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GP Barcelona: Lewis Hamilton conquista primeira vitória com a Ferrari

A CORRIDA: SAFETY CAR VIRTUAL CALHOU BEM A LEWIS HAMILTON DA FERRARI, PERMITINDO-LHE BATER OS DOIS MERCEDES; ANTONELLI ACABOU A DESISTIR

14 de junho de 2026 foi a data da primeira vitória de Lewis Hamilton com a Ferrari. O britânico conquistou o Grande Prémio de Barcelona de F1, acabando por beneficiar de um safety car virtual que lhe deu bastante jeito, embora antes já estivesse na luta pelo triunfo.

George Russell saía da pole position, com Hamilton em segundo e o piloto da Mercedes fez um bom trabalho no arranque, mantendo a liderança na longa reta para liderar a corrida. Numa prova em que a degradação de pneus foi um fator, com a maior parte dos pilotos a ir para três paragens, os pilotos foram mantendo distâncias até que Kimi Antonelli se foi aproximando de Russell.

Apesar das tentativas de Pete Bonnington, engenheiro de Antonelli, em acalmar a luta (até porque Kimi tinha três avisos de limites de pista e seria penalizado se tivesse mais um), o italiano foi pressionando o colega de equipa e isso dava jeito a Hamilton e também a Lando Norris, que estava dentro da luta. Quando Antonelli parou, saiu por pouco à frente do piloto da McLaren, mas Hamilton estava na frente e subitamente Fernando Alonso parou na pista e provocou um safety car virtual.

O britânico aproveitou a paragem de borla e saiu à frente, tendo depois mais do que ritmo suficiente para seguir até à vitória, a sua primeira como piloto da Ferrari. Atrás, Kimi Antonelli tinha conseguido finalmente ultrapassar Russell, mas o azar bateu à porta do italiano (tal como tinha feito a Russell no Canadá), com o transalpino a parar com um problema de fiabilidade (também aconteceu a Charles Leclerc, praticamente ao mesmo tempo.

Russell foi assim o segundo classificado, à frente de Lando Norris, que completou o pódio. Max Verstappen foi quarto classificado, com Oscar Piastri em quinto e Isack Hadjar em sexto. Os Alpine de Pierre Gasly e Franco Colapinto e os Racing Bulls de Liam Lawson e Arvid Lindblad completaram os lugares pontuáveis, numa corrida que não teve muitos mais pontos de interesse para além daqueles que eu descrevi.

PILOTO DO DIA

Lewis Hamilton (Ferrari) – O britânico está inegavelmente muito melhor do que estava na época passada, muito mais confortável com o carro e capaz de lutar por melhores posições com mais regularidade. Desta vez, o safety car virtual caiu-lhe bem, mas o britânico já estava dentro da luta e com uma boa hipótese de ganhar.

DESILUSÃO DO DIA

Cadillac/Audi/Aston Martin – A fiabilidade tem sido um grande problema para muita gente esta temporada, mas estas três equipas têm problemas quase todas as semanas. Nico Hulkenberg, que estava a lutar por pontos, Valtteri Bottas e os dois pilotos da Aston Martin foram obrigados a terminar a corrida mais cedo.

Enzo Fernández quer juntar-se a Marc Cucurella no Real Madrid: eis o ponto de situação

Enzo Fernández vê com bons olhos uma mudança para o Real Madrid. Marc Cucurella, colega de equipa, está a caminho.

Enzo Fernández gostaria de ir com Marc Cucurella para o Real Madrid, garante o jornalista Ben Jacobs. A mesma fonte refere que o médio argentino não escondeu o desejo de deixar o Chelsea, clube que representa desde do Benfica.

Ben Jacobs refere ainda que o Chelsea quer cerca de 138 milhões de euros por Enzo Fernández e que mantém a calma em relação à situação. Neste momento, o Real Madrid avalia que tipo de médio desejam para o seu plantel.

Há dois nomes que também estão na conversa e um deles é internacional português: Mateus Fernandes, do West Ham. O outro é Rodri, internacional espanhol que joga atualmente no Manchester City.

Mercado: Sporting insiste por Sergi Altimira e há novidades

O Sporting insiste por Sergi Altimira e tem preparado um contrato válido de cinco temporadas até 2031 para o médio.

