso terá de ser um acto contínuo.

No fundo estamos a falar de um sistema de formação e gestão onde se interligam conceitos e se esquematiza a acção. Esse sistema fica completo com a interação e ajustamento que surgem dos actos de avaliação. Tudo somado permite que o mesmo esteja sempre (mais ou menos) actualizado e capaz de responder aos diversos desafios que se colocam. Sem este tipo de resposta, creio que ficamos todos muito mais perto de errar mais vezes.

Mas porque será que algo tão simples muitas vezes nem sequer existe na realidade futebolística nacional? Honestamente não existem grandes respostas para esta questão. Podemos sobretudo especular e tentar encaixar umas peças que nos chegam na nossa própria cultura. A verdade é que a realidade é dura: em Portugal ainda não temos um sistema que funcione. Ou pelo menos que dê frutos realmente vistosos (houve algumas excepções de sucesso, mas ninguém vive apenas de excepções).

sub17
Portugal Vs Alemanha, sub-17
Fonte: FPF

Isto do desporto em geral e do futebol em particular é algo complexo e creio que em Portugal temos de desenvolver uma abordagem mais profissional e mais séria para agir dentro desta realidade. Falar de futebol é falar de diversas áreas e disciplinas, é falar de humanidade, de sociedade, de economia, de psicologia, de motricidade e, sobretudo, de paixão. E o problema a que temos assistido assenta na nossa incapacidade de gerir estes elementos e de saber trabalhar com o “caos” que a é a realidade.

Já não basta ter um descampado com balizas, hoje em dia há que saber trabalhar e gerir o conhecimento e a prática. Há que procurar a ordem para gerir o “caos”. E não, ninguém tem de ser “Doutor” ou licenciado para o fazer. Por vezes basta ser capaz de observar a realidade e conseguir produzir conclusões a partir dela.  Por vezes basta parar, olhar, escutar e avaliar. A partir daí, qualquer exercício que se faça poderá estar mais próximo de atingir o sucesso. Por sua vez, é fundamental que tenhamos as coisas sistematizadas e organizadas de forma a que a nossa acção seja coerente e assente em duas coisas: nos princípios que orientam a acção e nas reais condições materiais.

Ainda existem outras variáveis. Uma delas relaciona-se com a questão da qualidade e das expectativas. No futebol é evidente que apenas o trabalho e a organização não chegam, há resultados que apenas se alcançam com as variáveis qualidade e competência. Enfim, sem ovos não se fazem omeletes, mas um trabalho organizado e sistematizado poderá surtir efeitos bastante relevantes. Poderão não valer uma “sala de troféus” mas podem valer uma série de resultados pedagógicos e desportivos que futebol de formação não pode descurar. Contudo esta é uma questão para debater em outro artigo.

Acredito que sem as características acima referidas é muito difícil conseguir extrair sucesso a partir do “caos” e da dureza que é a realidade do futebol. Lá está, não planear é planear para falhar. Enfim, é real. Mas já agora deixo uma dica: e conhecer o quê e para quem é que nós estamos a planear?

O nosso ADN

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O futebol de ataque é uma imagem de marca do Benfica. A grandeza e a responsabilidade que carregamos com orgulho levam a que a equipa, principalmente nos últimos anos, só se sinta bem a jogar em ataque contínuo. Os laterais sobem para dar mais profundidade às jogadas (por vezes até o fazem em demasia, no caso de Maxi), há sempre bastante presença na área, a linha defensiva tende a avançar quase até ao meio campo. Das bancadas vem um “Carrega Benfica!”. A equipa procura o primeiro golo e depois desse, o segundo, o terceiro. Porque o espetáculo se torna uma obrigação quando os adeptos vão à Luz para ver golos. Não é por acaso que somos o clube português com mais golos marcados nos campeonatos nacionais (5426) e com mais vitórias (1522 em 2248). Se no nosso ADN está este ímpeto ofensivo, se temos jogadores e um desenho tático que nos permitem jogar ao ataque, então porquê desvirtuar os habituais processos da equipa, como se viu em Alvalade?

