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Top10 – Dez razões para amar futebol

Gonçalo Martinho · 8 min

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As minhas dez razões para gostar de futebol são simples.
Dez nomes incontornáveis para o mundo, dez referências para mim. Dez razões, quase mandamentos.
Nunca gostei de ‘meninos copo de leite’ porque a essência do futebol para mim é magia e coração. É isso que me faz pagar bilhete. É o que mais gosto de ver. E por isso não consigo não ver com bons olhos quem tem mau feitio e um quê de arrogância, quem gosta de uma boa picardia, mas quem acima de tudo tem classe e uma genialidade inegável.
Dos anos em que joguei, em quase todos vesti aquela que para mim é a melhor camisola, a 10. E a culpa é inteiramente destes meninos…

[tps_title]10º Zlatan[/tps_title]

Fonte: i.ytimg.com
Fonte: i.ytimg.com

Há melhores? Muito provavelmente sim. Mas muito poucos aliam tudo aquilo de que gosto num jogador, como este tanque sueco. Técnica, força, capacidade de finalização, irreverência, mau feitio… É Zlatan.
Um jogador que não vingou em Barcelona, mas por uma razão simples: “não havia lugar para uma personalidade como a minha no pequeno mundo de Guardiola”.
Um jogador que recusou ir para o Arsenal aos 17 anos porque não aceitava prestar provas, um jogador que faz golos que ninguém consegue reproduzir em jogos de computador, um jogador capaz de colocar em sentido qualquer defesa. Seja pela temível qualidade, seja pela intimidação…
Mas Zlatan é na verdade um coração mole, como ele próprio admite:
“O que dei à minha mulher no aniversário? Nada. Ela já tem Zlatan”.
Sim, eu gosto de jogadores com esta cara de pau.

[tps_title]9º Cristiano Ronaldo[/tps_title]

Fonte: 4.bp.blogspot.com
Fonte: 4.bp.blogspot.com

É a escolha fácil. A história da gata borralheira. O menino que não tinha nada e que hoje é rei. O menino pobre que atinge o topo. Tão utópico e bonito quanto real, neste caso. É o melhor do mundo, o jogador que mais admiro actualmente.
Por norma aprecio outras características, como vão ter oportunidade de ver através das restantes escolhas, mas… dá para deixar Cristiano de fora?
Uma autêntica máquina de fazer golos. É o melhor atleta do mundo, tem uma capacidade física invejável, uma qualidade técnica anormal, uma violência de remate estonteante com qualquer um dos pés e um jogo aéreo fortíssio – é o jogador mais completo do momento.
Para além disso é um exemplo de determinação, profissionalismo e atitude. Uma força inexplicável que não sabe perder. Tudo é competição e tudo é para ganhar. Gosto verdadeiramente disso.
Um ídolo.

[tps_title]8º Romário[/tps_title]

Fonte: lh4.googleusercontent.com
Fonte: lh4.googleusercontent.com

O baixinho era génio. Quem não vibrou com Romário não é filho de boa gente.
Mais uma vez, um jogador que me enche as medidas. Polémico, sem medos, agressivo, mas com um dom e uma capacidade técnica que lhe permitia tudo isso.
Bom de bola, com um arranque impressionante e uma capacidade finalizadora muito acima da média, Romário foi um dos grandes génios do futebol mundial. Um avançado matador que tinha a receita perfeita para fazer tantos golos…”Os bons atacantes só marcam golos se mantiverem boas relações sexuais no dia anterior”. Dá para não gostar?
E para os que acham que ele é arrogante e com vedetismos inexplicáveis, a razão é simples: “Eu não sou os outros. Sou Romário”. Craque.


