Início Site Página 12344

Porque assobiam, para quem assobiam e o que querem com os assobios?

0

atodososdesportistas

Numa semana em que entrámos na fase de grupos Liga dos Campeões e tivemos um sorteio que nos sorriu (coisa muito rara, diga-se) e em que gozamos do facto de sermos um dos líderes do campeonato (ainda que só se tenham disputado duas jornadas); numa altura em que temos um registo de 6 golos marcados e 0 sofridos em jogos oficiais com base num futebol em construção, já muito perfumado, com uma posse e circulação de bola de fazer inveja a muitos e uma equipa que apresenta soluções, pergunto-me: o que querem os ditos adeptos portistas que em todos os jogos teimam em, a dada altura, assobiar o conjunto azul-e-branco? Vamos por partes.

Porquê? Por termos mais de 70% de posse de bola, um jogo assente na paciência e na circulação da “redondinha” e esperarmos que a teia defensiva da outra equipa se desmonte e assim possamos criar perigo? Relembro que Guardiola ainda há bem pouco tempo disse ser “impossível fazer um ataque bem organizado sem uma sequência de 14/15 passes”. Ter a bola em Maicon–Fabiano-Indi tem sido tão seguro como a ter nos pés de Brahimi–Óliver–Jackson. Os adeptos têm de perceber que a matriz do jogo dos dragões assenta na certeza de não errar, antes de se querer “chutar para a frente e esperar que Jackson resolva”, como acontecia muito no ano anterior. Se os adeptos de Bayern, Barcelona, Arsenal ou Chelsea assobiassem cada vez que a bola está a ser pacientemente trocada na defesa (não confundir “pacientemente” com “passivamente”), então os estádios estavam quase 90 minutos sob um coro de assobios.

Para quem? No jogo fora com o Lille ouvi assobios logo no primeiro tempo vindos da pequena fracção de adeptos portistas que foram “apoiar” a nossa equipa. Tinham decorrido vinte e poucos minutos e os dragões tinham cerca de 75% de posse de bola na altura. Seria esta uma contestação ao treinador pelo seu estilo de jogo? A verdade é que ganhámos, ganhámos bem e num campo difícil. No jogo da segunda mão, com a vitória assegurada e com a certeza de que Quaresma ou Quintero iam entrar (estiveram todo o segundo tempo a aquecer), eis que surge um contratempo e Casemiro (até então o melhor em campo, a par de Brahimi) pede para sair devido a dores musculares. Como é lógico, esperava-se ver sair o argelino para a ovação, mas Lopetegui teve de optar por um jogador de características mais defensivas dadas as circunstâncias. A opção recaiu em Ricardo (confesso que pensei que iria entrar para defesa direito e Danilo subiria para o “miolo”), jovem que sempre deu tudo em campo e que completava ali mais um sonho: a estreia na liga milionária. Em vez de aplaudirem a enorme exibição de Casemiro e darem força ao jovem que em menos de dois minutos saltou do banco, aqueceu, despiu o fato-de-treino e entrou, os adeptos preocuparam-se em assobiar o facto de RQ7 não ter entrado em campo… Nesse caso, os assobios foram sem dúvida para o treinador Julen Lopetegui. Acho um erro e uma estupidez (desculpem-me a agressividade da palavra) assobiar um treinador que transformou o Porto em pouquíssimo tempo. Relembro que Van Gaal, por exemplo, tem a mesma missão em Manchester… Penso não ser preciso falar sobre isso. O trabalho de Lopetegui até agora tem sido fantástico. Não merece os assobios que (já) ouviu.

O que pretendem? Agora é a vez de ser o leitor a responder-me, porque não consigo, de todo, entender o que pretendem estes ditos “adeptos” com as tamanhas assobiadelas (que começaram no jogo de apresentação, quando ainda se jogava a “feijões”…). Acham que o treinador vai ceder à pressão? Acham que deve tentar agradar ao adepto e com isso preterir todo um trabalho que esse mesmo adepto não vê, feito em laboratório durante toda a semana para aquele jogo específico? Os adeptos têm de perceber que o plantel tem 25/26 jogadores e que apenas 18 são convocados para o jogo, sendo que 11 são titulares e podem entrar mais 3, se o treinador assim o entender. Não pode haver um jogador mais que seja mais do que os outros. Que os adeptos tenham um carinho especial por Quaresma, isso é perfeitamente normal. Eu também tenho. Aquela magia, aqueles dribles e aquela imprevisibilidade fazem dele um jogador apetecível ao olho de qualquer adepto. Mas o treinador, aquele senhor que escolhe os tais 18 de 25/26, põe 11 de início e escolhe mais 3 (se quiser…), tem uma visão global: olha para o jogo da equipa e não para um jogador. Quaresma é um jogador da equipa e se quer jogar tem de ser, acima de tudo, um jogador para a equipa. Apresentou-se numa forma fantástica neste início de época, com o peso ideal e com vontade de ajudar em tarefas defensivas. Mas a sua frescura física já não é a de antigamente, e o “sangue novo” trazido por Lopetegui veio tornar ainda mais óbvio aquilo que vaticinei num texto anterior: Quaresma está destinado a ser o suplente de luxo, um abre-latas para os últimos 15/20 minutos dos jogos mais complicados; titular em jogos onde os adversários jogam com linhas baixas e atacam pouco e uma possível escolha para confrontos onde a experiência pode ser fundamental (um derby num momento menos bom da equipa, por exemplo).