O Sporting insiste na contratação de Sergi Altimira e tem preparado um contrato válido de cinco temporadas até 2031 para o médio, garante o jornalista Nicolò Schira. A fonte refere ainda que os leões pretende incluir uma cláusula de rescisão de 80 milhões de euros.

Nos últimos dias, o Sporting fez também uma oferta ao Real Bétis por Sergi Altimira: 18 milhões de euros fixos, com mais quatro milhões de euros em objetivos, dois deles de fácil cumprimento. O Leipzig também está na corrida pelo jogador.

Sergi Altimira tem 24 anos e um contrato válido até 2028. Esta foi a sua terceira temporada ao serviço do Real Bétis e em 2025/26 somou 40 encontros, com dois golos marcados e três assistências.

Ruben Amorim já confessou sonho… em 2017: «Agora tenho de ser treinador no Milan»

«Cumpri o sonho de jogar no Benfica. Agora tenho de ser treinador no Milan», disse Ruben Amorim… em 2017. Está perto de acontecer.

Ruben Amorim já tinha confessado o sonho de representar o AC Milan. Numa entrevista realizada ao Expresso em 2017 – numa altura em que iniciou o curso de treinador – o técnico português destacou o Benfica (onde jogou) e o AC Milan:

«Quando era miúdo gostava de ver o Benfica e o Milan. Lembro-me de ver cassetes do Milan com Maldini, Baresi, Gullit, Rijkaard, Savicevic… Os meus sonhos de miúdo eram jogar no Benfica e no Milan. Cumpri o sonho de jogar no Benfica. Agora tenho de ser treinador no Milan», disse, com um sorriso.

As declarações reaparecem, pois Ruben Amorim está muito perto de se tornar o próximo treinador do AC Milan. Podes ler mais sobre a situação.

AC Milan
Fonte: AC Milan

Fechado: Sami Khedira junta-se a José Mourinho no Real Madrid

Sami Khedira prepara-se para regressar ao Real Madrid. Antigo jogador vai estar na equipa técnica de José Mourinho.

Sami Khedira vai mesmo integrar a equipa técnica de José Mourinho no Real Madrid, confirma Fabrizio Romano. A mesma fonte refere que o acordo está fechado e que o antigo jogador junta-se ao treinador português a partir de julho.

Conforme noticiado, o plano é que Khedira já esteja na equipa técnica no início da pré-temporada. «Espera-se que Khedira desempenhe um papel fundamental tanto no campo de treino como no balneário», lê-se ainda na Sky Sports, depois do AS ter avançado a possibilidade.

Até ao momento o Real Madrid já fechou também cinco contratações, incluindo o regresso do treinador José Mourinho e a vinda do internacional português Bernardo Silva, que vai ao Mundial 2026.

Atenção, FC Porto: Dragões vai anunciar novo modelo de lugares anuais

O FC Porto vai proceder a uma revisão do modelo de lugares anuais no Estádio do Dragão face ao contexto de elevada procura.

O FC Porto deverá anunciar em breve as condições de renovação e venda dos lugares anuais para a temporada 2026/27, num contexto de elevada procura, reforçado pelo título recente e pela presença na Champions League. Com uma lista de espera já acumulada da época anterior, é expectável um reajuste nos preços, ainda não oficializado, que variará consoante o setor do estádio, mantendo-se, contudo, os descontos habituais para sócios.

Além da atualização tarifária, os Dragões preparam uma mudança significativa na setorização do estádio, retomando um modelo semelhante ao dos primeiros anos do recinto. A nova lógica irá diferenciar os preços dentro da mesma bancada, valorizando a localização e a visibilidade. Nas bancadas centrais, os lugares mais próximos do relvado serão mais acessíveis, enquanto os superiores terão valores mais elevados. Já na arquibancada, a lógica será inversa, com os lugares superiores mais baratos.

Com esta reorganização, alguns sócios poderão ser realocados devido à expansão do espaço empresarial nas bancadas centrais, embora todos mantenham a possibilidade de renovação do seu lugar anual. Paralelamente, a Central Premium Nascente passará a funcionar como uma zona de hospitalidade exclusiva para sócios, com acesso condicionado, entrada própria e serviços diferenciados, incluindo cadeiras mais confortáveis, lounge e bar dedicado, reforçando a aposta do clube em experiências premium dentro do estádio.

