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O Sporting está imparável!

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cab futsal

O Campeonato Nacional de Futsal prossegue a um bom ritmo, e ontem terminou a quinta jornada da competição com jogos extremamente competitivos.

Recordo que o Benfica venceu por 2-5 o Unidos Pinheirense, jogo disputado na passada quarta-feira em Gondomar. A vitória encarnada inaugurou a jornada cinco e colocou a equipa liderada por Joel Queiroz em 1º lugar à condição, visto que o Sporting ainda não tinha disputado o seu jogo diante dos Leões de Porto Salvo.

Depois do empate em casa frente ao Modicus, o Benfica tinha de reagir e sabia perfeitamente que não podia perder mais pontos; todavia, o jogo não começou como esperado: ao minuto cinco, Zé Marau inaugura o marcador, fazendo vibrar o pavilhão do recém promovido Pinheirense.

Após o golo houve uma reação muito positiva por parte dos encarnados, mas a finalização voltava a ser ineficaz e isso refletia-se no marcador. A um minuto do intervalo, Alessandro Patias marca, empatando a partida. As equipas foram para o intervalo empatadas a um golo.

No segundo tempo, o Benfica entrou de forma irrepreensível, marcando três golos sem qualquer resposta do adversário, dois deles por intermédio de Bruno Coelho. O Pinheirense ainda reduziu, mas Alan Brandi, jogador que fez a diferença no último jogo, fechou o resultado em 2-5, apontando um belo golo.

Bruno Coelho foi, sem dúvida, o homem do jogo, ao apontar dois golos Fonte: Slbenfica.pt
Bruno Coelho foi, sem dúvida, o homem do jogo, ao apontar dois golos
Fonte: Slbenfica.pt

De referir que o Unidos Pinheirense soma até ao momento zero pontos, tendo aumentado a sua série de derrotas para cinco consecutivas. Contudo, efetuou um bom jogo perante um adversário claramente melhor.

Com este resultado, a turma encarnada soma 13 pontos, estando a dois do rival Sporting.

Na próxima jornada há um escaldante Benfica-Braga, jogo entre 2º e 3º classificados, ambos em igualdade pontual, ou seja, será um jogo em que ambas as equipas irão dar tudo em campo, o que será extremamente apetecível para os amantes da modalidade.

O Burinhosa continua a surpreender! Ontem deslocou-se ao reduto do Belém e venceu por 1-2 num jogo bastante intenso, com inúmeras oportunidades para ambos os lados. Com esta vitória, a equipa de Alcobaça alcança uns importantíssimos três pontos, somando agora sete, enquanto o Belenenses continua sem pontuar, estando a fazer até ao momento um campeonato desastroso. Este resultado é extremamente positivo para a equipa em questão mas não só, porque são estes resultados que fazem os jogadores e restantes equipas técnicas acreditarem no sucesso e na força do trabalho árduo.

A equipa do Sporting de Braga continua a sua série de bons resultados. No domingo venceu a difícil equipa do Rio Ave por 1-0. É um resultado justo mas algo estranho, devido ao facto de ser muito invulgar haver apenas um golo num jogo de futsal. Com esta vitória, a equipa minhota continua sem saber qual é o sabor da derrota, estando em 2º lugar com 13 pontos. Está a ser um bom início de prova para o Braga, que no próximo fim de semana terá uma muito complicada deslocação até ao Pavilhão da Luz, jogo esse que servirá para perceber o que esperar desta perigosa equipa para as restantes jornadas.

O adversário do Braga, Rio Ave, receberá o campeão nacional num jogo que será muito disputado por ambos e que, certamente, terá incerteza no resultado e um nível de intensidade e qualidade altíssimos. Contudo, espero uma vitória leonina devido à magnífica qualidade que tem apresentado em todos os encontros que disputa.

Jogos da jornada seis, que serão realizados no próximo fim de semana. Serão certamente jogos de enorme qualidade, tendo obviamente de destacar o jogo da jornada: Benfica-Braga Fonte: Zerozero
Jogos da jornada seis, que serão realizados no próximo fim de semana. Serão certamente jogos de enorme qualidade, tendo obviamente de destacar o jogo da jornada: Benfica-Braga
Fonte: ZeroZero

O Sporting entrou em campo no 2º lugar, mas saiu de campo novamente em 1º devido à folgada vitória diante dos Leões de Porto Salvo por 7-1. Quem não viu o encontro deve achar que foi extremamente fácil para a equipa de Alvalade vencer; todavia enganam-se, porque foi um jogo de altíssima dificuldade. Os leões de Lisboa entraram bem no jogo e, ao minuto sete, inaugurou o marcador por intermédio do reforço Diogo, num remate que desvia num jogador adversário, traindo assim o guarda-redes. Passados cinco minutos, houve um novo golo, outra vez por intermédio dum reforço, mas desta feita foi Cássio, que, através de um bom trabalho individual e forte remate, faz o 2-0. Antevia-se um jogo mais tranquilo do Sporting porque apenas tinha de ir gerindo o resultado. No entanto, Djô comete falta dentro de área, falta essa que originou uma grande penalidade e respetiva expulsão para o jogador (a falta é clara mas para amostragem de cartão amarelo – nota muito negativa para os árbitros da partida neste lance).