Quaresma tem de ser um jogador de equipa Fonte: Zerozero/ Catarina Morais
Quaresma tem de ser um jogador de equipa
Fonte: Zerozero/ Catarina Morais

Quaresma só tem de fazer o seu trabalhinho como tem feito e esperar que o treinador veja nele aquilo que o adepto. “Deixem de fazer filmes”, como o próprio diz. Já chega a comunicação social querer arranjar problemas onde eles não existem, não vale a pena que o adepto “ajude à festa”, por favor. Assim me despeço, na esperança de que amanhã, diante do Moreirense, possamos ouvir aplausos e não assobios.

P.S.: Parece-me que amanhã poderá ser um bom jogo para o “ciganito” ser titular, na sequência do que escrevi mais acima. Cabe ao treinador escolher 2 em 4 (Óliver, Brahimi, Quaresma ou Ricardo), e respeitarei a escolha do meu treinador, independentemente de quem jogue. Se já temos tanta coisa e tantos contra nós, não podemos permitir tiros nos próprios pés. Somos Porto!

Valverde está de volta!

0

Cabec¦ºalho ciclismoEspectacular! É o adjectivo mais correcto para descrever o que aconteceu na 6ª etapa. Quando se junta tanto talento numa subida de 4.6 kms com pendente média de mais de 7% e com rampas que atingem os 13% está tudo reunido para ser uma etapa memorável. Já se sabia que esta Vuelta tinha um elenco fantástico e estavamos todos ansiosos para que aparecesse a primeira montanha para ver quem iria estar à altura. As expectivativas eram grandes, mas, felizmente, foram todas correspondidas. A chegada a La Zubia mostrou-nos que a Vuelta vai, de facto, ser a prova de três semanas mais disputada do ano. Contador, Froome, Quintana, Rodriguez e Valverde formaram um grupo de luxo, como há muito não se via. E que corrida fizeram eles! Atacando-se mutuamente e impondo ritmos avassaladores, transformaram o último quilómetro da etapa em algo delicioso, que não esqueceremos tão cedo.

Tudo começou com Valverde. Colocou-se na cabeça do pelotão para ajudar o seu companheiro de equipa Nairo Quintana, impondo um ritmo que destruiu as pernas de practicamente toda a concorrência. Um a um, todos iam cedendo. E não estamos a falar de uns ciclistas quaisquer, estamos a falar de Aru, Kelderman, Gesink, Tem Dam, Nieve, Chaves Rubio, Samuel Sánchez… Acabaram todos por ser eliminados pelo ritmo do “velhote” Valverde. Restou, portanto, o quinteto de luxo. Aqueles que à partida seriam os maiores favoritos para a conquista da roja. Estavam lá todos e ninguém desiludiu. Estava o mundo do ciclismo a elogiar o trabalho e a humildade de Valverde quando Purito Rodriguez atacou para a vitória na etapa. Então aconteceu o impensável. Estávamos todos prontos para ver o Valverde a deixar-se ficar – afinal de contas, ele só estava a trabalhar para o seu novo líder e o seu trabalho estava feito (e de que maneira!) -, mas foi precisamente Valverde o primeiro a responder e a ir na roda do seu compatriota da Katusha. Aí começou a loucura generalizada! Valverde não deixou Rodriguez fugir, Froome começou a chegar-se à frente, Contador não deixou Froome fugir e, quando demos conta, foi precisamente Nairo Quintana a ficar um pouco para trás numa etapa de pernas para o ar. E que bom é quando isso acontece! Quintana não esteve à altura do trabalho do seu companheiro e Valverde teve de improvisar. E que belo improviso! Valverde disparou para a vitória na etapa e tudo terminou com o espanhol a cruzar a meta de peito ao vento.

Depois de uma prestação notável, Alejandro Valverde é o novo líder da classificação geral  Fonte: businessinsider.com
Depois de uma prestação notável, Alejandro Valverde é o novo líder da classificação geral
Fonte: businessinsider.com

Quem viu a etapa não se esquecerá tão cedo, mas há uma pessoa que não deve ter gostado muito do que aconteceu. Aquele que à partida era o favorito nº1 na casa das apostas: Nairo Quintana. Não só viu os seus concorrentes directos a deixá-lo para trás como viu a dúvida em relação a quem é, afinal, o líder da Movistar voltar à discussão diária. Valverde tinha renovado o contrato por mais dois anos na véspera da etapa e, apesar de ter dito que Quintana era o líder e de ter mostrado humildade suficiente para trabalhar para ele, Valverde deixou que a estrada mostrasse quem está mais forte e conquistou a roja por direito próprio e com muito mérito. A bola agora está do lado de Quintana e ele deve querer mostrar, já na próxima oportunidade, que tudo não passou de um momento mau. Mas irá ele atacar o seu colega que veste agora a camisola da liderança? A verdade é que o colombiano ficou agora um pouco preso de movimentos. Mal posso esperar para ver o que irá acontecer nas próximas montanhas!

Quem sorri amplamente com isto tudo é o director desportivo da Movistar, que fica com dois líderes, e também todo o público no geral, que vê assim ainda mais fogo nesta fogueira que já tinha Froome, Contador e Rodriguez como incendiários de luxo. Pessoalmente, fico muito contante com esta disputa nova na Vuelta. Eu já tinha previsto que, depois daquilo que aconteceu no Tour, Valverde quereria redimir-se. Felizmente tinha razão. Valverde está de volta!

