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Os emails não revelados: João Henriques e a revolta para com Sérgio Conceição

Tiago Ferreira · 4 min

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Findo o nosso jogo, que mais pareceu uma guerra, sinto uma necessidade extrema de te dar a conhecer um pouco mais do que é um clube menos “grande” que o teu. Talvez já te tenhas esquecido do que é andar por aqui, de dar a cara e todos os nossos sentidos por clubes como o FC Paços de Ferreira, mas se te esqueceste eu posso relembrar-te.

Queria expressar-te algumas coisas, que infelizmente não pude ontem porque tu estavas com demasiada azia para aceitar uma derrota. Ou então fui eu que percebi mal, e não deu para falarmos porque estarias à espera que o jogo tivesse mais meia hora.  Aquela primeira meia hora em que a tua equipa não entrou em campo… Estarias a pensar que ainda íamos com 60 minutos de jogo?

Tenho, ou talvez já não tenha, grande apreço por ti. Realmente, assumir as nossas fraquezas e até alguns erros, é algo tremendamente difícil. Chamar vergonha ao que se passou ontem no nosso estádio, é sem sombra de dúvida uma vergonha na medida em que demonstra uma total falta de apreço por cada jogador e adepto do clube que represento.

Talvez vocês tenham feito parte desta vergonha, como a apelidas, porque poderás eventualmente sentir vergonha em perder em casa do último. Será isso? Prefiro acreditar mais nessa premissa. Se calhar envergonha-te teres sido dominado, durante quase uma parte inteira, pelo anterior último classificado do nosso campeonato. Se calhar sentes vergonha por teres jogadores de milhões que entram em campo cientes e convencidos que tudo se resumirá à classe individual que possam ter, e menosprezam o outro lado da barricada.  E foi um pouco isso que também aconteceu ontem. Mas essa vergonha já tu não entendes como tal.

João Henriques, o homem que fez o que ainda ninguém havia feito: derrotar o FC Porto
Fonte: FC Paços de Ferreira

Denominar de “espetáculo horrível” aquilo que se passou no nosso fantástico estádio, é não querer ser sério. Vou talvez descrever-te um pouco do que se passou ontem, já que terás estado mais interessado em contar os segundos que a bola aguardava ser colocada em campo. Que grande exagero esses segundos e minutos de que falaste!

Primeiro, só dizer que vocês, e aqui coloco os três grandes no mesmo pote, como não entendem os clubes mais modestos, têm sempre pedras numa das mãos, prontas a ser atiradas. Se formos goleados levamos com pedras das mãos dos outros dois grandes porque “facilitámos”. Se fizemos para pontuar, se lutámos até à última gota, levamos com as pedras de quem connosco jogou. É tramado! Como é que vamos deixar de ser apedrejados?

Voltando à descrição do que se passou no jogo…

O que posso dizer mais sobre o mesmo?  Posso transmitir-te ainda o seguinte:

– Que realmente poucas vezes deves ter visto um jogo assim. Poucas vezes deves ter visto uma equipa como a nossa, sem receio do temporal que caía sobre nós, sem receio do choque, de quedas ou mazelas. Mário Felgueiras, João Góis, Rui Correia, Miguel Vieira, Filipe Ferreira, Rafel Asssis, Ruben Micael, Pedrinho, Xavier, Quiñones, Luis Phellype, Ricardo, Vasco Rocha, Bruno Moreira, foram, sem dúvida e cada um deles, verdadeiros guerreiros.

Estes foram os onze “guerreiros” que iniciaram no passado Sábado o jogo com o FC Porto
Fonte: FC Paços de Ferreira

– Que o espírito demonstrado em campo é o mesmo fora dele. Que os que estavam fora de campo também esticaram o pé para tirar a bola da área, também comemoraram cada corte como se fosse seu, estando nas chuteiras do Miguel Vieira, nas mãos do Mário Felgueiras, ou nos joelhos do Rafael Assis.

– Que teres um jogador como o Assis que joga mais de metade da 2.ª parte com dores e em alguns momentos a coxear, não é para qualquer um. Que ter um jogador como o Ruben Micael, depois de ter representado grandes clubes como o vosso, a fazer o trabalho defensivo com a entrega e a qualidade que demonstrou, não é para qualquer um.  Que ter uma dupla de centrais desta qualidade, posicionamento, antecipação, fibra e dedicação, não é para qualquer um.  Que para ter jogadores com esta atitude e capacidade, é preciso sentir-se a camisola que se enverga e ser-se um verdadeiro atleta, que pode olhar cada colega de frente e com o orgulho de quem tudo deu.

– Que assumo que esta equipa nunca poderá descer de divisão. Que com esta alma, este acreditar e também esta qualidade, será tão improvável como imerecido acontecer algo que não seja a permanência na 1.ª Liga.

Poderia continuar, mas quero acreditar que a mensagem que pretendia que interiorizasses terá sido passada. Quero acreditar que hoje, mais a frio, terás um pensamento pelo menos “ligeiramente” diferente do de ontem. Que entenderás o mérito de uma equipa, que mesmo com sorte (o que nunca escondi), soube fazer aquilo que ainda ninguém havia feito neste campeonato.

Termino, num emocionante e sorridente grito de “Viva o FC Paços de Ferreira” e todos estes adeptos que mostraram que as camisolas amarelas às vezes chegam mesmo em primeiro.

João Henriques

Foto de capa: FC Paços de Ferreira

Tiago Ferreira

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