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Benfica | O processo da ida de Mourinho para o Real Madrid

A novela dos últimos tempos, recheada de reviravoltas, valores milionários e jogadas de bastidores, finalmente chegou ao fim. José Mourinho será mesmo treinador do Real Madrid, tornando-se o treinador mais caro da história dos merengues, com o Benfica a encaixar 15 milhões de euros.

Muito se pode debater sobre esta história, indo desde à postura de Rui Costa, às juras de amor de Mourinho, que duraram tão pouco como a estadia do português no Benfica. O Real Madrid bem esperou até finalizar a contratação de Mourinho. 

Rui Costa ficou como coadjuvante da sua própria história, com uma postura mole perante as consecutivas investidas do emblema espanhol, que estava apenas à espera do resultado das eleições para anunciar o treinador português  Eleições essas dignas de cinema, com Mourinho a anunciar, num vídeo alegadamente criado por inteligência artificial, que já teria dado o “sim” ao Real Madrid. 

José Mourinho Candidatura Florentino Pérez
Fonte: Candidatura Florentino Pérez

Rui Costa não se pronunciava, Marco Silva continuava em stand by e o Benfica encontrava-se num marasmo, sem uma aparente liderança, crítica muito apontada a Rui Costa. O presidente do Benfica fez a sua melhor interpretação de Pinóquio, qual marioneta nas mãos de Florentino Pérez, que para ser Don Corleone só lhe faltava o gato no colo. Rui Costa prometeu esclarecimentos, que nunca chegaram, e os dias foram passando sem respostas concretas aos adeptos.

O vencedor deste braço de ferro entre o Benfica e o Real Madrid, que durou largas semanas, é mesmo José Mourinho. Mourinho regressa a um gigante europeu, 13 anos depois, com o objetivo de organizar uma “casa a arder”. Ora, Mourinho não é conhecido pela sua paciência budista, antes pelo contrário. O treinador português é explosivo, de pulso firme, útil no momento de colocar egos de parte. 

E fica a ideia que foi esse o principal objetivo da contratação de José Mourinho, por parte de Florentino Pérez, visto que o futebol apresentado pelo português tem estado aquém do seu estatuto de estrela. O emblema espanhol vive de títulos e de grandeza. Os adeptos estão habituados ao sucesso e uma seca de dois anos para um clube da dimensão dos merengues revela-se insuficiente. 

José Mourinho Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Os dramas perseguiram os espanhóis na época passada. Desde balneários transformados em ringues da UFC à existência de uma petição a exigir a saída de Kylian Mbappé, justamente o melhor marcador da equipa, ainda assim não isento de críticas. Mourinho nunca fugiu de um bom confronto, Casillas e Pogba que o digam, o que não significa que seja a personalidade certa para atenuar os egos de Vini Jr. e do já referido Mbappé. 

Já o Benfica, parece ter encontrado uma solução fiável em Marco Silva, que procura reestruturar um clube de grandes dimensões que tem andado à deriva, sem um líder ao volante. Mourinho chegou como o homem que levaria as águias a bom porto, com os holofotes virados para si e com uma massa adepta expectante para ver o Special One de regresso a Portugal. O saldo não é negativo, mas de positivo tem pouco. Mediano será o melhor adjetivo utilizado para descrever a passagem de Mourinho, que acaba invicto, mas em terceiro lugar. 

José Mourinho Rui Costa Benfica
Fonte: SL Benfica

Torna-se curioso e particular ver dois gigantes da história do futebol, tendo em conta a maior dimensão do Real Madrid, a enfrentar exatamente o mesmo problema: uma espécie de crise de identidade, ainda que com abordagens distintas na hora de a resolver. Mourinho chega de armas em riste, pronto para apagar os egos incendiários de um clube em brasa. Marco Silva surge com uma postura diferente, mais focada no futebol praticado e em aproveitar jogadores que, na época passada, foram mal utilizados pelas águias.