Inter de Milão: recuperar o estatuto

0

O Inter, tal como o rival AC Milan, anda há vários anos longe da luta pelo título na Serie A. Nas últimas temporadas os nerazurri têm apresentado plantéis bastante fracos – uma consequência do período de menor fulgor financeiro que atravessam – e os resultados não têm honrado a grandeza do clube. Contudo, as contratações para esta época aumentaram bastante o nível do elenco, sendo de esperar que a equipa milanesa consiga ficar nos lugares cimeiros (pedir o título é demasiado).

Depois do excelente trabalho no Nápoles, Walter Mazzari teve uma época de estreia bastante satisfatória. Para além do quinto lugar, que valeu o regresso às competições europeias, o técnico italiano, sempre fiel ao esquema de três centrais, conseguiu criar uma base forte, potenciando jovens como Juan, Kovacic ou Icardi. As expectativas para esta temporada são naturalmente mais elevadas. À equipa da época passada, que ainda tem bastante margem de progressão, juntaram-se alguns reforços sonantes, que chegaram a Milão para dar maior qualidade e profundidade a um plantel que precisava de ser melhorado.

A poucos dias do fecho do mercado de transferências, a principal lacuna do plantel do Inter é a posição de médio ofensivo. Com a saída dos argentinos Rubén Botta e Ricky Álvarez (de partida para o Sunderland) e do italo-argentino Schelotto os nerazurri não têm jogadores desequilibradores para actuar no último terço do terreno. De resto, a abordagem ao mercado foi excelente (para ser perfeita só falta Giovinco, que é uma aquisição mais complicada) e dá a Walter Mazzarri condições para realizar uma temporada positiva. Vidic, que passou por alguns problemas físicos nas últimas épocas, tem ainda muito para dar no futebol italiano e será o patrão da defesa; Gary Medel é uma opção de qualidade para actuar como central ou no meio campo (atitude não lhe falta); M’Vila, que até se mudar para a Rússia era um dos melhores médios defensivos do futebol europeu, é uma grande aquisição e pode “renascer” em Milão; Dodô, emprestado pela Roma, tem as características ideais para ocupar o flanco esquerdo; Pablo Osvaldo é uma incógnita, mas se tiver a cabeça no lugar não há dúvidas de que vai ser uma mais valia para a equipa.

Walter Mazzarri tem a responsabilidade de levar o Inter de volta ao topo  Fonte: football.fr
Walter Mazzarri tem a responsabilidade de levar o Inter de volta ao topo
Fonte: football.fr

O onze de Mazzarri está praticamente definido. Handanovic, guarda-redes de grande qualidade, tem o lugar assegurado na baliza; o trio de centrais é composto por Juan, que evoluiu bastante na época passada (tem apenas 23 anos), Ranocchia e Vidic, que dará maior experiência ao sector; as alas serão ocupadas por Jonathan e Dodô (um dos destaques neste início de temporada), dois laterais claramente mais fortes no plano ofensivo. No meio campo M’Vila será indiscutível, sendo provável que Kovacic (um grande talento, mas esperava-se que estivesse noutro patamar de afirmação) ganhe o lugar ao seu lado. Hernanes deverá jogar na segunda linha do meio campo, mais próximo da dupla argentina constituída por Palacio, peça-chave para Mazzarri, e o espectacular Mauro Icardi, que será a referência ofensiva da equipa. No banco há boas opções, como Nagatomo, Guarín (que ainda pode sair), Medel, Osvaldo ou Kuzmanovic. Em suma, o Inter tem, ao contrário de outras épocas, um óptimo treinador e um plantel bastante homogéneo, o que deixa antever uma temporada com resultados mais adequados ao estatuto do clube.

Rio Ave 1-0 Elfsborg: O melhor estava guardado para o fim

liga europa

28 de Agosto de 2014, um dia para a história, uma página dourada na história do Rio Ave, uma história para Pedro Martins, jogadores e adeptos contarem aos netos. Para o Rio Ave era dos jogos mais importantes, talvez o mais importante da sua história. Em jogo estava uma entrada para a fase de grupos da Liga Europa, estava um milhão e 300 euros, que ajudam no orçamento deste clube.
A desvantagem de 2-1 era perfeitamente possível de ser desfeita. Na Suécia, o Rio Ave tinha mostrado argumentos para lutar contra esta equipa do Elfsborg. Pedro Martins apostou tudo, e desde cedo o Rio Ave fez o que devia: atacar, procurar o tão desejado golo. O Elfsborg geriu a vantagem. Não se aventurou muito no ataque, tentando controlar a partida e aproveitar espaços que o Rio Ave dava. Esta foi sempre a imagem do jogo. Um Rio Ave que queria o golo frente a um Elfsborg que tentava controlar o adversário.
O nulo continuava ao intervalo. Faltava aquele último toque, aquele último passe para o tão desejado golo. A tendência manteve-se na segunda parte. Rio Ave mais perigoso, mas faltava sempre algo. O Elfsborg equilibrou a partida, subiu no terreno, mas pouco fez para alcançar o golo. A única situação mais perigosa foi uma bola ao poste aos 55 minutos. Era o Rio Ave que continuava a dominar. Pedro Martins arriscava tudo, mas o tempo ia passando e o golo não aparecia. O guarda-redes defendia, a bola ia para fora e o jogo caminhava para o fim. O sonho dos vila-condenses ia acabar ali, de forma inglória, a apenas um golo da qualificação.O futebol não é um desporto justo, mas por vezes premeia quem se esforça. Ao minuto 92, Cássio, para evitar o canto, agarrou na bola e atirou-a lá para a frente. O esférico bateu num jogador sueco, e Esmael aparece isolado frente ao guarda-redes, a derradeira oportunidade de continuar a fazer história, mas a bola bate mal no pé dele e o avançado falha o remate. Mas este é, provavelmente, o falhanço mais feliz da carreira de Esmael. A bola continuou a rolar, caminhando aos poucos para a baliza, caminhando para a glória e para um lugar na história. E o Estádio dos Arcos quase foi abaixo. Um estádio demasiado pequeno para a alegria que ali se viveu. Adeptos aos saltos, jogadores aos saltos, suecos no chão, incrédulos. O sonho estava concretizado. Agora já não escapava.

