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Valores frescos no Dragão?

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Que fique bem claro: isto nunca aconteceu antes. O Porto que se apresenta esta época é, no mínimo, insólito.

Isto é tudo novo. Parece que alguém abriu as janelas do Dragão e deixou entrar ar. Só falta saber se é fresco. Não consigo olhar para esta equipa e deixar de pensar nos pormenores que a constroem. Grande parte da pré-época dos dragões foi feita com jogadores novos, muitos deles recém-contratados; o nosso treinador é novo e sem qualquer experiência em clubes grandes; temos de disputar um play-off para ter acesso à Liga dos Campeões; contamos com três jogadores emprestados, que são opções viáveis para o onze, sendo que o mais promissor não tem opção de compra; e, finalmente, equaciona-se de maneira realista a possibilidade de um jogador de 17 anos ser titular! Isto tudo somado só pode dar um resultado insólito. O problema é que não significa necessariamente que seja bom. Vários elementos desta conta de somar já se verificaram no clube das Antas, mas nunca tudo junto!

Já havia dito que a contratação de Lopetegui foi, em parte, uma estratégia para ir buscar mercado em crescendo, principalmente espanhol. Óliver Torres, Cristian Tello, Adrián López, José Ángel, Andrés Fernández, Casemiro e Opare, todos eles jogadores do conhecimento de Lopetegui. Uma coisa é ser o FC Porto a mostrar interesse num determinado jogador; outra, completamente diferente, é o jogador tomar conhecimento desse interesse através de alguém que conhece, em quem confia e, em certos casos, com quem tem uma relação de amizade. Que não haja dúvidas: a comunicação entre o técnico espanhol e alguns dos jogadores pretendidos foi uma constante. Obviamente que Lopetegui também foi chamado ao comando técnico do Porto por outras características, mas quando se contrata um treinador contrata-se o seu know how, a sua sabedoria e os seus contactos.

Lopetegui é o rosto da revolução no FC Porto 2014/15  Fonte: misticaazulebranca.blogspot.com
Lopetegui é o rosto da revolução no FC Porto 2014/15
Fonte: misticaazulebranca.blogspot.com

Jogadores contratados por empréstimo, especialmente sem opção de compra, são coisa rara, e atrevo-me até a dizer inexistente, no Porto. Valorizar um jogador, tanto a nível desportivo como económico, para depois chegar ao fim e correr o risco de ver outro clube a lucrar com ele é algo que não faz sentido. Estou muito curioso para ver o que este caso nos reserva. Outra coisa que nunca imaginei foi ver a real possibilidade de ter um miúdo de 17 anos a titular no Porto. Rúben Neves parece cumprir ao mesmo tempo que promete. Mas é importante não nos deixarmos levar pela situação. No Porto, só Lopetegui daria tantos minutos e depositaria confiança em alguém tão novo, pois é algo normal no técnico espanhol, que tem trabalhado com os mais jovens nestes últimos anos. O que não é normal é ver isto a acontecer no Dragão sem qualquer alarme. Faço um voto de atenção para este caso, pois apesar de concordar com a aposta em Rúben Neves não consigo deixar de sublinhar que não estamos na mesma situação do Sporting. Connosco ainda há alternativas.

Para terminar, a Liga dos Campeões. Ainda não vi o suficiente para ter confiança sólida no jogo do Porto. Confio nos jogadores e acredito que temos um grande plantel, mas do jogo jogado não posso dizer o mesmo. O Lille não é uma equipa extraordinária, mas sabe jogar como uma equipa e não vem de um campeonato de segunda classe. Mais importante do que garantir a Champions para poder comprar Jordy Clasie ou um grande ponta-de-lança é entender que Jackson se mantém no plantel apenas porque a competição milionária ainda é alcançável.

Arsenal 3-0 Man. City: Community Shield fica em Londres!

O mítico Estádio de Wembley foi o palco do primeiro jogo oficial da época em Inglaterra. Arsenal e Manchester City, vencedor da Taça e da Premier League respectivamente, discutiam entre si a Community Shield. Num jogo marcado por muitas ausências (no Arsenal, os campeões do mundo Özil, Mertesacker e Podolski; no Manchester City, o lesionado Negredo, o recém-contratado Lampard, o ainda-não-contratado Mangala e também Zabaleta, Agüero, Demichelis, Sagna, Kompany e Fernandinho), destaques para as estreias oficiais de Caballero e Fernando do lado dos citizens e de Chambers, Debuchy e Alexis Sánchez do lado dos gunners.

O Arsenal entrou melhor no jogo e dominou claramente a primeira meia hora. Com superioridade numérica no meio-campo (Arteta-Ramsey-Wilshere contra Fernando-Touré), os londrinos tomaram conta da bola, trocaram-na com a mestria habitual e foram causando perigo, especialmente sobre o renovado corredor direito, composto pelo atrevido Debuchy e pelo explosivo Alexis Sanchéz. Com efeito, foi sem surpresa que Santi Cazorla inaugurou o marcador, com um colocadíssimo remate rasteiro à entrada da área, aos 22’. O City ia procurando esboçar uma reacção, mas a desinspiração dos homens mais criativos da equipa – Navas, Nasri e Jovetic – não permitiu aos campeões ingleses causar grande perigo. Aos 42’, um dos momentos-chave do encontro: a passe de Alexis, Sanogo, no seu estilo trapalhão, tirou Boyata da frente e entregou para Ramsey fazer o 2-0 com toda a facilidade. Neste lance ficaram patentes as fragilidades da dupla Boyata-Nastasic (recorde-se que Kompany e Mangala, assim como Demichelis, estavam de fora).

Santi Cazorla, de pé esquerdo, abriu o marcador em Wembley  Fonte: newstimes.com
Santi Cazorla, de pé esquerdo, abriu o marcador em Wembley
Fonte: newstimes.com

Para a segunda parte, algumas mexidas: Wenger lançou Nacho Monreal, Oxlade-Chamberlain e Olivier Giroud para os lugares de Koscielny, Alexis Sánchez e Yaya Sanogo e Pellegrini tirou de campo o sempre assobiado Nasri para fazer entrar o craque David Silva. O City até começou melhor e no primeiro quarto de hora Jovetic teve duas boas ocasiões para marcar (numa delas, cabeceou ao poste), mas haveria de ser o Arsenal a chegar ao golo. Imediatamente a seguir às saídas de Touré e Dzeko no City, Olivier Giroud disferiu um banana shot de fora da área com uma violência e uma colocação tais que o debutante Caballero nada pôde fazer para evitar o tento do francês. Com o placard a assinalar 3-0, o encontro ficou mais ou menos decidido e o ritmo de jogo baixou. Os treinadores esgotaram as seis substituições a que tinham direito e esperaram pelo apito final do árbitro.

O troféu ficou em Londres com toda a justiça e Arséne Wenger, que esteve nove anos sem conquistar nada até vencer a FA Cup no ano passado, até já pode dizer a Mourinho que tem mais títulos do que o português este ano. O Arsenal venceu o “escudo” pela 13ª vez e voltou a deixar boas indicações – agora vai tentar apurar-se para a fase de grupos da Champions (defronta o Beşiktaş na pré-eliminatória) e, com o regresso da armada germânica, vai procurar começar da melhor maneira a super-competitiva Premier League.

A Figura

Aaron Ramsey – É difícil nomear um só jogador dos gunners, mas o galês marcou um golo, espalhou classe a cada toque na redondinha e, como jogou mais tempo do que Wilshere e Alexis, os outros dois destaques, acaba por merecer a distinção.

O Fora-de-Jogo

Samir Nasri – Jogando sobre a meia esquerda, foi incapaz de causar os desequilíbrios que Silva, quando entrou, causou. Talvez tenha sido condicionado pelos assobios que vinham da bancada a cada intervenção sua…

WBA 1-3 FC Porto: Adeus à pré-época ao ritmo do Cha Cha Cha

Pronúncia do Norte

O FC Porto terminou a pré-temporada da melhor forma, com uma vitória inequívoca frente ao West Bromwich. Depois de dois empates, frente a Saint-Étienne (na apresentação aos sócios) e Everton (no primeiro encontro em Inglaterra), era importante fechar a preparação para a nova época com chave de ouro. Foi o que aconteceu. O triunfo não valeu três pontos, mas serviu para subir a moral da equipa e para mostrar aos adeptos alguns pedaços pedaços de grande futebol.

Durante o primeiro tempo, o FC Porto mandou completamente no jogo (terminou com 63% de posse de bola), mas não conseguiu chegar ao intervalo com mais do que um 1-1 no placard. Dois golos de canto, de Casemiro e de Olsson, ditaram a igualdade.

De positivo, há a destacar a facilidade com que o conjunto azul e branco trocou a bola (de facto, há muita qualidade técnica neste novo plantel), as constantes trocas posicionais entre os jogadores (que nunca perderam a noção dos espaços que deviam ocupar) e a agressividade e organização no momento da perda da bola (pressionando imediatamente o adversário e conseguindo sempre recuperar o esférico rapidamente). Casemiro, Herrera e Óliver Torres, num autêntico carrocel a meio-campo, mostraram muita mobilidade (Casemiro um pouco mais fixo, Óliver procurando mais a bola na primeira fase de construção, Herrera oferecendo quase sempre profundidade à equipa). A estes juntava-se muitas vezes Brahimi, que, partindo da ala, deambulou por todo o campo e exibiu todas as suas qualidades (visão de jogo, capacidade de transporte, acerto no passe). Jackson, como pivot, foi muito participativo na construção das jogadas e Tello voltou a provar que é velocíssimo e muito perigoso no um para um.

Como extremo ou médio mais interior, Yacine Brahimi voltou a revelar qualidades  Fonte: zimbio.com
Como extremo e como médio mais interior, Yacine Brahimi voltou a mostrar o seu talento
Fonte: zimbio.com

De negativo, além de alguma lentidão no último terço – o FC Porto acabou por não conseguir criar tantas oportunidades de finalização como poderia e deveria – ficou na retina uma ou outra falta de concentração (dois ou três passes errados em zonas proibidas) que causou calafrios desnecessários a Lopetegui. De resto, a grande intervenção no jogo de Andrés Fernandéz  – que se estreou com a camisola do FC Porto – deu-se num desses lances, quando fez a mancha ao avançado adversário e salvou a equipa.

No regresso dos balneários, Rúben Neves, Quaresma e Adrián entraram em campo para render Casemiro, Tello e Óliver. Estas alterações foram fundamentais para o excelente arranque da segunda parte. Com o jovem Rúben Neves a garantir todas as compensações no meio-campo, Brahimi passou para o centro do terreno e conseguiu criar mais desequilíbrios do que na faixa. Além disso, Quaresma entrou com vontade de mostrar serviço e, com um cruzamento milimétrico, ofereceu ao capitão Martínez o seu primeiro golo na partida. O FC Porto, com um jogo mais rápido e fluido, chegou logo a seguir ao segundo numa fantástica jogada colectiva concluída de forma brilhante Cha Cha Cha, num remate de difícil execução. Os primeiros vinte minutos da segunda metade constituíram o melhor período dos dragões no jogo. Depois disso, as várias mexidas debilitaram ligeiramente a organização e o entrosamento da equipa e o FC Porto passou limitou-se a controlar a partida – Jackson saiu para dar lugar a Ricardo, empurrando Adrián para o meio (definitivamente, não se sente confortável naquele lugar!) e Quintero fez de Brahimi; dez minutos depois, Ricardo passou para lateral direito porque Danilo foi substituído por Evandro; já no final do jogo, José Angel rendeu Alex Sandro e Sami substituiu Herrera.