Lionel Messi com vários recordes em vista: eis alguns dos recordes que o argentino pode bater no Mundial 2026

O argentino Lionel Messi inicia na quarta-feira a sua participação no Mundial 2026 com vários recordes históricos ao alcance.

Aos 38 anos, Lionel Messi prepara-se para iniciar mais uma campanha num Campeonato do Mundo e poderá reforçar o seu estatuto como uma das maiores figuras da história do futebol. Caso seja utilizado no encontro frente à Argélia, marcado para quarta-feira em Kansas City, Lionel Messi tornar-se-á o primeiro jogador de sempre a participar em seis fases finais de um Mundial. O capitão argentino soma presenças em 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022 e alcança uma marca inédita.

Com esta participação, ultrapassará o grupo de jogadores que disputaram cinco Mundiais, onde figuram nomes como Antonio Carbajal, Rafael Márquez, Andrés Guardado e Lothar Matthäus. Mais tarde, também Cristiano Ronaldo poderá atingir a mesma marca ao representar Portugal diante da RD Congo. O astro argentino chegará igualmente ao seu 27.º jogo em em Mundiais e amplia o seu próprio recorde de partidas disputadas na competição, além de continuar a aumentar a marca de minutos jogados, que já ultrapassa os 2.300.

No capítulo dos golos, o argentino soma atualmente 13 tentos em Mundiais, número alcançado após o bis na final de 2022 frente à França. Este registo coloca-o no quarto lugar da lista histórica, ao lado de Just Fontaine. Um golo permitirá igualar-se a Gerd Müller, dois aproximá-lo-ão de Ronaldo Nazário, e três poderão colocá-lo ao nível do recordista máximo, Miroslav Klose. O recorde também está sob ameaça de Kylian Mbappé, que tem 12 golos.

Nas contribuições diretas, que combina golos e assistências, Lionel Messi já lidera isolado. Aos 13 golos junta oito assistências, além de ser o único jogador a ter realizado assistências em cinco edições consecutivas do Mundial. Já em relação a vitórias, se a Argentina vencer a Argélia, La Pulga alcançará a sua 17.ª vitória em Mundiais, igualando o recorde atualmente detido por Miroslav Klose e ultrapassando Cafu. Caso consiga chegar à final, igualará o lateral brasileiro como o jogador com mais finais disputadas na era moderna da competição, após 2014 e 2022.

No que diz respeito aos títulos, Messi procura conquistar o seu segundo troféu. Embora não possa (ou dificilmente) alcançar os três campeonatos conquistados por Pelé, poderá juntar-se ao grupo restrito de 20 jogadores com duas conquistas. Outro objetivo passa pela conquista de uma terceira Bola de Ouro do Mundial, prémio atribuído ao melhor jogador da competição. O avançado do Inter Miami já venceu a distinção em 2014 e 2022, sendo o único futebolista a recebê-la por duas vezes desde que o galardão foi criado.

Lionel Messi e a Argentina têm estreia marcada para a madrugada de quarta-feira, às 2H, num grupo que conta também com Áustria e Jordânia. Relembra todos os grupos do Mundial 2026.

Noham Kamara assina em definitivo pelo Lyon de Paulo Fonseca

O Lyon oficializou a contratação em definitivo de Noham Kamara, ativando a opção de compra do defesa francês cedido pelo PSG.

O Lyon oficializou a contratação em definitivo de Noham Kamara, de 19 anos, que chega proveniente do PSG. O defesa-central, que estava emprestado desde fevereiro, assina contrato válido até junho de 2030 e torna-se reforço permanente do clube.

Formado no PSG, Noham Kamara chegou a disputar três partidas pela equipa principal dos parisienses, antes de ser cedido ao Lyon no início do ano. A sua evolução durante o período de empréstimo levou o clube orientado por Paulo Fonseca a avançar para a sua contratação em definitivo. Na temporada passada, o internacional francês sub-20 realizou dois jogos pelos Gones.

O negócio está avaliado em 4,1 milhões de euros, mas pode ascender até 6 milhões mediante objetivos, incluindo ainda uma cláusula de 20% sobre uma futura mais-valia numa eventual transferência.

Gabri Veiga distinguido na Galiza após época de afirmação no FC Porto

O médio espanhol Gabri Veiga, do FC Porto, foi distinguido na sua terra natal com o prémio Antonio Palacios para o Desporto.