Era uma noite para a história. Um triunfo justíssimo. Em 180 minutos, só em 45 minutos o Elfsborg foi superior. Um grande jogo do Rio Ave, que lutou, acreditou e foi recompensado. Esta equipa pode não ter experiência na Europa, mas tem a entrega e a raça. Uma equipa bem treinada por Pedro Martins, que já tem identidade e será dos conjuntos a acompanhar esta temporada. Um prémio justo para o clube e direcção. Um clube organizado, que sabe o que quer e que não dá passos maiores do que as pernas. Quando se trabalha assim, a recompensa aparece, como aconteceu naquela noite.

Agora é aproveitar o momento e tentar fazer uma gracinha, pois o grupo assim o permite. Dinamo Kiev será o adversário mais forte, mas Steaua de Bucareste e Aalborg são equipas perfeitamente ao alcance do Rio Ave, se continuar com esta raça.

A figura

Esmael – Todos os elementos da equipa mereciam estar aqui, pelos guerreiros que foram, mas Esmael entrou para a história do clube ao apontar o golo decisivo.

O fora-de-jogo

Elfsborg – Jogaram sempre na expectativa, jogaram com o resultado e nunca arriscaram a procurar o golo que desse a tranquilidade necessária. A coisa correu mal. Além disso, nunca foram superiores ao Rio Ave nos dois jogos. Fizeram pouco para quem dizia que os vila-condenses eram a equipa mais fácil.

O futuro só existe na Champions

0

O Sexto Violino

Chelsea, Schalke e Maribor. São estes os adversários do Sporting no ano do regresso à Liga dos Campeões. O sorteio não foi amigo, mas também não foi tão cruel como poderia ter sido. Ainda assim, passar aos oitavos-de-final será muito difícil: os ingleses são uma equipa de outro nível, com inúmeras soluções de qualidade para qualquer posição e, como se não bastasse, contam ainda com o pragmatismo de Mourinho do seu lado; os alemães, por seu turno, contam com o habitual poderio físico do futebol germânico, aprimorado pela presença de Höwedes e Draxler, dois craques recém-consagrados com o título de Campeão do Mundo, e ainda Huntelaar, um ponta-de-lança mortífero. O Maribor será a equipa que permitirá ao clube de Alvalade garantir, em princípio, o 3º lugar do grupo – pelo menos assim diz a teoria.

O Sporting não disputa um jogo para a Champions desde 2009. Cinco anos se passaram entretanto – período que, como sabemos, teve início numa malfadada eliminatória: após o 0-5 em Alvalade com o Bayern, a equipa conseguiu piorar o registo e saiu de Munique goleada por 7-1, com a Europa inteira a assistir àquele que foi o maior enxovalho da História do clube. Apesar de ainda hoje ser doloroso para um Sportinguista falar disto, é importante que não nos esqueçamos da nossa realidade de então, para que tal não se repita: em 2008/2009, o Sporting tinha uma equipa mediana, que não foi reforçada quando devia ter sido e que já se encontrava ultrapassada. O treinador era Paulo Bento, útil ao Sporting até um determinado período mas que não se soube reinventar nem percebeu que o seu período já tinha chegado ao fim. O clube era ainda presidido por Soares Franco, que daria lugar dentro de poucas semanas a José Eduardo Bettencourt (com os resultados que se sabem). Em resumo, o Sporting dava os primeiros sinais de crise e despedia-se dos maiores palcos da Europa antes de mergulhar no caos completo – que levou, entre outras coisas, à sua pior classificação de sempre no campeonato.

Hoje tudo isto já parece ser passado, e o clube dá sinais de tentar reerguer-se. Mas as consequências ainda se fazem sentir: o Sporting perdeu o comboio da Champions e, com isso, desperdiçou não só a hipótese de ter acesso aos milhões da maior competição de clubes da Europa como também deixou de poder atrair nomes de peso aos seus plantéis. Como se não bastasse, os Sportinguistas ainda tiveram de assistir de fora a clubes mais pequenos, como o Braga e o Paços de Ferreira, tentarem a sua sorte na Liga dos Campeões.

sport
Caso o Sporting tivesse falhado o apuramento para a Liga dos Campeões, muitos dos melhores jogadores do actual plantel não estariam no clube

É um ciclo vicioso: piores jogadores levam a piores classificações e, por seu turno, piores classificações são um entrave à contratação de atletas que façam a diferença. Foi esta a realidade leonina durante cinco longos anos. Futebolistas promissores como Nani, Miguel Veloso e João Moutinho foram saindo, bem como um velho abono de família chamado Liedson. Entraram alguns jogadores com menos qualidade, para além de erros de casting como Maniche, Pongolle ou Angulo. Veio Godinho Lopes, que gastou uma fortuna a contar com o retorno financeiro de um apuramento para a Champions que não chegou a acontecer, e o Sporting afundou. Agora, após uma época de reconstrução, o clube voltou à Liga Milionária. E bastou isso para atrair Nani ao clube, naquela que foi a transferência mais sonante do futebol português nos últimos anos. De igual modo, a disputa desta competição também permitiu, espera-se, a permanência de William Carvalho por mais um ano. Se não houvesse Champions em Alvalade, nem um nem outro estariam no Sporting.

