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Liga Inglesa: Começa o melhor campeonato do mundo!

cab premier league liga inglesa

Está de volta, finalmente, o melhor campeonato de futebol do mundo. Milhares de famílias inteiras por toda a Grã-Bretanha rumarão aos estádios do clube do coração para o apoiar no jogo de estreia da época 2015/2016. Mais tarde, os adultos rumarão aos pubs e qualquer resultado servirá para beber – esquecer uma derrota, celebrar uma vitória ou simplesmente saudar o regresso do campeonato em caso de empate. De qualquer forma, todos ganham, seja na Grã-Bretanha, na China, em Portugal ou em qualquer outro país em que a Premier League seja difundida. Pois, aconteça o que acontecer, o espectáculo está garantido. Seja em jogos de equipas de topo, em encontros de equipas que lutam para se manter no principal escalão inglês ou na sempre incandescente luta pela Europa. Há disputas para todos os gostos.

Com a qualidade que têm as equipas da Premier League, e tendo em conta os reforços que chegaram à competição, é sempre difícil apontar candidatos à descida, porém, os últimos a chegar costumam ser os primeiros a sair, e Bournemouth, Norwich e Watford serão sempre olhados como membros mais frágeis por mudarem de patamar competitivo, sobretudo os dois primeiros – o primeiro porque se estreia na Premier League e porque fez uma autêntica revolução ao plantel, apesar de ter ficado a ganhar (entraram Boruc, Atsu e ainda Tyrone Mings), o segundo por se ter revelado uma equipa bastante permeável, algo que, para além da chegada de Wisdom, não atenuou no período de transferências. O Watford parece-me menos candidato à descida relativamente aos outros dois, pois reforçou-se muito bem ao longo do defeso, não perdendo, ao mesmo tempo, a estrutura do plantel da época passada, ao qual foram acrescentadas mais valias como Behrami, Jose Holebas, Sebastian Prodl, Jose Manuel Jurado, Miguel Britos ou Allan Nyom, lateral direito que era muito cobiçado pela Europa fora mas que aterrou em Watford. O lugar do clube, caso a equipa consiga fazer valer o investimento feito pela família Pozzi (detentora do clube), poderá ser ocupado por Sunderland ou Leicester. Os primeiros já no ano passado estiveram na luta pela manutenção até ao fim e o mesmo pode acontecer este ano,  pese embora as chegadas de Coates, Lens ou Kaboul; já os segundos tiveram uma época que surpreendeu pela positiva, e a chegada de Fuchs ou Huth vem trazer experiência a uma equipa que precisava dela, porém, isso pode não suprimir a eventual falta de talento em comparação com outras equipas da Premier League…

Jurado pode ajudar o Watford a ser uma das surpresas da Premier League 2015/16 Fonte: Facebook do Watford FC
Jurado pode ajudar o Watford a ser uma das surpresas da Premier League 2015/16
Fonte: Facebook do Watford FC

…o que só comprova a sua competitividade, atestada, no ano passado, com o facto de uma equipa como o Newcastle ter ficado na cauda da tabela, disputando a manutenção quase até ao final. Uma equipa recheada de bons jogadores mas sem reflexos nos resultados, pois a competição é feroz e a “classe média” da primeira liga inglesa vai subindo cada vez mais, sendo cada vez menos notório o fosso para os big five ou para a zona de relegação. A escolha de jogadores pretendidos por meia Europa, como Deulofeu (Everton), Aleksandr Mitrovic (Newcastle), Andre Ayew (Swansea) , Clasie (Southampton), Affelay (Stoke), Yoahn Cabaye (Crystal Palace), Payet (West Ham), Idrissa Gueye (Aston Villa) ou Rickie Lambert (West Bromwich Albion) em actuar nesta “classe média” é sintomático disso mesmo e vem trazer mais apetite aos jogos disputados pelas respectivas equipas. Entre estas, destaque para o Stoke, que se reforçou em quantidade e qualidade – van Ginkel tentará relançar a carreira de médio brilhante que lhe foi “diagnosticada” acompanhado de um compatriota, Affelay, que procura o mesmo propósito, tendo, como suporte “emocional”, jogadores experientes e com qualidade, como Shay Given ou Glen Johnson, que também poderão ajudar outros reforços talentosos, como é o caso de Joselu. No que toca ao bom reforço do plantel, há ainda a destacar: o Newcastle, que conseguiu o concurso de Aleksandr Mitrovic, um excelente ponta-de-lança com tudo para dar certo na Premier League (disponibilidade física e instinto matador) e de Georginio Wijnaldum, um talentoso ex-PSV muitíssimo desejado; e o Southampton, que assegurou os serviços de Jordi Classie e Juanmi, o primeiro para suprir a saída de Schneiderlin, o segundo para reforçar um sector ofensivo, já de si, forte. Qualquer uma das equipas referidas poderá disputar um lugar na zona europeia. Talento não faltará. Mas tudo se resumirá à luta entre elas e àquilo que farão em sua casa contra os chamados grandes, que disputam o trono, habitualmente ocupado pelo Chelsea de José Mourinho…

…e o português manteve-se fiel ao jargão bem luso – “em equipa que ganha não se mexe” – mantendo praticamente toda a estrutura da equipa da época passada, que venceu o campeonato, entrando apenas jogadores como Falcao e Begovic para suprimir as saídas de Drogba e Petr Cech. Faltará um reforço do lado esquerdo da defesa, pela saída de Filipe Luís, mas Cesar Azpilicueta dará bem conta do recado enquanto isso não acontecer. A aposta do Arsenal, curiosamente, foi no mesmo sentido, mantendo a estrutura base da equipa do ano passado, entrando apenas Petr Cech, um bom reforço para a baliza e que já deu frutos aos gunners, contribuindo para a conquista da Community Shield. O primeiro duelo entre Wenger e Mourinho foi ganho pelo francês e não foi disputado a feijões, o que faz prometer acesas “conversas” de imprensa ao longo da época, na qual se deverão intrometer os rivais de Manchester, Pellegrini e Van Gaal. O primeiro não poderá falar assim tanto, pois conseguiu as tão desejadas aquisições de Fabian Delph e Raheem Sterling, mantendo todos os seus jogadores de topo que perfazem um ataque temível à semelhança do que já vinha acontecendo até então; o segundo também não poderá queixar-se da falta de apoio da estrutura do United, que obedeceu aos seus desejos e reforçou os red devils com quantidade e qualidade – Schneiderlin e Schweinsteiger estabilizarão o meio-campo, Depay vai provando que pode ser um caso muito sério juntamente com Rooney, com quem vai revelando excelente entendimento, e Darmian é o lateral direito que Van Gaal pediu. Faltará reforçar o sector mais recuado, mas as saídas de Di Maria, Falcao e Robbie Van Persie não serão sentidas no que toca à forma de jogar do United do ano passado relativamente a este ano…

Rooney e Schweinsteiger podem ser duas pedras basilares num eventual sucesso do United, este ano Fonte: Facebook do Manchester United
Rooney e Schweinsteiger podem ser duas pedras basilares num eventual sucesso do United, este ano
Fonte: Facebook do Manchester United