Gabri Veiga foi distinguido na Galiza com o prémio Antonio Palacios, na categoria de Desporto. A chegada do médio espanhol ao FC Porto ocorreu num momento de reconstrução do clube, após uma época abaixo das expectativas e na véspera do Mundial de Clubes. Inicialmente recebido com grande entusiasmo, o médio espanhol acabou por enfrentar alguma desconfiança por parte dos adeptos, reflexo do contexto de instabilidade vivido pelos Dragões.

Ainda assim, a recuperação coletiva protagonizada pela equipa técnica de André Villas-Boas e Francesco Farioli permitiu inverter a tendência, com o FC Porto a conquistar o título nacional e a recuperar competitividade. Esse crescimento teve também impacto individual no médio espanhol, que terminou a época em destaque e foi recentemente distinguido em Porriño com o prémio Antonio Palacios para o Desporto, entregue ao atleta considerado um dos principais embaixadores da região.

«Gabri Veiga é um exemplo de disciplina, compromisso e dedicação. Eleva o nome da Galiza e da terra dele com orgulho, contribuindo para a promoção dos valores do desporto», assinalou Alejandro Lorenzo, autarca de Porriño.

Na temporada passada, ao serviço do FC Porto, Gabri Veiga marcou seis golos e fez 12 assistências em 48 jogos disputados.

Soltem os talentos – Diário do Mundial 2026 #4

Lê também os outros capítulos do Diário do Mundial 2026. 

Curaçau foi Brasil na ousadia e no resultado | Alemanha 7-1 Curaçau

Curaçau Alemanha Jogadores
Fonte: Federação de Futebol de Curaçau

Nos último dois Mundiais, em 2018 e 2022, a Alemanha não passou da fase de grupos. Antes disso, havia sido campeã no Brasil e com um dos jogos mais icónicos da história do futebol: o 7-1 diante da canarinha. Desta feita, não é certo que a caminhada germânica termine com título, mas é praticamente garantido, com melhores terceiros a apurar-se e com tamanha diferença de golos, que a fase de grupos não será o último estágio alemão no Mundial 2026. 

Mais do que o resultado ou do que a exibição, a exibição alemã tem algumas confirmações de apostas para Julian Nagelsmann, numa das convocatórias com mais força de selecionador do Mundial 2026. Os alemães não são favoritos à vitória, mas têm potencial para entrar no grupo dos principais candidatos. Para isso, há afirmações impositivas e certezas dadas. 

A Alemanha não tem surpresas no seu estilo de jogo, com o lateral esquerdo e o extremo direitos a dar largura, com Joshua Kimmich a partir de fora para dentro, para se juntar ao meio-campo e com muitos jogadores habilitados a trabalhar em espaços curtos. Neste caminho, Nathaniel Brown ganhou pontos na corrida com David Raum pelo lugar. O defesa do Eintracht Frankfurt oferece uma variabilidade importante ao jogo da equipa, atacando espaços de trás para a frente por fora e por dentro e chegando a zonas de finalização. Quanto a Joshua Kimmich, não pode ser visto como um mero lateral. Não é surpresa, nem precisará de afirmação, mas frequentemente mostrou que a posição de partida não é destino final.

Kai Havertz Alemanha
Fonte: FIFA

No leque de dúvidas, espaço para o crescimento de Felix Nmecha como interior de infiltração. Com Joshua Kimmich a entrar por dentro e Aleksandar Pavlovic como referência posicional de primeiro passe, há uma vaga clara para um médio de projeção e de chegada à área. Foi o primeiro jogador a marcar pela Alemanha no Mundial 2026 e, na posição mais em aberto, confirmou a titularidade. Kai Havertz, mais contestado do que o seu nível pede, também fez uma exibição assinalável, não só pelo bis, mas pelos movimentos capazes de permitir a chegada de mais jogadores à área para finalizar. Tem em Denis Undav uma alternativa com outra capacidade física e presença na área.

Mais do que a Alemanha, a história do dia surge em Curaçau. A goleada sofrida é um pequeno pormenor, quase como uma nota de rodapé. Afinal, o mais pequeno país da história dos Mundiais, com apenas 156 mil habitantes, menos do que todos os habitantes do distrito de Castelo Branco, estreou-se na melhor competição do mundo. E com um golo e uma estratégia que deixou, certamente, muitos adeptos. 

