No Stadio Olimpico da “Cidade Eterna” ainda ecoam cânticos em seu nome – em nome daquele que tinha a mente de um defesa e os pés de um fantasista. Elegante mas potente, brilhante na leitura do jogo, monstruoso no jogo aéreo, perfeito no posicionamento e insuperável na antecipação. Quando estava em campo, a Roma sentia-se invulnerável – tinha alguém que prevalecia sobre os atacantes, tinha Aldaír Nascimento Dos Santos. Antes de Francesco Totti, a Roma tinha em Aldaír o seu símbolo máximo e quando juntou estes dois a Cafú, Montella e Batistuta alcançou o tão merecido scudetto!
Aldaír nasceu na Bahia e foi o Flamengo que deu os primeiros passos no mundo do futebol. Jogou pelo clube carioca entre 86 e 89, transferindo-se em 1989 para o Benfica de Sven-Göran Eriksson. Na época de 89/90 chegou à final da Taça dos Campeões Europeus, onde viria a ser derrotado pelo AC Milan, tendo ainda assim conquistado o campeonato nacional. Segundo se diz por terras transalpinas, na final com o Milan o defesa encantou Dino Viola e o então presidente da AS Roma decidiu levá-lo para o clube italiano.
Em 90/91 começava a jornada giallorossi de um dos mais aclamados jogadores no Olimpico. Os 13 anos em que defendeu as cores da AS Roma são lembrados pelos adeptos romanos como um dos períodos mais felizes da história do clube e muita dessa felicidade deveu-se a Aldaír Nascimento Dos Santos. Um dos episódios mais marcantes dessa história passou-se a 11 de Abril de 1999, dia de derby na capital italiana. A Roma ganhava por 2-1. Aldair recebeu a bola, Alen Boksic pressionou-o; seguiram-se três dribles consecutivos de Aldair e um remate contra a perna do croata para conquistar pontapé de baliza. Em seguida, agarrou na bola, deu-a ao adversário e disse-lhe que seria a única vez que ele tocaria nela.
Aldair era uma das principais figuras da Super-Roma do início do século Fonte: asromaultras.org
Pela AS Roma, Aldair conquistou um scudetto, uma Taça de Itália e uma Supertaça de Itália. Pela canarinha completou 81 internacionalizações, venceu o Mundial de 1994, duas Copas América e uma Taça das Confederações.
Foram 415 jogos pelo emblema da cidade eterna, muitos deles a carregar a braçadeira de capitão e para qualquer giallorossi a carreira do ícone brasileiro acabou em 2003, quando na mais profunda das tristezas o Stadio Olimpico se despediu dele. A alma, a garra, a classe e o profissionalismo com que o brasileiro defendeu o emblema romano foram de tal forma exemplares que, após a sua saída, a AS Roma retirou a camisola 6 em sua homenagem. Na frieza dos factos, a carreira de Aldaír acabou em 2010 pelo Murata, de San Marino, e a camisola 6 da Roma encontrou novo dono em 2013. Mas o que interessam os factos, quando arruínam uma verdadeira história de amor entre adeptos, clube e jogador? Nada! Futebol é isto e é lindo de se ver, ouvir e ler!
A camisola 6 de Aldair foi entregue a Strootman em 2013 Fonte: asromaultras.org
Alexandre Lacazette e Paco Alcácer. Dois jovens em grande forma, que têm brilhado nos respectivos campeonatos e que, pelo potencial que apresentam, podem ser avançados de referência no futebol europeu durante vários anos.
No Valência, que está a ser a grande sensação da Liga Espanhola, vários jovens têm estado em destaque. Rodrigo e André Gomes, ex-Benfica, e Gayá, lateral-esquerdo na linha de Jordi Alba e Bernat, têm feito excelentes exibições, mas a principal figura tem sido Paco Alcácer. Formado no Mestalla, o jogador de 21 anos tem dado continuidade às boas indicações que deixou na época passada, assumindo um papel preponderante na equipa de Nuno Espírito Santo. O espanhol não vive exclusivamente de golos (apesar de já levar 4 no campeonato) e, a actuar como único avançado de um 4-2-3-1, Paco destaca-se pela sua inteligência na leitura de jogo, ora dando apoio frontal, ora procurando os corredores laterais. Num conjunto em que os alas (Piatti e Rodrigo) e o médio ofensivo (André Gomes) têm demonstrado enorme facilidade de aparecer em zonas de finalização, o jovem tem tido sucesso no capítulo das assistências, somando 4 até ao momento.
Nuno terá uma boa dor de cabeça quando Negredo estiver recuperado. Tendo em conta o que tem feito o actual titular, terá de ser o ex-jogador do City a provar que merece a titularidade, havendo também a possibilidade (pouco provável nesta fase) de o técnico português optar por um sistema com dois avançados. A alternativa, e única maneira de os dois avançados serem compatíveis, é deslocar Paco para o flanco direito, onde tem jogado Rodrigo.
Paco Alcácer protagonizou uma estreia fulgurante pela selecção principal Fonte: gentevalencia.com
A evolução que Paco tem tido no Valência não passou despercebida a Del Bosque, que já vê o jovem como a segunda opção para o ataque, logo atrás de Diego Costa. O avançado tinha marcado no encontro na Eslováquia (derrota por 2-1) e foi premiado com a inclusão no 11 que alinhou frente ao Luxemburgo (em simultâneo com o hispano-brasileiro). Paco correspondeu e somou o terceiro golo na qualificação, com apenas 3 remates feitos. O instinto e a eficácia que tem vindo a demonstrar no Mestalla foram transportados para a selecção, o que representa mais um passo importante na afirmação do jovem ao mais alto nível. O problema do Valência é que Paco tem uma cláusula de rescisão de apenas 18 milhões de euros, o que poderá fazer com que rume rapidamente a outras paragens.
