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Jogo Interior #19 – Formação para ganhar Homens

Bruno Alexandre Rodrigues · 3 min

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“Formação para ganhar Homens”. Quantas vezes não ouvimos este diálogo entre pessoas do futebol? “- Como correu o jogo hoje? – Correu mal, perdemos”. O que dirá isto daquilo que é a essência do futebol aos olhos da população que dele e com ele vive? Será que o miolo do futebol passa pela busca dos resultados desportivos?

No futebol de formação, estes diálogos surgem “inconscientemente” entre qualquer pessoa afeta aos treinadores dos escalões iniciais da modalidade. Depois de qualquer jogo, nas horas seguintes, no dia seguinte, na semana seguinte, a pergunta surge e a resposta que é procurada é sempre a mesma: Ganhar ou perder?

Aos treinadores de formação cabe o papel de mudar este paradigma, esta ideia errada do que é o sucesso neste momento da formação dos jovens jogadores. Como treinador de futebol de formação e licenciado em Treino Desportivo, penso que esta mudança se inicia no campo, no treino, nos momentos competitivos, na mentalidade incutida nos jovens e naquilo que lhes é solicitado em todas estas circunstâncias do futebol.

Aos jovens jogadores apenas se deve exigir, pedir e incutir a dedicação máxima, a entrega total, o esforço em prol do grupo e de cada um, a tentativa de fazer as coisas que são treinadas e, no fim, mas não menos importante, a diversão em fazer aquilo que tanto gostam e que os seus pais, o clube e os treinadores, idealmente fazem para que a experiência seja a mais proveitosa.

O objetivo do futebol de formação deve ser formar o individuo e não uma “máquina de fazer golos”
Fonte: SL Benfica

Ouvimos, muitas vezes, treinadores a gritar para os seus jovens “Queremos ganhar ou não?”, objetivando e direcionando o futebol de formação para a vitória desportiva, para a aquisição dos três pontos, para a busca destes através de qualquer meio, colocando, assim, de lado aquilo que deve ser perseguido e focado.

Para além da formação desportiva, onde entra a aquisição das demais habilidades da modalidade, o conhecimento e a perceção daquilo que são os momentos do jogo e da tática, entre outros pontos do futebol, deve imperar a formação pessoal de cada jovem jogador, como um indivíduo a capacitar de atuar numa sociedade repleta de hábitos, normas e regras.

Deve-se fazer com que cada jogador perceba: que para melhorar e evoluir, tem de se dedicar, de trabalhar e de se esforçar ao máximo, que nada lhes é dado de “mão beijada”, como se costuma dizer; que, para que um grupo avance, deve estar unido e a remar na mesma direção como os marinheiros que levam um barco a bom porto; que deve respeitar todos os intervenientes na ação em que a modalidade se desenrola; e que não há problema em errar e falhar, pois este faz parte do processo de aprendizagem e evolução e sim, há problema em desistir e não reagir a cada adversidade que surge com mais vontade e ambição.

No fundo, todo este “futebol de formação” pretende formar o indivíduo, muni-lo de ferramentas, estratégias e soluções para uma vida em sociedade, em que muito do que é aprendido com esta prática é transferível para as várias situações da vida de cada um. Portanto, ganhar um jogo não será mais do que uma pequena cereja no topo de um grande bolo que demorou muito tempo e deu muito trabalho a fazer. Não será mais do que uma vitória, não será mais nem melhor, nem mais importante, nem mais valioso do que uma derrota, ou um empate, é apenas um mero resultado e, deve ser entendido como tal.

O sucesso dependerá daquilo que cada jogador, cada indivíduo fez durante os treinos e durante a competição para cumprir, em todos os aspetos, o objetivo de “ser melhor hoje do que aquilo que foi ontem”.

Foto de Capa: AD Limianos

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Bruno Alexandre Rodrigues

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