Contra a tendência dos blocos mais baixos, Curaçau escondeu toda a fragilidade defensiva numa estratégia arrojada. Esqueceu a linha de 5 com que chegou a testar a equipa nos particulares, apostou numa espécie de losango no meio-campo e procurou chegar com muita gente à frente. Conseguiu incomodar a Alemanha em certos momentos, acumulou chegadas à área e num destes momentos marcou. Se Felix Nmecha foi médio de chegada na Alemanha, Livano Comenencia teve este papel no país caribenho, que valorizou ainda Armando Obispo, central de boa capacidade de passe e a dupla na esquerda. O polivalente e cheio de recursos Deveron Fonvile e Juninho Bacuna, o mais novo dos irmãos, com capacidade para receber, rodar e acelerar, deram possibilidades de saída. Faltou outra consistência nas ações a Tahith Chong para Curaçau ser capaz de ameaçar ainda mais. A segunda parte, menos enérgica, foi uma consequência natural, mas o momento de Curaçau já chegou. Tudo o que vier a mais, sairá no lucro. 

Quando as amarras táticas se soltaram, o barco dos golos zarpou | Países Baixos 2-2 Japão

Daichi Kamada Japão
Fonte: Federação Japonesa de Futebol

Sem qualquer confirmação científica, baseado única e exclusivamente num empirismo reflexo de frases de Instagram e tatuagens nas costas, deve haver um provérbio japonês qualquer sobre as amarras de um barco e o sonho da liberdade. Se não houver, que se patenteie este Países Baixos x Japão como tal.

Não que as amarras sejam más. Aliás, amarras destas são terreno fértil para a prática de um futebol que tem espaço para todos os gostos e feitios. Mas, quando o barco é capaz de se libertar dos fios que o estrangulam diante do mesmo de sempre, há um espaço novo que se abre. Virgil van Dijk foi a mão humana que, com a cabeça, desembrulhou a corda que amarrava a fantasia. E o descalabro, o caos, o espaço tomou conta do que antes estava tão arrumadinho. Às vezes, basta um peão ser comido para o jogo começar. 

A primeira parte foi um luxo daqueles que só se apreciam num restaurante gourmet. Frenkie de Jong baixava para o lado de Virgil van Dijk e os Países Baixos impediam o Japão de criar superioridades na última linha, obrigando os nipónicos a ter de pensar em soluções alternativas. Estas surgiram com o envolvimento dos centrais exteriores, com a multiplicidade de movimentos dos alas, nomeadamente Keito Nakamura e sempre que Daichi Kamada recuou metros e procurou arranjar algo diferente. Da mesma maneira, o Japão pôs-se num 5-4-1 que engoliu simplesmente Gravenberch e Reijnders e fez a equipa de Ronald Koeman regressar ao nome antigo. Já não se diz Países Baixos, pode-se dizer Ulanda. Uma homenagem merecida ao trajeto da bola pelo único sítio onde havia espaço.

Virgil Van Dijk Países Baixos
Fonte: Federação Neerlandesa de Futebol

Se o menu de luxo da primeira parte foi exclusivo, aquele tipo de experiências que um vendedor dos bons diria que só é incompreendida por quem não tem intelecto suficiente para apreciar tamanha fruição, a segunda teve algo de popular na forma como tudo parecia acontecer a cada momento. Foi servida naqueles guardanapos enormes brancos, com talheres sem condizer e por um empregado com uma frase qualquer repetida até à exaustão. Queria golos! Queria, já não quer?

Neste contexto, com duas equipas a anularem-se uma à outra, o diferencial apareceu da maneira mais evidente. Olhando a qualquer bola parada na área do Japão, era evidente a diferença de alturas considerável. Quando Ryan Gravenberch se soltou da teia japonesa e, na segunda vaga de um livre lateral, viu Virgil van Dijk na área, mudou o jogo. A partir daí, tudo o que era prisioneiro soltou-se e cada parada teve resposta.

