11 de Junho de 2016 será um dia para mais tarde recordar na história do futebol albanês. A Albânia estreia-se num Europeu, frente à Suíça. Os albaneses foram a maior surpresa da fase de qualificação e chegaram ao Euro por mérito próprio. E tudo começou às custas de Portugal, na surpreendente vitória em Aveiro. E se muitos pensaram que a vitória foi sorte, a restante fase de qualificação mostrou que a Albânia era um adversário com quem contar na luta pela qualificação. E os resultados assim o mostram. Nas quatro deslocações onde à partida a Albânia não era favorita (Portugal, Dinamarca, Sérvia e Arménia), a selecção albanesa não perdeu em nenhuma, e no geral só soma duas derrotas. O segundo lugar no grupo é assim um prémio justo para esta surpreendente selecção.
A Albânia vale pelo seu colectivo e pela união que demonstra dentro de campo. Os seus pontos fortes são claramente a sua capacidade defensiva e o seu contra-ataque. Foram apenas 5 golos os golos sofridos. Para se ter ideia da forma como a Albânia melhorou no capítulo defensivo, no apuramento para o Mundial de 2014 foram 11 os golos sofridos e para o apuramento do Euro 2012 foram 14. Não é raro ver vários elementos do ataque a descer no terreno, ajudando os seus colegas em tarefas defensivas. Com o caminho fechado ao advserário, os albaneses apostam na pressão alta e no contra-ataque. Com poucos toques a bola está na área contrária, o adversário é apanhado descompensado porque a Albânia gosta de lhe dar a iniciativa e é esta a formula para os albaneses estarem no Euro.
O Europeu de futebol está quase a começar e a nossa selecção já está a caminho de França com a bagagem cheia de golos à custa da Estónia, o que garante desde já um espírito optimista a jogadores e adeptos (nunca esquecendo a qualidade do adversário a quem marcámos sete golos).
Mas, apesar de vir aqui falar da selecção de Portugal, não vou dirigir-me tanto ao jogo disputado mas sim a situações paralelas ao jogo.
A escolha da campanha de marketing para a selecção neste Europeu começou logo com um erro de cálculo. Eles dizem que somos 11 milhões mas, segundo se sabe, Jorge Jesus tem que pagar a, pelo menos, 14 milhões. Pergunto onde meteram os três milhões que faltam.
Bem sei que, apesar de alguns prémios nas olimpíadas de matemática, na generalidade, somos um povo com problemas nessa disciplina. Ou não tivéssemos tido um ministro que, em directo e após um cálculo mental “rápido”, concluiu com a célebre frase: “É só fazerem as contas”; ou outro que, numa palestra para estudantes, nos elucidou com uma das mais básicas regras da economia moderna: “As dívidas não para ser pagas”.
Neste último caso até pode ter razão se o Estado não tivesse que andar a suportar dívidas de certos tipos que ficaram a dever ao BPN. Mas isso são contas de outro rosário, doutrina de outra “catedral”.
Mas, continuando a falar do “engenheiro” que largou a tal regra de economia acima publicada, este foi o mesmo que passou paninhos quentes aos alemães, ou à alemã. Foi também ele que lançou de uma forma mais vincada esse movimento que está agora a ser seguido também pelo actual Presidente da República (não que o anterior não o fizesse).
Mas, ao que parece, esse movimento está a espalhar-se, e teve um dos seus expoentes no jogo da selecção com a Estónia.
Um dos bons momentos do jogo de ontem Fonte: Facebook Oficial de João Mário
É que, estava eu a ver a selecção de todos nós a esmagar o rival, quando chega o momento de entrar o “alemão” (parece que é jogador de um clube alemão). Foi a partir daí que se assistiu ao que acima descrevo, o movimento de sobrevalorizar tudo o que o “alemão” fazia, até passes errados. Era um “bruáááá” cada vez que o rapaz tocava na bola.
