Para quem segue habitualmente a Taça das Nações Africanas, a edição de 2015 está a deixá-los, certamente, desiludidos. Infelizmente, até agora os pontos positivos são muito poucos. O rescaldo da fase de grupos é decepcionante. Pouca qualidade individual e colectiva, pouca ambição pela vitória e, pior do que tudo, pouca fantasia africana.
Começando pelos jogadores, os melhores estiveram muito abaixo das expectativas criadas. As “estrelas” não brilharam, não desequilibraram nem fizeram a diferença como se esperava. Em especial Pitroipa, Mayuka, Papiss Cissé, Pierre Aubameyang e Aboubakar manifestaram um futebol bastante aquém do que já mostraram nos seus clubes e ao serviço das suas selecções, estando já a caminho dos seus clubes, devido à sua eliminação precoce. São jogadores de categoria superior, mas que neste torneio se resumiram quase à mediocridade. Uma pena para a qualidade geral da competição.
Em relação à falta de qualidade colectiva de jogo, julga-se que os treinadores tiveram um papel importante para tais exibições. A valorização do resultado impôs-se sobre o prazer da participação. Os modelos de jogo apresentados basearam a sua estratégia na não-derrota, isto é, a sua preocupação incidiu numa sólida e concentrada organização defensiva, em detrimento de comportamentos ofensivos ambiciosos, dinâmicos e criativos.
O facto de os treinadores europeus desejarem adaptar, com cada vez mais força, a dimensão táctico-estratégica presente nos clubes/selecções europeus, puramente descontextualizada da realidade africana, contribuiu para a existência de uma monótona e desinteressante primeira fase da competição.
Com isso, o que mais custou ver até agora foi a ausência de momentos “mágicos” a que o futebol africano nos tem habituado: cortes de pontapé de bicicleta na grande área; fintas de videojogos; golos acrobáticos; festejos originais; rituais de bruxaria. Já nada parece ser como dantes…
A qualidade de jogo da CAN tem sido muito pobre Fonte: Facebook da CAN’2015
Mas nem tudo foi negativo. O facto de os mais fracos terem conseguido surpreender os mais fortes é algo que se deve valorizar. Os Congos e as Guinés estariam no pote dos “últimos” nas opiniões dos analistas. Contudo, e pondo de parte a situação da Guiné-Conacri – das mais insólitas da história do futebol, já que passou aos quartos-de-final no desempate por sorteio, eliminando o Mali – foram autênticas surpresas as suas superações perante os seus adversários. Pena que o meio para alcançar a passagem para os quartos-de-final nem sempre tenha sido o mais interessante por parte dessas equipas, com qualidade de jogo muito limitada.
Outro destaque positivo foi a abordagem ao jogo por parte da África do Sul. O seu modelo de jogo dinâmico, criativo e solidário merecia outro desfecho. Pareceu que houve alguma falta de capacidade em lidar com as adversidades que o jogo impunha, causando-lhes duas derrotas e um empate, mas até elas aparecerem foi sem dúvida a equipa que mais espectáculo proporcionou aos espectadores.
Em termos individuais, três jogadores merecem destaque. A opinião é subjectiva, como é óbvio, mas, se a CAN’2015 acabasse agora, Dean Furman, Jamel Saihi e Serge Aurier eram os principais candidatos ao prémio de Melhor Jogador: Dean Furman, do Doncaster, é o capitão da África do Sul e é um médio-centro de 26 anos, com escola britânica, que não pára quieto durante todo o jogo e que ataca tão bem como defende; Jamel Saihi é também um médio-centro, nascido e criado biológica e futebolisticamente em Montpellier, tem 28 anos e parece ser o jogador tunisino com maior eficácia de comportamentos, tendo revelado um excelente toque de bola e sentido posicional; Serge Aurier tem 22 anos, joga no PSG e consagra-se cada vez mais como um dos melhores laterais de África – não conseguindo ainda o mesmo papel na Europa, apesar de se adivinhar um futuro fantástico a fazer todo o corredor direito da sua equipa.
Com tantas notas negativas e tão poucas positivas, o rescaldo da primeira parte da competição não poderia ser bom. A CAN’2015 oficialmente ainda vai a meio, mas a verdade é que para muitos dos fanáticos pelo futebol africano o desejo é que venha a edição de 2017!
Já são conhecidos os dois finalistas da 24ª edição do Campeonato do Mundo de Andebol. A França eliminou a detentora do troféu, a Espanha, vencendo por 26-22 e vai assim defrontar o Qatar na final de domingo. Numa partida marcada pelo equilíbrio, a diferença de quatro golos no resultado final não reflete o esforço feito pela seleção espanhola que, mesmo perante uma equipa com maior qualidade coletiva, se bateu praticamente até ao fim por uma presença na final.
