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Obrigado. Estou Feliz.

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verdebrancorisca

Estou feliz como já não estava há muito tempo. Sinto-me respeitado e temido como já não me sentia há muito. Passeio o meu clubismo com orgulho extremo como há muito não acontecia. Porquê? Porque sou sportinguista ferrenho.

Tudo parece assustadoramente perfeito, até demais. O Sporting está em primeiro lugar no campeonato (contra tudo e contra todos) – menos no Jornal Record, claro, mas, como estamos no Bola na Rede, aceitemos os factos. Para além do óbvio, que era não ver o Sporting em primeiro lugar do campeonato há demasiado tempo, existem outros factores que compõem a minha felicidade. Outra goleada? Esta equipa está completamente demolidora. No último jogo aconteceu algo que não era normal no reino do leão desde há vários anos: ir para cima dos adversários mesmo tendo o resultado e o jogo na mão. O Leão esteve insaciável, quis sempre mais e mais golos até ao último segundo da partida, e essa é a atitude que um dos melhores clubes do mundo tem de adoptar.

Os festejos dos pupilos de Jardim / Fonte: Blog “A Norte de Alvalade”
Os festejos dos pupilos de Jardim / Fonte: Blog “A Norte de Alvalade”

Outro dos factores que contribuíram para o meu estado de espírito é o regresso aos golos de “El Avioncito”: ele nunca deixou de jogar belissimamente bem, apenas era de estranhar que um goleador massivo nas primeiras jornadas do campeonato deixasse de fazer golos durante tantos jogos como aconteceu. Agora sinto-me aliviado: ele voltou e voltou para ficar com toda a certeza. Cuidem-se. Temos no plantel dois pontas-de-lança mortíferos que não desiludem, e esta situação eu já não via desde 2001/2002, com Marius Niculae e Mário Jardel.

Uma belíssima noticia é, igualmente, a grande exibição de André Martins. O André é um jogador que sempre admirei. Sempre reconheci que ele teria grandes qualidades; embora nos últimos jogos não estivesse à altura, defendi até a sua exclusão do onze inicial, pelo simples motivo de se estar a tornar num jogador completamente inconsequente. Esta situação mudou (e de que maneira!) no jogo frente ao Paços, e tal facto deixou-me bastante aliviado. O André foi o motor da equipa e rubricou uma exibição de alto nível. Desejo, cegamente, que ele mantenha este nível exibicional, para bem do Sporting e para seu próprio bem, pois tenho a plena convicção de que poderá vir a ser um jogador muito útil para Portugal no Campeonato do Mundo que se avizinha.

Coreografia no Estádio José Alvalade / Fonte: Blog "Ultras Europe"
Coreografia no Estádio José Alvalade / Fonte: Blog “Ultras Europe”

Pois bem, mas nada disto que tenho referido até agora seria possível sem os adeptos. O camisola 12 tem sido, no meu entender, o grande craque do Sporting 2013/2014. Temos tido, de longe, as melhores assistências durante a presente época. A iniciativa de juntar as claques no mesmo sector (como nos velhos tempos) foi simplesmente de mestre! Para quê criar grupos isolados, quando juntos somos mais fortes, e corremos pelo mesmo amor? Perfeito. O José Alvalade cada vez mais é um palco temível para qualquer adversário, devido a um equilíbrio perfeito de paixão e garra entre equipa e adeptos.

Quais Ghostbusters, todos juntos aspirámos o “fantasma do Natal”. Vamos de vento em popa, no topo do campeonato, e os próximos adversários que se cuidem. Não somos candidatos a nada, promessas falhadas que as pintem de azul e vermelho. Nós somos candidatos à competência, ao trabalho, à paixão, à garra. No fim faremos as contas.

Obrigado, Bruno; obrigado, Inácio; obrigado, Mister; obrigado, equipa; obrigado, “camisola 12”. Obrigado porque eu preciso disto, preciso disto para ser feliz.

Fim de linha para Paulo Fonseca?

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atodososdesportistas

Pois é meus amigos (des)Portistas, não me “estreio” da melhor forma neste espaço. Nem com um número 10 na camisola que tenho vestida. Nem em primeiro lugar. Nestes últimos dias, os adeptos dos outros clubes (em jeito de gozo, em jeito de quem não está habituado a estar em primeiro lugar e tem esta nova sensação a subir-lhe corpo acima) perguntam com bastante veemência o que os Portistas acham da actual situação do clube. O que posso dizer?! Numa palavra: curto.

Começando pelo plantel – é curto. Faltam opções nas laterais. Alex Sandro não tem concorrência e não vejo nenhum jogador que, do ponto de vista da relação qualidade-preço, seja acessível ao Porto e lhe possa fazer sombra… Mas precisamos de mais um! Fucile seria uma boa opção pois faz as duas laterais, mas o nosso treinador (já lá vamos…) embirrou com o rapaz, que se sabe não ser de fácil lidação… Depois, lembraram-se de vender a título definitivo um dos esteios da defesa de Villas-Boas, campeã de Portugal e da Europa e vencedora da Taça: Sapunaru. Além de um portista exímio, cumpria muito bem o seu papel.

No meio-campo, o nosso treinador (novamente, já lá vamos…) lembrou-se de emprestar o jogador que tinha as características para ser o “clique” de que necessitamos no momento: Castro. Jogador raçudo, com boa técnica e um portista que, com Josué e Lucho, não deixaria a equipa jogar como joga. A troca sucessiva Defour-Herrera também não ajuda a cimentar processos de jogo.

No ataque, vejo dois grandes problemas: falta de extremos de raiz (só Varela) e de resto temos médios interiores a jogar por fora para dar profundidade a Alex Sandro e Danilo (casos de Quintero e Josué) ou então falsos avançados (como Licá). Depois existe o problema da falta de confiança de Jackson, que se nota já faz uns bons jogos…

Passando para a equipa B – é curta. Para quê uma equipa B quando, quando sentimos necessidade de ter jogadores de posições raiz, não a aproveitamos…? Ghilas lesionou-se. Na B temos Kléber (sim, esse mesmo, que até tem feito golos), Vion, Caballero e a nova coqueluche André Silva, ainda júnior. Mas não, vamos optar pelo Licá. Isso leva-me a questionar se é a equipa B que serve a A ou o contrário (talvez assunto para uma outra rubrica…).

Finalizando com a equipa técnica – é curta. Por muito que se queira ou se diga o contrário, Paulo Fonseca começou muito bem mas, entretanto, esqueceu-se de que já não está no Paços de Ferreira (com todo o respeito), esqueceu-se de que está numa realidade onde não treina uma equipa para jogar uma vez por semana, mas sim duas ou três. Será que as cargas exercidas nos treinos são as melhores? A equipa entra “cansada” em jogo e isso tem custado (e muito) vários pontos.

Um amigo meu foi treinado por Paulo Fonseca no Pinhalnovense e, em conversa, disse-me que ele adopta o estilo de treinador democrático – um líder-nato e um amigo – e sabe fazer uma muito boa gestão de plantel… Pois, no Pinhalnovense (mais uma vez, com todo o respeito). No Porto não pode ser assim! No Porto tem de ser um treinador que incuta nos jogadores o “eu quero, posso e mando!”, nunca perdendo essa tal boa e importante amizade. A gestão tem sido horrível e jogadores que reclamam oportunidades tardam em tê-las (só cedendo agora – e mal – na pressão que fizeram para Quintero ser titular, quando não está preparado).

Com isto, ainda com apenas um terço do campeonato decorrido e já tendo desperdiçado 6 pontos de vantagem (a fazer lembrar JJ nas outras épocas), pergunto-me até que ponto este natal não pode chegar mais cedo e com ele trazer uma prenda vinda das Arábias… Sim, esse mesmo: Vítor Pereira. Nunca morri de amores por ele mas a realidade é que é um “expert” em recuperar pontos, nunca perdeu em momentos-chave e, mais importante, psicologicamente mudaria a forma como os outros olham para o Porto actual. Quem não se lembra do treinador que fez Jesus ir ao tapete em pleno Dragão? Quem não se lembra do treinador que nunca perdeu com Benfica ou Sporting enquanto treinador principal? Pessoalmente preferia o Marco Silva do Estoril (a dar-se alguma chicotada psicológica), mas a verdade é que Vítor Pereira já demonstrou que quer voltar à Europa. E, no Porto, entraria pela porta grande. Mesmo para quem não gosta dele, importa recordar que foi campeão 2 anos seguidos com um dos planteis mais problemáticos que o Porto já teve (casos de Moutinho, James, Hulk, Rolando, Fernando, Otamendi, Belluschi, Guarín, Álvaro Pereira, a juntar-se à perda de Falcao no fecho do mercado). Espero que Paulo Fonseca fique, pois a verdade é que a corda está esticada ao máximo e se ele continuar significa que não houve mais nenhum deslize. Mas veremos…

De resto, só quero dizer a “quem está lá em cima” que não estejam muito descansados, pois, vendo as estatísticas, o Porto perdeu ao fim de mais de 50 jogos para o campeonato. Quem sabe se a próxima derrota não será só daqui a outros 50 e tantos…?

Vitor Pereira e Paulo Fonseca: dois treinadores que estiveram ao comando dos Dragões Fonte: http://1.bp.blogspot.com
Vitor Pereira e Paulo Fonseca: dois treinadores que estiveram ao comando dos Dragões
Fonte: http://1.bp.blogspot.com

Em jeito de “até para a semana”, se me auto-intitulo como (des)Portista, queria deixar um apelo a todos os verdadeiros Portistas, de alma e coração: não é a apedrejar autocarros, a chamar de nomes aos jogadores ou a assobiar ao intervalo as nossas últimas (e fracas) exibições que as coisas vão melhorar. Somos exigentes, estamos habituados a dominar o futebol nacional nos últimos 30 anos e somos a segunda equipa do mundo com mais títulos do séc. XXI, eu sei… Mas a verdade é que fazemos milagres com pouco. Temos mais títulos neste século do que Manchester United, Real Madrid, Juventus, AC Milan, Inter, Arsenal ou Bayern. Se compararmos orçamentos, estamos mais próximos de um Lyon do que de um Barcelona. E competitivamente somos muito mais Barcelona que Lyon. Não estou, com isto, a desculpar as nossas pálidas exibições. Estou, sim, a pedir algum tempo e alguma compreensão para com uma estrutura que sabe o que faz, que é modelo de gestão em artigos publicados pelas

maiores revistas do sector e, acima de tudo, a par de CR7 e Mourinho, é a marca que leva mais alto o nome de Portugal!

Eu não deixo de acreditar nunca. Posso estar insatisfeito mas nada farei para criar um clima ainda mais tenso em torno do meu clube. E tu?

Götze e a moda do “falso 9”

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A minha memória futebolística não me permite saber quem terá sido o primeiro treinador a utilizar como elemento mais avançado um jogador que não fosse verdadeiramente um ponta-de-lança. O que é certo é que, actualmente, são várias as equipas que aderiram à moda do “falso 9”, optando por colocar um médio ofensivo a desempenhar o papel habitualmente destinado ao 9. O Bayern de Guardiola é, sem surpresas, um desses conjuntos, tendo em Mario Götze uma opção fantástica para aproveitar da melhor maneira as potencialidades desse modelo de jogo, que, como qualquer outro, tem prós e contras.

Recordo-me do tempo em que se dizia que jogar sem referência ofensiva era uma estratégia de equipa pequena. Era abdicar do ataque. Uma teoria que hoje em dia pode ser facilmente refutada; basta olhar para o nível das equipas que o fazem, como o Barcelona, o Bayern, as selecções espanhola e alemã. Não é novidade para ninguém que todos estes conjuntos praticam um futebol assente na posse de bola: apenas visam a baliza quando as condições de finalização são boas, o que aumenta a probabilidade de sucesso. Tendo por base esta ideia, surgiu a necessidade (ou vontade) de ter mais um jogador a participar na criação ofensiva – isto se pensarmos num ponta-de-lança do tipo “pinheiro”, que não se concentra tanto nos processos de construção mas mais nos momentos de finalização. Por um lado, isto permite uma dinâmica de jogo muito elevada, com movimentações constantes; por outro, deixa a equipa com pouca presença na área contrária.

Messi com liberdade total em campo / Fonte: a-prancheta.com
Messi com liberdade total em campo
Fonte: a-prancheta.com

Terá sido quando Guardiola deslocou Messi do flanco direito para a zona central que o conceito do “falso 9” passou a estar em voga. Agora no Bayern, o técnico espanhol pretende implementar um modelo semelhante, tendo escolhido Mario Götze para desempenhar esse papel. Contratado ao Dortmund, o craque ainda não tinha ganho o seu espaço no 11 inicial (também por alguns problemas físicos)… até ao jogo com o CSKA, em que foi titular como elemento mais adiantado da equipa. Surpreendentemente – ou não -, o médio ofensivo assinou uma grande exibição, levando Guardiola a repetir a dose na partida com o E. Braunschweig. Ou muito me engano ou esta aposta (que já havia sido testada por Löw na selecção alemã) tem tudo para dar certo. Só a posso elogiar, até porque considero Mandzukic um ponta-de-lança bastante limitado em termos técnicos. Götze tem características perfeitas para jogar como vagabundo: é inteligente, tem qualidade técnica, velocidade de execução e capacidade de decisão muito acima da média. Para além disso, marca golos com regularidade, algo fundamental numa equipa que não tem um ponta-de-lança assumido. No Bayern isso não será problema, já que Ribéry, Robben, Kroos, entre outros, são jogadores que garantem vários golos por época.

Götze brilhou frente ao CSKA / Fonte: media.bundesliga.com
Götze brilhou frente ao CSKA
Fonte: media.bundesliga.com

Por norma, os modelos de sucesso são copiados. Posto isto, teremos futuramente o 4x6x0 como uma opção preferencial para muitas equipas? A curto prazo parece-me pouco provável; poucas têm condições para isso. Como referi anteriormente, só um jogador muito acima da média é capaz de fazer de “falso 9” com qualidade, e é preciso que os outros jogadores compensem a falta dos golos do ponta-de-lança. Resta-nos esperar para ver. Ainda assim, deixo um pedido: utilizem o falso 9 à vontade, mas não acabem com os homens de área. Futebol bonito? Sempre. Futebol sem balizas? Não, obrigado.

O que ainda há de campeonato

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camisolasberrantes

O povo português apreciador de futebol tem um hábito, de há uns anos para cá, um tanto ou nada – como hei-de dizer?… – irritante: ainda o campeonato não vai a meio e já clube x ou y – ou se preferirem FCPorto ou SLBenfica – tem legitimidade para encomendar as belas das faixas de campeão. Isto deve-se a um fenómeno muito actual e específico que consiste em observar a disparidade da qualidade entre os dois anteriormente referidos clubes e os restantes que também participam do Campeonato Português. E sim, é exactamente essa a expressão a utilizar: “restantes clubes que também participam”. Ora, é que, e como dizia Rui Alves, Presidente do Nacional, em entrevista à RTP Informação – e por alto tento repercutir as suas palavras –, o que deveria interessar aos altos dirigentes nacionais era tornar o futebol português num futebol mais uno, mais coeso, mais bonito e mais profissional. Porque não é por aí que Benfica, Porto ou – olhando para o panorama actual – Sporting perdem espaço. É, sim, por aí que o ganham. Ganham em competição, ganham em menos “autocarros” em frente à baliza, ganham em jogos disputados do primeiro ao último minuto. Ganham com o facto de os outros não se limitarem a participar, mas também a encantar e a disputar lugares cimeiros – quem não gostou de ver o Paços de Ferreira e o Estoril no ano passado?! E pode até ser que, assim, Portugal vá à Europa…e por lá fique, caramba! É que neste momento quem na Liga Europa está, de lá sairá. E quem na Liga dos Campeões está, para a Liga Europa passará! Mas enfim. Vamos ao que interessa.

A bem ou a mal, o Benfica está em primeiro lugar. Juntamente com o Sporting, sim. E a apenas dois pontos do Porto. Tudo bem. Estamos no caminho certo. É saber não tropeçar. E a verdade é esta: a primeira metade do campeonato está praticamente fechada. Com o Benfica ainda vivinho da silva. Com Jorge Jesus a ganhar jogos a pontapé – ainda que com dúbia qualidade – e sem sequer se sentar no banco de suplentes. O que é que está mal então? Não foi assim que o Porto meteu no bolso os dois últimos campeonatos? Tudo bem, nem uma única derrota acrescentaram às contas. Mas o Benfica também só tem uma: primeiro jogo, única falha. Contra o Marítimo. Que está a fazer uma época relativamente desastrosa. Se temos desculpa? Não, não temos. Mas há alguém a praticar melhor futebol do que nós? Há alguma equipa neste campeonato com um plantel tão preenchido como o nosso? Com as opções de qualidade que nós temos? Com a experiência e com o alinhamento táctico que temos vindo a cultivar há já dois, três anos? Não. Para todas as anteriores perguntas. E até acabarmos a primeira volta do campeonato, só temos um verdadeiro quebra-cabeças para solucionar: o Porto. Com a benesse de que os receberemos em nossa casa. E em nossa casa mandamos nós. Chega de facilitismos. Este é o campeonato do bate-pé. E não deixamos de bater o nosso até conquistarmos o que nosso é.

Olhando para o que ainda aí vem, vemos que temos dois jogos contra dois dos três últimos classificados da tabela (Arouca – em casa – e Olhanense – fora). Depois vamos à margem sul enfrentar o Setúbal, clube que ocupa a 12ª posição, mas que, apesar de tudo, já não perde há dois meses (sendo que aí se deixou vergar perante o Sporting num desastroso 0-4). A fechar, as duas cerejas no topo do bolo: primeiro o Gil Vicente, clube revelação deste ano, e depois o clube que todos vêm pondo em causa: o Porto. Ambos os confrontos em casa.

Ainda que longe, é preciso acreditar / Fonte: bem-me-quer-benfica.blogspot.com
Ainda que longe, é preciso acreditar
Fonte: bem-me-quer-benfica.blogspot.com

Optando por não me tornar no tal povo irritante que já é campeão ainda antes de o Inverno se começar a sentir realmente frio, aconselho como prevenção para tal maleita altas doses de calma, serenidade, concentração e preocupação com o nosso percurso. Os outros preocupar-se-ão com o deles. Isto com ou sem tochas à mistura, claro. E já agora, minha família benfiquista: não é por estarmos em primeiro (finalmente)… mas se nem nós acreditamos, quem vai acreditar? O Benfica precisa de nós. Talvez seja desta que o futuro se augure mais brilhante. Afinal, Jesus até já sabe jogar com dois esquemas tácticos. E ambos dão vitórias.

Além de jogo, é espetáculo

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cab Volei

Portugal terá como adversários a Holanda, a Coreia do Sul e a República Checa no Grupo E da Liga Mundial 2014 de seniores masculinos, a disputar de 23 de Maio a 20 de Julho do próximo ano, segundo o sorteio realizado na Federação Internacional de Voleibol.

Esta é uma competição que teve a sua estreia em 1990 e que na edição de 2014 conta com 28 países participantes distribuídos por sete grupos, sendo que anteriormente estavam menos dez na competição.

Basta analisar o cerne de todo o esquema competitivo da Federação Internacional de Voleibol para perceber que esta competição é uma das que mais se fundamentaram e em que se analisou o porquê de realizar a prova, tendo em vista várias perspetivas – nomeadamente a do marketing que envolveria um evento desta dimensão.

Ao contrário do Campeonato Mundial ou mesmo dos Jogos Olímpicos, esta é uma prova realizada anualmente e cuja dimensão tem um retorno imediato a nível económico, tanto para as ditas “cidades-sede” em que se realizam os vários jogos como para os vencedores. Segundo a FIVB, já foram distribuídos cerca de 13 milhões de dólares pelos vencedores desde 1990 a 2004. Como referi, as “cidades-sede” têm vantagens ao acolher este evento, pois a prova tem uma abrangência internacional. Num panorama de equipas de todos os continentes, que desde sempre contam com uma divulgação organizada da parte dos media da cidade em que se está a competir, a garantia desta cobertura (pela televisão principalmente) tem de estar assegurada. No mesmo âmbito, em 1993 surge um projeto congénere: o Grand Prix, competição semelhante mas para seniores femininos.

É daqui que se parte para a ideia de “espetáculo”. Uma coisa que sempre admirei desde que me formei no voleibol é que uma das maiores preocupações dos órgãos máximos de organização competitiva desta modalidade é a de garantir que seja um jogo que todos possam ver, e que esteja bem organizado em todos os aspetos – nomeadamente na mediatização. Que eu não caia numa espécie de pleonasmo desta ideia, mas gosto de destacar sempre: o voleibol é um jogo bonito de se ver e de se jogar – e é importante perceber os contextos em que se inserem as competições e o que está nos “bastidores”.

A seleção masculina da Rússia venceu a edição de 2013.  http://esportes.terra.com.br
A seleção masculina da Rússia venceu a edição de 2013.
Fonte: esportes.terra.com.br

Para já, o que se sabe é que a edição de 2014 da Liga Mundial começa no fim de semana de 23 a 25 de Maio, com a primeira ronda dos Grupos C, D e E, e termina a 20 de Julho, com a realização da Fase Final, e estes são os grupos:

A: Brasil, Itália, Polónia e Irão
B: Rússia, Estados Unidos, Bulgária e Sérvia
C: Bélgica, Canadá, Austrália e Finlândia
D: Argentina, Alemanha, França e Japão
E: Holanda, Coreia do Sul, Portugal e República Checa
F: Tunísia, Turquia, Cuba e México
G: Porto Rico, China, Eslováquia e Espanha

Uk Championship 2013

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cab Snooker

Já tem as desculpas preparadas para não descolar do ecrã? O UK Championship começou no passado dia 26 de Novembro e sofreu um pequeno processo de metamorfose. Gostava de saber tudo e mais alguma coisa sobre este torneio mas ainda não tenho teias de aranha neste assunto (hei-de ter); felizmente, há quem as tenha. A BBC fez um pequeno documentário sobre o UK Championship, uma pequena máquina do tempo que nos leva à era de Stephen Hendry com 17 anos e Ronnie O’Sullivan com 18 (se calhar não lhe passava pela cabeça que um dia iria ser o The Rocket). Ainda eu nem era nascida já andavam estes senhores a fazer história.

Competing against your childhood heroes is a dream for every aspiring sportsman, and some will be lucky enough to get this opportunity in the revamped format of the UK Championship. (Shamoon Hafez, 2013)

Eu não precisava de muito para ficar com as pernas a tremer. O ambiente do Barbican Centre, as pessoas do Barbican Centre, os jogadores do Barbican Centre…! Bastava estar nas bancadas a ver umas tacadas dos grandes nomes para ficar com borboletas no estômago. Um completo momento de epifania, talvez. Nem consigo imaginar o equilíbrio dos sete amadores que estão a partilhar mesa com o top 16.

Esta metamorfose de que estava a falar vem do facto de este ano o UK Championship ter um novo formato. Os jogadores do top 16 têm de passar por mais dois rounds do que antigamente. Já vamos no 8º dia de competição e apenas no 3º round. São quatro rodadas até passarmos para os quartos-de-final, o que faz com que o torneio acabe apenas no dia 8 de Dezembro. Sinceramente não me importo nada, antes pelo contrário. É a minha terapia para descontrair.

Uk Championship 2011 - Barbican Centre, York http://maximumsnooker.com
Uk Championship 2011 – Barbican Centre, York
Fonte: maximumsnooker.com

Pessoalmente, não sou contra esta nova medida. Os mais inexperientes têm aqui uma oportunidade para amadurecer mais rapidamente, competir com os melhores logo desde início. Caso não se recorde, Marco Fu foi dos primeiros nomes que vimos cair. E caiu para o lado dos verdes (não é um eufemismo político). Foi derrotado por Mitchell Travis (21 anos) por 6-5.

Marco Fu disse: “Deve ser das piores derrotas da minha carreira. Não estava à espera disto.”

Em 2011 o torneio voltou ao Barbican Centre, York e o campeão a bater é Mark Selby, nº 2 do ranking mundial.

Uma actualização constante dos resultados:

http://livescores.worldsnookerdata.com/LiveMatchesList/Tournament/13630

 

Vídeo da BBC:

http://youtu.be/8Xs0pdwi32U

Os três pilares do novo Sporting

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O Sexto Violino

É com grande alegria que escrevo a crónica desta semana: o Sporting está de volta ao lugar que merece. Ainda que o nosso bom momento seja sobretudo fruto da coesão da equipa e não de exibições individuais, hoje falarei em três figuras que, para mim, são os maiores sustentáculos deste novo Sporting: Leonardo Jardim, Fredy Montero e William Carvalho. Centrar-me-ei sobretudo no último jogo, mas também naquilo que cada um destes intervenientes já fez desde o início da época.