É por tudo isto que o clube não pode estar tanto tempo arredado da prova-rainha da UEFA. Uma equipa da grandeza do Sporting tem de estar sempre presente nos grandes palcos – não só enquanto actor secundário de uma peça para a qual, por enquanto, ainda não tem “cabedal”, mas numa perspectiva de evolução, consolidação e superação ano após ano. Se, nesta temporada, uma grande parte da equipa disputará a Liga dos Campeões pela primeira vez, no próximo ano já nada disto será novidade. E ainda bem. O Sporting tem de se habituar às grandes competições, tanto pelo dinheiro como pelo prestígio. A época de 2014/2015 marcará, espera-se, o início da transformação do ciclo vicioso do passado num ciclo virtuoso futuro. E este, já se sabe, só existe se o clube marcar presença assídua na Champions.

Sorteio Liga dos Campeões: Sonho dos oitavos é real para o tridente luso

Benfica, FC Porto e Sporting podem perfeitamente sonhar com a presença nos oitavos de final da Liga dos Campeões. No sorteio realizado no Mónaco, o campeão nacional, SL Benfica, ficou incluído no grupo C, com Zenit, B. Leverkusen e AS Mónaco. Apesar da qualidade dos três adversários da equipa de Jorge Jesus, a formação encarnada tem todas as possibilidades de seguir em frente. Relativamente à equipa russa, destaque para os regressos de Garay, Neto, Witsel, Javi Garcia, Hulk, Danny e André Villas Boas ao Estádio da Luz; no Leverkusen, salienta-se a vitória, na primeira jornada da Bundesliga, no terreno do B. Dortmund, e para a presença de jogadores como Leno, Bender, Castro e Kiessling; quanto ao AS Mónaco, será o regresso de Leonardo Jardim, João Moutinho, Ricardo Carvalho e Radamel Falcao ao reduto encarnado.

O FC Porto pode ter, à partida, razões para sorrir após o sorteio da Liga dos Campeões. Os portistas ficaram no grupo H, com o Shakhtar de Douglas Costa, Alex Teixeira, Taison e Luiz Adriano, com o At. Bilbau – uma equipa fortíssima a jogar no seu novo estádio e que conta no seu plantel com jogadores como Iker Muniain -, e, ainda, com o BATE Borisov, que ultrapassou o Slovan Bratislava no play-off. Para o Sporting ficou reservado o adversário que se espera mais difícil do sorteio: o Chelsea. Deste modo, será o reencontro de José Mourinho com os leões, num plantel que conta com estrelas como Matic, Ramires, Óscar, Hazard, Fabregas e Diego Costa. O Schalke 04 é o adversário com quem o Sporting, teoricamente, lutará pelo segundo lugar do grupo. As principais figuras da equipa alemã são Howedes, Boateng,  Draxler, Farfán e Huntelaar. O Maribor é, em princípio, a equipa mais fraca do grupo, sendo esta a primeira presença da equipa eslovena na principal prova de clubes da UEFA.

ucl 1
Os oito grupos da edição de 2014/2015 da Liga dos Campeões Europeus
Fonte: Facebook oficial UEFA Champions League

Quanto aos restantes grupos, temos no grupo A um confronto de gigantes, com Atlético de Madrid e Juventus a serem os principais favoritos, fazendo o Olympiacos ver a Liga Europa como o seu destino mais provável, e onde o Malmoe surge como a equipa menos cotada. No Grupo B, surge o campeão europeu Real Madrid, que tem no regressado Liverpool o seu principal adversário. Basileia e o estreante na prova Ludogorets não parecem ter argumentos para discutir o apuramento para os oitavos. No grupo D, o Arsenal e o B. Dortmund reencontram-se e são novamente os grandes favoritos a passarem esta fase. O Galatasaray e o Anderlecht terão, em teoria, na luta pelo terceiro lugar o grande objetivo.

O Grupo E tem tudo para ser considerado o “grupo da morte”. Bayern de Munique e Manchester City são os “tubarões” do grupo, mas é importante não descurar o experiente CSKA e a rejuvenescida AS Roma, que promete baralhar as contas do apuramento. No grupo F, o favorito FC Barcelona volta a encontrar o PSG de Cavani, Lavezzi, Thiago Silva e Ibrahimovic, bem como o ex-campeão europeu Ajax. Os cipriotas do APOEL surgem como a equipa teoricamente mais fraca do grupo.

FC Porto 2-0 Lille: Invictos rumo à Champions

amarazul

No Dragão, não há cobertura para dar asas a truques; no Dragão, não há falta de ar ou campo seco. No Estádio do Dragão, em plena cidade Invicta, joga-se futebol e bom futebol. É por esta máxima que se regem Julen Lopetegui e os seus pupilos, e assim está confirmado o regresso à prova milionária com mais uma vitória irrepreensível.

Queria-se futebol, jogou-se futebol. Do primeiro ao último minuto, vestidos de azul e branco, 14 guerreiros lutaram por conquistar um lugar que é seu por direito, num encontro onde, uma vez mais, a juventude não foi um obstáculo e, dentro do campo, se encantou frente a um conjunto francês claramente a anos-luz do da casa.