Herrera tem deixado boas indicações e deverá começar a época como titular  Fonte: Daily Mail
Herrera tem deixado boas indicações e deverá começar a época como titular
Fonte: Daily Mail

Faltam seis dias para a estreia no campeonato, no Dragão, diante do Marítimo; faltam onze dias para a primeira mão do play-off de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões, contra o LOSC Lille. Há ainda algum tempo para a equipa trabalhar e melhorar, mas parece claro que já há uma ideia de jogo bem definida. É evidente que ainda há muitas arestas a limar, mas esta pré-temporada deve deixar os adeptos portistas optimistas: a missão de construir uma equipa quase do zero não é fácil e requer paciência, mas para já tudo parece bem encaminhado. Venha a competição, que é disso que todos sentem saudades!

A Figura

Jackson Martínez – assumiu a braçadeira de capitão, foi o pivot de excelência que todos conhecem e assinou um bis que lhe dá confiança para arrancar da melhor maneira a época 2014/15. Foi, é e será uma peça fundamental dentro e fora do campo.

O Fora-de-Jogo

Adrián Lopez – os 11 milhões de euros pagos por 60% do seu passe fizeram do espanhol o reforço mais caro do FC Porto neste defeso e é, por isso, natural que as expectativas que recaem sobre ele sejam elevadíssimas. A verdade é que, ora ao meio (uma parvoíce!), ora na ala, não tem conseguido fazer a diferença e parece ser dos que revela menor entrosamento. Hoje voltou a não mostrar nada de especial, mas a época é longa e acredito que El Jabalí de Teverga ainda vai dar muitas alegrias ao universo azul e branco.

Lille: não são favas contadas!

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ligue 1

Lille, Standard Liège, Athletic Bilbao, Besiktas e FC Copenhaga. Eram estes os possíveis adversários do Porto no sorteio de hoje. A batata quente? O Athletic Bilbao. O sorteio foi tão simpático quanto pode e ofereceu o Lille. Seria mesmo o Bilbao a única equipa a evitar?

O Porto tem sido a equipa portuguesa a reforçar-se melhor neste defeso. Nomes sonantes foram pedidos por Lopetegui e contratados por Pinto da Costa com o intuito de fazer os adeptos esquecer a atípica época transacta. A fase de grupos da Liga Milionária é a exigência mínima dos adeptos, que estão habituados a ver a equipa participar na competição e a ultrapassar a fase de grupos. Além disso, é com toda a certeza uma exigência de Pinto da Costa, que vê nos milhões da Liga dos Campeões um meio necessário para equilibrar as finanças do clube.

Quem é este Lille? Este Lille, que aparentemente satisfez a afición portista, foi o terceiro classificado da época passada na Liga Francesa, tendo apenas sido suplantado pelos milionários Mónaco e Paris Saint-Germain. René Girard, o técnico francês que venceu o título francês com o Montpellier, comanda as tropas a partir do banco desde o ano passado e este ano vai querer manter o bom rendimento e chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões. Para isso Girard conta com alguns jogadores experientes e bem conhecidos do público, como Enyeama ou Salomon Kalou, e jovens promessas, como é o caso do português Rony Lopes, cedido pelo Manchester City, ou do promissor ponta-de-lança belga Origi, que se encontra no clube a título de empréstimo pelo Liverpool.

O experiente guarda-redes Eneyeama vai um dos maiores obstáculos dos avançados da equipa portista  talkvietnam.com
O experiente guarda-redes Eneyeama vai um dos maiores obstáculos aos avançados portistas 
talkvietnam.com

O clube francês não tem grande tradição nesta competição, tendo apenas ultrapassado a fase grupos por uma vez. No entanto, os milhões da passagem à fase grupos são muito interessantes, em especial para um clube da dimensão do Lille.

A meu ver o Lille não era o pior que podia ter calhado ao Porto. Mas também não era o melhor. O clube francês é um misto de juventude e experiência, de talento e maturidade, e em qualquer dos sectores do terreno apresenta jogadores capazes de fazer a diferença. Claro que não conta com as mesmas soluções com que conta o Porto, mas a surpresa não é um cenário de todo afastado. David Rozehnal promete fazer a vida negra a Jackson e Origi e Rony certamente farão tremer as redes dos dragões. Prevejo uma eliminatória mais equilibrada do que se espera. Espero que o Porto não caia no erro de achar que são “favas contadas” só porque conta com algumas estrelas. O Lille tem uma palavra a dizer.

Será a “prata da casa” uma ilusão?

serefalaraporto

Quando se contrata um treinador, contratam-se obrigatoriamente as suas ideias, os seus projetos e as suas convições. Resultado desta afirmação é toda a política de compras do FC Porto, que notoriamente tem o dedo de Lopetegui. Como adepto, obviamente fico feliz ao ver nomes como os de Tello, Adrián, Casemiro, Martins Indi ou Classie (?) vestidos com as cores do clube. No entanto, visualizando este cenário noutra perspetiva, para que estes grandes nomes do futebol mundial tenham lugar na equipa principal, assistimos a um crescente desperdício da formação. Ainda que estes nomes do futebol entusiasmem a massa associativa e criem perspetivas positivas sobre a nova época que está prestes a começar, chegou a altura de nos interrogarmos sobre quantas mais estrelas portuguesas serão desperdiçadas.