No final das contas, é cedo para determinar um vencedor claro desta novela. Mourinho ganha uma nova casa, recheada de luxo e regressa a um titã do futebol europeu. Rui Costa ganha um novo treinador, com visão de projeto e de continuidade, precisamente o que faltava ao Benfica. O presidente do Benfica livra-se de mais uma humilhação, mas já com poucos créditos perante os benfiquistas. O Real Madrid ganha uma cara conhecida, com currículo vasto de títulos e de polémicas, um gestor de egos com um ego como poucos. 

Aguardamos ansiosamente os próximos episódios desta novela, que prometem ser de entretenimento puro, com Mourinho a poder tornar-se herói ou vilão dos merengues.

Kylian Mbappé e o ranking de melhores marcadores do Mundial 2026: «Estou convencido de que Lionel Messi vai marcar ainda mais golos»

A França derrotou a Suécia e Kylian Mbappé passou a liderar a lista de melhores marcadores do Mundial 2026, em igualdade com Lionel Messi.

Kylian Mbappé tem sido um dos grandes destaques deste Mundial 2026 e, em quatro partidas realizadas, já soma seis golos e duas assistências. O avançado do Real Madrid é agora o melhor marcador da competição, em igualdade com Lionel Messi, mas mostrou-se pouco preocupado com esse facto:

«Não estou a olhar para os rankings de melhores marcadores… também estou convencido de que o Leo Messi vai marcar ainda mais golos», referiu o internacional francês.

Recorde-se que, com este bis frente à Suécia, Kylian Mbappé alcançou vários registos históricos, incluindo o facto de ter chegado aos 18 golos em 18 jogos em Mundiais.

Erling Haaland e o Brasil x Noruega: «Temos pequenas possibilidades, mas também ninguém esperava que chegássemos até aqui»

Erling Haaland falou após a passagem da Noruega para os oitavos de final do Mundial 2026. Avançado já olha para o Brasil.

Erling Haaland prestou declarações à FIFA após a passagem da Noruega para os oitavos de final do Mundial 2026. Nesta terça-feira, a seleção norueguesa ganhou à Costa do Marfim por 2-1, seguiu em frente e vai agora enfrentar o Brasil.

«Tem sido uma viagem extraordinária e é um privilégio fazer parte dela. Quando a bola ia a caminho da baliza no meu golo, só pensava que ia entrar, felizmente consegui marcar. É incrível ver os adeptos com lágrimas nos olhos e perceber que toda a Noruega está connosco. Sinto que isto vai mudar o nosso país para sempre». referiu Erling Haaland.

Erling Haaland foi questionado sobre o próximo jogo contra o Brasil:

«Temos pequenas possibilidades, mas também ninguém esperava que chegássemos até aqui… (…) Jogar contra o Brasil nos oitavos vai ser algo que vamos ter de fazer, não é? Vai ser surreal».

«Agora vamos para os oitavos, haverá excelentes equipas e não vai ser fácil. Vai ser difícil avançar. Não vai ser fácil, não sei se vamos conseguir. Preparámo-nos muito e continuamos muito preparados», referiu ainda Erling Haaland.

Noruega Jogadores
Fonte: Fotballandslaget

Messi, tens a certeza que este é o teu sexto Mundial?

Primeiro de tudo. Sou português com muito orgulho. Sou fã da nossa seleção e, claro, do nosso Cristiano Ronaldo, o maior embaixador do futebol português do século XXI e que leva o nome do nosso pequeno país ser conhecido nos quatro cantos do mundo.

Mas aparte disso, e porque o “mundo é bué cenas”, segundo Bruno Nogueira, sou um apaixonado por futebol, um desporto que acompanho desde criança. Ao longo da minha vida já perdi a conta ao número de jogos que assisti, e aos golos que ficaram gravados na minha memória marcados por alguns dos seus melhores executantes. Então porquê não gostar também de um argentino que me deixa colado à televisão?