Não me canso de dizer que o treinador tem feito um trabalho quase irrepreensível e que ainda ganha mais valor se olharmos para o que era o Sporting antes de ele chegar. Contra o Paços, gostei de ver que não achou necessário colocar de início Slimani com Montero, mantendo-se fiel aos seus princípios de jogo. É verdade que o argelino merece mais minutos (ontem teve mais alguns), mas o abandono do 4-3-3 poderia levantar vários problemas: os jogadores iriam demorar algum tempo a adaptar-se, o meio-campo poderia ficar mais desequilibrado e esta alteração táctica implicaria tirar Montero da posição onde tem rendido mais, uma vez que recuaria ligeiramente. Imaginando que o Sporting, a jogar em 4-4-2, está empatado a 20 minutos do fim, o treinador não tem grandes opções para colocar em campo de forma a forçar o golo. O 4-3-3, por seu lado, garante que a equipa tem um plano B pronto a ser usado se necessário. A entrada de Slimani desmonta a defesa e obriga os adversários a reposicionarem-se, ao mesmo tempo que garante uma maior presença física na área. A própria equipa parece crescer e ganhar novo ânimo quando o argelino salta do banco. Se as coisas têm resultado assim, não vejo por que há-de mudar-se, até porque não é garantido que passemos a jogar melhor caso abandonemos o 4-3-3. Quanto ao resto, agradou-me a mudança de atitude da equipa depois do intervalo (acredito que tenha tido o dedo de Jardim) e gostei, mais uma vez, do discurso adoptado após o apito final. O nosso treinador é um perfeccionista que prepara todas as situações de jogo ao pormenor. Isso nota-se nas bolas paradas (que cada vez mais são um factor decisivo no futebol moderno, como ontem se viu), na estabilidade que a nossa defesa ganhou, no rigor táctico das movimentações dos jogadores, etc. O Leonardo Jardim é o treinador que outros gostavam de ter ido buscar, mas ele é nosso. E foi a melhor contratação do Sporting, não só deste ano, mas desde há muito tempo.

Já o Montero, sendo o avançado da equipa, é também o rosto mais visível do renascimento do Sporting. É ele o responsável pela conclusão das jogadas e para já tem-no feito com distinção. Após o seu início fulgurante temi que os sportinguistas começassem a ficar mal habituados e interroguei-me sobre qual seria a reacção dos adeptos se ele estivesse alguns jogos sem marcar. Quando essa altura chegou, os meus receios pareceram confirmar-se: já se iam ouvindo algumas críticas tímidas à sua falta de golos, mesmo vindas de adeptos do Sporting. Ontem, porém, o colombiano respondeu com mais dois tentos e mostrou que a sua veia goleadora não acabou, como aliás era de prever. Se os guarda-redes e os defesas não estão todos os jogos sem sofrer golos, por que razão há-de se exigir a um avançado que marque em todas as partidas? Além disso, o seu contributo em campo estende-se às jogadas que cria e aos espaços que abre, o que faz dele um elemento importantíssimo na manobra atacante mesmo quando não marca. O segundo golo do Sporting tem, aliás, origem num duelo decisivo ganho de cabeça pelo Montero.

Três figuras incontornáveis do novo Sporting / Fontes: prognosticosfutebol.net ; spor.haberler ; supersport
Três figuras incontornáveis do novo Sporting / Fontes: prognosticosfutebol.net ; spor.haberler ; supersport

Por último, William Carvalho. Vir elogiá-lo é constatar o óbvio, mas a enorme qualidade da sua exibição de ontem obriga-me a isso. O nosso número 14 é seguro no passe, sereno como um “trintão”, tem uma visão de jogo muito acima da média (ainda que haja quem diga que só joga para o lado…) e uma capacidade de desarme tremenda sem precisar de recorrer à falta, aliada à sua facilidade em desenvencilhar-se dos adversários e colocar a bola redondinha nos pés dos colegas mesmo quando parece que tem o lance perdido. Tudo isto somado a uma atitude discreta, a um discurso bem articulado e a uma confiança em si próprio que se nota à distância. Assim como se nota, atrevo-me a dizer, um grande apreço pelo Sporting – desde a história da sua vinda para o clube, recusando o assédio do Benfica, até ao facto de já ter dito várias vezes que está no clube onde sempre quis jogar. Parece ter, à semelhança do Eric Dier, uma atitude simples e desassombrada perante o futebol e a vida que é pouco comum em alguém com esta idade e menos ainda quando se trata de vedetas da bola. Até o pormenor de ter voltado aos estudos para completar o 12º ano mostra que não se deixa levar pela sua grande popularidade repentina e que não despreza o valor da educação, estando já a preparar a sua vida pós-futebol. O William tem atitudes de vencedor nato e perfil de líder, tanto dentro como fora do campo, e tem sido a meu ver a melhor individualidade de uma equipa que vale sobretudo pelo colectivo. Por tudo isto, se mantiver este nível, ou muito me engano ou ficará por cá pouco tempo, uma vez que a Europa do futebol não anda a dormir – e uma boa prova disso é que, pese embora todas as campanhas feitas pelos media para inflacionarem Gaitáns, Salvios, Rodrigos, Andrés Gomes e Enzos Pérez, eles continuam todos no Benfica. Os melhores não precisam de promoção, porque é a própria realidade que se encarrega disso.

Dragões em chamas!

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portosentido

O Porto está em crise. Não há muitas oportunidades para afirmar algo deste género. É muito raro um clube bem estruturado e com grande disciplina ter um problema deste tipo entre mãos. Em Coimbra, o Porto voltou a perder pontos e perdeu o primeiro lugar para Benfica e Sporting. No entanto, mais do que três pontos, o Porto perdeu a massa de adeptos. Já referi no passado que na base de um clube estão os adeptos. São eles que conseguem ser o 12º jogador e a força quando já não há força. Sem os adeptos, acaba por não haver Porto.

O jogo com a Académica voltou a provar o actual momento de forma do Porto: terrível e desinspirado. Não há esforço conjunto no relvado. O Porto a jogar parece ser bola no Lucho e fé em Jackson Martinez. Paulo Fonseca insiste em jogar com o duplo pivô quando Fernando nasceu para jogar sozinho. A decisão de jogar com o que eu gosto de chamar falso extremo (Josué) na esperança de manter a ala e, ao mesmo tempo, ganhar mais um homem no meio-campo ofensivo começa a ser demasiado previsível e pouco proveitoso para o jogo azul e branco. A ideia é deixar o corredor aberto para as incursões de Danilo, algo que acaba por destabilizar.

Há, de facto, uma forma de “ganhar” mais um homem no meio-campo ofensivo sem comprometer o equilíbrio da equipa: Fernando tem de jogar sozinho! Em anos recentes, a equipa do Porto sempre, mas sempre, jogou com apenas Fernando no vértice recuado do triângulo. Funcionou e o Porto ganhou títulos. A equação é simples. Com Fernando acompanhado perde-se um homem que acaba por não ter qualquer impacto no jogo.

Após o desaire na cidade dos estudantes, onde Paulo Fonseca se mostrou, pela primeira vez, completamente derrotado, não houve Porto. No entanto, pior do que o jogo em si foi a situação que aconteceu depois. À chegada da comitiva portista ao estádio do Dragão, o autocarro portista foi atacado por uma dezenas de pessoas enraivecidas. Isto é algo com o qual eu não posso compactuar.
Os resultados não são os melhores, as exibições são terríveis. Porém, nunca se deve agir da forma como os estupores que atacaram o autocarro do Porto agiram. O bando de dezenas de pessoas não faz, a meu ver, parte dos adeptos do Porto. O ataque ao autocarro portista é um acto vergonhoso por parte de uns quantos gatos-pingados. O Porto não esteve naquele pseudo ataque. Não foram os adeptos portistas que mandaram aquelas tochas improvisadas e pedras que estivessem à mão. Aquilo foi trabalho de pessoas que não entendem o futebol, que não percebem a verdadeira essência de ser um dragão em chamas.

Os incidentes à chegada da comitiva do Porto Fonte:www.record.xl.pt
Os incidentes à chegada da comitiva do Porto
Fonte:www.record.xl.pt

Entendam uma coisa… A confiança em Paulo Fonseca começa a diminuir. Facto. Mas as verdadeiras chamas que estiveram no Porto não são as das tochas atiradas ao autocarro. As verdadeiras chamas dos dragões estão nos adeptos, na equipa, na direcção, em tudo. A verdadeira chama é a nação portista. E essa… Essa nunca se vai apagar.

Swansea e a Michu – dependência

A equipa galesa dos Swans ateima em não aparecer em grande nível este ano. Primeiro há que contextualizar. O Swansea City é uma equipa galesa que subiu num passado muito recente à Premier League, mais concretamente no ano de 2010/2011, no qual garantiu a 3ª presença na liga de topo do Reino Unido, em toda a sua história.

A equipa comandada, na altura, por Brendan Rodgers conseguiu um grande 11º lugar, algo histórico para um clube relativamente modesto. As estrelas da equipa foram jogadores como Sigurdsson, atualmente no Tottenham; Joe Allen, do Liverpool; Scott Sinclair, que acabou por ingressar no City; Ashley Williams e Michael Vorm, que ainda estão no clube. A grande época ditou a saída do treinador para o Liverpool, onde ainda hoje se encontra.

Michael Laudrup / Fonte: EPLindex.com
Michael Laudrup / Fonte: EPLindex.com

Contudo, esta saída permitiu a entrada de Michael Laudrup, que desde logo se destacou por dar ao clube um futebol muito atrativo e de elevada qualidade, caracterizado por um grande poder ofensivo. O ataque era liderado por Michu, um médio que chegara no mesmo ano e depressa foi colocado numa posição mais ofensiva. Era acompanhado por jogadores como De Guzmán, Nathan Dier e Pablo Hernández. Este ano tornou-se histórico para o clube, que acabou por erguer a Capital One Cup (Taça da Liga), com uma vitória por 5-0 frente ao surpreendente Bradford City, dando ao clube o seu primeiro grande troféu.

Findo este ano, a nova época prometia e muito. O treinador manteve-se, bem como toda a filosofia de jogo, e chegaram jogadores como Wilfried Bony, o melhor marcador da Liga Holandesa, Cañas e Pozuelo, provenientes do Real Betis e Jonjo Shelvey, um jovem promissor do Liverpool. Esperava-se que, no mínimo, o Swansea City mantivesse o nível de jogo da época transata.

A verdade é que tal não aconteceu e é uma equipa que ainda à procura da melhor forma. Bony não se adaptou tão rápido quanto o esperado e Michu tem estado aquém das expectativas. Criou-se mesmo uma Michu-dependência, pois o estilo de jogo da equipa depende em demasia do espanhol.

Michu e Wilfried Bony / Fonte: soccernews.com
Michu e Wilfried Bony / Fonte: soccernews.com

Os Swans encontram-se no modesto 13º lugar, com apenas uma vitória nos últimos oito jogos oficiais, entre os quais se contabilizam três jogos para a Liga Europa e cinco para a Premier League. Foram também eliminados da Capital One Cup pelo Birmingham. Vale, assim, o atual segundo lugar na fase de grupos da Liga Europa mas precisam de ganhar o último jogo contra o St. Gallen, na Suíça, para assegurar a qualificação.

Na minha opinião, é uma equipa que terá muito a dar ao futebol inglês, com um treinador que mostrou uma enorme capacidade e vontade de elevar a qualidade do clube. Tem sido uma época algo decepcionante mas convém realçar a inexperiência do clube na alta roda europeia.

É preciso dar tempo às coisas e tenho a certeza de que Bony e Michu vão entrar numa boa forma e levar o Swansea a mais uma época de bom nível. Fico à espera para ver o que acontece. Deste clube só espero o melhor, dado o seu histórico de boa gestão, com enorme cautela e investimentos de real valor.

Ensaio sobre a cegueira, constante

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Glóbulos Vermelhos

Não sou bruxo. Mas por duas vezes me manifestei aqui, anteriormente, sobre a má forma de jogadores do Benfica. Ola John marcou contra o Cinfães (apesar de depois disso ter voltado ao mesmo); Rodrigo também melhorou (muito mais agora, a assinar uma bela exibição contra o Rio Ave); Lima fez dois golos (ao contrário de muitos, parece-me que não fez um grande jogo, mas antes dois belos golos e pouco mais). Mas ainda assim há melhorias. Se faço um por semana para melhorarem todos, mas ninguém acredita muito nisso, até porque para a semana podem ficar em branco e correr tudo mal, mais uma vez. Agora falemos de outro caso: o jovem André Gomes.

Quando surgiu na equipa principal depressa encantou, com maturidade, com visão de jogo, com sobriedade. Atenção, não é um jogador perfeito, tem muito a melhorar, precisa de mais eficácia na velocidade de execução, depois tem de perder o medo de chegar perto da área – fá-lo lindamente na equipa B e nem tanto na A. Mas se pensarmos, como podemos avaliar a sua performance na equipa principal, se este ano, não jogou?

André Gomes no desespero / Fonte: desporto.sapo.pt
André Gomes no desespero
Fonte: SAPO Desporto

Entrou nos descontos para a Champions e agora para a Liga, falhando um derby com o Porto para a 2ª Liga, onde se tem evidenciado como um jogador de grande qualidade e importância. Sempre critiquei a sua utilização constante na equipa B em detrimento da sua possível preponderância na equipa principal. Mas logo agora que o Benfica B defronta o seu rival nortenho, Gomes vai a Vila do Conde para entrar a 30 segundos do final. Numa clara manifestação de falta de respeito por um miúdo com coisas para provar, mas que já demonstrou muito, chegando mesmo a ser convocado para a Selecção A. Mesmo com a lesão de Rúben Amorim, o homem fica de fora e não tem possibilidades de demonstrar o que de bom tem o seu jogo.

Uma estreia na Liga que se dispensava, para nem sequer tocar na bola e acumular um jogo para a estatística. No Sporting era provavelmente titular ou discutia o lugar no onze com André Martins. Aqui pode, muito provavelmente, vir a tornar-se o próximo Miguel Rosa. Parem com isto. Mais vale vender o rapaz para que possa seguir o seu caminho futebolístico que tem tudo para ser grande. É esta entrada na compensação que Jesus entende por motivação? Quem já foi atleta sabe perfeitamente que é tudo ao contrário. É um castigo, daqueles que nos retira vontade e nos faz baixar a cabeça em direcção ao balneário. Esperemos que não saia pela porta dos fundos. Se sair, o Benfica vai-se arrepender, mais uma vez. É a cegueira, eterna, constante.