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Um Chelsea com Futuro

premier league

Apesar de fazerem parte daquele que continua a ser o campeonato que mais dinheiro gasta, creio que de há uns anos para cá as equipas inglesas começaram a adoptar uma postura diferente no mercado de transferências. Os valores envolvidos continuam a ser astronómicos, mas é notório um maior cuidado em criar bases para o presente e para o futuro das equipas, ao contrário do que se passava há uns anos atrás – o Chelsea, por exemplo, comprou Shevchenko já com 30 anos por 46M€.

O Chelsea, apesar de ter gasto MUITO em jogadores já não tão jovens, fê-lo para posições onde estava demasiadamente necessitado – Diego Costa veio do Atletico Madrid por 38M€ e do Barcelona chegou Fábregas a troco de 33M€ – e tem vindo a construir uma equipa relativamente jovem desde 2011. Não estou com isto a dizer que é um clube menos gastador do que aquilo que foi, mas acaba por sê-lo se tivermos em conta o proveito que tira por comprar jogadores mais jovens, que crescem no clube. No Verão de 2011, chegou Thibaut Courtois, do KRC Genk por 8,95M€, um valor altíssimo para um guarda-redes de apenas 19 anos. A verdade é que depois de duas épocas emprestado ao Atletico Madrid, onde foi campeão espanhol, venceu uma Liga BBVA e ainda foi finalista da Liga dos Campeões, este jogador chega à casa-mãe ainda com pelo menos uns 15 anos de carreira pela frente, tratando-se já de um dos melhores do mundo na sua posição.

Na mesma temporada, e apesar de já não estarem ao serviço do Chelsea, chegaram ainda mais 3 jovens jogadores que acabaram por ser vendidos por um valor superior ao gasto pelo clube londrino: Juan Mata, que foi fundamental na época 2011/12 mas que nunca conseguiu manter a regularidade, algo super-importante para um jogador de uma equipa de topo como é o Chelsea; e ainda Kevin de Bruyne e Romelu Lukaku, que acabaram por nunca se afirmar nos blues, mas que confirmaram todo o seu potencial durante os períodos de empréstimo.

lukaku
Lukaku, que pode tornar-se um dos melhores do mundo, saiu por 30M€; Diego Costa, claramente acima do belga neste momento, chegou por 38M€
Fonte: liverpoolecho.co.uk

Um ano mais tarde, no Verão do Euro 2012, Abramovich desembolsou cerca de 65M€ em duas pérolas do futebol mundial. Do Lille chegou Eden Hazard por 45M€ e apesar de ter chegado já como um excelente jogador, não se podia dizer que o belga já estivesse entre os melhores. O Chelsea podia facilmente gastar esse dinheiro num jogador uns 5 anos mais velho e que no momento trouxesse ainda mais qualidade para equipa. Mas não, preferiu apostar no jovem de 21 anos. Com uma Ligue 1 e uma Coupe de France no currículo, Hazard chegou e convenceu desde o primeiro minuto, tendo-se adaptado com facilidade ao futebol britânico. É neste momento uma das estrelas, se não a grande estrela, deste Chelsea de Mourinho.

Quem lhe fez companhia na viagem para Londres foi Óscar. O brasileiro tinha acabado de vencer o Mundial sub-20 na Colômbia, carimbando um hat-trick na vitória frente a Portugal na final do torneio. O jogador de 20 anos trocou então o Internacional, clube no qual já tinha realizado mais de 70 partidas apesar de tão tenra idade, pelo Chelsea. Já na altura Óscar diferenciava-se do típico brinca na areia prodígio brasileiro, jogando um “futebol europeu” – apesar de ter tão pouca experiência, já era muito mais objectivo. No mesmo defeso chegou ainda Cesar Azpilicueta. O espanhol trocou o Marseille pelo Chelsea por 8,8M€ e tem-se revelado um jogador importante: não é de rasgos, não é de levantar plateias nem é um jogador de aparecer nos resumos, mas cumpre sempre muito bem a sua tarefa quando joga numa das laterais da defesa.

Óscar e Hazard não tiveram dificuldades de adaptação à Premier League  Fonte: Daily Star
Óscar e Hazard não tiveram dificuldades de adaptação à Premier League
Fonte: Daily Star

Mourinho voltou ao Chelsea para a temporada 2013/14 e com ele chegam os jovens Marco van Ginkel, Kurt Zouma, Mohamed Salah, André Schürrle e ainda o já não tão jovem Willian. Marco van Ginkel ficou na equipa, mas foi sempre tapado por jogadores como Ramires, Lampard, Obi Mikel, Óscar e Juan Mata, acabando por não ser benéfico para a sua evolução como jogador continuar na equipa londrina. O atleta, que tinha chegado do Vitesse a troco de 9,4M€, saiu por empréstimo para o AC Milan. Aos 21 anos é ainda com toda a certeza um jogador que vai voltar a brilhar e confirmar tudo aquilo que prometeu na Holanda.

Já Zouma permaneceu emprestado ao Saint-Étienne na época em que os milionários pagaram uma verba a rondar os 15M€. Com 19 anos, já marcou a sua posição no Chelsea e será um dos candidatos ao lugar de John Terry quando este abandonar o clube. Salah, depois de duas temporadas ao mais alto nível no Basel, deu o salto inevitável e hoje, aos 22 anos, ainda não conquistou um lugar no onze de Mourinho, apesar de ser opção regular a partir do banco. Dotado de uma velocidade e técnica acima da média, o egípcio é o jogador que qualquer equipa de topo gosta de ter no banco para resolver jogos contra equipas que estejam muito compactas defensivamente.

Schürrle e Willian são a dor de cabeça que qualquer treinador gosta de ter. Se na época passada Mourinho optou por dar a titularidade a Willian – mas usar Schürrle em quase todos os jogos – este ano, e sobretudo nas últimas partidas, a tendência parece estar a mudar. Tratam-se de dois jogadores muito parecidos, rápidos, com facilidade no 1×1 e muito bons a aparecer em zonas de finalização. A meio da época, em Janeiro, chegou ainda Nemanja Matic, jogador que dispensa apresentações para os portugueses.