Tuca encarregou-se de marcar o penálti e, perante Cristiano na baliza, não vacilou e marcou. Com este golo, a esperança dos visitantes num resultado positivo renascia, tendo sido este 2-1 o resultado ao intervalo.

A expulsão de Djô fez bem à equipa da casa, que entrou em campo de forma muito dominadora, concentrada e dispôs de inúmeras oportunidades para dilatar o marcador. Foi uma segunda parte de sonho para a equipa da casa, ao marcar cinco golos. Contudo, fica na retina que poderia ter marcado muitos mais. Os tentos foram apontados por Alex, Pedro Cary, Fábio Aguiar (dois) e Varela.

Fábio Aguiar, antigo jogador do Győri ETO FC da Hungria, apontou dois bons golos diante dos Leões de Porto Salvo, estando a começar a afirmar-se na equipa verde e branca Fonte: Uefa.com.pt
Fábio Aguiar, antigo jogador do Győri ETO FC da Hungria, apontou dois bons golos diante dos Leões de Porto Salvo, estando a começar a afirmar-se na equipa verde e branca
Fonte: UEFA

Com este resultado, a equipa comandada por Nuno Dias encontra-se no 1.º lugar com cinco vitórias em cinco jogos, possui o melhor ataque e a melhor defesa e está numa forma excecional.

O encontro entre Modicus e Cascais terminou com uma sofrida vitória por parte da equipa da Linha por 4-5.

A equipa do Cascais esteve a vencer por 0-3, mas teve uma ligeira quebra de rendimento. Esteve a ganhar pela diferença mínima (2-3), conseguiu fazer o 2-4, melhorando significativamente a sua probabilidade de vencer. A equipa de Sandim ainda reduziu a quatro minutos do fim, porém a boa organização defensiva e um exemplar espírito de sacrifício valeram à equipa visitante os merecidos três pontos.

Com este resultado, o Cascais encontra-se com nove pontos, estando em igualdade pontual com o Olivais, Fundão e o Póvoa Futsal. No próximo fim de semana irá jogar com o Unidos Pinheirense, atualmente em 13º na classificação ainda com zero pontos, ou seja, à partida será um jogo em que conseguirá facilmente os três pontos.

Dinamarca 0-1 Portugal: O comandante é sempre o último a abandonar o barco

cab seleçao nacional portugal

Completamente caída do céu: assim foi a vitória de Portugal, esta noite, no Parken Stadium, em Copenhaga. Não que a seleção das quinas não tivesse tido alguns bons momentos de futebol, mas com o passar dos minutos o empate parecia um desfecho perfeitamente natural e justo para tanto equilíbrio entre as formações. Contudo, e tal como já tinha acontecido há uns meses na Suécia, Cristiano Ronaldo resolveu.

Como se previa, Fernando Santos fez duas alterações relativamente ao onze que havia entrado em campo, no último sábado, em Paris, frente à França: Ricardo Carvalho e William Carvalho entraram para os lugares de Bruno Alves e André Gomes. Na Dinamarca, o experiente Morten Olsen optou por entregar a Hojbjerg e Kvist a primeira fase de construção ofensiva dinamarquesa, com Vibe e Krohn-Dehli a descaírem para as faixas, deixando à estrela da equipa Eriksen a tarefa de servir Nicklas Bendtner. Apesar de os treinadores terem apostado em modelos ofensivos, o que é facto é que a primeira parte ofereceu aos espetadores um ritmo muito baixo e pouco intenso. O pouco barulho que vinha das bancadas era suficientemente descritivo para explicar aquilo que as equipas faziam em campo: sempre devagar, Portugal apenas a espaços conseguia chegar com perigo à baliza contrária, ainda que cada protagonista do trio da frente lusitano (Nani aos 25 minutos, Danny aos 13 e Cristiano Ronaldo aos 7) tenha tido uma boa chance para fazer balançar as redes de Schmeichel.

Do lado dinamarquês, destacavam-se as nítidas dificuldades dos dois centrais, Agger e Kjaer, em construírem jogo ofensivo, o que provocava o constante recuo de Kvist e Hojbjerg, que, por isso, não se conseguiam incorporar com eficácia no último terço do terreno. Isso levou a que, não raras vezes, se tenha visto o quarteto defensivo de Olsen bombear bolas para o jogo aéreo de Bendtner. Ainda assim, coube a Krohn-Dehli a melhor oportunidade do primeiro tempo, com um remate colocado do lado direito do ataque a esbarrar no poste da baliza de Rui Patrício.

O jogo foi sempre muito disputado, mas nem sempre bem jogado  Fonte: EPA / Daily Mail
O jogo foi sempre muito disputado, mas nem sempre bem jogado
Fonte: EPA / Daily Mail

No segundo tempo, pouco se alterou no figurino da partida pois, apesar das palavras de ambos os técnicos, as equipas vieram com pouca capacidade para dar outra dinâmica ao seu jogo ofensivo. Por isso, a oportunidade flagrante desperdiçada por Cristiano Ronaldo aos 51 minutos perante Schmeichel foi uma gota num oceano de acalmia vivida em Copenhaga. Para Portugal, nem as entradas de João Mário, Éder e Quaresma tiveram, numa primeira fase, o condão de fazer despertar os comandados de Fernando Santos. Do lado dinamarquês, sempre ficou a ideia de que o empate já não seria um mau resultado e que apenas de uma bola parada ou de uma transição rápida poderia chegar o perigo para as redes de Patrício.