Na minha opinião, o exemplo atual mais claro é a seleção nacional de sub-19, que acaba de fazer um estonteante Europeu. Olhando para o onze inicial, vemos que cinco dos seus jogadores pertencem ao FC Porto. Um desses jogadores é Rafa, um defesa esquerdo que desde os 15/16 anos joga um escalão acima do seu e que possui enormes capacidades defensivas e ofensivas, às quais junta uma habilidade especial para as bolas paradas. Questiono se será ele menos capaz de ser suplente de Alex Sandro do que José Ángel. Outros casos são André Silva e Gonçalo Paciência. O primeiro, que desde os sub-15 se acredita ter potencial para ser o próximo ponta-de-lança da seleção, e o segundo, que é técnica e taticamente mais forte do que o pai – todavia, falta-lhe (e certamente com a experiência evoluirá) o faro de golo que este possuía. Será que existe necessidade de investir em Jiménez ou noutro jogador, tendo disponíveis estes dois jogadores no plantel? Não querendo ser demasiado crítico nem tirar o mérito a ninguém, se não existir uma aposta séria nestes atletas, em vez de termos novas estrelas, como Quaresma ou Capucho ou Domingos, iremos ter mais jogadores como Candeias ou Hélder Barbosa.

Portugal chegou à final do Euro Sub-19 com cinco portistas no onze base  Fonte: FPF
Portugal chegou à final do Euro Sub-19 com cinco portistas no onze base
Fonte: FPF

No entanto, parece existir uma esperança. No plantel atual, Rúben Neves, de 17 anos, tem sido titular da equipa sénior, valendo-lhe uma série de manchetes de jornais. Claro que isto acontece porque nunca se aposta na qualidade nacional e, assim sendo, o que é novidade é sempre comentado. Deste modo, também os jogadores que citei e a que posso juntar, por exemplo, Ivo Rodrigues, tendo oportunidade, acabariam por ver o seu mérito e a sua qualidade reconhecidos. Mas é preciso atenção para garantir que situações como a de Sérgio Oliveira, que no passado (com a idade de Rúben), pouco tempo depois de representar a equipa principal, foi emprestado a um clube belga, sem qualquer apoio e, mais tarde, a divisões inferiores, não voltam a acontecer – perdendo-se assim uma promissora estrela portuguesa.

Estes jogadores, ao ser-lhes dada a oportunidade de brilhar em campo, podem vir a demonstrar algo de que tenho profundas saudades: “jogadores à Porto”. Ser Porto é muito mais do que usar uma camisola aos ombros e um símbolo ao peito. É preciso que os jogadores que aqui entram deixem de ver o clube como uma porta atrativa para os grandes clubes europeus e saibam viver o espírito do clube e a ambição do jogo e agarrem a força dos adeptos. Há muito tempo que não vejo um Jorge Costa, um Fernando Couto, um Ricardo Carvalho ou um Bruno Alves e a solução pode estar mesmo ao nosso lado, nas nossas camadas jovens. A título de exemplo, há muito tempo que faz falta um grande central, como o Porto sempre teve: um central da casa, um capitão.

Julgo que em Portugal existe uma clara ausência de aposta no futebol nacional – creio que esta é uma opinião corroborada por muitos entusiastas do futebol. Para além de todos os argumentos expostos, relembro ainda que, coincidência ou não, é um facto que há dez anos o Porto ganhava as provas europeias com defesa e meio-campo portugueses. Também a seleção chegava à final do Europeu e, mais tarde, à meia-final do Mundial. Se estendermos isto ao panorama mundial, vemos que o mesmo sucedeu em Espanha e na Alemanha. Em Espanha temos o Barcelona, que dominou o futebol mundial e é hoje um clube de excelência, em que existiu uma forte aposta na formação, o que se repercutiu direta ou indiretamente nos bons resultados alcançados pela seleção espanhola. Atualmente, a Alemanha é a potência mundial do futebol porque também esta apostou na formação. Quer nos seus clubes, quer na seleção, o resultado não podia estar mais à vista! Bayern de Munique e Borussia de Dortmund destronaram outros grandes clubes europeus e a Alemanha teve brilhantes desempenhos e conquistas no Mundial do Brasil e no Europeu sub-19. Um exemplo ainda mais paradigmático é o da seleção colombiana: ainda que no início existisse alguma qualidade no seu jogo, esta era desconhecida para o comum dos adeptos. Todavia, a Colômbia faz parte, atualmente, do Top 5 do ranking da FIFA, ocupando o 4º lugar. O Porto fez um grande investimento em jogadores deste país, com Guarín, Quiñones, James, Falcao, Quintero, Jackson – alguns destes estão hoje avaliados entre 40 a 85 milhões!

André Silva é um dos mais jogadores mais promissores da equipa B dos dragões  Fonte: fcporto.pt
André Silva é um dos mais jogadores mais promissores da equipa B dos dragões
Fonte: fcporto.pt

Todavia, o caso português é bem diferente, infelizmente! Se nas seleções jovens se chega quase sempre muito longe, se há poucos dias passámos a lidar o ranking das seleções jovens (ultrapassando a Alemanha, recentemente campeã europeia de sub-19), nos clubes nacionais o cenário é distinto. Como exemplo, a formação sub-19 do Benfica, que chegou à final da Champions da categoria. Quantos desses jogadores vão ser aproveitados? Não sei como se pode justificar o claro abandono do apoio aos craques nacionais com a chegada à idade sénior. De forma a fugir a todas as críticas que se geraram em torno desta temática, foram criadas as equipas B. Ainda que as equipas B permitam que os jogadores jovens compitam de uma forma mais séria, sendo isto evidente nas competições internacionais, é preciso deixá-los prosseguir a sua carreira enquanto séniores. Alegadamente, a equipa B é o ponto de passagem de júnior para sénior; no entanto, quantos jogadores foram aproveitados? A não ser que Reyes, Carlos Eduardo e Herrera sejam luso-descendentes e ainda não se tenha descoberto. É realmente lamentável que na formação dos clubes nacionais se invistam milhares de euros e mais tarde haja um novo investimento na ordem dos milhões na contratação de jogadores estrangeiros…

Para finalizar, deixo uma pequena reflexão: serão os nossos jogadores inferiores aos demais? Eu acredito piamente que não! Como se diz, o português tem o samba brasileiro no pé com a cultura tática europeia – em resultado disso, três Bolas de Ouro, nos últimos 14 anos, já cá cantam, e com uma aposta séria poderão chegar mais, bem como mais títulos.