Se a vitória em França permitia um certo conforto, era sabido que um outro tento apontado colocaria o Futebol Clube do Porto ainda mais perto da Liga dos Campeões – e assim foi. A abrir a segunda parte, e de bola parada, Brahimi mostrou que será aposta neste tipo de lances. Um, dois, três. Se o guarda-redes Enyeama fez a contagem, perdeu a vista à bola. Estava lá dentro, e com isto o Dragão (e Lopetegui!) respirava de alívio.

A vitória nunca esteve em causa, e enquanto os eleitos provavam ter valor para a prova-mãe do futebol europeu, no banco (e em casa) estavam jogadores como Adrian, Quaresma, Quintero e Tello a confirmar um grande plantel. De volta aos que lá dentro estiveram, foi mais uma exibição segura e exuberante do conjunto azul e branco, tão sólido defensivamente como eficaz lá na frente.

Se há equipa pronta para marcar presença numa liga para a qual não havia conquistado o apuramento directo é o Futebol Clube do Porto. E se há técnico pronto para liderar a juventude aos grandes palcos do continente, é Julen Lopetegui. Juntos, o emblema do Dragão e o técnico espanhol começam a elaborar um quadro digno de ser invejado pelos melhores.

1
Com mais ou menos oportunidades, Jackson não falha: continua a somar na conta pessoal.
Fonte: Maisfutebol

Intérprete principal, esse, é difícil de escolher. Da solidez defensiva associada às arrancadas de Danilo e Alex Sandro e da criatividade de Óliver e Rúben Neves até que, lá na frente, Brahimi brilha para dar golos a Jackson, sem esquecer os já referidos (hoje) suplentes, tudo funcionou numa noite em que o público voltou a aderir na perfeição ao apelo portista.

A criar-se um tutorial sobre como garantir o apuramento para a Liga dos Campeões dominando a eliminatória frente a uma equipa que se conhece há três temporadas, o Futebol Clube do Porto assinaria a capa.

A Figura

Brahimi – Golo e meio numa eliminatória decisiva (afinal, tratava-se do jogo – singular – mais importante da época do ponto de vista monetário) não é para todos. Brilhou no meio, no segundo terço e em frente à baliza, afirmando-se cada vez mais como um dos mágicos.

O Fora-de-jogo

Herrera – Enquanto Casemiro solidificou o meio-campo, Herrera foi, involuntariamente, contribuindo para o desfasamento do mesmo. Longe da sua forma do Mundial, o médio colombiano teve um papel importante ao assinar o tento da primeira mão mas precisa de subir de nível para continuar a merecer ser primeira opção.

Um Regresso Inconveniente

0

verdebrancorisca

Inveja, ressabiamento e preocupação. Muita preocupação.

De certa forma compreendo este sentimento dos nossos queridos rivais em relação ao regresso de Nani ao seu clube de coração. Compreendo que seja duro não ter referências da formação e, por conseguinte, não ter qualquer possibilidade de ver regressar a casa jogadores de classe mundial como Nani.

Peço desculpa! Cometo um grave erro. Falhava-me a memória ao não referir o grande maestro que resolveu voltar com 34 anos, assinando o contrato em branco (reza a lenda que receberia o salário mínimo nacional para jogar pelo seu clube de coração) e rejeitando propostas de grandes tubarões do futebol mundial, cujos nomes permanecem ainda hoje no segredo dos deuses. Foi um regresso incrível, com uma média de três golos e 15 lesões por época. Foram três épocas de sonho, sem qualquer título (é certo) mas com muito amor à camisola! Hoje em dia, o maestro continua no seu clube de sempre, recebendo o ordenado mínimo nacional e ocupando o cargo de director de… quer dizer… de homem-forte do… ou seja, de embaixador da… bem, passemos ao que interessa!

Quando se falava no possível regresso de Nani ao Sporting, os mesmos que o apelidavam “jogador mais regular na Selecção Nacional nos últimos anos” chacoteavam os adeptos sportinguistas por pensarem sequer nessa possibilidade: “algum dia um jogador de classe mundial voltaria ao Sporting, tendo clubes como Juventus ou Arsenal interessados no seu concurso? Que anjinhos… Um jogador que em forma é um dos melhores extremos do mundo, e que esteve, ainda há um par de épocas, no lote dos 23 nomeados para a Bola de Ouro? Vão sonhando… E ele ganha um balúrdio! Vocês nem dinheiro têm para mandar cantar um cego!”. Declarações como estas ouviam-se um pouco por toda a parte, e mesmo os sobredotados de oculinhos escondidos atrás de um computador de redacção arremessavam os seus “bitaites” em forma de “Nani reticente em voltar”, “Nani não quer voltar a Portugal”, “Nani indeciso”, “Anderson em vez de Nani”. O circo estava montado, e os palhaços preparados para dar baile ao leão. O que estes senhores não sabiam era que, no momento em que começaram a escrever as suas graçolas, já Nani era jogador do Sporting. Assim sendo, quando este regresso se tornou público, o discurso dos nossos queridos amigos deu uma volta de 180º, tornando-se qualquer coisa como: “foi o pior jogador da Selecção no Mundial! Já morreu para o futebol, não joga nada há não sei quantos anos… é só um jogador banal! Foi para o Sporting porque o Manchester o queria despachar e mais ninguém o pegava!”. A mente humana é realmente incrível.