O jogo encaminhava-se para o final e, quando já poucos ou nenhuns o faziam antever, eis que o milagre lusitano aconteceu: jogada pela direita do ataque, com Quaresma a fazer um cruzamento “dos antigos”, teleguiado para a cabeça de Cristiano Ronaldo, que, a meias com Kjaer, fez o golo português no último minuto da partida. Mesmo que tenha feito pouco para o merecer, Portugal sai da Dinamarca com três pontos que podem ser cruciais na luta pelo apuramento. Mas, mais importante que tudo, parece que com Fernando Santos chegou também a estrelinha para a nossa seleção… e que bom seria que continuasse a seguir-nos, depois de tantos anos de ausência.

 

A Figura
Ricardo Carvalho –
O central português fez uma exibição irrepreensível: não falhou um único corte, não cometeu nenhum único erro de destaque. A exibição perfeita do central do Mónaco resulta nesta distinção

O Fora-de-Jogo
Nani –
Foi o primeiro a sair e, pelo que vimos esta noite, mais valia nem ter entrado em campo. Sempre longe do jogo, apenas aos 25 minutos apareceu no relvado. Apagou-se ao longo do encontro e foi, por isso, substituído com naturalidade.

Portugal 5-4 Holanda (sub-21): Dez em dez; fez-se história na Mata Real

cab seleçao nacional portugal

Hoje é um dia histórico para o futebol português. Com um merecido triunfo e uma exibição de grande personalidade, a selecção portuguesa de sub-21 completou o pleno na fase de qualificação – com dez vitórias em dez jogos, é a primeira selecção portuguesa de sub-21 a manter um registo 100% favorável – e apurou-se para um Campeonato da Europa deste escalão oito anos depois. A caminhada imaculada de Portugal até aqui cria grandes expectativas em relação à fase final, a disputar na República Checa em 2015, e é um motivo de esperança para uma selecção AA que se quer “renovada”.

A Mata Real, em Paços de Ferreira, acolheu o jogo de todas as decisões e viu um dos seus grandes talentos, o médio Sérgio Oliveira, capitanear a turma de Rui Jorge nesta segunda mão do play-off. Com apenas uma alteração em relação ao onze da primeira mão (Tozé no lugar do castigado Rafa), Portugal enfrentou uma Holanda que, de forma tão desorganizada quanto afoita, procurou o golo desde o primeiro minuto. Vamos à história do jogo.

Depois de alguns instantes de reconhecimento mútuo, o festival de golos começou. O relógio marcava 13’ e Ruben Vezo fez mexer a contagem pela primeira vez – livre de Tozé, desvio do central do Valência, 1-0. A resposta não tardou – dois minutos mais tarde, o gigante Weghorst (1,97m) bateu José Sá com um cabeceamento bem medido. Aos 20’ foi a vez de Ruben Neves corresponder da melhor forma a um canto cobrado pelo endiabrado Tozé.

O "benjamim" Ruben Neves, de apenas 17 anos, marcou o segundo de Portugal  Fonte: zerozero.pt
O “benjamim” Ruben Neves, de apenas 17 anos, marcou o segundo de Portugal
Fonte: zerozero.pt

Por esta altura, já se percebia que iríamos ter jogo com um ritmo frenético e de transições rápidas – o esquema ultra-ofensivo da Holanda, com três homens mais recuados e cinco unidades claramente vocacionadas para o ataque, causou muitos calafrios a Rui Jorge. Incapaz de travar o adversário pelo ar, a defensiva portuguesa foi muito permeável em bolas metidas em profundidade pelos holandeses à procura dos seus elementos mais rápidos na frente. No entanto, o volume ofensivo dos visitantes abriu brechas na sua própria defesa e Portugal conseguiu ir resolvendo a maior parte dos problemas, atacando com um futebol maduro, apoiado e envolvente.

Momentos antes do apito para os balneários, o possante Kongolo voltou a repor a igualdade no encontro com uma cabeçada fulminante: 2-2 ao intervalo. No reatar da partida, sem Ivan Cavaleiro e com Carlos Mané em campo, o domínio da selecção portuguesa intensificou-se. Mesmo sem conceder grandes espaços na retaguarda e trocando a bola com mais fluidez do que no primeiro tempo, Portugal acabou por se ver a perder pela primeira e única vez no jogo: Nathan Aké fez o 2-3.

A seguir, veio a contraofensiva – três golos e pelo menos o dobro dos falhanços escandalosos por parte de todos os elementos do ataque. Ricardo Pereira, que apontou dois golos de belíssimo efeito, e Bernardo Silva, que “matou o jogo” com um trabalho individual fabuloso, viraram o resultado para 5-3. Mas também Carlos Mané, Iuri Medeiros e Ricardo Horta – todos vindos do banco – agitaram a defesa neerlandesa e estiveram muito perto de levar a contagem para valores surreais.

