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Força da Tática: Winter is coming! (get ready Paris)

João Mateus · 4 min

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Ontem, na fria noite de Londres, o Manchester United FC foi ao Emirates Stadium congelar o Arsenal FC, elevando o registo de Solskjaer para 8-0 ao leme do Red Devils. Depois de um começo com vitórias frente a equipas teoricamente mais fracas, com muitos golos marcados, Solskjaer demonstrou ter a capacidade de se adaptar para enfrentar desafios mais exigentes.

Uma adaptação que se baseava em uma estratégia e uma proposta de jogo, tão fria como letal. Fria, pela forma como essa proposta congela o adversário e destabiliza a sua estratégia e letal porque permite paralelamente potenciar a qualidade dos seus “soldados”.

Ontem, o 4-3-1-2 em que Solskajer dispôs os seus “soldados”, frente ao habitual 4-2-3-1 de Emery, permitiu a Lindelof emergir como Rei. A forma como o Sueco comandou a defesa, fechou espaços, dominou no jogo aéreo e ganhou todos os duelos individuais (e estatisticamente foram mesmo todos), fez tocar as trombetas em Paris: “Winter is coming!”

Arsenal | Uma equipa a crescer

Apesar da derrota, Unai Emery leva deste jogo vários aspetos positivos e que podem contribuir para a evolução da equipa no médio prazo, que é o objetivo do treinador espanhol: reabilitar para depois vencer. Adicionalmente a crise de lesões, agravada neste jogo por Sokratis e Koscielny, foi um fator limitativo.

Uma dinâmica interessante que o Arsenal explorou durante grande parte do jogo e que causou algum desconforto, envolvia Maitland-Niles (LD) e Aubameyang (PL). O Avançado gabonês, na fase inicial de construção da equipa, baixava da linha avançada até à linha do duplo-pivô (Xhaka e Torreira) procurando arrastar consigo Shaw (LE United), libertando espaço para os movimentos de ataque à profundidade de Niles. Como vemos em baixo:

Fonte: Sport TV

No lado esquerdo, a dinâmica era ligeiramente diferente, tendo em consideração que nem Iwobi baixava como fazia Auba , nem Kolasinac goza das mesmas armas que Niles. Iwobi gosta de encarar o adversário em drible, correndo na sua direção com bola, assim fixa-se constantemente à linha lateral para receber bola.  Kolasinac aproveita esta irreverência para realizar alguns movimentos de apoio – preferencialmente por dentro , mas também por fora -e meter bolas tensas no interior da área. Como vemos, aqui:


Fonte: Sport TV

(parece simples, mas é enorme o corte de Lindelof no lance em cima)

Não menos importante, nesse lado esquerdo, é o posicionamento de Xhaka e a ocupação de espaços de Ramsey:

Fonte: Sport TV

Como vemos, Xhaka oferece constantemente uma linha de passe mais recuada, para tirar a bola da zona de pressão e variar o ângulo do ataque com a sua capacidade de passe de média e longa distância, mas também para estar em posição de pressionar imediatamente a bola assim que a equipa a perder. Ramsey procura colocar pressão sobre a ligação Defesa Central-Lateral do adversário, com infiltrações e movimentos para as costas, mas receber em pequenas bolsas de espaço para depois deixar um colega na cara do golo:


Fonte: Sport TV

Manchester United | 8-0

A aposta de Solskjaer em Lukaku e Sánchez, em detrimento de Rashford e Martial acabou por ser surpreendente, mas essa alteração não foi desculpa para Lingard que voltou a fazer um jogo excecional, na linha do que tinha feito em Wembley.

Partindo de uma posição central, nas costas de Lukaku e Sánchez e na frente da linha de três médios, os movimentos sem bola do internacional inglês permitiram ao United colocar em desconforto constante a defesa do Arsenal.

Esses movimentos de Lingard (a amarelo na imagem) eram sempre correspondidos pelos colegas. Seja com o posicionamento agressivo dos defesas laterais (a vermelho) que obrigavam Aubameyang e Iwobi a missões defensivas que eles não se sentem confortáveis a fazer, seja com o apoio constante do médio interior (a azul) que oferecia uma linha de passe interior, até à dupla de avançados (a roxo) que se articulavam entre si no corredor central com movimentos contrários para atacar a baliza do Arsenal.

Fonte: Sport TV

Adicionalmente, ao deambular para os corredores, Lingard levava Xhaka abandonar o corredor central e a sua posição na proteção da linha defensiva, deixando-a vulnerável, apenas com Torreira (muitas vezes em desvantagem numérica).

Quando chegou à vantagem o Manchester United começou a mostrar a força e a qualidade do seu contra-ataque. Com ocupação excelente dos corredores, nunca perto demais, mantendo uma distância ótima para manter o contra-ataque, rápido, articulado e dinâmico. Assim, dois minutos depois, beneficiado da péssima transição defensiva do adversário, Lingard fez o segundo.

As entradas de Rashford e Martial permitiram ao Manchester United manter a ameaça do contra-ataque, na segunda parte, ao mesmo tempo que defendiam com grande eficácia as iniciativas do adversário.

Uma vitória na linha das restantes, nada de extraordinário, nada de mágico, mas simples, frio e letal. Parece que Neymar e companhia vão ter de correr muito, e muito …

 

Foto de capa: Manchester United FC

Artigo revisto por: Jorge Neves

 

 

João Mateus

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