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Castelo Branco é um dos distritos em Portugal que há mais tempo não coloca qualquer equipa no principal escalão do futebol português. A última presença de um clube originário deste distrito na primeira divisão foi em 1987/1988, sendo que, apesar de ser um distrito que possuiu algum historial de primeira divisão e até no futebol português, uma vez que possui uma presença na final da Taça de Portugal, em 1956/1957, e 15 presenças no escalão cimeiro, é um único clube que acumula esse todo historial do distrito de Castelo Branco, de seu nome Sporting Clube da Covilhã.
Porém, tal não significa que outros clubes do distrito de Castelo Branco não tenham tentado e não tenham estado perto de alcançar a primeira divisão. Houve até um clube que se destacou nessa luta e de uma forma que dificilmente os albicastrenses tão cedo se esquecerão, falo do Sport Benfica e Castelo Branco, obviamente, e da sua época dramática em 1990/1991 na antiga Liga de Honra (actual Segunda Liga).
Mas, e antes de falarmos desta fatídica época para Castelo Branco, acho importante dar a conhecer melhor o clube através de algumas curiosidades que “afectam” o nosso futebol actual e que têm ao Sport Benfica e Castelo Branco alguma ligação. O Sport Benfica e Castelo Branco foi fundado em 1924, sendo a sétima filial do Sport Lisboa e Benfica, o que cedo veio a estabelecer a rivalidade regional entre o Sporting regional, ou seja, o Sporting Clube da Covilhã.
A história do clube é maioritariamente feita entre a extinta terceira divisão e a antiga Segunda B (actual Campeonato Nacional de Seniores) , onde o Sport Benfica e Castelo Branco conta com 34 presenças. Umas das curiosidades históricas que rodeiam este clube são o facto de Jorge Jesus, actual treinador do Sporting CP, lá ter feito uma temporada em 1988/1989 como jogador tendo como seu treinador… Miguel Quaresma, sim esse mesmo, um dos seus adjuntos no Sporting CP e que acompanha Jorge Jesus desde o Estrela de Amadora.

Fonte: Blog Museu do Futebol
Jorge Jesus como médio e Miguel Quaresma como treinador/jogador fizeram parte do elenco do Benfica de Castelo Branco em 1988/1989, uma amizade que começava em Castelo Branco e que se prolongaria até aos dias de hoje. O conhecimento que Miguel Quaresma demonstrará durante a sua temporada em Castelo Branco convencerá Jorge Jesus a confiar nele para seu adjunto bem desde cedo, Miguel Quaresma tinha iniciado a sua primeira experiência como treinador principal à frente do Sport Benfica e Castelo Branco em 1987/1988 mantendo-se até 1989/1990, quando viria a ser substituído por Mourinho Félix, pai de José Mourinho, na mesma altura em que Jorge Jesus começava a sua primeira aventura como treinador principal no Amora FC. Falando agora da época de 1990/1991, o Sport Benfica e Castelo Branco apresentou-se com uma aposta no “jovem” Bernardino Pedroto, de 37 anos, para seu treinador principal. Filho de José Maria Pedroto, consagrado treinador do Futebol Clube do Porto, e que devido seu ao elevado conhecimento sobre o plantel do Vitória SC (havia lá estado na temporada passada), viria constituir o plantel do Benfica de Castelo maioritariamente por jogadores ex-Vitória e por jogadores que viriam directamente da equipa de juniores de Guimarães para a equipa sénior do Benfica de Castelo Branco.
No plantel haviam ainda conhecidos veteranos do público português como Quim Manuel, que fez grande parte da sua carreira no Marítimo e Farense, regressando às suas origens, Castelo Branco, para terminar a sua carreira e um dos jovens que viriam de Guimarães e que tornar-se-ia mais tarde um bom conhecido do futebol português, falo de Quim Berto.