A superioridade aérea gerou uma autêntica bola de neve que viria a aumentar de tamanho. Primeiro, por Keito Nakamura, um dos mais exigidos defensivamente e com mais recursos para desequilibrar. Puxou para dentro, depois de um bom trabalho de Takefusa Kubo e empatou. Minutos depois, novo aumento na bola de neve. Se da relação Denzel Dumfries – Crysencio Summerville já tinham surgido as melhores interações da primeira parte, na segunda etapa Ryan Gravenberch juntou-se à equação. Conduziu metros antes de entregar a bandeja para o extremo do West Ham ser feliz. Mais um golaço, quase a replicar o movimento curvilíneo que Nakamura meteu na bola. Se um dos golos já havia sido mimetizado, o outro também o foi. Não deixa de ser curioso, quase poético que os pequeninos japoneses tenham arranjado espaço, depois de uma maravilha de Junya Ito, para meter a bola na área e fazê-la tocar em dois jogadores antes de balançar as redes. Poético como um provérbio japonês. Daqueles com barcos. 

Are you not entertained? | Costa do Marfim 1-0 Equador

Costa do Marfim Equador Lincoln Financial Field
Fonte: Federação Equatoriana de Futebol

Quando Maximus Decimus Meridius quis expor a hipocrisia do público, sedento por sangue na arena, ecoou um “Are you not entertained”, frustrado pelo banho de sangue de que tinha saído vencedor. A consciencialização do mal marcou o percurso do gladiador, no filme com o mesmo nome. Mas, e a consciencialização do bem?

O golo da Costa do Marfim mudou o registo e evitou aquele que seria o primeiro 0-0 do Mundial 2026, num confronto diante do Equador. Uma vitória que não elimina 90 minutos sem qualquer golo num dos jogos mais divertidos da prova. Ao 0-0, vale a pena responder: Are you not entertained?

O embate entre duas equipas repletas de fisicalidade, de capacidade de pressionar lá em cima e de uma alma assinalável não podia desiludir e não o fez. Apenas pautou ainda mais as características mais vincadas dos marfinenses, superiores na segunda metade, e dos equatorianos, que foram bem melhores na primeira metade. Um empate deixaria ambas as equipas praticamente apuradas, contando com a vitória aparentemente certa diante de Curaçau. Assim, a questão será mais aberta, mas será difícil de pensar em 32 equipas neste Mundial melhores que Costa do Marfim ou Equador.

Yan Diomande Costa do Marfim
Fonte: FIFA

Na Costa do Marfim, a individualidade é soberana. Foi a maneira de Emerse Faé melhor conseguir tirar proveito do talento à bruta que anda lá para a frente. Defensivamente e no meio-campo, impera a brutalidade no mais saudável sentido da palavra, a estampa física e a capacidade de vencer duelos. Esta estabilidade permite libertar melhor os homens da frente, desta feita quatro. Entre tantos nomes para o ataque, tamanha inveja não deve sentir Sebastian Beccacece, nenhuma tão valiosa, esta noite, como Yan Diomande.

O trabalho da Costa do Marfim era dedicado a isolar o extremo no 1×1. Pela frente, Piero Hincapié, um dos laterais esquerdos mais seguros defensivamente, finalista de Champions League. Tudo pormenores para Yan Diomande que se bateu com o rival e venceu mais vezes do que perdeu. Absolutamente dominante pela envergadura física, mas principalmente pela maneira como usa a mudança de velocidade e a passada a seu favor. Juntar a estas características físicas a qualidade técnica deverá ser como usar uma sequência de quadrados, analógicos a romper para a direita e L2. Suportado pelo bem promissor Guéla Doué, à direita o 11 da Costa do Marfim desfilou. Quando Amad Diallo, marcador do golo decisivo e outro nome agitador, foi chamado a jogo, passou para a esquerda. Rapidamente o Equador chamou Porozo a jogo, deslocou Joel Ordóñez para lateral direito e colocou o voluntarioso Angelo Preciado à sua frente. Quando assim é, fica tudo dito. 

Pedro Vite Yan Diomande Equador Costa do Marfim
Fonte: Federação Equatoriana de Futebol

Quanto ao Equador, há uma certeza mais ou menos evidente. Com opções do calibre marfinense lá à frente, não teria sofrido golo sem antes ter marcado. Só de repente, foram duas bolas à trave e um lance clamoroso de Enner Valencia. John Yeboah fez um jogo repleto de agitação e mostrou-se a bom nível, Gonzalo Plata conseguiu acrescentar no terço ofensivo, mas há um mundo de diferenças quando se olha para trás. 

Moisés Caicedo viu revogada uma expulsão e pôde ir a jogo. Podia ser nota de destaque, mas o equatoriano até foi beneficiado. Viu bem de perto aquilo que Pedro Vite, bem menos mediático que Pacho, Hincapié ou o próprio Caicedo, conseguiu fazer. Numa equipa tão focada na capacidade de vencer duelos, acrescentou pausa, variabilidade na saída e cérebro na distribuição. Quando o músculo se equipara, é no cérebro que se marcam diferenças.

A Dupla Maravilha e uma Suécia a respirar bom Ayari | Suécia 5-1 Tunísia

Alexander Isak Suécia Viktor Gyokeres
Fonte: Federação Sueca de Futebol

De todas as 48 seleções no Mundial 2026, nenhuma tem uma presença tão estranha como a Suécia que, depois de não conseguir vencer qualquer um dos jogos de qualificação, viu um percurso de sucesso (pudera) na 3.ª Divisão da Liga das Nações merecer uma vaga nos playoffs. Aí, nada a dizer e os nórdicos que vestem de amarelo estão no Mundial 2026 e com legítimas aspirações a, pelo menos, seguir para a próxima fase. 

A Suécia não será, certamente, uma das seleções mais entusiasmantes ou envolventes do torneio, mas tem sobre si três pontos a favor. Os primeiros jogam-se a três. Defensivamente, Isak Hien, Gustaf Lagerbielke e Victor Lindelof dão, em diferentes pontos, garantias. Hien consegue aguentar referências mais físicas, Lagerbielke consegue, de frente para o jogo, limpar quase tudo e, com bola, o envolvimento de Lindelof abre mundos infinitos no passe, principalmente quando não há pressão.

Foi o que aconteceu no primeiro golo da vitória sobre a Tunísia, quando o defesa, que também já sabe o que é ser médio, isolou Alexander Isak. A bola ainda passaria por Viktor Gyokeres antes de chegar a Yasin Ayari. Não fosse o golo histórico de Curaçau e o médio sueco, visivelmente emocionado depois de marcar a um país que também sente como seu – tem dupla nacionalidade, filho de pai tunisino crescido e feito sueco – disputaria o troféu de momento do dia. É, dos médios suecos, o mais envolvente, com capacidade para funcionar como facilitador e orientador de jogadas em zonas mais recuadas, mas também para, mais à frente, ligar setores. Ainda marcou mais um, provando que, quanto menos estiver numa gaiola de movimentos, maior a influência que poderá ter. É complementado por Jesper Karlstrom e Benjamin Nygren, numa outra faixa do terreno. 

Yasin Ayari Suécia Jogadores
Fonte: Federação Sueca de Futebol

Estando estes setores, a defesa e o meio-campo, oleados, a Suécia terá sempre argumentos para ameaçar, principalmente se não for obrigada a assumir o protagonismo. Chegou a fazê-lo a espaços, como no segundo golo contra os africanos, o primeiro a envolver diretamente a dupla dos estragos. Quem tem Alexander Isak e Viktor Gyokeres, nunca se poderá dizer triste. Para lá do que cada um é capaz de oferecer individualmente, na maneira como o primeiro conduz junto do pé, dribla e facilmente usa o remate e como o segundo ataca espaços, ganha duelos e remata com ferocidade, há uma noção de complementaridade e de trabalho em dupla. Sempre que houver espaço para explorar, haverá estrada para andar para a Suécia.

A Tunísia depositiva algumas esperanças no processo de rejuvenescimento, feito quase à força resultado de um corte alargado feito na base que assegurou a qualificação, mas voltou a mostrar fraquezas demasiado evidentes para receber algo mais do que um diploma de participação. A intenção em março foi clara: cortar de raíz com grande parte da geração mais velha e chamar muita malta jovem e tecnicamente evoluída. Não correu tão bem como planeado, certamente.

Diante da Suécia, há um pecado capital. O 5-3-2 com que Sabi Lamouchi montou os tunisianos em campo tinha como propósito evitar duelos individuais contra os avançados suecos. Para isso, a Tunísia assumia uma inferioridade: ou pressionava os três defesas e deixava alguém vazio no meio, ou igualava no meio e deixava um dos defesas livre. Com Lindelof de frente para o jogo, o mínimo espaço nas costas matou qualquer estratégia pensada para o jogo aos seis minutos. Ficou a afirmação de Hannibal Mejbri, o maior talento tunisino dos últimos anos. Exibição plena de personalidade tendo em conta as circunstâncias difíceis. Poder expressar-se nos maiores palcos do mundo valerá mais do que o resultado.