Nani frente ao Arouca  Fonte: Daily Mail
Nani frente ao Arouca
Fonte: Daily Mail

No meio de toda esta preocupação e nervosismo no âmbito do regresso de um dos jogadores mais talentosos da Europa a Alvalade, uma alegria tremenda e uma luz divina surgiu nas vidas de todos os inquietados: Nani falhou uma grande penalidade na estreia! A felicidade e a euforia foi tal que, se não morasse tão longe do Marquês de Pombal, era capaz de lá ir dar um salto e espreitar o movimento. As graçolas já estavam a ser impressas quando Carlos Mané resolve estragar a festa… Bolas, tudo “por água abaixo”. Os “intelectualóides” sobredotados das redacções não se amedrontaram com a vitória leonina e desafiaram o reino do leão com manchetes como “Mané salva Nani” ou “Nani falha Penalty”, tornando insignificante qualquer descrição da grande exibição que Nani assinou ou, simplesmente, da vitória da garra e persistência dos jogadores leoninos. As histórias de problemas internos entre Nani e Adrien sucederam-se; parece que Nani veio estragar o ambiente no grupo de trabalho e passar por cima de todas as regras. Histórias exclusivas, muita “manha”. Confesso-me curioso pela capa de segunda-feira, dia 1.

Quanto a vocês, queridos amigos: por favor, não desistam… Quem sabe um Cavaleiro, um Cancelo ou um Bernardo Silva um dia voltem a casa como heróis da nação encarnada, qual “Maestro”.

Enquanto tal não sucede, podem continuar com essa preocupação, com essa raivinha, sabem? É que até nos sabe bem…

Jogadores que Não Admiro #1 – Ola John

0

cabeçalho benfica

Para os leitores e conhecedores regulares deste portal de opinião desportiva presumo que, à partida, este artigo seja um espanto, visto que poucos foram os textos, ou nenhuns, que foram feitos única e exclusivamente para mostrar um certo desagrado em relação a um determinado jogador.

No entanto, antes de começar a apontar os defeitos que me fazem sentir um arrepio na espinha de cada vez que este jogador entra em campo, irei primeiro fazer uma breve contextualização sobre de onde apareceu este desprazer por Ola John.

Corria a segunda quinzena do mês de Agosto de 2011, e o Benfica jogava contra o Twente, clube que tinha acabado na segunda posição do campeonato holandês, ficando atrás do campeão Ajax por apenas dois pontos. Na primeira mão, jogada na Holanda, o resultado ficou em 2-2, num jogo que na altura me tinha deixado boas indicações principalmente por parte de um reforço, o irreverente Nolito. Contudo, houve um jogador que me deixou bastante intrigado. Um jogador que entrou a meio da segunda parte e que, segundo os comentadores, tinha apenas 18 anos e jogava no Twente já há largos anos. A certa altura, o jogador pegou no esférico e, feito flecha, ultrapassou tudo e todos, fazendo um cruzamento que viria a ser aproveitado por Bryan Ruiz, que marcava então o golo que iria garantir o empate. Nesse jogo, Ola John foi para mim uma das estrelas da equipa, porque entrou e dinamizou o ataque do Twente. Não esquecendo também que quem o defendia era Maxi Pereira.

Na segunda mão, aconteceu o mesmo. O jogo corria, e Ola John entrou na segunda parte, com um estilo muito gingão e baseado na sua velocidade e nas fintas de corpo. O extremo, nascido na Libéria, de pouco tempo precisou para, mais uma vez, trocar as voltas a Maxi Pereira e cruzar para um golo de cabeça de Bryan Ruiz. O Benfica acabaria por vencer nas duas mãos e, como tal, passaria para a fase de grupos da Champions.

Quando estava no Twente, Ola John era considerado uma das maiores promessas do futebol holandês Fonte: Sportinveste Multimédia
Quando estava no Twente, Ola John era considerado uma das maiores promessas do futebol holandês
Fonte: Sportinveste Multimédia

Recordo-me de que, passada uma época, começaram rumores de que aquele jogador, que na altura tinha retirado de uma forma muito bruta os rins a Maxi Pereira, interessava ao Benfica. Enquanto adepto, lembro-me de que comecei a ficar extremamente exaltado com a possibilidade de ter aquele atleta que aparentava ter tanto potencial.

Pouco tempo depois foi apresentado, tendo sido comprado por, teoricamente, nove milhões de euros. Sinceramente, não esperava um investimento tão avolumado, o que me deixou (ainda mais) intrigado. Se Ola John, então com 19 anos, já tinha este valor, daí a pouco tempo, nas mãos de Jorge Jesus, ninguém saberia quanto iria ele valer passado um ou dois anos?

Bem, como podem reparar, vendo deste prisma, até parece que admiro o número 15 do Benfica. Não estão é a ser contadas as inúmeras oportunidades que Ola John teve desde que chegou. Nem as inúmeras asneiras que já fez. Pode argumentar-se que é um jogador novo e que está na idade de as fazer. Porém, nada me tira da cabeça que o número 15 deve ser dos atletas que já vi que menos se esforçam em campo.

Na Supertaça Cândido de Oliveira, vi Ola John ter o corredor completamente vazio para poder ligar o turbo, como fez diante o Benfica uns anos antes. No entanto, ele limitava-se a parar e abrandar o jogo. Corria uns metros, fazia umas fintas de corpo, umas simulações, lá andava uns metros, contudo o esférico acabava sempre por ir parar para o Rio Ave.

Sinceramente, pensei que pudesse ser só daquele jogo, mas comecei a relembrar-me da época de estreia dele, em que fazia sempre a mesma coisa. Em vez de correr, temporizava no flanco e esperava que o lateral subisse para, quase sempre, não lhe passar a bola e se perder em fintas.