Num Lyon bem diferente daquele que dominou o futebol francês durante vários anos, Alexandre Lacazette tem sido claramente a figura maior. Saído da formação do clube, que tem revelado alguns talentos nos últimos anos (Anthony Lopes, Umtiti e Fekir são os últimos), o avançado é um elemento muito acima da média no Olympique e, se continuar em boa forma, será um alvo muito apetecível para emblemas com outro poderio. Aos 23 anos, o francês está um jogador diferente de quando começou a sua carreira; inicialmente era um jogador de ala, explosivo e forte tecnicamente, mas agora, apesar de manter essas características, é um avançado mais completo, tendo evoluído bastante no capítulo da finalização. Leva já 7 golos no campeonato, 3 deles apontados ao Lille na última jornada.
Lacazette tem sido o grande destaque do Lyon esta época Fonte: madeinfoot.com
Internacional pela selecção gaulesa, Lacazette tem uma concorrência fortíssima na luta por um lugar na convocatória. Benzema é indiscutível e não faz parte destas contas, Gignac é o melhor marcador do campeonato francês, Remy é um jogador da confiança de Deschamps (treinou-o no Marselha) e ainda há Giroud. Tendo em conta que o Lyon é actualmente uma equipa modesta, o avançado terá mais condições de ir à selecção regularmente se provar que consegue destacar-se num emblema mais competitivo. Não faltam interessados no seu concurso e, tal como Paco Alcácer, deverá chegar mais cedo ou mais tarde aos grandes palcos.
16 de Outubro de 2004. Dérbi catalão no Olímpico de Montjuic entre o Espanyol e o Barcelona. Os forasteiros estão a vencer por 1-0 e têm o jogo moderadamente controlado. Aos 83 minutos, o treinador Frank Rijkaard tenta dar alguma frescura ao ataque blaugrana, tirando Deco, recém-contratado ao Porto campeão europeu, e apostando num tal Lionel Messi, um canterano de 17 anos. Foi este o primeiro acto de uma carreira brilhante do atacante argentino ao serviço da equipa principal do Barcelona.
16 de Outubro de 2014. Lionel Messi não cresceu muito mais em termos físicos, mas tudo o resto se alterou radicalmente. Perdeu a guedelha que o caracterizava durante os primeiros anos, flectiu das alas para o meio e, sobretudo, tornou-se cada vez mais letal – tanto em frente à baliza como a servir os companheiros. Dez anos depois da estreia oficial, Messi contabiliza 405 golos entre Barcelona e selecção argentina, 6 Campeonatos Espanhóis, 2 Taças do Rei, 6 Supertaças Espanholas, 3 Ligas dos Campeões, 2 Supertaças Europeias e 2 Mundiais de Clubes. Isto para além das inúmeras assistências e jogadas geniais, que não são sequer contabilizáveis.
É difícil escrever sobre Lionel Messi, como aliás costuma ser com todos os craques; quando um jogador mau faz uma boa jogada, todos reparam; quando um jogador razoável está num bom momento, é elogiado; quando um bom jogador faz uma boa época, os adeptos não o esquecem; quando um grande jogador tem uma grande carreira, fica na História do futebol. Mas Messi foi ainda mais longe. Como Ronaldo, aliás. Dizer que são dois monstros do futebol não é novidade para ninguém, e talvez já nem sequer seja suficiente. A qualidade destes dois jogadores é tanta que o mundo não lhes perdoa se passam 90 minutos sem marcar um golo, mesmo que possam ser essenciais no jogo da equipa, como são sempre.
Ao longo dos 16 ou 17 anos em que acompanho o futebol com regularidade, tive a sorte de já ter visto jogar alguns dos melhores futebolistas de sempre. Mas Messi e Ronaldo batem toda a concorrência e têm, além disso, uma capacidade tremenda para se manterem no topo. A rivalidade entre ambos – ainda que esta seja mais alimentada pelos media e pelos adeptos do que pelos próprios jogadores – foi, aliás, das melhores coisas que aconteceu ao futebol nos últimos anos. Por muito que não o admitam, tanto o argentino como o português querem superar-se mutuamente, numa luta sem precedentes para saber quem é melhor.
Gosto muito de Ronaldo e tenho um enorme orgulho que um dos melhores jogadores de sempre tenha saído do clube do meu coração. O seu empenho, a sua vontade de melhorar e de vencer e, claro, a sua qualidade (irrita-me quando se diz que Messi é talento e Ronaldo é trabalho porque, se o português não tivesse um talento estratosférico, podia treinar a vida inteira que não chegaria onde chegou) fizeram com que pulverizasse a concorrência tanto em Portugal como no estrangeiro. Vai ter – já tem – um lugar eterno no grupo restrito de melhores futebolistas da História. Mas Messi consegue estar ainda mais próximo da perfeição.
Confesso que não gosto muito destas categorizações excessivas. Não tem de haver um único melhor do mundo. Por que não juntar Ronaldo e Messi no pedestal do qual mais ninguém actualmente se consegue sequer aproximar? Para quê as “guerras” entre partidários de Pelé, Maradona, Messi e Ronaldo sobre quem é o melhor de sempre? Por que não os quatro, cada um no seu tempo e cada um da sua forma? Mas, da mesma forma que defendo isso, também não escondo que, se me apontassem uma arma à cabeça para escolher entre Messi ou Ronaldo, teria de optar pelo argentino.
A diferença está no controlo da bola, com tudo o que isso implica. Ronaldo é excelente com a bola no pé, mas faz da explosão uma das suas grandes armas; Messi tem aquele toque malandro, com a bola colada ao membro inferior com o à-vontade de quem sabe que não a vai perder. Nos jogos, chateia-me que os defesas não parem Messi nem que seja em falta (torço e torcerei sempre por Ronaldo neste duelo particular) mas, vendo as coisas friamente, percebe-se que o argentino torna isso quase impossível.