Lopetegui foi exemplar nas seleções jovens espanholas. Espero que ele, mesmo que não no imediato, reconheça os craques portugueses e os lance como tem feito com Rúben Neves. Portugal sempre se valorizou no exterior, seja no futebol ou noutra área qualquer. Enquanto esse estereótipo não mudar, dificilmente o resto mudará.

Rio Ave 0-0 IFK Göteborg: A lição estava bem estudada

liga europa

Mais uma data histórica para o Rio Ave. O Estádio dos Arcos recebia o seu primeiro jogo europeu e o povo vila-condense esteve em peso num jogo onde o Rio Ave defendia uma vantagem mínima, de 1-0, conseguida na Suécia.

Como o Rio Ave tinha uma vantagem de apenas um golo, este foi um jogo diferente do da primeira mão. O IFK Göteborg desde cedo mostrou que queria anular a vantagem. A precisar de um golo, os suecos tentaram desde o início da partida marcar o golo que empataria a eliminatória. Marcar cedo era a missão, e o Rio Ave percebeu essa intenção, ao fechar os caminhos. Ainda assim, foi mais forte o conjunto português durante a primeira parte. Mesmo com preocupações defensivas, o Rio Ave procurou o golo que tranquilizaria a equipa e os adeptos. Ao intervalo, o nulo era favorável ao Rio Ave. Faltavam 45 minutos para se fazer história.

O filme da segunda parte tem semelhanças com o da primeira. O Rio Ave teve de assegurar primeiro o equilíbrio defensivo para depois  procurar o ataque. A lição estava bem estudada por parte do conjunto de Pedro Martins. Ao defender, o Rio Ave dava a bola aos suecos, que subiam mais, e conseguia explorar o contra-ataque. Mesmo partindo de trás, foram sempre os homens da casa que tiveram as oportunidades mais perigosas. Os suecos foram a prova de que ter bola, por si só, não chega. Demonstraram ter poucas ideias para quem precisava de um golo e o momento de maior perigo só apareceu aos 70 minutos. Pouco. Com o final do jogo a chegar, os suecos arriscaram mais. Tal como na primeira mão, o facto de estes terem mais minutos nas pernas do que o Rio Ave fez a diferença. Mas, mesmo assim, Cássio nunca foi obrigado a muito trabalho. Controlando os suecos, o Rio Ave aguentou e fez história.

A equipa está com toda a justiça no play-off. Passou a melhor equipa. Em 180 minutos, o Rio Ave foi mais forte do que um IFK Göteborg de quem se esperava muito mais. Os suecos nunca mostraram ter realmente mais experiência do que o Rio Ave e não fizeram o suficiente neste jogo para dar a volta. Já o Rio Ave mostrou que tinha a lição bem estudada. Hoje teve de ser assim: ter cuidados defensivos mas nunca abdicar de atacar. Pedro Martins só pode estar contente. Em cinco semanas, com um treinador novo e com novos jogadores, a equipa já tem uma ideia de jogo e já se mostra pronta para a Supertaça. Agora é esperar pelo sorteio, com uma certeza: o Rio Ave será cabeça-de-série, o que é desde logo favorável.

Quaresma: o primeiro teste de egos para Lopetegui

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atodososdesportistas

Com a lesão (e o afastamento) de Helton e as saídas de Lucho, Mangala e Fernando, ficou um “vazio de liderança” em campo. Seguindo a lógica do futebol – a braçadeira é entregue ao jogador com mais anos de casa e mais influência no plantel – Ricardo Quaresma assumiu a braçadeira de capitão do Futebol Clube do Porto. Esta poderia também ter ido para o braço esquerdo de Maicon (um dos vice-capitães) ou de Danilo, mas parece que Jackson, por ter claramente uma maior influência no jogo azul-e-branco, até ultrapassou o lateral direito na hierarquia e se tornou um dos líderes do balneário. Até aqui nada de estranho: Lopetegui, mesmo com o camião de jogadores de qualidade que trouxe, respeitou os princípios do clube.

Teremos, portanto, uma equipa capitaneada por Ricardo Quaresma, Jackson Martinez e Maicon na época que se aproxima, sendo que Rúben Neves assumirá a braçadeira quando nenhum destes estiver em campo (como acontecia com Castro na Taça da Liga ou na Taça de Portugal num passado recente). É este o mote que dou para aquele que prevejo que venha a ser o primeiro problema de egos que o timoneiro azul-e-branco irá enfrentar: RQ7 – de titular nas alas até presença assídua no banco de suplentes (que título para um bom livro!). O Mustang é um jogador que sente o clube como poucos (“é este o meu clube, é este o clube que amo, e se tiver de morrer em campo por este clube, morrerei sem problema algum” – palavras dele no final de um jogo europeu no ano passado) e tem um “sangue de combate” que faz falta em qualquer equipa. Agora, o nosso bem-amado Quaresma já não tem a frescura dos 25 anos e todos sabemos que no plantel portista deste ano abunda qualidade para as zonas “exteriores” do terreno (digo exteriores porque certos jogadores podem ou vão jogar naquela posição não sendo extremos puros, graças à dinâmica que Lopetegui poderá querer imprimir no processo ofensivo dos Dragões), e jogadores como Brahimi, Tello, Oliver, Quintero ou até Adrián, mais tarde ou mais cedo, terão de se assumir como os “pulmões” da equipa, sabendo que uma das alas estará entregue a Tello (a priori, claro). Não duvido de que o “ciganito” comece a época a titular. Aliás, tenho certeza de que o fará. A minha dúvida é: durante quanto tempo, mister?

