Última horaEM DIRETO: As declarações de Marco Silva e Georgiy Sudakov antes do Benfica x Celtic
Publicidade

Quem é o rei da Andaluzia? É o Real Bétis. Ah, bem me parecia!

Ricardo João Lopes · 7 min

Manuel Pellegrini Real Bétis
Foto: Paulo Ladeira/Bola na Rede

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Comentários (0)

O Real Bétis estabeleceu-se como a equipa dominante da Andaluzia. O emblema do Benito Villamarín montou um projeto vencedor.

SEVILHA, ESPANHA- As últimas temporadas permitiram confirmar um novo paradigma no futebol espanhol. A Andaluzia, recheada de históricos por todas as suas províncias, acabou por ver o Real Bétis transformar-se na instituição mais forte da região. O designado de número 1. Há poucas missões mais difíceis que esta. Uma Comunidade Autónoma larga, com cidades com um espólio enorme, não é fácil de dominar. Para isso, os béticos lograram montar um projeto com vários prazos e uma figura central, beneficiando também do mau momento vivido por outras instituições.

Ao pensarmos no futebol na Andaluzia, sem dúvida alguma que o Real Bétis é um dos primeiros emblemas que nos vêm à cabeça. No entanto, o Sevilha já foi o Rei da Europa League e é lembrado em primeiro lugar por muitos. Málaga, Granada, Cádiz, Almería, Real Jaén… as preferências dividem-se, como em tudo. Porém, o domínio estabelecido pela instituição do Benito Villamarín é inegável. Vivemos tempos em que o verde e brancos está na moda no sul de Espanha.

Primeiro nome a reter: Ángel Haro. O atual presidente do Real Bétis chegou ao cargo em 2016, sucedendo a Juan Carlos Ollero, procurando dar estabilidade ao clube. Os andaluzes passaram pela La Liga 2 em 2014/15 e a missão era que isso não voltasse a acontecer. Vivíamos o auge do Sevilha de Unai Emery, que entre 2014 e 2016 venceu três Europa League. Nessa fase, era turma de Nervión a assumir o papel de protagonista e tinha tudo para dar o salto e passar a sonhar com a conquista da La Liga.

Isco Real Bétis
Fonte: Real Bétis

No Ramón Sánchez Pizjuán, a dupla Monchi – Unai Emery fez história e Ángel Haro sabia perfeitamente qual a receita a seguir. Na La Liga, ter um treinador carismático e um diretor desportivo com bons contactos é uma parte importante para o sucesso. O dirigente acreditava inicialmente que Quique Setién poderia ser o seu ‘Unai Emery’, mas o cantábrio, apesar de ter apresentado resultados satisfatórios, decidiu sair do projeto em 2019 (na temporada seguinte foi um dos treinadores que tentou reerguer o Barcelona, sem sucesso).

Foi em 2020 que o Real Bétis começou o projeto que dura até aos dias de hoje. Depois de um 15.º lugar com Rubi no comando, a direção optou por trazer um nome com outro traquejo e conhecimento do futebol espanhol. Manuel Pellegrini regressou à La Liga pelas portas do sul, depois de finalizada a sua aventura no West Ham United. O chileno chegara para fazer história, mas ainda não o sabia. Na bagagem trazia anos de sucesso no Villarreal e Málaga, além de uma passagem pelo Real Madrid, onde lhe poderia ter sido dado mais tempo.

Manuel Pellegrini é assim o segundo nome a reter, o protagonista do banco de suplentes. No entanto, a receita aplicada no Sevilha necessitava de mais um ingrediente: um diretor desportivo. Antonio Cordón foi o eleito e voltava a fazer dupla com Manuel Pellegrini. Afinal, tratava-se dos dois obreiros do crescimento e afirmação do Villarreal.

Depois de uma época 2019/20 em que foram investidos quase 100 milhões de euros, os novos responsáveis sabiam que não existia grande margem de manobra e focaram-se naquilo que tem sido a regra geral dos mercados do Real Bétis: a contratação de atletas com conhecimento da La Liga. A formação completa os restantes espaços no plantel. A fórmula não tinha segredos e trouxe resultados.

Nos três anos de Antonio Cordón no Benito Villamarín, alcançaram-se dois sextos lugares e um quinto, sem esquecer a conquista da Taça do Rei em 2021/22. Chegaram ao clube nomes como Claudio Bravo, Juan Miranda, Héctor Bellerín, Rui Silva ou Ayoze Pérez. No Real Bétis, os resultados chegaram a curto prazo e a receita para o sucesso estava a ser aplicada.

Héctor Bellerín Real Bétis
Fonte: Real Bétis

Porém, um ‘terramoto’ na direção desportiva teve de ser apaziguado. Antonio Cordón rumou ao grupo liderado por Evangelos Marinakis (e mais tarde chegou ao Sevilha) e Ángel Haro não foi de invenções. Voltou a apostar num nome forte: Ramón Planes. O espanhol tinha um histórico rico. Passou por Tottenham, Barcelona, Espanyol, entre outros.