Ola John continua a ser um jogador com um potencial tremendo, no entanto, com as suas prestações, não irá crescer muito mais… Espero estar enganado Fonte: Luís Manuel Neves
Ola John continua a ser um jogador com um potencial tremendo, no entanto, com as suas prestações, não irá crescer muito mais… Espero estar enganado
Fonte: Luís Manuel Neves

O que me irrita solenemente é que Ola John tem, de facto, muito talento. Ola John tem, indiscutivelmente, muita qualidade individual, quando empenhado. Ola John, quando está num sprint, é, inequivocamente, capaz de ultrapassar quase todos os jogadores da Liga portuguesa, porque é realmente extremamente ágil e rápido. No entanto, o internacional holandês insiste em, jogo após jogo, não demonstrar essas qualidades que fizeram o Benfica desembolsar uma quantia avolumada, isto considerando o campeonato português e a situação económica nacional.

Não estou com este artigo a afirmar que o atleta perdeu as qualidades ou que se calhar nunca as teve. Estou a referir simplesmente que, de acordo com o que o número 15 encarnado já demonstrou, não valeu o esforço financeiro, de todo. E todo o hype à volta dele foi completamente escusado e exagerado.

Actualmente, posso afirmar, sem me arrepender, que não admiro nada Ola John. Aliás, o extremo benfiquista é dos jogadores que mais desagradado me deixam quando entram em campo. É o atleta que mais confusão e, passo a hipérbole, angústia me traz quando o vejo a aquecer para entrar em campo.

Espero, muito honestamente, que este artigo daqui a uns meses esteja desactualizado e que porventura me venha a arrepender de o ter escrito.

Boavista 0-1 Benfica: Sem arte, teve de ser à força

cabeçalho benfica

Sem convencer, o Benfica venceu no dia em que o Estádio do Bessa voltou a ter jogos da Primeira Liga. A apadrinhar esse regresso esteva o campeão nacional, que foi ao Bessa depois de uma vitória caseira frente ao Paços.

Foi sempre um jogo mais de força e garra do que engenho e arte. O Boavista apresentou-se como pôde, a fechar espaços ao Benfica, com uma atitude defensiva. Do lado do Benfica, sem Enzo, Jorge Jesus apostou em Amorim e Talisca, mas as coisas não correram muito bem. Rúben Amorim lesionou-se e teve de sair e Talisca a oito não dá. Demasiado frágil para discutir lances, com vários passes errados, o brasileiro nunca se adaptou muito bem ao lugar, e neste momento todos os benfiquistas rezam para que Enzo não saia e para que Samaris se adapte rapidamente. Para fazer de Talisca um bom jogador, Jorge Jesus tem muito trabalho pela frente. Também Jara continua a mostrar-se o mesmo da pré-época: não é jogador para o Benfica. Esforçado mas pouco mais do que isso, ainda não se percebeu como é que Jesus o vê como jogador para o Benfica. Precisamos de um avançado urgentemente. Num jogo onde o Benfica, apesar de controlar e de ter bola, não foi perigoso, teve de ser à lei da bomba para marcar. Eliseu, à entrada da área, desfez o nulo. Ao intervalo, a vantagem aceitava-se mas pedia-se muito mais a este Benfica, que só à força conseguiu derrubar o xadrez.

Manel do Laço teve um companheiro especial para assistir ao jogo
Manel do Laço teve um companheiro especial para assistir ao jogo
Fonte: Zerozero.pt/ Catarina Morais

Ao intervalo, Jesus foi expulso e teve de ver o jogo na bancada, ao lado do ilustre adepto Manel do Laço. O treinador não estava contente com a exibição do árbitro, que não viu uma grande penalidade.

Na segunda parte, o Boavista cresceu. Tem garra, tem determinação, mas ainda falta algo a esta equipa. Tem muitos jogadores a estrearem-se na Primeira Liga, e Petit tem muito trabalho pela frente. Ainda assim, conseguiu incomodar o Benfica. A equipa axadrezada soltou-se e foi lá à frente tentar fazer estragos. Chegou a fazer balançar a baliza por duas vezes, mas ambas as situações foram anuladas pela equipa de arbitragem. Numa, o fora-de-jogo é evidente, na outra fica a dúvida, apesar de o jogador que está em posição irregular também discutir o lance. A arbitragem foi má. As três equipas não contribuíram para um bom espectáculo, mas a de arbitragem foi a pior em campo.

Eliseu foi decisivo Fonte: Zerozero.pt/ Catarina Morais
Eliseu foi decisivo
Fonte: Zerozero.pt/ Catarina Morais

No final, o que conta são os três pontos, mas fica para o registo uma exibição fraca do Benfica. Deu para perceber que há jogadores que não estão preparados para vestir esta camisola e que nos falta um avançado. Enzo continua a fazer muita falta nesta equipa. É claramente o motor, e todos desejamos que dia 31 chegue o mais depressa possível. Quanto ao Boavista, sai de cabeça erguida pela atitude na segunda parte, mas ainda é pouco para conseguir a manutenção. Veremos se com o tempo esta equipa consegue melhorar.

A Figura

Eliseu – Conseguiu quebrar a barreira do Boavista e antes já tinha feito outro grande remate. Para o que se dizia dele na pré-época, até tem surpreendido. Está solto e confiante, embora não esteja ainda na melhor forma.

O Fora-de-Jogo

Talisca/Jara – Já foi tudo dito no texto sobre estes dois jogadores, que não mostraram capacidade para jogar no Benfica.