Helton e Ricardo Quaresma – a passagem do testemunho  Fonte: Windsorstar.com
Helton e Ricardo Quaresma – a passagem do testemunho
Fonte: Windsorstar.com

Acredito que será um processo gradual e que teremos, a meio da primeira volta do campeonato, Quaresma como um suplente de luxo, um “abre-latas” para os últimos 20/25 minutos de jogo, quando for preciso magia e deambulismo no ataque azul-e-branco. Acredito também que em jogos da Champions (vamos lá estar!) e clássicos, poderá ser titular pela experiência que imprime à equipa porque nesse tipo de jogos há pormenores que se transformam em “pormaiores”.

Resta agora saber: aceitará o jogador (que tem sangue quente, como é sabido) esta situação? Quero acreditar que sim, pois é um profissional e, embora ainda tenha certas atitudes rebeldes, sabe que o corpo já não consegue dar o mesmo rendimento ao longo de 90 minutos como antigamente. Mas, caso o Mustang não aceite esta situação de ânimo leve, teremos a primeira “guerra” de egos que Lopetegui terá de combater? O timoneiro portista conseguirá manter todos no mesmo barco ou veremos, à imagem do que aconteceu no primeiro ano de Vítor Pereira, “grupinhos” formados no balneário? É esse o meu único medo neste Porto que se vê recheado de soluções (sem dúvida a equipa com mais mais-valias e qualidade dos três grandes) mas que tem o perigo inerente de existirem azias que possam “minar” o grupo em certas alturas.

O Mustang em mais uma provaa de amor ao clube azul-e-branco  Fonte: fcpnacaoportista.wordpress.com
O Mustang em mais uma provaa de amor ao clube azul-e-branco
Fonte: fcpnacaoportista.wordpress.com

Perceba o leitor portista que não estou a agoirar, estou apenas a ser realista em relação a uma situação que acontece com frequência: jogadores com uma grande moral no seio de uma equipa e que se vêem, de repente, ultrapassados pela juventude e pela qualidade de recém-chegados. Assim como se diz que “é a lei da vida”, aqui posso dizer que “é a lei do futebol”, e que nunca poderemos agradar a gregos e a troianos. Resta ao nosso treinador ser caprichoso e cuidadoso com a forma como vai gerir esta situação. Até agora parece-me estar a fazê-lo bem: Quaresma tem sido sempre titular e capitão e será com certeza titular nos primeiros jogos oficiais. Mas, aos poucos, perderá o espaço “cativo” que até agora meritoriamente teve. Até porque acho que o ataque dos Dragões acabará por ser, inevitavelmente, entregue a Tello, Oliver e Brahimi/Adrián no suporte ao homem-golo Jackson Martinez (não esquecendo Quintero!).

É preciso cautela quando se retira um jogador que sempre se assumiu como imprescindível. E o nosso “ciganito” tem esse estatuto. Quero acreditar que continuará a ter, quer dentro de campo, quer fora. Esta é a primeira situação em que teremos de ter um treinador inteligente e mais “psicólogo” do que “mestre da táctica”. O futuro dirá que contornos esta anunciada novela terá… Como tem sido normal: eu acredito! E tu, caro portista?

Óscar Cardozo: o cântico que nunca morrerá

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Há cânticos que nunca morrem. Um desses, eternos, que a minha memória preservará fielmente, pertence a Óscar “Tacuara” Cardozo. Quantas vezes não ouvimos o eclodir do cântico “tenham cuidado… ele é perigoso…” no topo sul do Estádio da Luz?! Cachecóis ao alto, sorriso de este a oeste ou abraço ao desconhecido do lado, todos nós sabemos o que aquele cântico significa: golos. Muitos golos. No total, foram 172 golos em 295 jogos. Um puro goleador. Um verdadeiro ponta-de-lança. Um homem de sentido único: a baliza.

Há cerca de sete anos atrás, no verão de 2007, proveniente do Newell’s Old Boys, Cardozo era apresentado como jogador do Sport Lisboa e Benfica. No ainda curto verão, os benfiquistas estavam longe de imaginar que chegara à Luz um dos melhores avançados da história do clube encarnado. Sete anos passaram e as opiniões nunca foram unânimes: há quem endeuse, em Cardozo, a capacidade inata para marcar golos e há quem critique o estilo lento e preguiçoso do avançado.

Cardozo deixa um legado no Benfica: é o melhor marcador estrangeiro de sempre  Fonte: zimbio.com
Cardozo deixa um legado no Benfica: é o melhor marcador estrangeiro de sempre
Fonte: zimbio.com

Unânime é apenas o amor pelo cântico que tantas vezes nos fez saltar. Ao fim de sete temporadas, Tacuara deixa uma casa que lhe é sua por direito e parte para a Turquia. Leva consigo dois Campeonatos Nacionais, duas Taças de Portugal e cinco Taças da Liga. Pelo meio, conquistou ainda o prémio de melhor marcador da Liga Portuguesa em 2009/2010 e 2011/2012 e superou Mats Magnusson na liderança da tabela dos melhores marcadores estrangeiros da história do Benfica. O Tacuara fez história. A história retribuiu com glória.

Ontem, na hora da comovente despedida, Cardozo afirmou que estava “muito agradecido a este clube”. Não, Óscar. Nós é que te agradecemos. Tu luziste. Foste enorme e fizeste de nós gigantes. Tornaste-te numa lenda viva do Benfica e assinaste, com letras de ouro, o teu nome junto dos deuses do olimpo encarnado.

Há cânticos que nunca morrem. No meu onze, Óscar “Benfica” Cardozo, serás saudade, lenda, imortal.