Schürrle e Willian disputam a asa direita londrina - a minha preferência recai sobre o alemão  Fonte: Bleacher Report
Schürrle e Willian disputam a asa direita londrina – a minha preferência recai sobre o alemão
Fonte: Bleacher Report

Depois de uma época algo desapontante, Mou quer lavar a cara e dar um pontapé na sua crise de títulos. Para isso, o técnico português necessitou da ajuda de dois super reforços vindos da Liga Espanhola. Diego Costa trouxe consigo raça, trabalho e uma imensa veia goleadora, algo que faltava no Chelsea desde os tempos áureos de Drogba e Anelka. Cesc Fábregas trouxe consigo as assistências para Diego Costa. Juntos têm feito uma dupla temível, juntando-se aos já referidos mais Eden Hazard, Óscar, Schürrle ou Willian – todos letais no ataque. No banco ainda há Remy e Salah como velozes opções. Atrás de tudo isto há dois jogadores que quando jogam parecem preencher todo o terreno – falo de Matic e Ramires, ambos oriundos do SL Benfica. Mas ainda mais temível é pensar que todos estes jogadores de que falei têm uma média de 25 anos. Um número jovem para tanta qualidade junta, ou seja, estes jogadores vão crescer ainda mais juntos sobre a batuta de Mourinho.

Mas atenção que a todos estes conhecidos craques, existem ainda nomes que apesar de não terem o reconhecimento dos anteriormente falados, têm também grande qualidade e podem ocupar o seu espaço no Chelsea no futuro. Falo de Andreas Christensen, Nathaniel Chalobah, Tomáš Kalas, Nathan Aké, Thorgan Hazard, Atsu, Bertrand Traoré, Lewis Baker, Lucas Piazón, Loftus-Cheek ou Islam Feruz.

Em 2012, quando se falava numa renovação do Chelsea – consequência do avançar e declínio de qualidade de jogadores que marcaram uma era como Petr Cech, Ashley Cole, John Terry, Paulo Ferreira, Frank Lampard, Didier Drogba, Florent Malouda ou Nicolas Anelka – depois da tão esperada Champions League, poucos adeptos acreditariam que a equipa pudesse tão facil quanto rapidamente voltar ao mais alto nível, não só internamente como a nível europeu.

Será que a imagem se repete 10 anos depois?  Fonte: provenquality.com
Será que a imagem se repete 10 anos depois?
Fonte: provenquality.com

Esta época Mourinho parece ter voltado ao seu melhor nível e apresenta finalmente um futebol agradável e com resultados, algo de que já tínhamos algumas saudades. Com 8 jornadas disputadas leva já 5 pontos de vantagem sobre o seu concorrente directo ao título, portanto dificilmente este título não cai em Stamford Bridge. A nível europeu, a Champions é claramente um objectivo de Mou e se não o vencer este ano será algo inevitável num futuro próximo, a qualidade desta equipa tem tudo para dar frutos.

Tomba-gigantes

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brasileirao

Esta expressão que dá vida ao título, e da qual, por ora, passaremos a falar avonde, não serve para descrever muitos dos jogos que se passaram neste final de semana de festa da Taça. Até porque esta coluna tem como objetivo descrever o fenómeno do Campeonato Brasileiro de Futebol.

A premissa de partida, portanto, será a defesa da tese de que este atual modelo do Brasileirão – 20 equipas que se enfrentam em duas voltas e com pontos – acabará certamente por ser penoso para os grandes do futebol brasileiro. Vamos aos argumentos.

Primeiro, e já escrevemos sobre isso, apenas cinco clubes nunca desceram de divisão: Flamengo, Internacional, Santos, São Paulo e Cruzeiro. A propensão para cair, pelo menos, um campeão a cada campeonato anual é, pelo menos, grande. O ano passado foi o Vasco da Gama… há dois anos foi o Palmeiras. Mas se a experiência desses grandes campeões na Série B é curta (e ainda bem), as feridas de tal acidente nunca serão fáceis de sarar. Para os dois que acabei de mencionar agora nem foi a primeira vez que tal aconteceu. Mas imaginem para um daquele grupo de cinco. A primeira vez deverá ser muito dolorosa. Clubes que já ganharam a Libertadores, como o Grêmio e o próprio Vasco da Gama, ou o Atlético Mineiro, já estiveram longe do convívio com os grandes. Soa mal aos ouvidos, quando se liga o rádio se e ouve: “E na Série B do Brasil, o Grêmio empatou com o Botafogo…”. Sim, porque este ano a fava deverá cair nos rubro-negros do Rio de Janeiro. Um clube que também já foi homenageado pela nossa singela coluna. É verdade que ainda faltam nove partidas para o fim. Mas a instabilidade no clube carioca é pior do que a posição que ocupa.

Cartoon alusivo às sucessivas quedas de divisão Fonte: fimdejogo.com.br
Cartoon alusivo às sucessivas quedas de divisão
Fonte: fimdejogo.com.br

Esse é outro ponto que contribui para a as quedas abruptas de um campeonato para o outro. Falta de estabilidade. Recordemos como o Fluminense, há bem pouco tempo, estava na Série C (!), e depois arrancou para uma recuperação fantástica e conseguiu dois títulos em três anos. O Flamengo, que em 2009 foi campeão e no campeonato vindouro teve uma prestação pífia. O próprio Vasco da Gama – que neste momento é o terceiro colocado na Segunda Divisão – tinha feito uma campanha razoável em 2012 e caiu em 2013. Este parece ser um fenómeno que afeta mais os clubes cariocas do que os outros. Em parte é verdade: falta de patrocínios, contratos rasgados, pouca consistência das direções respetivas, enfim… mas também a grande quantidade de movimentações a que o mercado brasileiro é propício. Se é certo que o Brasil já começa a ter dinheiro para segurar as suas pérolas, também não é menos verdade que continua a ser um país exportador de matéria-prima. Não estou a chamar aos jogadores cabeças-de-gado, atenção.

Fenómenos raros ou talvez não, o certo é que, de ano para ano, há sempre um ou dois Golias que caem para terrenos mais pantanosos. Outros mais frágeis lá se conseguem ir aguentando. Também é isso que faz as pessoas irem ao futebol: a imprevisibilidade dos acontecimentos e a capacidade de nos deixar boquiabertos. Por isso é que ele é rei.

Mónaco 0-0 Benfica : O apuramento agora é uma miragem

Topo Sul

Ainda não foi desta que o Benfica conseguiu triunfar na presente edição da Champions League. Agora, as contas estão ainda mais complicadas no que ao apuramento para a próxima fase diz respeito, mas ainda há esperança e essa deve sempre prevalecer.

Olhando para o que passou no (péssimo) relvado do Estádio Louis II, entre Mónaco e Benfica, o empate acaba por ser o resultado mais justo face à produção de ambas as equipas durante os 90 minutos. Depois de uma entrada pouco conseguida na partida, o Benfica procurou estabilizar em campo a partir dos 20 minutos de jogo e, mesmo sem fazer uma exibição de encher o olho, algumas oportunidades de golo surgiram na baliza do belo guarda-redes do emblema monegasco, o croata Subasic, ainda na primeira parte.