Bernardo Silva foi provavelmente o melhor jogador no conjunto das eliminatórias  Fonte: EPA / telegraaf.nl
Bernardo Silva foi provavelmente o melhor jogador no conjunto das duas mãos
Fonte: EPA / telegraaf.nl

Aos 89’, o último fôlego de uma laranja muito pouco mecânica – Nathan Aké aproveitou uma grande penalidade cometida por Ruben Vezo para bisar e pôr fim às mudanças no placard, que acabou a exibir um 5-4 esclarecedor.

Esta selecção, jogando sempre de forma muito organizada e concentrada, mostrou em toda a qualificação que há muito talento em Portugal. Esta geração de sub-21, bem como aquela que foi à final do Euro Sub-19, tem condições para servir de base à chamada “renovação” da selecção AA. Agora resta-nos esperar que estes jogadores continuem a ter um espaço de afirmação nos respectivos clubes e aguardar ansiosamente pelo Euro 2015. Seja como for, hoje já foi escrita história.

A Figura

Ricardo Pereira – podia salientar a simplicidade de processos, a cultura táctica, a qualidade técnica e as duas assistências de Tozé, que se afirmou como o elemento em maior evidência no primeiro tempo. Mas a escolha de Ricardo Pereira é inevitável – os dois golos que marcou com grande classe e sangue frio, e que catapultaram Portugal para a vitória final, falam por si. Sempre muito trabalhador e inteligente dentro de campo, e muito habilidoso com a bola nos pés, Ricardo tem também o raro dom de tomar quase sempre a decisão certa. A extremo (como habitualmente), a segundo avançado (como hoje), a lateral-direito (como é utilizado no FC Porto) ou onde quer que seja, Ricardo será sempre uma mais-valia. Grande desempenho!

O Fora-de-Jogo

Permeabilidade Defensiva – a exibição ofensiva de Portugal foi tão extraordinária que não há como não sublinhar pela negativa os quatro golos encaixados. A defesa portuguesa sentiu algumas dificuldades perante a velocidade, o poder de choque e a capacidade aérea do ataque holandês – especialmente na primeira parte – e concedeu um número de golos ao adversário que podia ter sido o suficiente para comprometer a passagem à fase final.

Sochi: Mercedes confirma o inevitável, Parte I

cab desportos motorizados

“Congratulations on the constructors’ world championship. History in the making!” Lewis Hamilton sabe-o. Aliás, todos o sabem. A Mercedes vive uma época histórica no Campeonato Mundial de Fórmula 1 e a edição inaugural do circuito de Sochi – cidade russa que depois dos Jogos Olímpicos de Inverno está pela primeira vez incluída no calendário da competição – serviu de primeiro palco para a festa da equipa alemã.

Talvez assombrada pelo terrível acidente testemunhado em Suzuka sete dias antes, a corrida decorreu de forma mais tranquila do que, inclusive, era previsto: sem safety car, sem acidentes de maior ou polémica. A corrida de estreia em Sochi fica, sim, marcada por boas razões: foi lá que a Mercedes fez a festa no que ao Mundial de Construtores diz respeito. Confirmou o inevitável, por outras palavras, dado que os resultados de Lewis Hamilton e Nico Rosberg não deixam margem para dúvidas já há alguns meses.

Em pista estavam 21 pilotos e um ‘fantasma’. E que fantasma. Jules Bianchi tinha gravada na pista uma mensagem de incentivo e esteve presente em cada uma das cinquenta e três voltas dos pilotos — talvez por isso não se tenha verificado nenhum acidente de maior e não tenha sido necessária a intervenção do safety car.

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Com o estado crítico de Bianchi presente no pensamento de todos, a edição inaugural do Grande Prémio de Sochi serviu… Para cumprir calendário. Sem acidentes, sem surpresas
Fonte: Sutton Images

Lá na frente, Hamilton viu Rosberg ganhar-lhe o primeiro lugar ao falhar a travagem na primeira curva, motivo pelo qual a Mercedes se apressou a restabelecer a ordem. A partir daí, foi mais um passeio para o britânico, enquanto o alemão fazia o impensável: recolheu à box no final da primeira volta com vibração de pneus e… Não mais terminou. Um jogo de pneus para uma só corrida.

Se à Mercedes tudo corria bem, a Red Bull ajudava a equipa germânica como se assim fosse necessário: nem Ricciardo (7º), nem Vettel (8º) conseguiam fazer frente à irreverente dupla que lidera e, assim, estava confirmada a primeira parte de um filme inevitável – Mundial de Construtores para a Mercedes, que pela nona vez na temporada terminava uma corrida com os dois carros na linha da frente!

No que ao mundial de pilotos diz respeito… É apenas uma questão de tempo. Depois de muita polémica entre os dois, Lewis Hamilton tem agora uma vantagem de 17 pontos sobre Nico Rosberg na classificação geral. O título será certamente entregue a um dos dois, dado que Daniel Ricciardo tem menos 75 pontos que o alemão. Para já, seguem-se 17 dias de pausa até ao GP dos Estados Unidos da América ter início. Depois, Brasil e Abu Dhabi.

