
Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
Rúben Amorim assumiu o comando técnico do leão em detrimento de Silas. Desde então, que soma seis jogos com cinco vitórias e um empate. Soma 12 golos marcados e quatro golos sofridos. Desde que assumiu o comando leonino que recuperou vários pontos aos principais rivais. Com o retomar da competição, o Sporting CP conseguiu encurtar para 15 a distância ao primeiro lugar, para nove a distância ao segundo e aumentar a vantagem para o quarto classificado, mantendo-se agora com cinco pontos de vantagem.
O Sporting CP parece ter acertado na escolha que fez e independentemente do valor pago pelo treinador português, por enquanto, vai colhendo o rendimento dessa aposta. Rúben Amorim demonstra-se destemido, sereno, com facilidade na comunicação, mas sobretudo com uma tremenda confiança – até um pouco arrogante – mas que nesta fase faz todo o sentido. Creio que tem coragem para conseguir lançar tantos jovens, mas demonstra também inteligência em perceber o atual momento leonino para lançar os mesmos, mas também para perceber qual a melhorar estratégia para o jogo que irá disputar.
Hoje iremos procurar analisar com algum detalhe a forma como dispõe as peças do leão, as principais dinâmicas do seu modelo de jogo com alguns movimentos padrão, olhando também para as vantagens do seu sistema, para as lacunas do mesmo e para o que ainda poderá ser melhorado.
O SISTEMA
O sistema base leonino é o 3x4x3, ainda que sofra algumas mutações consoante o momento do jogo. Em organização ofensiva, a equipa posiciona-se sobretudo em 3x2x5, dando a projeção dos laterais de acordo com o posicionamento da bola.

Em organização defensiva a equipa molda-se numa primeira fase em 5x2x3, numa fase mais adiantada do terreno, com uma pressão alta (consoante o jogo ou o momento do jogo) e com timings definidos para ativar a pressão.

Em terrenos mais baixos e próximos da zona mais defensiva, acaba por se posicionar em 5x4x1.

O JOGO ENTRELINHAS E O MOVIMENTO PADRÃO COM A LIGAÇÃO CENTRAL – AVANÇADO INTERIOR
Um dos movimentos padrão deste leão de Amorim é a constante busca por movimentos entrelinhas dos avançados interiores. Vietto executa esse papel na perfeição, enquanto que outros elementos – por exemplo Plata – revelam algumas dificuldades em se habituar a esse tipo de jogo, não conseguindo ligar com os médios de frente para o jogo da melhor forma. Mathieu e Vietto eram as principais ligações leoninas que resultavam muitas vezes na dinâmica do terceiro homem.
Neste vídeo é possível verificar essa movimentação. Borja (que faz de Mathieu) procura Vietto, que solta de imediato em Wendel, deixando o médio leonino de frente para o jogo e a quebrar a linha de pressão do Paços de Ferreira.
Com as saídas de dois elementos mais preponderantes na manobra do novo leão, a equipa terá de encontrar novas soluções, sobretudo após perder dois jogadores que são os melhores do plantel a nível individual, com uma capacidade técnica e inteligência acima da média. Quem tem assumido esse papel no atual contexto é Eduardo Quaresma, enquanto que Borja revela algumas limitações. O jovem central português tem demonstrado essas características e capacidade em assumir o risco no passe, sendo muito por aí que o Sporting CP procura neste momento começar a construir e assumir o risco na primeira fase de construção, deixando Seba Coates de frente para o jogo para procurar sair longo – se necessário – e para realizar as coberturas nos vários momentos defensivos.
A vitória dos Leões com assistência especial do nosso #MonsieurMathieu 🦁#DiaDeSporting pic.twitter.com/3Mo3Iav20Q
— Sporting Clube de Portugal (@Sporting_CP) July 1, 2020
AS LACUNAS NA SAÍDA COM MÉDIOS POUCO PARTICIPATIVOS
É certo que no modelo de jogo de Rúben Amorim, os dois médios centros, assumem um maior papel sem bola, estando mais preparados para agir e reagir na altura em que a equipa perca a posse de bola. Ainda que Matheus Nunes e Wendel sejam capacitados técnica e fisicamente, a equipa leonina nem sempre sente facilidade na construção, sobretudo quando são condicionados por um bloco mais alto. Os médios não conseguem ligar de frente – como vimos no exemplo anterior com Vietto e Wendel – o Sporting CP sente muita dificuldade e é obrigado a jogar longo procurando explorar os movimentos de Sporar, mas também as incursões de Jovane e Plata.
Olhando para o jogo que opôs o Belenenses SAD com o Sporting CP, a equipa leonina sentiu muitas dificuldades em aplicar o seu jogo, sobretudo na primeira fase de construção.

Tem sido verificado (não só no jogo contra o Belenenses SAD, mas também Tondela e Paços de Ferreira o fizeram) que o Sporting CP tem sentido dificuldades na construção.
Os médios estão quase sempre fora do bloco adversário, com poucos movimentos, sobretudo entrelinhas. O seu raio de acção é praticamente controlado e anulado pelo adversário. Torna-se curto existir apenas movimentos entrelinhas dos três homens da frente, sobretudo quando os intervenientes não são os melhores executantes, como foi o caso de Rafael Camacho diante do Gil Vicente FC e também de Gonzalo Plata, que como já referi, vai revelando algumas dificuldades neste tipo de jogo, apesar de todo o seu potencial e qualidade.
O Sporting CP já demonstrou que gosta de realizar também uma pressão alta. Há timings e gatilhos para ativar a pressão. É possível verificar que quando a bola é trocada pelos defesas adversários ou quando a equipa adversária joga para trás, ficando de costas para o jogo, que a pressão leonina é ativada. No entanto, há momentos em que isso poderá ser prejudicial.
A equipa leonina procura pressionar alto e numa fase inicial do jogo poderá conseguir provocar o erro adversário, mas em jogos com maior grau de dificuldade ou até mesmo numa altura em que não tenha a mesma frescura física, poderá apanhar-se numa situação de desequilíbrio defensivo.
A verdade é que o futebol do leão – à semelhança de FC Porto e SL Benfica – não é vistoso, nem é entusiasmante. Mas há um processo. Há uma ideia. Há crescimento. E essa ideia é solidificada em cima de bons resultados, permitindo um maior e mais rápido crescimento. Como referi, Rúben Amorim demonstra inteligência para perceber os timings e as pequenas mudanças que podem ser necessárias fazer, estrategicamente. E esse rigor tático tem trazido frutos. É sobretudo no equilíbrio e na solidez que a equipa leonina consegue os seus resultados. É um Sporting CP eficaz e pragmático, mas sobretudo competente.
AS MELHORIAS NECESSÁRIAS PARA ATACAR O TÍTULO
O Sporting CP não tem qualidade individual para outros voos e por isso o leão irá sentir, no que resta jogar de campeonato, enormes problemas na construção e na criação. No entanto, o Sporting CP irá certamente construir bases para preparar melhor a próxima época, mas se quiser de facto almejar o ataque ao tão desejado título terá de procurar reforçar o seu plantel.
Pouca qualidade na frente, alguns dos melhores jogadores lesionados, laterais com grandes lacunas defensivas e pouco assertivos – sobretudo no lado direito – e com a mais recente perda de Mathieu, a equipa perde um dos melhores elementos na construção, sobretudo com a importância que tem neste modelo. Rafael Camacho demonstra não ter qualidade para jogar no Sporting CP. Doumbia e Battaglia demonstram também ser curtos, especialmente o costa marfinense, que vai somando erros atrás de erros. Será necessário reforçar praticamente todos os sectores do leão com outras características, sobretudo no que toca à tomada de decisão e à perceção dos espaços, sendo capazes de assimilar e compreender melhor o modelo de jogo, em que Rúben Amorim terá tempo e espaço para moldar a equipa à sua maneira.
Artigo revisto por Inês Vieira Brandão