Mas o que incomodou mais ainda foi o facto de terem assobiado, sempre, dois jogadores sem razão aparente (sim, estou a ser sarcástico). Rui Patrício e Wiliam Carvalho foram apupados em todos os momentos em que intervieram no jogo, o que não entendi, até porque acertaram muito mais vezes que o tal “alemão”. Acredito que não o tenham feito por serem jogadores do Sporting Clube de Portugal, até porque estão agora a defender a selecção Portuguesa, a tal dos 14 ou 15 milhões.
Mas se eles preferirem podemos continuar a olhar para aquela selecção, apoiando sempre e só os jogadores afectos ao clube que defendemos.
Se assim for, parece-me que ainda continuamos – nós, sportinguistas – a ter mais motivos para apoiar a selecção portuguesa que outros.
E, se não chegassem os 4 jogadores que ainda pertencem aos quadros do Sporting Clube de Portugal, poderíamos alargar os pressupostos pelos jogadores formados pelo nosso clube, que, no último jogo, eram “só” 7 na equipa inicial.
É a tal espinha dorsal, de que uns falam e que outros concretizam.
Assim sendo, e se o amor e apoio pela selecção de Portugal se medem pelos jogadores dos clubes, então esta é muito mais dos Sportinguistas que de outro qualquer.
Eu preferia que fossem os tais 14 ou 15 milhões a apoiar mas, se não quiserem, também passamos bem com isso. O Jorge Jesus também agradeceria que fossem menos portugueses, pelo menos pediam-lhe menos.
O que acho é que têm o direito de ter preferências por um ou outro jogador, mas não devem assobiar ou “apupar” qualquer jogador que faça parte da selecção de todos nós, e que esteja ali a defender as cores do seu país, que por acaso também são as nossas, acho eu.
A França é sempre uma incógnita. Poderia começar por dizer que têm um plantel muito consistente, com várias soluções de qualidade para todos os sectores, e que por jogarem em casa são favoritos. Mas os gauleses nunca são favoritos e são sempre favoritos. Se fizermos um uma cronologia dos Europeus e Mundiais deste século vemos isso. Em 2000 venceram o Euro, organizado pelos Países Baixos e Bélgica. Quem ganha um Europeu é normalmente um forte candidato, dois anos a seguir, ao Mundial. Tal não aconteceu, no Mundial de 2002, no Japão e na Coreia do Sul. Nem conseguiram passar a fase de grupos.
18 anos depois, poderá a história repetir-se? Fonte: EPA
No Euro 2004, em Portugal, alcançaram os quartos-de-final e sem que nada o fizesse prever, em 2006, no Mundial organizado pela Alemanha, chegaram à final e só tombaram nas grandes penalidades perante a histórica Itália. Tinham chegado à final e demonstrado que poderiam voltar a afirmar-se como uma grande selecção, mas no Euro 2008, na Suíça e Áustria, e no Mundial de 2010, na África do Sul, não conseguiram passar a fase grupos. No Euro 2012, na Polónia e Ucrânia, quebraram o enguiço e chegaram aos quartos-de-final, assim como no Mundial de 2014 no Brasil.
Tendo este histórico em consideração é impossível prever o que é que os pupilos de Didier Deschamps podem fazer. Têm um plantel de qualidade, um seleccionador que sabe o que é estar no relvado e vencer, mas o balneário não transpira confiança. Teve de levar uma limpeza depois do Mundial de 2010, mas ainda há resquícios de conflitos; o caso de Benzema é claramente o exemplo disso. De qualquer forma, França tem de estar no pote dos favoritos, joga no seu país com o seu povo a apoiá-lo. Um povo que depois dos atentados terroristas de 13 de novembro está mais unido do que nunca em torno de algo que pode trazer uma alegria comum. E isso inspira o futebol, uma causa comum, uma felicidade comum. Só a selecção é pode oferecer isso, sem clubismos, sem partidarismo e politiquices, é uma nação unida em torno de quem a representa.
A seleção da Alemanha parte para o Europeu 2016 com o estatuto de principal favorita, adquirido principalmente pela conquista do Mundial 2014, disputado no Brasil. A “Mannschaft” está, assim, de regresso ao trono do futebol mundial e as esperanças dos cidadãos alemães para esta competição estão bem patentes.