Ocampos, logo no início do jogo, teve a melhor ocasião de golo do Mónaco durante toda a partida, mas desperdiçou-a escandalosamente, e esse lance pareceu acordar as águias. Na resposta, alguns minutos depois, Lima poderia ter batido o guardião adversário por duas ocasiões, mas o brasileiro não revelou astúcia para colocar o Benfica a vencer.

Da primeira parte pouco mais há para contar, já que o jogo foi sempre disputado a meio-campo e os jogadores, quer de um lado quer do outro, mostraram-se pouco clarividentes para melhorar a qualidade do espectáculo. A equipa portuguesa sentiu sempre dificuldades na fase de construção, pois Enzo Perez e Talisca tocavam poucas vezes na bola e a equipa perdia-se em jogadas individuais quase sempre inconsequentes.

De facto, havia muitos aspectos a melhorar para o segundo tempo, e na verdade as correcções efectuadas ao intervalo, sobretudo a nível táctico, revelaram-se positivas para o Benfica.  A formação encarnada apareceu mais solta nos segundos 45 minutos, e a prova disso são as várias oportunidades de golo de que a equipa dispôs para sair do Mónaco com os três pontos. Sob a batuta do génio Nico Gaitan, o melhor em campo, as águias conseguiram jogar mais no campo adversário e consequentemente colocar em sentido a defesa da equipa orientada por Leonardo Jardim. Do pé esquerdo do argentino saíram as duas melhores chances para o Benfica chegar à vantagem nesta partida. A primeira finalizada pelo 10 encarnado foi negada por Subasic, depois de um túnel delicioso de Gaitan ao seu adversário; minutos depois, é o mesmo argentino que inicia um excelente lance que ele mesmo deveria ter concluído, caso Salvio não tivesse sido egoísta e rematado à figura do guardião monegasco.

As águias lutaram, mas não conseguiram a primeira vitória na Champions este ano Fonte: Sky Sports
As águias lutaram, mas não conseguiram a primeira vitória na Champions este ano
Fonte: Sky Sports

A fluidez ofensiva do Benfica durante um certo período da segunda parte parecia poder levar as águias a um importante triunfo, mas tal pensamento desvaneceu-se no momento em que Lisandro Lopez, já com amarelo, faz uma entrada violenta ao português João Moutinho, o que valeu, naturalmente, a expulsão ao central argentino. Ora isto foi o pior que poderia ter acontecido ao Benfica, que teve de recuar as suas linhas para segurar o resultado e não mais teve possibilidades de procurar a vitória. Após a expulsão de Lisandro, o Mónaco ainda tentou a conquista da vitória, mas o Benfica fechou-se bem e a entreajuda dos jogadores encarnados na recta final do encontro fez com que o empate prevalecesse até ao final. Resultado justo pelo equilíbrio que se verificou durante o encontro; ainda assim fica a ideia de que o desfecho poderia ter sido outro se Lisandro não tivesse sido expulso na melhor fase da equipa encarnada durante toda a partida.

Contas feitas, o Benfica soma apenas um ponto neste grupo liderado pelo Bayer Leverkusen, que bateu o Zenit e soma agora seis pontos. Há ainda três jogos para as águas disputarem, dois deles no Estádio da Luz, pelo que o apuramento para os oitavos de final da Liga Milionária pode ser uma simples miragem, mas ainda é uma miragem.

A Figura:

Nico Gaitán – Mais uma vez, o argentino foi o jogador mais clarividente e esclarecido em campo. Do seu portentoso pé esquerdo saíram as jogadas de maior perigo da equipa. Sem esquecer os pormenores deliciosos que até impressionaram o Príncipe Alberto do Mónaco.

O Fora de Jogo:

Lisandro – O central argentino não teve a estreia mais feliz nas competições europeias. Foi infantil quando fez aquela entrada dura sobre o adversário, e a sua expulsão retirou a possibilidade de vitória à equipa do Benfica.

Casemiro, porquê?

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atodososdesportistas

Num regresso (justo) às vitórias europeias, depois do injusto empate na Ucrânia e da amarga, mas também justa, vitória dada em pleno Dragão ao Sporting (perdoem-me os sportinguistas, mas não considero que o tenha Sporting ganho apenas por mérito; considero, isso sim, que foi mais demérito do Porto), os comandados de Lopetegui continuam a manter o mesmo estilo de jogo: posse de bola e jogo enervante. Para o adversário. Para nós. Mas a questão que me prende neste texto é o facto de Lopetegui manter no onze um jogador que pouco ou nada acrescenta à equipa: Casemiro. Foi só Rúben Neves entrar e o Porto voltou a ser dono e senhor do jogo. Porquê? Porque Casemiro está claramente numa forma penosa e Rúben Neves é, nesta altura, o melhor trinco do Porto e um dos maiores valores do campeonato português.

Não estou, com isto, a tirar valor ao jogador emprestado pelo Real Madrid. Porém, faço uso das minhas palavras num texto anterior sobre Óliver, no qual dizia, mais coisa menos coisa, por outras palavras, algo como: “Quintero merece uma oportunidade, Óliver precisa de ir para o banco”. Ninguém tira a Óliver o título de uma das maiores promessas do futebol espanhol, de longe o único “novo Xavi”. E é isso que penso de Casemiro. Um jogador de enorme potencial (faz-me lembrar Javi Garcia, pelo portento físico e pelas sucessivas “marretadas” que sabe dar sem ser falta, embora ao pé do espanhol ainda seja um bebé…), mas se não está numa forma minimamente aceitável, porque insiste o timoneiro dos Dragões em apostar no jogador? O meio campo do Porto, se jogar a três, tem dois jogadores que, pelas suas características, têm sempre de jogar: Rúben Neves e Herrera. Depois temos uma vaga para três: Óliver, Quintero ou Casemiro. Quintero parece-me ser aquele que, de momento, está em melhor forma e melhor encaixa no xadrez – com Brahimi e Tello, atenção; se jogarem Brahimi e Quaresma (que entrou a “reclamar” um lugar), penso que Óliver ou Casemiro serão as melhores opções. Não foi à toa que Lopetegui, ao colocar Quaresma, retira Quintero de campo. Mesmo que o jogador tenha saído com mazelas, na cabeça de um treinador antes de se ambicionar ganhar um jogo, tem de se ter a “garantia” de não o perder, e num jogo traiçoeiro como o de ontem, com um Bilbao atrevido no contra-ataque, deixar Quintero, Quaresma, Brahimi, Tello, Jackson e um já imensamente cansado Herrera em campo poderia ser um atestado de derrota antecipado.