… algo que poderemos ver já no próximo sábado, frente a uma equipa que também não mudou muito. O Tottenham também manteve a sua estrutura da época passada, sendo a única saída relevante a de Paulinho face ao onze habitual do ano passado. Com a continuidade de Pocchetino e o facto de não terem saído jogadores importantes para além do brasileiro, fica mais propícia ao sucesso a campanha dos Spurs na Premier League deste ano, dado que se focaram no reforço da defesa neste período de transferências, com as entradas de Wimmer e Alderweireld a comprová-lo. É previsível que os Spurs se superiorizem aos rivais da “classe média” inglesa, porém, será difícil estimar se há qualidade e estabilidade para a equipa se intrometer na luta dos Big Four acima citados, algo que já é mais fácil de descortinar ao analisar o Liverpool, que, apesar de perder Sterling e Gerrard, duas peças importantes na estrutura da equipa, sobretudo a nível ofensivo, conta agora com Roberto Firmino e Chris Benteke (custaram perto de 70 milhões de euros, só os dois) para o ataque, mantendo nos seus quadros Phillipe Coutinho e uma possível revelação, Jonathan Ibe, que ganhou espaço para se afirmar com a saída do jogador nascido na Jamaica. Também a defesa foi bem forçada, com a entrada de Nathaniel Clyne, do Southampton, um dos melhores laterais a actuar no futebol inglês no ano passado. James Milner acrescenta músculo e experiência aos reds, e isso pode ser fulcral para que voltem a intrometer-se na luta pelo título, no primeiro ano após-Gerrard.

Definitivamente, motivos não faltam para se acompanhar a edição 2015/2015 da Premier League. O espectáculo do costume está garantido, com o bónus de se acrescentarem novos intervenientes.

Promete.

Foto de capa: Facebook da Premier League

Vem aí o campeonato! – Parte I

futebol nacional cabeçalho

Falta uma semana para começar a Primeira Liga e as equipas já vão tendo os seus planteis compostos. Sem mover os mesmos milhões que os “3 grandes”, os outros 15 clubes também se movimentam no mercado, por isso, vamos a um balanço do que foi feito até agora.

Esta análise vai ser dividida em duas partes: neste texto ficam os 7 clubes que lutaram pela Europa na época passada e que poderão fazê-lo esta época outra vez, mais tarde virão as outras 8 equipas, que deverão lutar mais arduamente pela manutenção.

Começo pelos rivais minhotos, mais precisamente pelo Sporting de Braga. Com um novo treinador, Paulo Fonseca, os “Guerreiros do Minho” procuram este ano repetir o quarto lugar da época passada, ou até melhor, caso algum dos “grandes” surpreenda pela negativa. Contudo, os bracarenses parecem mais fracos do que na temporada anterior. Saíram elementos importantes, como os avançados Éder e Zé Luís, o patrão do meio campo (Danilo) ou o “velocista” Felipe Pardo, sem que os reforços assegurados até ao momento possam dar, desde já, as mesmas garantias. Rodrigo Pinho e Rui Fonte deverão ser os “homens golo”, ao passo que Vukcevic e Battaglia poderão tentar suprir a baixa de Danilo. Destaco também a subida de Fábio Martins à equipa principal. O jovem formado no FC Porto poderá ser uma das surpresas da época.

Em Guimarães, o Vitória local tem o plantel definido. A equipa até já fez dois jogos oficiais (derrotas com o Altach para a Liga Europa), por isso, poucas novidades deverão ocorrer até 31 de agosto. As entradas de Tozé, Santiago Montoya e do goleador Henrique Dourado deverão ser diretas para o onze, tendo ainda Licá como boa novidade no banco. Apesar das permanências de elementos importantes como João Afonso, Ricardo Valente ou Alex, as saídas de André André e Bernard deverão ter um peso muito grande no início da época, dificultando a tarefa a Armando Evangelista, que tomou o lugar que era de Rui Vitória no banco vimaranense.

André André, um dos “motores” do Vitória na época passada, saiu para o Dragão Fonte: Facebook oficial do Futebol Clube do Porto
André André, um dos “motores” do Vitória na época passada, saiu para o Dragão
Fonte: Facebook oficial do Futebol Clube do Porto

Em situação semelhante ao Vitória está o Belenenses. Os “azuis” do Restelo já jogaram para a Liga Europa, eliminando o IFK Gotemburgo, e apresentam um plantel quase totalmente português, o que é sempre de salientar e elogiar. O novo treinador, Ricardo Sá Pinto, tem qualidade, e terá ao seu dispor um plantel capaz de oferecer garantias de boa época. As chegadas de Tonel, André Geraldes, Ruben Pinto e Ricardo Ribeiro vêm acrescentar valor, apesar de saídas que deixam sempre mossa, como por exemplo Pelé, Deyverson ou Rui Fonte. Na minha opinião, a possível vinda de Diego Rubio seria a chave para o fecho deste plantel, ainda órfão de um goleador.

Passando para a Madeira, os dois grandes rivais desta região parecem-me menos consistentes do que na temporada anterior. No Marítimo, saíram elementos fulcrais na estratégia da equipa, como eram Danilo Pereira, Patrick Bauer ou Bruno Gallo, sem que tivessem chegado grandes alternativas para os seus lugares. De entre todos os reforços, os mais promissores serão o arménio Gevorg Ghazaryan, médio ofensivo internacional pelo seu país e o nosso bem conhecido Tiago Rodrigues, médio do FC Porto, que na época passada foi um dos elementos mais importantes do Nacional e agora vai representar os rivais verde-rubros. Outra curiosidade prende-se com a baliza. Será que é desta que Ivo Vieira “senta” Salin, dando a titularidade a José Sá?

O Nacional também “chora” a saída de alguns dos elementos preponderantes na temporada transata, como Marco Matias, Lucas João (ambos para o Sheffield Wednesday, de Carlos Carvalhal), Saleh Gomaa, Marçal ou o supracitado Tiago Rodrigues. Até ao momento, o médio brasileiro Nené Bonilha é o reforço mais em foco, após a saída esquisita de Cas Peters, avançado holandês que estava a mostrar-se goleador nesta pré-época e abandonou a Madeira nos últimos dias. Até ao fim do mercado, ainda deverão chegar mais jogadores.

No Norte moram mais duas equipas que tentaram ir à Europa, mas não foram bem sucedidas: Paços de Ferreira e Rio Ave. Os vilacondenses pagaram a fatura de demasiados jogos efetuados na época passada e que serviram de montra para os seus melhores valores: Ederson , Diego Lopes  foram contratados pelo Benfica, Del Valle foi saiu para a Turquia por empréstimo e Tiago Pinto também deverá abandonar o Estádio dos Arcos. Não estão ainda garantidas as permanências de jogadores importantes como Ukra ou Hassan. Contudo, Pedro Martins já foi reforçando o seu plantel com elementos experientes como Pedrinho, lateral direito que esteve em França nos últimos anos, e ainda Aníbal Capela, Yazalde ou Guedes, elementos já com alguma experiência no campeonato nacional. Aqui também não é de excluir a chegada de mais um ou dois reforços. Acho que Iuri Medeiros ou Nuno Santos, por exemplo, encaixariam na perfeição neste Rio Ave. Os jovens esquerdinos têm muito potencial mas não têm grandes perspetivas de jogar esta época no Sporting e Benfica, respetivamente. Serão dois dos jogadores mais cobiçados pelas equipas da Primeira Liga até 31 de agosto.