Este artigo não é para continuar a alimentar uma guerra cansada entre CR7 e Lionel Messi. Nunca dei para esse peditório, e também não vai ser agora que o vou fazer. O que vou escrever são umas meras linhas sobre o desempenho de Messi neste Mundial até ao momento, que parece estar agora a descobrir pela primeira vez as sensações de um torneio com esta envergadura.

Quem só acordou agora para a vida e viu os três jogos da Argentina na fase de grupos, nem imagina que este é o sexto Mundial em que participa. Três golos no primeiro encontro, dois no segundo e um no terceiro, onde só jogou 30 minutos. E para todos os gostos. Pé esquerdo, pé direito, bola corrida, bola parada, dentro e fora da área. É à escolha do freguês. Com 39 anos acabados de fazer tem batido recordes e é, neste momento, o melhor marcador de sempre em fases finais do Campeonato do Mundo, com 19 remates certeiros.

O hat-trick logo no jogo de estreia frente à Argélia mostrou que o astro argentino veio para este Mundial com vontade de vencer, mas também de se divertir. São os seus últimos passos de tango com a Argentina, e agora só quer desfrutar daquilo que o futebol lhe deu. É impressionante aquilo que continua a fazer em campo como se tivesse 20 anos. Corre, dribla, remata e faz golos. Parece um menino no recreio a recriar-se com uma bola e que sonha um dia ser jogador profissional.

Há pessoas que nascem com um determinado dom, e Messi nasceu para jogar futebol. As suas qualidades mantêm-se intactas passados tantos e tantos anos. Vê-lo jogar ainda é um regalo para os olhos.

Lionel Messi na Argentina
Fonte: AFA

Marca há sete jogos consecutivos em mundiais e promete não ficar por aqui. Até porque este Mundial 2026 parece estar a ser uma cópia do de 2022, ano em que a seleção das pampas voltou a erguer a taça mais desejada e Messi foi coroado como o melhor jogador da competição.

Ainda não se sabe o que vai acontecer daqui para a frente, e a Argentina até pode nem chegar à glória. Mas uma coisa é certa. A continuar a este ritmo, “La Pulga” está bem lançada em ser novamente a maior figura de um Campeonato do Mundo.

Quanto dinheiro ganha o Sporting com a transferência milionária de Mateus Fernandes para o Tottenham?

O Sporting encaixa cerca de 3,43 milhões de euros com a transferência de Mateus Fernandes para o Tottenham.

Mateus Fernandes está a caminho do Tottenham por quase 100 milhões de euros. Segundo a imprensa nacional, o Sporting vai receber cerca de 3,43 milhões de euros pela transferência devido ao mecanismo de solidariedade da FIFA.

No verão de 2024, Mateus Fernandes saiu do Sporting e reforçou o Southampton num negócio de 15 milhões de euros. Lá registou 42 jogos, marcou três golos e deu seis assistências, sendo que acabou por ser transferido na época seguinte para o West Ham.

Na altura, o West Ham pagou cerca de 44 milhões de euros por Mateus Fernandes, que somou 38 jogos, marcou quatro golos e deu quatro assistências.

adeptos do Tottenham
Fonte: Tottenham

Grátis e em canal aberto: Onde ver Portugal x Croácia dos 16 avos de final do Mundial 2026?

Portugal defronta a Croácia nos 16 avos de final do Mundial 2026. O encontro será transmitido na SIC, LiveMode TV e Sport TV.

Portugal vai defrontar a Croácia no primeiro jogo a eliminar do Mundial 2026. A Seleção das Quinas garantiu a presença nos 16 avos de final da competição e quer seguir em frente diante do segundo classificado do Grupo L.

O encontro será disputado no BMO Field, em Toronto, no Canadá, e tem início marcado para as 00h00 de quinta para sexta-feira (3 de julho). A partida será transmitida em direto na SIC, LiveMode TV e Sport TV.