Já nos tínhamos habituado a ver Jorge Jesus montar uma estratégia mais defensiva quando o Benfica jogava no Estádio do Dragão (curiosamente, ou não, na única vez em que foi ao Porto e não o fez, este ano, jogando olhos nos olhos com o rival, regressou a Lisboa com uma vitória), mas contra o Sporting o pragmatismo excessivo nunca tinha sido usado. Até ontem. Só não deu derrota por sorte. Mas será que Jesus não aprende? O Benfica não sabe jogar ao estilo da Académica, do Penafiel, do Arouca. Obrigar os jogadores a praticar este futebol frio e calculista é a mesma coisa que pedir a estas equipas que assumam o jogo e joguem de igual para igual com as equipas mais fortes. Pura e simplesmente não resulta. Além disso, passa-se a ideia de que a equipa entra em campo a pensar no empate e os adeptos, compreensivelmente, não gostam. O Benfica não pode entrar em nenhum estádio desta Europa com o objetivo de empatar. Seja no Santiago Barnabéu, seja contra o Pinhalnovense, a obrigação é a de vencer, de mostrar esforço, “Raça, Querer e Ambição”.

A culpa da fraca produtividade ofensiva do Benfica no dérbi só pode cair sobre Jesus; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
A culpa da fraca produtividade ofensiva do Benfica no dérbi só pode cair sobre Jesus;
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Isto não quer dizer que eu não defenda um pragmatismo q.b. em alguns jogos. Quando se tem vantagem no marcador, é preciso pausar o ritmo e, se for preciso, gerir o resultado em função do calendário. Aqui está a grande diferença entre os dois campeonatos conquistados na era Jesus: o primeiro, de 2010, foi marcado por um elevada “nota artística”, por um futebol rendilhado, apaixonante, pelo avolumar dos resultados; no de 2014, e também porque a equipa se manteve até ao fim nas famosas “quatro frentes”, impôs-se um espírito “resultadista”, em que a exibição era relegada para segundo plano, porque o essencial eram os três pontos (em muitos momentos da temporada 2013/2014, viu-se uma conjugação destas duas formas de encarar o jogo, diga-se).

Engana-se quem acha que o jogo que o Benfica realizou em Alvalade foi pragmático. Não foi porque para se resfriar o ritmo de jogo, este tinha de ter começado elevado. Aliás, a intensidade de jogo da equipa manteve-se estável do início ao fim, pena que tenha sido num nível tão vergonhosamente baixo que não permitiu um único remate à baliza durante 90 minutos. Jesus já devia saber, e acho que foi para ele e para todos os benfiquistas experiência suficientemente traumatizante, que começar a adormecer antes de tempo dá mau resultado. Eu não quero voltar a ver o nosso treinador de joelhos. Antes a vantagem era de 6 pontos, agora já só são 4 e ainda faltam disputar 14 jornadas. Já não estamos na Europa nem na Taça de Portugal, o que ainda aumenta mais a responsabilidade de ganhar os jogos da Liga, se possível com boas exibições.

Dito isto, volto a insistir, pegando até naquele velho lema que diz que “a melhor defesa é o ataque”: colocar o jogo numa arca frigorífica à espera do erro do adversário quando se quer ganhar e ser campeão não pode ser o plano, estando o segundo classificado a um, três, seis ou doze pontos. Esta forma de jogar não se compatibiliza com a nossa história (recheada de sucesso), com o desejo de, creio eu, todos os adeptos, com o nosso espírito, com o presente e, desejo eu, com o que virá a ser um glorioso futuro. Porque não é isto que nos está no sangue.

Foto de Capa: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Hoje foi difícil ser do Benfica

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camisolasberrantes

Ainda digiro o empate de Domingo. Para mim, que gosto de futebol, aquilo não foi nada. Para mim, que gosto ainda mais do Benfica do que de futebol, aquilo foi uma facada no coração e logo dada pelas costas.