A principal razão para tal situação passa pelo facto da maior parte do núcleo duro da seleção manter-se e continuar a exibir-se ao mais alto nível e rendimento. A par de alguma renovação nos últimos dois anos (Lahm abandonou após a conquista no Brasil, Weindenfeller, Mertesacker e Klose não fazem parte das escolhas; por seu turno, Jonas Hector, Sané, Can. Weigl, Kimmich, Rudiger, Leno e ter Stegen estão convocados), algo que todas as seleções têm que viver, jogadores fulcrais como Neuer, Hummels, Boateng, Kroos, Ozil, Muller, Schweinsteiger continuam a fazer desta Alemanha uma seleção a temer pela maioria dos seus adversários.
A Alemanha chega ao Europeu 2016 com o estatuto de campeã do mundo Fonte: Federação Alemã de Futebol
A fase de qualificação não foi totalmente perfeita (uma derrota e um empate surpreendentes com a Irlanda, a par de um desaire face à Polónia), porém, ainda assim, a Alemanha cumpriu e segurou o primeiro lugar no seu grupo. Nos últimos jogos realizados, incluindo já os amigáveis de preparação para o Europeu, ainda não foi possível verificar esta seleção a praticar o seu melhor futebol, situação que deverá ser corrigida até ao início da competição, para a qual a Alemanha parte na pole-position para conseguir um posto na final de 10 de julho.
Sentia-se pouco mais que uma brisa leve, o sol raiava, e a temperatura era a mais alta do ano. O primeiro cheiro a verão fazia sentir culpado quem não aproveitasse aquele dia, mesmo que não tivesse outra alternativa. A esplanada do café da esquina convidava à estadia. Não podia haver outro sítio onde se pudesse estar sem se sentir remorsos. 0,5€ por um café e a escuta involuntária de conversas alheias eram um preço justo a pagar por qualquer pessoa que já tivesse dobrado a puberdade.
As conversas não variavam muito, incidiam sobre o rescaldo do campeonato, e cada um puxava para o seu lado como é apanágio destas coisas. Fosse de forma delicada ou brusca, tirando ou reforçando o mérito de quem o tinha vencido e apregoando as injustiças de quem os seus clubes tinham sido alvo. Nessa tarde, calhou ser discutido o campeonato que o Benfica vencera, 11 anos depois da última conquista.
Uns substituiam o mérito por sorte, outros reforçavam a justiça do vencedor. Uns diziam que se ganhou sem saber ler nem escrever, outros falavam na sagacidade de Trapattoni, que fez de Bruno Aguiar grande jogador. Uns falavam em vitórias nos últimos minutos, “às três pancadas”, outros na capacidade de sofrimento, na saúde mental. Havia um nome que entrava nesta última discussão. O de Pedro Mantorras.
Jimenez festeja com Rafa Marquez, depois de assistir para o 2-1 contra o Uruguai Fonte: Copa América
Em 2004/2005, criou-se o “efeito Mantorras”. A fluidez do jogo do Benfica podia não ser a melhor, as oportunidades completamente anuladas, esgotando qualquer indício de possível alegria. Mas quando o angolano era chamado, a Luz acreditava. O público galvanizava-se, quase salivando por um golo, num efeito parecido ao cão de Pavlov (que salivava, sempre que ouvia um estímulo a que associava uma recompensa), por saber que o sucesso ficaria mais perto quando entrasse o Mantorras. Afinal, das 5 vezes que marcou, 4 delas foram saídas do banco, muitas das quais decisivas para a conquista dos três pontos (como, por exemplo, no marcante 4-3 contra o Marítimo).
Depois de tanto esforço, dedicação e devoção, não podemos vacilar agora… Estamos a “três” meros passos da glória.
A equipa de Futsal do Sporting Clube de Portugal fez um campeonato “brilhante”. Ganhou a fase regular com oito pontos de vantagem e teve SEMPRE um futsal avassalador.
