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Ao recordar os tempos de menino, uma parte do meu cérebro futebolístico dirige-se imediatamente para o Estádio Dr. Magalhães Pessoa, “casa” do clube da capital do distrito onde vivo: a União Desportiva de Leiria.
São várias as recordações que tenho do “antigo” Magalhães Pessoa: o primeiro jogo “in loco” a que assisti foi ao UD Leiria – SC Espinho, no ano de 1994, jogo que o Leiria venceria por 2-0, celebrando assim o regresso ao convívio dos grandes do nosso futebol, o que acontecia somente pela terceira vez até então. Lembro-me vagamente de o jogo ter acontecido numa tarde de festa, de o estádio estar cheio, e sobretudo lembro-me do fogo de artifício.
Recordo-me igualmente de alguns jogos nocturnos no Estádio. Quase que consigo visualizar e sentir o cheiro das nuvens de fumo advindas dos grelhadores das zonas de comida exteriores ao estádio que, quando o vento estava de feição, se misturavam com o ambiente “interior” daquele “aconchegante” estádio, mesmo que com lugares em cimento.
A minha memória sempre me traz à baila o Dinda, um jogador que jogava no meio campo atacante e que tinha um grande pontapé. Que criava aquele suspense que ocorre sempre que há uma bola parada para a nossa equipa. Lembro-me perfeitamente do estádio, das palmas, do balanço que o médio tomava, do pontapé canhão do médio leiriense.

Fonte: Caderneta de Cromos
Recordo-me igualmente daquele jogador muito alto que jogava no ataque da equipa do Liz de seu nome Reinaldo – não era assim tão alto como eu achava, mas quando somos crianças achamos sempre os outros um pouco mais crescidos do que realmente o são. Tenho a ideia de que ele não fazia grandes jogatanas, muitas vezes nem se via muito, mas volta e meia pumba: golo do Reinaldo!
Recordo-me do Ferreira na baliza, do Bilro ano após ano ser o capitão, do João Paulo ser um jovem no Leiria, do Paulo Duarte ainda jogar à bola na defesa leiriense. Lembro-me do saudoso João Manuel, do Luís Vouzela, do Silas a orquestrar, do Maciel, do Douala, do Duah e do Fua tão rápidos quanto esguios. Lembro-me do Morgado, do Sérgio Nunes, do João Armando, do Mário Artur, ou do Hugo.
A maioria destes nomes fazia parte da equipa que em 97/98 venceu, pela segunda vez, a 2ª Divisão Nacional de Futebol, na altura já apelidada de Divisão de Honra. Antes, na época de 80/81, a União de Leiria havia vencido, pela primeira vez, o Campeonato Nacional da 2ª Divisão.
Seria este o início dos melhores anos da equipa leiriense. Um clube que havia sido criado em 1966, tendo subido pela primeira vez à 1ª Divisão em 1979, descendo no ano imediatamente a seguir e que, trinta anos após o seu nascimento, estava agora na sua fase adulta, consolidando no final do século passado e início deste, um lugar de destaque na Primeira Divisão Nacional.
Com um total de 18 presenças na 1ª Divisão, entre 1994/95 e 2011/2012, só em duas épocas o clube do Liz não marcou presença no campeonato dos grandes.
Para além dos já citados anteriormente, pela União de Leiria passaram alguns jogadores bem conhecidos da maioria de todos nós: Hélton, Costinha, Renato, Fernando Aguiar, Leão, Alhandra, Nuno Valente, Derlei e Hugo Almeida foram alguns dos nomes que representaram o clube. Também a nível de treinadores, os mais felizes em Leiria foram Manuel José, Manuel Cajuda e José Mourinho, de entre uma série de nomes bem conhecidos que treinaram o clube, que com mais ou menos sucesso, fizeram a história recente do clube da capital de distrito.
Do palmarés do clube, devo dar especial destaque para os dois quintos lugares alcançados nas épocas de 2000/01 e 2002/03, os quais foram sinónimos de apuramento europeu. A época 2002/03 seria a época dourada do futebol leiriense, tendo a turma leiriense, comandada por Manuel Cajuda, alcançado, nessa mesma época, para além do referido quinto lugar, a final da Taça de Portugal, na qual haveriam de perder por 1-0, frente ao Futebol Clube do Porto de sonho de José Mourinho, com Vítor Baía, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Maniche, Deco, Hélder Postiga, Derlei, Capucho, entre outros.