O 9 do Chelsea… outra vez

Pela primeira vez em muitos anos de carreira, José Mourinho completou uma temporada sem conquistar qualquer título. E logo ao serviço do seu clube do “coração” na sua vida de treinador, o Chelsea. Esteve na luta pelo ceptro da Liga Inglesa até ao final e chegou às meias-finais da Champions, mas pagou caro a factura de possuir um processo ofensivo que se arrastava com o passar do tempo (uma problemática que, aliás, já aqui explorei) e que redundou em resultados como o empate a zero com o Norwich ou a derrota contra o Sunderland, decisivos no desfecho do campeonato.

Os extremos eram capazes de romper área adentro e criar desequilíbrios, mas só o faziam sozinhos. Não havia grande envolvência (pelo menos, de forma esclarecida) da zona central no processo ofensivo e, sobretudo isso, não havia na área um 9 com a dimensão de um clube de craveira mundial. Um finalizador nato, um goleador por excelência. Eto’o estava demasiado velho, Demba Ba muito trapalhão e Torres continuava a ser… Torres, e não o El Niño da velocidade estonteante e da técnica apurada que os imperiais Vicente Calderón e Anfield Road conheceram. Tudo nomes sonantes no futebol mundial, daqueles que se quer contratar no FM, mas que não conseguiram passar da vulgaridade de um ponta-de-lança de equipa pequena.

A prová-lo estão os resultados. O trio de avançados-centro à disposição de José Mourinho somou, ao longo de toda a campanha da equipa na Premier League, 19 golos. Apenas mais 5 do que o melhor marcador da equipa na prova, Eden Hazard. Eto’o assinou nove e Demba Ba marcou cinco, os mesmos de Torres.

Juntos, Torres e Ba completaram uma dezena de golos  Fonte: thesportsquotient.com
Juntos, Torres e Ba completaram apenas uma dezena de golos
Fonte: thesportsquotient.com

Nesta pré-temporada ainda não se conseguiu perceber se a inoperância ofensiva do Chelsea transitou, ou não, de época. A equipa disputou seis encontros, até ao momento, nos quais assinou 14 golos. Um registo que vai contra aquilo que foi feito na temporada transacta, é certo, mas do qual não se podem tirar conclusões visto estarmos numa fase preparatória da temporada e de a equipa londrina apenas ter marcado frente a adversários que, com o devido respeito, ainda não são de Champions (Wycombe, AFC Wibledon, Pellets WAC, Olimpico de Ljubljana e Vitesse).

Anteontem, o Chelsea enfrentou o Werder Bremen, o adversário de maior valia competitiva que encontraram até ao momento, e o resultado foi claro: 3-0. Certo que houve dois penalties contra os blues, mas o que importa, para esta análise, não é o “3”, é o “0”. Diego Costa iniciou o encontro e jogou toda a primeira parte; Drogba entrou para a segunda. Nenhum conseguiu marcar.

É cedo para se tirar conclusões, mas até ao momento ainda não há mostras de que o Chelsea vai contrariar a tendência do ano passado. Diego Costa parece-me ter sido uma aposta certeira. É um jogador que procura o duelo físico e tem espontaneidade no remate e que, por isso, se adaptará com facilidade ao futebol inglês. Ao que tudo indica, Drogba será o principal rival do espanhol. Regressou porque a equipa precisava de um reforço para o ataque, depois da saída de Lukaku…

… algo que, pessoalmente, não entendo. Romelu Lukaku é um dos valores emergentes do futebol mundial e tem ganas para lutar por um lugar numa equipa de topo. Como Diego Costa, não se importa nada de ter marcação cerrada, porque normalmente ganha no duelo físico (1,90m e 94 kg), e tem, tal como o espanhol, a mira afinada, tendo assinado, só na Premier League do ano passado, 15 golos em 31 jogos.

Mourinho não garantiu a titularidade a Lukaku e preferiu contratar Drogba para fazer concorrência a Diego Costa  Fonte: ftbpro.com
Mourinho não garantiu a titularidade a Lukaku e o belga foi vendido ao Everton por 35M€
Fonte: ftbpro.com

Foi vendido ao Everton por 35 milhões. Gerou um interessantíssimo encaixe financeiro, mas como é de números que falamos, é interessante verificar que marcou apenas menos 4 golos, na Premier League, do que todos aqueles que os 3 avançados da turma londrina, juntos, conseguiram assinar. Tem 21 anos, menos 15 do que Drogba, e uma envergadura física 15 kg e 4 cm superior à de Diego Costa.

É certo que queria ter um lugar garantindo no onze do Chelsea e que Mourinho não se dá bem com este tipo de exigências. Mas o Happy One não lhe devia ter negado a possibilidade de lutar por ele, podia ter “negociado” a sua permanência no plantel, como tão bem sabe fazer. É que, muito provavelmente, mesmo como suplente de Diego Costa, ser-lhe-ia bastante útil durante a temporada.

Revelação que se reafirma a cada jogo – Entrevista a Rony Lopes

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Rony Lopes esteve no Europeu de Sub-19 que se realizou na Hungria, no qual Portugal terminou em 2º lugar depois de uma extraordinária campanha que acabou com uma derrota por 0-1 contra a Alemanha na final. São vários os jogadores lusitanos que se destacaram nesta competição; poderia começar pelo Ivo Rodrigues, o Gelson Martins, o André Silva, ou até mesmo o Tomás Podstawski, mas o escolhido para este destaque é o camisola 10 da equipa das Quinas, que foi uma das estrelas da competição, tendo marcado 2 golos.

Rony Lopes foi uma das figuras da selecção no Europeu de sub-19 Foto: Facebook de Rony Lopes
Rony Lopes foi uma das figuras da selecção no Europeu de sub-19
Fonte: Facebook de Rony Lopes

Mais do que prever o futuro de um jogador de futebol de formação, é importante mostrar a forma como este constrói, a cada toque de bola, o presente. Foi com afinco e com uma grande dose de paixão, determinação e humildade que Marcos Paulo Mesquita Lopes, conhecido por Rony no mundo do futebol, se tornou um dos símbolos actuais do futebol de formação. Na época passada foi o capitão da equipa de juniores do Manchester City, tendo ainda feito 5 jogos ao serviço dos seniores. Esta época prepara-se para abraçar um novo desafio, após ter sido emprestado à equipa francesa do Lille.