Assistimos a dois clubes a anularem-se constantemente, tanto por mérito como por demérito de ambos. A espaços, a coisa assim se foi dividindo, construindo-se ali, em Alvalade, um jogo mais chato, desesperante e triste do que o dérbi que supostamente nos tinha sido prometido durante toda a semana. Afinal, mil e uma personalidades vieram para a frente das câmaras – aproveitar os seus segundos de fama – para nos convencerem de que os seus muitos conhecimentos futebolísticos anteviam, sem espaços para dúvidas, um jogo similar ao 3-6 ou ao 7-1. No entretanto, os sportinguistas lotaram também o estádio naquela que havia de ser a sua maior assistência de sempre e os benfiquistas esgotaram em menos de três horas os quase três mil bilhetes que foram postos à venda no Estádio da Luz. Jorge Jesus dizia que não havia motivos para surpresas. Marco Silva prometia um Sporting liberto. Em suma, estamos em Fevereiro, mas já vinha aí o melhor jogo do ano. Só que não.

Talvez esta construção muito específica de uma realidade que não se tornou real tenha despoletado, num contragolpe bem irónico, um sem-número de realidades que hoje invadem os jornais e as redes sociais. Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, veio defender que os adeptos do Benfica deveriam ser «severamente punidos pela Federação e pela Liga». Os motivos prendem-se com o que aconteceu sábado, na partida de futsal entre as duas equipas, onde foi possível avistar-se uma tarja que relembrava (com orgulho) o assassinato – porque não há outro nome – do sportinguista Rui Mendes, em 1996, e também com a forma como os benfiquistas se despediram do dérbi deste Domingo, ao arremessarem very lights e petardos para as bancadas afectas ao público de verde. Horas depois, e em concordância com o que o seu Presidente havia declarado na sua conta de Facebook pessoal, o Sporting Clube de Portugal emitiu um comunicado oficial no qual lamentava e censurava as atitudes dos adeptos afectos ao outro lado da 2.ª Circular, lamentando também a péssima abordagem que a direcção do Benfica havia optado por seguir quando confrontada com o tema: apelidar de “folclore” o desabafo – interessa lá se oportuno ou ridículo – do presidente do Sporting, depois de seis (dos seus) adeptos terem ficado feridos naquilo que deveria ser somente uma partida de futebol.

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As desprezíveis palavras das claques benfiquistas no dérbi de futsal de Sábado

Enquanto uns optam por pôr lado a lado o que as claques do Sporting fizeram – gozar com a memória de Gullit, jovem benquista que morreu há muitos anos num trágico acidente, ou mesmo desejar a todos os de encarnado que de uma vez se “juntem” a Eusébio – com o que as claques do Benfica criaram – a exibição de uma tarja a “adorar” um episódio que muitos de nós ainda hoje tentamos apagar da nossa memória e do nosso futebol, a adoração à mesma com cânticos e outras “pérolas” que tal, já para não falar em pôr em risco a vida de pessoas que só quiseram foi mesmo ir à bola e acabaram no Hospital Sta. Maria –, eu opto hoje, aqui, por apontar o dedo, sem reservas, aos energúmenos que dirigem o clube que eu amo. Tudo o resto são não-conversas.

sporting adeptos
Outras desprezíveis palavras, desta feita pelas claques sportinguistas no dérbi de Domingo

O Benfica não é vosso. O Benfica não pertence a nenhum de vós. O Benfica não vos deve nada. O Benfica viveu décadas sem vocês e viverá da mesma forma muitos outros séculos. O Benfica não vos quer, nem de vocês necessita. O que os votos de alguns significam num momento, nada querem dizer quando se fala em respeitar e amar este clube como se respeita e se ama a própria vida. Vocês não vivem para o Benfica. Não vivem o Benfica. Nem o Benfica vive em vós.

O que anda o senhor João Gabriel a fazer a merda do ano inteiro para só aparecer em frente às câmaras não mais do que meia-dúzia de vezes e em todas elas, sem excepção, cuspir alarvidades repletas de arrogância, próprias de quem não sabe estar num clube que tem milhões de seguidores pelo Mundo fora? Quem passa a este senhor o atestado de sabichão empertigado mais preocupado em atirar farpas aos outros do que em desaprovar os actos dos nossos? O que é que se faz neste clube hoje em dia? É que antigamente ainda se dizia que se andava a criar riqueza e essa era a desculpa para sermos guiados por um bando de abutres ignorantes, todos eles demasiado ocupados para andarem de cachecol ou estenderem a mão e o espírito ao “triste povinho” que mantém o Benfica onde o Benfica merece estar. Mas hoje em dia? Hoje em dia nem dinheiro, nem títulos, nem dignidade! E ainda se faz o manguito ao clube que nos recebeu e que viu seis dos seus adeptos irem de charola para as urgências?!