Aqui fica o onze titular do Leiria na final perdida do Jamor:
Hélton; Bilro, Renato, Gabriel, Edson; Leão, Fernando Aguiar, Paulo Gomes, João Manuel; Silas e Maciel.
Com a presença na final da Taça desse ano, o Leiria marcou consequentemente presença na final da Supertaça, ainda no ano de 2003, a qual haveria de perder no início da época, também por 1-0, frente ao FC Porto.

Fonte: ANTF
A nível europeu, a verdade é que a trajectória do clube não teve grande expressão. No entanto, deve ser realçada a campanha que em 2004 a União de Leiria fez na já extinta Taça Intertoto. Em Agosto de 2004, o Leiria haveria de jogar uma das finais desta mesma Taça. Defrontando o Lille, o clube haveria de conseguir um empate a zero em França, para depois, e contrariando as expectativas dos adeptos, perder após prolongamento, em pleno Magalhães Pessoa, por duas bolas a zero.
Infelizmente, na época 2011/2012 o descalabro aconteceu. O clube desceu de divisão, num final de época penoso, com rescisões da maioria dos jogadores, com dívidas à Câmara Municipal, com um estádio “monstruoso” no qual o cheiro a grelhados havia sido ultrapassado pelo cheiro a falência. Foram vários episódios que mancharam o clube, e que prefiro não os desenvolver muito neste capítulo dedicado a feitos e não a defeitos.
A descida do Leiria foi acompanhada de mão dada por uma crise ideológica e monetária. A inscrição na Segunda Liga não foi aceite, por o clube não cumprir os requisitos financeiros necessários, não conseguindo o clube inscrever-se nos campeonatos nacionais e caindo assim para os distritais. Temeu-se o fim do clube, mas felizmente isso não aconteceu.
Iniciou-se assim a época 2012/2013, com o histórico clube a ser imediatamente campeão da distrital de Leiria e acedendo assim ao Campeonato Nacional de Seniores, actualmente apelidado de Campeonato de Portugal.
Em Fevereiro de 2015, novo marco importante na história do clube: a assembleia-geral extraordinária da UD Leiria votaria favoravelmente a constituição de uma sociedade anónima desportiva (SAD), abrindo esta decisão portas à chegada de Alexander Tolstikov, que passaria a ser o novo “senhor” do Leiria. O clube já haveria tido uma SAD entre 1999 e 2013, tendo sido a mesma extinta face ao elevado valor de dívidas da mesma.
O capital social inicial da SAD foi estabelecido em um milhão de euros, 40% detidos pela UD Leiria e 60% pela DS Investment LLP, empresa da qual Alexander Tolstikov é um dos responsáveis. Assim, a DS Investment passou a controlar a equipa principal de Futebol e também a dos juniores.
Actualmente, o clube encontra-se ainda no Campeonato Nacional de Seniores, e é a única equipa que compete nos campeonatos profissionais de Portugal que só sabe o que é ganhar: seis vitórias para o Campeonato e duas para a Taça de Portugal.
Comandada por Rui Amorim, de 40 anos, que havia treinado anteriormente o Salgueiros e o Santa Clara, o clube aposta tudo na tão desejada ascensão à Divisão de Honra. Seria o merecido regresso deste clube histórico, que outrora foi demasiado maltratado, tanto por dirigentes como até por muitos dos seus adeptos ou simpatizantes, os quais poucas vezes foram o suporte de um clube que muito deu à cidade.
Está pois mais que na hora de recuperar a honra perdida, de alcançar a honra que está à espera de um clube que representa uma região.
Assim sendo:
“Vamos União
Bandeira na mão
Todos a cantar Leiria
Todos juntos de alegria
Só queremos ganhar
LEIRIA. LEIRIA…
Estádio a puxar
Bandeiras no ar
Todos juntos a cantar
Queremos ganhar, queremos vibrar
Vamos, vamos lá marcar
Ninguém vai perder a féNem deixar de acreditar
Ninguém vai arredar pé
Eu sei, eu sei que o golo da vitória vai chegar
Vamos UniãoBandeira na mão
Todos a cantar Leiria
Todos juntos de alegria
Só queremos ganhar
Vamos União de alma e coraçãoProcurar a nossa glória
Todos juntos na vitória
LEIRIA “
Foto de Capa: Futebol em Portugal