O começo do jogo ficou marcado por sucessivas igualdades no marcador. O primeiro golo da Espanha foi marcado por Joan Cañellas. O jogador do Kiel viria a apontar também o terceiro golo, mas o seu rendimento foi baixando ao longo da partida, acabando com uma fraca eficácia de 42% (5 golos em 12 remates). O débil sistema defensivo da equipa espanhola (um 6-0 pouco agressivo), começou a falhar quando entrou em campo o central Nikola Karabatic (3 golos), que fez provavelmente uma das melhores exibições da carreira. Se com Daniel Narcisse a defesa espanhola abanava mas não caía, a entrada do jogador do Barcelona deu nova dinâmica às trocas posicionais no ataque gaulês mas sobretudo ajudou a dar consistência à defesa em 5-1- consistência essa que foi a peça-chave para a vitória. A rapidez com os jogadores de França saíam na pressão ao portador da bola, por vezes com mais do que um elemento (fantástica entreajuda), foi determinante para a forma precipitada e desastrada como terminaram muitos dos ataques dos adversários, o que levou a que no final Espanha acabasse com uma paupérrima eficácia de apenas 41%.
Destaque, numa primeira parte que terminou com uma vantagem de 18-14 a favor de França, para a exibição do ponta esquerdo Valero Rivera (3 golos em 5 remates, 60% de eficácia) e do seu colega de setor da ponta direita Albert Rocas (2 golos em 3 remates, 67%). Do lado dos franceses, é impossível não sublinhar a prestação do veterano Michael Guigou (4 golos no primeiro tempo, eficácia global de 100%), que, aos 33 anos, dá indicações que este não será o último mundial em que participa com a camisola da França.
Thierry Omeyer, o guarda redes francês, foi decisivo na qualificação para a final
Os segundos 30 minutos foram bem menos produtivos do que os primeiros (foram marcados apenas 16 golos, metade em relação à primeira parte). A seleção francesa aumentou o pragmatismo, estendendo os períodos em ataque organizado. Mas a estratégia, claramente encomendada por Claude Onesta ao intervalo, e que desvirtuava o habitual ímpeto ofensivo dos gauleses, correu mal. Apesar de a defesa continuar sólida e a retirar espaço às incursões espanholas aos 9 metros, o ataque tornou-se demasiado suave e, a 10 minutos do fim, a equipa espanhola relançava a luta pela vitória, fazendo o 21-20. Para esta aproximação muito contribuiu o lado esquerdo do ataque que, quer com Valero Rivera quer com Cristian Ugalde (5 golos em 6 remates, 83%), foi sempre o setor onde a “muralha” defensiva francesa esteve menos estável.
Quando o cenário anímico parecia estar a mudar, com os espanhóis a ganharem ânimo com a recuperação, eis que se evidencia o guarda redes frânces Thierry Omeyer. O experiente guardião de 38 anos defendeu 20 dos 42 remates que se dirigiram para a sua baliza, o que perfaz um índice de eficácia de 48%! Olhando mais em pormenor, Omeyer, dono de uma flexibilidade e rapidez de movimentos fora do comum, defendeu 67% dos remates a 6 metros (4 em 7), 64% dos remates a 9 metros e parou ainda 4 dos 6 livres de 7 metros de que dispôs a seleção espanhola. Foi, por isso, decisivo para o avolumar do resultado na reta final.
De destacar também o sempre esforçado pivô francês Cédric Sorhaindo, que terminou o jogo com 4 golos em 6 tentativas e que continua a manter segura a titularidade numa posição onde a sua seleção apresenta mais carência de alternativas viáveis.
Está, assim, aberto o caminho para França juntar o troféu de campeã do Mundo aos títulos de campeã da Europa e vencedora dos últimos Jogos Olímpicos.
A uma exibição conseguida por parte dos comandados de Lopetegui no último jogo (a fazer “esquecer” o desaire na Madeira, diante do Marítimo) deu para tudo: rotação da equipa; golo monstruoso de Jackson (estilo Ibrahimovic), que fez o colombiano passar outra lenda dos dragões (Hulk) e tornar-se o melhor marcador do Estádio do Dragão, o forte do FC do Porto; jogo muito conseguido de Campaña, que demonstra estar pronto para qualquer ocasião; passes absolutamente “à Xavi” do jovem Rúben Neves; e, mais importante que tudo, estreia a marcar do jovem… Gonçalo. Digo Gonçalo pois, sendo ele filho de um ex-enorme avançado do FC Porto e da selecção de todos nós, não quero que cresça com o mediatismo de ser filho de quem é. É apenas o Gonçalo, um jovem sonhador, trabalhador, lutador e com faro para o golo. Uma estreia de sonho na casa onde sempre ambicionou jogar (apenas tinha entrado em campo na Pedreira e nos Barreiros): construiu o golo com uma fantástica finta e ainda esteve na origem do penalty que deu o golo a Evandro.
Posto isto, com Aboubakar a voltar da CAN depois da fraca prestação da selecção camaronesa teremos um FC Porto com três opções de ataque ou voltará Gonçalo à base da equipa B, onde era figura de destaque?
