jogadoresqueadmiro

Depois de algum tempo de namoro, Jackson Martínez trocou, aos 26 anos, o Jaguares pelo FC Porto, no verão de 2012, por valores a rondar os 9 milhões de euros. A primeira impressão deixada foi de que esta seria uma contratação arriscada, já que não se tratava de um jogador jovem e que teria de ser um fora de série para render tanto desportiva como economicamente. A verdade é que sim: trata-se de um fora de série.

Chegou com a alcunha de ‘novo Benni McCarthy’. E que bem que o Porto precisava de um Benni McCarthy, já que os avançados do plantel eram Kleber e Janko. Marcou logo uma posição no seu primeiro jogo oficial – o jogo da Supertaça Cândido Oliveira contra a Académica de Coimbra caminhava já para o prolongamento quando, aos 90 minutos, qual Jardel, qual Falcao, Jackson Martínez voa entre os centrais e faz o golo da vitória portista depois de um verdadeiro massacre à baliza de Ricardo. O festejo de Cha Cha Cha é inesquecível: tira a camisola demonstrando uma enorme garra e vontade de vencer.

Logo ali me conquistou. De dragão ao peito, e depois de protagonista na Supertaça, o importante seria mesmo a revalidação do campeonato português. No seu primeiro jogo no Dragão, contra o Vitória de Guimarães, houve um penalty favorável aos azuis e brancos. Num tom de despedida, Hulk ofereceu a bola a Jackson, assinando uma imagem forte. Mostrava, por um lado, que o brasileiro se iria embora e, por outro, que estava a dar a possibilidade ao colombiano de marcar o seu primeiro golo em casa, e também o papel de estrela da equipa. J9 não desiludiu e com um penalty à Panenka demonstrou para o que vinha: espalhar classe e golos por todo o lado. E que classe! Depois de uma bicicleta frente ao Beira-Mar, foi a vez de atingir o seu apogeu com um golo estrondoso de calcanhar frente ao Sporting.

Figura incontornável do futebol portista, acabou a época como melhor marcador da Liga ZON Sagres com um total de 26 golos, superando Lima do Benfica com 20. No verão, o interesse de outras equipas como Chelsea, Tottenham, Arsenal, Borussia Dortmund, Valencia, Monaco ou Juventus foi encarado como algo normal, dada a qualidade demonstrada pelo colombiano. João Moutinho e James Rodríguez haveriam de sair, mas Jackson não.

Anúncio Publicitário
1
Jackson é já o melhor marcador do campeonato, posição que se deve manter até final da época
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Com a chegada de Paulo Fonseca alterou-se completamente o estilo de jogo do Porto. Jackson estave muito mais distante do resto da equipa, completamente sozinho no meio dos centrais adversários, tentando receber e ganhar de cabeça as bolas bombeadas pela defensiva portista. Não havia fio de jogo e os jogadores que jogavam mais perto da frente não eram os melhores, mas foi aqui que Martínez demonstrou ainda mais toda a sua qualidade como jogador, pivot e, sobretudo, marcador de golos. Numa das piores épocas da história do Porto – que terminou atrás de Benfica e Sporting -, Jackson Martínez conseguiu apontar 20 golos e sagrar-se novamente rei dos goleadores.

Chegamos ao arranque da época 2014/15 e a sua transferência era mais do que provável. Depois de uma época desapontante por parte do colectivo, Jackson Martínez tinha aqui a oportunidade de sair, algo perfeitamente compreensível por parte de toda a estrutura do FC Porto, assim como pelos adeptos. No Mundial do Brasil, integrou uma das selecções-sensação do torneio, e mesmo não sendo peça-chave da turma colombiana, Jakcson marcou 2 golos em 194 minutos de utilização. Chegado a Portugal, viu a sua equipa entrar numa fase de reestruturação: chegariam imensos reforços, assim como um treinador novo. Perante isto, Jackson renovou e foi nomeado capitão de equipa.

Com Lopetegui, as coisas podiam estar melhores, mas não estão assim tão más. Jackson está melhor do que nunca, e leva já 19 tentos em 23 jogos disputados. De braçadeira no braço, é bem provável que Jackson esteja de partida no final da época, e portanto tento aproveitar ao máximo o prazer que é vê-lo com esta camisola.

Podemos dizer que não é só de golos que vive um avançado. Creio que Jackson Martínez é o exemplo perfeito para essa afirmação. Jackson é diferente dos avançados que me lembro de ver no Porto. Pode não ter a espetacularidade e a alegria de Benni, pode não ter a raça de Licha, nem o instinto matador e exuberância no festejo como Falcao, mas consegue conjugar todos estes factores aliados a uma classe que nunca tinha visto no Dragão, formando uma equação perfeita daquilo que gosto de ver na minha equipa, sobretudo de um jogador com a braçadeira de capitão.

O golo marcado ao Gil Vicente fez com que Jackson Martínez passasse a ser o segundo melhor marcador estrangeiro da história do Futebol Clube do Porto. Números apenas superados por Mário Jardel, e que Jackson muito provavelmente nunca irá ultrapassar. Se eu mandasse, Cha Cha Cha nunca saíria. Depois disto tudo, os quase 9 milhões de euros dados pelo seu passe até parecem uma bagatela.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto