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A Bola de Ouro 2026 está muito perto de ser entregues e existem três candidatos à conquista do galardão tão desejado.
O que é a justiça na entrega da Bola de Ouro? É a pergunta que muitos fazem nestes dias que antecedem a cerimónia organizada pela France Football e com o apoio da UEFA. A 26 de outubro, o mundo vai parar para saber quem será o sucessor de Ousmane Dembélé, que brilhou com a camisola do PSG na temporada 2024/25, o que lhe permitiu a conquista do galardão.
Todas as pessoas têm um preferido, além de um leque de atletas que considerem como aceitáveis vencedores. A Bola de Ouro já não é somente entregue pelo mérito desportivo, fruto do que se passa dentro das quatro linhas. Vai bem mais além disso. Trata-se de uma narrativa.
Obviamente que certos critérios estão relacionados com o mais puro do futebol: o desempenho individual do jogador, que tem como consequência os resultados coletivos. Ainda para mais, num ano em que foi disputado um Mundial, existiu uma maior atenção ao que certos atletas fizeram no campo. A prova intercontinental poderá mesmo ter um papel decisivo na decisão de quem vence a Bola de Ouro. Os candidatos espanhóis têm esse trunfo.

Porém, as provas continentais, nomeadamente a Champions League contam com um peso semelhante. O PSG voltou a fazer uma prova imaculada e conquistou a orelhuda. No entanto, a final frente ao Arsenal não foi de encher o olho, com a mesma a ser resolvida nas grandes penalidades. Uma exibição de luxo num jogo de tamanha importância é importante para a conquista dos votos. Dentro do conjunto gaulês, não existe um claro líder. Fabián Ruiz (porque venceu o Mundial 2026) e Khvicha Kvaratskhelia seriam os candidatos mais fortes por parte da turma do Parque dos Príncipes.
No entanto, os dois jogadores perdem para nomes que se destacaram em provas nacionais (além do que fizeram no Mundial e na Champions League). Com uma Premier League sem um candidato óbvio para promover, a La Liga e a Bundesliga trazem à conversa três nomes, que possivelmente vão completar o pódio apresentado durante a próxima segunda-feira: Harry Kane, Lamine Yamal e Kylian Mbappé.
O inglês foi o Bota de Ouro de 2025/26 e terminou a temporada com 73 golos marcados em 65 encontros, números absolutamente surreais. Harry Kane é o melhor ponta de lança do mundo, é o craque do Bayern Munique (um nível acima de Michael Olise) e da Bundesliga. A mudança para a Alemanha só lhe fez bem, ganhando um respeito que quiçá ainda não tinha obtido no Tottenham. O seu único problema é que os rivais pela Bola de Ouro não lhe ficam atrás. Lamine Yamal vai marcar a sua geração e aos 19 anos transformou-se no melhor jogador da La Liga. Foram 57 partidas, 25 golos e 20 assistências, mostrando uma maturidade acima da que deveria ter pela sua idade. Hansi Flick conseguiu retirar dele a sua melhor versão, tal como Luis de la Fuente.

Kylian Mbappé é o seu rival na La Liga, mas não beneficia de um coletivo tão forte como o do internacional espanhol. Colocado a ponta de lança no Real Madrid, o francês fez 60 jogos, 58 golos e 13 assistências, mas foi/é prejudicado por não ter um elenco capaz de o servir (a somar ao facto de não poder atuar a partir da esquerda, onde rende melhor).
Em termos de títulos, Harry Kane e Lamine Yamal deixam Kylian Mbappé para trás, o que serve de explicação para quem pensa que se trata de uma batalha a dois:
- Harry Kane: Bundesliga, Taça da Alemanha e Supertaça da Alemanha;
- Lamine Yamal: Mundial 2026, La Liga e Supertaça de Espanha;
- Kylian Mbappé: Zero títulos.
Porém, como referido anteriormente, para se conquistar a Bola de Ouro é necessário algo mais do que ser decisivo dentro do campo. Recordemos a edição de 2024, com Rodri a ultrapassar Vinícius Júnior, que era o previsível vencedor. O fator diferenciador? O comportamento. O brasileiro é provocador, boémio e notícia pelo que faz fora das quatro linhas. Não é o jogador mais exemplar, longe disso. Jogou mais e melhor do que Rodri (que também esteve a um nível brutal), mas falhou em tudo o resto.
Puxando a fita novamente à frente, Lamine Yamal já foi notícia por comportamentos menos modelares, mas nunca esteve dentro de nenhum escândalo. Harry Kane muito menos. Trata-se de dois exemplos a seguir pelos mais jovens. No caso do espanhol, ainda existe a tolerância de ser jovem (saiu há pouco da adolescência).

O último ponto é a influência da imprensa. Os jogadores (autorizados pelos respetivos clubes, que ajudam neste tema) sabem que têm de fazer capas e defender as suas candidaturas para se afirmarem como vencedores incontestáveis. Lamine Yamal e Kylian Mbappé dedicaram várias semanas a declararem-se como merecedores da Bola de Ouro. É aqui que Harry Kane falha. É vital para o atleta aparecer, fazer capas, ser citado, ainda para mais porque atua fora do eixo Premier League – La Liga. Os seus adversários fizeram o trabalho de casa. Defenderam os seus argumentos e contaram com o apoio de colegas de equipa.
Longe vão os tempos em que a Bola de Ouro se cingia a uma batalha entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. É uma disputa mais aberta, centrada na prestação anual de cada jogador. Não é uma disputa de egos ou de clubes de fãs. Lamine Yamal até pode transformar-se num crónico candidato, tal como Kylian Mbappé, mas a margem para surpresas é bastante maior. A última época ficou marcada por uma consistência incrível de vários jogadores. Declan Rice, Erling Haaland, Bruno Fernandes, Lionel Messi, Nuno Mendes ou Rodri estiveram em destaque, mas têm a plena consciência de que no máximo podem almejar a um top 5. Raphinha nem sequer está nomeado.
As votações foram encerradas a 28 de setembro e há quem já saiba quem vai ser consagrado em Londres. Resta ao adepto esperar. No dia 26 de outubro poderá celebrar, ou tentar entender porque é que o seu favorito não venceu. Certo é que dentro de um ano estaremos a discutir o mesmo tópico, possivelmente com diferentes protagonistas. Deixa-se o alerta: não basta ser brilhante no relvado.