Ambos os cenários são possíveis e provocarão leituras distintas: ficar no plantel seria uma clara aposta na formação e no jovem português, ao passo que voltar para a equipa secundária lhe daria os minutos que com certeza não terá na equipa principal. Pessoalmente, e isto porque me parece que Aboubakar é um jogador essencialmente de contra-ataque, gostaria de ter no banco uma alternativa mais consistente a Jackson, para jogos em que precisamos de fazer o “chuveirinho” na área nos derradeiros minutos. Não sei o que vai na cabeça do meu treinador, mas espero que seja algo que vise o crescimento, a potencialização e a utilização da nova coqueluche do plantel azul e branco. Se existe algo que não se pode apontar ao timoneiro dos dragões é a “não aposta” em jovens da cantera: depois de Rúben Neves no início da época, foi agora a vez de Gonçalo. Dois jogadores numa época a “saltarem” directamente para a equipa principal é uma novidade no reino azul e branco, e nem me lembro quando foi a última vez que tal sucedeu. Se for assim todos os anos, ter academias e gastar rios de dinheiro na formação passa a ter sentido.
Festejo à Paciência no primeiro golo de Gonçalo pela equipa principal Fonte: Facebook do FC Porto
Gonçalo parece-me ser um avançado móvel, inteligente sem bola, de fino recorte técnico, possante e de fácil finalização, algo em tudo semelhante a… Jackson. Estará Lopetegui a “cozinhar” um sucessor para o colombiano, iminentemente de saída neste verão? O tempo o dirá, mas espero que tanto Gonçalo como o jovem André Silva (que ainda está na equipa B) sejam fortes apostas para um futuro que, com craques como Podstawski, Ivo Rodrigues, Kayembe ou Mikel, só pode ser sorridente.
De resto, a um dia do término da janela de transferências, não espero ver nenhuma saída de última hora das principais peças do plantel ao dispor do técnico espanhol e, por outro lado, gostaria de ver entrar um defesa direito e um extremo, embora não me pareça que os portistas estejam “virados” para isso.
Para terminar, deixo uma nota a todos os “cabeludos” que tentaram denegrir e fazer paródia do meu texto e da minha pessoa na semana passada: fico contente que leiam e divulguem as minhas publicações; significa que chegou aonde queria – a cabeludos, carecas e poupas. Não retiro uma vírgula ao que escrevi no texto anterior e a propagação do texto em blogs e redes sociais logicamente imparciais só me dá ainda mais certezas daquilo que escrevi. Continuem a fazer “funerais antecipados” ao Porto, que no final fazemos as contas! Um abraço a todos.
O Qatar carimbou esta sexta-feira o acesso à final do Campeonato do Mundo de Andebol batendo a Polónia por 31-29, tornando-se assim a primeira equipa asiática a marcar presença na final de um torneio como este. Depois da surpreendente vitória sobre a Alemanha, os qataris encontraram a Polónia na meia-final naquele que foi um jogo extremamente bem disputado, onde se destaca pela positiva a atitude guerreira e combativa (já normal) dos atletas polacos, assim como uma frieza e uma grande organização por parte da equipa do Qatar.
A formação polaca entrou em campo defendendo num sistema em linha 6-0, onde o jogo para o pivô foi bastante dificultado pela coordenação e coesão dos seus atletas obrigando, na maior parte das vezes, ao remate exterior dos atiradores da selecção adversária. Até aos 15 minutos da primeira parte, a Polónia demonstrou-se bastante eficaz quer na defesa quer no ataque, onde se destacou Michal Jurecki, lateral esquerdo do Kielce e melhor marcador da Polónia neste jogo com 9 golos marcados. A sua impulsão e o seu remate exterior explosivo foram uma verdadeira dor de cabeça para o Qatar e para o seu guarda-redes Goran Stojanovic, que foi titular em detrimento do experiente guarda-redes do Barcelona Danijel Saric. Do lado do Qatar, destaque para a circulação de bola no ataque, tentando desmontar o profundo e agressivo esquema defensivo polaco, e também para aquele que foi o grande atirador desta equipa na primeira parte, Rafael Capote, com 6 golos da linha dos 9 metros e a mostrar-se, mais uma vez, um atirador muito eficaz.
A meio da primeira parte a Polónia vencia por 8-7, altura em que Valero Rivera, experiente treinador espanhol que levou a Espanha à vitória no mundial de 2013, utilizou o seu desconto de tempo e colocou Danijel Saric na partida. A partir deste momento o jogo mudou, a Polónia começou a ver as suas finalizações esbarrarem no posicionamento e nos reflexos daquele que é um dos melhores guardiões do mundo, Saric, que efectuou uma mão cheia de intervenções decisivas. No final da primeira parte verificava-se um espantoso 16-13 a favor do Qatar, num parcial de 9-5 após o timeout de Valero Rivera, com os da casa a contarem com uma eficácia de finalização de 64%.