É de meter nojo. E é aqui que as minhas palavras ganham todo o significado de que não precisam. É por ser enorme e por não ser “isto”, que o Benfica é dos que sabem vivê-lo com saúde mental, deixando as entradas a pés juntos só para o que acontece em campo (e mesmo aí, cuidadinho com os pitons). A direcção do Benfica, a qual nem merece a utilização de um “d” maiúsculo, deveria saber retratar-se. Deveria, com a mesma perícia com que mostra e vomita arrogância e pedantismo, saber comportar-se com elegância, respeito e maturidade. Deveria, aliás, substituir a primeira fórmula pela segunda. E já que estamos a falar em substituir, que se substitua também quem continua a hipotecar, passo a passo, o futuro deste clube. Primeiro, o seu futebol. Depois os seus activos. Depois a sua formação. Depois os seus adeptos. E agora a sua dignidade. A sua honra. A sua mística.

Nunca pensei dizê-lo, mas estes senhores fazem-me ter vergonha em ser Benfica. Felizmente, não foi com eles que aprendi a amar estas cores e este emblema. Somos muito mais do que aquilo que lhes chega à vista. Porque à mão e à vista só lhes chegam negócios e dinheiro. A bola (seja ela de futebol ou não) vem depois…quando eles estão em casa ou nos hotéis (que nós pagamos), a deliciarem-se com as prostitutas (que nós pagamos), que lhes afogam as mágoas e os fazem acreditar, ainda que por breves minutos, que são relevantes nos cargos (que nós pagamos) e que executam de fatinho lustroso (que nós pagamos), mas encardido dos perdigotos que lá caem enquanto mentem com os dentinhos todos. Tenham vergonha, seus animais.

E já agora: quanto é que ficou o dérbi, mesmo?

Contra a promoção da violência só resta o corte de relações

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sexto violino

O Sporting cortou hoje relações com o Benfica. Depois de ter tomado conhecimento do conteúdo do texto, só posso subscrever por completo a decisão tomada. Destaco as seguintes passagens: “durante o derby de Domingo, no Estádio José Alvalade, as ameaças proferidas na véspera (“amanhã há mais”) [no jogo de futsal na Luz, onde também foi exibida uma faixa com a inscrição “very light 96”, a celebrar o assassínio de um Sportinguista] vieram a concretizar-se com o lançamento indiscriminado por parte dos adeptos do SLB de artefactos pirotécnicos sobre os adeptos do Sporting; No pavilhão encontrava-se a assistir ao jogo o presidente do SLB que visualizou a referida faixa e não tomou qualquer medida na altura, nem o SLB emitiu nenhuma declaração a repudiar veementemente esta alusão a um assassinato”; “Quando se esperaria, pelo mais elementar bom senso, uma declaração de reprovação e demarcação, por parte dos órgãos dirigentes do SLB, vem o seu porta-voz oficial, numa comunicação grave e totalmente irresponsável, qualificar toda esta situação denunciada pelo Sporting de «folclore».

Nunca gostei de alinhar no discurso que culpa o Benfica enquanto entidade pelo assassinato de Rui Mendes na tristemente célebre final do Jamor em 1996. A violência não é um mal exclusivo do clube X ou Y mas sim um problema com raízes sociais profundas, pelo que evito sempre usar esta argumentação falaciosa. Porém, se é verdade que a divisão entre clube e energúmenos que festejam um assassinato tem de ser feita, também é verdade que o Benfica é o único emblema cujos adeptos alguma vez provocaram uma morte. O clube da Luz é o único em Portugal cuja História está manchada com sangue. Se, como disse, evito generalizar e culpar o Benfica e os benfiquistas por um assassinato cujos responsáveis são unicamente um criminoso e alguns cúmplices, também estranho o comportamento dos dirigentes encarnados. Se eu fosse apoiante do clube em questão, o que mais queria era que os dirigentes se demarcassem por completo de quaisquer actos bárbaros. No entanto, infelizmente isso não acontece.