O controlo de bola que elogio faz com que Messi não precise da explosão de Ronaldo, porque pode serpentear por entre os defesas com uma agilidade e um repentismo que o português não tem. Numa fracção de segundo, muda de velocidade e já deixou três adversários para trás num espaço curto. Ronaldo talvez seja mais completo, mas Messi finta num palmo de terreno, passa, arranca, pára, lê o jogo, remata, tudo com a mesma naturalidade e eficácia. Mourinho tem razão, é mais “fácil” ser Messi do que ser Ronaldo. Mas, indiferente a essas discussões, o argentino soma e segue. Se eu tivesse de apostar diria que, daqui a meia dúzia de anos, la Pulga recuará para a posição que até há pouco tempo foi de Xavi. E tem tudo para ser igualmente genial nessas novas funções.
Luís Figo disse há pouco tempo que “agora é Messi ou Cristiano Ronaldo, no meu tempo havia eu, Zidane, Figo, Rivaldo, Ronaldinho, Beckham…”. Sinceramente, não gosto de gente que não tem humildade para admitir que foi ultrapassada. Ninguém põe em causa que qualquer um desses jogadores fosse fantástico. E haveria mais nomes, até. Mas hoje em dia também há muitos. A questão é que Messi e Ronaldo se destacaram de tal forma que actualmente nem existe discussão possível: o melhor do mundo ou é um, ou é outro.
Com quatro Bolas de Ouro conquistadas, Messi é o futebolista mais bem-sucedido de sempre Fonte: blogdofutebol.com.br/
Ainda assim, apesar de tudo o que aqui disse, honra seja feita a Ronaldo: no último ano e meio o português tem sido melhor. A Bola de Ouro que provavelmente ganhará, a sua terceira, é mais do que justa. Mas isso talvez motive ainda mais Lionel Messi. E esperemos que sim, porque o futebol só tem a ganhar com esta rivalidade. Daqui a uns anos os nossos filhos perguntarão como era ver jogar Messi e Ronaldo. A melhor resposta que poderei dar nessa altura é que todos os anos se pensava que já não havia nada a melhorar nem nenhum recorde a bater, mas eles encarregavam-se de provar que estávamos errados. Felizmente, esse tempo ainda é presente. Desfrutemos, então, do génio destes dois astros – e em particular de Lionel Messi, que hoje cumpre uma década ao mais alto nível.
La Pulga é um dos grandes responsáveis por todas as vezes em que eu estava a ver um jogo e disse para mim próprio “só mais 5 minutos” antes de ir estudar ou de sair de casa – 5 minutos esses que, não é preciso dizê-lo, às vezes se transformavam em 90 mais descontos. E estou certo de não ter sido o único a quem isso aconteceu. Por isso, em meu nome e em nome de todos os adeptos de futebol, só me resta agradecer ao astro argentino por todos os momentos de magia, com a certeza de que eles irão continuar.
As minhas dez razões para gostar de futebol são simples.
Dez nomes incontornáveis para o mundo, dez referências para mim. Dez razões, quase mandamentos.
Nunca gostei de ‘meninos copo de leite’ porque a essência do futebol para mim é magia e coração. É isso que me faz pagar bilhete. É o que mais gosto de ver. E por isso não consigo não ver com bons olhos quem tem mau feitio e um quê de arrogância, quem gosta de uma boa picardia, mas quem acima de tudo tem classe e uma genialidade inegável.
Dos anos em que joguei, em quase todos vesti aquela que para mim é a melhor camisola, a 10. E a culpa é inteiramente destes meninos…
[tps_title]10º Zlatan[/tps_title]
Fonte: i.ytimg.com
Há melhores? Muito provavelmente sim. Mas muito poucos aliam tudo aquilo de que gosto num jogador, como este tanque sueco. Técnica, força, capacidade de finalização, irreverência, mau feitio… É Zlatan.
Um jogador que não vingou em Barcelona, mas por uma razão simples: “não havia lugar para uma personalidade como a minha no pequeno mundo de Guardiola”.
Um jogador que recusou ir para o Arsenal aos 17 anos porque não aceitava prestar provas, um jogador que faz golos que ninguém consegue reproduzir em jogos de computador, um jogador capaz de colocar em sentido qualquer defesa. Seja pela temível qualidade, seja pela intimidação…
Mas Zlatan é na verdade um coração mole, como ele próprio admite:
“O que dei à minha mulher no aniversário? Nada. Ela já tem Zlatan”.
Sim, eu gosto de jogadores com esta cara de pau.
A selecção nacional de sub-20 de Hóquei em Patins sagrou-se tetra campeã europeia. Em prova estavam também as selecções da Alemanha, de Andorra, da França, da Itália, da Suíça, da Inglaterra e da Espanha. Quem dispensou umas horas do seu serão para ver esta geração de um desporto que tantos sorrisos tem dado a Portugal certamente não se arrependeu. Desde o primeiro ao último embate, os jovens lusos foram brilhantes e imparáveis. A final foi frente aos nuestros hermanos de Espanha, e o caneco estava e permaneceu em solo português.
João Campelo e Miguel Vieira são dois dos campeões nacionais deste ano e partilharam detalhes das suas vidas sobre rodas.
João Campelo fez um bis frente à Alemanha
“Comecei a jogar Hóquei na equipa de Paço de Arcos, muito por influência do meu pai, que era também jogador”, relembra João Campelo. Para ele, o Hóquei, que começou por ser uma herança familiar, tornou-se rapidamente numa paixão; paixão essa que cresceu em cada clube por onde passou. “Joguei também na equipa da escola Stuart Carvalhais (em Massamá), no SL Benfica e no Sporting CP, onde estou agora”, acrescenta. Já soma um conjunto de clubes com diferentes dimensões mas garante que a sua entrega física e moral não tem cor, assegurando que dá sempre o seu melhor independentemente do símbolo que esteja a representar. “Em todos os jogos há pressão e há muita vontade de ganhar e de fazer um bom trabalho, mas, como é evidente, nos clubes maiores a camisola pode pesar mais, contudo, tento abstrair-me desses factores e concentrar-me em dar o máximo de mim mesmo”, afirma. Esteve nas formações de dois clubes rivais directos e admite que o dérbi é sempre um jogo especial, particularmente porque é o reencontro com os ex colegas, porém, realça que “as emoções ficam sempre fora de campo” e que “não haverá qualquer tipo de sentimento de vingança”.