Zarko Markovic, lateral de origem montenegrina, tem estado em destaque Fonte: Facebook oficial da IHF
Na segunda parte a tendência não se inverteu. O Qatar tornou-se mais eficaz e mais coeso ano seu processo defensivo, conseguindo por algumas vezes anular a ameaça exterior de Michal Jurecki, Mariusz Jurkiewicz (5 golos) e Karol Bielecki (1 golo), com Saric a destacar-se com 50% de eficácia aos 40 minutos de jogo, e conseguindo tirar partido de alguns erros de arbitragem a seu favor a nível de exclusões e marcação de livres de 7 metros. Kamalaldin Mallash (5 golos) foi o grande destaque da equipa do Qatar na segunda parte, demonstrando a sua capacidade técnica e de leitura de jogo, perfurando a defesa polaca e conseguindo colocar-se muitas vezes em zonas de finalização aos 6 metros. Foi, juntamente com Saric, o jogador que mais se destacou nesta meia-final. A ausência do lateral direito do Kielce, Krzysztof Lijewski, revelou-se um factor decisivo na eficácia finalizadora dos polacos. Foi notória a fadiga da sua primeira linha no decorrer da segunda parte.
Nos últimos 10 minutos de jogo, e após algumas decisões duvidosas por parte da dupla de arbitragem, a desconcentração dos polacos era notória. A esta desconcentração juntou-se o cansaço e a frustração, permitindo ao Qatar manter a vantagem e nunca permitindo à Polónia aproximar-se mais do que 2 golos de diferença.
Por fim, e fazendo um pequeno apanhado de tudo aquilo que foi esta meia-final, destaque pela positiva para o bom andebol proporcionado pelas duas equipas e para a dupla qatari Saric e Mallash. Pela negativa de notar apenas a dualidade de critérios da dupla de arbitragem, com um critério bastante rigoroso em relação à defesa polaca e um outro completamente diferente para com a defesa do Qatar. No entanto, não penso que o factor arbitragem tenha sido totalmente decisivo para o desfecho de jogo.
O Qatar conquistou assim o acesso à final do torneio, onde encontrará a França ou a campeã mundial Espanha, naquela que é a primeira presença de uma selecção do continente asiático num final de um campeonato do mundo.
As escorregadelas dos principais rivais no passado fim de semana trouxeram de novo a esperança. Ainda mais sabendo que dentro de pouco mais de uma semana o Sporting recebe em sua casa o actual líder do campeonato e, caso consiga vencer essa partida, fica cada vez mais perto do topo da classificação. Mas, para que esse jogo se revista de toda esta importância, é preciso bater o Arouca no Domingo.
Desta forma, o jogo frente à equipa de Pedro Emanuel transforma-se numa verdadeira final, num jogo equiparado talvez ao do Dragão para a Taça de Portugal, em que só a vitória interessa – esperemos que sem erros de arbitragem – , seja por que resultado for e contra uma equipa que nada tem a perder.
O treinador do Arouca já nos fez passar por alguns dissabores, sendo que o que mais me marcou até hoje foi a final da Taça de Portugal frente à Académica de Coimbra. E é pegando exactamente nessa partida que me inspiro para escrever este texto. Cuidado com as faltas de concentração e o pensar que certos jogos são “favas contadas”; que as derrotas de Porto e Benfica sejam um aviso sério para o que pode acontecer em caso de desleixo. E, como bom Sportinguista que sou, acredito na Lei de Murphye em que quando tudo pode acontecer… muito provavelmente acontecerá.
Rojo marcou o primeiro golo na vitória da temporada passada Foto: Facebook Oficial do Sporting
Não pode haver desleixos, faltas de respeito para com o adversário e entrar em campo a pensar que o golo acabará por acontecer sem grande esforço, ainda para mais num campo que, com a chuva que muito provavelmente cairá à hora do jogo, ficará quase impraticável.
Chegar ao confronto frente aos rivais de Lisboa com sete pontos – que bom seria ser ainda menos – de atraso é o objectivo. Vencer é obrigatório, mesmo num jogo em que não poderemos contar com Nani.
Paulinho faz 46 anos hoje, 27 dos quais ao serviço do Sporting Clube de Portugal. Deixo aqui um voto de muitos parabéns, e que continuemos por muitos anos a experienciar o teu amor e contínua dedicação ao nosso clube.
Foto de Capa: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal.
Não tivesse este holandês, de Roterdão, passado oito longas épocas num Arsenal que ambicionava pouco mais do que a qualificação para a Champions, e poderia estar hoje a escrever sobre um ex-vencedor da Bola de Ouro. Depois do campeonato ganho em 2004, e adivinhando a mais do que previsível saída de Thierry Henry, os gunners decidiram apostar num jovem pouco conhecido que, ao cabo de seis anos a representar o Feyenoord, ainda não se tinha afirmado como habitual titular no ataque. Pagaram pela transferência pouco mais de três milhões de euros. O interesse dos ingleses pode ter começado na final da Taça UEFA de 2002, ganha pela equipa holandesa com Van Persie no onze inicial.
