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O Passado Também Chuta: O Visconde de Alvalade

José Luís Montero · 2 min

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o passado tambem chuta

O Sporting é um clube com História e muitas lendas. Nasceu nos primeiros tempos do futebol em Portugal, e o seu primeiro presidente, o Visconde de Alvalade, e o seu neto José Alvalade foram determinantes. Vivia-se o fim da Monarquia. Dom Carlos outorgou o título nobiliário ao bacharel em Direito Alfredo Holtreman, antes de ser constituído o Sporting como tal. O monarca, entre os seus ócios, tinha o de assistir a alguns jogos de futebol. Curiosamente, o Visconde de Alvalade é antepassado de duas personalidades bem conhecidas do grande público; uma ligada ao clube, José Roquette, e outra ligada à grande banca e empresa, José Maria Ricciardi. Era homem de vasta fortuna; a sua quinta do Lumiar ocupava terras do Lumiar, Campo Grande e Alvalade. E, como homem de época e da época, com amores variados. A sua herança foi problemática e acabou 15 anos depois do seu falecimento, em 1920, no Tribunal Supremo. No entanto, o Sporting já caminhava. Mas o Visconde, depois de 1910, implantação da República, além de exilar-se em Londres, viveu um abatimento pela morte de um descendente, retirando-se das lides do clube, de que foi fundador e mecenas.

José Alvalade, na reunião de amigos que entraram em conflito pela vertente social que estava a seguir o Campo Grande Futebol Clube, disse: “vou pedir dinheiro ao meu avô e ele me dará dinheiro para fundar outro clube.” A Pastelaria Café Bijou, da Avenida da Liberdade, e a casa de um dos conspiradores viveram este parto. O Visconde de Alvalade não só deu duzentos mil réis ao seu neto como também lhe deu parte dos terrenos da sua quinta, no Lumiar, para as instalações. O Sporting Clube de Portugal nascia debaixo da tutela de um idoso mas impulsado pela energia do jovem de 21 anos José Alvalade e dos seus, também, jovens amigos.

Eis o Visconde de Alvalade Fonte: Wikipédia
Eis o Visconde de Alvalade
Fonte: Wikipédia

O Sporting nasceu com propósitos. As palavras do ato fundacional foram claras e cristalinas: “Queremos que o Sporting seja um grande Clube, tão grande como os maiores da Europa”. E aqui aparece o verde nas suas camisolas, simbolizando a esperança. José Roquette, José Alvalade como era conhecido, foi também constante na direção do Sporting; inclusivamente, foi o seu terceiro presidente. Além disso, notabilizou-se como um criador de instalações. O Sporting nasce como um clube virado para as modalidades desportivas. É um clube grande no mundo do Futebol, mas os louros conquistados no mundo do Atletismo situaram-no como um clube de dimensão mundial e olímpica. Desde Manuel Faria a Carlos Lopes gerou atletas de todos os níveis e de todos os triunfos. Esse sonho, essa ambição concretizou-se.

O novo clube nasceu no dia 1 de junho de 1906. No ano 1912 começou a ganhar campeonatos. Neste mesmo ano, o ciclista do Sporting Laranjeira Guerra ganha uma corrida clássica que através dos tempos se afirmou como mítica: o Porto-Lisboa. A utopia daqueles jovens da Pastelaria Bijou já tinha pernas e louros quando o seu fundador-mecenas faleceu. Até aos nossos dias o Sporting tem vivido e vive situações boas e más, no entanto, o seu campo continua a recordar aquela gesta ao manter o nome de José Alvalade, o jovem neto do Visconde de Alvalade.

Foto de Capa: Wikipédia

José Luís Montero

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Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
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