Dois golos no jogo contra a Alemanha foram da autoria do camisola 7, mas o auge pessoal no Europeu foi a vitória na final. “Todos os momentos deste Europeu foram especiais e vão ficar na minha memória, mas foi no fim do jogo contra a Espanha que vi todo o trabalho árduo da equipa ser recompensado”, recorda, nostálgico.
Miguel Vieira marcou o golo no empate na final frente à Espanha
“Comecei a patinar com cinco anos por influência de um primo, e o meu primeiro clube foi o Barcelinhos”, recorda Miguel Vieira. Já vestiu diferentes camisolas, tendo passado pelo Braga e pelo Barcelos, clube actual, mas o que nunca muda é o seu maior apoio, o pai. O Europeu teve lugar em Valongo e, para o camisola 4, jogar “duplamente” em casa é mais uma vantagem do que um desafio acrescido. “Apesar de toda a pressão que sentimos ao jogar em Portugal e em frente aos nossos adeptos, sabemos que temos o apoio incondicional deles e que acreditam em nós. Com o passar dos jogos esta pressão transforma-se em motivação”, garante.
O Europeu foi uma semana intensa com jogos todos os dias, o que exigiu uma boa gestão das vitórias de jogo para jogo, tarefa que, por vezes, pode ser complicada. Contudo, Miguel diz que a equipa portuguesa soube ganhar e soube regular a confiança que ia adquirindo. Depois de a Espanha estar a ganhar por 1-0 à equipa lusa, foi Miguel Vieira quem fez acreditar na vitória com o golo do empate, golo com “sabor especial” para o jogador, principalmente quando se tem “um pavilhão cheio a torcer por Portugal”. Quando lhe pedi que descrevesse o momento, este disse que ficou “sem palavras”.
Depois de ser campeão e de ter marcado presença em três campeonatos da Europa, olha para o futuro com a certeza de que quer evoluir no clube actual, OC Barcelos, e atingir os objectivos traçados pela equipa. Sublinha o desejo que tem em continuar a jogar com a camisola das Quinas e conclui afirmando que não gosta de pensar a longo prazo porque acredita que o seu futuro é consequência do seu trabalho.
Curiosamente, quando questionados acerca da figura que, para eles, representa actualmente o Hóquei em Portugal, ambos disseram “Hélder Nunes”. “É um jogador jovem mas com muita maturidade”, diz o primeiro. “É um exemplo para qualquer um”, remata o segundo. Em poucas palavras adjectivam, em sintonia, o enorme talento do colega e sonham, um dia, estar também nas luzes da ribalta. Saibam os meios de comunicação social e o público dar-lhes o devido valor; afinal, o Hóquei português tem qualidade, saibamos nós merecê-lo.
Uma breve reflexão, sem grande profundidade, na sequência da jornada europeia de selecções. Esta abrangeu também as selecções sub-21, concorrendo para que o Sporting contasse com uma mobilização, em ambos os escalões, de 19 (!) jogadores cuja formação foi da sua responsabilidade. A saber:
Nos sub-21: Ié, Ilori, Bruma, Mané, Esgaio, Iuri, Ricardo e Tobias. Os três primeiros seriam excluídos por lesão, e o último, Tobias, acabaria por entrar na convocatória posteriormente.
Nos AA: Patrício, Beto, Cédric, Fonte, Moutinho, Adrien, Nani, João Mário, William, Ronaldo, Quaresma.
O prestígio – Por muito que custe a admitir a muitos, especialmente por razões de alergia clubista primária, o Sporting tornou-se no principal criador de jogadores de selecção. Esse facto é reconhecido internacionalmente de forma frequente, embora por cá não pareça merecer o mesmo destaque.
A evidência de uma aposta – O presente lote de jogadores deve ser considerado circunstancial, porque tanto inclui jogadores de “lugar cativo” na selecção como outros que estão de passagem. Isto tanto quer dizer que o número de jogadores pode ser menor ou até maior, não sendo o mais importante agora. Mais importante do que o número é a disseminação de jogadores de diversas gerações em cujas pontas do leque estão Beto e João Mário, completando 11 anos de diferença entre si.
Não estendo a análise aos sub-21 pois, neste escalão, é ainda demasiado cedo para falarmos em certezas. Ainda assim, atrevo-me a dizer que Ilori, Bruma, Mané, Esgaio, Ricardo e Tobias têm tudo aquilo de que é preciso para nos obrigarem a fixar os seus nomes pela próxima década ou quase. No meio ficam jogadores como Patrício e William, a assegurar a manutenção do nome do Sporting para lá da fase final do Europeu de 2016, com Nani, Moutinho, Ronaldo e eventualmente Quaresma a constituírem nomes incontornáveis pelo menos até lá. Para não tornar a análise demasiado especulativa, fico-me pelo critério do seleccionador que presidiu à actual escolha, abstendo-me assim de apontar outros nomes, mesmo que evidentes, a poder entrar para a actual selecção.
O que estes números revelam, e que me parece acima de qualquer contestação, é que o trabalho de prospecção, criação e de incubadora do departamento de formação do Sporting há pelo menos duas décadas consecutivas se elevou a um nível elevado, superando os seus concorrentes directos neste capítulo. Repare-se que mesmo os mais novos de idade são já quase veteranos no clube. Mané, por exemplo, tem apenas 20 anos mas está no clube desde 2001, há 13 anos, portanto. O que perfaz mais de metade da sua ainda curta vida, sendo por isso um dado incontornável e absolutamente notável!
Campanha de apuramento invicta Fonte: FPF
No aproveitar é que está o ganho. Ou o prejuízo – Se olharmos para os 18 jogadores da amostra rapidamente se conclui que apenas metade (nove) representam ainda o Sporting, sendo que um deles (Nani) o faz de forma episódica. Dos restantes nove que não possuem já ligação, quatro estão já definitivamente com um pé fora de Alvalade, apesar de pertencerem ainda aos sub-21. Precisamente aqueles que apontaríamos como os melhores da respectiva geração. Um dado a merecer reflexão, para se perceber se estamos a olhar para um mero episódio ou para uma tendência.