Porto(cale) – que saudade…!

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serefalaraporto

Ainda sou do tempo em que se começava a discutir a Globalização …
Ainda sou do tempo em que ia ao Dragão cantar músicas a jogadores portugueses…
Ainda sou do tempo em que o Porto ganhava a Taça UEFA com 15/18 jogadores portugueses…
Ainda sou do tempo em que o Porto ganhava a Liga dos Campeões, com 13/18 jogadores portugueses…
Ainda sou do tempo em que Portugal chegava à Final de um Europeu, com 6 jogadores do Porto no 11 inicial…
Ainda sou do tempo em que Portugal chegava à Meia-Final de um Mundial, com 9 jogadores que tinham passado pelo Porto, pouco tempo antes…
Ainda sou do tempo em que ia ao Dragão cantar “Tu aqui vais jogar, para ganhar, ser campeão… João Moutinho”

Sou do tempo em que, no Dragão Caixa, se assiste aos jogos das diferentes modalidades e os planteis são constituídos na sua grande maioria por portugueses…
Sou do tempo em que, pela primeira vez na história, o Porto jogou sem NENHUM Português no 11…
Sou do tempo em que apenas 14,3% do plantel portista é português (4/28) mas em que só dois jogadores jogam (mas nem sempre!)…
Sou do tempo em que são convocados 12 jogadores do FC Porto para as respetivas seleções e apenas Quaresma para a principal Seleção Nacional…

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João Moutinho – possivelmente, a última grande figura portuguesa do FC Porto
Fonte: publico.pt

O Porto é um clube de cidade! É um Clube onde a mística do Dragão e dos seus adeptos é a cidade! É facto que, cada vez mais, o Porto é conhecido pelo mundo. Não só pelos resultados alcançados, mas por todo o universo que o FC Porto representa. É reconhecido por ser um dos melhores “caça-talentos” do mundo, um dos melhores formadores desses talentos do mundo, um dos melhores valorizadores e vendedores de ativos do mundo. Esse reconhecimento é feito não só pelos portugueses, mas também por estrangeiros adeptos do futebol, bem como por jogadores que passaram pelo Reino do Dragão e que, na sua maioria, descrevem o clube como “o melhor por onde passaram”. Também as instalações são fantásticas, o estádio é fantástico, e, como não podia deixar de ser, os adeptos são fanáticos e muito exigentes. É um clube cuja filosofia é sempre “ganhar” e onde dificilmente um adversário consegue sair vencedor das partidas no estádio do Dragão.

Estes são apenas alguns dos atributos dados ao clube. Ser FC Porto é inevitavelmente ser cidade do Porto. Ser cidade do Porto é inevitavelmente ser Portucale, … Pertencer a esta cidade ajuda a compreender o 2º lugar dos estádios mais temíveis do mundo.

É necessário censurar a não inclusão de qualquer português em campo bem como a ausência de jogadores portugueses no banco … Nos últimos anos, outros clubes em Portugal eram pelo Porto criticados por só jogarem com estrangeiros – brincando-se até com o “será que no balneário a língua utilizada é espanhol”? Se olharmos para o nosso plantel actual, 11 jogadores têm como língua materna o espanhol …

Ainda sou do tempo em que os adeptos podiam dizer: “não sou de Portugal, sou do Condado Portucalense”. Nós é que somos Portugueses, no sul são “os mouros”.
Hoje, a nação Portista ao olhar para o seu plantel deve questionar-se: “direi Condado Portucale ou Hispania”?

Jogadores Que Admiro #24 – Kaká

jogadoresqueadmiro

8 de Junho de 2009. A data em que Kaká, um dos extraterrestres do futebol, foi levado de volta para o seu planeta. Ninguém sabe bem porquê, mas todos conhecem o culpado. Foi o Real Madrid, interessado em formar uma nova equipa de galácticos, que o fez desaparecer. Kaká nunca mais voltou.

A 8 de Junho de 2009, o planeta futebol deixou de ter Kaká e passou a ter Ricardo Leite. A mesma pessoa, mas um jogador diferente. Um igual aos outros. Faltava-lhe a paixão genuína pelo jogo, a diversão por fintar um adversário, a emoção de fazer a bola abanar a rede e ir festejar com os adeptos. O Ricardo, por muita técnica que pudesse ter, não tinha o mais importante. Não era o Kaká que todos conheciam e que, inesperadamente e sem uma explicação racional, perdeu o génio que tinha dentro de si.

Kaká ganhou a Bola de Ouro em 2007  Fonte: photoa.dlnewera.com
Kaká ganhou a Bola de Ouro em 2007
Fonte: photoa.dlnewera.com

O Kaká a que estávamos habituados entrou para a galeria de notáveis do AC Milan. San Siro vestia-se de gala só para o ver jogar, tal como fazia nos tempos de Gullit, Rijkaard e Van Basten. E Kaká retribuía, semana após semana, com golos e poemas de futebol. É impossível esquecer a exibição do outro mundo que fez em Old Trafford nas meias-finais da Liga dos Campeões 06/07. Ou o golo monumental que marcou à Argentina, em que correu 80 metros com Messi no seu encalço. O prémio de melhor jogador do mundo, ganho em 2007, elevou-o ao patamar que merecia. É este Kaká que vou recordar daqui a uns anos, mesmo que a minha memória me queira atraiçoar e fazer com que me lembre apenas do brasileiro vestido de branco (e até assim teve momentos de génio).

