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Jogadores que Admiro #101 – João Vieira Pinto

Bruno Costa · 3 min

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Grande parte da minha infância foi passada a assistir a um Sport Lisboa e Benfica triste, amorfo e sem a chama imensa que o caracteriza e sob a qual edificou a Gloriosa História que hoje conhecemos. Apesar de todos os sobressaltos pelos quais íamos passando e todas as desilusões que se iam somando temporada após temporada, havia uma ínfima esperança que o rasgo de uma das grandes figuras do nosso Clube nos trouxesse a glória que desejávamos. Falo, claro está, de João Vieira Pinto, avançado que chegou à Luz na temporada de 1992/1993.

JVP foi formado no Boavista FC e teve uma breve passagem de uma temporada pelo Atlético de Madrid B. A adaptação a Madrid não foi a melhor e acabou por regressar aos “axadrezados” na temporada seguinte. Peça fundamental no conjunto treinado por Manuel José, destacou-se na sua última temporada no Bessa e acabou sendo disputado por SL Benfica e Sporting CP. Quis o destino que escolhesse o caminho da Luz e chegou a Lisboa para alimentar o sonho dos Benfiquistas, que contavam agora com um dos mais promissores futebolistas nacionais. Foram oito temporadas de Águia ao peito e podemos dizer que JVP passou por tudo: risos e conquistas, desilusões e humilhações. No final da temporada de 2000, mudava-se para o outro lado da 2.ª Circular, assinando pelo Sporting CP e onde esteve durante quatro temporadas. Seguiram-se duas épocas no Boavista FC e outras duas no SC Braga, onde pôs um ponto final na carreira em 2008.

A minha memória de JVP está muito centrada na pior metade da sua estadia na Luz. Lembro-me do sacrifício de um jogador que, juntamente com o guarda-redes Michel Preud’homme, carregava às costas toda uma equipa de jogadores de qualidade bastante duvidosa. Apesar de já ser nascido, não me recordo, por exemplo, da soberba exibição que rubricou em Alvalade, na vitória por 3-6 do SL Benfica perante o eterno rival e onde apontou um hat-trick­ que o lançou para a eternidade da História Gloriosa.

O ponto alto de João Vieira Pinto no SL Benfica foi a sua soberba exibição em Alvalade, onde apontaria três dos seis golos com que as “Águias” bateriam o Sporting CP
Fonte: SL Benfica

Não é por acaso que JVP era chamado de “Menino D’Ouro”. Desde bem cedo que houve algo nele que despertaria a atenção dos apaixonados por Futebol. Avançado de extrema qualidade, destacava-se pela inteligência com que pisava cada centímetro do relvado e pela técnica que usava para tratar tão bem a bola. Apesar da sua baixa estatura (1,71m), tinha uma boa impulsão e um exímio cabeceamento que o fazia colocar o esférico com facilidade no fundo das redes.

O facto de ser um jogador tão influente levou a que o SL Benfica, pela mão do seu presidente Manuel Damásio, assinasse com ele um contrato vitalício que o manteria na Luz até ao final da sua carreira. Acreditava-se que mantendo JVP e construindo uma equipa à sua volta, o Clube poderia voltar a entrar na rota das conquistas. Manuel Damásio acabaria por dar lugar a João Vale e Azevedo e este sempre mostrou ter uma relação menos boa com a estrela da equipa, pelo facto de o considerar uma oposição e alguém muito conectado com a Direcção anterior. No final da temporada de 1999/2000, o inesperado aconteceria: o SL Benfica rescindia o contrato com JVP, que acabaria por assinar pelo Sporting CP.

Recordo-me perfeitamente das capas de jornais que noticiavam a ida de JVP para o nosso rival de sempre. Apesar de ser muito difícil suportar uma troca destas, acho que nenhum Benfiquista poderá alguma vez acusar o “Menino D’Ouro” de traição ou de não querer representar o nosso Clube. Foi completamente escorraçado do SL Benfica quando não o merecia. Nunca teve a devida homenagem e isso também me custa, pois JVP deu o que tinha e o que não tinha para carregar toda uma instituição durante várias temporadas. Nos anos mais negros, JVP foi a luz da nossa Luz.

Foto de Capa: SL Benfic

Bruno Costa

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