Obviamente que um clube que todos os anos lança para o mercado um plantel inteiro de jogadores acabados de chegar a seniores tem de se conformar com o facto de não poder ser infalível nas suas estimativas, quanto ao futuro dos jogadores. Assim como se deve (re)conciliar com a ideia de que não pode impedir os jogadores que forma de quererem mais – seja isso dinheiro, notoriedade, campeonatos mais competitivos, etc – do que aquilo que o clube pode oferecer. Neste capítulo o Sporting só pode fazer duas coisas: (i) procurar o ressarcimento do investimento feito no jogador e, num futuro tão breve quanto possível, (ii) tornar-se ainda mais atractivo como projecto de carreira para os seus formandos. O que, por muito que nos custe admitir, poucas vezes o tem sido.
Necessidade ou convicção? – Duas razões me parecem acima de contestação para justificar o sucesso da formação do clube: (i) a elevada qualidade dos jogadores que forma, tornando-os apetecíveis aos olhos de quem tem disponibilidade para pagar o que eles valem. Olhe-se, se preciso fosse, para os clubes que representam. E o facto de o clube (ii) incorporar diversos jogadores no seu plantel principal com origem na sua academia, o que o distingue claramente dos seus rivais.
Falta saber se o faz por necessidade – seja ela por falta de mais recursos, seja ela ditada por motivações eleitoralistas – ou por convicção. É que, sempre que parece haver um pouquinho mais de dinheiro para gastar, a convicção parece perder força e os jogadores da casa lá têm de correr mais do que os outros, ganhando quase sempre menos, para, quase sempre, e com grande facilidade, fazerem mais e melhor do que os “forasteiros”.
O que dizem as bolas de cristal sobre o futuro? – Alguns dados recentes, como sejam a falta de títulos – cujo valor indicativo é ligeiramente significativo, mas é apenas “um dos”-, o número de jogadores nas selecções jovens, os resultados gerais e os específicos com os rivais e clubes que melhor formam como, por exemplo, Vitória(s), Braga, etc, já fizeram soar várias campainhas. Ora isto são apenas resultados que ocorrem quase nunca por acaso mas, como a palavra indica, como corolário do trabalho da prospecção, da qualidade dos técnicos e dos dirigentes.
Mais do que um libelo definitivo, ditado por ocorrências esparsas, é necessária reflexão. Dispensam-se excessos de optimismo ou pessimismo militante, que a realidade se encarrega de desmistificar. Até porque as transformações estruturais, e por isso basilares, raras vezes detectadas a “olho nu”, requerem demorada digestão e compilação de factos.
Passados 209 dias, Helton volta de lesão e já faz trabalho de campo (recorde-se que foi utilizado na vitória no particular diante do Moreirense, à porta fechada, no Olival), criando assim uma positiva “dor-de-cabeça” ao técnico Julen Lopetegui. Sabendo nós, Portistas atentos, que o espanhol instaurou um mini tiki -taka no clube azul-e-branco, um dos grandes handicaps desta equipa era o algo deficiente jogo de pés do guarda-redes Fabiano, que tinha uma grande percentagem de bolas postas directamente fora quando, depois da sequência de passes entre centrais e o guardião e respectiva subida de linhas adversárias, procurava jogar num dos laterais ou alas, com bola aérea. O actual titular é um monstro dentro dos postes, mas esse tal aspecto menos positivo levou a muitos acreditarem que o espanhol Andrés Fernández poderia chegar ao Dragão para ser titular – não aconteceu e Fabiano “pegou de estaca”. Já Ricardo – excelente guarda-redes na minha opinião – nem sequer foi considerado para opção.
Sendo assim, o que quererá dizer o regresso de Helton? Só aposto em 2 cenários:
i) O veterano guarda-redes de 36 anos ficará no banco o resto da época e assumirá um cargo na estrutura portista no final da temporada (à imagem de Vítor Baia, substituído depois do jogo com o Estrela da Amadora por… Helton);
ii) Naturalmente voltará à titularidade (quando atingir os índices físicos indicados) e aí os adeptos do clube da invicta deixarão de ter tantos calafrios quando a bola passar pelos pés do guarda-redes (embora Helton goste, às vezes, de ser um “brinca na areia”, coisa que geralmente lhe sai sempre bem, diga-se).
209 dias depois da grave lesão, Helton regressou Fonte: abola.pt
Certo é que a saída, a título de empréstimo, de Ricardo parece um cenário cada vez mais real. Mesmo a saída temporária de Andrés Fernández poderia ser um cenário interessante, visto que Ricardo, nas competições europeias, é considerado um jogador formado internamente, e bem sabemos como o Porto tem poucos…
Voltando à questão central, desafio o leitor a escolher uma das duas opções, sabendo que Helton “anunciou” o final de carreira com aquela enigmática imagem na sua conta pessoal no Instagram… Mas se assim fosse, porque voltaria o brasileiro ao treino e até a jogar particulares? Para “matar o bichinho” do futebol? Isso, com todo o respeito, acontece nos distritais, não em clubes grandes ou sequer profissionais.
A recuperação do profissional mais antigo do actual plantel dos Dragões foi mais rápida que o esperado, e talvez o tenha surpreendido a ele mesmo… O tempo o dirá, e a palavra de Lopetegui (que já se demonstrou muito aberto à tal rotatividade) será a chave de todo este longo tempo de “seca” para Helton.
Seria um prazer ver-te voltar a jogar, Helton! Acredito que Fabiano é um excelente guarda-redes e Andrés também o será (já falei sobre Ricardo) mas tu és o “Rogério Ceni da invicta”, e, enquanto puderes jogar e te sentires bem, serás sempre um esteio da nossa defesa.
Ontem, enquanto via o jogo da Seleção Nacional frente à Dinamarca, tive a certeza de que a inconsistência de Eliseu, no Benfica, não é um problema individual mas, sim, coletivo. Aliás, é um problema de setor. Antes de partir para a explicação, devo deixar bem salvaguardado que não acho que Eliseu tenha qualidade suficiente para ser titular como lateral esquerdo do Benfica (mais facilmente o seria a médio ou, até, a extremo) mas que, apesar de tudo, seria “suficiente” se não existissem outros problemas na defesa.
É por aí que começo, pelo plano geral. Na temporada passada, no lado esquerdo da linha defensiva, o Benfica tinha Garay como central e Siqueira como lateral – e continuo a insistir que estas duas perdas foram as mais graves para o conjunto benfiquista . Este ano, parece-me inegável que a qualidade baixou consideravelmente com a entrada de Jardel e de Eliseu. Juntos compõem um setor que tem dado inúmeros problemas à equipa liderada por Jorge Jesus. Basta ver que, em qualquer jogo do Benfica, o lado esquerdo da defesa encarnada é constantemente bombardeado pelos ataques dos adversários. A explicação é óbvia e lógica: são o elo mais fraco da equipa, quem comete mais erros e permite mais espaço. É natural, portanto, que o adversário opte, com grande frequência, pela ala direita para efetuar as transições.
A nível individual, e salvo algumas exceções, Jardel não oferece a Eliseu a devida cobertura – movimento em que Garay era exímio e que permitia a Siqueira subir com maior confiança. Já Eliseu mostra graves problemas de posicionamento e não fecha em bloco com eficácia e competência no centro da defesa, quando assim é necessário. Ambos cometem erros individuais que juntos se tornam um problema gravíssimo. É o setor de maior risco no onze encarnado e aquele que poderá mais facilmente expor o Benfica ao erro – leia-se derrota.
Eliseu destaca-se pela propensão ofensiva Fonte: Rádio Renascença
Voltando ao jogo de ontem, Eliseu, longe de ter sido genial, fez um jogo sólido, no limite da qualidade que poderá oferecer como lateral esquerdo. A diferença para o péssimo jogo realizado frente à França é que tinha Ricardo Carvalho como companheiro de setor (e William como trinco, é bom relembrar). Um pormenor que faz toda a diferença. Ainda que a qualidade dos dinamarqueses seja inferior à dos franceses, isso, por si só, não explica a disparidade entre as exibições. O segredo esteve, evidentemente, na excelente cobertura realizada por Ricardo Carvalho e por William, que, ao contrário do jogo de Paris, raramente deixaram o lateral do Benfica em situações de dois para um.
Com isto não pretendo defender Eliseu e atacar Jardel. Muito pelo contrário. Ainda recentemente referi que Jardel é um mal menor na defesa do Benfica, porque, à imagem de Eliseu, é limitado mas razoável para as competições nacionais. O grande problema é que o Benfica jogo com os dois… e do mesmo lado. Ter um jogador deste calibre na equipa é aceitável. Ter dois jogadores desta qualidade no mesmo setor é suicídio. É imperativo que se mude algo naquele setor. Enquanto assim não for, o Benfica arrisca mais do que devia.
Uma palavra sobre a vitória de Portugal frente à Dinamarca: quando menos esperavam, os portugueses alcançaram um vitória crucial a todos os níveis. Gosto bastante de ver a seleção a jogar neste sistema de losango. Acho que é a melhor forma de explorar todo o potencial de Cristiano Ronaldo (viram as movimentações como faz em Madrid?). E quem dispõe de um jogador assim, não pode pensar em mais nada… que o digam os dinamarqueses.
A Índia é, pelos dias de hoje, uma das mais pluralistas e multiculturais sociedades do globo terrestre. Inserida na Ásia Meridional, é o segundo país mais populoso do mundo e o sétimo maior em área geográfica. É uma república composta por 28 estados e tem uma das economias mais fortes do mundo. Apesar de ser um país que ainda revela algumas carências a nível social – com a pobreza e o analfabetismo a estarem no topo das preocupações –, a Índia teve uma evolução brutal desde o início dos anos 90 e é uma das maiores potências económicas do planeta. A nível desportivo, como se sabe, o críquete é o desporto-rei e o futebol está longe de ser uma prioridade. Mas será assim por muito mais tempo?
REJUVENESCIMENTO DO FUTEBOL INDIANO
A questão levantada não tem, para já, uma resposta concreta. Mas a planificação desta nova temporada da Liga Indiana deixa antever que haverá uma aposta muito mais séria no futebol indiano. Nota-se que há interesse em fomentar o gosto pela modalidade e todo o investimento que tem sido feito é maioritariamente para agradar ao grande público, que anseia por entretenimento. A aposta dos indianos, para já, não é estrutural e por isso não se espere grandes melhorias na qualidade das seleções indianas dos próximos anos. O foco principal é o marketing e a divulgação desta reestruturada competição, que tem agora novos motivos de interesse para todos os amantes de futebol (indianos e não só).
INDIAN SUPER LEAGUE
A Indian Super League conta apenas com 8 equipas e está organizada em duas fases distintas. A primeira parte da competição é a fase regular, que arrancou neste mês e irá prolongar-se até novembro. Durante este período, cada equipa joga em casa e fora contra cada uma das restantes sete equipas do torneio e procura classificar-se para a ronda seguinte. Como? Ficando entre os quatro primeiros lugares da fase regular. Serão eles que darão acesso à segunda ronda do torneio, esta já em formato de playoff. As quatro equipas finalistas são sorteadas para jogar as meias-finais da competição, numa eliminatória a duas mãos. A final será um jogo único.
