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Força da Tática: Vitória Blaugrana mas temos de falar de Arthur

João Mateus · 4 min

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O FC Barcelona, com a liderança do campeonato em jogo, recebeu em Camp Nou o Sevilla FC. Em caso de vitória, era a primeira Blaugrana, para o campeonato, nos últimos cinco jogos. Em contraste com essa situação, os Rojiblancos podiam alcançar a quinta vitória consecutiva.

Equipas Iniciais

Ernesto Valverde apostou no habitual 4-3-3. Na defesa, Lenglet e Piqué ocuparam o centro da defesa, com a companhia de Alba (Esquerda) e Semedo (Direita). Arthur, “empurrou” Coutinho para a linha mais avançada, fez com Busquets e Rakitic o trio de meio campo. Nessa linha mais avançada, para além do referido Coutinho, os habituais Suárez e Messi.

Foi uma exibição muito sólida, por parte do Barcelona, onde o golo madrugador de Coutinho surpreendeu o Sevilla e comprometeu, em certa medida, a estratégia que Pablo Machín tinha pensada.

Machín voltou a apostar na parceria André Silva e Yedder na frente, uma solução que vê Mesa perder cada vez mais espaço na equipa. Um 3-5-2, onde Banega assume o papel de protagonista, bem no coração da equipa Rojiblanca.

Arthur | Pasito a Pasito

Arthur Henrique Ramos de Oliveira Melo, ou simplesmente Arthur, é um nome cada vez reconhecido pelos fãs de futebol, pela Europa. O Brasileiro, ex-Grémio FBPA, ainda nem tinha aterrado na Catalunha, já estava a ser comparado a Andres Iniesta. Curiosamente, ou não, o clube Blaugrana deu ao jovem de 22 anos, a mítica camisola oito. “Sem pressão garoto”.

A entrada na equipa, têm sido realizada gradualmente, mas depois de um período menos bom a nível de resultados, Arthur aproveitou o número crescente de minutos para se fixar no lado esquerdo do meio campo. Para essa fixação, muito contribui a exibição que realizou em Wembley, no seu primeiro jogo na Liga dos Campeões.

Ontem, em Camp Nou, voltou a ser aposta no onze inicial de Ernesto Valverde relegando para o banco dos suplentes Dembélé, Vidal e Sergi Roberto. Proponho olhar para alguns aspetos da exibição de Arthur, que fazem antever uma época onde o Brasileiro pode assumir um papel de destaque que não se esperava, pelo menos na primeira época.

Arthur | Importância Tática

Renato Gaúcho, treinador do Grémio, utilizava Arthur mais como médio defensivo do que como um médio interior. Contudo, a sua inteligência tática e qualidade de passe são inegáveis e mais potencializadas jogando como médio interior, do que como médio mais recuado. Para além de que, em Barcelona, o meio campo é Busquets e +2.

É potencializada, a qualidade de passe, e afigura-se como um casamento perfeito com o comportamento sem bola dos novos companheiros. Jogadores como Coutinho, Suárez, Dembélé, Alba, muito bons nos movimentos de exploração das costas da defesa adversária, apresentam-se como os recetores perfeitos para os tipos de passes que Arthur mais gosta de realizar. Essa habilidade, em transformar situações de posse de bola em claras oportunidades de golo, é um ponto muito forte na defesa do valor gasto pelo Barcelona na contratação do brasileiro.

Arthur | Resistente à pressão

A qualidade técnica não está apenas presente no capítulo do passe. Quando o jogo não lhe dá limões, não procura fazer limonadas, que é tão ou mais importante do que conseguir fazê-las quando têm limões à disposição.

Calmo, equilibrado e tecnicamente evoluído, são qualidades que o transformam em uma peça resistente à pressão, que mais uma vez, perfeito para o tabuleiro Blaugrana.


Fonte: Eleven Sports

Não é estranho o vermos ultrapassar e driblar adversários com facilidade, mas havia algumas dúvidas sobre a sua capacidade de o fazer em zonas recuadas. Questões a que o brasileiro têm respondido bem, como se pode ver no gif em cima.

Em zonas mais avançadas, a forma como usa o seu corpo e o momento dos adversários em seu benefício é bastante interessante. Será interessante ver como evolui a ligação Arthur-Coutinho com o avançar da época, tal é a qualidade de ambos com a bola nos pés e no reconhecimento dos espaços no meio campo do adversário.


Fonte: Eleven Sports

Arthur | Um jovem com noção

Para além dos interessantes e promissores comportamentos na fase ofensiva, os que realiza na fase defensiva não ficam atrás. A sua capacidade de ler o jogo e prever as intenções do adversário são duas das qualidades mais evidentes de Arthur.

Contra uma das equipas mais bem orientadas em La Liga, foi raro o ver mal posicionado. Essa inteligência posicional, permite-lhe não só cortar linhas de passe como também estar em condições de roubar a bola assim que o adversário a recebe.


Fonte: Eleven Sports

Depois, tão ou mais importante, não se esconde do jogo quando recupera a bola. Assume a responsabilidade de a retirar da zona de pressão, como podemos ver em cima. Onde vêm ao de cima as já referidas qualidades com bola.

Quando não é ele que recupera a bola diretamente, fá-lo indiretamente. Ou seja, lê as intenções do adversário, e força-o a escolher linhas de passe ou a jogar para zonas secundárias onde a probabilidade de este perder a posse de bola é maior. Como forçar bolas longas ou passes para zonas laterais.


Fonte: Eleven Sports

Arthur | Faz o golo moleque

É o ponto que pode, e vai sem dúvida, melhorar. Faz parte do processo evolutivo do jovem brasileiro assumir, cada vez mais, o remate à baliza e/ou aparecer em zonas de finalização. Acredito que à medida que vai ganhando confiança nele e a dos companheiros, irá ser cada vez mais chamado a situações de finalização.

Vamos ver como Valverde vai usar capacidade de drible do brasileiro desde o meio-campo, para infiltrações na área do adversário.

Foto de capa: FC Barcelona

Artigo revisto por: Jorge Neves

João Mateus

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