De Kaká sempre pudemos esperar tudo e nada; nada porque era de tal forma imprevisível que era impossível adivinhar o que iria sair dos seus pés, e tudo porque, fosse o que fosse, seria pura magia. Juntando a classe futebolística à postura exemplar fora dos relvados, demonstrando uma simplicidade e uma humildade fascinantes, difícil – eu diria mesmo impossível – é não admirar um jogador como Kaká. Um extraterrestre que aterrou em San Siro e que, entre 2003 e 2009 (esqueçamos o que se sucedeu daqui em diante), fez coisas que o comum dos mortais não seria capaz de fazer. E depois partiu, sem avisar. Deixou saudades.

Top10 – Aqueles que mais quis ser

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…mas que nunca consegui. Para o caso nada importa o facto de ter jogado futebol durante onze anos: todos nós, jogadores ou não, num momento ou noutro, quisemos ser como um daqueles que nos encantavam nos relvados. Fazer a finta igual, bater o livre com o mesmo estilo, jogar de cabeça levantada como o tal médio criativo. Desde os posteres colados na parede ao replay consecutivo de vídeos no youtube, esta lista ultrapassa o conhecimento do jogo que entretanto adquiri e transcende também várias fases diferentes do meu acompanhamento ao desporto rei: uns, ídolos de infância; outros, modelos a seguir como futebolistas. Estes foram os dez que, um dia, também quis ser.

[tps_title]10º Cristiano Ronaldo[/tps_title]

Fonte: dailymail.co.uk
Fonte: dailymail.co.uk

De todos os presentes nesta lista, Cristiano será simultaneamente aquele que mais leitores elegerão para um top deste género e o que menos me influenciou no que à forma de jogar diz respeito. De Ronaldo, guardo toda a personalidade: a perseverança, o querer, o trabalho, a confiança, o atrevimento e tantos outros traços de personalidade que o levaram ao sucesso e que dele tomei exemplo. Digo sempre que a minha maior virtude é não saber perder. E acho que o aprendi um pouco com ele.

Mónaco: O que é feito deste projecto?

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ligue 1

Na época passada um novo projecto surgiu – chama-se Mónaco e apostava num regresso do clube aos grandes palcos do futebol mundial. O projecto era ambicioso. Contou com contratações sonantes, como as de Radamel Falcao, João Moutinho, Ricardo Carvalho, James Rodriguez ou Eric Abidal. Mas o que mudou de uma época para a outra? A época passada foi sem dúvida um salto imenso para um clube que tinha acabado de chegar da segunda divisão francesa – terminou como segundo classificado e foi apenas superado pelo poderoso Paris Saint-Germain. E agora? Muitos foram os adeptos, e amantes do futebol, que ficaram desiludidos com o que aconteceu no último mercado de transferências: as saídas de Falcao e de James e nenhuma entrada de peso para as colmatar.

O caso deu que falar. Esperava-se que o magnata russo, Vadim Vasilyev, continuasse a levar a cabo a ideologia demonstrada no início da época transacta: contratar nomes sonantes e elevar o estatuto do Mónaco. Tal não aconteceu e o início da época mostrou uma série de resultados negativos que deixou os adeptos do clube monegasco em alvoroço. Chegou mesmo a falar-se em devolução de bilhetes de época. Para o novo treinador, o ex-leão Leonardo Jardim, o cenário também não se afigurava bonito. Deixou o projecto leonino para se juntar ao Mónaco na expectativa de rumar a maiores destinos, mas viu-se a braço com as saídas de dois pilares da equipa e com um plantel que, aparentemente, não estaria ao nível daquele que lutou pelo título na época passada. O projecto morreu, diziam. Eu discordo.

O projecto não morreu e está longe de morrer. Esta época será ligeiramente antagónica. O fair-play financeiro não permitiu que o clube fizesse grandes movimentações no mercado de transferências, o que fez com que o Mónaco se visse obrigado a apostar essencialmente nos seus jovens ou em jovens talentos provenientes doutros clubes. E talento não falta a estes miúdos! Nomes como Kurzawa, Germain ou Yannick Ferreira-Carrasco representam o talento proveniente das camadas jovens do clube e têm agora maior margem de manobra para jogarem mais minutos e demonstrarem o seu verdadeiro valor.

Moutinho e Bernardo Silva - as caras da experiência e da juventude no meio-campo monegasco  Fonte: Mónaco: madeinfoot.com
Moutinho e Bernardo Silva – as caras da experiência e da juventude no meio-campo monegasco
Fonte: Mónaco: madeinfoot.com

De outros clubes também chegou talento – Wallace, promissor central brasileiro, veio por empréstimo do Sporting de Braga, e Bernardo Silva, médio português proveniente do Benfica que tem brilhado com as cores do Mónaco e que promete cada vez mais vir a ser um dos maiores nomes do futebol nacional a vingar entre a elite mundial do futebol. Juntando estes novos talentos à experiência e qualidade de nomes como Berbatov, João Moutinho ou Ricardo Carvalho, acho que a equipa tem uma margem de progressão enorme, com idades e culturas muitos diferentes a convergirem e a crescerem juntas.

