Olheiro BnR – Rui Costa

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Nasceu com nome de craque, e tem feito jus ao estatuto, ainda que se demarque, de forma muito clara do estilo de jogo do (por enquanto) Rui Costa “principal”. É que, enquanto o ex-internacional português jogava com pés de veludo, espalhando o aroma da classe em cada toque e cada passe, o “novo” Rui Costa tem um estilo mais agressivo, furão e aguerrido, embora se denote a mesma perspicácia, a mesma tendência para encontrar brechas nas costas das defesas. Mas se o primeiro lançava os colegas, o segundo lança-se a si mesmo, não deixando o crédito por pés alheios. Se tem de ser feito, ele faz, e pega na bola, finta um ou dois, se necessário fôr e ora tenta a sua sorte, ora oferece o golo a um colega mais bem posicionado.

A forma como, feito predador, procura espaços, permite que haja sempre uma linha de passe no último terço do terreno e a bola pode não ir ter com ele, mas o seu contributo posicional já pode ser tão crucial quanto um “passe de morte” do seu homónimo.

Embora ele prefira tê-la no pé e ser ele a resolver, claro. Porque é um jogador que foge (da marcação) mas não se esconde (do jogo), e que não se importa de assumir as despesas quando é solicitado. Recebe a bola no conforto do seu pé direito e orienta-se, sempre, de forma já bastante evoluída para os seus anos de sénior, para a baliza contrária, local de destino de 9 dos seus remates, que representam mais de um quarto da capacidade finalizadora do Varzim no campeonato, contribuindo significativamente para a boa Segunda Liga do clube, recém chegado ao 5º lugar quando o objectivo passava, no início da época manutenção.

Rui Costa em acção num jogo onde foi decisivo ao marcar o único golo do encontro Fonte: Varzim SC
Rui Costa em acção num jogo onde foi decisivo ao marcar o único golo
Fonte: Varzim SC

“Manutenção”. Uma palavra que não cabe no léxico de Rui Costa, um inconformista nato, um agitador típico que não pode ver águas paradas. Precisa de crescer. Talvez por isso tenha trocado o clube onde acabou de se fazer homem e jogador (começou a formação no Famalicão) pelo líder destacado da Segunda Liga, o Portimonense, com melhores perspectivas de subida.

No Algarve, e partindo do princípio que a filosofia de Vítor Oliveira transita para o próximo ano (com ou sem subida), encontrará outro contexto táctico. Despirá o fato de jogador-satélite, que gravita na órbita de uma referência ofensiva mais musculada, e “encostar-se-à” a uma das alas, um local onde também já foi utilizado esta época e nos escalões de formação e no qual necessita de crescer para que possa explodir além do espectro de jogador de equipa pequena talhado para o contra-ataque.

Algo que, estou em crer, conseguirá. Afinal, quem se consegue afirmar, aos 20 anos e com as suas características, num enquadramento competitivo em que o físico impera, só pode ter (como já demonstrou) a inteligência dos inatos para a ‘bola’.

Foto de capa: Lobos do Mar

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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