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O direito do Estrela da Amadora em vender bem

Ricardo João Lopes · 6 min

Estrela da Amadora atletas
Foto: Pedro Barrelas/Bola na Rede

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O Estrela da Amadora tem realizado várias vendas interessantes no mercado de transferências, captando a atenção para as suas movimentações.

O Estrela da Amadora encontra-se a cumprir a sua terceira temporada consecutiva na Primeira Liga, depois de vários anos longe dos holofotes, batalhando por objetivos menores. O projeto encontra-se numa fase de afirmação e consolidação no principal escalão, ainda que o primeiro objetivo passe pela manutenção, pelo menos em 2025/26. Contudo, os tricolores caminham em frente e a longo prazo podem sonhar com algo mais, como emblemas que neste momento se encontram noutro patamar, como o Famalicão, Moreirense ou Estoril Praia, que já olham (ou pelo menos deviam) para a batalha pelo top 10 como o mínimo dos mínimos.

Ainda assim, sabemos que a Primeira Liga nos traz surpresas todos os anos. Numa época, estás a lutar pelo acesso às competições europeus, no outro, vês-te envolvido na batalha da manutenção, que por vezes conta com ‘protagonistas surpresa’. Tudo está relacionado com os projetos e como se olha para o futuro de uma instituição. O Estrela da Amadora tem objetivos a curto prazo, mas não deixa o médio e o longo ‘na gaveta’. Na Reboleira, há uma evolução facilmente visível desde 2023/24. Sérgio Vieira tinha como objetivo a manutenção e conseguiu alcançá-lo. Em 2024/25, foi a vez de José Faria liderar o balneário no final da época, com a equipa a alcançar novamente a continuidade.

No José Gomes, em 2025/26, vive-se novamente uma época de consolidação, com João Nuno ao leme, de um projeto que tem uma figura essencial para o crescimento passo a passo do Estrela da Amadora: Paulo Lopo. O empresário é o dono da maioria da SAD e tem conseguindo montar elencos competitivos, mantendo o tricolor como uma das equipas ‘simpáticas’ do nosso campeonato.

Kialonda Gaspar Estrela da Amadora
Fonte: Luís Batista Ferreira/Bola na Rede

Há algo em que o Estrela da Amadora se tem destacado desde o seu retorno à Primeira Liga: os mercados de transferências e a valorização dos seus ativos. A equipa dos arredores de Lisboa tem conseguido contratar barato e vender caro, ganhando inclusivamente protagonismo no panorama internacional. Kialonda Gaspar deu o pontapé inicial de um crescimento que dura até ao dia de hoje. O angolano esteve duas épocas ao serviço do conjunto luso, depois de se destacar no Girabola, pelo Sagrada Esperança. O Lecce viu no jogador qualidade suficiente para representar uma turma da Serie A e comprou-o por dois milhões de euros, no verão de 2024.

Os italianos gostaram e repetiram a dose ainda em 2024/25, por mais duas ocasiões, catapultando o nome do Estrela da Amadora para as capas dos jornais que seguem o Calcio. Em janeiro de 2025, a formação agora de Eusebio Di Francesco comprou Danilo Veiga por um milhão e meio de euros e Tiago Gabriel, igualmente pelo mesmo valor. O lateral direito afirmou-se com naturalidade. O central teve que esperar pela época seguinte para mostrar as suas virtudes em pleno, sendo associado a uma convocatória por parte de Roberto Martínez e a um salto para a Premier League.

Ainda em janeiro de 2025, o Estrela da Amadora vendeu mais dois jogadores por verbas interessantes. Igor Jesus, contratado ao Flamengo no verão anterior por dois milhões de euros, saiu para o Los Angeles FC por quatro milhões de euros. Já André Luiz (sim, o que esteve associado ao Benfica) foi comprado pelo Rio Ave por dois milhões e duzentos mil euros, mais os passes de Amine Oudrhiri e Fábio Ronaldo.

Tiago Gabriel Estrela da Amadora
Fonte: Luís Batista Ferreira/Bola na Rede

O impacto imediato dos atletas vendidos (exceto Tiago Gabriel) levou a que o mercado passasse a confiar no Estrela da Amadora. Após um verão mais tímido (os tricolores venderam Fábio Ronaldo e Chico Banza, em negócios que geraram pouco mais de um milhão de euros), janeiro de 2025 foi digno de registo, mas claramente pensado. Paulo Lopo não permitiu a saída de jogadores importantes numa fase tardia da janela, o que não impediu a instituição de gerar mais milhões. Oumar Ngom foi comprado pelo Lecce (que aparenta estar rendido à qualidade que há na Reboleira), num negócio que pode chegar aos cinco milhões e meio de euros. Sidny Cabral assinou pelo Benfica, por uma verba fixe de seis milhões, com mais dois milhões e meio de euros em objetivos).