Recorde-se que Portugal terminou a fase de grupos no 2.º lugar, atrás da Colômbia, após somar dois empates e uma vitória.

México apura-se para os oitavos de final e regista feitos históricos no Mundial 2026

O México avançou para os oitavos de final do Mundial 2026 ao vencer o Equador e alcançou vários registos inéditos nesta edição da prova.

O México garantiu a qualificação para os oitavos de final do Mundial 2026, após vencer o Equador por 2-0. A seleção mexicana atravessa uma das melhores fases da sua história em Campeonatos do Mundo, tendo já alcançado vários registos inéditos nesta edição da prova.

No total, o conjunto orientado por Javier Aguirre é a única equipa que ainda não sofreu qualquer golo na competição, depois de somar vitórias frente à África do Sul (2-0), Coreia do Sul (1-0), República Checa (3-0) e, agora, ao Equador (2-0).

Pela primeira vez, o México conseguiu liderar por mais de um golo ao intervalo num jogo da fase final de um Campeonato do Mundo, algo que nunca tinha acontecido nas suas 64 partidas anteriores na competição. Para além disso, a formação mexicana tornou-se a primeira seleção a iniciar uma edição do Mundial com quatro vitórias consecutivas sem sofrer qualquer golo desde a Itália, em 1990.

Rio Ave assegura continuidade de Gustavo Mancha por mais uma temporada

O Rio Ave confirmou a renovação do empréstimo de Gustavo Mancha por mais uma temporada. O defesa brasileiro pertence ao Olympiacos.

O Rio Ave confirmou a renovação do empréstimo de Gustavo Mancha por mais uma temporada. O defesa-central brasileiro vai, assim, continuar a representar o conjunto vilacondense em 2026/27.

Vinculado ao Olympiakos até junho de 2029, Gustavo Mancha chegou a Vila do Conde por empréstimo depois de ter somado poucas oportunidades na equipa principal do emblema grego durante a primeira metade da temporada passada.

Ao serviço do Rio Ave, o defesa-central disputou 14 encontros, todos na condição de titular. Recorde-se que o São Paulo chegou a demonstrar interesse na contratação de Gustavo Mancha, com o objetivo de fazer regressar o jogador ao futebol brasileiro.

Vitória SC anuncia a saída de Nélson Oliveira

O Vitória SC anunciou a saída de Nélson Oliveira. O avançado de 34 anos somou 13 golos e sete assistências em 97 jogos.

O Vitória SC comunicou a saída de Nélson Oliveira, ao fim de três temporadas. O avançado de 34 anos terminou contrato com a formação vimaranense e deixa o clube a custo zero.

«A Vitória Sport Clube – Futebol SAD agradece o compromisso e a dedicação de Nélson Oliveira, desejando-lhe os maiores sucessos pessoais e profissionais no futuro», pode ler-se no comunicado oficial do clube.

Ao longo das três temporadas em Guimarães, Nélson Oliveira realizou 97 jogos, nos quais apontou 13 golos e fez sete assistências.

Alguém consegue travar a França… e o México? – Diário do Mundial 2026 #20

Lê também os outros capítulos do Diário do Mundial 2026. 

Os noruegueses menos noruegueses possíveis | Costa do Marfim 1-2 Noruega

Antonio Nusa Noruega Jogadores 2
Fonte: Federação Norueguesa de Futebol

A Noruega não foi altamente superior à Costa do Marfim e qualquer superioridade, de um lado ou outro, é altamente questionável. O futebol é de margens cada vez mais pequenas, com resultados, desfechos e títulos mais dependentes de momentos e lances isolados do que de superioridades claras e inequívocas. É verdade que continuam a existir super equipas e é verdade que continuam a existir equipas bónus, mas são cada vez menos. E, nesse sentido, há fatores que vencem jogos. Foi assim que a Noruega venceu a Costa do Marfim.

