O Passado Também Chuta: Djibril Cissé

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Djibril Cissé é daquelas figuras do futebol que deixa um amargo de boca a qualquer adepto do desporto-rei por tudo o que deu e por tudo o que podia ainda ter dado. O avançado francês foi, na sua época, um avançado de excelência mas, fustigado por lesões, acabou por não conseguir atingir o seu total potencial, ainda que tenha conseguido colocar o seu nome na história do futebol mundial e principalmente do futebol francês.

Mas comecemos pelo início. O possante avançado gaulês despontou para os grandes palcos do futebol no AJ Auxerre (clube de formação), em 1998, pelas mãos do lendário treinador Guy Roux e cedo se tornou um dos ídolos do clube. Sempre em grande estilo e com um look deveras peculiar, conquistou os adeptos daquele clube e tornou-se numa das principais referências atacantes do campeonato francês, tendo mesmo sido o artilheiro máximo da competição por duas vezes, a primeira na época 2001/2002 com 22 golos e a segunda na temporada 2003/2004 com 26 tentos.

Ao longo de quatro épocas que culminaram em 88 golos em 166 jogos, Djibril Cissé atraiu o interesse de muitos tubarões do futebol mundial e acabaria por se transferir para o Liverpool FC no verão de 2004, por uma verba a rondar os 20 milhões de euros, deixando água na boca aos adeptos reds. O atacante teve um começo promissor ao serviço da formação de Anfield, mas uma perna partida frente ao Blackburn Rovers FC acabou por encostar o jogador às boxes na primeira temporada com a camisola do Liverpool.

Na temporada seguinte Cissé registou uma melhor campanha, tendo sido decisivo no único troféu conquistado pelo Liverpool na época 2005/2006, a Taça de Inglaterra, ao marcar dois golos na final frente ao West Ham United FC. O francês terminou a época com 19 tentos em todas as competições.

Apontado a um regresso a França na temporada de 2006/2007 para representar o Olympique Marseille, o azar voltou a bater-lhe à porta, quando numa partida de preparação da seleção francesa para o Mundial 2006, frente à China, Cissé voltou a partir uma perna, desta vez a direita, o que lhe roubou o sonho de participar na maior competição de futebol do mundo nesse ano.

O Marseille manteve o interesse no avançado e contratou-o primeiro por empréstimo e definitivamente na temporada seguinte, por um valor a rondar os nove milhões de euros. Ao serviço dos les olympiens, Cissé recuperou a sua forma e, ao longo de duas temporadas, apontou 37 golos em 80 partidas, ajudando o clube francês a qualificar-se para a Liga dos Campeões. Em 2008, o avançado voltou a Inglaterra, desta feita para representar o Sunderland AFC por empréstimo de uma época.

No ano seguinte transferiu-se para o Panathinaikos AO, que abriu os cordões à bolsa para garantir os serviços do avançado francês e que contou com algumas estrelas na equipa, entre as quais Gilberto Silva e Sidney Govou. No clube grego registou uma das melhores fases da carreira, conquistando por completo os adeptos ao tornar-se o melhor marcador do campeonato grego na primeira temporada no clube, com 23 golos em 28 jogos, ajudando a formação grega a vencer o título de campeã nacional e a taça. Em duas temporadas registou 55 golos em 89 encontros.

Apesar das excelentes prestações em solo grego, Cissé não mais conseguiu replicar as excelentes exibições noutras equipas, tendo representado ainda clubes como a SS Lázio, o Queens Park Rangers FC, o Al Gharafa FC, o FK Kuban, o SC Bastia, o Jeunesse Sportive Saint-Pierroise e por último, em 2017, o Yverdon Sport FC, da terceira divisão suíça, mostrando a sua veia goleadora de outros tempos ao apontar 24 golos em 29 jogos e admitindo que deixaria o futebol para trás, aos 35 anos, por motivos físicos.

O avançado francês viu-se ainda envolto em polémica quando, em 2015, foi preso após tentar extorquir o seu compatriota Mathieu Valbuena, ameaçando o colega com fotos íntimas do mesmo com a namorada.

Pela seleção francesa também não teve muita sorte, apesar dos nove tentos em 41 internacionalizações. Cissé apenas representou os gauleses em duas fases finais, o Mundial’2002 e o de 2010, tendo falhado o Euro’2004 por suspensão, o Mundial’2006 por lesão, enquanto que para o Euro’2008 foi descartado pelo selecionador Raymond Domenech.

Com a sua retirada do futebol, o francês dedicou-se a uma nova profissão… a de DJ, mantendo-se como tal nos dias de hoje. Numa carreira que teve mais baixos que altos, muito por culpa de graves lesões, Djibril Cissé não se conseguiu afirmar como um dos melhores avançados de sempre do futebol mundial. Ainda assim, quando em forma, o francês mostrou ser letal e um jogador de top, maravilhando qualquer adepto de bom futebol.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Pedro Paulo
Pedro Paulohttp://www.bolanarede.pt
Licenciado em Comunicação Social, o Pedro procura construir os alicerces de uma futura carreira como jornalista desportivo. Apaixonado por futebol, nunca diz que não a uma boa partida do desporto rei.

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