Em 26 jogos ganhou 24, empatou um (em casa com o Braga) e perdeu um (com o Benfica fora).
Foi o melhor ataque da prova, com 146 golos em 26 jogos (com uma vantagem de 42 golos perante a 2.ª melhor equipa). Teve a defesa menos batida do campeonato, com 22 golos (menos 14 que o Benfica).
Já ganhou a Taça da Liga e a Taça de Portugal, e prepara-se para uma das melhores épocas de sempre na história do Futsal português…
Mas esta meia-final contra o Braga deixou-me meio expectante em relação àquilo que o Sporting poderá fazer na final contra o eterno rival.
A vitória do Sporting frente ao Braga não espelha a facilidade que a equipa leonina sentiu no campeonato na grande maioria dos jogos Fonte: Sporting CP
Sim, a derrota no primeiro jogo em Braga foi nos penáltis e o Sporting só se pode queixar de si próprio por falhar mais do que devia, mas o segundo e o terceiro jogo mostraram um Sporting abaixo do que é normal. No segundo jogo, com uma vantagem de três golos, sofreram dois golos e terminaram a partida com algum nervosismo.
E, na terceira partida, até quatro minutos antes do final do jogo perdia por duas bolas a zero e só se conseguiu o empate no tempo regulamentar, num esquema táctico de cinco contra quatro.
Confesso que a confiança que tenho na equipa se mantém, mas vi o Sporting em ligeira quebra nesta fase final. Espero que já no Domingo a equipa verde e branca me mostre que se tratou de algo meramente estratégico e apareça em grande força contra o eterno rival.
Até agora foi fantástico, pelo que não podemos vacilar agora!
Terminada a 1.ª jornada desta CA, segue um curto rescaldo do que foram os jogos de abertura de cada um dos grupos. Podemos perceber que algumas equipas se estrearam a medo – mais interessadas em não perder do que ganhar – talvez pelo fato de alguns dos jogos colocarem frente-a-frente favoritos do grupo.
GRUPO A
No rescaldo deste grupo A – visto como o mais equilibrado da CA – assistimos a uma Colômbia a mais para um EUA a menos, no jogo da abertura. Algo previsível, diga-se! Vimos uma Colômbia com uma intensidade forte e um futebol com critério. A Colômbia levaria facilmente de vencido o desafio com os EUA (2-0), fruto de uma 1ª parte sólida e de um futebol com critério, que só não foi alargada na 2ª parte porque Bacca foi infeliz numa das finalizações. Previsibilidade essa estendida ao jogo entre Costa Rica x Paraguai (0x0). Um futebol bem ao estilo de cada uma das seleções, que se equivaleram em termos de competitividade e no resultado. Creio que ambos os desfechos eram os esperados.
Os colombianos entraram com o pé direito Fonte: Copa América Centenário
Anatomia do golo em destaque da 1ª jornada no Grupo A vai para o 1 a 0 da Colômbia – marcado pelo veterano Zapata – após um lance de canto estudado. Aposta declarada dos EUA em defender homem-a-homem, quebrada pelo excelente movimento de fuga à marcação e uma estratégia de bloqueios previamente pensada. Um remate fulminante que uma defesa zonal teria evitado o golo.
A exibição de destaque vai para o talentoso jogador Colômbiano do Monterrey – Edwin Cardona, com a camisa 8, que foi o grande impulsionador do meio campo e que esteve presente em alguns dos melhores momentos da sua seleção.
Estão terminados os encontros referentes às meias-finais dos playoffs do campeonato, onde se apuraram os grandes favoritos desde o início da competição, isto é, o Sporting CP e o SL Benfica. Mas nem tudo foi rosas, sobretudo para a formação leonina, que apenas resolveu a questão no prolongamento do terceiro jogo, por 5-3, depois de se ver a perder por 0-2 ao intervalo do tempo regulamentar.
