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Jogo Limpo: Análise à 11.ª Jornada da Primeira Liga

Rui Pedro Cipriano · 9 min

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Cabeçalho Futebol NacionalEncerra-se mais uma jornada da nossa Primeira Liga para entrar agora numa paragem de duas semanas para compromissos de seleção e, como tal, a rubrica Jogo Limpo também entrará em paragem até ao recomeço do nosso campeonato.

Uma jornada marcada por um Sporting CP – SC Braga com muitos casos e que será certamente o jogo mais comentado desta semana na perspetiva da arbitragem. Aproveito este espaço para deixar o meu comentário e desabafo pessoal sobre o trabalho do Conselho de Arbitragem nesta época de arranque do VAR que, a meu ver, não tem sido satisfatório. Foram feitos alguns avanços importantes como a disponibilização dos relatórios para o público geral, mas continua-se a fazer erros de palmatória, neste caso considero inacreditável como é que o CA nomeia um arbitro para o VAR de um jogo tão importante, como foi o Sporting – Braga, que não viu um penalty clamoroso sobre Gelson Martins depois de consultar o VAR; exige-se mais cuidado e critério nas nomeações por parte do CA, Rui Costa não era de todo, depois deste episódio infeliz, o árbitro mais indicado para trabalhar com uma ferramenta tão importante como o VAR para um jogo desta envergadura.

Vitória FC – CD Aves

 

Assinalada simulação por parte de Gonçalo Paciência, Vitória, aos 14 minutos:

Decisão incorreta: Após visualizadas as repetições e observando principalmente a última repetição disponibilizada pela televisão, é percetível que Gonçalo Paciência depois de passar a bola por Ponck é derrubado pelo mesmo, que coloca à perna na sua trajetória impedindo assim a sua progressão; grande penalidade que ficou por assinalar e não existe simulação.

 

Alegada mão na bola de um jogador do Vitória, aos 77 minutos:

Decisão incorreta: As repetições existentes não são as mais esclarecedoras para se tirar a melhor conclusão, mas daquilo disponível a sensação que dá é que o jogador do Vitória FC faz uso do seu braço de forma intencional para cortar a bola, outra grande penalidade por assinalar, desta vez a favor do Desportivo das Aves.

Moreirense FC – Portimonense SC

 

Alegada mão na bola de Rúben Fernandes, Portimonense, ao minuto 1:

Decisão correta:  Sem dúvidas que a bola toca na mão do jogador do Portimonense, mas de uma forma acidental e sem intenção, é caso para dizer que a falta de jeito do jogador do Portimonense é que levou a esta situação, o corte defeituoso fez com que a bola embatesse na sua própria mão, decisão correta.

 

Alegada mão na bola de Iago, Moreirense, aos 26 minutos:

Decisão correta: A bola parece bater no peito do jogador do Moreirense, tudo legal, boa decisão.

CD Tondela – Boavista FC

 

Golo invalidado ao Boavista, aos 20 minutos:

Decisão incorreta: Tendo apenas uma repetição corrida e tão longe de onde o lance se desenrola, parece-me não haver alguma falta ofensiva de Carraça que levasse a que o golo de Sparagna fosse anulado, fica no entanto sempre na dúvida neste lance.

 

Penalty a favor do Boavista, aos 67 minutos:

Decisão correta: Este é daqueles lances que não deixa margem para dúvidas, Ricardo Costa a pontapear o jogador do Boavista, Yusupha, de forma negligente dentro da área, ficou, no entanto, o cartão amarelo por mostrar ao veterano do Tondela, o que viria a fazer diferença porque Ricardo Costa viu um outro amarelo aos 83 minutos.

 

Penalty a favor do Tondela, aos 76 minutos:

Decisão correta:  Não é um penalty daqueles percetíveis e claríssimos, mas parece-me que Sparagna, jogador do Boavista, ao ver o jogador do Tondela a passar por si puxa o braço do jogador tondelense impedindo a sua progressão, decisão acertada.