Em Londres, realizou 278 jogos e marcou 132 golos, metade dos quais metade foram apontados nas últimas duas épocas em que alinhou pelo Arsenal. Nunca foi campeão e apenas ganhou uma supertaça e uma Taça de Inglaterra, e logo no ano de estreia, durante o qual nem sequer foi muito utilizado. Encaixado no centro do ataque no tradicional 4-3-3 de Wenger, mostrou na competitiva Premier League a sua eficácia em frente à baliza, onde raramente falha. Apesar de ter no seu pé esquerdo a sua melhor arma, remata igualmente bem com o pé direito e tem um enorme poder de impulsão (o que lhe permite ganhar vantagem no jogo aéreo). É também exímio nas desmarcações, tentando sempre oferecer linhas de passe aos médios criativos das equipas por onde passa. Embora seja um jogador talhado para a posição de ponta de lança, pode fazer qualquer lugar no ataque e não se inibe de “vir atrás buscar jogo”, como se diz no meio futebolístico, sempre que não tem bola nem oportunidades para faturar.
Foi em Manchester que conseguiu sagrar-se campeão inglês Foto: Facebook Oficial de Van Persie
Em 2011-2012, e depois da saída de Cesc Fàbregas, passou a envergar a braçadeira de capitão. Coincidência ou não, o novo estatuto conjugou-se com a sua melhor época no Emirates. Marcou 37 golos, recebeu o prémio de melhor futebolista a atuar na Liga Inglesa e viu o United desembolsar cerca de 30 milhões pela sua transferência. Não teve, contudo, a melhor estreia pelos red devils, começando com uma derrota frente ao Everton. Este foi um dos poucos desaires do Manchester naquela temporada, onde Robin pôde (finalmente!) festejar um título de campeão inglês, dando razão àqueles que defendiam (grupo no qual eu me incluo) a necessidade de uma saída do Arsenal para começar a ganhar títulos e construir trajeto futebolístico que ficasse na história.
Van Persie é um avançado-centro que sabe fintar (coisa rara no futebol atual), é forte no um para um, protege bem a bola quando se encontra de costas para a baliza à espera do auxílio dos companheiros de equipa. Numa palavra, este holandês é um polivalente com que qualquer treinador gostaria de poder contar. Em Outubro de 2013, tornou-se, na goleada que a sua seleção aplicou à Hungria e na qual fez um hat-trick, o melhor goleador de sempre da “laranja mecânica”. Falta-lhe, em teoria, um grande troféu individual, mais troféus coletivos e uma conquista pela sua seleção para a sua figura se perpetuar no tempo. A final perdida com Espanha no Mundial da África do Sul pode ter sido a última oportunidade para, ao serviço da Holanda, ganhar um título.
Com 31 anos, ainda terá pelo menos mais cinco ou seis anos para jogar ao mais alto nível, com uma disponibilidade física razoável. Na minha opinião, e dentro de toda a subjetividade possível, Van Persie está no Top 5 dos melhores avançados deste século, atrás de Cristiano Ronaldo, Messi, Ibrahimovic e Ronaldinho. Quem gosta de bom futebol e sobretudo de jogos em que abundem as jogadas de ataque e a emoção tem de ser fã do holandês. Hoje e para sempre.
O tenista sérvio Novak Djokovic pôs fim ao sonho de Stanislas Wawrinka de tentar conquistar pela segunda vez consecutiva o titulo do Open da Austrália. Djokovic venceu o suíço por 7/6, 3/6, 6/4, 4/6 e 6/0.
Num jogo que nem sempre foi bem disputado e onde os momentos de bom ténis apareceram apenas a espaços, o último set foi espelho daquele que foi um jogo de sofrimento, onde, no fim, quem mais quis vencer venceu.
Djokovic e Wawrinka são dois lutadores do melhor que o circuito mundial conhece, mas hoje nem um nem outro exibiram aquele que é o seu melhor ténis. Stanislas Wawrinka partiu como detentor do troféu mas nem por isso o número 1 mundial teve receio, e, na verdade, quem andou sempre a “correr” atrás do prejuízo foi mesmo Wawrinka.
O tenista suíço esteve a perder 3/0 no quarto set mas conseguiu ainda assim ir recuperar o resultado e obrigar Novak Djokovic à disputa de uma quinta e última partida. Se mais valia o encontro ter acabado no quarto set é sempre inglório de se afirmar, mas na verdade o 6/0 da quinta e última partida não valoriza aquilo que é o trabalho de Stanislas Wawrinka.
No último set o tenista suíço pura e simplesmente não “aparece”, e o match point com uma direita para fora completamente disparatada mostrou aquilo que foi a última partida disputada pelo suíço e onde Djokovic, a partir de certa altura, pôde tirar o pé do acelarador e esperar que o próprio decorrer normal do jogo lhe atribuísse a vitória.
Mas se Wawrinka falhou na partida decisiva, não se pense que Novak Djokovic se exibiu sempre em “alta rotação”. O tenista sérvio também não esteve no seu melhor, numa meia-final que teve o nível de emotividade que merecia, mas não o nível exibicional.
Novak Djokovic vai agora encontrar na final um Andy Murray que vem seguro de si e motivado com tudo aquilo que foi o seu início de época. A vitória clara sobre Berdych levam a que o britânico apareça não só com maior frescura fisica, mas também com outra disposição emocional para enfrentar o tenista sérvio.
Ainda assim, e porque Djokovic é Djokovic, o sérvio garantidamente vai fazer um “reset” ao que de mau aconteceu nesta partida e pegar naquilo que importa: na sua vitória sobre o detentor do troféu, partindo assim também ele motivado para conquistar mais um grand slam e abrir assim a temporada da melhor forma, provando o porquê de ser o líder do ranking mundial.