Casemiro tem de ir para o banco Fonte: madridsports.e
Casemiro tem de ir para o banco
Fonte: madridsports.e

Posso estar a ser um pouco exagerado, mas continuo a achar que um onze constituído pelos jogadores que referirei abaixo é de longe o melhor em Portugal e que se Lopetegui deixar a rotatividade de lado, poucos serão os jogos não ganhos no campeonato e muito dificilmente não seremos justos campeões – Fabiano (Helton?); Danilo, Maicon, Indi e Alex Sandro; Rúben Neves, Herrera e Quintero (Óliver?); Brahimi, Quaresma (Tello?) e Jackson. Depois temos um banco de luxo, coisa que em anos anteriores nunca tivemos. Soluções não nos faltam, mas soluções são o que o nome indica: soluções! Não é para andarem a rodar todas as semanas quatro e cinco jogadores, ao estilo de Paulo Bento. É, isso sim, para ser estilo Mourinho no Porto – raramente jogava o mesmo onze, mas as alterações eram mínimas e esperadas, com as trocas de Alenichev (que saudades!) por Carlos Alberto, Jorge Costa por Pedro Emanuel ou Hélder Postiga por Benni McCarthy. Nunca todas de uma vez. É esse o único dedo que aponto ao meu treinador, no qual confio plenamente e o qual penso ser o homem indicado para levar o clube azul-e-branco de volta onde pertence: ao de campeão nacional e ao de grande referência europeia na Europa vinda de Portugal!

Nota final: é triste continuar a ver adeptos assobiarem a equipa em pleno estádio, ainda para mais quando fizemos um belo jogo (tirando os minutos iniciais da segunda parte, até ao golo) e ganhámos. Pede-se um pouco mais de contenção aos “adeptos” que são portistas só nas vitórias.

10 Jogadores Jovens a Observar na Serie A

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serie aNa Serie A têm evoluído alguns dos maiores talentos do futebol europeu. Hoje trago-vos uma seleção de 10 jogadores com 23 anos ou menos que têm condições para fazer uma excelente temporada.

Simone Zaza (Sassuolo)

O jogador mais avançado do modesto Sassuolo é neste momento, com apenas 23 anos, o escolhido por Antonio Conte como o avançado titular da squadra azzurra à frente de jogadores como Balotelli e Immobile. Tentará, juntamente com Berardi, evitar a descida do seu Sassuolo, tarefa que se avizinha bastante difícil. Mais um avançado jovem que chegou a fazer parte dos quadros da campeã italiana Juventus mas que foi deixado sair, como Immobile.

Zaza apontou 9 golos na época transacta  Fonte: stopandgoal.net
Zaza apontou 9 golos na época transacta
Fonte: stopandgoal.net

Manolo Gabbiadini (Sampdoria)

O avançado italiano da Sampdoria, agora com 22 anos, tem sido o protagonista do forte começo da sua equipa na Serie A, ocupando de momento um fantástico quarto lugar, levando 4 golos em 5 jornadas e estando finalmente a jogar a um nível que tinha vindo a prometer já há algum tempo. Metade do seu passe ainda pertence à Juventus.

Manolo Gabbiadini  Fonte: talksport.com
Manolo Gabbiadini somou a sua única internacionalização AA por Itália em 2012
Fonte: talksport.com

Keita Baldé (Lazio)

O espanhol de 19 anos da Lazio começa o seu segundo ano na equipa principal, tendo apontado 5 golos em 23 jogos na sua primeira época como sénior pelo clube. Sendo um avançado, tem sido mais usado como extremo esquerdo. Rapidíssimo e com uma técnica bastante apurada, tem tudo para se tornar num grande jogador – ajuda ter passado os seus anos de formação em La Masia.

O ex-Barça estreou-se oficialmente na Taça de Itália e bisou na partida contra o Bassano  Fonte: topmercato.com
O ex-Barça estreou-se oficialmente na Taça de Itália e bisou na partida contra o Bassano
Fonte: topmercato.com

Daniele Baselli (Atalanta)

O regista de 22 anos da Atalanta deu um grande salto como jogador na época transacta, sendo de momento seguido por gigantes como o PSG e a Juventus e não deve tardar até que dê o salto. Destaca-se em campo pela sua visão de jogo e qualidade de passe – um grande talento para o futuro.

Daniele Baselli fez toda a formação no clube de Bergamo  Fonte: forum.kooora.com
Daniele Baselli fez toda a formação no clube de Bergamo
Fonte: forum.kooora.com

Alessio Romagnoli (Sampdoria)

O jovem central de 19 anos da Roma vai passar a época emprestado à Sampdoria para poder ganhar minutos. Estreou-se com 17 anos pela Roma e impressionou a central e a lateral esquerdo na época transacta, quando Rudi Garcia precisou dele. Este ano deverá assumir-se como titular no clube de Génova, famoso por apostar em jovens talentos.

Romagnoli parece ter conaquistado o seu espaço no onze da Samp  Fonte: giallorossi.net
Romagnoli parece ter conaquistado o seu espaço no onze da Samp
Fonte: giallorossi.net

Kingsley Coman (Juventus)

Com 16 anos tornou-se o jogador mais jovem de sempre a jogar pela equipa principal do PSG. De momento, com 18, o jovem francês faz parte do plantel principal da Juventus, entrando com regularidade e tendo mesmo sido titular no primeiro jogo da época, demonstrando a imensa confiança que Allegri tem nele.

Coman promete seguir as pisadas de Pogba em Turim  Fonte: fichajes.net
Coman promete seguir as pisadas de Pogba em Turim
Fonte: fichajes.net

Marco Van Ginkel (Milan)

O holandês de 21 anos emprestado pelo Chelsea vem de uma época para esquecer, depois de ter passado o ano inteiro lesionado. No Milan terá, em teoria, muito mais oportunidades para jogar do que no Chelsea. O único problema é que mal jogou se lesionou de novo e parou um mês. Independente disso, o talento está lá e se Van Ginkel, já internacional A holandês por diversas vezes, conseguir manter-se em campo deverá impressionar – é um box-to-box bastante completo e não deverá demorar a conquistar o seu lugar no meio-campo da equipa milanesa.