Havia poucos jogos entre seleções da segunda prateleira no prato das candidatas mais interessantes nesta ronda e todas as expectativas foram cumpridas. Num jogo de equilíbrio evidente e com momentos de ascensão bem claros, a Noruega foi mais capaz de capitalizar as suas ocasiões e de chegar com perigo. Para isso, foi importante aos noruegueses serem o mínimo de noruegueses possível, pelo menos no estereótipo.

Se fosse preciso realizar um retrato-robô capaz de representar o norueguês tipo, para uma qualquer feira de turismo mundial, este seria um tipo grande, alto, de sangue gelado e presença fria. Ora, quem decidiu o jogo a favor da Noruega foram dois extremos distintos, mas de centro de gravidade mais baixo, mais franzinos e sem a mesma volumetria para ocupar o espaço. É certo que foi Haaland quem marcou um dos golos, que Patrick Berg, mais adiantado, fez de médio construtor, que os centrais e Nyland estiveram bem competentes na defesa da área. Mas sem Antonio Nusa e Oscar Bobb, dois extremos que contrapõem – até certo ponto – a ideia da fisicalidade extrema como máxima, não tinha havido golos.

Antonio Nusa Noruega Jogadores
Fonte: Federação Norueguesa de Futebol

Antonio Nusa até não tem necessariamente este perfil mais técnico, bem mais evidente em Andreas Schjelderup. É um extremo que se faz valer muito da mudança de velocidade e da capacidade de aceleração para trazer valor às jogadas, mas que tem também no drible e na superação de adversários uma mais-valia clara. Marcou um golaço para emoldurar. Quando tudo se complicou, Oscar Bobb entrou. É demasiado difícil não o chamar de Bobb, o Construtor. A forma como mete o passe no lance que decide o jogo é fantástica, abrindo o campo e tornando um ataque normal numa situação de vantagem na área. Não ficou com números, mas ficou com o estatuto que o campo ditou. Está aí a espreitar a titularidade. 

Independentemente do resultado, uma das equipas mais interessantes do Mundial 2026 diria sempre o adeus à competição. Calhou ser a Costa do Marfim. Desde a CAN 2023, disputada já no ano seguinte, quando o mundo começou por desabar para, num roteiro de cinema, terminou com a celebração de um título caseiro, que os Elefantes estão num processo de crescimento. Emerse Faé organizou a seleção e está a extrair-lhe o valor.

Deste Mundial 2026, saem três nomes acima de todos, com uma grande menção honrosa. Amad Diallo entrou para revolucionar o jogo e esteve perto de conseguir um bis que traria de volta a incerteza. Só não foi o Mundial dele porque há nomes ainda mais relevantes neste percurso. Acima de todos os outros, Yan Diomande. Para lá da história que deu a conhecer ao mundo – e deixou, certamente, a irmã orgulhosa – mostrou muito futebol nos pés. Pelos dois lados, é um extremo desconcertante, acelerando com a bola e driblando. Também Nicolás Pépé, nesta fase da carreira mais pensador que acelerador, se destacou. Por dentro ou da direita para lá, encontrou sempre soluções e desequilíbrios. Vive uma fase de redenção, onde joga liberto da etiqueta que já transportou e onde apenas o futebol interessa. Por fim, o teto de Christ Inao Oulai é difícil de prever. Novamente, joga num contraponto a toda a fisicalidade que a seleção tem, desde logo Franck Kessié e Ibrahim Sangaré, os seus companheiros no meio-campo. Pensa o jogo, dá soluções e joga a várias alturas. Dará o salto este verão. 

A sensação leve da invencibilidade | França 3-0 Suécia

Michael Olise França
Fonte: Federação Francesa de Futebol

É certo que a procissão ainda vai no adro, que ainda faltam os verdadeiros desafios e que é muito cedo para cantar de galo. Mas, o que dizer quando é o galo quem está a cantar e a encantar? Que a França era uma das favoritas a vencer o Mundial 2026 era evidente e não há qualquer espaço para a discussão. Mas o nível de domínio e de facilidade nos jogos em que os franceses entram em campo está a ser um absurdo completo.