Para terminar a análise às equipas que deverão lutar pela Europa, o Paços de Ferreira. Os “castores” perderam o seu técnico, Paulo Fonseca, para o Braga, foram recrutar Jorge Simão e uma série de jogadores para o seu plantel. Perante as saídas de habituais titulares como António Filipe, Seri, Sérgio Oliveira ou Ruben Pinto, chegaram vários portugueses como o guarda-redes Marafona, ex- Moreirense, João Góis, que vem de Chaves, ou Miguel Vieira, que vem da Vila das Aves. Os reforços Christian, Pelé e Roniel, assim como os jovens Fábio Cardoso e Diogo Jota, podem ser figuras de proa na época da equipa da Capital do Móvel.

Foto de capa: Facebook oficial do Paços de Ferreira

Liga Francesa: Le Championnat est de retour!

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cab ligue 1 liga francesa

Quando falta ainda quase um mês para o fecho do mercado no Velho Continente, a Ligue 1 está de volta com muitas indefinições nos planteis dos principais favoritos mas com uma certeza: o Paris Saint-Germain volta a estar na pole-position. Algo recorrente desde que o clube foi comprado pela “Qatar Investment Authority”. Já são três campeonatos consecutivos, ganhos com maior ou menor dificuldade. Contudo convém referir que no primeiro ano do forte investimento vindo do Catar foi o modesto Montpellier a vencer o primeiro campeonato da sua história, conseguindo, assim, fazer frente ao novo-rico da capital. E é aqui que reside a magia do Championnat: não existem vencedores antecipados. Então, o que esperar do campeonato francês na época 2015/16? O tetra do PSG ou uma surpresa de um outsider?

O FAVORITO

O Paris Saint-Germain, actual tri-campeão, é o natural favorito para arrecadar o seu quarto título consecutivo. A grande dúvida, nesta altura, reside na sua principal figura, que é também a figura do campeonato, Zlatan Ibrahimovic. O sueco tem deixado pistas de que poderá deixar a capital gaulesa ainda antes do término do seu contracto que entra no último ano. Autor de 75 golos e 32 assistências em 91 partidas da Ligue 1, Ibrahimovic é a principal referência do ataque parisiense e a sua saída seria sempre difícil de colmatar. Independentemente do poderio financeiro do PSG. Também Thiago Motta está na iminência de abandonar os campeões franceses, juntando-se deste modo ao já transferido Cabaye. Estas duas saídas obrigam Laurent Blanc a ir ao mercado para reforçar o seu meio-campo mais defensivo, pois Stambouli, contratado neste mercado ao Tottenham, constitui mais dúvida do que certeza. Um nome sonante juntar-se-á a Verratti, Matuidi e Rabiot, isso é certo.

Do lado das entradas temos ainda os nomes de Aurier, lateral direito costa-marfinense que foi comprado ao Toulouse depois de uma época de empréstimo no clube; Trapp, guarda-redes alemão que promete dificultar muito a vida do titular Sirigu e… Di Maria. O astro argentino procura relançar a carreira depois de uma época menos positiva em Inglaterra e poderá encontrar, em Paris, o local ideal para recuperar toda a qualidade que demonstrou em Madrid e no Mundial de 2014. Mais uma estrela a juntar à constelação já existente na capital francesa, onde se destacam nomes como Thiago Silva, Cavani, Pastore ou os já citados Verratti e Matuidi.

Di María é o reforço mais importante do PSG e da Liga Francesa
Di María – o principal reforço da Ligue 1 
Fonte: AFP/Getty Images

E outra poderá estar a nascer: Jean-Kévin Augustin. O jovem de apenas 18 anos, oriundo das camadas jovens do PSG, brilhou a grande nível na pré-época, nomeadamente na International Champions Cup, que os parisienses venceram, e garantiu o seu bilhete para fazer parte do plantel nesta temporada que se inicia. Um nome a acompanhar. Portanto, com algumas duvidas mas muitas certezas, o PSG parte como o grande candidato na conquista do Championnat – algo que deixou bem claro logo no primeiro jogo oficial ao bater facilmente o Lyon na Supertaça, por dois golos sem resposta. Terá um teste muito interessante naquele que é o jogo de abertura do campeonato, deslocando-se ao terreno do Lille e podendo, assim, definir o tom desta Ligue 1.

OS OUTSIDERS

Lyon, Mónaco e Marselha são as equipas que prometem dificultar a vida aos tri-campeões franceses.

Em Lyon, casa dos vice-campeões, vivem-se tempos conturbados. A uma pré-época desastrosa (4 derrotas em 5 jogos, com destaque para a goleada sofrida ante o Arsenal por escandalosos 6-0) e à paupérrima exibição na supertaça francesa junta-se a certeza de que só um milagre conseguirá segurar Lacazette, melhor marcador do último campeonato com 27 golos. Além disso, Gourcuff já terminou contrato com o Olympique Lyonnais. Como do lado das entradas ainda não se registou nenhum nome sonante, tirando o do lateral brasileiro Rafael da Silva vindo do Manchester United, é com natural apreensão que os adeptos da equipa orientada por Fournier encaram a nova época. Continuam peças importantes como o português Anthony Lopes, dono e senhor das balizas do Lyon, Jallet, Malbranque, o fantástico Gonallons e a estrela emergente Nabil Fekir, uma das grandes revelações de 2015 (foi mesmo chamado à selecção francesa), mas muito trabalho ainda terá de ser feito dentro do clube até ao dia 31 de Agosto se quiserem ser considerados como reais candidatos ao trono.

No principado do Mónaco, depois de uma grande época protagonizada pelos pupilos de Leonardo Jardim no seu ano de estreia, quando foi vítima de um forte desinvestimento, vive-se um clima de grande expectativa. Saíram algumas peças importantes como Kondogbia, Carrasco, Ocampos ou Berbatov mas os monegascos não se deixaram adormecer e reagiram rapidamente atacando o mercado com critério de modo a suprir as baixas. Contrataram Guido Carrillo, que será garantia de golos, apesar da forte concorrência, e conseguiram o empréstimo do estonteante El Shaarawy, que promete polvilhar os relvados franceses com o toque da sua magia e irreverência. Se juntarmos ainda Pasalic, Traoré, Cavaleiro ou Wallace aos habitués Subasic, Ricardo Carvalho, Moutinho e Bernardo Silva (em quem são depositadas grandes esperanças depois da época que protagonizou no ano passado e no Europeu Sub-21) poderemos ter na equipa do AS Monaco o principal rival do dominante PSG.

Depois das saídas e Ferreira-Carrasco e Ocampos, El Shaarawy promete impôr-se no Mónaco  Fonte: Facebook do AS Monaco
Depois das saídas e Ferreira-Carrasco e Ocampos, El Shaarawy promete impôr-se no Mónaco
Fonte: Facebook do AS Monaco

Finalmente, em Marselha, Bielsa vive uma época de tudo ou nada. Depois de uma época em que prometeu muito – chegou a liderar grande parte da prova, mas acabaria por nem sequer garantir uma vaga na Champions -, fica a certeza de que a margem de manobra será muito reduzida para o extravagante treinador argentino. Mas, à semelhança do outro Olympique, também o de Marselha viveu um mercado muito conturbado. Perdeu Payet, rei das assistências na ligue 1 transacta; Imbula, o motor do meio-campo marselhês; e como se isso não chegasse viu sair os seus dois goleadores principais: Ayew e Gignac, ambos em final de contracto. As entradas de Diaby, Diarra, Manquillo ou Ocampos parecem muito curtas para compensar saídas de tamanha importância e muitas das esperanças do Marselha residirão em Batshuayi e Barrada.

