Publicidade

O Passado Também Chuta: Os mitos do Clássico

José Luís Montero · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

o passado tambem chuta

Bate à porta um grande jogo. Aí está mais um jogo onde a rivalidade está marcada por um princípio quezilento. Era o ano de 1922 e o Sporting e o FC Porto tinham pela frente a disputa da finalíssima do Campeonato de Portugal. O FC Porto sagrou-se campeão, ganhou por 3-1. O Sporting Clube de Portugal zangou-se e o enfado durou todo um ano. Um ano mais tarde estas duas equipas que marcam a História do Futebol em Portugal voltam a encontrar-se na disputa da Taça Soares Júnior. Os dirigentes resolveram fazer as pazes. Como personalidades nascidas no século XIX trocaram flores. O Sporting ganhou o troféu por 2-1 e regressou feliz. Através dos tempos existiram jogadores em ambas equipas que se agigantaram e entram para a lenda destes dérbis na categoria de mitos. O FC Porto tem o seu maior mito no famoso Pinga, o Sporting deixou na lenda o avançado-centro dos cinco violinos. Chamava-se Fernando Peyroteo.

Como nesta ocasião o jogo é disputado no campo do FC Porto, usando a gentileza como principio, começarei pelo mito sportinguista. Não se deu até a data jogador sportinguista que fuzilasse mais vezes a baliza dos dragões. Fernando Peyroteo meteu a bola na rede trinta e seis vezes. Em 1938, numa das maiores goleadas do Sporting ao Porto e estando no início da sua carreira, Peyroteo marcou três dos seis golos sportinguistas. A sua lenda como jogador resolutivo começou cedo a entranhar na claque sportinguista. A sua capacidade de resolução e o seu pontapé forte e certeiro começou a escalar todos os valores. Nunca mais parou de marcar ao Porto e a toda equipa que se cruzava no seu raio de ação.

Hoje, é reconhecido como um maiores avançados-centro portugueses de sempre. Na época, possivelmente por coincidir na mesma linha avançada com um dos mais geniais jogadores portugueses de sempre, Travassos, era venerado, mas, principalmente era considerado um especialista, possivelmente, hoje, neste futebol tão marcado pela tática e estratégia, teria uma consideração muito mais elevada que teve no seu tempo. Lembremo-nos, para não falar dos atuais, do alemão Muller. No entanto, como jogador, ainda que fundamentalmente finalizador, tinha um chuto muito mais técnico e – além da potencia – muito mais habilidoso.

Uma lenda do Sporting Fonte: Sporting CP
Uma lenda do Sporting
Fonte: Sporting CP

O FC Porto tem no seu imaginário mais carinhoso e lendário um jogador que era conhecido pelo Pinga. O seu verdadeiro nome era Artur Sousa e era natural do Funchal. Se o Peyroteo era um especialista, Pinga, era um mago que inventava o jogo. Era um jogador do meio-campo que formou com Acácio Mesquita e Valdemar Mota uma linha apelidada como os Diabos do meio-dia. No ano de 1936, quando estalou a Guerra Civil espanhola, no antigo campo do Ameal deu-se um Porto-Sporting. Aconteceu a maior hecatombe sportinguista. Perdeu 10-1. Pinga fez um hat-trick. Os lançamentos de bola aos seus companheiros e sua inventiva, possivelmente, maravilharam muito mais que os próprios golos.

Esse jogo, para além da goleada, ficou marcado por um lançamento – mais um – que Pinga fez para o seu companheiro Santos que correu como um diabo á solta para a baliza leonina. O guarda-redes sportinguista, Artur, saiu com arrojo para travar o avançado dos Dragões. O resultado foi um tremendo choque que lesionou o guarda-redes. Artur Sousa, Pinga, foi considerando o melhor jogador português de sempre. No dia em que disse adeus aos campos de futebol, depois de uma terrível lesão, o campo do futebol do Porto chorou. Rezam as crónicas, metaforicamente, que a própria bola soltou lágrimas.

José Luís Montero

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Benfica

2 anjos e 2 diabos convertidos | Benfica

O mundo não é transparente, preto e branco ou qualquer outra singularidade imutável. Como diria Bruno Nogueira no Último a Sair, "O mundo é bué cenas". E, fazendo uso da expressão, é a evolução, a mutação e o desenvolvimento dessas cenas o motor para a passagem dos dias não ser apenas isso. A sucessão de acontecimentos do Benfica funciona desta maneira. Nos últimos anos, sucederam-se treinadores, mudanças estruturais e conjunturais e mercados de transferência que, na sua sequência, levaram a que, ao dia de hoje, Andreas Schjelerup e Gianluca Prestianni sejam os grandes dínamos do futebol encarnado. Quando foram contratados, o norueguês em janeiro de 2023, o argentino um ano depois, não era propriamente surpreendente vislumbrar na dupla criativa o futuro das águias. Os meses - mesmo anos - seguintes deixaram algumas dúvidas e hesitações sobre o assunto, quase sempre mais pertinentes pela qualidade da aposta do que pela qualidade dos intérpretes, mas 2026 tem ajudado nos esclarecimentos. Já não é só o futuro que passa pela dupla criativa. O presente também o é. 

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.