Didier Deschamps levou a França, reduzindo a análise a Europeus e Mundiais, a três finais nos últimos 10 anos. Venceu uma e perdeu duas, como Éder bem se recordará. Mesmo assim, nunca teve o crédito devido. Goste-se mais ou menos, até porque a estética será sempre subjetiva, conseguiu sempre tirar resultados das boas gerações francesas. Em certos momentos podiam jogar melhor ou ter outro rendimento, é verdade, mas também é verdade que os principais elementos criativos – Paul Pogba, Antoine Griezmann, Kylian Mbappé – nunca foram desaproveitados e, pelo contrário, foram sempre potencializados. Nunca perdeu o balneário, mesmo com o desfile de egos na passarela azul, branca e vermelha, e conseguiu sempre novas formas para enquadrar da melhor maneira os melhores jogadores.

Mesmo assim, qualquer uma das seleções montadas anteriormente era menos temível que a de 2026. A profundidade de opções para a frente assustava, mas o nível que os grandes talentos da seleção, particularmente Michael Olise, Ousmane Dembélé e Kylian Mbappé, têm atingido é astronómico. A França joga por eles e para eles. Não passou ainda por grandes apertos nos jogos e conseguiu sempre enquadrar os principais criativos. Há um protagonismo que Mike Maignan, William Saliba, Dayot Upamecano, Jules Koundé ou Aurélien Tchouaméni teriam em qualquer outro lado. Nos gauleses, são apenas coadjuvantes, nas máximas possibilidades.

Kylian Mbappé França
Fonte: Federação Francesa de Futebol

Desta vez, nem Ousmane Dembélé foi personagem principal. Esse estatuto ficou dividido entre Kylian Mbappé e Michael Olise. Que brutalidade de dupla anda pelos EUA a fazer estragos, qual Bonnie & Clyde. Kylian Mbappé tem na seleção a sua melhor versão porque é também onde mais goza de uma liberdade que o ajuda a ser decisivo por todo o lado. Não é só o jogador para atacar espaços, agora surge também na sua melhor versão como o lançador que vem buscar jogo e criá-los para lançar alguém por lá. Continua a aparecer próximo da baliza para marcar. Em 18 jogos leva 18 golos em Mundiais. Não andará longe de ser o melhor jogador da história na competição. Está escrito, está dito e não há volta atrás.

Michael Olise apareceu como uma aparição, face a redundância, para preencher o vazio criativo depois da saída de Antoine Griezmann. Quando tem um pouco de espaço na zona central à baliza, é mortífero na capacidade de passe ou de remate. Não é à toa que é o melhor assistente do Mundial. Não fosse o poste e entraria direto no top dos melhores golos da história da competição. Joga como quem não quer bem saber, mas sabe de tudo o que é ter impacto no terço ofensivo. A França é o coletivo que melhor permite a expressão individual. Quando se tem os melhores jogadores do mundo… 

A Suécia, excetuando os primeiros 20 minutos, com Ayari e Bergvall a controlar a zona central e o trabalho dos avançados, transformados em autênticos cães de guarda, pouco criou. Cumpriu com as expectativas num Mundial onde só está porque as regras da classificação europeia o permitiram. Na despedida, permitiu a Jacob Zetterstram brilhar. Com três golos sofridos, não haverá assim tantas exibições tão boas neste Mundial. Já Egil Selvik se destacou com quatro golos na sua baliza. Talvez não haja melhor elogio à França que este.

O que foi isto? | México 2-0 Equador

Raúl Jiménez México Jogadores
Fonte: Federação Mexicana de Futebol

O futebol tem as suas maneiras de surpreender, mas continua a colocá-las no caminho da forma mais inesperada possível. O México tinha ganho todos os jogos da fase de grupos sem sofrer golos, mas além do nível dos adversários, nunca tinha conseguido mostrar o domínio e capacidade com que, ao longo de 45 minutos, simplesmente subjugou o Equador. Parecia outro jogo. Mais do que a quarta vitória consecutiva, mais do que o quarto jogo consecutivo sem sofrer golos, o México não deu qualquer hipótese a uma seleção que vinha moralizada e com qualidade.