GD Estoril-Praia – Rio Ave FC

 

Alegada grande penalidade sobre Francisco Geraldes, Rio Ave, aos 6 minutos:

Decisão correta: É verdade que a ação do defesa do Estoril, Halliche, é bastante imprudente, tendo em conta o sitio onde está e o carrinho que faz, mas a verdade é que após visualizadas as imagens com cuidado, parece que Francisco Geraldes acaba por saltar sobre o carrinho do argelino caindo à posteriori, pelo que não existe infração.

 

Alegada falta de Cássio, Rio Ave, sobre Victor Andrade, Estoril, aos 47 minutos:

Decisão correta: O árbitro considerou que Victor Andrade se encontrava fora de jogo na sequência da jogada em que Cássio acaba por ter contacto com o jogador brasileiro, pelo que a ação do guardião não pode ser disciplinada do ponto de vista técnico pois a prioridade é dada ao fora de jogo, no entanto, mesmo o fora de jogo deixa imensas dúvidas pela linha demarcada no relvado, lance confuso, mas que seguindo a lógica de que o fora de jogo foi bem assinalado, esteve bem o árbitro.

 

Alegada mão na bola de Marcelo, Rio Ave, aos 55 minutos:

Decisão correta: A bola bate na face de Marcelo e não na mão, decisão correta e nada a dizer.

FC Porto – CF “Os Belenenses”

 

Alegada falta sobre Hernâni, FC Porto, aos 4 minutos:

Decisão incorreta: Existe uma clara falta de Roni sobre Hernâni, a falta é, no entanto, fora da grande área, ainda assim livre perigoso que ficou por assinalar a favor do FC Porto.

 

Alegado penalty a favor do Belenenses, cometido por Felipe, FC Porto, aos 10 minutos:

Decisão incorreta: É um claro “chega para lá” ilegal de Felipe, há várias maneiras legais de se proteger a bola, deixando-a sair pela linha de fundo, esta não é uma delas, o defesa-central do Porto fez um uso ilegal de força impedindo a progressão de Diogo Viana. Lei 12:” Um pontapé-livre direto é concedido à equipa adversária do jogador que cometa uma das seguintes infrações por imprudência, negligência ou com força excessiva: (…) • empurrar um adversário”.

 

Alegado penalty a favor do Belenenses, cometido por Felipe, FC Porto, aos 23 minutos:

Novamente os mesmos protagonistas, Felipe e Diogo Viana, neste caso lamentavelmente a televisão responsável pela transmissão do jogo não “ofereceu” qualquer repetição pelo que o único ângulo disponível é o do jogo corrido, perdemos muito tempo a discutir a compatibilidade da televisão de uma equipa transmitir um jogo dessa mesma equipa, para depois acontecerem casos destes em canais independentes que não abonam em nada a favor do nosso futebol, levantando suspeições e polémicas. Não me vou pronunciar sobre o lance só com este ângulo disponível.

GD Chaves – FC Paços de Ferreira

 

Alegada mão na bola de Andrézinho, Paços de Ferreira, aos 76 minutos:

Decisão correta: A repetição não é a melhor, um pouco distante dos jogadores, mas parece-me que a bola chega a tocar no braço de Andrézinho, que faz um movimento com o braço de forma intencional a cortar a trajetória da bola, decisão correta em marcar livre a favor do Chaves, neste caso.

CD Feirense – CS Marítimo

 

Falta de Zainadine, Marítimo, aos 40 minutos:

Decisão incorreta: Parece-me um corte limpo de Zainadine, que toca em Luís Machado é certo, mas um choque inevitável tendo em conta a velocidade do lance, o central toca na bola e acaba por derrubar o adversário na sequência desse corte, decisão incorreta parece-me pois que o defensor não conseguiria evitar o contato dada a velocidade do lance, tendo tocado primeiro na bola este lance passa a ser legal.

Vitória SC – SL Benfica

 

Alegada falta sobre Raphinha, Guimarães, de Luisão, Benfica, aos 35 minutos:

Decisão incorreta: Artur Soares Dias não viu nada neste lance e mandou seguir, eu vi uma “manobra” imprudente de Luisão que acaba por atingir Raphinha na cara, acidentalmente é certo, mas imprudente, deveria ter sido assinalada falta ao jogador do Benfica.

