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E não poderia haver melhor prenda do que esta para um clube que tem vivido uma das melhores fases da sua história, após muitos anos a ver o seu vizinho, Águias do Moradal, a vingar a nível distrital e a participar nos campeonatos nacionais.
O ARCO (Associação Recreativa Cultural de Oleiros), é assim que os adeptos deste clube o gostam de chamar, decidiu mudar o paradigma e apostar também ele na subida de divisão, avançando para uma nova zona, a nacional, o que veio a acontecer em 2015/2016.
Apesar de não se ter sagrado campeão distrital, subiu porque o vencedor dessa edição do Campeonato Distrital de Castelo Branco, o Sporting da Covilhã “B”, decidiu disponibilizar a vaga para outro clube – indo essa vaga para o clube segundo classificado dessa temporada, subindo assim o ARCO.
O clube de Oleiros tinha ficado em segundo lugar, mas finalizava a época sem registar qualquer derrota sofrida, tendo inclusive ganho a Taça de Honra da Associação de Futebol de Castelo Branco pela primeira vez na sua história, vencendo o Sporting da Covilhã “B” por 2-1.

Fonte: Rádio Conquistável
O Estádio Municipal de Oleiros recebia assim o Campeonato Nacional de Seniores novamente, após várias épocas a recebê-lo por intermédio do Águias de Moradal. A época seguinte não se adivinhava fácil, como quase nunca é para os recém-promovidos do interior português e o Oleiros tinha o exemplo do seu vizinho que sempre teve dificuldades para se manter na zona nacional; o Águias desceria mesmo de volta ao campeonato distrital em 2015/2016 tornando-se campeão distrital em 2016/2017, o que faz que o mesmo concelho tenha dois clubes no Campeonato Nacional de Seniores esta temporada.
Apesar do Oleiros estar fora da sua zona de conforto e a disputar pela primeira vez esta prova nacional, queria a todo o custo manter-se. A primeira fase muito complicada e o registo da equipa foi francamente negativo: três vitórias, seis empates e nove derrotas. Estes resultados relegaram o Oleiros para um sétimo lugar na Série E e levou-o a disputar a fase de manutenção na série F, onde se encontravam equipas como a Naval e o Mafra.
Nesta fase, e de forma a manter-se a todo custo, o Oleiros realizou uma fase de manutenção bem mais positiva do que a fase regular; conseguiu seis vitórias, três empates e cinco derrota, o que os deixou no quinto lugar numa série de oito e onde desciam apenas os dois últimos.
Foi praticamente no limite que o Oleiros se manteve mas, e para aquilo que tem sido a generalidade dos clubes do interior que sobem, o emblema beirão conseguiu uma proeza: manter-se na sua primeira época. Contudo, o clube e o treinador, Paulo Machado, que havia conseguido subir e manter-se no CNS, decidiram que se devia encerrar um ciclo e dar lugar a outro treinador, outra ideia de jogo, outro projeto.

Para esta época o ARCO decidiu apostar em Natan Costa, ex-Sertanense, e decidiu também trazer velhos conhecidos para a equipa; como foi o caso do avançado brasileiro Santolini, que tem feito a sua carreira em clubes da zona do Pinhal: ARCO, Águias do Moradal e Vitoria de Sernache. O reforço mais sonante ainda assim terá sido o jovem Vasco Ferreira que, após ter sido utilizado aos 16 anos por Francisco Chaló numa jogo da Taça da Liga pelo Sporting da Covilhã, foi adquirido pela Académica de Coimbra e é visto como uma jovem promessa. A Briosa decidiu por isso dar tempo de jogo a este jovem, agora com 19 anos, e o clube encontrado foi o Oleiros, que recebeu assim um grande reforço e certamente um acréscimo de talento para este plantel, que na sua grande maioria, transitaram da temporada anterior. Guilherme Campos, ex-Carapinheirense, e Ivan Fidalgo, ex-Mafra, tem sido outros dos reforços para esta época que têm estado em destaque. Fidalgo, que se notabilizou ao serviço do Pampilhosa e do Sertanense ao marcar 16 e 17 golos, respetivamente, tem sido uma peça fulcral para Natan Costa e leva já nesta altura dois golos marcados, ambos marcados no derby contra o Águias de Moradal.
O ARCO tem tido um inicio de época algo irregular e os números são prova disso mesmo, em oito jogos que se contam até agora, o clube do Pinhal teve quatro vitórias – sendo que uma delas por marcação de grandes penalidades para a Taça de Portugal -, um empate e três derrotas, ainda que principalmente a derrota da semana passada tenha sido contra uma equipa com aspirações muito superiores, como é a União de Leiria.
O Oleiros bateu o Alcanenense e o Sousense para chegar até esta fase e encontrar agora o Sporting Clube de Portugal, as gentes da vila certamente que não esperam ver o clube da sua terra surpreender o Sporting, mas esperam sobretudo apreciar o momento, até pelo esforço que foi levado a cabo pela direção de receber o jogo no seu estádio.
Merecem-no porque são de uma região onde o futebol a este nível muito poucas vezes chega, e esperemos que seja uma grande festa, onde todos os intervenientes usufruam desta experiência.
Foto de Capa: Oleiros Magazine
artigo revisto por: Ana Ferreira