Van Ginkel tem tido azar com as lesões, mas talento não lhe falta  Fonte: gelderlander.nl
Van Ginkel tem tido azar com as lesões, mas talento não lhe falta
Fonte: gelderlander.nl

Simone Scuffet (Udinese)

Não tendo jogado um único jogo ainda este ano pela Udinese, o italiano de 18 anos é provavelmente o melhor guarda-redes jovem do mundo, tendo já sido ligado a gigantes do futebol mundial como o Benfica ou o Chelsea. É um dos grandes candidatos a substituir Buffon na baliza da selecção italiana, juntamente com Perin e Sirigu.

Scuffet, colega de equipa de Bruno Fernandes na Udinese  Fonte: Kingsley Coman
Scuffet, colega de equipa de Bruno Fernandes na Udinese
Fonte: Kingsley Coman

Stephan El Shaarawy (Milan)

Depois da saída de Balotelli, El Shaarawy, com 21 anos, é neste momento a estrela do ataque do AC Milan. Abençoado com uma técnica acima da média, a única coisa que tem impedido a evolução deste excelente jogador são as inúmeras lesões que o têm afrontado, mas se conseguir jogar a época inteira (como fez em 12/13, tendo apontado 15 golos em 22 jogos) poderá guiar de novo o Milan até aos lugares europeus.

El Shaarawy, o faraó de Milão  Fonte: FIFA.com
El Shaarawy, o faraó de Milão
Fonte: FIFA.com

Mateo Kovacic (Inter)

Neste momento, o croata é o melhor jogador jovem da Serie A. Com 20 anos, é titularíssimo no meio-campo do Inter e joga a anos-luz da sua idade – é extremamente disciplinado tacticamente e faz coisas maravilhosas com a bola nos pés. O possível sucesso do Inter passará pelos pés deste já fantástico jogador, que tem todo o potencial para se tornar um dos melhores da Serie A e do mundo no futuro.

O croata já é uma das figuras de cartaz da Serie A  Fonte: Daily Mail / Getty Images
O croata já é uma das figuras de cartaz da Serie A
Fonte: Daily Mail / Getty Images

Menções honorosas:
Mattia Perin (Genoa)
Mauro Icardi (Inter)
Roberto Pereyra (Juventus)
Álvaro Morata (Juventus)
Paulo Dybala (Palermo)
Salih Uçan (Roma)
Leandro Paredes (Roma)
Alessandro Florenzi (Roma)
Daniele Rugani (Empoli)
Domenico Berardi (Sassuolo)
Valerio Rosseti (Atalanta)
Bruno Fernandes (Udinese)

FC Porto 2-1 Athletic Bilbao: Lamber as feridas

tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

Noite de Liga dos Campeões, noite de afogar as mágoas depois do jogo traumatizante de sábado. Lopetegui obviamente mexeu na equipa e entraram para o onze inicial Fabiano, Alex Sandro, Martins Indi, Brahimi e Tello.

O Porto entrou pressionante, com marcações mais fortes e com mais entreajuda entre jogadoes. Não arriscou tanto nos passes transversais mas continuou a demonstrar lacunas na circulação de bola. A transição defesa-ataque continua a ser um pouco deficiente e não muito rápida e a dificuldade de circulação no meio-campo é uma constante. Mas o cenário mudava assim que a bola chegava aos homens da frente – Tello estava com o turbo ligado e Quintero calçou as chuteiras de porcelana. Brahimi não esteve muito eloquente mas foi dando sequência às jogadas contruídas, assim como Jackson. Então o que estava realmente diferente em relação ao último jogo? A forma de fazer as transicções.

Tello afirmou-se como o motor da equipa e o Porto jogou com passes directos para os alas ou para o pivot Jackson – teve, portanto, uma abordagem muito mais virada para o jogo directo. Parece ser esta a solução portista. Com centrais muito recuados e com lacunas técnicas, com médios que não sustêm a bola como Casemiro e Herrera, e com extremos rápidos em que a principal arma é o sprint (mais para Tello,  dado que Brahimi joga de forma diferente) o futuro do Porto parece ser um 4-3-3 de transições velozes e não um 4-3-3 de posse e circulação, tal como Lopetegui queria (e, parece-me, como os portistas queriam também).

Ao longo da primeira parte foram surgindo diversas oportunidades para os portistas mas o jogo nunca esteve controlado – mais uma recorrente desta época – e foi sem surpresa que o Athletic Bilbao foi criando perigo com uma bola no poste de Fabiano. No entanto, quem dispõe de jogadores como Quintero tem magia assegurada e num passe a rasgar à entrada da área, descobrindo Herrera, o mexicano fez o primeiro para o Porto. Que talento tem Quintero!, quem melhor que ele rasga uma defesa com fintas e passes curtos?

destaque
Ricardo Quaresma voltou a brilhar e foi decisivo na vitória do FC Porto
Fonte: marca.com

A segunda parte arrancou com o Atlhetic Bilbao pressionante, o que expôs as fragilidades dos nossos centrais e médios. Muitos passes falhados, más decisões e ataque pouco apoiado. Assusta a facilidade com que uma equipa anula o Porto, sendo tão fácil provocar o erro nos nossos jogadores e expor as lacunas individuais. Como resolver este problema que é não jogarmos um futebol apoiado? Cabe ao treinador responder desta vez.

Foi fruto de mais um erro individual que surgiu o golo da equipa espanhola – aliás, já é norma oferecer pelo menos um golo ao adversário. Herrera em mais um passe disparatado e Casemiro (não estará com peso a mais?) sem velocidade deram a bola ao Athletic que num contra-ataque curto e rápido chegou à igualdade no marcador. Lopetegui retirou Quintero e Casemiro, entrando Ruben Neves e Quaresma. O Dragão aplaudiu o ‘Harry Potter’ – é interessante ver que os adeptos recompensam sempre quem gosta do clube – e Quaresma não se coíbe de o demonstrar, sendo algo que agrada – são precisos mais jogadores que sintam o clube, que saibam o que significa a derrota para os portistas. E foi Quaresma que mexeu com o jogo: cheio de vontade de ajudar, deu novo fôlego aos Dragões e num golpe de cinema o filho pródigo marcou. Estava feito o 2-1 e reposta a justiça depois de termos perdoado alguns golos aos Bascos. Restava então primeiro segurar a vantagem e depois tentar alargá-la – conseguimos a primeira e foi o suficiente.

Com alguns sustos lá pelo meio e com golos falhados da nossa parte, o certo é que a vitória ficou no Dragão e deixa o Porto com 7 pontos e a passagem muito mais perto. Somos uma equipa de Liga dos Campeões e não de Liga Europa – aqui lambemos as nossas feridas porque as grandes equipas querem os grandes palcos.

