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Jogo Limpo: Análise à 12.ª Jornada da Primeira Liga

Rui Pedro Cipriano · 6 min

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Cabeçalho Futebol NacionalCom o regresso da Liga, volta a nossa rubrica de arbitragem. Um regresso que esteve em risco de não acontecer, pelo menos nas condições a que estamos habituados, pela ameaça de greve que os árbitros impuseram após o clima de hostilização contra os mesmos no futebol português. Mais uma vez, como tem sido hábito, os árbitros recuaram, e isto, para mim, também mancha a classe. Como li esta semana num artigo de opinião de Duarte Gomes, os árbitros acabam por sair mal com estas constantes ameaças de greve que depois nunca passam disso, ameaças.

Falando da jornada em si, o Porto perdeu pontos e como já é costume, quando um dos grandes perde pontos há um grande foco virado sobre a arbitragem e fala-se muito pouco da exibição pouco conseguida por parte dos jogadores do FC Porto. Mas é falando nesse jogo que eu também quero deixar a minha crítica, apesar de achar que me estou a repetir, ao Conselho de Arbitragem (CA) da Federação. Não satisfeitos por colocarem Rui Costa no VAR do Sporting CP – SC Braga, depois do erro crasso que cometeu no jogo Sporting CP – GD Chaves, ainda foram nomear o mesmo arbitro para um jogo dos grandes? Que raio de politica de nomeações por parte do CA é esta?

É aquilo que eu tenho dito desde o inicio. Para este clima de hostilização e de ódio que paira sobre o futebol português, não há só um culpado, mas vários… O CA tem sido um deles.

CF “Os Belenenses” – GD Chaves

Golo anulado a Yebda, Belenenses, por falta ofensiva, aos 65 minutos:

Decisão correta: Antes de se lançar à bola, Yedba claramente empurra Pedro Tiba, ação faltosa bem assinalada por João Capela.

 

Alegado penalty por assinalar sobre Diogo Viana, Belenenses, aos 79 minutos:

Decisão correta: O contacto entre Pedro Tiba e Diogo Viana é um contacto normal num jogo de futebol. Não vejo qualquer infração que levasse à marcação de grande penalidade, uma vez que jogador do Belenenses se faz claramente à falta. Na minha opinião, se há alguma coisa que falta neste lance é a amostragem de cartão amarelo por simulação.

 

Expulsão de Yebda, Belenenses, aos 87 minutos:

Decisão correta: Duas faltas negligentes de Yebda, dois cartões amarelos e respetiva expulsão. Tudo certo com o critério disciplinar do arbitro neste caso.

Boavista FC – Moreirense FC

Falta dura de David Simão, Boavista, sobre Tozé, aos 67 minutos:

Decisão incorreta: O arbitro da partida optou pela admoestação com o cartão amarelo e classificou a entrada de David Simão como uma entrada negligente. Após ver as imagens, diria que houve um uso de força excessiva pelo que a cor do cartão deveria ter sido vermelho e o jogador do Boavista devia ter tido ordem de expulsão. Mal o VAR neste caso ao não chamar à atenção do arbitro para a severidade do lance.

CD Aves – FC Porto

Expulsão de Corona, FC Porto, aos 52 minutos:

Decisão correta: Duas faltas negligentes de Corona, logo expulsão. O jogador do FC Porto, se não queria ser expulso, deveria ter calculado melhor o tempo de entrada sobre Vítor Gomes, pelo que só tem razões para se queixar de si próprio.

 

Alegado penalty sobre Danilo Pereira, FC Porto, aos 90 minutos:

Este é o lance que tem dado mais que falar nesta jornada. E que lance…. É extremamente difícil de analisar pelas repetições da televisão, primeiro porque há repetições que dão a sensação que o jogador do Aves nem chega a tocar em Danilo Pereira e há outras que já deixam a sensação oposta. De facto, o jogador do Aves tocou em Danilo Pereira. Não esperem ler de mim se tocou, ou não. Inequivocamente, porque simplesmente não se consegue ter a certeza absoluta pelas imagens televisivas, diria que neste caso só mesmo estando em campo. Não vou entrar em buscas de protagonismo ou de verdade absoluta pelo que me limito a dizer que, se de facto pontapeou Danilo Pereira, é uma decisão incorreta, mas se não chegou a tocar no jogador do Porto, é uma decisão correta. Quem conseguir afirmar uma coisa ou outra é porque se deixou influenciar pela “clubite”.