Este projecto está longe de morrer. Este ano, por razões externas, o Mónaco foi forçado a adoptar uma postura mais passiva no mercado de transferências e a apostar em empréstimos e em jovens talentos. As coisas têm vindo a melhorar e o mau início de época tem vindo a ser colmatado por um crescente rendimento no campeonato e por uma campanha sólida na Liga dos Campeões. Para além de tudo isto, ninguém me tira da cabeça que Vadim Vasilyev, juntamente com Leonardo Jardim, estará a preparar uma nova lista de alvos a contratar para a próxima época (ou até mesmo já no mercado de inverno) que irá deixar os seus adeptos muito satisfeitos e a recuperar a ideia original do projecto: grandes nomes para reerguer um grande clube.

Há Taça ou não há Taça?

amarazul

Desejado por muitos, odiado por outros, a verdade é que o Estádio Nacional do Jamor tem um significado especial para o futebol português. É lá que termina a época a nível interno, mas apenas para dois clubes. A grande questão que aqui se coloca baseia-se na ausência do Futebol Clube do Porto dos palcos a um jogo na última época. Há Taça ou não há Taça?

2013/2014 foi terrível e não há como o contornar. Desde o terceiro lugar no campeonato às meias-finais das duas Taças perdidas com o eterno rival (e isto apenas no panorama nacional), o único ponto positivo resumiu-se mesmo à conquista da Supertaça num começo de época que por algumas semanas parecia promissor. Resumindo, foi uma época terrível e com ela veio uma pouco habitual ausência da primeira competição da temporada.

Como um grupo de crianças perdido no meio de uma floresta que tanto lhes devia dizer, os comandados de Paulo Fonseca e, mais tarde, Luís Castro, falharam redondamente. Mas são águas passadas. Este ano, o barco é outro e o mesmo se aplica ao capitão e à ‘turma’. Os fatores são outros. Tudo é diferente. E com isto vêm as primeiras perguntas. Uma vez mais, este ano há ou não há taça?

Sempre foi objectivo de Pinto da Costa dominar a nível interno. É assim há dezenas de anos, assim será nas próximas. Como tal, a Taça de Portugal tem de ser um dos principais objectivos dos Dragões para esta época e o primeiro desafio está à porta. Depois de mais uma paragem extremamente oportuna e bem posicionada no calendário, como todas (percebe­se a ironia?), a competição de clubes regressa igualmente de forma oportuna, com… uma eliminatória da Taça de Portugal frente ao Sporting e, pouco depois, uma jornada dupla com o Athletic Bilbao para a Liga dos Campeões. Mas aqui não há desculpas.

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Em 2013/2014, a campanha azul e branca ficou manchada de vermelho, tanto numa como noutra taça. Este ano, é obrigatório remediar a situação
Fonte: impresa.pt

É mais do que evidente que o Porto joga à Porto quando tem calendários apertados, ao invés de defrontar equipas de nível inferior. Como tal, não há nada a esperar senão uma boa exibição e, atrevo­me a afirmar, uma vitória em pleno Estádio do Dragão rumo à quarta eliminatória daquela que é (talvez) a mais emblemática prova do futebol português.

Mas com quem, em que condições e com que facilidades? Será este, mesmo sendo frente a um dos ‘três grandes’, um daqueles jogos em que a equipa principal aparece maioritariamente escalada para o banco? Mais, acontecerá o mesmo do outro lado? E, acontecendo ou não, quão fácil será o duelo?

Encaro o regresso à Taça cheio de dúvidas mas acima de tudo como uma enorme vontade de ver mais um jogo. Afinal, é mais um título que dentro de alguns meses se pode juntar às centenas de troféus que este ano observei no tão apaixonante museu.

Médio Defensivo “Barco Rabelo”

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a minha eternidade

“Os tempos são três: o presente das coisas passadas, o presente dos presentes e o presente das futuras” (Santo Agostinho: Confissões)

Os meus artigos versarão sobre a actualidade do Futebol Clube do Porto consubstanciada na história e no seu devir. Articularei revisitações e prolegómenos a uma instituição vencedora desde 1893 até ao fim dos tempos.

Este clube portuense, uma perpetuação eterna do meu espírito quando a matéria se dissolver, irá ser o meu objecto transcendente de reflexão, entrecruzando razão e paixão. A “Bola na Rede” propícia um extasiar de emoções desmedidas, contraditórias, dialécticas. O golo é o ponto marcante na ligação afectiva com este desporto, um marco na nossa cronologia vivencial. A marcação do tento constrói essa panóplia diversa de simbologias, vista por uns como um beijo na rede, por outros como uma lança que trespassa o coração. Esse momento de fruição e trauma momentâneo é relembrado, revivido e reconstruído ao longo das nossas vidas. O grito de golo é uma expressão da “liturgia” desportiva mais solene. Na religião e no desporto, as liturgias/gritos de golo devem apenas pautar o quotidiano, mas nunca a finalidade, a substância da crença. A racionalidade da veneração só é feita se empreendermos um questionamento constante e incessante da nossa identidade, não para negar, mas para fortalecer, solidificar e aprimorar essa natureza intemporal. Renego liminarmente a concepção de que a paixão é incontestavelmente a antítese da racionalidade. Para esse amor racionalmente lúcido, irei socorrer-me da conjugação dos tempos e de uma transdisciplinaridade de vários saberes.

