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Jogadores que Admiro #39 – Mantorras

Gonçalo Caseiro · 2 min

Jogadores que Admiro #39 – Mantorras

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Como admirar um jogador que nunca foi aquilo que poderia ter sido? Bem, se esse jogador for Pedro Mantorras é algo fácil de explicar. Isto porque Mantorras foi, de facto, muito mais do que aquilo que o próprio alguma vez poderia sonhar. Como? Recordemo-nos do seu percurso.

Começou no Processo de Sambizanga e, com 17 anos apenas, chegou ao Alverca de Luís Filipe Vieira. Antes disso, chegou a fazer testes no Barcelona, onde não ficou por (diz-se) desacordo em termos de verbas.  Na época de estreia na Primeira Liga foi a grande revelação, apontando 9 golos, um deles ao Sporting, naquela que foi uma das suas melhores exibições.

Vieira eventualmente fez a transição para o Benfica e levou Mantorras consigo. “Deixem jogar o Mantorras”, frase que Vieira disse após o primeiro jogo de Mantorras pelo Benfica, no qual sofreu marcação muito apertada, tornou-se um símbolo daquela que viria a ser, apesar de tudo, uma esplendorosa carreira pelo Benfica.

Sim, Mantorras teve uma carreira de esplendor. Só não crê quem não quer crer. É verdade que foi sujeito a sucessivas intervenções ao joelho após lesão na sua segunda época de águia ao peito, pelo que só podemos especular quão bom teria sido dentro dos campos não tivesse sido alvo desse mau fado. O jogador angolano era rápido, forte tecnicamente e com um especial faro pelo golo. No entanto, Mantorras foi mais do que isto, mais do que um “simples” jogador. Mantorras foi e é um símbolo benfiquista.

Mantorras (na foto) despediu-se dos relvados em 2012, num jogo entre o Benfica e a Fundação Luís Figo, no qual apontou um golo. Fonte: Facebook Oficial Sport Lisboa e Benfica
Mantorras (na foto) despediu-se dos relvados em 2012, num jogo entre o Benfica e a Fundação Luís Figo, no qual apontou um golo.
Fonte: Facebook Oficial Sport Lisboa e Benfica

Costumo dizer, em jeito de brincadeira, que se Portugal teve o Sebastianismo, o Benfica teve o “Mantorrismo”. Ora, Pedro Mantorras esteve afastado dos relvados entre 2002 e 2005. Nessas duas épocas o Benfica nada ganhou. Mantorras voltou em Janeiro de 2005, quando foi convocado para uma partida contra o Boavista. Trapattoni lá o pôs em jogo e o angolano não perdoou. Nessa época foi considerado por muitos como o homem do título, visto que por três ocasiões salvou o Benfica de situações mais complicadas, nos instantes finais dos jogos.

Mantorras passou a ter uma aura especial: quando saía do banco para aquecer a Luz sorria, os adversários tremiam, e o Benfica ganhava alento, força e esperança. O angolano confessou mesmo que Trapattoni chegou a pedir que este se levantasse do banco só para acalmar os adeptos. Mantorras era isto.

Como é que explica que um jogador que esteve constantemente lesionado tivesse tal efeito nos adeptos? Bem, a meu ver, não se explica. A verdade é que ainda hoje dou por mim a pensar em algo como “Oxalá tivéssemos o Mantorras”, quando a situação aperta. Mantorras é um filho do Benfica, por todos nós amado. E é precisamente por isto que Mantorras é um dos, senão “O” jogador que mais admiro: por ter sido mais do que jogador, por ter sido Benfica.

Gonçalo Caseiro

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