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O Passado Também Chuta: Rui Costa

Bruno Rocha · 3 min

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De quando em vez, os deuses do futebol enviam para a Terra verdadeiros génios que possuem um toque de bola que não pode ser chamado outra coisa senão divinal. Rui Manuel César Costa é um desses exemplos. Lenda do futebol nacional, e do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa é daqueles casos unânimes, um daqueles de que é impossível não gostar.

Dono de um drible de outro mundo, curto e veloz, senhor de um remate forte e portentoso, criador de passes de fazer inveja a qualquer médio desta e de qualquer outra geração. Senhoras e senhores, o “Maestro” era tudo isto!

Ver Rui Costa a jogar era como ver poesia em movimento, um daqueles jogadores em que o dinheiro do bilhete era bem gasto, pois para além de ver futebol, ainda se tinha direito a um espetáculo de magia. E que bom era ver tal coisa! Um 10 puro, como já não se vê hoje em dia.

No glorioso esteve (apenas) três anos no plantel principal, depois disso teve de mostrar o seu génio por terras italianas, para onde se transferiu para representar a ACF Fiorentina. Por lá chegou, viu e conquistou o coração dos adeptos “viola”.

De Florença mudou-se para Milão para representar o AC Milan, fazendo parceria com nomes como Paolo Maldini, Andrea Pirlo, Shevchenko, Filippo Inzaghi e Clarence Seedorf. Nomes incontornáveis da história do futebol italiano e europeu.

Com o passar dos anos, e com o término da carreira como jogador a aproximar-se, Rui Costa voltou ao “seu” clube. Tinha então 34 anos e mais duas temporadas pela frente.

Na Luz, mesmo já sendo um veterano, mostrou que a qualidade não havia desaparecido e realizou um desfecho de carreira incrível. A título de exemplo, na sua última temporada como profissional, o “Maestro” disputou 45 partidas e apontou 10 golos.

Mas havia chegado o dia em que os relvados perdiam um pouco de magia. Foi a 11 de maio de 2008 que o internacional português se despediu definitivamente da carreira de jogador profissional de futebol.

Fora dos relvados, o craque nascido na Amadora, ingressou na estrutura do SL Benfica, onde desempenha o cargo de administrador da SAD encarnada até ao dia de hoje.

Rui Costa assumiu cargos diretivos no clube da Luz, prolongando a sua ligação ao clube encarnado após ter terminado a sua carreira de jogador
Fonte: SL Benfica

No total foram 780 as oportunidades que os adeptos tiveram para ver Rui Costa a espalhar o seu charme e classe pelo relvado. Em 780 jogos como profissional marcou não só 121 golos, como a memória dos amantes do desporto-rei.

No seu palmarés conta com dez troféus conquistados entre Portugal e Itália. Ao serviço dos encarnados conquistou um campeonato nacional e uma Taça de Portugal. Em Florença, conquistou mais três troféus: duas Taças de Itália e uma Supertaça italiana. Milão foi onde mais conquistou, tendo vencido uma Liga dos Campeões, uma Supertaça Europeia, a Serie A, a Taça de Itália e mais uma Supertaça italiana.

Na seleção nacional portuguesa, Rui Costa perfilou-se como uma das peças fulcrais do meio campo, até à chegada de Deco, pertencendo à famosa “Geração de Ouro”. Também ao serviço da seleção das “quinas” o “Maestro” conquistou, tendo sido fundamental na conquista do Mundial de sub-20 em 1991 que se disputou em Portugal.

Rui Costa era, então, o “Maestro” e cada jogo era um recital. Um jogador que certamente deixa saudades a quem teve oportunidade de o ver jogar. Era diferenciado e foi, sem qualquer dúvida, um dos melhores jogadores a passar pelo Sport Lisboa e Benfica.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

Bruno Rocha

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