 

A Figura

Quaresma – Fez-lhe bem o banco: entrou com muita vontade, como já não lhe víamos há muito. Espero que mantenha o ímpeto, pois o Porto precisa de um Quaresma líder ao mais alto nível.

 

O Fora-de-Jogo

Casemiro – Não fez um jogo tão mau como contra o Sporting mas continua a falhar, a fazer entradas duras e a demonstrar dificuldade em reagir rápido. Parece fora de forma.

Schalke 04 4–3 Sporting CP: Raça? É este Sporting; Injustiça? É este jogo

sob o signo mozos

Depois da vitória no Dragão, o Sporting tinha de ultrapassar mais um adversário difícil. Era preciso controlar as emoções, nunca deixando de aproveitar todos os pontos positivos que havia para retirar do clássico que ditou a eliminação do FC Porto da Taça de Portugal. Com o onze que seria expectável, o Sporting entrou para este encontro admitindo o favoritismo dos alemães do Schalke 04 mas ambicionando a vitória contra uma equipa que nunca antes houvera defrontado.

A primeira parte começou com um ritmo baixo mas desde bem cedo o Sporting mostrou uma identidade de jogo que passava por pressionar alto e fechar as linhas de passe, organizando-se muito bem tacticamente. Os leões foram obrigando os alemães a jogar no seu próprio meio-campo. Via-se um Sporting tranquilo, seguro e com uma noção muito clara daquilo que estava a fazer.
Aos 16 minutos, um canto rasteiro batido por João Mário chega a Nani, que remata enrolado para o primeiro golo da noite. Uma vantagem que se justificava pela maior qualidade e segurança apresentada pelos verdes-e-brancos. O Schalke reagiu e começou a criar lances de perigo que o Sporting foi resolvendo sem nunca perder a cabeça ou vacilar, saindo sempre – ou na maioria dos casos – com a bola jogável. Mas os leões sofreram a primeira contrariedade à passagem do minuto 25, quando Marco Silva se viu obrigado a fazer entrar Fredy Montero para o lugar do lesionado Slimani. O Sporting manteve-se seguro e continuou a apresentar um estilo de jogo bem definido, com uma excelente organização táctica. Mas ao minuto 34 tudo mudou: Maurício, que já havia sido admoestado, fez uma falta imprudente a meio-campo e viu o segundo amarelo, num lance em que o excesso de zelo do árbitro ficou evidente. Na marcação dessa mesma falta o Schalke 04 acabou por chegar ao empate, num lance em que Patrício ficou mal na fotografia. Em termos psicológicos foi uma autêntica machadada em apenas dois minutos. Mas o Sporting aguentou.

Marco Silva fez a segunda substituição forçada colocando Sarr para o lugar de João Mário. O encontro foi para intervalo com as duas equipas a procurarem o golo – o que é de louvar, já que o Sporting jogava com menos um e já tinha sido obrigado a duas alterações. O início da segunda parte apresentou um Sporting a querer ir para cima do jogo, continuando a pressionar alto e a disputar o jogo mano-a-mano, não se deixando enfraquecer pelo facto de jogar com menos um homem. Num contra-ataque do Schalke, a equipa alemã apanhou a defensiva leonina em descompensação e fez o 2-1. Cambalhota no marcador aos 51 minutos. Mas como tudo conspirava contra o Sporting nesta chuvosa noite de Agosto em Gelsenkirchen, o tento de Huntelaar foi conseguido em fora-de-jogo. Mas o Sporting aguentou.

O 3-1 surgiu num lance de bola parada, aos 61 minutos, em que Sarr tem dupla responsabilidade: fez a falta e, após a marcação do livre, falhou na cobertura de Howedes, que acabou por colocar a bola no fundo das redes de Rui Patrício. Tudo parecia perdido. Mas o Sporting não deixou.  À passagem do minuto 64, um ataque de Carrillo no flanco esquerdo do Sporting originou uma grande penalidade, que Adrien Silva cobrou exemplarmente, reduzindo assim a vantagem para 3-2. O Sporting cresceu e sentia-se que o empate era bem possível. Mesmo jogando com dez, os leões deram uma lição de futebol, de raça, de alma, de garra e de vontade e, ao minuto 78, num lance de insistência do Sporting, Adrien Silva finalizou com um cabeceamento um excelente centro de Cédric. Estava reposta a justiça no marcador. 3-3.

Adrien Silva recolocou o Sporting na discussão do encontro ao converter um penálti aos 64 minutos Fonte: UEFA
Adrien Silva recolocou o Sporting na discussão do encontro ao converter um penálti aos 64 minutos
Fonte: UEFA

O Sporting lutou com o coração; deu a volta a um jogo que parecia perdido; controlou a partida em vários momentos do jogo mesmo jogando em inferioridade numérica. O Sporting é isto. O Sporting aguentou e renasceu das cinzas quando já ninguém o esperava. Exibição exemplar dos pupilos de Marco Silva, que tudo fizeram para tornar esta noite numa noite de glória.

Mas o pior estaria para vir… No último minuto do encontro o árbitro de baliza – que, aproveito para dizer, não tem qualquer utilidade ou razão de existir – decidiu inventar um penálti a favor do Schalke 04. A bola bate na cara de Jonathan Silva mas a equipa de arbitragem voltou a errar contra o Sporting e assinalou grande penalidade por mão na bola. Choupo-Moting encarregou-se da marcação e não falhou.  O jogo acabou com a derrota do Sporting. As contas estão muito complicadas, mas a revolta que a nação leonina sente neste momento por não terem deixado que o resultado fosse outro não permite sequer pensar na calculadora. Agora, o Sporting vai ter de aguentar. Mas preparem-se, pois o poder da raça, da qualidade, da personalidade e da garra do Sporting ficou mais do que patente neste jogo – e que orgulho e honra ver este Sporting jogar! Já sabem aquilo que os leões são capazes de fazer. Mas, para isso, é preciso que os deixem lá chegar…
A Figura: A atitude do Sporting, que conseguiu recuperar, em inferioridade numérica, um jogo que parecia perdido. De 3-1 para 3-3 em 15 minutos. Não deixaram o jogo acabar com o resultado que seria justo e adequado.

O Fora-de-Jogo: Arbitragem – Desde a expulsão de Maurício (segundo cartão amarelo forçado) até ao penálti inventado, que originou o quarto golo do Schalke, passando pelo segundo golo dos alemães em fora de jogo. Tudo correu mal a esta equipa de arbitragem hoje, que foi a principal responsável por não deixar o Sporting sair com outro resultado hoje na Alemanha.