OS CANDIDATOS À EUROPA

Várias serão as equipas que procurarão alcançar a vaga sobrante que, à partida, os clubes supracitados deixarão em aberto. O Saint-Étienne, que foi o clube que conseguiu tal feito no ano passado, procura repetir essa brilhante temporada em que nunca abandonou os lugares cimeiros e até ameaçou a supremacia dos favoritos.

O Bordeaux ainda vive um período de indefinição no que ao mercado diz respeito, tendo visto algumas peças importantes saírem. Mas quem tem Willy Sagnol, um dos treinadores mais promissores da nova geração, pode sempre sonhar.

O Lille também perdeu vários elementos fundamentais na época passada, com Traoré e Kjaer à cabeça, mas contratou diversos nomes interessantes, como Obbadi, Guillaume ou Tallo perspectivando-se um ano muito forte dos homens de Renard Hervé.

Finalmente o Montpellier deverá ser o último candidato a um lugar na Europa. Roland Courbis terá a base principal da equipa que orientou no ano passado para atacar esta nova temporada e isso constitui sempre um elemento preponderante.

Depois do 6.º lugar no ano passado, Sagnol quer levar o Bordéus à Europa Fonte: Panoramic
Depois do 6.º lugar no ano passado, Sagnol quer levar o Bordéus à Europa
Fonte: Panoramic

A SEGUNDA METADE DA TABELA

Entre os que procuram fugir à despromoção e aqueles que anseiam por um campeonato mais tranquilo, também na parte de baixo da tabela se espera muita imprevisibilidade e animação. Troyes, Ajaccio e Angers são os novos primodivisionários e tudo farão para que a subida não se transforme numa efémera passagem de apenas um ano entre os grandes. Com o já citado Ajaccio e o já residente Bastia, teremos agora duas equipas da maravilhosa ilha da Córsega no principal escalão francês, o que constitui mais um motivo de interesse para este campeonato que se avizinha. Equipas como o Stade de Reims, Rennes ou Caen deverão procurar fugir aos três últimos lugares, enquanto que os conjuntos do Nantes, de Toulouse e do Nice (que compensou a saída do surpreendente Carlos Eduardo com o experiente Ben Arfa) e do Lorient, do português Raphaël Guerreiro, tudo farão para recuperar alguma da sua glória passada – já lutaram por lugares mais cimeiros – e quererão imiscuir-se na luta europeia, fugindo rapidamente à exasperante luta pela manutenção.

Resumindo, espera-nos mais uma emocionante Liga Francesa, onde em cada jogo há incerteza quanto ao resultado final e onde um favorito pode perder pontos em qualquer terreno, à imagem dos campeonatos recentes. Trata-se, sem dúvida alguma, de um dos campeonatos mais emocionantes e competitivos do Velho Continente, mesmo não tendo a notoriedade de outros, e fica a certeza de que nenhuma posição está garantida… independentemente do maior ou menor poderio financeiro.

Raphael Guerreiro é um dos muitos portugueses que actuam no Championnat Fonte: Panoramic
Raphael Guerreiro é um dos muitos portugueses que actuam no Championnat
Fonte: Panoramic

PREVISÕES 

Campeão: Paris Saint-Germain

Melhor Jogador: Di Maria (Paris Saint-Germain)

Melhor Marcador: Guido Carrillo (AS Monaco)

Melhor Assistente: Di Maria (Paris Saint-Germain)

Jogador Revelação: Jean-Kévin Augustin (Paris Saint-Germain)

Foto de Capa: Panoramic

Vitória de Guimarães 1–4 SCR Altach: Sem Rui não houve Vitória…

liga europa

O Vitória de Guimarães sofreu hoje uma humilhante derrota em casa perante o SCR Altach, uma modesta equipa austríaca, que esta época se estreia nas competições europeias. Os vitorianos jogaram mal, de forma atabalhoada, e foram assim afastados prematuramente da Liga Europa.

Armando Evangelista montou uma equipa que me surpreendeu, em virtude de algumas das suas escolhas. A opção de Bruno Alves ao lado de Cafú, com Tozé no apoio a Henrique Dourado, mostrou falta de coragem num encontro em que o Vitória jogava perante os seus adeptos e em que precisava obrigatoriamente de marcar golos. Na minha opinião, teria muito mais lógica ter recuado Tozé, colocando, por exemplo, Santiago Montoya na posição atrás do ponta de lança. A entrada de Licá para o onze também me causou alguma estranheza, tendo em conta que no banco estava Ricardo Valente, um avançado que fez exibições de encher o olho na época passada e que é sempre um dos elementos mais mexidos, mais inconformados em campo.

Durante todo o jogo, poucas vezes o Vitória conseguiu desenvolver jogadas com início, meio e fim apropriados. Muitos passes falhados no início da construção, muito nervosismo dentro da equipa e ninguém que agarrasse no jogo e fizesse mexer o coletivo, como André André fazia na época passada. Os austríacos vieram com a estratégia bem montada, com uma equipa fechada, a procurar sempre o contra ataque e os lances de bola parada para tentar atingir a nau vimaranense. Num jogo em que o árbitro francês Antony Gautier também esteve mal, sendo muito “amigo” dos forasteiros, o Altach chegou ao 1-0 à passagem da meia hora de jogo. Após canto batido por Lienhart, Netzer aproveitou a passividade da defesa vimaranense e a péssima abordagem de Douglas ao lance, cabeceando à vontade para o primeiro da partida.

Sem Título
A defesa do Vitória esteve constantemente mal na partida.
Fonte: Facebook do SCR Altach

Ao intervalo, Armando Evangelista tentou corrigir o erro na constituição da equipa, colocando Otávio no lugar de Bruno Alves. Ainda assim, as esperanças dos minhotos esfumaram-se em três minutos: aos 59, Mahop aproveitou uma fífia de Alex e cruzou para um autogolo de Pedro Correia; pouco depois, Mahop voltou a causar estragos e assistiu Prokopic para o 3-0. Um resultado pesado e que causou a debandada de vários adeptos do estádio. Os que ficaram nas bancadas assobiaram e mostraram lenços brancos como se não houvesse amanhã.

Entretanto, aos 67 minutos, Tomané, com uma excelente cabeçada após cruzamento de Alex, reduziu a diferença e alimentou algumas (ténues) esperanças. Contudo, poucos minutos depois, Pedro Correia entrou “a varrer” sobre um adversário e foi expulso com vermelho direto. O que se seguiu (mais 20 minutos de jogo) foi penoso de ver, com o Vitória a tentar despejar bolas para a área austríaca, mas sem grandes efeitos práticos.

Para terminar, mais um golo do Altach, já no período de descontos, apontado por Lienhart na cara de Douglas. Este foi o toque final de uma noite horrível no D.Afonso Henriques.

O Vitória entrou mal e saiu apupado da Liga Europa, naquele que foi um péssimo começo de Armando Evangelista ao leme dos vitorianos.

A Figura:

Tomané – Escolho o avançado vimaranense porque foi o menos mau da equipa. Entrou bem, com garra, e tentando mexer com o jogo. Apontou um excelente golo de cabeça e esteve ainda perto de marcar outro. Ricardo Valente também merece destaque pela boa entrada no encontro. Ambos deveriam ter entrado mais cedo.

O Fora de Jogo:

Armando Evangelista – Tenho de colocar aqui o treinador do Vit.Guimarães, pela sua falta de engenho na abordagem a este encontro. O técnico devia ter arriscado mais no início do jogo. Além disso, preferiu Licá e Bruno Alves a Ricardo Valente e Montoya em decisões completamente incompreesíveis.

Foto de capa: Facebook do SCR Altach

IFK Gotemburgo 0-0 Belenenses: a maturidade superou a teoria

liga europa

O Belenenses está no playoff da Liga Europa. A equipa comandada por Sá Pinto foi à Suécia garantir a passagem para a próxima fase da competição, depois do empate sem golos frente ao IFK Gotemburgo. Com a vitória alcançada na semana passada por 2-1 no Estádio do Restelo, a equipa lisboeta consegue um importante apuramento.

A sabedoria futebolística diz-nos que “em equipa que ganha não se mexe”. Assim foi o pensamento de Sá Pinto, que não promoveu qualquer alteração no onze inicial que havia disputado a primeira mão desta 3.ª pré-eliminatória. O 4X2X3x1 continuou a ser o esquema tático preferencial, com André Sousa e Rúben Pinto a funcionarem sempre como verdadeiros tampões do jogo ofensivo sueco. No último terço do terreno, a função de Carlos Martins em procurar espaços para Sturgeon e Miguel Rosa era evidente, com Abel Camará a tentar explorar o jogo em profundidade. A estratégia de Sá Pinto era clara: sabia que o Gotemburgo ia entrar forte na partida e por isso não deixou de ordenar à sua equipa que baixasse linhas e procurasse uma proximidade entre os três setores. Desta forma, e apesar de a equipa sueca ter feito um primeiro quarto de hora de qualidade, a verdade é que o Belenenses nunca esteve verdadeiramente desconfortável em campo, tal era a solidez defensiva.

Para que isso tenha acontecido, em muito contribuiu a ação do bloco central da equipa do Restelo: para além da ação de contenção de André Sousa e Rúben Pinto, a experiência dos centrais Tonel e Gonçalo Brandão foi fulcral para que Ventura não tenha passado por grandes momentos de perigo junto da sua baliza. Aliás, na primeira parte, a melhor oportunidade acabou por ser da equipa portuguesa, com Sturgeon, aos 10 minutos, a aproveitar uma excelente assistência de Camará para provocar uma boa defesa ao guarda redes Alvbage. Até ao final do primeiro tempo, e apesar de o Gotemburgo ter tido mais bola e mais domínio territorial, foi mesmo o Belenenses a ter mais um lance de perigo, com André Sousa a rematar por cima da baliza contrária.

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O Gotemburgo desiludiu nos dois encontros
Fonte: Facebook IFK Gotemburg

O bom jogo posicional do Belenenses acabou por se estender na segunda parte. Ao contrário do que seria expectável, a equipa sueca não entrou de forma pressionante, o que fez com que o ritmo baixo com que a segunda parte se iniciou tenha sido perfeito para a estratégia belenense. Aliás, voltou a pertencer à equipa de Sá Pinto a primeira oportunidade de golo da segunda parte, com Miguel Rosa, de cabeça, a desperdiçar um excelente cruzamento do lateral direito João Amorim. Esse acabou por ser o lance que acordou a equipa do Gotemburgo, que a partir dos 60 minutos cresceu no encontro. Mais forte, mais pressionante e mais rápida sobre a bola, a equipa sueca empurrou completamente o Belenenses para a sua zona defensiva no último terço do encontro. Apesar de apenas Ankersen, aos 60 minutos, ter estado perto de fazer o golo para o Gotemburgo (o remate foi defendido por Ventura para o poste), a verdade é que a equipa portuguesa passou por alguns sustos fruto da forte pressão que sofria da equipa que lidera o campeonato sueco.

Nesse momento, o técnico português acabou por ter um papel determinante, pois teve uma visão perfeita do que estava a acontecer em campo. Fruto do balanceamento ofensivo adversário, o ex-internacional português decidiu lançar Dálcio para o lugar de Miguel Rosa, procurando com isso ganhar mais velocidade nas saídas para os contra ataques. É caso para dizer que a substituição deu um tremendo resultado, tendo em conta a influência que o jovem jogador teve na segunda parte. De quando em vez, o Belenenses foi saindo em transição, e, com isso, a equipa do Gotemburgo acabou por ficar algo receosa. Os últimos minutos do encontro trouxeram um Belenenses inteligente em campo, fazendo da gestão dos ritmos de jogo uma toada que procurou manter até ao final do encontro. O empate a zero foi mais do que suficiente e, fruto de uma estratégia sólida e eficaz, a equipa portuguesa acaba por se apurar com toda a justiça para o playoff da Liga Europa. Defrontando um adversário mais rodado nesta fase da temporada e cujo favoritismo era claro à partida para a eliminatória, o Belenenses usou das suas armas e fez da inteligência tática a chave decisiva para abrir o cofre de acesso à segunda prova mais importante de clubes na Europa. Agora, falta apenas o playoff para que o sonho se torne realidade e o Belém volte ao convívio com os grandes da Europa. Pelo que se viu frente ao Gotemburgo, é caso para dizer que o Belenenses tem tudo para ser feliz. Basta usar a inteligência tática para que o apuramento seja uma realidade.

 

Figura do Jogo: Inteligência tática do Belenenses – Apesar da maior rodagem competitiva do adversário, a verdade é que foi pela inteligência que esta eliminatória se resolveu. Conhecendo as suas fragilidades, o Belenenses acaba por fazer dois excelentes encontros e passar de forma justíssima ao playoff da Liga Europa.

Fora do Jogo: Previsibilidade do Gotemburgo – Se a primeira mão tinha demonstrado uma equipa sueca bastante limitada, então o segundo encontro da eliminatória ainda foi pior. Mesmo atuando em sua casa, a verdade é que a equipa sueca raramente incomodou Ventura, demonstrando uma previsibilidade incompreensível a nível ofensivo. A eliminação é natural tendo em conta dois jogos tão fracos.

Vitória de Magalhães… e de Fontes

Sem o brilho de outros tempos, Bruno Magalhães venceu o Rali da Madeira de 2015. A edição 56 do mais emblemático rali de asfalto português já não tem a notoriedade de outros tempos; a crise assim ditou, e aquela por muitos considerada a melhor prova de asfalto da Europa agora conta para uma segunda competição europeia (ERT), que pouco ou nenhum interesse gera entre o público, pilotos e imprensa. A maior prova disto é a lista de inscritos. Nos dois anos em que contou para esta competição apenas um (1!) piloto estrangeiro (Robert Consani) apareceu na ilha e a “reboque” do seu colega de equipa Bruno Magalhães e, neste caso em específico, do madeirense Alexandre Camacho.

