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Olheiro BnR | Cade Cowell

Bernardo Santos · 4 min

Foto: MLS

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Em San José vive uma espécie diferente de futebolista, um protótipo de um leão enjaulado, que até pelo aspeto físico é semelhante ao rei da selva, mas que faz das quatro linhas o seu habitat natural. Entra em campo semana após semana, na sua terra natal a jogar para os seus, com o número 44 nas costas, um “moicano” vintage e inconfundível na cabeça, e acima de tudo, uma ambição desmedida. Cade Cowell tem apenas 19 anos, mas já é uma das jóias que mais brilha na MLS, e ao redor do mundo inteiro, por aquilo que faz em campo e que dá à sua equipa, mistura três características que, juntas, são um perigo para quem o enfrenta: potência, velocidade e técnica.

Realmente, não é muito habitual vermos um extremo tão hábil com a bola nos pés, com uma classe enorme no um para um, mas ao mesmo tempo com uma força física e uma troca de velocidade que fazem dele um quebra-cabeças para os defesas contrários, predicados que fazem a diferença no seu jogo, e que o chamam muitas vezes a jogo para tentar resolver alguns dos problemas da sua equipa, que nem é muito dotada de grandes craques, pelo que a presença de Cowell é uma verdadeira mais valia! Aos poucos, começa também a estar presente nas convocatórias da seleção principal dos Estados Unidos, sendo que falhou o Mundial 2022, mas já realizou a sua estreia no passado mês de dezembro.

Será mais um americano a mudar-se para a Europa, ou a próxima grande coqueluche da MLS?

O futebol, ou “soccer”, mudou muito nos EUA nos últimos anos. A MLS já não é só mais uma liga para acabar a carreira, mas sim uma liga aliciante para os jovens que se querem mostrar e projetar para outros palcos. Temos vários exemplos de encher o olho como Thiago Almada, Alan Velasco, Talles Magno ou mais recentemente Stipe Biuk. Cade é apenas um miúdo, só completa 20 anos no final deste ano, mas é um miúdo com um talento enorme, soube esperar pela sua oportunidade, num contexto em que nem é assim tão fácil brilhar, porque o futebol está diferente, a MLS é uma liga de renome hoje em dia, que causa um impacto desportivo e financeiro enorme, e que a mim me encanta, pela maneira como se olha para o futebol e para o que é realmente o jogador, o profissional. Nos EUA, todos os clubes tentam dar o máximo de condições para que um jogador possa realmente evoluir todas as suas capacidades, para estar preparado para representar a sua seleção, e também para poder levar o nome de um país para a Europa fora. Acredito que é com este propósito que o futebol é preparado, com o intuito de permitir que os jovens americanos sigam o sonho de profissionais do futebol, não com uma carreira curta e sem expressão, mas sim com uma carreira sólida e comprida fora de portas. É um espetáculo ver Cowell jogar, pelo menos para mim, que aprecio demasiado as características deste jovem craque, a sua calma, que tantas vezes me faz lembrar Rafael Leão, com um sorriso para a bola, a cada toque que dá, com um perfume diferente de todos os outros, aliado à raça que põe em cada lance, fazem dele um “must” para os colossos europeus. 

Segundo as últimas notícias, o Borussia VfL Monchengladbach já enviou uma abordagem formal por Cade, com o intuito de render Marcus Thuram, que deve estar de saída para a Premier League. 

Espero que Cowell fique por mais uns tempos, para cimentar a sua posição, primeiro na MLS e então depois na Europa, onde não tenho dúvidas nenhumas que vai brilhar, e muito!

Uma versão aperfeiçoada de Landon Donovan?

Muitos de lembrar certamente de Landon Donovan, avançado que passou por clubes como FC Bayern ou Everton FC, mas que brilhou muito nos Los Angeles Galaxy. Hoje em dia, continua a ser um ídolo para os mais jovens, e o jogador americano com mais cartel das últimas duas décadas, quer pelo seu percurso em clubes e até pelo que foi fazendo na sua seleção. No entanto, a carreira de Landon nunca chegou aos pressupostos, à grandeza que se imaginava para um jogador diferenciado, fino, como já pouco há, ao estilo de craques como Kaká, o próprio que até passou pela MLS no final da sua consagrada carreira. 

A dar os primeiros passos na sua carreira, Cade Cowell olha certamente para Donovan como um grande exemplo, mas tem condições para singrar no futebol europeu, ao contrário do que fez o ídolo americano. Atualmente avaliado em cerca de 5 milhões de euros pelo portal especializado Transfermarkt, tem contrato até 2025, com a opção de estender por mais um ano o vínculo com os San José Earthquakes. Sendo um avançado que joga em todas as posições do ataque, é uma clara vantagem que tem em relação a outros jogadores da sua posição, porque até ocupa as três faixas com extrema clareza, sendo claro que a esquerda é a sua predileta, e onde tem atuado durante mais tempo. 

Esta fornada americana é de deixar qualquer adepto com água na boca, falamos de nomes como Jesus Ferreira, Ricardo Pepi, Yunus Musah, Gabriel Slonina, enfim, tanta mas tanta qualidade, que prova que o trabalho que está a ser realizado nos Estados Unidos é de uma excelência inequívoca, desde os primeiros escalões até à porta profissional.

Bernardo Santos

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