Modric – Normalmente, a figura de um jogo que termina com um golo marcado será o marcador desse mesmo golo. Neste caso, não se foge àquilo que é vulgar fazer-se, porém, mesmo que não tivesse marcado o golo, Modric seria eleito o melhor homem em campo.
Teve uma performance fantástica, com plena noção de todos os momentos de jogo, encostando ao duplo-pivô quando era preciso defender e saindo em velocidade quando se pedia organização ofensiva.
Recuperou muitas bolas no meio-campo turco e deu vida à circulação de bola croata. E claro, marcou um golaço!
Akinfeev sempre teve condições para ser um dos grandes guarda-redes europeus – e não o será? Falta-lhe, todavia, constância exibicional para ser mais vezes recordado por entre o lote dos maiores especialistas. Contra a Inglaterra mostrou segurança, pelo ar e pelo chão, adiando, por diversas ocasiões, o golo inaugural. Protagonizou o momento individual da noite quando, aos 70 minutos, fez uma defesa “impossível” a remate de Wayne Rooney, desviando um remate rasteiro, forte e colocado para a barra da sua baliza.
Apenas Eric Dier, num livre superiormente executado, o conseguiu bater – no entanto, este empate (e precioso ponto) tem, invariavelmente, a sua marca de qualidade.
Bale – É a figura maior desta selecção e hoje voltou a provar isso. Marcou o primeiro, foi um dos desbloqueadores do jogo e é o rosto da esperança gaulesa
Shaqiri – 1,69 metros de poder. Destemido, pegava na bola e trazia a equipa consigo rumo à àrea albanesa. O jogo podia estar de feição, mas ele nunca se conformou com aquilo que a partida lhe ia dando, desconfiado do que pudesse fazer o advesário.
Teve apoios importantes, como a experiência de um lateral inteligente (Lichtsteiner) ou a noção táctica do duplo-pviô (Xhaka – Behrami), que lhe permitiram brilhar mais, mas não lhe tiram o mérito de uma exibição fantástica, coroada com a assistência para o golo da equipa.
Durante estas últimas duas semanas o FC Porto decidiu começar a movimentar-se no mercado e a tratar definitivamente da questão “treinador”. Agora que o rosto que vai representar o clube durante a próxima época está escolhido é tempo de começar a arrumar a casa e tratar de reforçar um plantel que se encontra enfraquecido.
Primeiramente, devo confessar que fiquei contente com a escolha de Nuno Espírito Santo. Nada melhor que um treinador que aprendeu a ganhar no clube para devolver a confiança e a esperança à equipa e aos seus adeptos. Na sua curta carreira como treinador, o antigo guarda-redes desempenhou funções no Rio Ave FC e no Valência CF. Conseguiu levar o clube nortenho à final da Taça de Portugal, à final da Taça da Liga e às competições europeias. Já na sua passagem por Espanha, levou o Valência à Liga dos Campeões, e na sua primeira época acabou na quarta posição, atrás de equipas como Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid. Tendo em conta o historial de escolhas que a direção do FC Porto tem feito ao longo dos anos, Nuno Espírito Santo é um dos treinadores com maior currículo ao chegar aos Dragões.
Nuno Espírito Santo já trabalha no Olival Fonte: Facebook Nuno Espírito Santo
Depois de escolhido o treinador, a direção dos Dragões tem apontado baterias para o reforço da defesa. Vários foram os nomes que foram surgindo ao longo das últimas semanas e confesso que não estou por dentro da qualidade de muitos dos que foram apontados. Ao que tudo indica, o único defesa já confirmado é Felipe. Um central “feito”, já de 27 anos, que está desde 2011 no SC Corinthians Paulista, e um dos jogadores cuja qualidade eu desconheço. Confio na equipa de observação dos azuis e brancos, que já nos deu grandes defesas centrais, como Otamendi e Mangala. Ao contrário destes últimos, Felipe chega ao futebol europeu um jogador feito, e não pode ser de outra maneira. O sector central da defesa está tão enfraquecido que é essencial apostar em jogadores que já demonstraram a sua qualidade e que já atingiram o pico da sua progressão.