Recapitulemos: em 1996, o jogo prosseguiu contra a vontade do Sporting; desde então, que tenha conhecimento, nunca o Benfica adoptou uma postura clara e inequívoca de solidariedade para com a família da vítima; no derby de Sábado no futsal, uma faixa com a inscrição “very light 96” foi exibida pelos No Name Boys (como foi possível a entrada do pano no pavilhão? Sei de um caso de um cachecol apreendido antes de um derby de futebol na Luz apenas porque tinha a inscrição Sporting 7- 1 Lampiões…) sem que ninguém da direcção do Benfica condenasse o sucedido; no dia seguinte, vários adeptos benfiquistas arremessaram tochas para uma bancada cheia de Sportinguistas. Uma vez mais, os responsáveis encarnados remeteram-se ao silêncio.

 

Estamos a falar da celebração de um assassínio no Sábado e, no Domingo, de momentos de pânico que fizeram lembrar a única morte registada nos estádios portugueses! Ao não reagir aos comportamentos animalescos de adeptos do seu clube – pior, ao reagir, através do repugnante João Gabriel, apenas para classificar uma declaração do Presidente do Sporting como “folclore”a direcção do Benfica passa uma mensagem clara de tolerância para com a violência no desporto. Que muitos dos homens-fortes dessa instituição são trafulhas, ex-presidiários e seres intelectualmente repelentes já não é novidade para ninguém. Que relativizem um assassinato, a sua celebração (praticada nas suas instalações, por adeptos seus) e o ataque cobarde a cidadãos com pirotecnia (do qual resultaram seis feridos) é uma novidade preocupante. Talvez notícias como esta façam algum sentido.

O futebol já potencia actos irracionais que deixam muitas vezes a nu o que de pior há nos seres humanos. Quando são as altas instâncias de um clube grande a acirrar ainda mais os ânimos, motivando a aprovação acéfala de milhares de seguidores alienados, pouco mais há a fazer a não ser temer pelo futuro do desporto. Apesar de ver vários adeptos benfiquistas mais empenhados em ridicularizar o Sporting ou Bruno de Carvalho do que preocupados com a gravidade deste assunto, acredito que a grande maioria condene estes actos. Mas a verdade é que, dezanove anos depois do trágico jogo do Jamor, o Benfica está envolvido num episódio de relativização e branqueamento da violência. E desta vez os seus dirigentes são cúmplices, o que torna tudo isto ainda mais abjecto e inqualificável.

Pela minha parte espero por uma severa punição ao Benfica, embora saiba que vou esperar sentado. Perante tamanha falta de respeito da direcção desse clube pelo episódio mais triste da História do futebol português, que ao que tudo indica passará como se nada fosse, resta-me fazer minhas as palavras da excelente coreografia erguida pelas claques do Sporting: “Antes só e honrado… do que mal acompanhado!”.

P.S.1: quaisquer comparações entre estes comportamentos e o desrespeito por parte de Sportinguistas ao minuto de silêncio após a morte de Eusébio – por muito lamentável que esta atitude também seja, obviamente – revelam uma enorme desonestidade. Primeiro, porque não foi nenhum Sportinguista que matou o Pantera Negra; segundo, porque o que está aqui em causa é a segurança (e a vida, no caso de Rui Mendes) de seres humanos e não um simples acto simbólico. E estou à vontade para falar, uma vez que estive presente no Estoril-Sporting do ano passado e pertenci à larga maioria de Sportinguistas que respeitaram o minuto de silêncio em memória de Eusébio.

P.S.2: Benfica e Porto colocam os adeptos visitantes o mais longe possível do relvado, de modo a minimizar o impacto sonoro, e enjaulam os adeptos visitantes naquilo a que chamam “caixa de segurança”. Quando é que o Sporting fará o mesmo? Para além dos comportamentos a que já aludi, chegámos ao ponto de jogar em casa e um jogador nosso ser incomodado pela claque adversária na cobrança de um canto. Não sou partidário destas “gaiolas” mas, se os rivais o fazem, não podemos ser nós os anjinhos e os puros. Assim, espero que a tal caixa seja uma realidade já no próximo derby. De preferência bem lá em cima e, se não for pedir muito, fora da bancada central!