 

Defesa com a mão, fora da área, de Svilar, aos 57 minutos:

Decisão correta: O livro das leis diz-nos que o guarda-redes passa a ser julgado da mesma maneira que um jogador de campo, na situação de mão na bola, no caso deste defendê-la fora da área. Neste caso concreto, Svilar defende claramente a bola com a mão fora da sua área, portanto, sendo julgado como se de uma mão de um jogador de campo se tratasse, a sanção disciplinar é também a adequada, o cartão amarelo, tudo correto neste lance.

 

Alegado penalty sobre Salvio, Benfica, aos 69 minutos:

Decisão correta: Salvio parece procurar cavar a falta, é certo que Marcos Valente abre os braços para proteger a bola, mas o argentino parece querer aproveitar-se disso tentando cavar uma falta quando Marcos Valente não afasta o jogador do Benfica com a intensidade necessária para o fazer cair ou entrar na ilegalidade.

 

Penalty a favor do Guimarães, aos 90+3 minutos:

Decisão correta: André Almeida puxa o braço de Rafael Martins impedindo a progressão do jogador vitoriano, decisão correta de assinalar grande penalidade.

Sporting CP – SC Braga

 

Alegado penalty por assinalar a favor do Sporting, aos 45+2 minutos:

Decisão correta: Coates e Bruno César atrapalham-se um ao outro pelo que não há infração de nenhum dos jogadores do Sporting de Braga que levasse à marcação de grande penalidade.

 

Golo anulado a Fransérgio, Braga, aos 47 minutos:

Decisão incorreta: Este lance tem que ser analisado criteriosamente: ao assistirmos à repetição deste lance, podemos constatar que o árbitro, Carlos Xistra, apita antes da bola entrar. Ainda assim, Rui Patrício faz-se ao lance, pelo que a defesa do Sporting não pode dizer que deixou de atacar o lance pela indicação do árbitro, uma vez que o mesmo apita já depois do remate de Fransérgio, mas antes da bola entrar. Aqui, Carlos Xistra confia, infelizmente, no seu auxiliar e impede a atuação do VAR, já não se podia voltar atrás na decisão porque o Sporting iria sempre alegar que deixaram de atacar o lance pela indicação de fora de jogo que Carlos Xistra acarretou. O pensamento que fica depois desta situação é de que se investiu muito dinheiro numa ferramenta, mas descurou-se a cooperação do trabalho de campo e do VAR, o espírito da lei indica que deve ser dado o benefício ao ataque em caso de duvida em fora de jogo, e era assim que um fiscal de linha deveria atuar hoje em dia, porque se têm dúvida deve deixar o lance prosseguir normalmente e o VAR irá retificar caso haja alguma anomalia legal no lance. E assim que o CA tem que batalhar e trabalhar com os árbitros para que casos destes não se repitam no futuro.

 

Alegado penalty sobre Podence, Sporting, aos 51 minutos:

Decisão correta: As repetições disponibilizadas não são as melhores para conferir a intencionalidade de Raúl Silva neste lance, mas daquilo que dá para ver parece ser um lance casual de um jogo de futebol, dois jogadores a correrem perto um do outro e o bracarense, por acidente, acaba por pisar Podence. Sem intenção, é aquilo que me parece, mas precisava de uma repetição mais perto para ter a certeza absoluta que é um lance casual e de que o central pisa jogador leonino sem intenção de o magoar.

 

Penalty para o Braga, aos 84 minutos:

Decisão correta: Penalty claro, Coates sem tocar na bola derruba Danilo e faz falta dentro da área, grande penalidade bem assinalada.

 

Penalty para o Sporting, aos 90+5 minutos:

Decisão correta: Outro penalty claro, Ricardo Horta tenta cortar a bola de uma forma imprudente e acaba por atingir Alan Ruiz em vez de cortar a bola, penalty bem assinalado.

 

Sabias que…

Fonte: Zimbio
Fonte: Zimbio

Um jogador de futebol pode ir equipado para o jogo com duas camisolas idênticas vestidas e na celebração de um golo retirar uma das camisolas, mas permanecendo vestido com a outra camisola idêntica, a punição neste caso continua a ser o da admoestação com amarelo pelo ato de retirar a camisola.

 

Foto de Capa: FPF

Rui Pedro Cipriano

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