Resta agora tentar perceber quem é que vai fazer companhia a Felipe no eixo central da defesa. Maxi Pereira e Layún devem acompanhar nas alas, sempre atentos a uma futura concorrência. Maicon está mesmo de saída dos Dragões e só resta saber que valores vão estar envolvidos. Para o eixo central da defesa ainda é importante realçar Diego Reyes. O mexicano fez uma boa época em Espanha e pode aproveitar estas fragilidades defensivas para se afirmar de vez e justificar o investimento. Já Martins Indi e Marcano também devem seguir o mesmo caminho que Maicon.
Nuno Espírito Santo tem assim a primeira contratação quase anunciada. O treinador natural de São Tomé e Príncipe terá de tentar perceber se terá a capacidade de potenciar centrais que estiveram muito aquém das expectativas na época passada e se Diego Reyes ou Abdoulaye vão fazer parte deste novo FC Porto.
Enquanto Froome, Contador e Porte lutam pela camisola amarela no Critérium du Dauphiné, o ciclismo continua a rolar por mais estradas afora e o próximo caminho é em terras suíças. A Volta à Suíça, tal como o Dauphiné, é uma das provas mais importantes do circuito mundial, fora as três Grandes Voltas.
Tal como a corrida em França (ainda mais, tendo em conta a lista de presenças), esta corrida na Suíça mostra um pequeno vislumbre do que poderemos vir a ter no Tour entre os mais variados candidatos. Provavelmente, os ciclistas mais mediáticos presentes nesta edição da Volta à Suíça lutarão, no Tour, por um possível pódio ou um top’5/10, mas não deixarão de dar o devido espetáculo nesta prova que antecede, então, a mítica Volta à França.
Antes, esta era mesmo a corrida de eleição para provas de uma semana. Perdeu um pouco deste seu prestígio mas continua a apresentar uma grande qualidade, quer em termos de perfis de etapas, quer em termos de inscritos para a corrida e das respetivas equipas presentes. Por exemplo, figuras como Scarponi, Siutsou, Atapuma, Dupont ou Dombrowski, que marcaram, juntamente com outros ciclistas, o Giro d’Itália deste ano, estão igualmente na lista para esta volta.
No meio disto tudo, um português poderá fazer história. Estou a falar, claro, do próprio Rui Costa! Depois de ter ganho três edições seguidas, no ano passado decidiu mudar um pouco a sua preparação para o Tour e fazer o Dauphiné. Pode discutir-se a decisão, mas a verdade é que os resultados apareceram e um pódio na prova francesa foi conseguido justamente. Neste ano, volta para tentar o “tetra campeonato” e ficar na história da prova como o ciclista que mais vezes venceu o Tour de Suisse (juntamente com outros três nomes importantes que marcaram um pouco o ciclismo e, principalmente, esta prova, com quatro conquistas cada um).
Dimitri Payet – Foi o francês que mais remou contra a maré e acabou recompensado. Muito dinâmico no que diz respeito às trocas posicionais com os seus colegas, Payet mostrou sempre, contudo, a clarividência e objectividade que faltou a Pogba, Griezmann ou Matuidi. Quase todas as jogadas do ataque francês passaram pelos seus pés: aos 10’ assistiu Giroud, que cabeceou ao lado, aos 35’ quebrou a letargia da sua equipa descobrindo Griezmann, que não marcou por centímetros e, no início da segunda parte, foi o principal rosto do melhor período da França em todo o jogo, nuns cinco minutos electrizantes que culminaram com a sua assistência para o golo de Giroud. Com uma carreira construída a pulso, o médio de pés de veludo já seria a figura da partida inaugural deste Europeu se o jogo tivesse terminado 1-1; depois do golão que marcou aos 88’, num remate perfeito ao ângulo, essa escolha deixou sequer de oferecer discussão.