[tps_title]7º Riquelme[/tps_title]

Fonte: hinhnen.ibongda.vn
Fonte: hinhnen.ibongda.vn

Um 10 histórico. Um verdadeiro hincha. Novamente, quem gosta de futebol tem de gostar de Riquelme. Quantos marcam bolas paradas como ele marca? Quantos fazem os dribles estonteantes – aquele túnel mítico ao serviço do Boca Juniors ficará para sempre gravado na minha memória – como ele faz? Dono de uma técnica invejável, com uma qualidade de passe assombrosa e um nível de leitura de jogo elevadíssimo, é dos jogadores que poderia ter sido tudo. Não sendo tudo, foi tanto.
Roman é outro génio do futebol, um verdadeiro falso lento que se tornou numa das minhas dez razões para amar futebol. Um ídolo e uma lenda viva para o Boca, um ídolo para mim.
Um dos maiores um dia disse: “Se dependesse de mim fazer uma equipa, Riquelme jogaria sempre”. Quem disse isto? Zidane.
E para quem acha que Riquelme não corre e nunca se esforçou realmente, a explicação é óbvia: ele nunca precisou.

[tps_title]6º Totti[/tps_title]

Fonte: wallshed.com
Fonte: wallshed.com
O maior símbolo da Roma, o maior símbolo mundial de amor a um clube que conheço.
Há mais? Sim, claro. Mas para mim, nenhum como Francesco Totti.
Único, bon vivant, tecnicamente fantástico e com um espirito guerreiro inquestionável.
O eterno 10 romano, O capitão, o líder, o maior sonho de qualquer adepto. Não duvidem disto. Totti deu mais à Roma do que Roma a Totti. E isso é tão raro…
Sim, tem um feitio terrível, é agressivo, por vezes desleal com os adversários, polémico em entrevistas e conflituoso dentro e fora das quatros linhas. É verdade. Mas é um génio, leal com os seus, fiel aos tiffosi, decisivo em inúmeras partidas e consciente do seu peso e valor para a Roma. E humilde… “Se tivesse saído da Roma já tinha ganho 3 Bolas de Ouro. Muitos criticam-me por não sair daqui, mas este era o meu sonho desde menino”.
Cada um vê o que quer, como quer. Eu vejo Totti como um dos camisolas 10 que mais me inspirou. Uma lenda. O Capitão.

[tps_title]5º João Pinto[/tps_title]

Fonte: Mais Futebol
Fonte: Mais Futebol

João Vieira Pinto.
O menino de ouro encarnado. O meu primeiro ídolo. O meu capitão, eterno 8 das águias, o único que saiu da Luz para um rival e continuou a merecer o meu aplauso de pé.
Saiu do Benfica e fez-me chorar… mas compreendi. Afinal, era o João Pinto.
Um jogador que teve azar por ser dos mais geniais de sempre a actuar numa das piores equipas, se não a pior, de sempre do meu Benfica.
Com um centro de gravidade baixo, era dos melhores jogadores a finalizar de cabeça, dos melhores a jogar com os pés, dos melhores a fazer tudo. Tecnicamente muito evoluído, sempre foi – desde as camadas jovens – apontado com uma estrela e claramente nunca desiludiu.
Saiu mal da equipa das quinas e foi crucificado por muitos. Acabou a carreira de forma inglória, sem a despedida merecida, com a ausência de um grande palco para o aplaudir. Merecia mais. Para mim será sempre JVP, o baixinho de penso no nariz que fazia magia quando pegava na bola. Será sempre o meu ídolo, o menino de ouro encarnado.
“João Pinto tem classe até a andar”. Se Maradona diz isto, quem sou eu para contrariar?
[tps_title][tps_title]4º Ronaldo[/tps_title]

Fonte: 33.media.tumblr.com
Fonte: 33.media.tumblr.com

Não há um miúdo da minha geração que não quisesse ser o Ronaldo. Um.
Isso diz tudo.
O melhor avançado que vi jogar – rapidíssimo, com uma finalização absolutamente impressionante, uma eficácia doentia e um poder técnico muito à frente para o seu tempo. Ronaldo era um matador e disse um dia, à semelhança do ‘baixinho’, que “Um bom sexo algumas horas antes do jogo é a chave!”. Treinadores deste mundo, metam os olhos nestas duas lendas…
Percursor da mítica ‘vírgula’ celebrizada por Ronaldinho, autor de golos que ainda hoje são obras de arte e com uma força interior muito acima da média, Ronaldo sempre foi igual a si próprio.
Suplente do Brasil campeão de Romário em 94 com 17 anos, destruidor de defesas em Milão e na Catalunha, guerreiro após a lesão no joelho, matador em Madrid, doido por mulheres, bom apreciador da vida, histórico do Brasil… Lenda.
Ficou gordo? “Meu peso não interessa a ninguém. Quando marco golo, fico mais magro”.
Embrulhem.
Ronaldo é eterno. Fenómeno.