Fonte: http://maritimosaudade.blogspot.pt
Era a época estreante da denominada Segunda Divisão de Honra e o Benfica de Castelo Branco arrancou muito bem, tão bem que das 38 jornadas que constituíam esta liga, o Benfica de Castelo dominou o segundo lugar durante 30, qualificando-se os três primeiros para a Primeira Liga, em Castelo Branco não havia quem pensasse noutro cenário que não o de ver a sua equipa pela primeira vez no principal patamar do futebol português. A competição era dominada pelo Paços de Ferreira, ao comando do jovem treinador Vítor Oliveira (o conhecido especialista das subidas actualmente), e, à entrada da 31º jornada, o cenário era o seguinte: 1.º Paços de Ferreira, 44 pontos; 2.º Benfica Castelo Branco, 39; 3.º Estoril-Praia, 36; 4.º Académica de Coimbra, 35; 5.º Académico de Viseu, 35; e 6.º S.C.U. Torreense, 34. A partir daqui começava o descalabro para o Benfica de Castelo Branco; cinco derrotas e um empate a zero pelo meio atiravam o Benfica de Castelo Branco para fora da zona de subida e deitavam por terra uma qualificação que parecia confortável ao longo da época.
No final da 36º jornada, o cenário tinha-se alterado por completo e esta era a classificação actual: 1.º Paços de Ferreira, 49 pontos; 2.º Académico de Viseu, 44; 3.º Estoril Praia, 43; 4.º S.C.U. Torreense, 41; 5.º U. Leiria, 40; 6.º Benfica Castelo Branco, 40; e 7.º Académica de Coimbra, 40.

Fonte: EuroPlan
Matematicamente ainda era possível, mas seria muito muito difícil; o Benfica de Castelo Branco não dependia mais de si próprio, mas sim de resultados terceiros. Ainda assim, o clube cumpriria o seu papel com duas vitórias nas últimas duas jornadas, mas as vitórias vieram a revelarem-se insuficientes, uma vez que o campeonato acabava e os albicastrenses terminavam em 5º lugar com 44 pontos, com um ponto de distância apenas a separá-lo do terceiro lugar, que dava acesso à primeira liga. Isto, num campeonato em que foi um clube que passou a grande maioria do tempo na linha de subida, acabou por deixar uma grande frustração para o clube e para a cidade.
A oportunidade de ouro não se viria a repetir, ficando assim para sempre marcada como a época do “quase” em Castelo Branco; uma época que ninguém esquece e que ainda deixa sentimentos de amargura a quem se recorda, tudo se perdeu em cinco fatais jogos que só a pressão psicológica sob uma equipa inexperiente podem explicar este “apagão”. Perdeu Castelo Branco e perdeu o seu distrito que continuaria a olhar apenas para o Sporting da Covilhã como o seu “filho bonito”.
O Benfica de Castelo Branco haveria de descer uns anos mais tarde e voltar a estabelecer-se no Campeonato Nacional de Seniores, o mais perto que esteve de subir novamente aos escalões profissionais foi em 2013/2014 quando defrontou o Vitória SC “B” no playoff de acesso à Segunda Liga. Contudo, acabaria por perder esse mesmo playoff.

Fonte: SBCB
Curiosamente, esta semana o Benfica de Castelo Branco voltou a ser bastante noticiado na imprensa desportiva portuguesa após a sua vitória na eliminatória da Taça de Portugal. Kikas, de apenas 18 anos, marcou um “póquer” na vitória por 5-1 frente ao Leiria e Marrazes. O jogador regressou esta temporada à sua cidade, Castelo Branco, após um período de formação em… Guimarães.
Bernardino Pedroto começou esta ligação entre Castelo Branco e Guimarães na época 1990/1991 e o destino não pára de cruzar estes dois clubes, anteriormente já João Afonso, defesa-central do Córdoba por empréstimo do Vitória SC, se tinha transferido desde o Benfica de Castelo Branco para cidade-berço.
Foto de Capa: Sport Benfica e Castelo Branco
Artigo revisto por: Beatriz Silva