Com uma aposta grande por parte de dois dos pilotos madeirenses mais em conta neste momento – falo, claro, do campeão regional de 2014, Miguel Nunes, que apesar de estar parado este ano alugou um Fiesta R5 à equipa de João Barros, e do já mencionado Alexandre Camacho, que alugou um DS3 R5 à Delta Rallye – Bruno Magalhães aparecia no Vinho Madeira como principal favorito e a tentar entrar no lote de recordistas de vencedores da prova, que antes do seu início contava com três pilotos (Américo Nunes, Giandomenico Basso e Andrea Aghini), o que conseguiu.

Nas contas para o nacional apareciam a encabeçar a lista Ricardo Moura e José Pedro Fontes, mas com a forte companhia de Pedro Meireles e João Barros, numa prova que tinha tudo para ser decisiva nas contas do CNR devido aos 0,5 pontos dados ao vencedor de cada especial.

A prova foi sempre emotiva e nunca existiu um líder muito destacado, sendo que a diferença entre primeiro e terceiro foi de apenas 7,1 segundos. Magalhães mostrou que conhece muito bem o terreno e mereceu a vitória por ser o mais consistente, sendo que Miguel Nunes mostrou que não é preciso muito tempo com um carro para se tirar muito rendimento do mesmo. Os 5,4 segundos de diferença entre os dois levam a pensar que se o madeirense não tivesse parado este ano e com um maior conhecimento do carro teria ganhado a prova. A fechar o pódio ficou José Pedro Fontes, que deu um passo de gigante ao ser primeiro do nacional e ao vencer 18 dos 19 troços, ganhando assim 34 pontos. Alexandre Camacho terminou em quarto mas chegou a liderar a prova, mas um furo impediu-o de lutar pela vitória.

O nacional, como já escrevi, foi ganho por Fontes, e este deu um passo muito grande para o título, isto porque Ricardo Moura teve um forte acidente a duas especiais do fim, quando estava em terceiro, e saiu da Madeira apenas com 0,5 pontos, perdendo assim a liderança do CNR. Em segundo ficou João Barros, que mostrou uma boa velocidade na prova madeirense. Elias Barros foi um surpreendente terceiro classificado depois de Pedro Meireles e Carlos Martins também terem desistido.

Assim ficou o carro de Ricardo Moura Fonte: Facebook da Antena 3 Madeira
Assim ficou o carro de Ricardo Moura
Fonte: Facebook da Antena 3 Madeira

Focando agora nas contas gerais do CNR, é fácil perceber duas coisas: Moura é o melhor piloto do nacional em terra e José Pedro Fontes o melhor em asfalto. Apesar disso, ambos vão com três vitórias nas seis provas até agora disputadas. Moura ganhou as duas de terra e uma de asfalto, Fontes três em asfalto. Numa altura em que faltam duas provas, uma em terra e a outra ainda não se sabe em que superfície, Moura parte com alguma vantagem a nível de candidatura a estas provas, mas o certo é que Fontes vai com 16 pontos de vantagem e não vai ser fácil recuperá-los. Depois é ainda preciso ver os valores dos estragos do carro de Moura, pois pode condicionar o futuro do campeonato.

Concluo falando novamente da situação do Rali Vinho da Madeira. Uma prova desta qualidade e com esta história merece mais do que o que é actualmente e, como tal, poderia ser feito um acordo entre os Açores e a Madeira para as suas provas irem rodando no ERC, como existe por exemplo entre Austrália e Nova Zelândia no WRC. Sei que tal acordo é quase impossível de acontecer mas, se não se tentar, então é que ele não acontece.

Foto de capa: Facebook da Antena 3 Madeira

Olheiro BnR – Bilal Ould-Chikh

olheiro bnr

Rotulado de um dos mais promissores futebolistas da Eredivisie holandesa, Bilal Ould-Chikh é o mais recente reforço do Benfica, surgindo no Estádio da Luz como um diamante para ser calmamente lapidado pela estrutura técnica encarnada.

Tendo ascendência marroquina, a verdade é que este jovem futebolista já nasceu nos Países Baixos, em Roosendaal, a 28 de Julho de 1997, sendo inclusivamente internacional pela Holanda nos escalões de sub-15, sub-17 e sub-19.

Estreou-se profissionalmente aos 16 anos

Verdadeiro prodígio do futebol “laranja”,  Bilal Ould-Chikh estreou-se  cedo no futebol sénior, mais concretamente a 3 de Maio de 2014, numa igualdade entre o Twente e o Zwolle (2-2), isto numa altura em que contava apenas com 16 anos de idade.

Já na actual campanha, apresentando 17 anos no bilhete de identidade, o internacional sub-19 holandês ganhou mesmo algum espaço na principal equipa do Twente, somando já 18 jogos e um golo pelo emblema de Enschede.

Bilal Ould-Chikh fez todo o percurso pelas selecções jovens holandesas  Fonte: Bongarts Sportfotografie
Bilal Ould-Chikh fez todo o percurso pelas selecções jovens holandesas
Fonte: Bongarts Sportfotografie

Potencial gigantesco

Bilal Ould-Chikh é um extremo que pode actuar em qualquer um dos flancos, ainda que seja preferível colocá-lo no lado direito do ataque, uma vez que se trata de um futebolista esquerdino, mas que privilegia bastante os movimentos interiores na procura de zonas centrais. Nisso, aliás, lembra a espaços Gaitán ou Simão Sabrosa.

Como principais pontos fortes do jovem holandês podemos destacar a sua velocidade, explosão, técnica individual, meia-distância e capacidade de drible, características que fazem dele um jogador fortíssimo em lances de um contra um e com potencial para ser um extremo de classe mundial.

Para ter condições de atingir esse patamar, ainda assim, existem naturalmente aspectos em que terá de evoluir, nomeadamente ao nível da tomada de decisão, que nem sempre é a mais acertada, assim como no posicionamento e na excessiva confiança com que aborda alguns lances. Ainda assim, estas são lacunas perfeitamente expectáveis num jovem de apenas 17 anos e que certamente serão corrigidas com um bom acompanhamento e, também, com a maior maturidade mental e competitiva que o próprio atleta irá ganhar.

 

Foto de Capa: Facebook de Bilal Ould-Chikh

Volta a Portugal’2015: Senhora da Graça seleciona, Torre definirá?

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Cabec¦ºalho ciclismo

Passados mais três dias da Volta a Portugal em bicicleta, a dupla Gustavo Veloso e Délio Fernandez, da W52-Quinta da Lixa, cimentou ainda mais a sua posição no pódio, e a vitória está cada vez mais perto de ir para um deles.

A terceira etapa trouxe-nos uma típica chegada ao sprint mas onde todo o cuidado era pouco, visto que, ainda assim, não era um final muito fácil. Para além da vitória indiscutível do melhor sprinter nesta competição, Davide Vigano, é preciso destacar o facto de Gustavo Veloso estar a tentar aproveitar quase todas as oportunidades para conseguir as conhecidas bonificações (não vá acontecer algo menos bom na Torre). Fez 2.º lugar nesta etapa, inclusive à frente de um puro sprinter como Manuel Cardoso, que também esteve muito bem e apareceu pela primeira vez em bom plano nesta Volta a Portugal. Nota para mais um top5 por parte de José Gonçalves e a presença de alguns favoritos à geral nos melhores da jornada, visto que esta era uma etapa que se previa que fosse a um sprint compacto entre os especialistas dessa modalidade, mas a verdade é que o final não era “amigável”.