P.S.3: já que estamos com a mão na massa, aproveito para pedir também o fecho do fosso. Não é a primeira vez que alguém cai lá para dentro. Espero que não seja necessário haver um desfecho mais grave para se tomarem medidas…

P.S. 4: já depois de ter escrito o texto deparei-me com esta notíciaDois pesos e duas medidas? Impressão nossa…!

Portugal 2-1 Suíça: boas indicações para um futuro próximo

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A selecção das quinas venceu o primeiro de dois jogos de preparação para a Algarve Cup frente à Suíça por 2-1, numa partida em que a qualidade de Cláudia Neto foi crucial para garantir a vitória portuguesa.

Apesar de uma primeira parte muito disputada no centro do terreno, Portugal entrou em campo com vontade de mandar no jogo e, logo aos 3 minutos, dispôs de uma oportunidade soberana para abrir o marcador, por intermédio de Andreia Silva. Depois deste primeiro aviso, as ocasiões de perigo continuaram a pertencer à selecção portuguesa, pecando pela falta de eficácia das jogadoras mais avançadas no terreno. No entanto, aos 26 minutos, Vanessa Marques subiu às alturas e inaugurou o placard com um excelente cabeceamento, após um canto marcado do lado esquerdo do ataque português pela capitã portuguesa, Cláudia Neto. Com este primeiro golo, o jogo praticado pelas atletas portuguesas perdeu alguma qualidade e a Suíça começou a dar sinais de que queria fazer algo mais nesta partida. Nos períodos de mais aperto, de referir a grande solidez do bloco defensivo português, sempre auxiliado pelas jogadoras do meio campo. O empate acabou por surgir aos 43 minutos numa jogada de insistência por parte do ataque suíço.

Na segunda parte, e fruto do crescente cansaço de ambas as equipas, as jogadoras optaram por um futebol mais directo (e igualmente menos atractivo). Mas como os grandes jogadores tendem a surgir nos momentos mais importantes, aos 59 minutos, Cláudia Neto fez uma grande assistência para a desmarcação de Ana Borges que, ao tentar fintar a guarda-redes suíça, acabou por ser derrubada na área e premiada com o assinalar de uma grande penalidade. O castigo máximo foi cobrado por Cláudia Neto, voltando a devolver a vantagem a Portugal. Com uma assistência e um golo marcado, a capitã portuguesa com o número 7 nas costas podia ter abrilhantado (ainda mais) a sua exibição se não tivesse falhado outra grande penalidade assinalada a favor das portuguesas, aos 84 minutos.

Com o apito final, regista-se uma boa exibição da formação portuguesa que não vencia a Suíça há 15 anos. Uma nota ainda para Olga Freitas que, com 26 anos, se estreou pela selecção A.

Estas duas selecções voltarão a encontrar-se na quinta-feira, em Santa Maria da Feira.

Cláudia Neto foi a grande figura do encontro. Velocidade, qualidade de passe e qualidade técnica não lhe faltaram Fonte: FPF
Cláudia Neto foi a grande figura do encontro. Velocidade, qualidade de passe e qualidade técnica não lhe faltaram
Fonte: FPF

Onze de Portugal: Neide Simões, Matilde Fidalgo, Sílvia Rebelo, Carole, Regina Pereira, Vanessa Marques, Dolores Silva, Cláudia Neto – cap. (Patrícia Gouveia, 90+1′), Ana Borges (Olga Freitas, 88′), Carolina Mendes (Edite, 71′) e Andreia Silva (Jéssica Silva, 61′).
Suplentes
: Patrícia Morais, Mónica Mendes, Adriana Rodrigues, Rita Fontemanha e Filipa Rodrigues.
Treinador: Francisco Neto.
Golos: Vanessa Marques (23′), Cláudia Neto (gp, 60′).

Onze da Suíça: Stenia Michel, Noëlle Maritz, Caroline Abbé – cap., Fabienne Humm, Vanessa Bernauer (Eseosa Aigbogun, 75′), Ana Maria Crnogorcevic, Vanessa Bürki, Martina Moser, Lia Wälti, Ramona Bachmann e Lara Diecknmann.
Suplentes
: Antonia Albisser, Sandra Betschart, Rahel Kiwic, Daniela Schwarz, Selina Kuster, Fabienne Bangerter, Florijana Ismaili.
Treinadora: Martina Tecklenburg.
Golos: Fabienne Humm (44′).