Na vertente feminina, Serena Williams não se deixou apanhar desprevenida pela jovem Madison Keys e garantiu sem dificuldades de maior um lugar na final. Maria Sharapova tem agora a tarefa de mostrar que a “super favorita” de todo o e qualquer evento feminino tem de suar se quiser vencer este Open da Austrália.
Pela terceira vez na história, a final four da UEFA Futsal Cup vai ser disputada em Portugal. Depois de ter sido realizada no antigo Pavilhão Atlântico em 2002 e em 2010 (ano em que o Benfica acabou por se sagrar campeão europeu), o comité executivo da UEFA voltou a confiar numa equipa portuguesa para ser a anfitriã da prova.
Recorde-se que o Sporting garantiu o seu lugar na fase final ao eliminar o FC Varna, o FT Charleroi e o campeão espanhol Inter Movistar durante a Ronda de Elite, terminando em primeiro lugar do grupo com um registo 100% vitorioso.
A formação portuguesa disputará o título europeu perante o seu púbico com o actual campeão europeu FC Barcelona, o já conhecido Kairat Almaty e o estreante MFK Dina Moskva, equipas que causarão, certamente, muitos problemas a Nuno Dias e aos seus pupilos na conquista do primeiro lugar.
FC BARCELONA
Igualar o recorde do Inter Movistar é um dos principais objectivos dos catalães Fonte: Facebook do FC Barcelona
Detentor do troféu e vencedor da competição em 2011/2012, é apontado como o principal candidato. Entrará nesta final four com o objectivo de igualar o recorde de três títulos europeus do Inter Movistar. Actualmente encontra-se no primeiro lugar da Liga Espanhola, com 96 golos marcados em 19 partidas, sendo que estes números demonstram a grande eficácia de uma equipa constituída maioritariamente por jogadores espanhóis e brasileiros – uma combinação que nos dá uma ideia da elevada qualidade técnica e táctica à qual poderemos assistir. A sua presença nesta UEFA Futsal Cup deve-se ao facto de ter ganho a competição na época passada e de ter, consequentemente, reservado um lugar na edição seguinte.
O Porto de 2014/2015 não é o melhor Porto de sempre em termos de qualidade individual mas está longe de ser o pior. Há jogadores com muita qualidade, que podem fazer a diferença numa jogada de génio. Mas a equipa, colectivamente, poderá fazer a diferença? Parece que não, em situações de aperto não tem conseguido.
Este plantel tem jogadores emprestados e jogadores que só chegaram este ano à Invicta – são, portanto, novos nestas andanças. Não questiono o talento da maior parte deles mas questiono a sua responsabilidade enquanto jogadores ou pelo menos a vontade quase obsessiva pela vitória. Compreendo que queiram mostrar-se na Europa (deve ser mesmo o objectivo máximo da maior parte) e que queiram o melhor para os azuis e brancos, mas faz falta alguém! Na equipa portista noto que não há grandes referências – ninguém parece capaz de dar um berro e deixar os colegas empolgados, raivosos, com vontade de entrar na segunda parte e deixar a pele em campo. É isso que, com maior ou menor afinação táctica, faz falta a estes jogadores – sentir o clube! E fazê-los sentir o clube não é torná-los portistas (pelo menos, os jogadores recentes) mas fazê-los sentir a responsabilidade de envergar aquela camisola, fazê-los sofrer com os jogos e fazê-los ganhar consciência de que entram em campo por milhões de pessoas que querem que eles ganhem.
Qualquer jogador quer a vitória. As peladinhas entre amigos discutem-se sempre como se de uma final se tratasse – a vontade de ganhar existe na nossa condição de humanos. Mas continua a falta qualquer coisa – a tal responsabilidade, a tal voz de comando que se faça ouvir nos momentos em que a bola circula irremediavelmente entre defesa e meio-campo, com a baliza adversária lá longe, completamente livre de perigo. O último jogador que trouxe esse sentimento foi Lucho Gonzalez. Não era portista desde pequenino mas percebeu o que era jogar neste clube, sentiu o que era o Porto para os portistas e para os seus dirigentes e foi, por isso, um pilar de estabilidade no nosso plantel.
Nem todos dão berros no balneário como o Jorge Costa (e que saudades deve ter Pinto da Costa desses berros), mas a postura com que se encara um clube e um jogo é exemplo para os mais novos. Helton e Quaresma sabem o que é jogar no Porto mas um é guarda-redes, longe do jogo atacante (Co Adriaanse lá tinha os seus motivos quando dizia que um guardião não devia ser capitão), e esteve afastado do relvado durante meses, e o outro não é um pilar de estabilidade emocional.
Houve anos em que vi o Porto jogar um futebol regular sem grande intensidade mas com responsabilidade – ganhava os seus jogos e ia aproveitando as escorregadelas dos adversários. A irregularidade é típica da falta de maturidade e este plantel é imaturo e grande parte dos seus jogadores está a formar-se aqui. Para crescer tem de passar-se por esta fase de confusão, de erro, mas a falta de maturidade na equipa – principalmente no onze – é notória.