Depois de um quarto lugar no Mundial de 1934, de um terceiro lugar no Mundial de 1954 e de mais quatro participações em Campeonatos do Mundo nas décadas de 70, 80 e 90, a Áustria precisou de organizar um Campeonato da Europa para conseguir finalmente participar numa fase final da grande competição de selecções da UEFA. A história da Áustria em Europeus até agora conta-se com os três jogos disputados na edição de 2008, quando partilhou com a Suíça o papel de anfitriã: duas derrotas por 0-1 com Croácia e Alemanha na fase de grupos, com um empate a uma bola com a Polónia pelo meio.
Este ano promete ser muito diferente. A um conjunto de jogadores talentosos e experientes, a selecção austríaca soma a força colectiva demonstrada na fase de qualificação aos seus argumentos . Ao todo, fizeram 28 pontos em 30 possíveis. Empataram com a Suécia no jogo inaugural (1-1) e o que se seguiu foi uma série surpreendente de nove vitórias consecutivas. Os cinco golos sofridos em dez jogos demonstram a solidez defensiva de uma equipa que assenta o seu jogo num 4-2-3-1 muito dinâmico e bem oleado. Portugal que se cuide!
A vitoria em Outubro frente à Alemanha que permitiu dar um passo gigante rumo ao apuramento teve também o condão de aumentar o animo e as expectativas em relação à participação no Euro. 4 anos depois da participação no Euro 2012, os irlandeses aparecem bem mais motivados para a prova. Há 4 anos e mesmo com um grupo com mais qualidade do que o deste ano, Trapattoni deixou passar a ideia de que a Irlanda pouco tinha a alcançar no Euro 2012. Este ano, Martin O´Neil passa para os seus jogadores a ambição de que é possível surpreender.
A Irlanda de O´Neil é uma equipa aguerrida, ousada que, apesar de dar a bola ao adversário, não tem medo de procurar a baliza adversária, apostando no jogo aéreo e nas bolas paradas, claramente os pontos mais fortes. É na defesa que existem as grandes preocupações. Apesar de ter sido a equipa com menos golos sofridos no seu grupo, o eixo defensivo não dá garantias de segurança, principalmente pela forma em que se encontram os centrais e tendo em conta que do outro lado estão jogadores como Ibrahimovic, Lukaku ou Hazard.
Apesar de estarmos a falar de um país que teve grandes equipas nos anos 70 e 80, com resultados notáveis em Mundiais e Jogos Olímpicos, esta é apenas a terceira participação da Polónia num Europeu, curiosamente de forma consecutiva. Depois de em 2008 e 2012 os resultados terem ficado aquém das expectativas, sobretudo na prova que organizaram, os polacos têm como objectivo mínimo uma chegada à fase a eliminar. A equipa parece ter mais qualidade do que nos Europeus anteriores e a vitória sobre a Alemanha na fase de qualificação prova que, num dia de inspiração, a Polónia tem capacidade para bater o pé a selecções teoricamente mais fortes. Adam Nawalka guiou o conjunto de Lewandowski e companhia a uma qualificação tranquila, onde se destaca precisamente o triunfo sobre os germânicos. Para se perceber a importância do feito, basta dizer que, em 81 anos, os polacos nunca tinham derrotado a Mannschaft. Mas nem só desse resultado se fez o percurso das Águias Brancas. Apesar de terem ficado atrás da Alemanha, tiveram de superar Irlanda e Escócia para marcar presença na competição francesa e terminaram com o melhor registo ofensivo entre todas as selecções, com 33 golos marcados. Mesmo tendo Gibraltar no grupo, estes números não surgem por acaso e resultam de um estilo de jogo positivo e que valoriza as qualidades dos jogadores do ataque. É deles que a Polónia depende em grande parte para conseguir a melhor prestação de sempre num Europeu.