EQUIPAS
As cidades das 8 equipas em disputa Fonte: Wikipédia
E é aqui que tudo começa a ficar engraçado. O maior foco de interesse da Liga Indiana são as exigências para a formação do plantel. Cada equipa deve ter 14 jogadores indianos (4 deles naturais da cidade onde jogam), 7 estrangeiros e… um jogador “estrela”. Leu bem, todas estas normas devem ser respeitadas. É mesmo obrigatório que cada equipa tenha 7 estrangeiros e um jogador de craveira mundial no seu plantel. E, se ainda não conhece os plantéis, vai ficar surpreendido com os nomes que irei avançar em seguida. Aqui ficam então as 8 equipas presentes na competição:
ATLÉTICO DE KOLTAKA
Jogador “Estrela”: Luis García (ESP)
Treinador: Antonio López Habas (ESP)
Portugueses: Não tem
Outros jogadores de destaque: Édel Apoula (ARM), Josemi (ESP) e Borja Fernández (ESP)
Considerações: O Atlético de Kolkata apostou muito no mercado espanhol e escolheu Luis García, 36 anos, como o seu jogador “estrela”. O internacional espanhol, que já passou pelo Barcelona, Atlético de Madrid e Liverpool – neste último foi inclusivamente campeão europeu – é a figura de proa de uma equipa que ainda conta com os nomes do guarda-redes Apoula e dos espanhóis Josemi e Borja.
NORTHEAST UNITED
Jogador “Estrela”: Joan Capdevila (ESP)
Treinador: Ricki Herbert (NZL)
Portugueses: Miguel Garcia
Outros jogadores de destaque: Alexis Tzorvas (GRE) e Koke (ESP)
Considerações: Naturalmente, já deve ter esboçado um pequeno sorriso com os nomes aqui apresentados. Sim, é verdade. Capdevila, 36 anos, antigo campeão do mundo pela Espanha e ex-jogador do Benfica é o jogador “Estrela” desta equipa, que tem ainda o herói de Alkmaar, Miguel Garcia, no plantel principal. E pasme-se, leitor, que o português de 31 anos não é o único jogador ex-Sporting desta equipa do NorthEast United. Koke diz-lhe alguma coisa? Não, não é o do Atlético de Madrid. Koke é também espanhol, mas este é avançado e foi jogador dos leões em 2005/2006. Lembra-se dele?
DELHI DYNAMOS
Jogador “Estrela”: Alessandro Del Piero (ITA)
Treinador: Harm van Veldhoven (HOL)
Portugueses: Henrique Dinis
Outros jogadores de destaque: Nada a assinalar
Considerações: Pasmem-se os adeptos do futebol. Alessandro Del Piero, 39 anos, está de volta aos relvados e é ele que irá liderar a equipa do Delhi Dynamos neste campeonato. Não há mais nenhum jogador de relevo ou de craveira internacional, pelo que as atenções estarão todas viradas para aquele que é considerado por muitos como o melhor jogador de sempre do futebol italiano. Em relação a portugueses, o médio Henrique Dinis, ex-Vitória de Guimarães B, é o único jogador que faz parte do plantel.
PUNE CITY
Jogador “Estrela”: David Trezeguet (FRA)
Treinador: Franco Colomba (ITA)
Portugueses: Não tem
Outros jogadores de destaque: Bruno Cirillo (ITA) e Katsouranis (GRE)
Considerações: David Trezeguet, 37 anos, é ainda hoje recordado como um dos mais letais avançados da história do futebol francês. Fez 34 golos na seleção francesa e se olharmos, por exemplo, para a sua estadia na Juventus, verificamos que os números falam por si: 245 jogos – 138 golos. Um jogador com diversos títulos no currículo e que procura agora juntar mais um à sua coleção. Será interessante mencionar ainda o nome de Katsouranis, antigo jogador do Benfica, que faz parte deste plantel orientado pelo italiano Franco Colomba.
A taça com a presença de algumas das estrelas da competição Fonte: Globo
GOA
Jogador “Estrela”: Robert Pirès (FRA)
Treinador: Zico (BRA)
Portugueses: Edgar Marcelino, Bruno Pinheiro e Miguel Herlein
Outros jogadores de destaque: André Santos (BRA)
Considerações: Orientada por Zico, antiga glória do futebol brasileiro, esta equipa do Goa é aquela que tem mais portugueses nas suas fileiras, sendo Edgar Marcelino, jogador formado no Sporting, aquele que apresenta um melhor currículo. No entanto, currículo algum neste plantel se poderá comparar com o do jogador “estrela” desta equipa: Robert Pirès é ainda hoje recordado com saudade pelos adeptos franceses. Uma verdadeira lenda viva do velhinho Highbury Park (Arsenal) ao serviço de Zico e acompanhado pelo internacional brasileiro André Santos.
CHENNAIYIN
Jogador “Estrela”: Elano (BRA)
Treinador: Marco Materazzi (ITA)
Portugueses: Não tem
Outros jogadores de destaque: Bernard Mendy (FRA), Mikaël Silvestre (FRA) e Bojan Djordjic (SUE)
Considerações: Em termos de agressividade e garra, arrisco-me a dizer que esta equipa do Chennaiyin vai ser a líder do campeonato indiano. Obviamente que quem nomeia Marco Materazzi como treinador-jogador sujeita-se a ler este tipo de considerações. O defesa-central italiano, que foi campeão europeu com Mourinho no Inter, é um jogador de nível internacional, mas até nem foi o escolhido como jogador “estrela” da equipa. A honra ficou para Elano, médio criativo brasileiro, conhecido pelas suas passagens pelo Shakhtar Donetsk, Manchester City e Galatasaray.
KERALA BLASTERS
Jogador “Estrela”: David James (ING)
Treinador: David James (ING)
Portugueses: Não tem
Outros jogadores de destaque: Nada a assinalar
Considerações: A nível de vedetas/jogadores de relevo internacional, esta equipa dos Kerala Blasters é provavelmente a mais fraca das participantes. Quando o único jogador de destaque é “Calamity” James (o nome não vem por acaso) as expectativas terão de ser substancialmente mais reduzidas. O guarda-redes inglês David James sempre foi conhecido pelos erros colossais que cometia e nunca foi um nome consensual na baliza inglesa. Apesar de desconhecer o seu estado físico atual, não lhe prevejo grandes sucessos, dado que, aos 44 anos, os seus reflexos certamente não melhoraram.