No último jogo da Liga, frente ao Marítimo, não vi ninguém comer a relva (que saudades de Paulinho Santos). Vi um Porto à procura da vitória e com claras oportunidades de golo mas não o vi a sufocar como fez vezes sem conta em anos anteriores. Não criamos medo no adversário através da nossa raça, não jogamos à Porto. Acredito que um dia vão somar ao seu talento a obsessão pela vitória e a força de quem não se verga, mas até lá ainda temos “muita sopa para comer”. O único senão é que no Porto não há tempo a perder, a rotatividade é alta, a exigência é máxima e a paciência dos adeptos é pequena. Espero, então, que a raça de Braga não seja um lusco-fusco e que se torne rotina no Dragão.
Qatar, Polónia, Espanha e França. São estes os quatro apurados para as meias-finais do Mundial de Andebol. Um deles sagrar-se-á campeão do mundo. Os asiáticos recebem a competição e nunca tinham ido tão longe na prova, os polacos têm pouco a perder, mas será provavelmente da meia-final entre Espanha e França que sairá o campeão. Amanhã jogam-se as duas partidas das meias finais. Façamos, pois, o ponto da situação:
Qatar
Um caso escandaloso e que marcará para sempre este Mundial: 10 dos 17 jogadores do Qatar são naturalizados, e alguns já contam inclusivamente com presenças pelas suas selecções respectivas. Aproveitando uma grave falha nas regras, a federação deste país com pouca tradição no andebol comprou a nacionalidade de vários jogadores estrangeiros para fazer boa figura no “seu” Mundial. Como se não bastasse, no jogo dos quartos-de-final contra a Alemanha o Qatar foi claramente beneficiado, conforme se pode ler aqui.
Ainda assim, os comandados de Valero Rivera tiveram o mérito de terminar a fase regular em 2º – apenas atrás da Espanha, com quem perderam por 25-28 no penúltimo jogo dos grupos. De resto, só vitórias: contra Brasil (28-23), Chile (27-20), Eslovénia (31-29) e Bielorrússia (26-22), nesta última partida virando um resultado de 7-12 que se verificava ao intervalo. Nos oitavos-de-final afastaram a Áustria (29-27) e, na ronda seguinte, superiorizaram-se à Alemanha (26-24), nesse tal jogo polémico. De resto, como curiosidade, importa realçar o facto de o Qatar ser a única equipa deste Mundial que teve sempre menos jogadores excluídos do que o seu opositor.
Quanto a destaques individuais, Zarko Markovic, ex-Montenegro, é o 2º melhor marcador da competição e o melhor em prova (55 golos/102 remates; eficácia de 53,92%). O lateral-direito tem estado em evidência, sendo também o jogador da sua equipa que mais assistências faz (21). Na defesa, o lateral-esquerdo de origem egípcia Hassan Mabrouk destaca-se com 12 roubos de bola em 7 jogos, sendo o pilar de maior referência na defesa da baliza de Danijel Saric (49 defesas/135 remates na sua direcção; 36% de eficácia). Nota ainda para o lateral cubano Rafael Capote, autor de 12 incríveis golos contra a Eslovénia e de 8 contra a Alemanha.
Com mais ou menos ajudas, a verdade é que a surreal “sociedade das nações” do Qatar já provou que é melhor do que muitas equipas europeias. Além disso, há que ter ainda em conta o factor-casa. A meia-final com a Polónia será sem dúvida um jogo interessante de seguir.
Polónia
Depois de duas campanhas relativamente discretas nos dois últimos Mundiais – no seguimento de um 2º lugar em 2007, a melhor classificação internacional de sempre do país, e de um 3º em 2009 – a Polónia garantiu pelo menos o 4º lugar e não terá muito a perder. No entanto, o facto de os seus opositores nas meias-finais serem os qataris abre-lhe seguramente melhores perspectivas do que se jogasse com a Espanha ou a França.
Com o emblemático Slawomir Szmal na baliza (52/164; 32%), as duas maiores figuras do conjunto de Michael Biegler têm sido, para não variar, os irmãos Juriecki: o pivotBartosz, que completará 36 anos na véspera da final, é o melhor marcador da equipa (28/35; 80%), e o lateral-esquerdo Michal destaca-se tanto no capítulo ofensivo (7 assistências) como a defender (7 blocos realizados com êxito). Há ainda Karol Bielecki, poderoso lateral que ajudou o Kielce a chegar ao 3º lugar da Liga dos Campeões em 2013.
O percurso dos organizadores do Europeu do próximo ano não começou muito bem, mas foi melhorando. Duas derrotas compreensíveis contra Alemanha (26-29) e Dinamarca (27-31), uma vitória à tangente contra a surpreendente Argentina (24-23), um triunfo contra a decepção Rússia (26-25) e uma goleada (32-13) frente à fraca Arábia Saudita levaram o país ao 3º lugar do grupo. Na fase a eliminar, tanto a excelente vitória frente à Suécia (24-20) como o triunfo emotivo contra a Croácia (24-22) provam que os polacos estão a subir de forma.