Estas enormes dificuldades dos leões devem-se não só a alguma displicência no momento da finalização, não conseguindo concretizar nenhuma oportunidade das inúmeras que tiveram ao longo dos primeiros 35 minutos, pois só nos últimos cinco minutos lograram marcar por duas ocasiões para empatar a duas bolas e levar assim o encontro para mais dez minutos, em que os verde e brancos foram claramente mais fortes, mas também aconteceram graças à brilhante organização da turma minhota, bem orientada por Paulo Tavares, sendo muito eficaz nas situações que criou e mantendo a baliza inviolável até perto do fim dos 40 minutos, contando para isso com a ajuda do herói da semana anterior, o guardião Vítor Hugo, a manter as redes a salvo das constantes investidas dos jogadores da formação lisboeta. Foi, portanto, um apuramento extremamente sofrido, que vem provar todo o valor do Sporting de Braga/AAUM, mas que também vem provar que, para os jogos com o grande rival, o Sporting tem de melhorar a sua eficácia, ou seja, tem de ter mais proveito caso crie um caudal de jogo elevado, sob pena de sofrer algum dissabor na grande final.
Os jogadores do Sporting aproveitaram para agradecer a grande ajuda vinda das bancadas Fonte: Sporting CP
Numa eliminatória bem menos equilibrada, uma vez que foi decidida ao segundo jogo, o SL Benfica voltou a bater a Burinhosa por 4-1, num jogo onde a superioridade benfiquista não sofreu qualquer ameaça mas que não belisca em nada a grande temporada realizada pela equipa de Pataias, que nunca tinha alcançado as meias-finais do principal escalão. É, por isso, uma belíssima época da turma de Kitó Ferreira, que irá certamente recordar esta caminhada por muito tempo, e como a primeira de muitas; isto porque praticam um futsal bastante atrativo e caso a estrutura se mantenha por mais algum tempo, treinador incluído, podem mesmo vir a lutar por troféus daqui a um espaço de tempo relativamente curto, para além de se transformarem na terceira potência a nível nacional, algo que já alcançaram nesta época, na fase regular.
Assim sendo, vamos ter uma autêntica final de sonho, entre os grandes dominadores dos últimos anos em termos de finais alcançadas, e é um facto que este duelo na final já começa a ser tradição na história mais recente, com a AD Fundão a ser a única a estragar o pleno, quando em 2013/2014 chegou à final contra o Sporting, quando Joel Rocha, atual treinador dos encarnados, ainda treinava a formação beirã. É de esperar uma série onde o equilíbrio seja uma constante, numa eliminatória que arranca já este próximo fim-de-semana, em Odivelas. Para finalizar, resta-me dizer que agora a eliminatória se joga à melhor de cinco partidas, isto é, é campeã a formação que ganhe três jogos.
“Deram frutos a fé e a firmeza” é assim que começa o hino dos Açores e é assim que Ricardo Moura se deve sentir depois de ter vencido a prova mais importante da sua região.
Para mim, fã confesso do piloto, ter acompanhado à distância esta prova ainda se tornou mais difícil quando se soube o vencedor. Ver o piloto que todos queremos que ganhe a vencer finalmente o “seu” Rali dos Açores é especial, no sábado, logo após o final da prova meti só “Orgulho!” mas é muito mais. É ver um açoriano vencer uma prova do europeu (ERC), é ver um açoriano vencer a prova mais importante da região, algo que não acontecia desde 1971, não tinham os meus pais sequer 10 anos e mais importante é ver um açoriano a singrar no mundo do desporto, algo cada vez mais frequente, felizmente.
É preciso ver que esta vitória nasce também de alguma sorte, uma vez que Moura estava em terceiro e subiu a primeiro após problemas de Kajetanowicz na direção e Lukyanuk com o turbo, mas se nesta prova pode-se dizer que Moura teve sorte nos últimas duas/ três temporadas a sorte tem sido algo madrasta.