A Graça de Graziano

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O dia 15 de Julho de 1985 foi mais um em San Cesario di Lecce, Itália. Uma segunda-feira normal, como todas as outras, de regresso ao trabalho dos poucos milhares de pessoas que lá habitavam na altura. O nascimento de mais um menino para a pequena localidade de 7 quilómetros quadrados era saudado, claro, mas a frieza dos números apontava para “apenas” mais um na contagem da população total. Graziano Pellè era apenas mais um.

Ao longo da sua infância foi alimentando o sonho. O sonho de ser responsável pela febre que invadiu Itália em 1990, quando lá foi organizado o Mundial de futebol. O sonho de marcar um penalty decisivo e dar à sua pátria a legitimidade de se entitular a melhor do mundo a jogar futebol. O sonho de ser Roberto Baggio (e converter aquele penalty falhado na final contra o Brasil), Gianfranco Zola, ou mais tarde, Del Piero, Enrico Chiesa ou Christian Vieri. Mas esse sonho era um sonho comum a todos os meninos que transpiravam o calcio jogado por milhões de ruas espalhadas por toda a Itália. O de Graziano era apenas mais um.

Graziano não era de estar quieto, e fez-se ao sonho. Ingressou nas equipas jovens do Lecce e deu logo nas vistas pela sua altura e pela facilidade com que visava as redes contrárias. Chegado à idade de júnior, e com a ajuda de excelentes e promissores executantes à sua volta, fez história no Lecce, oferecendo ao clube os seus dois únicos Campionato Primavera (campeonato nacional de juniores) do seu historial. A isto seguiram-se chamadas à principal equipa do sul de Itália, e, mais importante, chamadas aos sub-20 e sub-21 da squadra azurra, que tornavam o sonho mais próximo da realidade… mas, como em vários países acontece, nem sempre a estrutura das selecções e do futebol de um país favorece o crescimento de um atleta, e Graziano, entre empréstimos pontuais a equipas como Catania, Crotone e Cesena, tornou-se vulgar e distante da capacidade que ele próprio gostaria de ter quando sonhava. Muitos apontaram-lhe falta de preparação para jogar a um nível alto, e assim foi caíndo no esquecimento do futebol do seu país. Graziano era apenas mais um, entre muitos.

No Lecce, sonhava ser o jogador que se tornou uma década depois  Fonte: Four Four Two
No Lecce, sonhava ser o jogador que se tornou uma década depois
Fonte: Four Four Two

Emigrou para a Holanda, deu-se bem, e voltou ao seu país, ao Parma, mas não se tornou nada daquilo que ambiocionara um dia ser. Voltou a ser emprestado, primeiro à Sampdoria e depois ao Feyenoord. Antes de partir para Roterdão, parecia conformado com o destino de vir a ser mais um jogador vulgar que muito prometeu e pouco deu a não ser no seu início. Afinal de contas, já tinha 27 anos e mais de metade da sua carreira (começada em 2004) já tinha sido percorrida.

Deixou de sonhar, foi mais prático, e concentrou-se apenas nos poucos momentos que cada jogo lhe trouxesse (ou assim lhe terá ensinado Ronald Koeman). Focou-se no “agora” e o resultado foi 11 golos em 10 jogos. Um autêntico boost de confiança que o catapultou para uma época inesquecível, onde apontou 27 golos em 29 jogos no campeonato holandês, que fez com que o Feyenoord quisesse voltar a contar com ele para a época seguinte. Assim foi. E, mais uma vez com Ronald Koeman a orientá-lo, Pellè teve outra época extremamente produtiva, marcando 23 golos em 28 jogos. Terminou assim os dois anos de Feyenoord ao peito, com 50 tentos apontados em menos de 60 encontros, e ambicionava, perante tamanha regularidade e faro de golo, ser chamado à squadra azurra. Tinha, agora, mais legitimidade do que nunca para sonhar com um lugar nos eleitos para o Mundial… mas não aconteceu – Immobile, Cassano e Ballotelli reuniram a preferência do seleccionador. E Graziano voltou a sentir-se mais um, entre muitos.

Os dois anos passados em Roterdão deram uma "nova vida" a Pellè  Fonte: dailyecho.co.uk
Os dois anos passados em Roterdão sob a orientação de Koeman deram uma “nova vida” a Pellè
Fonte: dailyecho.co.uk

Aos 29 anos parecia ter o seu destino traçado e pareceu conformar-se com ele. Porém, tudo mudou, e mais uma vez houve um holandês muito especial a fazer com que a vida de Graziano fosse melhor – Ronald Koeman. Voou para Inglaterra, para o Southampton, e exigiu que o italiano viesse com ele. Assim foi. E os resultados estão à vista: Graziano Pellè não sentiu o impacto da mudança do futebol holandês para o inglês e provou que os 50 golos apontados ao serviço do Feyenoord não foram obra do acaso, adaptando o seu jogo àquilo que ele lhe pedia, focando-se em elevar os saints à equipa sensação que é, neste momento, na Premier League. Os resultados, mais uma vez, estão à vista – 8 jogos na Premier League, 6 golos, 1 prémio de melhor jogador do mês (Setembro). Graziano encontrou, finalmente, a sua graça. Brilhou ao mais alto nível e pôde finalmente representar o seu país ao mais alto nível…

… e não foi apenas mais um! Foi “o” tal. Aquele que qualquer miúdo de San Cesario de Lecce (ou de outra qualquer localidade italiana) com calcio no sangue quer ser – o jogador que decide um jogo a favor da sua pátria. Marcou à selecção da Malta, na sua estreia, o único golo do encontro e provou ao mundo, mas, mais importante, a si mesmo, que vale a pena sonhar, seja com que idade for, porque, por mais que demore, todos nós encontraremos a nossa graça.

Mudaram-se os artistas mas o circo mantém-se

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eternamocidade

À décima segunda tentativa, eis que a derrota apareceu. Já tinha aparecido a Benfica e Sporting, mas desta vez coube ao FC Porto sofrer dos seus males e passar pelo primeiro grande desaire da época, com uma consequência imediata: a eliminação da Taça de Portugal. Apesar de todo o alarido à volta do plantel portista e das profecias que se faziam há algumas semanas – de que com o plantel que o FC Porto tinha, tudo venceria esta época -, admito que a derrota de sábado não foi uma surpresa para mim.