De resto, e não sendo naturalmente o principal fator do triunfo, o ambiente no Azteca é impressionante. O jogo começou atrasado uma hora, em virtude de um alerta de tempestade, e nem isso tornou o ambiente mais calmo ou menos efervescente. Pelo contrário, provavelmente. Aos primeiros minutos, já se ouviam Olés cada vez que o México somava uns quantos passes e cada posse de bola equatoriana era marcada por um ruído ensurdecedor. Nos oitavos de final, os mexicanos continuarão a jogar em casa. Aí, não há impossíveis. 

Ao ambiente, juntou-se o que o México foi capaz de vencer. Mais do que jogar noutra velocidade, parecia outro desporto. O Equador, como habitual, lançou-se nos seus encaixes individuais em todo o campo, na tentativa de recuperar bolas lá em cima e de visar a baliza. Nem cheirou a bola. O canto da sereia, o encantador de serpentes ou o jogo das escondidas mais difícil de sempre. Cada vez que um jogador do Equador se aproximava da bola, ela já andava por outros lados. Cada vez que chegava perto da marcação, já por lá andava outro jogador.

Gilberto Mora México
Fonte: Federação Mexicana de Futebol

Entre o centro e a direita, tudo fluiu bem para o México. Jorge Sánchez ganhou o lugar a Israel Reyes e mudou algumas dinâmicas na seleção mexicana. Já não funciona como o terceiro central. Pelo contrário, mete-se por dentro e anda a toda a altura, compensado constantemente por Roberto Alvarado, um rosto do equilíbrio. Por dentro, andavam Erik Lira, Luis Romo, Gilberto Mora e Raúl Jiménez, a jogar à apanhada com os jogadores amarelos. Andavam por todo o lado, à procura do espaço vazio para trocar passes. A maturidade, regularidade e qualidade da exibição de Gilberto Mora é para guardar e recordar. Será uma superestrela. Neste jogo de atrações, Julián Quiñones funcionou no lado contrário, para receber solto, depois da pressão ter sido atraída. Marcou um golo e deu uma assistência. Em termos de produto final, é fundamental para o México. Não deverá haver assim tantos 45 minutos de tanta qualidade como estes.

Na segunda parte, um México mais dentro do esperado, dentro do seu estilo mais pragmático, mas mantendo válvulas de saída. Foi mudando jogadores, refrescando a equipa e juntando jogadores lá atrás, para lidar com o crescente de nomes do Equador a atacar a última linha. Não houve o génio da primeira parte, mas houve uma solidez que fará com que os adversários se tenham de preocupar. Javier Aguirre sabe muito de futebol e pode muito bem colocar o Mundial 2026 como a sua melhor campanha pela seleção e no topo histórico. Neste momento, já não seria surpreendente. Neste caminho, o México tem quatro golos. Impressionante também o registo defensivo. 

O Equador merecia chegar até esta fase, mas não teve argumentos para fazer mais. Defensivamente foi superado e até os elementos da última linha, mais reputados internacionalmente, sofreram. Não foi o jogo (nem o Mundial) de Pacho, Ordóñez ou Hincapié. Sem a segurança defensiva, será sempre muito complicado para a seleção equatoriana competir. Ofensivamente, há mais contras que prós, por mais que Nilson Angulo e Jordan Yebboah tenham conseguido valorizar-se como extremos com produto final e que Pedro Vite consiga criar. Não foi o jogo mais influente de Gonzalo Plata e Enner Valencia, por mais carinho que mereça, já não consegue oferecer o necessário para este nível. Se Kendry Paéz ganhar cabeça, e vai bem a tempo, pode ajudar nesta reformulação ofensiva.