[tps_title]3º Zidane[/tps_title]

Fonte: wallpapers55.com
Fonte: wallpapers55.com

Um maestro. O carrasco de Portugal para muitos. Para mim é provavelmente o jogador com mais classe que tive o prazer de ver jogar.
Decidido, frio, eficaz, milimétrico, desconcertante. Zidane. Dono de uma classe invulgar, sabia sempre onde meter a bola, como meter e em que momento. Parece fácil? Só parece, acreditem.
Um líder pela elegância em campo, pela qualidade técnica e nível superior que impunha no jogo das equipas por onde passou. Outro 10 imortal, que ficará para sempre na história francesa como o melhor jogador de uma selecção de estrelas que reinou entre 98 e 2002.
Um génio que só não foi considerado – outra vez – melhor do mundo em 2006 porque parecia mal. Se tivesse vencido esse mundial sairia dos relvados como campeão e melhor do mundo, seguramente. Seria memorável e merecido. Assim sai como inesquecível e eterno.
Prefiro a segunda, gosto de humanos. “A Materazzi não posso pedir perdão. Nunca. Seria desonrar-me. Prefiro morrer”.
Disse uma vez que “O futebol só é bonito quando não fazes ideia do que se vai passar”. Com Zizou o futebol foi sempre bonito…
[tps_title][tps_title]2º Ronaldinho[/tps_title]

Fonte: wallpapers55.com
Fonte: wallpapers55.com

Escolha fácil. Mulheres? Sim. Festa? Sim. Samba? Sim. Futebol? Tanto. Mas tanto. Provavelmente o melhor jogador a nível técnico que tive a oportunidade de ver jogar. Um supermercado de fintas, um mágico, um 10 imortal, um fora de série absolutamente genial. Um dos poucos que pode dizer que não fez mais porque não quis. Era e é soberbo. O que vi Ronaldinho fazer, nunca vi ninguém fazer igual. O Romário uma vez disse que “Ronaldinho Gaúcho é o último romântico do futebol brasileiro”. Cada vez concordo mais, infelizmente.
A alegria no seu jogo, a naturalidade dos seus movimentos, a capacidade brilhante com que fazia o difícil parecer fácil e o complicado ser objectivo tornou Ronaldinho num jogador mítico.
Um génio.
Faltam-me adjectivos, por isso… Uma vénia e um obrigado.


[tps_title]1º Maradona[/tps_title]

Fonte: 2.bp.blogspot.com
Fonte: 2.bp.blogspot.com

O único da lista que não vi jogar. O único que não preciso de ver jogar. Na verdade, quem precisa? Tenho inveja de quem o viu, confesso. Mas não tenho dúvidas em colocá-lo no topo do mundo.
Incontornável, melhor de sempre, D10S, El Pibe, Diego Armando Maradona.
Sensacional e irreverente, dentro e fora de campo. Dono de um feitio único, de uma personalidade forte e de um pé esquerdo celestial, é – para mim – um senhor.
Futebol é magia e para mim ninguém criou tanta magia como este 10 ímpar. Driblava o mundo, levava sempre a equipa às costas e, sem cansaço, pressão, ou qualquer outra condicionante, finalizava mortiferamente como ninguém. E com classe. Até porque como ele próprio diz, “Chegar à área e não chutar para fazer golo é como dançar com a irmã”. Simplesmente Maradona.
Garanto-vos que se eu fosse Maradona viveria como ele. Foi tão feliz.
Cometeu erros, sim. Mas fez história, fez sonhar milhões de pessoas, influenciou milhões de jogadores e atravessou gerações. É uma lenda viva. Que jogador pode ambicionar mais? E a verdade é que esta lenda tem razão, “Passe o que passe, comande quem comande, todos sabem que a camisola 10 da selecção será minha… para sempre.”
Imortal, eterno.

Gonçalo Martinho

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