Contudo, o estilo de Ramón Planes não era o de Antonio Cordón. Na sua visão, também fazia sentido a compra de jovens promessas. Por isso, foram investidos vários milhões de euros em todo o tipo de jogadores. Pablo Fornals, Cédric Bakambu, Héctor Bellerín (novamente), Marc Roca ou Marc Bartra eram as caras novas que representavam a experiência. Abde, Johnny Cardoso e Sergi Altimira chegavam para se afirmar. A cereja no topo do bolo? Isco. Depois de finalizar o seu curto período no Sevilha, o médio ofensivo aterrava do outro lado da cidade para ser a estrela da companhia, cruzando-se novamente com Manuel Pellegrini, que o fez crescer no Málaga, permitindo que desse o salto para o Real Madrid. A sua chegada era o espelho de que o Real Bétis era um clube de estatuto, que já dominava a sua região e queria crescer ainda mais.

Ramón Planes e Manuel Pellegrini montaram um elenco forte em várias vertentes e que resultou num sétimo posto. Na La Liga, é complicado ‘invadir’ o top 3 e a luta pela presença no top 5 é bastante acesa. Estar sempre presente na disputa, é um grande mérito.

Ángel Haro viu-se obrigado a fazer nova alteração, mas adotou uma política diferente. Ramón Planes deixou-se ‘seduzir’ pelo projeto milionário do Al Ittihad, e para o seu lugar, foi promovido o secretário técnico, Manu Fajardo: mais jovem, mas com a mesma linha de pensamento.

E assim, devido a uma saída inesperada, o presidente encontrou a sua melhor dupla. Em duas épocas, resultados quase de sonho. Em 2024/25, o Real Bétis conseguiu o sexto lugar e, na temporada seguinte, chegou ao quinto posto, regressando assim à Champions League, após 21 anos de ausência. Ángel Haro assumiu uma instituição instável, que vinha de uma passagem pela La Liga 2 e transformou-a num exemplo a seguir. O plantel de hoje em dia é resultado do trabalho da direção desportiva. Álvaro Valles, Natan, Fran García, Antony, Rodrigo Riquelme, Dani Ceballos, Facundo Bernal ou Troy Parrott chegaram pelas mãos de Manu Fajardo, que se estabeleceu como um dos melhores diretores desportivos da atualidade.

Hoje em dia, o elenco do Real Bétis tem uma qualidade inegável e tem plenas condições até por lutar pela terceira posição na La Liga. Foram investidas dezenas de milhões de euros, mas ao longo do tempo também se concretizaram vendas de elevado valor. O Fair Play da La Liga é restrito e impossibilita investimentos de risco. Não há um estado do Médio Oriente a colocar dinheiro. É tudo fruto de um caminho que foi estipulado há uma década e que tem obreiros com cara e nome reconhecidos. Esta história é o verdadeiro fruto da meritocracia.

Atualmente, o Real Bétis é o único elenco da Andaluzia que pode afirmar que o seu grande objetivo é a qualificação para as provas europeias. Os béticos lutam de armas iguais com Villarreal, Athletic ou Real Sociedad, encontrando-se numa segunda linha do futebol em Espanha, deixando para trás os irregulares Valência e Sevilha.

O caminho percorrido foi em crescendo e sem grande magia, mas com um planeamento milimétrico. Ao mesmo tempo, assistia-se à queda do Sevilha, depois de ter investido mais capital do que o que podia e não ter logrado os resultados desejados. Além disso, os rojiblancos vivem uma crise institucional quase sem fim, com uma disputa entre pai e filho por um clube em que os sócios estão fartos de ficar para trás (no entanto, 2026/27 trouxe melhorias significativas pelas mãos de Luis García Plaza e José Ignacio Navarro). Já o Málaga viveu anos de pura agonia, com o sheik Al Thani a deixar o clube na miséria. No entanto, a equipa do La Rosaleda viveu uma história de superação. Caiu no ‘inferno’ da Primera RFEF, mas as promessas ajudaram ao reerguer de um histórico, que voltou em 2026 à La Liga, mas ainda com dores de crescimento.

Abde no Real Bétis
Fonte: Real Bétis

Cádiz e Granada estão cientes de que será complicado regressarem à La Liga no curto prazo, procurando antes uma estabilidade no segundo escalão. Se a equipa do Nuevo Los Cármenes segue um trajeto mais regular, a formação do Nuevo Mirandilla não aparenta estar no melhor caminho.

O Almería, com a propriedade a pertencer à Arábia Saudita (e a Cristiano Ronaldo) luta anualmente pela promoção à La Liga, mas ‘tem batido na trave’. Javier García Pimienta tenta cumprir o sonho do clube na presente temporada, contando com um conjunto bem apetrechado.

A conclusão à qual podemos chegar é apenas uma: o Real Bétis dita as modas na Andaluzia e é provável que a situação não se altere nos próximos anos. Manuel Pellegrini e Ángel Haro transformaram-se em figuras de culto e os adeptos não têm na sua mente que os respetivos ciclos possam chegar ao fim (o chileno está com 73 anos). A próxima missão? Manter a mesma tranquilidade e não mudar o trajeto, mesmo quando chegarem os resultados menos positivos.

Ricardo João Lopes

Redação Bola na Rede · ver artigos

Comentários 0

Comentários moderados.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a dizer o que pensas.

    Respeita os outros leitores: insultos, spam e discurso de ódio são removidos. Política de privacidade.