Diogo Gago é a maior esperança dos pilotos portugueses Fonte: Diogo Gago
Outro grande resultado nos Açores foi o de Diogo Gago que bateu toda a armada Opel oficial em especial Chris Ingram. Esta dupla de pilotos tem tudo para ser daqui a uns anos uma dupla de candidatos à vitória no WRC, assim os apoios apareçam, em especial para o português, porque Ingram já é piloto oficial da Opel depois de no ano passado ter sido da Peugeot inglesa. Para quando a FPAK a pegar neste piloto e fazer dele o que as federações francesa, espanhola ou alemã fazem com as suas melhores promessas? É que se fosse só qualidade o Diogo estava no topo, o problema é que é preciso dinheiro e as grandes empresas tugas só ligam a um desporto.
Está na altura de ambos os pilotos passarem em definitivo para o estrangeiro, pois em Portugal já não vão aprender nada. Se para Moura já começa a ser difícil devido à idade, para Diogo Gago está na altura certa. Esta deveria ser a sua última temporada num carro desta categoria, vencer o ERC Junior, ou pelo menos lutar por ele, pode ajudar neste sentido.
O mundial de motociclismo rumou até à Catalunha para mais um fim-de-semana cheio de emoção. O circuito de Montmeló já presenciou várias e bonitas batalhas pela vitória, e o Grande Prémio deste ano não foi diferente.
Depois de Shoya Tomizawa, Daijiro Kato e Marco Simoncelli, a morte voltou a assombrar o mundial de motociclismo e a alegria deu lugar à tristeza logo na sexta-feira, quando Luis Salom, piloto da categoria de moto2, não resistiu a um grave na segunda sessão de treinos livres.
Não houve lugar para guerras, lamentações ou celebrações porque o objectivo era apenas um: correr em memória do piloto que tinha deixado a vida no asfalto. E foi isso que se viu. Os pilotos que subiram ao pódio vestiram uma camisola com dedicatória “Always in our hearts” e foram várias as homenagens ao jovem espanhol. Em jeito de despedida, mas com a certeza de que nunca será esquecido.
“Always in our hearts, Luis Salom” Fonte: Valentino Rossi Oficial
No que diz respeito à corrida, o circuito de Montmeló voltou a receber uma espectacular batalha como aquela a que assistiu em 2009, entre Jorge Lorenzo e Valentino Rossi. Este ano, o italiano disputou a vitória com Marc Márquez.
Valentino Rossi tinha-se mostrado bastante forte ao longo do fim-de-semana, e confirmou essa supremacia logo no warm up, e depois ao longo da corrida. Já o seu companheiro de equipa, Jorge Lorenzo, liderou durante as primeiras voltas, mas foi perdendo algum ritmo para os rivais. Aliás, o espanhol já se tinha queixado das novas alterações da sua mota e que estas lhe estavam a tirar ritmo.
Mas quem o tirou para fora de pista foi o piloto da Ducati, Andrea Iannone. Num acto de loucura, o italiano embateu contra Lorenzo e o asfalto foi o destino dos dois pilotos. Ciente do erro, Iannone dirigiu-se ao espanhol numa tentativa de se desculpar, mas este recusou. E tinha mais do que motivos para isso. Com Jorge Lorenzo de fora, a luta resumiu-se a Rossi e Márquez. Nas últimas voltas, o espanhol usou todos os seus trunfos, numa tentativa de cruzar a bandeira de xadrez em primeiro lugar.
Mas foi na penúltima volta que Valentino Rossi usou a velocidade da sua M1 para aproveitar alguns erros do piloto da Honda, que teve sérias dificuldades em controlar a sua moto. Depois de uma travagem menos bem conseguida por parte de Márquez, Rossi passeou até à linha da meta e alcançou a segunda vitória desta época.
Para a história fica também o aperto de mão entre Rossi e Márquez, depois de toda a polémica criada entre os pilotos no final da temporada passada. A modalidade agradeceu. Com este resultado, Márquez é líder do campeonato com 10 pontos de avanço sobre Jorge Lorenzo, e Valentino Rossi fecha o pódio com menos 22 pontos do que o piloto da Honda.
É de salientar ainda que o português Miguel Oliveira voltou a alcançar o seu melhor resultado da época. Se em Mugello conseguiu a nona posição, em Montmeló o português terminou a corrida em oitavo.