Jogadores que Admiro #34 – Gianfranco Zola

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Houve um tempo em que o Chelsea tinha estado 26 anos sem ganhar um único troféu. No entanto, quando um mágico vagabundo de 1.68 metros chegou a Londres, a tristeza estava destinada a dar lugar à alegria e à emoção. Estávamos na época de 96/97 e Ruud Gullit foi buscar ao Parma um jogador italiano chamado Gianfranco Zola, pagando por ele 4.5 milhões de libras. Este mágico italiano foi o homem que Maradona apontou como seu sucessor no Napoli e que vinha a maravilhar o campeonato italiano com golos, fintas e passes fenomenais. Em Inglaterra, quando choviam notícias de jogadores que o Chelsea iria contratar, o nome de Zola gerou receios e fantasias. Receios pela sua estatura e fantasias pela magia que o trequartista italiano espalhava em campo.

Zola não esperou muito para calar os críticos e logo no jogo de estreia marcou um golo fenomenal. A geração de Zola mostrou ao mundo os melhores trequartistas que este viu até aos dias de hoje, entre eles Del Piero e Roberto Baggio, mas há qualquer coisa em Zola que me faz ficar ainda mais encantado com ele do que com os outros. Se pelo facto de Zola ter empurrado o Chelsea para uma era de sucesso ímpar até à data ou pelo facto de ser dos três de que falei o que menos reconhecimento teve pelo talento que tinha, eu verdadeiramente não sei. Apenas sei que é um dos jogadores que mais admiro e um dos que mais talento tinha. E que talento era esse! O Magic Box, como em Inglaterra viria a ser chamado, era um jogador que simplesmente me enchia as medidas e entristece-me o coração o facto de não ser enaltecido como merece. Zola era um vagabundo em campo, sem posição definida, sem amarras táticas e apenas focado em fazer o que ele fazia melhor, espalhar magia e trazer alegria aos adeptos.

Zola foi feliz no Chelsea Fonte: Chelseafc.com
Zola foi feliz no Chelsea
Fonte: Chelseafc.com

Com a sua chegada, o Chelsea passou de 26 anos sem ganhar nada para 4 anos seguidos a ganhar troféus. Mas, mais do que os troféus, acredito que o que fez de Franco um dos homens mais amados em Stamford Bridge foi a alegria contagiante do seu futebol, aquele pequeno génio que conseguia fintar 3 jogadores em simultâneo, marcar um golo a 30 metros ou fazer um passe de 35/40 metros para os pés de Hasselbaink. O Chelsea de Zola pode nunca ter ganho uma Premier League, mas era a equipa que toda a gente queria ver jogar – adeptos e rivais admiravam o futebol emocionante do Magic Box e só queriam nunca ver desvanecer aquela genialidade. Eles pediram e Zola deu-lhes. Em 2002/2003, o mágico da Sardenha faria a última época no Chelsea, com 36 anos. Nessa época, marcou 16 golos, o seu registo máximo ao serviço do Chelsea. Marcou o seu último golo contra o Everton com um fantástico chapéu e, na última vez que vestiu a camisola do Chelsea, jogou 20 minutos contra o Liverpool, fintou 4 defesas numa fantástica sequência de dribles, deixando o estádio ao rubro e sendo ovacionado por adeptos do Chelsea e do Liverpool.

Gianfranco Zola, deixou Londres, Inglaterra e o futebol inglês pela porta grande aos 36 anos. Voltou para Itália, para o Cagliari, clube da sua terra natal. Jogou por mais 2 épocas, retirando-se aos 38 anos, nas quais conduziu o Cagliari de volta à Série A, jogou 74 jogos e marcou 22 golos. A lenda e a sua magia permanecem agora em inúmeros vídeos do Youtube, onde quem, como eu, adora o futebol se delicia por horas.

Foto de capa: Chelseafc.com

João Ferreira
João Ferreirahttp://www.bolanarede.pt
O João é do FC Porto desde que sabe o que é futebol; por fora de terras lusitanas é um ferrenho adepto da Juventus e também um admirador incondicional do 3-5-2 e do 3-4-3. Tem o sonho de ser treinador do FC Porto e, enquanto não o realiza, alimenta a sua paixão pelo futebol através da escrita e de incontáveis horas de Football Manager.                                                                                                                                               O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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