O médio defensivo seis meses antes atuava no Pau FC, da Ligue 2. O ala fazia parte dos quadros do Viktoria Koln, conjunto da Terceira Divisão da Alemanha. Isto não é fruto de sorte. O Estrela da Amadora trabalha bem o mercado, apontando a divisões inferiores de países com presença no mundo futebolístico.

A equipa procurou resolver estas duas vendas cedo, existindo já conversações a decorrer fora do período de transferências, de maneira a trabalhar com calma nos respetivos sucessores. Deixar ‘arrastar’ para o final do mercado geralmente é um problema, principalmente em janeiro, quando é complicado comprar destaques de outros conjuntos.

Sidny Cabral Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Nas últimas janelas de transferências, vemos uma tendência das equipas da Primeira Liga para apostar no mercado espanhol, que já trouxe tantos frutos a clubes portugueses. O Estrela da Amadora tem ido um pouco mais longe, focando-se entre França e Alemanha, não descartando jogadores oriundos de Portugal, como os casos de Diogo Pinto, Jorge Meireles ou Abraham Marcus, tal como atletas de países mais periféricos, como Suécia ou Roménia.

O Estrela da Amadora tem um conhecimento profundo dos mercados nos quais tem investido com maior regularidade, o que reduz a margem de erro na hora de investir. Em janeiro, mais cinco nomes chegaram à Reboleira oriundos do eixo França-Alemanha:

  • Eddy Doué (PSG)
  • Max Scholze (Ulm)
  • Chilohem Onuoha (Colónia)
  • Tom Moustier (Essen)
  • Dudu (Viktoria Koln)

A aposta é clara e promete aumentar. O Estrela da Amadora mexeu bastante no mercado de janeiro, porque o lucro lhes deu esse ‘luxo’. A equipa já ganhou a confiança do mercado, com jogadores a afirmarem-se na Serie A e na Primeira Liga. Isto também faz com que o clube se torne mais exigente na hora de vender. Possivelmente, Tiago Gabriel ou Danilo Veiga seriam vendidos por uma verba maior em janeiro de 2026.

Luan Patrick no Estrela da Amadora
Fonte: Rui Pereira/Bola na Rede

Paulo Lopo referiu recentemente numa entrevista que gostaria que o Estrela da Amadora chegasse aos 15 milhões de euros no próximo verão e o objetivo não é descabido, já que o plantel continua com vários jogadores de qualidade, que deverão somar interessados. Os tricolores mantêm uma postura rígida, mas os clientes acabam por ceder, devido aos resultados que Kialonda Gaspar, Tiago Gabriel ou Sidny Cabral estão a mostrar nas suas carreiras.

O Estrela da Amadora não vai fazer milhões de euros com os jogadores mais experientes, essa não é a sua missão. Renan Ribeiro, Jovane Cabral (ainda que tenha apenas 27 anos) ou Rodrigo Pinheiro não vão gerar lucro. Contudo, os seus ensinamentos para os mais jovens são fundamentais para os respetivos crescimentos. Otávio, Bernardo Schappo, Luan Patrick, Robinho, Paulo Moreira ou Ian Stoica podem dar o salto (excluindo os nomes que chegaram em janeiro de 2026) e ajudar a cumprir o desejo de Paulo Lopo.

Robinho Estrela da Amadora
Fonte: Pedro Barrelas/Bola na Rede

Recentemente, foi noticiado que os tricolores rejeitaram vender Bernardo Schappo e Abraham Marcus. Pelo defesa, que era alvo do Botafogo de Martín Anselmi, a equipa pediu dois milhões de euros. Já o extremo era desejado pelo Athletico Paranaense, que chegou a oferecer dois milhões e meio de euros. A estrutura optou por manter os atletas, que são pedras fundamentais para João Nuno.

A prioridade do Estrela da Amadora é manter o elenco até ao final da época, de forma a completar os objetivos: manutenção e época estável, abrindo margem para negociações no verão, prometendo apontar a verbas ainda mais altas pelo seu jogador. Na Reboleira, há uma linha de pensamento e é isso que permite o crescimento. Joga-se onde se tem conhecimento de causa, evitando apostas de alto risco.

Caso a equipa alcance a manutenção, praticando um bom futebol, algo que João Nuno já mostrou ser capaz de colocar a equipa a jogar, o Estrela da Amadora promete ter ainda mais clientes interessados nas suas jóias. Uma situação a acompanhar nos próximos mercados.

João Nuno Estrela da Amadora
Fonte: Pedro Barrelas/Bola na Rede
Ricardo João Lopes

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