Jogadores Que Admiro #31 – Robin van Persie

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Não tivesse este holandês, de Roterdão, passado oito longas épocas num Arsenal que ambicionava pouco mais do que a qualificação para a Champions, e poderia estar hoje a escrever sobre um ex-vencedor da Bola de Ouro. Depois do campeonato ganho em 2004, e adivinhando a mais do que previsível saída de Thierry Henry, os gunners decidiram apostar num jovem pouco conhecido que, ao cabo de seis anos a representar o Feyenoord, ainda não se tinha afirmado como habitual titular no ataque. Pagaram pela transferência pouco mais de três milhões de euros. O interesse dos ingleses pode ter começado na final da Taça UEFA de 2002, ganha pela equipa holandesa com Van Persie no onze inicial.

Em Londres, realizou 278 jogos e marcou 132 golos, metade dos quais metade foram apontados nas últimas duas épocas em que alinhou pelo Arsenal. Nunca foi campeão e apenas ganhou uma supertaça e uma Taça de Inglaterra, e logo no ano de estreia, durante o qual nem sequer foi muito utilizado. Encaixado no centro do ataque no tradicional 4-3-3 de Wenger, mostrou na competitiva Premier League a sua eficácia em frente à baliza, onde raramente falha. Apesar de ter no seu pé esquerdo a sua melhor arma, remata igualmente bem com o pé direito e tem um enorme poder de impulsão (o que lhe permite ganhar vantagem no jogo aéreo). É também exímio nas desmarcações, tentando sempre oferecer linhas de passe aos médios criativos das equipas por onde passa. Embora seja um jogador talhado para a posição de ponta de lança, pode fazer qualquer lugar no ataque e não se inibe de “vir atrás buscar jogo”, como se diz no meio futebolístico, sempre que não tem bola nem oportunidades para faturar.

Foi em Manchester que conseguiu sagrar-se campeão inglês Foto: Facebook Oficial de Van Persie
Foi em Manchester que conseguiu sagrar-se campeão inglês
Foto: Facebook Oficial de Van Persie

Em 2011-2012, e depois da saída de Cesc Fàbregas, passou a envergar a braçadeira de capitão. Coincidência ou não, o novo estatuto conjugou-se com a sua melhor época no Emirates. Marcou 37 golos, recebeu o prémio de melhor futebolista a atuar na Liga Inglesa e viu o United desembolsar cerca de 30 milhões pela sua transferência. Não teve, contudo, a melhor estreia pelos red devils, começando com uma derrota frente ao Everton. Este foi um dos poucos desaires do Manchester naquela temporada, onde Robin pôde (finalmente!) festejar um título de campeão inglês, dando razão àqueles que defendiam (grupo no qual eu me incluo) a necessidade de uma saída do Arsenal para começar a ganhar títulos e construir trajeto futebolístico que ficasse na história.

Van Persie é um avançado-centro que sabe fintar (coisa rara no futebol atual), é forte no um para um, protege bem a bola quando se encontra de costas para a baliza à espera do auxílio dos companheiros de equipa. Numa palavra, este holandês é um polivalente com que qualquer treinador gostaria de poder contar. Em Outubro de 2013, tornou-se, na goleada que a sua seleção aplicou à Hungria e na qual fez um hat-trick, o melhor goleador de sempre da “laranja mecânica”. Falta-lhe, em teoria, um grande troféu individual, mais troféus coletivos e uma conquista pela sua seleção para a sua figura se perpetuar no tempo. A final perdida com Espanha no Mundial da África do Sul pode ter sido a última oportunidade para, ao serviço da Holanda, ganhar um título.

Com 31 anos, ainda terá pelo menos mais cinco ou seis anos para jogar ao mais alto nível, com uma disponibilidade física razoável. Na minha opinião, e dentro de toda a subjetividade possível, Van Persie está no Top 5 dos melhores avançados deste século, atrás de Cristiano Ronaldo, Messi, Ibrahimovic e Ronaldinho. Quem gosta de bom futebol e sobretudo de jogos em que abundem as jogadas de ataque e a emoção tem de ser fã do holandês. Hoje e para sempre.

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 Foto de capa: Facebook Oficial de Van Persie

Tiago Caeiro
Tiago Caeirohttp://www.bolanarede.pt
É frequente dar por ele a contar as horas até começar o próximo jogo do glorioso Benfica, que não perde por nada. Lá fora, apoia Arsenal, Milan e Bayern só porque os seus jogadores vestem a magnífica cor vermelha.                                                                                                                                                 O Tiago não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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