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Desde a chegada de Carlos Carvalhal ao comando técnico do conjunto bracarense, no início da atual época 2020/21, que o SC Braga tem vindo a praticar um futebol atrativo. Para muitos, o “melhor” futebol do campeonato. Apesar de um terceiro lugar (enganador) a nove pontos do líder Sporting CP, não era surpresa nenhuma se os “guerreiros” militassem no primeiro lugar da classificação. Contudo, o que faz esta equipa ser admirada no mundo do futebol? Quais são os seus padrões? Dinâmicas? Principais figuras? Debilidades? Venham daí.
Este novo SC Braga é uma equipa bem organizada, preparada e disciplinada nos quatro momentos do jogo:
ONZE BASE
Devido à participação em quatro competições (Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga, Liga Europa) até ao momento, Carlos Carvalhal viu-se obrigado a colocar vários onzes diferentes em campo, dificultando a ideia de um “onze base”. Por isso, optei por escolher o que, na minha opinião, pode dar mais qualidade à equipa.
GR: Matheus
DD: Esgaio
DC: Tormena
DC: David Carmo
DE: Sequeira
MC: Al Musrati
MC: Fransérgio
ED: Galeno
MO: Ricardo Horta
ED: Iuri Medeiros
AC: Paulinho
ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA
Na 1ª fase de construção, esta equipa de Carvalhal caracteriza-se por ter paciência com bola, de modo a atrair os posicionamentos fechados da equipa adversária e poder potenciar as opções entre setores e/ou a profundidade de Esgaio e Galeno.
Como podemos ver neste exemplo frente ao Rio Ave, na primeira fase de construção o posicionamento dos jogadores tem um padrão: 1º médio dá um apoio frontal ao central, o 2º médio aproxima-se do 1º arrastando as marcações e criando espaço entre setores e nas alas para explorar a pic.twitter.com/YwpreSQmWN
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Como podemos ver neste exemplo frente ao Rio Ave FC, na primeira fase de construção, o posicionamento dos jogadores tem um padrão. O primeiro médio dá um apoio frontal ao central; o segundo médio aproxima-se do primeiro, arrastando as marcações e criando espaço entre setores e nas alas para explorar a profundidade dada por Esgaio e Galeno, que se fixam como extremos; Sequeira espera pelo decorrer do lance para definir se sobe e apoia as incursões de Galeno (muito recorrente); e Iuri Medeiros, Paulinho e Ricardo Horta procuram o espaço entre linha defensiva e linha média.
ZONAS DE CRIAÇÃO
Quando consegue ultrapassar a primeira linha de pressão adversária e vai-se aproximando das zonas de criação, o conjunto bracarense tem também dinâmicas bem definidas. O espaço entrelinhas é muito valorizado e, mesmo que não seja diretamente explorado, é importante na atração dos marcadores diretos para potenciar o restante espaço vazio, nomeadamente nas costas da defesa.
Neste exemplo, Castro quis explorar as costas do lateral onde estava Esgaio, mas o passe acaba por sair mal. Podia ter optado por explorar as opções entre setores, tendo em
conta o espaço deixado pelo Rio Ave entre a linha defensiva e linha média e a qualidade de Paulinho, Horta pic.twitter.com/SQjk55t5tS— jaimesilvanálises (@jaimesilvanlis1) February 5, 2021
Neste exemplo, Castro quis explorar as costas do lateral onde estava Esgaio, mas o passe acaba por sair mal. Podia ter optado por explorar as opções entre setores, tendo em conta o espaço deixado pelo Rio Ave entre a linha defensiva e linha média e a qualidade de Paulinho, Horta e Iuri quando recebem a bola nessas posições. Mais uma vez, o posicionamento dos jogadores mais recuados a atrair os médios do Rio Ave.
ZONAS DE FINALIZAÇÃO
Em zonas de finalização, a equipa de Carvalhal está treinada com o objetivo claro de atacar o último terço com tantos ou mais homens do que o adversário. Além disso, é muito comum um dos médios atacar a entrada da área.
Neste exemplo, podemos verificar uma situação de 3vs3 na área e uma situação de 1vs1 do portador da bola, lance ideal para este Braga criar perigo. O que o Braga faz muito e podia ser potenciado neste lance é atacar o espaço entre os defesas e tirar benefício de uma provável pic.twitter.com/U3n4goWKUu
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Neste exemplo, podemos verificar uma situação de 3vs3 na área e uma situação de 1vs1 do portador da bola, lance ideal para este Braga criar perigo. O que o Braga faz muito, e que podia ser potenciado neste lance, é atacar o espaço entre os defesas e tirar benefício de uma provável falha na cobertura do espaço.
O que é que isto significa? Para os defesas, é muito difícil cobrir o espaço entre eles e neutralizar o posicionamento dos avançados na área numa situação de igualdade numérica. Logo, se os avançados atacarem esse espaço entre os defesas, o mais provável é um dos jogadores sobrar e/ou o espaço entre eles ser grande. Neste caso, só Paulinho (jogador do meio) atacou esse espaço, mas Iuri optou (mal) por não fazer o cruzamento. O Paulinho é um jogador muito inteligente a explorar este espaço e marca vários golos assim.
A primeira parte deste “Força da Tática” fica por aqui. Não percas, nos próximos dias, as outras duas partes desta análise à lupa do estilo de jogo do SC Braga de Carlos Carvalhal!
Artigo escrito po Jaime Silva
Artigo revisto por Mariana Plácido