A “Bola na Rede” pontua essa plenitude de significados que este jogo suscita. Sem dúvida, o objectivo final do jogo é apenas o início da procura da compreensão do fenómeno social total. 

 

António Nicolau de Almeida, responsável pela fundação do Futebol Clube do Porto em 1893, era um importante comerciante de vinho do Porto. Esta instituição desportiva está perfeitamente incorporada e identificada com a identidade da cidade e dos portuenses. O comércio do vinho do Porto marca indelevelmente a história do seu clube mais afamado e também da cidade. Para essa actividade comercial não existe símbolo mais marcante do que os barcos Rabelos. Estas embarcações são o testemunho de uma era na qual cada viagem era uma aventura no limiar da vida e da morte. Em meados da década de 60 foram substituídos pelos comboios e camiões. A inactividade económica actual contrasta com o seu poder simbólico presente, atestado pela sua perpetuação como ícone, navegando ainda hoje nas ribeiras da Régua, Gaia e Porto. Sem as suas odisseias talvez o Alto Douro não fosse conhecido como a região da vinha e do vinho.

barco rabelo
Barco Rabelo no rio Douro – um clássico portuense
Fonte: pt.wikipedia.org

Os Rabelos foram durante séculos os únicos meios disponíveis para transportar as pipas de vinho desde a zona de produção até ao entreposto exportador, no Porto e em Gaia. No Porto “vintage” de Lopetegui quem será esse jogador “Rabelo”? Neste início de época, os azuis e brancos têm denotado imensa dificuldade na saída de bola, com uma troca de passes circular entre os quatro membros da defesa, que se tem revelado inoperante e, por vezes, muito arriscada. Essas deficiências provocadas por um excesso de jogo apoiado na 1ª fase de construção não se explicam apenas pela articulação dos membros de sector. É necessário enquadrar o médio defensivo neste processo.

Sendo descabido falar de um ex-jogador quando se quer explicar as deficiências da equipa, importa mencionar o “polvo” Fernando para compreender a mudança de estilo nessa posição específica. Este era um jogador mais posicional, com um perfil enquadrado e semelhante ao dos seus predecessores no lugar de médio defensivo puro (ou trinco). Paulo Assunção, Costinha, Jaime Pacheco ou André, para citar alguns, eram jogadores mais equilibradores, mais estáticos no posicionamento, lateralizando preferencialmente no passe. O Futebol Clube do Porto necessita de um médio defensivo que assegure não apenas a cobertura de espaços, mas que ligue o sector defensivo com os restantes colegas do “miolo” (passe curto) e com a linha de avançados (passe médio/longo), ou seja, necessita de um pivot. A indefinição do modelo de saída de bola na zona defensiva é também explicada pela constante alternância de jogadores e também da própria ideia de jogo para a linha média, mais concretamente na sua “pedra” mais recuada. Naquele posicionamento já actuaram Marcano, Herrera, Casemiro e Ruben Neves. O espanhol, central adaptado, é forte nas marcações mas empresta pouca dinâmica ao colectivo. O mexicano é muito bom na condução de bola junto ao pé em velocidade e apresenta destreza suficiente para sair daquela zona de pressão com a bola controlada; o seu problema surge no momento seguinte, o da entrega – Herrera ainda é algo débil no passe, mesmo no curto. O brasileiro Casemiro disponibiliza-se bem para jogar com os defesas e tem um passe longo magistral mas quando recebe a bola fá-lo inúmeras vezes de costas e tem dificuldade em rodar e se perfilar para a baliza adversária, perdendo a posse nessas ocasiões. Dito isto, o jogador mais completo para a posição é Rúben Neves. Recua, aproximando-se dos defesas para a ligação, sai bem da pressão em rotação ou progressão, vertical e seguro no passe curto, hábil na variação do sentido de jogo, confiante para procurar desmarcações a 30 metros e para arriscar a finalização com o seu potente remate de meia distancia.

FC PORTO - MARITIMO
Rúben Neves pode ser a melhor das soluções para posição ‘6’
Fonte: abola.pt

Este jogador, formado nas escolas azuis e brancas é esse médio, que, como um barco Rabelo, navega desde a “zona de produção” até aos “entrepostos exportadores”, ou seja, proporciona a ligação entre sectores – o defensivo e o ofensivo – sem descurar a segurança e a cobertura zonal.

O Futebol Clube do Porto, com a saída do “Polvo”, tem de alterar a tipologia estilística colectiva e o perfil individual nessa posição nevrálgica, que marcou historicamente estas últimas três décadas grandiosas do clube. Com este paralelismo histórico, procuro reavivar uma velha identidade, que proporcione carácter à equipa de futebol e familiaridade afectuosa a quem a segue com paixão.