MUMBAY CITY
Jogador “Estrela”: Fredrik Ljungberg (SUE)
Treinador: Peter Reid (ING)
Portugueses: André Preto e Tiago Ribeiro
Outros jogadores de destaque: Nicolas Anelka (FRA) e Manuel Friedrich (ALE)
Considerações: Muito questionável a escolha de Ljungberg, 37 anos, como jogador “estrela” dos Mumbay City. Nada contra a tremenda carreira do sueco, mas parece-me claro que Nicolas Anelka fazia mais por justificar esse estatuto, ou não fosse ele o jogador que mais milhões movimentou em transferências em toda a história do futebol. Ainda assim, quem tem Anelka e Ljungberg no plantel só pode ambicionar a conquista do título. Logicamente que 1 ou 2 jogadores não fazem uma equipa, mas tê-los no plantel dá uma (enorme) ajuda.
O FUTURO
Ninguém sabe ao certo se esta jogada de marketing vai dar certo ou não. Tanto pode correr muito bem, como correr muito mal. Mas deve louvar-se a coragem e a abertura dos investidores indianos, que querem dar algum dinamismo ao seu futebol. Mesmo que tudo isto se revele um enorme fiasco, a atenção dos media ficou redobrada. E nestes primeiros jogos, as bancadas dos estádios indianos têm estado completamente preenchidas para ver de perto alguns dos melhores jogadores da história do nosso futebol. Afinal, sejamos honestos: quem não pagaria para ver Del Piero, Trezeguet ou Pirès a dar uns toques na bola com jogadores da cidade do seu coração?
Como marcar golo? Começo este texto com a pergunta mais importante do futebol provavelmente. O que é preciso os jogadores fazerem, que estratégia a adoptar, que táctica implementar? Das diversas aprendizagens, influências e até personalidades (quem não se lembra do Boavista durinho como o Jaime Pacheco?), surge a resposta a esta pergunta (ou pelo menos pensa-se que surge já que o futebol não é uma ciência).
Cada treinador segue uma filosofia e implementa-a na sua equipa. Alguns querem a equipa a jogar conforme eles aprenderam; outros adaptam a forma de jogar às características dos jogadores que orientam – tudo na busca da táctica mais eficiente, da estratégia perfeita.
Olhamos para o Porto desta época e vemos uma equipa mais organizada e com uma filosofia de jogo diferente do ano passado: temos um treinador novo, uma equipa renovada e a forma de jogar mudou, assim como o plantel tambem mudou. Lopetegui tem uma filosofia de jogo assente na posse de bola, tal como as selecções espanholas têm, e tenta implementá-la no Porto. Porém, parece que falta algo nos nossos jogadores, parece que há ali uma barreira invisivel que impede os jogadores de brilharem, de fazerem a triângulação perfeita, de trocarem de bola de tal forma que deixe os adversários confusos.
Oliver tem as características que Lopetegui procura num jogador Fonte: abola.pt
Ora, o primeiro passo a fazer quando se olha para o Porto deste ano é tratar da nossa própria gestão de expectativas. Não de resultados – porque aí não exijo nada menos do que a vitória – mas exibicionais. Quem se lembra da posse de bola de toque curto, triângulações rápidas, desmarcações à entrada da área lembra-se do célebre Barcelona de Guardiola; se quisermos pensar a nível nacional encontramos como um excelente exemplo o Porto de Mourinho, que jogava em ataque continuado abafando o adversário. Mas tendo Lopetegui a escola espanhola e olhando para a forma como os sub-21 de Espanha jogavam, parece mais correcto fazer a comparação com os culés. Não adianta pensar que vamos ter um Porto à Barcelona, não vamos, faltam 2 pontos importantes: a formação dos jogadores e a sua qualidade.
O Porto actua em 4-3-3 nas camadas jovens, é uma forma de promover o potencial dos jogadores e de formar jovens com especial aptidão para determinadas posições. Não temos tiki-taka, os nossos jogadores não estão formatados para jogar dessa forma desde crianças e, além do mais, no nosso plantel quase não há espaço para jovens da formação. O outro ponto já referido é a qualidade dos jogadores: temos talento no plantel mas não temos um Messi, Xavi, Iniesta, Piqué, etc. Quem tem Iniesta, por exemplo, tem um jogador que garante duas coisas essenciais para quem joga no estilo tiki-taka: excelente recepção de bola e passe. A visão de jogo surreal e a técnica são mais dois dos factores que o transformam num craque. É preciso entender então as características dos nossos atletas. Temos um duo jogadores que são dotados de talento acima da média e que têm características propícias para o futebol de posse de bola – Ruben Neves e Oliver Torres – e depois temos jogadores que com maior ou menor talento não se encaixam totalmente no padrão exigido para jogar desta forma. É normal, portanto, que o Porto, por mais treinos e palestras que faça, não atinja aquele futebol espectacular com o qual sonhamos no inicio de cada época, que tenha dificuldades em passar o meio-campo com a bola controlada e que o poder de decisão no ultimo passe não seja o melhor. Se não atingimos a excelência, exijo então que atinjamos a quase excelência, aquele patamar antes da excelência que está reservado só para alguns plantéis; exijo também o título de campeão (será preciso referir isto?!) mas isso está no nosso ADN.
É preciso perceber a matéria-prima com que se trabalha, adapatar o futebol aos jogadores que o jogam e gerir as expectativas das exibições. Não que agora tenha que se perdoar as más exibições, nada disso. Apenas é preciso dar tempo à equipa e ao treinador para que se consigam adaptar um ao outro e perceber que, por enquanto, não vamos chegar ao ponto que muitas grandes equipas da história atingiram. Lopetegui tem lido bem os jogos, tem actuado de forma firme nas substituições e nas convocatórias e tem uma filosofia de jogo – o Porto vai adaptar-se e melhorar com o tempo. A quantidade de posse de bola (de quantidade não nos podemos queixar) vai-se transformar em qualidade mas iremos estar sempre reféns das características da matéria-prima – os jogadores.