Apenas um aparte: neste dia, também houve a Clásica de San Sebastian, e há que destacar que Adam Yates a venceu de forma espetacular. Fez um grande ataque, esteve muito bem na descida e conseguiu controlar tudo da melhor forma até ao fim, sendo que, ao passar a meta, nem sabia que tinha ganhado. Incrível. Pelos vistos, houve alguma falha de comunicação, e o irmão gémeo de Simon Yates não se apercebeu de que era mesmo o primeiro a cruzar a meta. É de notar o pódio de Gilbert e Valverde em mais uma clássica. O belga volta aos grandes resultados, e o espanhol mostra que continua com a boa forma do Tour – será muito importante para a Vuelta que assim seja. Em relação ao top10, tem de haver um destaque para a presença de Alaphilippe – é realmente das maiores promessas do ciclismo (o mesmo se pode dizer do próprio Yates, que venceu, e do seu irmão gémeo, e isto só referente a esta corrida em específico, porque existem mais alguns de que já falei e que irão animar o ciclismo nos bons próximos anos – um deles, Caleb Ewan, fez ontem 2.º lugar na Volta à Polónia, apenas atrás do consagrado Marcel Kittel).

Voltando à nossa Volta, à quarta etapa chega-nos a mítica subida à Senhora da Graça, e temos, até agora, o dia mais espetacular da nossa corrida. Os ciclistas e a própria etapa não desiludiram e, não fosse a prova ser menos reconhecida do que muitas outras, poderíamos ter aqui uma das melhores vitórias deste ano por parte de Filipe Cardoso, o grande vencedor do dia (claro que para nós será uma das melhores, mas em termos internacionais provavelmente terá pouco impacto). O “Sagan português” esteve na fuga do dia, fez uma excelente descida – mostrou imensa técnica (outra semelhança para com o próprio Sagan) – e conseguiu tirar proveito disso para ganhar a vantagem suficiente para encarar a dificílima subida da melhor forma.

No quilómetro final, ainda era possível acreditar na vitória de Filipe Cardoso, apesar de os principais favoritos estarem a poucos segundos do português. Os metros finais vieram provar-se muito emocionantes, visto que, de entre os homens da geral, Joni Brandão (companheiro de Filipe) ataca – talvez mais para conseguir as bonificações e, também, caso Filipe não aguentasse, tentar a vitória na etapa. A verdade é que Filipe aguentou e deu o tudo por tudo para vencer. Muito bom, o gesto de Joni, dado que se assegurou de que não ultrapassava o seu colega e não lhe tirava uma justíssima vitória. Um sprinter/puncher a vencer na mítica subida à Senhora da Graça é algo para recordar nos “livros” do ciclismo português e, claro, para o próprio Filipe Cardoso. Esse dia serviu, igualmente, para comprovar que a W52-Quinta da Lixa (aproveitando as comparações, a “Sky portuguesa”) é mesmo a equipa mais forte da nossa Volta.

O momento final de uma vitória que Filipe Cardoso certamente nunca esquecerá Fonte: Facebook da Volta a Portugal
O momento final de uma vitória que Filipe Cardoso certamente nunca esquecerá. Fonte: Facebook da Volta a Portugal

Gustavo Veloso voltou a estar bem e manteve o seu 1.º lugar; Alejandro Marque esteve melhor; Amaro Antunes voltou a fazer uma grande etapa (achava que seria Hernâni Broco a estar melhor, mas Amaro tem mostrado ser quem está mais em forma dos dois líderes da LA Antarte); Ricardo Vilela continua na discussão por um dos melhores lugares na nossa Volta, sendo que Rui Sousa (costuma estar muito melhor na etapa da Torre) e principalmente Ricardo Mestre poderiam ter feito melhor. O português da Tavira ainda tem todas as condições para terminar no top10, mas um pódio e essencialmente uma vitória estarão praticamente fora do alcance dele – por muito bom CR que possa fazer na penúltima etapa. Além disto, não podemos esquecer o trabalho muito bom de António Carvalho em prol dos seus líderes e o facto de ainda ter conseguido terminar no top10, bem como mais uma excelente prestação do Délio Fernandez. Se Veloso se mostrar menos forte, por exemplo, na etapa da Torre, acredito que Délio não terá problemas em atacar e ficar com o 1.º lugar (a vitória estaria à mesma na equipa da W52-Quinta da Lixa; provavelmente Gustavo Veloso conseguiria na mesma um lugar no pódio, e o facto de o próprio camisola amarela ter ganhado no ano passado poderá tornar-se numa vantagem para Délio, se alguma situação menos boa ocorrer).

Por fim, a quinta etapa teve um final digno da clássica Paris-Roubaix. Foram três quilómetros de piso empedrado e onde José Gonçalves pôde finalmente levantar os braços e festejar uma justa vitória, de quem tanto tem tentado animar a nossa Volta e vencer exatamente uma etapa. O português parece estar mesmo “a fazer pela vida” para ir à Vuelta (tal como o seu companheiro Ricardo Vilela) com a Caja Rural. Délio Fernandez voltou a estar perto da vitória, mas perdeu no sprint para José. Ainda assim, tanto ele como Gustavo conseguiram, novamente, segundos de bonificação.

Até agora, dá para perceber que o top5 final irá contar (além dos dois espanhóis), provavelmente, com Joni Brandão – cada vez mais parece que irá ser o melhor português desta Volta a Portugal – e Alejandro Marque (sendo que o espanhol ainda recuperará, em princípio, muito do tempo no tal contrarrelógio). O último elemento deste top5 será difícil de dizer, visto que ainda existem alguns ciclistas a lutar por isso, mas, neste momento, o já referido Amaro Antunes é o melhor colocado para tal.

Por fim, destaco mais uma entrada na fuga do espanhol Alberto Gallego e, desta vez, apesar de não ter vencido, conseguiu o prémio da combatividade. Curiosamente, amanhã poderá ser mesmo uma etapa para a fuga vingar; veremos. A verdade é que metade da Volta a Portugal já foi cumprida (o dia de descanso é na Quarta) e, na Quinta, poderemos vir a ter, no final da etapa, muito da Volta definido na subida a Seia, a mítica etapa da Torre.

Foto de capa: Facebook da Volta a Portugal

Os Iludidos

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Não importa a altura, mas é quase inevitável, numa vida humana com mais de década e meia, chegar-se a um momento em que se sente falta da idade da ingenuidade, onde os problemas se resolviam de forma simples e ainda não havia coisas complicadas como dilemas éticos. Nessa altura, tinha-se a vida pela frente, e a muitos de nós era augurado um futuro brilhante, fosse qual fosse a carreira… porque, garantiam-nos com um sorriso desafiador e um olhar indutor de sonhos, podíamos ser tudo.

Crescemos a acreditar nisso. Damos passos nesse sentido, embalados pela segurança de uma vida futura onde não se conhece a amargura… até ela aparecer e mostrar-nos que a vida não é assim. Que somos promessas, de facto, mas que podemos nem sequer passar disso. Aliás, há grandes probabilidades de isso acontecer, porque, ao mesmo tempo que sonhávamos, outros milhares de crianças sonhavam o mesmo. Uns lidam bem com o fracasso ou a falta de sorte e crescem com isso; outros não e ficam sempre aquém daquilo que se esperava deles porque não conceberam um futuro diferente daquele que, em miúdos, idealizaram.