De facto, depois dos ameaços de Alvalade e de Lviv e da sofrida vitória em casa frente ao Sp. Braga, percebia-se que não iria demorar muito a primeira derrota portista. Pela incapacidade que a equipa demonstrava em mostrar solidez, pela constante rotação que já ninguém percebe por parte de Lopetegui, por todos os erros defensivos e ofensivos que a equipa cometia, era fácil prever que o dia da derrota iria acontecer. Contra o Sporting, mais do que dois golos oferecidos, um penálti falhado e um punhado de defesas “impossíveis” de Rui Patrício, ficou mais uma vez provado que apesar da mudança do elenco para esta época, há coisas que não mudaram no FC Porto. Por entre a revolução feita no plantel portista ficaram os erros defensivos individuais, ficaram os golos oferecidos e ficou a incapacidade para dar a volta a resultados e equipas complicadas. Mesmo com todas as “estrelas” que supostamente vivem no Dragão, o circo de insuficiências mantém-se e, como no ano passado sempre afirmei que Paulo Fonseca não era o único responsável, também não acredito que Lopetegui possa ser o único acusado pela irregularidade que a equipa demonstra.

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Lopetegui não é o único culpado pelas prestações menos positivas do FC Porto
Fonte: fcpnacaoportista.wordpress.com

Ainda assim, e porque não estou de acordo com toda a rotatividade que o treinador tem imposto, obviamente que o técnico espanhol tem uma enorme culpa no que aconteceu porque voltou a inventar e a complicar uma tarefa que já de si seria complicada: do quinteto defensivo que tanta solidez mostrava nos primeiros jogos, apenas Maicon e Danilo ficaram na equipa; no meio campo, optou por um jogador que veio de lesão (Casemiro) em virtude de um jovem que tem mostrado credenciais; no ataque, optou por retirar Oliver da sua zona de conforto (o meio campo); colocou Quintero sobre uma ala e insistiu mais uma vez num Adrián López que parece desconectado de tudo. Com Alex Sandro e Martins Indi na bancada e Fabiano, Rúben Neves, Brahimi e Tello de fora, o jogo com o Sporting tinha tudo para correr mal… e acabou por correr. De forma incompreensível, Lopetegui optou por colocar o FC Porto com apenas dois médios posicionais, deixando William Carvalho completamente solto para construir o jogo ofensivo leonino. Em termos defensivos, Casemiro nunca foi uma solução sólida e as constantes falhas da defesa levaram o Sporting a superiorizar-se perante um FC Porto que tremia sempre que tinha a bola na sua posse.

Dois meses depois do início da temporada a primeira competição já foi, e apesar de todo o mérito do Sporting na vitória do passado sábado, fiquei mais uma vez com a impressão de que foi o FC Porto que se pôs a jeito para que tudo aquilo acontecesse. Por incapacidade de alguns jogadores e por escolhas incompreensíveis do treinador, o FC Porto sai do clássico com menos uma carta no baralho e sobretudo com muitas dúvidas na sua cabeça e nas dos adeptos. É que no campeonato o segundo lugar atual não traz garantias e a desvantagem de quatro pontos já praticamente não permite mais erros aos comandados de Lopetegui. Ainda que no futebol não haja fórmulas exatas, acredito que com menos rotação e mais rotinas de jogo as coisas possam começar a resolver-se. Para isso, basta pôr os melhores a jogar e inventar menos. É que, no futebol, está mais do que provado que jogar simples dá sempre mais resultados. É bom que Lopetegui e os jogadores percebam isso… é porque à custa dos erros do passado, o Jamor em maio do próximo ano já é uma miragem.

O Passado Também Chuta: Del Piero

o passado tambem chuta

Del Piero é uma lenda e ainda está presente na retina dos espectadores. Deixou o futebol europeu há meia dúzia de meses no clube da sua vida, a Juventus, para rumar à Austrália e, agora, à Índia. No entanto, acontece que defendeu a camisola biaconera durante dezanove anos. Por isso, parece um jogador longínquo. Por isso, parece um jogador do presente. Tinha os dois pés. Possuía uma técnica primorosa. Tinha finta e imaginação. Rematava as faltas com a precisão dos predestinados. Antes dos vinte e três anos arrebatou o Troféu Bravo, superando a esperança espanhola Emílio Butraguenho. A desolação que provocou em Espanha foi importante; o seu menino bonito, o seu menino educado, fora ultrapassado por um italiano.

E ganhou tudo; ganhou, inclusivamente, a Serie B italiana depois da queda e hecatombe da Juventus por problemas “misteriosos”. Venceu oito vezes a Seria A italiana. É fácil dizer ou escrever este dado, mas, se meditarmos, podemos assustar-nos. Não é fácil vencer quase metade dos campeonatos que se disputa. Foi Campeão de Europa. Foi Campeão Mundial com a seleção. Depois, com a idade, maravilhou o mundo com a forma como marcava as faltas. Não tinha posição ideal; todas as posições eram boas porque treinava as faltas desde todas as posições e ângulos. Até ao dia do seu adeus chutou a Itália marcou para dar vitórias ao seu clube.

Livres: uma das grandes especialidades de Del Piero  Fonte: fantasista10.co.uk
Livres: uma das grandes especialidades de Del Piero
Fonte: fantasista10.co.uk

Del Piero, ainda que admirado, careceu de alguns prémios individuais. Nunca ganhou uma Bola de Ouro. No entanto, era e é considerado entre os seus colegas como um dos grandes de sempre. Quero recordar que foi colega de um português que foi Campeão de Europa com o Juventus – Paulo Sousa, o geómetra – e foi membro destacado da geração do Luís Figo e do Rui Costa.

O Estádio do Real Madrid tem fama de exigente e sábio. O Real Madrid e a Juventus encontraram-se numa disputa durante o Campeonato de Europa. Del Piero marcou dois golos e foi determinante. O Estádio Santiago Bernabéu, em pé, aplaudiu a Del Piero. Poucos jogadores contrários tiveram esse privilégio, mas existe um trio sagrado de privilegiados: Maradona, Ronaldinho Gaúcho e Del Piero. O campo que viu evolucionar a Di Stéfano, Rial, Kopa, Didi ou Luís Figo quando tropeça com a excelência agradece e reconhece.

Podemos gostar ou não gostar da Liga Italiana, mas, fundamentalmente, é um campeonato muito difícil. Ganhar os campeonatos que Del Piero ganhou com a Juventus é epopeico; no entanto, disputar mais de quinhentos jogos com uma equipa do nível de exigência da Juventus e andar em todas as batalhas só os únicos, os grandes, os míticos o conseguem. Del Piero não só é um jogador mítico, foi flor que perfumou os campos de futebol.