Olheiro BnR – Tobias Figueiredo

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olheiro bnr

Embalado pela transferência de Maurício para a Lazio e pela contratação de um defesa-central ainda preso por arames (Ewerton), o jovem Tobias Figueiredo tem sabido conquistar um lugar de relevo no eixo defensivo do Sporting, sendo que a sua última grande exibição, diante do Benfica, acabou por ser a confirmação de que estamos realmente na presença de um futebolista capaz de obter um lugar de grande relevo no espectro futebolístico português.

Com 21 anos acabados de fazer, e num Sporting ainda em construção e com algumas “dores de crescimento”, está a ser claramente um baptismo de fogo para Tobias Figueiredo. No entanto, este está a saber enfrentar os obstáculos com competência, contribuindo sobremaneira para que a equipa leonina tenha reduzido de forma crucial a tremideira na zona central da defesa e apresente agora uma qualidade muito mais homogénea entre sectores.

Criado em Alcochete

Tobias Pereira Figueiredo nasceu a 2 de Fevereiro de 1994 em Sátão e começou a sua carreira futebolística nas camadas jovens do Penava do Castelo, ainda que cedo tenha se transferido para o Sporting, nomeadamente em 2006/07, isto para jogar na equipa de infantis dos verde-e-brancos.

No Sporting, haveria, então, de percorrer todos os restantes escalões de formação, tendo chegado ao futebol sénior em 2012/13, temporada em que, ainda com idade de júnior, somou 18 jogos na Segunda Liga com a camisola da equipa B verde-e-branca.

O central teve um baptismo de fogo Foto: Facebook de Tobias Figueiredo
O central teve um baptismo de fogo
Foto: Facebook de Tobias Figueiredo

Passagem importante pela Catalunha

O interessante impacto que teve na equipa B do Sporting em 2012/13 acabou por não ter o devido seguimento na campanha seguinte, tendo o internacional sub-21 português passado um pouco ao lado das escolhas de Abel Ferreira na primeira metade de 2013/14. Nesse seguimento, o Sporting emprestou-o ao Réus, concluindo então Tobias Figueiredo essa época no clube catalão, somando 17 jogos e um golo na Segunda Divisão B espanhola.

Depois desse “exílio” na Catalunha, Tobias Figueiredo voltou esta temporada à equipa B do Sporting, pensando-se que esta seria uma temporada de maturação para o jovem defesa-central, numa espécie de antecâmara para uma aposta mais efectiva em 2015/16. Contudo, o seu excelente desempenho na equipa secundária leonina (17 jogos, um golo), aliado à instabilidade que foi existindo no eixo central da equipa principal, valeu-lhe uma ascensão meteórica para o onze, onde soube pegar de estaca e com direito a muitos elogios.

Qualidades inatas e uma enorme margem de progressão

Tobias Figueiredo é um defesa-central que apresenta uma fantástica compleição física para a posição, uma vez que os seus 1,88 metros e 82 quilos fazem do internacional sub-21 português um jogador muito forte no ar (tanto ao nível defensivo como ofensivo), assim como é igualmente muito forte nos duelos individuais, onde raramente permite grandes veleidades aos adversários.

Tacticamente inteligente, o que também lhe permite disfarçar alguma falta de velocidade de ponta, Tobias Figueiredo encaixa muito bem no eixo ao lado de um jogador com as características de Paulo Oliveira, ou seja, com maior mobilidade, ficando ele como o elemento mais posicional da dupla de centrais.

Obviamente que existem aspectos em que o jovem leão deve evoluir, desde a necessidade de refrear alguma impetuosidade/agressividade em alguns lances (ainda que já se veja uma clara evolução neste aspecto em relação a tempos recentes), ao aprimoramento da sua capacidade técnica, essencialmente ao nível do passe, onde por vezes comete alguns erros graves. Aliás, limadas essas nuances, estamos perante um jogador que tem tudo para se assumir como um dos grandes defesas-centrais do futebol europeu.

Foto de capa: Facebook de Tobias Figueiredo