Isto também acontece dentro dos relvados de futebol. No início de uma carreira sénior, são colocadas expectativas relativamente ao futuro do jogador; os primeiros jogos são disputados com uma entrega imensa, de olho num legado ímpar entre os grandes, pois o percurso acaba de começar e o resto da estrada da glória está por percorrer. O jogador pode ser tudo, garantem-lhe, não só os círculos próximos como as capas (ou as gordas do rescaldo do jogo de uma equipa mais pequena) dos jornais.

Depois, quando se agarra um lugar, surge um passe menos conseguido, a confiança baixa e a exibição já não tem honras de destaque. A partir daí pode-se lutar e provar que foi só um desempenho abaixo do potencial, ou simplesmente achar-se que este não era tão alto quanto se esperaria, conforme é “provado” pelo acumular de erros que se segue, caindo-se numa espiral depressiva da qual só se sai quando já não há mais a nada a “ser” para além do que se é. Aí, atinge-se a estabilidade necessária para se jogar o talento que, definitivamente, está dentro do jogador em questão.

Pato é bom exemplo de um jogador que teve a ilusão como obstáculo na sua carreira Fonte: Facebook do São Paulo
Pato é bom exemplo de um jogador que teve a ilusão como obstáculo na sua carreira
Fonte: Facebook do São Paulo

Tivemos ilustrações precisas disso mesmo durante a semana passada nas exibições de Alexandre Pato e Carlos Martins.

O primeiro foi uma promessa do futebol brasileiro, depois de impressionar ao serviço do Internacional. Foi transferido para o Milan com apenas 17 anos e era-lhe augurado um futuro enorme. Deu tudo nos primeiros tempos e conseguiu ter sucesso em Itália, mas aos poucos foi-lhe sendo retirado espaço, atiraram-no para posições menos condizentes com as suas características, e eclipsou-se. Voltou ao Brasil e tardou em mostrar todo o futebol que prometia nos tempos do Internacional. Este ano, porém, parece ter-se conformado com o facto de que o trabalho tem de estar à frente da ilusão e que não vale a pena ouvir outras pessoas para além do seu treinador, e, para ajudar, foi colocado para posições onde rende mais (seja partindo desde um flanco ou jogando ao lado, e não atrás, de outro avançado). Na semana passada marcou o golo da vitória do São Paulo diante do Cruzeiro e ainda fez o golo de honra no jogo com o Atlético de Minas Gerais.

O segundo foi uma esperança do futebol nacional. Foi formado no Sporting, nunca vingou (fosse por lesões ou por opção) e rumou ao estrangeiro, onde melhorou as suas performances, regressando, depois, ao futebol nacional pela porta de outro grande. No Benfica começou a bom nível, carregando aos ombros o peso de ser encarado por Rui Costa como um “sucessor natural” do mago português, mas foi sendo relegado para segundo plano, e assim continuou. Desceu à equipa B e só o ano passado voltou a competir “a sério”. Este ano, partindo sem ilusões e com noção do seu talento, abriu a temporada da melhor maneira. O agora “seu” Belenenses entrou a vencer na 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa com dois golaços da sua autoria, que alimentam de esperança os azuis do Restelo rumo ao playoff.

Um dia prometeram muito, mas não corresponderam às expectativas que tanto eles como os outros tinham neles depositadas. Vários anos das respectivas carreiras foram passados a lamentar aquilo que achavam que iam ser mas não eram… Até se aperceberem de que, fossem o que fossem, deviam jogar sem se preocuparem em ser o que era “suposto” serem. Nunca esteve escrito nas estrelas, só nos seus pés. É uma questão de os pôr no chão e olhar, como gente humilde, para baixo.

 Foto de capa: Facebook oficial do Benfica

Di María: o Mr. Millions

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Ángel Di María é, como todos sabemos, um astro do futebol mundial. Detentor de um virtuoso pé esquerdo, faz as delícias dos amantes de futebol com os seus dribles diabólicos e arrancadas poderosas. É, sem dúvida, um dos nomes mais sonantes da história recente do futebol internacional.

Quando Di María chegou ao Benfica, era um menino com um enormíssimo talento mas pouco ritmo. Pouco trabalho de equipa. Pouco “um por todos e todos por um”. Talvez tenha sido isso que lhe garantiu aquele histórico primeiro hat-trick frente ao Leixões; fez capa de todos os diários desportivos e foi apelidado de “Tri” María. Quando saiu, era um jogador completo: jogava junto à linha mas puxava ao meio para trazer o lateral adversário consigo, tinha uma visão de jogo invejável, raramente falhava o passe e era o melhor braço-direito de um ponta-de-lança. Ainda assim, mantinha a rebeldia nos pés irrequietos que o fazia ganhar todas as situações de “um para um”.

O argentino custou 8 milhões ao Benfica. 36 ao Real Madrid. E foi no clube espanhol que viveu o ponto alto da sua carreira (so far). Mourinho fê-lo trabalhar bastante para melhorar o seu aspecto defensivo. Ancelotti fez dele um playmaker criativo, explosivo, ágil e perigoso. Di María carregou a equipa às costas na final da Champions que viria a ganhar, em 2014, e mostrava-se numa forma física galopante. Mas os desentendimentos contratuais precipitaram a saída e o consequente término do que poderia ter sido uma ligação mais longa, mais bonita e com mais frutos.

A dupla Di María/Falcao defraudou todas as expectativas  Fonte: Facebook do Manchester United
A dupla Di María/Falcao defraudou todas as expectativas
Fonte: Facebook do Manchester United

Mais um clube, mais milhões. 75, rumo ao Manchester United. Valor record na Premier League. E se a dupla Di María/Falcao fez muitos red devils sonhar, a história depressa se incumbiu de os decepcionar. A última época foi um deserto de concretizações para o argentino, o colombiano e o próprio United. O futebol é realmente um desporto ímpar: em duas épocas, separadas apenas pelos meses de Verão, Di María passou rapidamente de bestial a besta. Se no ano 2013/2014 havia sido um dos jogadores mais elogiados pela crítica, pretendido pelos gigantes europeus e responsável pelas melhores jogadas do defeso, no ano seguinte seria o “flop da época”, “uma das piores contratações do United”, “dinheiro atirado à rua”. Quem o disse foram os jornais britânicos, que depressa se apressaram a fazer artigos e mais artigos sobre a desilusão que foi o argentino.

Já nesta pré-época, Di María falhou a partida da equipa de Manchester para o estágio nos Estados Unidos. Louis Van Gaal respondeu que não sabia o porquê de o argentino não ter embarcado. Muito se especulou a partir daí e, segundo asseguram as notícias, Di María fará exames médicos no PSG nas próximas 24 horas. E, claro, com a transferência, mais milhões. Estima-se que o Manchester United terá aceitado uma proposta de mais de 63 milhões de euros pelo avançado.

Ángel Di María é um dos jogadores que mais dinheiro tem movimentado nos últimos anos. Com apenas 27 anos, o argentino já mexeu uma soma que ronda os 182 milhões de euros. Acho que todos sabemos que este homem dotado de um talento imensurável merece tanto aparato; se é digno, ou não, de tanto dinheiro, estamos aqui para ver. Anseio por ver Di María na equipa de Paris.

Foto de Capa: Football Daily