Apesar de o Qatar jogar em casa, diria que a Polónia é ligeiramente favorita. No entanto, seja qual for a equipa que siga em frente nesta eliminatória, será sempre o elo mais fraco da final. O caso da Dinamarca, por exemplo, é claro: a equipa mostrou mais potencial, mas teve o azar de cruzar com a Espanha na fase a eliminar.
Qatar, Polónia, Espanha ou França: quem se sagrará campeão mundial?
Espanha
Com a dissolução do At. Madrid e do Valladolid, o campeonato espanhol tornou-se um passeio para o Barcelona. Nomes incontornáveis como Maqueda, Aguinagalde, Ugalde ou Cañellas viram-se obrigados a abandonar aquela que foi em tempos considerada a melhor liga do mundo. No entanto, a elite do andebol do país vizinho parece não se ressentir: campeões mundiais em 2013, os espanhóis querem defender o título e fazer esquecer o 3º lugar no europeu do ano passado. E haverá algo melhor do que consegui-lo à custa da França, responsável pela eliminação dos homens de Manolo Cadenas em 2014?
Apresentando um andebol agressivo tanto a atacar como a defender, a Espanha é, sem sombra de dúvidas, uma grande candidata a vencer a competição. Para isso terá, contudo, de vencer a França, naquela que será a sua segunda final antecipada – depois de bater a Dinamarca na última ronda (25-24). Antes disso, vitórias contra Bielorrússia (33-28), Brasil (29-27), Chile (37-16), Qatar (28-25), Eslovénia (30-26) e, já nos oitavos, Tunísia (28-20).
O ponta Valero Rivera tem estado em grande e é o segundo melhor marcador ainda em prova (39/47; 82,98% – incríveis 10 golos em 11 remates à Dinamarca), servido sobretudo pelo central Raul Entrerríos (27 assistências). Defensivamente, a solidez do bloco espanhol é personificada sobretudo pelos gigantes Morros de Argila e Gedeón Guardiola, aos quais se junta ainda o potente Jorge Maqueda, que resolveu o jogo com os dinamarqueses. Na baliza, Pérez de Vargas (70/78; 39%) tem estado a um nível altíssimo e pouco comum num guardião tão novo. A Espanha tem, portanto, um plantel riquíssimo que lhe permite sonhar com a revalidação do título mundial.
França
Se a Espanha quer vingar a eliminação do Europeu de 2014 às mãos dos franceses, estes quererão corrigir a derrota com os espanhóis na final do Mundial 2013. País com pouca tradição durante as primeiras décadas da modalidade, nos últimos 20 anos a França já conquistou 4 Mundiais, 3 Europeus e 2 Jogos Olímpicos. Caso se sagre campeã no Qatar, passará a ser o país mais bem-sucedido de sempre. Mas, para que tal aconteça, é preciso suplantar a Espanha numa meia-final escaldante e imprevisível.
Até aqui, os franceses apenas tremeram com a Islândia no terceiro jogo (26-26), tendo vencido a República Checa (30-27), o Egipto (28-24), a Argélia (32-26) e a Suécia, o principal opositor do grupo (27-25). Garantido o 1º lugar, a França afastou depois com facilidade a Argentina nos oitavos (33-20) e a Eslovénia nos quartos (32-23). Pode dizer-se, portanto, que a prova de fogo para os comandados de Claude Onesta começa agora.
Esta equipa mantém o núcleo duro de anos anteriores, o que lhe confere uma enorme estabilidade. Porém, o nível individual não é menos impressionante. Para se ter uma ideia, três dos convocadosjá venceram o prémio de Melhor Andebolista do Mundo: Nikola Karabatic (2007), Thierry Omeyer (2008) e Daniel Narcisse (2012). O central N. Karabatic é, de resto, o jogador francês que mais passes para golo efectua (19), embora a qualidade desta equipa não se esgote nestes três atletas. Michaël Guigou, ponta-esquerda do Montpellier, é o melhor marcador (28/36; 77,78%), e tanto os já mencionados Narcisse e Omeyer (76/210; 36%) como Xavier Barachet (7 roubos de bola) garantem serenidade, critério e qualidade na defesa. O jogo exterior da equipa foi comprometido pela ausência de Luc Abalo, mas tanto Guillaume Joli (incríveis 84,38% de eficácia de remate) como Valentin Porte têm estado à altura. É importante não ignorar também a boa forma do pivotCédric Sorhaindo e o agradável aparecimento do jovem ponta Kentin Mahê.
Pela qualidade individual e colectiva dos franceses, bem como pela experiência acumulada, aposto neles para vencerem o Mundial. Contudo, a Espanha também está muito forte e tem reais hipóteses de bater os franceses. O que é praticamente certo é que o novo campeão do mundo sairá desta estrondosa meia-final entre França e Espanha. Que comecem os jogos decisivos!
Fotos: Facebook da IHF Facebook da Real Federación Española de Balonmano Site da Federação Qatari de Andebol (qatarhandball.com)