Sempre amei o futebol”, confessa, e neste universo entrou em 2003 para a equipa da sua terra natal, AD Poiares, onde esteve até 2006, altura em que foi convidado a ir para o SL Benfica. Essa paixão pelo que faz foi a motivação para aguentar os primeiros dois anos de águia ao peito. “Tive uma boa adaptação no Benfica. Os primeiros dois anos foram mais difíceis, pois não estava a viver no Centro de Estágio (no Seixal) e só treinava uma vez por semana com jogo ao fim de semana, ou seja, tinha de ir de Coimbra para Lisboa duas ou três vezes por semana, o que se tornava bastante cansativo”, relembra, “mas valeu a pena”, remata. Os cinco anos no Benfica valeram muitas amizades e boas recordações. Foi durante esse percurso que foi chamado, pela primeira vez, à selecção sub-16 da AF Lisboa. Contudo, a primeira internacionalização foi a mais marcante – “ganhámos 1-0 e eu marquei o golo”, recorda.

A qualidade dentro das quatro linhas atraiu os olhares estrangeiros e em 2011 Rony recebeu propostas de diversos clubes. O feliz contemplado foi o Manchester City. “O City fez uma proposta muito boa, daí a ter aceite. E, claro, tratava-se de um clube da Liga Inglesa que é, na minha opinião, uma das melhores, senão a melhor do mundo”, justifica.

De malas feitas, com a cabeça erguida e já com saudades de Portugal, o miúdo de 15 anos partiu rumo a Manchester. “Foi muito difícil, com aquela idade, deixar tudo para trás e ir em busca do meu sonho. Quando cheguei a Inglaterra falava pouco inglês, mas sempre estive disposto a lutar e aprendi a língua no dia-a-dia, para além de que também tive aulas”.

Quando questionado acerca das diferenças culturais entre Portugal e Inglaterra, admitiu, entre risos, que a única coisa que estranhou foi a comida. “A maior diferença é na comida, que aqui não tem o mesmo tempero que em Portugal”, confessa. Comida portuguesa em Inglaterra sabe a saudades de casa…

Contudo, os contrastes entre ambos os países europeus extravasam as quatro linhas. “O futebol inglês é diferente do português; é muito mais puxado, mais físico, mais competitivo. No início foi um pouco complicado adaptar-me, mas hoje já não tenho qualquer problema”, afirma. Uma clara evidência desta adaptação foi a sua escolha para capitão da equipa de juniores, responsabilidade que assumiu sem percalços, tanto durante o campeonato como durante a competição da UEFA Youth League, na qual apontou 5 golos. A maior surpresa surgiu quando foi convocado para o jogo da equipa principal do City contra o Watford: “Foi uma grande oportunidade, foi fantástico”, diz com emoção. A boa exibição e o golo marcado fizeram com que as presenças na equipa sénior se tornassem mais assíduas, tendo entrado em 5 jogos e sido convocado em mais dois. Porém, o salto da formação para os seniores foi exigente. “Nos seniores, o ritmo é mais elevado e tem de se pensar mais rápido, mas é uma grande experiência. Tive a oportunidade de partilhar o relvado com jogadores de nível mundial”, salienta. De entre todo o plantel do Manchester City, aquele que mais admira é David Silva.

Rony Lopes estreou-se pela equipa principal do Manchester City com um golo Foto: Facebook de Roni Lopes
Rony Lopes estreou-se pela equipa principal do Manchester City com um golo
Fonte: Facebook de Roni Lopes

Em Inglaterra e noutros países, jogadores com 17/18 anos já competem nas equipas de reservas, queimando, assim, etapas da sua formação; contudo, em Portugal esta situação é rara. Rony é da opinião de que a formação portuguesa deveria adoptar uma filosofia semelhante, de forma a potenciar as prestações nacionais jovens. Porém, salienta que “em Portugal há a Segunda Liga, o que acaba já por ser também uma boa oportunidade para os jovens jogadores”. Admite, contudo, que se estivesse num clube português provavelmente ainda não se teria estreado nos seniores, tal como aconteceu no City. Rony tem sido apontado como um exemplo para os restantes atletas da formação, não só pelo que produz dentro de campo mas também pelo seu comportamento fora dele, encarando essa responsabilidade como algo positivo. “É muito bom para mim saber que pessoas mais jovens me admiram. Dá-me motivação para continuar a querer mais e para não os desapontar”, diz com convicção.

Há muito uma revelação, Rony confirma a cada jogo a sua qualidade. Com determinação, trabalho e espírito guerreiro, tem rumado a um futuro promissor e, quiçá, à realização de um dos seus sonhos: jogar ao lado de Cristiano Ronaldo. Como diz a letra da sua canção preferida, “Guerreiro não foge da luta, não pode correr / Ninguém vai poder atrasar quem nasceu pra vencer”. Esperamos, assim, acompanhar a tua “vitória”.

Derrota mais amarga: Eliminação do Europeu Sub-19 em 2013, contra a Sérvia, nos penalties

Vitória mais marcante: Conquista do título nacional de iniciados pelo Benfica, frente ao FC Porto, no Olival

Adjectivo que te define dentro de campo: Objectivo

Adjectivo que te define fora de campo: Calmo

A tua música: Grupo Revelação – Ta escrito

O que te move: A minha família; a vontade de ser melhor; a minha ambição

A tua cidade, a tua região: Vila Nova de Poiares, onde tudo começou

Os teus pontos cardeais: Honestidade, Determinação, Simplicidade, Amizade

Maior referência no futebol: Cristiano Ronaldo

Maior referência na vida pessoal: Pai e Mãe