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Jogadores que Admiro #84 – Luís Figo

Rui Pedro Cipriano · 4 min

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Luís Figo será sempre recordado, por mim, como um dos melhores da sua geração. Com uma carreira marcada pela polémica troca entre dois clubes rivais, Barcelona e Real Madrid, Figo sempre se destacou por qualquer clube onde tenha passado.

Tudo começou no pequeno clube dos arredores de Lisboa, mais concretamente de Almada, os Pastilhas, onde, e apesar dos resultados desnivelados da sua equipa, cedo se destacou entre os demais, o que chamou à atenção do Sporting CP. Com a sua aquisição para o futebol jovem dos leões, Figo começava assim uma das mais bonitas histórias que o futebol português já viveu, tornar-se-ia um ídolo português e acima de tudo um ídolo internacional, algo que Portugal não tinha desde os tempos de Eusébio, uma estrela que se assumisse perante a equipa.

Nascido naquela que foi apelidada de “geração de ouro” e que venceu o Campeonato do Mundo de Sub-20 em 1991 em pleno Estádio da Luz frente ao sempre poderoso Brasil, Figo foi seguramente o jogador dentro desta excelente geração que mais o nível individual elevou, talvez muito subestimado na sua altura como jogador por coabitar num futebol onde jogavam Ronaldo, Zidane, Rivaldo, Beckham, Shevchenko etc…

Mas nunca subestimado dentro do seu país, em Portugal ninguém tinha dúvidas da qualidade e da diferença que o astro português fazia na nossa equipa, Figo com Rui Costa num patamar ligeiramente inferior marcavam o futebol da nossa seleção e começaram assim a sequência de ouro para Portugal que culminou com a conquista do Euro 2016, infelizmente Figo acabou a carreira sem qualquer titulo internacional pela seleção A, o mais perto que esteve foi na final do Euro 2004 , mas engane-se quem pensa que a geração de ouro não abriu e muito as portas a esta sequência que foi vivida em seguida e ao contexto em que a nossa seleção se colocou no paradigma do futebol internacional.

Fonte: Instagram Oficial de Luís Figo
Fonte: Instagram Oficial de Luís Figo

Dono de um pé direito poderosíssimo, quem não se lembra do magnifico golo frente à Inglaterra no Euro 2000? Luís Figo nunca foi um extremo que marcasse muitos golos, as suas melhores época foram em 1990/2000 no Barcelona e 2000/2001 em Madrid com 14 golos, o que lhe valeu a merecida distinção individual em 2000 com a conquista do Ballon d’Or, o “Pastilhas”, como era carinhosamente apelidado pelos seus colegas, via assim a sua qualidade individual ser reconhecida no panorama internacional, numa altura em que vários talentos individuais se sobressaiam, nada fácil.

Admiro Figo porque cresci e vi a carreira de Figo e da nossa seleção nacional crescer, sempre ao mesmo ritmo, admiro Figo também porque vi nele um homem bastante patriota que apesar de se retirar do futebol internacional em 2004 voltaria em 2006 para ainda ajudar ( e muito) a nossa seleção na campanha Mundial 2006 na Alemanha, admiro Figo pelo baixíssimo número de lesões que teve ao longo da sua carreira, fruto do seu enorme trabalho e cuidado pela condição física, admiro Figo porque enquanto muitos jogadores do Real Madrid, os denominados “galácticos”, estavam constantemente na linha da frente da critica pelo dinheiro que ganhavam e pelo estilo de vida pouco recomendado para um futebolista que levavam, Figo preferia resguardar-se e nunca ninguém conseguiu até hoje dizer que o Figo jogou menos bem um jogo porque saiu à noite no dia anterior.

Figo é tudo isto e algo mais, talvez as pessoas, principalmente os estrangeiros, privilegiem a visão do Figo ganancioso que trocou o Barcelona pelo Real Madrid por dinheiro, eu privilegio a visão do Luís Figo que trabalhou para chegar onde chegou, do Figo patriótico que ajudou o seu pequeno país naquilo que melhor sabia fazer, dando alegrias com a “bola” , e do Figo que apesar das diversidades que rodearam a sua carreira, soube sempre manter o respeito pelos seus clubes passados e nunca entrou em ondas de populismo para conquistar os adeptos do Real Madrid faltando ao respeito ao Barcelona.

Figo já tinha demonstrado interesse em ajudar o futebol no papel de dirigente ao candidatar-se à presidência da FIFA. Hoje assume-se como um conselheiro da UEFA Fonte:
Figo já tinha demonstrado interesse em ajudar o futebol no papel de dirigente ao candidatar-se à presidência da FIFA. Hoje assume-se como um conselheiro da UEFA
Fonte:

É por isso que hoje e apesar de termos um Cristiano Ronaldo que amplamente superou Figo no sucesso que teve, o antigo número 7 continua a ser lembrado e recordado pelos adeptos portugueses e pelos adeptos do Real Madrid, como um dos melhores jogadores da sua geração e sem dúvida, um dos melhores de sempre na sua posição, o astro português talvez seja um daqueles exemplos em que o seu devido valor só foi dado depois da sua altura. Barcelona sempre renegará a história de Figo dentro do seu clube, mas quem viveu aquela altura nunca esquecerá a importância que Figo teve no crescimento do clube, assim como Rivaldo, e queiramos quer não, Figo marcou todos os clubes onde esteve, inclusive o Inter onde já ingressou numa altura de decadência da sua carreira, o número 7 inseriu-se num projeto em crescimento que culminaria na conquista da Liga dos Campeões, um ano depois de se retirar.

Já se passaram quase nove anos desde a sua retirada e Figo leva já 45 anos de idade, feitos na semana passada, mas o seu lado patriótico e o seu lado solidário não desapareceu com a atividade no futebol profissional, o ex-jogador português têm hoje uma das fundações que mais atividades de beneficência gera em Portugal e que mais atividade física proporciona nos mais jovens, enganem-se por isso aqueles que pensam que o seu papel no futebol atual acabou no dia em que se retirou, Figo é hoje conselheiro da UEFA e já demonstrou ter vontade e capacidades para ser um grande dirigente desportivo num sector que cada vez mais necessita de credibilização e de ideias inovadoras que não levem à estagnação e monopólio do futebol.

Foto de Capa: Instagram Oficial de Luís Figo

Rui Pedro Cipriano

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