CS Marítimo – GD Estoril-Praia

Alegado penalty sobre Kleber, Estoril Praia, aos 7 minutos:

Decisão correta: Kléber parece fazer-se à falta, pelo que não vejo intensidade suficiente para considerar qualquer contacto neste lance como faltoso.

FC Paços Ferreira – Sporting CP

Golo do Sporting com suposto fora de jogo, aos 20 minutos:

Decisão correta: A minha dúvida é a posição de Bas Dost e não consigo ter a certeza que o avançado holandês esteja em posição regular aquando do remate de Battaglia. O avançado holandês, após a defesa do guarda-redes do Paços de Ferreira “devolve” a bola ao médio argentino pelo que a sua posição gera sempre dúvida. Coates tem o cuidado de não influenciar o lance porque sabia da sua posição irregular. Digo que é uma decisão correta porque é um lance confuso e com muitos toques e movimentações. O arbitro assistente e eu seguimos o espírito da lei que diz que o beneficio da duvida deve ser dado ao ataque, ainda assim, depois de visualizar as imagens penso que o lance é legal.

 

Alegada mão de Coentrão, Sporting, aos 37 minutos:

Decisão correta: Não consigo, em nenhuma das repetições, ter a certeza absoluta que Coentrão toca a bola com a mão, pelo que digo que será uma decisão correta a do arbitro em deixar seguir o lance.

SL Benfica – Vitória FC

 

Alegado penalty sobre Luisão, Benfica, aos 6 minutos:

Decisão correta: Os dois jogadores estão a puxar-se mutuamente pelo que não se pode assinalar infração a um dele quando estão os dois a ter o mesmo comportamento. Decisão correta de deixar seguir.

 

Expulsão de Nuno Pinto, Vitória FC, aos 45 minutos:

Decisão correta: Talvez se possa discutir o primeiro cartão amarelo, uma vez que interpretar aquela falta como negligente é um pouco rigor a mais, mas no segundo amarelo não há nada a dizer. Falta sobre Luisão já sem bola, mesmo que seja nítido que Luisão tenha cavado a falta, Nuno Pinto também se pôs a jeito ao fazer uma entrada a carrinho fora de tempo.

SC Braga – CD Feirense

 

Alegado penalty sobre Etebo, Feirense, aos 35 minutos:

Decisão correta: Talvez André Horta tenha, de facto, perturbado a ação de Etebo ao colocar o pé. É algo pouco percetível nas imagens, ainda assim se o fez, a falta era fora da grande área.

Rio Ave FC – Vitória SC

Falta assinalada a Hélder Ferreira, Vitória SC, aos 90 minutos:

Decisão incorreta: tem razão o adjunto de Pedro Martins que foi expulso por contestar esta falta, não há qualquer infração. Bruno Teles sente o toque, muito leve, de Hélder Ferreira e imediatamente atira-se para o chão. Outra coisa que eu contesto muito nos árbitros portugueses são as “faltinhas” que se marcam por situações como esta, dos jogadores se mandarem para o chão. Escusado.

 

Falta assinalada a Rafael Martins, Vitória SC, aos 90+2 minutos:

Decisão correta: O jogo aqueceu e o arbitro perdeu um pouco do controlo do jogo, contribuindo também ele para isso com a expulsão do adjunto de Pedro Martins e uma falta escusada marcada uns minutos antes. Neste caso acho que o rigor que teve na falta anterior faltou-lhe neste lance. Na minha opinião, Rafael Martins numa situação de jogo normal deveria ter visto o cartão vermelho pela força excessiva e por ter pontapeado Francisco Geraldes sem intenção de jogar a bola. Pondo-me no lugar do arbitro entendo o cartão amarelo apenas porque o jogo já estava quente e mostrar um vermelho nesta altura por uma falta sempre de interpretação, negligente ou força excessiva, era perder por completo o controlo do jogo. Esteve bem, usou o bom senso aqui.

Sabias que…

Fonte: Premier League
Fonte: Premier League

Ontem no jogo do Benfica vs Vitória Setúbal o guarda-redes do Setúbal trocou de equipamento ao intervalo para um equipamento de cor diferente. Os árbitros antes de cada jogo têm acesso, através dos delegados de cada clube, aos equipamentos que as equipas pretendem usar no encontro, sendo então decidido pela equipa de arbitragem a aprovação dos equipamentos pretendidos. No entanto, se autorizados pelo arbitro, as equipas podem mudar de equipamentos ao intervalo, desde que tudo permaneça dentro das regras, ou seja, os equipamentos sejam facilmente diferenciados e possuam a numeração correta.

Foto de capa: FPF

Rui Pedro Cipriano

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